O terror de Estado na Itália e Cesare Battisti

Do início dos anos 70 em diante, a Itália começou a ferver. De norte a sul, o absenteísmo subiu a níveis inauditos, a sabotagem da produção industrial generalizou-se, as greves se sucediam, os bairros se organizavam em coletivos que regiam cada vez mais aspectos da vida social, da ocupação do espaço coletivo aos preços praticados pelo comércio local, as universidades se esvaziavam enquanto a juventude se recusava cada vez mais maciçamente a enquadrar-se nas "opções" de trabalho, lazer e educação que a sociedade lhe oferecia. Rádios piratas pipocavam por toda a parte e em uma região como o “centro storico” de Roma, dezenas de coletivos de ruas e de praças decidiam tudo, de quanto se pagaria de aluguel a quanto os supermercados locais poderiam cobrar por um quilo de arroz ou um pacote de velas. Os cinemas eram obrigados a franquear a entrada pelo menos um dia por semana e um show do Lou Reed em um estádio de Roma teve menos público dentro do que policiais e jovens do lado de fora atirando pedras para dentro, porque o “artista” se recusara a fazer um show gratuito em praça pública, contrariando o que já se tornara uma tradição para as bandas de rock que visitavam a cidade.

Em toda a Itália, a ordem reinava, mas não governava.

A este movimento perigosamente subversivo o Estado italiano, corrupto até a medula e infiltrado em todos os níveis pela máfia e por neofascistas, e cujos serviços de informação agiam sem qualquer controle, respondeu com o terror. Incitando inocentes úteis com a capa vermelha da “ação radical” ou conduzindo ele próprio as suas operações mediante os grupos clandestinos ligados à “operação Gladio” (informações mais completas aqui, em italiano, e aqui, em inglês), instaurou a chamada “estratégia da tensão” uma onda de atentados a bomba, assassinatos e sequestros que mataram centenas de italianos. A operação foi um sucesso e o movimento popular que tanto assustava os donos do poder no país (e que já começava a render frutos nos países vizinhos) foi dizimado e os serviços de informação puderam convocar as dezenas de agentes provocadores que haviam infiltrado (e muitas vezes até fundado) os grupos de “luta armada” a se “arrependerem”, passando a denunciar e acusar os seus ex-companheiros, que em pouco tempo estavam todos mortos ou atrás das grades, condenados com base em “provas” fornecidas pelos agentes do Estado infiltrados no movimento. Ou destruídos pela droga, cuja distribuição maciça pela polícia transformou Roma na capital europeia da heroína.

Os chamados “anos de chumbo”, que contaram com a plena e entusiasmada colaboração do partido dito comunista e com a cumplicidade dos “socialistas”, serviram para preparar a base social da tomada do poder do Estado italiano pelos grupos que até então tinham agido nas sombras da ilegalidade, promovendo a ascensão ao governo de indivíduos como o Silvio Burlesconi e outros ligados diretamente ao crime organizado, aos movimentos neofascistas e aos remanescentes da operação Gladio e da loja maçônica Propaganda Due, a P2. Todos os membros do governo italiano, sem exceção, da extrema-direita do norte do país aos socialistas, têm as mãos manchadas do sangue das centenas de italianos assassinados durante os anos do terror. É a esta paródia sinistra de “governo democrático” que a nossa direita tupiniquim e os seus aliados de ocasião querem entregar o Cesare Battisti.

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24 comentários
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Marcotog

Escreveu escreveu e escreveu e nada disse sobre os crimes cometidos pelo Battisti, se comuns ou políticos.

 

 
 
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Mauro Silva

então, leia de novo ou até entender.

 
 
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o outro lado I

por Valter Maioerovitch

Terror. Lula vai negar extradição de Cesare Battisti. Razões humanitárias fundamentam a decisão do presidente Lula.

–1. RAZÕES HUMANITÁRIAS.
O jornal italiano Corriere della Sera, –em furo de reportagem dado pelo jornalista Rocco Cotroneo–, adianta qual será a decisão do presidente Lula no caso Cesare Battisti, que já se prepara para passar o Ano Novo em liberdade e com amigos que chegarão da França.

Essa decisão de Lula, — consoante o prestigiado jornal Corriere della Sera (segundo em circulação na Itália)–, já teria sido comunicada ao primeiro ministro Silvio Berlusconi.

Informado, o premier italiano, — que enfrenta protestos de universitários e tenta recompor uma banca majoritária a evitar a antecipação das eleições parlamentares–, teria solicitado a Lula não fosse a decisão presidencial baseada em fundamentos já afastados pela Justiça italiana e pela Corte de Direitos Humanos da União Européia, como perseguição política, nulidade processual, ausência de defesa, provas frágeis, etc. Ou seja, todos os absurdos argumentos adotados pelo então ministro Tarso Genro e que foram considerados ilegais pelo Supremo Tribunal Federal.

Razões humanitárias, segundo o jornal Corriere della Sera, serviria de fundamento à decisão de Lula, que adotará o parecer já entregue pela Advocacia Geral da União (AGU). Aliás, o mesmo órgão que entendeu ser constitucional a lei de anistia que conferiu “direito de matar e de torturar” aos agentes sustentadores da ditadura militar brasileira.

Vale lembrar que razões humanitárias levaram o presidente francês Nicolas Sarkozy suspender, com relação à italiana Marina Petrella, a extradição determinada pela Justiça francesa: extradição decorrente de condenações por atos terroristas perpetrados contra a democracia e o estado de Direito italiano.

Petrella estava hospitalizada, dada como terminal em face de avançado câncer. Em outras palavras, Sarkozy acertou na decisão, pois, efetivamente, a suspensão da extradição guardava razão humanitária.

Como se sabe, e este site do IBGF , Battisti é portador de hepatite do tipo “c”, que estaria controlada. Ao contrário de Petrella, não corre Battisti risco de perder a vida e nem está internado em estado terminal.

Battisti, 56 anos de idade, é um pluriassassino. Foi definitivamente condenado por co-autoria nos assassinatos de um açougueiro, de um joalheiro de periferia, de um carcereiro e de um motorista policial.

Fora isso e como em entrevista à revista Carta Capital ressaltou o magistrado Giancarlo Caselli (chamado de toga vermelha por Berlusconi) , Battisti compunha um grupo de ataque a civis saídos das fábricas. Esses trabalhadores eram alvejados nas pernas e o aleijão servia para propaganda, como a vítima de lesões graves foss “oudoor” de divulgação de ações eversivas voltadas a difundir a “paura” (medo).

Quando das violentas ações de Battisti e da sua organização, a Itália vivia sob um regime democrático e em pleno estado de Direito.

Um socialista (Sandro Pertini), ex-presidiário do fascista Mussolini, era o presidente da República. O partido comunista (eucomunismo independente da linha soviética), como o segundo maior, era o fiel da balança no Parlamento.

O terrorismo das Brigadas Vermelhos e grupo eversivos, como o pequeno a que pertencia Battisti, impossibilitaram a chegada ao poder dos comunistas italianos.

Por tudo isso, o atual Partido Democrático (PD), formado por ex-comunistas dos anos 70, é favorável a extradição de Battisti, dado como traidor e covarde.

Covarde porque todos os que não fugiram admitiram, no devido processo, os seus atos e o papel nas organizações eversivas. Todos já estão em liberdade, com exceção a uma sentenciada, recentemente extraditada para a Itália.

Battisti nega as suas ações, ou seja, não assumiu os seus atos e o seu passado. E ainda a sua defesa, falsamente, fala em prisão perpétua, que não existe mais na Itália: os países membros da União Européia não podem manter privação de liberdade superior a 30 anos.

Battisti, um comunista subalterno à orientação soviética e contrário à linha independente do eurocomunismo europeu, prejudicou os ideais de comunistas históricos, como Enrico Berlinguer e o atual presidente da Itália, Giorgio Napolitano (Napolitano insistiu com Lula na extradição, ao contrário de Berlusconi, cuja editora publica os livros de Battisti).

–-2. DESUMANIDADES

O presidente Lula, cujo governo deixou a desejar no campo dos direitos Humanos, não permitirá a extradição de Battisti, por questões humanitárias.

Pergunta-se: Lula não vai considerar a desumanidade de Battisti para com as vítimas e os seus familiares ?

Luc Rosenzwig foi durante anos diretor de redação do jornal francês Le Monde.

Ele deixou o Le Monde e o prestígio do cargo para virar escritor sucesso. Sobre Battisti ela observou que “ ninguém dedica uma palavra ou pensamento às pessoas assassinadas por Battisti e às suas famílias”.

--Wálter Fanganiello Maierovitch

 
 
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kleber.s

"Ou seja, todos os absurdos argumentos adotados pelo então ministro Tarso Genro e que foram considerados ilegais pelo Supremo Tribunal Federal.

Razões humanitárias, segundo o jornal Corriere della Sera, serviria de fundamento à decisão de Lula, que adotará o parecer já entregue pela Advocacia Geral da União (AGU). Aliás, o mesmo órgão que entendeu ser constitucional a lei de anistia que conferiu “direito de matar e de torturar” aos agentes sustentadores da ditadura militar brasileira."

 

Não sei por que a Carta capital insiste tanto em ser desonesta sobre esse assunto. Uma pequena alteração no texto do juiz:

Ou seja, todos os absurdos argumentos adotados pelo então ministro Tarso Genro e que foram considerados ilegais pelo Supremo Tribunal Federal. Aliás, o mesmo órgão que entendeu ser constitucional a lei de anistia que conferiu “direito de matar e de torturar” aos agentes sustentadores da ditadura militar brasileira.

Legal, né?

 
 
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Alceu Cáceres Gonçalves

Caro Romanelli, vc não tem outra fonte de onde possa beber água menos poluída? Na questão Batistti, o Wálter já está mais do que desmascarado e desmoralizado, a ponto de muita gente boa, eu inclusive, que o admirava está revendo este sentimento.

 

                                                                        AlceuCG.

 
 
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Miro Oliveira

Estive esse período de festas numa família italiana bastate engajada politicamente e assumida comunista, embora um tanto descrente do quadro político-partidário também da dita esquerda italiana. E de fato, os acontecimentos "não-oficiais" recorrentes na dita Itália democrática me foram de deixar boquiaberto. A palavra "strage", compreendida por mim como atentados e mesmo "matança", esteve presente em todas as elucidações de todos os períodos italianos pós-guerra. O início já bastante precoce: o 1o de maio de 1946. Desde então, numa guerra nem tão fria entre grupos de esquerda e direita, vários atentados e bombas explodiriam por toda a península.

Parcialmente, já que a informação me veio de um lado comunista claro, a repressão pelos agentes de Estado pesavam muito mais sobre os grupos assumidamente comunistas, uma vez que a Itália era um país do bloco ocidental talvez o mais propício e articulado para a instalação de talvez não um regime, mas simplesmente de um governo comunista.

Ainda assim, no caso específico de Battisti, sua opinião era favorável à extradição e cumprimento da pena em Itália (à exceção do pai da família, um pouco mais cético em relação à justiça de seu país). O argumento era que duvidavam menos daqueles julgados culpados face aos não julgados ou ditos inocentes, i.e., "não duvido quando a justiça os condena, se condenados é porque de fato mereceram; mas aqueles que conseguem se safar por meios escusos é que devem ser objeto de cautela, principalemente o chefe de governo [Berlusconi]".

Esse foi o retrato que tive dessa última semana na Itália. Reitero que nem tudo possa ser  digno da mais fiel imparcialidade. Aqueles que souberem um pouco mais das ditas "strages" e pudereme elucidar esses ocorridos obscuros da democracia italiana prestarão um enorme favor.

 

Bom ano a todos.

 
 
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o outro lado II

por Valter Maioerovitch

01/09

Para o Partido Comunista Italiano, a decisão do ministro Tarso Genro de conceder “staus” de asilado político a Cesare Battisti foi completamente errada, de quem não entendeu nada sobre o que acontece ou se passou na Itália.

O ex-ministro da Justiça italiana, Piero Fassino, homem de esquerda e um dos líderes do partido Democrático que faz oposição ao governo de centro-direita do premier Sílvio Berlusconi, concedeu ontem uma entrevista ao canal 5 da televisão italiana, no concorrido programa Panorama del Giorno.

Fassino disse que a decisão de Tarso Genro é completamente equivocada: “È uma decisione sbagliata perche il processo di Battisti in Italia è per reati di sangue molto gravi” (É uma decisão errada porque o processo de Battisti na Itália versa sobre crimes de sangue de muita gravidade).

Battisti, prosseguiu o democrata de esquerda Fassino, “foi um protagonista da estação do terrorismo e acredito que seria justo que o ministro brasileiro tivesse mais consciência da escolha que fez”.

Segundo Fassino, “existe uma avaliação errada a respeito de crimes ligados a delitos políticos, como se estes tivesses uma conotação diversa daqueles. Quando se mata um homem, é justo que se pague”.

O fato da concessão de status de refugiado político a Battisti assume gravidade, que vai gerar reações diplomáticas imprevisíveis. Até pela linguagem inadequada e conclusões grosseiras de Genro, --como se a Itália fosse uma Darfur--, sobre a falta de segurança interna, com justiceiros e milícias a acertar contas com os seus desafetos.

Para Genro, “há dúvida razoável de perseguição” a Battisti. Não bastasse a sua certeza de a Itália colocar em risco a vida de presos recolhidos aos seus cárceres, Genro obrou em suprema ignorância a respeito da realidade italiana.

Certamente, imagina que o sistema carcerário italiano é igual ao brasileiro, com o crime organizado a dominar os presídios.

Com exclusão de uma ex-brigadista-vermelha, recentemente encarcerada, e de Marina Petrella, também integrante da linha de frente das Brigatte Rosse e que teve a extradição determinada pela justiça da França e esta não se efetivou por questão humanitária (grave estado de saúde), nenhum condenado está em cárcere. Todos, por cumprirem parte da pena,receberam benefícios.

Na Itália, como no Brasil, o tempo de cumprimento da pena não pode ultrapassar 30 anos ( o “ergastolo” que é a pena perpétua, não existe mais). Muitos dos ex-brigadistas lecionam em universidades e, um deles, foi assessor do ex-premier Romano Prodi. Aliás, foi Prodi quem solicitou, na condição de chefe de governo de centro-esquerda, a extradição de Battisti, junto ao nosso Supremo Tribunal Federal.

Por outro lado, espanta o desconhecimento do ministro Genro sobre questões elementares, que seguramente o reprovariam num exame da Ordem dos Advogados do Brasil.

O ministro Genro afrontou uma decisão soberana do Estado italiano e, simplesmente, a desvalorizou por entender estar baseada em “leis de exceção”.

A Itália republicana sempre viveu em plena democracia e jamais cunhou leis de exceção, que o ministro Genro confunde com emergências geradoras de reformas legislativas, por Congresso eleito pelo povo. Por acaso, as leis brasileiras, modificadas em razão dos ataques do Primeiro Comando da Capital ou a sobre crimes hediondos em face da escalada da criminalidade, são leis de exceção ? Lógico que não.

Não competia a um ministro da Justiça cassar, desconsiderar, valorar como nula, decisão da Jstiça italiana. Justa ou injusta, certa ou errada, as condenações definitivas de Battisti não podiam ser cassadas por Genro.

Como se diz sem rigor técnico, Genro avançou o sinal e tornou-se o magistrado supremo, diretamente do Brasil, dos acertos e erros sobre o mérito das condenações.

A propósito, destacou Genro ter sido Battisti acusado por um parceiro que se tornou colaborador da Justiça e era testemunha única. No Brasil, como na Itália, vigora o princípio do livre convencimento do juiz. A medieval regra da prova tarifada, -- “testis unos testis nullos” (testemunha única causa testemunho nulo) não seaplica há muito tempo.

Não se deve esquecer, também, que o Brasil importou da Itália e aplica o instituto da delação premiada.

Dois outros fatos impressionaram e pesaram na canhestra decisão de Genro

Um deles foi a carta do senador vitalício Francesco Cossiga em favor de Battisti. Não informaram o ministro Genro que Cossiga era o ministro do Interior (sgurança interna) quando do seqüestro e da morte de Aldo Moro, ex-chefe de governo e, à época, presidente do partido da Democracia Cristã.

Essa dupla, que tinha Moro como opositor, negou-se a aceitar a proposta das Brigadas Vermelhas para libertar Moro.

Não bastasse, no ministério de Cossiga nasceu, dentro do departamento nacional de inteligência, a Gládio. Esta, uma organização de ultradireita, responsável por uma dezena de atentados e tragédias na Itália.

A esposa e os filhos de Moro, que teve funeral de chefe de Estado, não compareceram ao velório. Isto porque apontavam Andreotti e Cossiga como os grandes responsáveis pela morte de Moro: ainda não mudaram essa convicção.

Com a carta, Cossiga, octogenário, continua na sua tentativa de limpar parte do seu curriculum vitae.

Uma breve leitura sobre os chamados “anos de chumbo” mostra que a Itália, quando da eversão (terrorismo), vivia em plena democracia. O partido comunista italiano em ascensão e a ocupar o posto de segundo maior partido político.

Moro havia trazido para a direitista democracia cristã quadros do centro. Ainda, se aproximou de Enrico Berlinguer, secretário geral do partido comunista. O eurocomunismo, independente de Moscou, era favorável à liberdade de expressão, ao direito de reunião, ou seja, valores democráticos que, atualmente, a esquerda empunha como bandeira.

Com efeito. Os radicais e os terroristas lutavam pela derrubada do Estado democrático de direito.

A minúscula organização de Battisti queria, com mortes e bombas, mudar o sistema, para proletários tomarem o Estado. Tudo na força, sem eleições.

Sem preocupar-se com as famílias das vítimas mortas por Battisti, o ministro Genro desprezou a história italiana. E ofendeu o país ao considerá-lo incapaz de garantir segurança aos seus presos.

À revelia, sem defesa, afirmou Genro ter sido julgado Battisti. Esqueceu de contar que, à época e no Brasil, também eram julgados à revelia os foragidos, como Battisti.

Como ensinam os processualistas que a lei processual nova não tem efeito retroativo, não há risco, para nós brasileiros, de Genro querer propor nulações de condenações de réus julgados à revelia: no Brasil tem pouco mais de dez anos a lei que suspende o andamento do processo de réu não citado pessoalmente, por oficial de Jutiça.

Battisti fugiu de cárcere italiano em 1981. Foi viver na França. Quando a Itália postulou a sua extradição a justiça da França o colocou, até julgamento, em prisão domiciliar. Ao perceber que a justiça francesa iria extradita-lo, Battisti fugiu e se fixou em Copacabana, na clandestinidade.

Pelo que se extrai da colocação de Genro, a justiça da França, com a extradição deferida, colocaria Battisti em risco, pois poderia ser eliminado por justiceiros ou milícias eversivas, que se vingariam dele, embora não se sabe, e o nosso ministro não disse, bem o por quê.

Uma das vítimas de Battisti foi um açougueiro de periferia, sem filiação partidária ou militância política. Seu erro foi reagir a um assalto tentado pela organização de Battisti. A turma de Battisti não gostou e, passado o tempo, voltou para vingar a ousadia do açougueiro. Para isso, o mataram a tiros e de surpresa.
PANO RÁPIDO. São decisões como a do ministro Genro no caso Battisti que envergonham.

Como ficou claro na decisão de Genro, deve-se conceder sempre um “bill” de indenidade aos que matam, por ideologia política e para conquista, por via armada, do poder, ainda que haja Estado de Direito.

Durante a ditadura militar, os que torturam e mataram os que lutavam contra o regime de exceção, devem ter se alegrado com a decisão de Genro. Afinal, eles podem dizer que foram crimes políticos.

Vamos aguardar que o presidente Lula faça a revisão e casse o benefício a Battisti. Lula poderá fazer a revisão, pois o ministro da Justiça é um agente da sua autoridade. E a Itália acabou de pedir a revisão.

Não devemos nos surpreender se Battisti, como fez na França, cair fora, antes de Lula decidir. Mantida a decisão por Lula, o Supremo Tribunal Federal determinará o arquivamento do pedido de extradição, por ter perdido o objeto, em razão do asilo político.
Wálter Fanganiello Maierovitch

 
 
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Tomás Rosa Bueno

O jurista funcionário Walter Maierovitch e o seu patrão Mino Carta não podem (no sentido de "não têm permissão para") ignorar o papel que os comunistas italianos tiveram na consolidação e depois no acobertamento das ações criminosas do Estado italiano durante os anos de chumbo, não podem ignorar a cumplicidade dos "comunistas" e "socialistas" da Itália com a onda de atentados a bomba, assassinatos e sequestros que varreu a Itália como a resposta dos serviços de informação do Estado italiano ao "longo 68" durante o qual os trabalhadores e a juventude italiana encostaram o poder corrupto da aliança PC-DC-PS-Máfia nas cordas. O dono da revista (que é o primeiro a dizer que dono de jornal não é jornalista) que paga as opiniões jurídicas do sr. Maierovitch sabe com certeza que o Cesare Battisti não pode ter cometido pelo menos um dos crimes pelos quais foi condenado, tanto que preferiu fechar o próprio blogue a ter de explicar como alguém pode ter assassinado alguém em Mestre, Veneza, e, duas horas e meia depois, estar diante da casa de outra vítima de assassinato em Milão, a uma distância que hoje, depois da inauguração da autoestrada A4, leva três horas e meia para percorrer. O sr. Mino Carta, que a cada tanto evoca a sua experiência do fascismo mussoliniano na própria pele, não pode (de novo, no sentido de "não tem permissão para") ignorar o valor do testemunho de informantes "arrependidos" ou infiltrados. O sr. Mino Carta não tem o direito de omitir o papel do partido comunista italiano no acobertamento dos mandantes e autores intelectuais no sequestro e morte do ex-primeiro-ministro Aldo Moro. O sr. Mino Carta tem a obrigação de informar ao seu funcionário jurista o envolvimento até o pescoço do partido socialista italiano em todos os escândalos de corrupção política e financeira da Itália nas últimas quatro décadas.

O papel dos serviços de informação do "Estado democrático de direito" italiano na instigação e na operação de atentados, assassinatos e sequestros políticos e na montagem de operações de "bandeira falsa" para imputar ora à esquerda ora à direita a responsabilidade pelas suas próprias operações criminosas não está em questão: é fato investigado (com a celeridade típica de quem está "muito interessado" em descobrir a verdade) pelas justiças e pelos parlamentos de pelo menos oito países, inclusive os Estados Unidos. O papel do Estado italiano no aliciamento e incitação de jovens radicais extraviados para o cometimento de crimes que serviram para montar e pôr em ação o aparato antidemocrático de repressão que está em vigor até hoje e o papel dos partidos comunista e socialista da Itália no fornecimento de agentes provocadores e futuros "pentiti" para o bom funcionamento desse aparato também é objeto de investigação pela justiça italiana e não é objeto de dúvida por ninguém sério que não tenha interesses concretos em ocultar os fatos. 

Portanto, quando o jurista funcionário Walter Maierovitch vem citar a "autoridade" de representantes dessa "esquerda" mais que corrupta e cúmplice de todos os crimes cometidos pelo Estado italiano desde os anos 60, só pode estar agindo de má-fé, ou pelo menos estará agindo baseado na má-fé do seu patrão, se este não lhe tiver informado todos os fatos pertinentes ao caso - o que não o eximiria da obrigação de procurar conhecer por si mesmo esses fatos, à disposição de qualquer pessoa com um mínimo de interesse em saber a verdade acerca do que está escrevendo, em vez de escrever com base apenas nos interesses de quem lhe paga. O sr. Maierovitch, na sua condição sempre alardeada de jurista e ex-juiz, não tem perdão por emitir pareceres pretensamente jurídicos em assuntos sobre os quais não tem ou não quer ter as informações pertinentes.

O aparato policial-jurídico-clandestino montado pela quadrilha que estava no poder na época em que foram cometidos os crimes imputados a Cesare Battisti (cujos cabeças, presidentes, primeiros-ministros, senadores, generais, foram todos assassinados, morreram no exílio ou foram condenados a longas penas de prisão) é o mesmo que hoje sustenta a quadrilha que comanda os destinos dos italianos. Chamar esta associação criminosa de "Estado democrático de direito", como o faz o sr. Mino Carta, é um insulto aos democratas italianos que tentam em duríssimas condições impedir a consolidação definitiva desse aparato, e aos democratas brasileiros que tentamos (re)construir as nossas instituições depois dos nossos próprios anos de chumbo. É um insulto à memória das centenas de cidadãos brasileiros e italianos assassinados pelas suas próprias versões de terror de Estado. O sr. Mino Carta tem a obrigação, em vez de se fazer de vítima e de enviar juristas funcionários para (mal) tentar tirar as castanhas do fogo por ele, prestar contas da sua atitude aos democratas do seu país de origem e do seu país de adoção.

 
 
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Tomás Rosa Bueno

E, entre outras coisas, a história do açougueiro é mentira - do jurista funcionário, não da polícia italiana. Quem morreu tentando assaltar o açougueiro era um ladrão comum, que não tinha nada a ver com a organização do Cesare Battisti, e o jurista funcionário sabe disso, está nos autos.

 
 
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Ronaldo

   Não pretendo entrar no mérito da extradição ou nao de Batisti. Não tenho conhecimentos suficientes para julgar algo de tal complexidade. Porém, me parece essencial a qualquer brasileiro ver com clareza que a atitude do governo italiano nos deixa pouca margem à conversação.

   Desde sempre nesta disputa, "impuseram" a vontade do seu "Estado de direito democrático", esquecendo-se completamente que estavam tratando com outro Estado de mesmo nível. Colocaram-se na condição de mandantes sem possuírem poderes para tal. Elevaram uma voz sem base e de forma canhestra colcaram o governo brasileiro na condição de, ao ceder à sua catilhena, parecer aos olhos do mundo, um Estado subserviente, que abaixa sua cabeça quando alguém, na distante Europa, resolve se auferir louros de senhor do mundo, exigindo que outro País pague-lhe obediência. Dá-me a impressão que logo as tropas italianas desembarcarão no Rio de Janeiro.

   Conforme já vi descrito aqui mesmo no blog, a atitude do governo italiano dá na verdade a entender que não desejam a extradição, pois a deixar outro governo contra a parede, não podem esperar outra coisa se não a negativa.

   Alguém precisaria ensinar a diplomacia italiana a trabalhar.

 
 
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marx portella

Concordo com vc.

Aliás, nós mesmo fomos protagonistas deste tipo de situação ao negociar diplomaticamente com o principado de mônaco a extradição do Salvatore Cacciola, sem usar de toda essa arrogância que o governo italiano nos tratou desde a prisão do battisti.

 
 
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DanielQuireza

É verdade. A Itália pensa ser quem para falar dessa maneira com o Brasil ? Só por essa atitude já caberia a não extradição. Além do mais nao quiseram extraditar o Cacciola um cidadão que cometeu crimes aqui no Brasil. Se a lei deles não permitia a extradição, pois bem, a lei Brasileira também permite e não extradição e assim será.

 

@DanielQuireza

 
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Marco A

Você se esqueceu só de um detalhe, meu caro: Cacciola era cidadão italiano e nenhum governo neste planeta extradita seus cidadãos para cumprirem pena em outro país, salvo se houve tratado específico sobre isso. O Brasil não tem, a Itália não tem. Tanto que o sujeito colocou os pés fora do território italiano e foi preso. Pergunto: Voce leu sobre alguma medida do governo italiano pedindo a extradição de Cacciola? - Pois é, não teve.

Quanto aos demais comentários, salvo de uns poucos que lutam em desespero mostrando o outro lado:

A Itália falou grosso e por isso devemos ser altivos é? E o que dizer de justos, razoáveis e outras qualidades? A turminha por aqui esquece facilmente as grosserias do Evo Molares dizendo que o Brasil roubou o Acre pelo preço de um cavalo ou colocando o exercito nas refinarias da Petrobrás depois do Lula abertamente apoia-lo na eleição presidencial. A turminha foi toda em defesa da Bolivia achando que Lula tava certo em baixar a cabeça.

É curioso esse sentimento de soberania tão sui-generis.

A turminha é impressionante, criminoso condenado com o processo analisado pelas cortes europeias de direitos humanos recebendo correntes e mais correntes de solidariedade.  Um sujeito que cometeu crimes comuns sob um manto de luta política que não se sustem.  Já o infeliz do preso político cibano que morreu decorrente da greve de fome mereceu desaforos e a comparação com presos comuns pelo nosso popular em escala planetária, presidente e ninguem por aqui lembrou que o sujeito era, esse sim um preso político, com grave perigo de vida vivendo em uma prisão, essa sim, de uma ditadura.

Seria ofensa dizer que é hipocrisia? Talvez, especialmente aos hipócritas sinceros, já que o caso demonstra o método de pensar militante e ideológico embora os termos sejam obviamente conflitantes.

 
 
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o MEU lado

A ITALIA é um país democrático, irmão  ..que respeita os direitos humanos  ..de instituições maduras e transparentes.

se ela quer, POR SUAS LEIS e regras, por seu equilíbrio,  julgar o SEU CIDADÃO, que feriu de outros dos seus, que assim o seja.

..assim como o BRASIL quer ser respeitado, ele deve respeitar a decisão de outros povos democráticos  que querem também o direito de fazer o melhor juízo dos SEUS fatos.

zé fini

ps - e sobre Batistti  ..re re re.. pra mim esse é culpado até JULGAMENTO em contrário  ..aliás, justamente aqui, pra que haja o esclarecimento das duvidas e o clareamento dos fatos  ..este é o mlehor motivo pra que BATTISTI seja devolvido a quem de direito

..eu NÃO acredito que DEZENAS de juízes (incluso aqui os ministros do Supremo)  estes que tiveram acesso total ou parcial aos autos, que eles cairam em armadilhas e vícios primários  ..que foram parciais e ingênuos como querem fazer parecer alguns amigos de Cesari  que hoje desempenham orquestradamente o seu "jus espernianti"

..assim não, assim eu não caso Battisti (by irmão Carmelo)

Ahhh, mas e se a decisão de LULA prevalecer - bem, aí eu é que continuarei a esperniar dizendo que, a meu juízo,  NÃO esta certo  ..pois afinal, sempre aprendi que não devemos fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem a nós  ..só isso

 
 
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DanielQuireza

Como assim se a decisão do Lula prevalecer ? Há outra opção? O STF decidiu que o Lula é que iria decidir. Pois bem, o mesmo ja decidiu. Segundo eu vi, cabe apenas ao STF determinar que se cumpra o que o Presidente decidiu. Não sei porque mas esse caso está me lembrando o do Tiririca...

 

@DanielQuireza

 
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pois é André..

é como digo  ..quando a coisa é política, quando não entra no mérito e resa pela ética  e coerência (que por exemplo,  no caso, diria-nos que esse CARA não é e nem nunca foi coisa e problema nosso)  ..aí só sobram as formas  ..as filigranas e as letras  ..a chicana jurídica

DO que tenho ouvido, a alegação de LULA se fundamentou em risco de vida (não existe) ..e razões humanitárias (o cara tá saudável e esperto, faceiro  ..embora tenha alegado que ele tem hepatite - acho que no joelho)

  ..assim, parece que o CAUSO retorna ao Supremo até fevereiro (que já  aconselhou que o caso do MALACA era de ter sido mandado embora - 5x4, lembra? ) pra ter de melhor julgamento

dificil né?

e sobre TIRIRICA, esquece, desencana  abestado re re re

no mais  ..melhor aguardar os proximos passos pra ver quem entra e quem sai

 
 
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Chato Feliz

Desde quando Itália tem status de país irmão do Brasil? Porque houve imigração italiana para cá somos países irmãos? Qual país europeu portanto não é "irmão" do Brasil segundo esse critério? Qual país africano não seria irmão do Brasil? Há até imigração norte-americana para o Brasil. São os EUA nossos irmãos também? São os japoneses nossos irmãos? Se sim, se são todos irmãos, é hora de estabelecer critérios pra saber quem é mais irmão do que quem, caso contrário não teria como dar destaque a nenhum deles. Enfim, não entendo porque a Itália tem que ter qualquer tipo de tratamento especial ou deferẽncia por parte do Brasil.

 
 
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Tomás Rosa Bueno

A Itália não é um país democrático. A Itália é um país que utilizou os seus serviços de informação para cometer atentados contra os seus próprios cidadãos. A Itália nunca julgou todos os responsáveis por tais atos criminosos. A Itália julgou e condenou alguns desses responsáveis, e depois anistiou-os. Muitos deles, inclusive o primeiro-ministro, julgado e condenado por pertencer  à organização criminosa "Propaganda Due", estão hoje encastelados nas mais altas instâncias do poder de Estado italiano, no executivo, no legislativo e no judicial.  A Itália é um país cujos policiais graduados organizam esquadrões da morte, um deles, o Departamento de Estudos Estratégicos Antiterrorismo, com o propósito declarado de sequestrar o Cesare Battisti na França para fins que só podemos adivinhar. A Itália é um país cujas prisões são controladas pelas mesmas quadrilhas contra as quais o grupo do Cesare Battisti combateu, um país cujos cidadãos organizam - ao abrigo da lei! - esquadrões de vigilantes para caçar cidadãos estrangeiros.

A Itália é uma paródia da democracia.

 
 
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LEN

Tomás, perfeito como sempre.

Um país pode ter eleições e instituições e não ser um estado de direito? sim. nos anos 70, nos EUA, europa ocidental e américa latina, sendo regime militar ou não se promoviam caça aos indesejáveis com o uso de serviços secretos. A história é contada sempre pelos vencedores e o Berlusconi e o Correire della sera, o Maierovitch e o Mino podem repetir o quanto quiserem, mas na minha opinião quando o governo persegue minorias, principalmente com o uso da força, ele pode até viver uma democracia para inglês ver, mas estado de direito vai muito além disso.

Pergunta: Qual a impressão de Maierovitch sobre aqueles que lutaram aqui contra a ditadura e eventualmente deixaram vítimas? vamos nos compadecer dos familiares dessas vítimas e esquecer que vítimas existiram dos DOIS LADOS? vamos chamar de terroristas e pedir o revanchismo rancoroso?

Me incomoda quando vítimas civis são feitas por grupos que lutam contra a repressão, mas me incomoda muito mais quando essas vítimas são feitas pelo estado. A Itália, antes de tentar promover esse revanchismo deveria abrir os seus arquivos secretos dos seus anos de chumbo, daí poderíamos descobrir se eles eram mesmo um estado democrático de direito que respeitava a expressão dos mais diversos conceitos filosóficos e ideológiocos ou se a desconfiança de tanta gente inteligente e respeitável faz sentido.

 

Visitem o Blog Ponto & Contraponto. Twitter: @len_brasil Robozinho do blog: @pontoXponto

 
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Mario Blaya

 

o asilo foi outra burrado do Tarso, o Lula corporativamente apoiou a burrada, e agora para não ter que voltar atras, mantem a burrada, contando com seus fanaticos acolitos para defender a atitude.

 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
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Andre Borges Lopes

Sobre a Itália dos anos 1970, há um filme muito bom, que assisti no início dos anos 80: Cadáveres Ilustres (Cadaveri Eccellenti) do diretor Francesco Rosi, produzido em 1976.  Um thriller policial, envolvendo a investigação por um detetive (Lino Ventura) do assassinato de juizes da suprema corte, em meio à agitação política e à corrupção do período. Trinta anos depois, eu não me lembro bem dos detalhes, mas me recordo que o filme me impressionou vivamente e que ninguém (polícia, governo, imprensa, Partido Comunista e grupos de extrema esquerda) acabava muito bem na fita. Diz muito sobre a quantas andava "estado democrático de direito" italiano no período. Vou ver se encontro em DVD para assistí-lo novamente.

Cadaveri Eccellenti DVD
 

André Borges Lopes www.bytestypes.com.br

 
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Filipe Rodrigues

Apesar de ser uma democracia, com eleições frequentemente, a Itália teve até os anos 70 e 80 um regime de partido único igual ao PRI no México, os Democratas Cristãos mandaram na política do país durante quase 40 anos.

Mesmo assim, o país conseguiu avanços e um estado bem-estar atuante por ter um partido Comunista forte e por estar localizado próximo a União Soviética e a Cortina de Ferro (ao contrário de nós latinos, que passamos 20 anos de ditadura pois a América Latina era o quintal dos EUA).

Caso a CIA desse um golpe de estado na Itália, poderia iniciar uma crise mais grave que a da Baia dos porcos em Cuba, pois na Guerra Fria a Europa Ocidental era área de influência de EUA e URSS, não é a toa que as Sociais-democracias do continente no pós-guerra conseguiram unir o que havia de melhor no capitalismo e socialismo.

 
 
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Luiz Gonzaga da Silva

Quando Tommaso Buscetta* foi preso no Brasil e sofreu processo de extradição, não se viu tanta movimentação política. No caso Battisti, é um tal de ex e atuais comunistas, neofacistas, facistas, ex e atuais socialistas, uma espécie da arco político querendo a cabeça do ex guerrilheiro.

Seria natural que, se os crimes imputados a Battisti fossem comuns, o caso fosse feito com a mesma tranquilidade do caso do mafioso. Esse "auê" em torno do caso mostra, de maneira escancarada, que é uma questão política.

Já está na hora de encerrar o caso. O Brasil tomou uma decisão dentro de suas atribuições e, ponto final.

*Buscetta foi extraditado. Sua delação premiada fez um estrago na Máfia. Ganhou nova identidade e imigrou, ou melhor foi extraditado, para os EUA. Parece que morreu em Nova York vítima de câncer.

 
 
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cesare livre

Os crimes que Cesare supostamente cometeu são políticos? A perseguição que ele sofre é de natureza política?

Como o Cesare alega não ter participação nos assassinatos e não teve um julgamento justo, a questão principal não é se os crimes foram políticos, mas se a perseguição que ele sofre por esses crimes é de natureza política – e isso me parece inquestionável. O discurso da acusação diz que ele é um criminoso comum, um assassino em série. Mas que criminoso comum mobiliza toda a classe política italiana para ser condenado? Por qual motivo, senão político, a Itália ameaça o Brasil com sanções pela não extradição? Quando Cesare vivia na França há anos, asilado com base na doutrina Miterrand (segundo a qual a França dava asilo a guerrilheiros que renunciassem a luta armada), a imprensa italiana noticiou que Berlusconi havia oferecido a exploração de uma linha de alta velocidade na Itália para a empresa francesa TGV em troca da extradição dos ex-militantes italianos abrigados naquele país. Semanas depois, o estado francês rompeu com a doutrina Miterrand e prendeu Cesare Battisti, o primeiro de muitos ativistas italianos asilados na França. É razoável supor que todo esse esforço foi feito para que a justiça fosse feita para um “crime comum”??? Cada vez que o estado italiano reage com fúria e agressividade a um movimento do governo brasileiro no sentido de abrigar o Battisti, mais se evidencia que a perseguição a ele é de natureza política e que, portanto, ele pode não ser extraditado por fundado receio de perseguição política (como diz textualmente o tratado de extradição entre Brasil e Itália).

 

Artigo completo aqui:  http://cesarelivre.org/node/299

 
 

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