O suicídio da velha mídia

Em 2006 já falava aqui no suicídio da mídia, quando decidiu transformar a queda (ou derrota) de Lula em guerra santa.

O que houve ontem, no Jornal Nacional, comprova que não há limites para a insensatez.  A entrevista de Serra não mudará o panorama eleitoral. Dilma continua favorita.

Mas suponhamos que a armação desse resultados, invertesse o jogo e colocasse Serra como favorito. O que ocorreria com a opinião pública? Haveria apenas críticas, a bonomia do governo, Dilma convidando o casal para jantar? Claro que não: haveria comoção popular, uma guerra sem quartel.

Há muito a velha mídia atravessou o Rubicão da prudência.

O que está em jogo, da parte dela, é a montagem de uma barricada para impedir a invasão estrangeira do setor por empresas de telecomunicações e grupos de mídia.

No começo, recorreu à estratégia clara (e imprudente) de tentar derrubar Lula – ou fazê-lo sangrar – e apoiar um candidato que viesse comer na mão e ajudasse a barrar a invasão estrangeira.

Apostou e perdeu em 2006, apostou e perderá em 2010. Nem com todo apoio, o campeão branco, José Serra, logrará vencer.

Passadas as eleições, a velha mídia terá que encarar seus demônios. E é evidente, depois de ela ter avançado ainda mais no pântano da interferência política, que o objetivo maior do próximo governo será acabar com os privilégios, com o monopólio da informação, com o último cartório da economia.

E quem vai apoiá-la?

Essa postura arrogante, quase golpista, rompeu qualquer laço de solidariedade com setores nacionais. A velha mídia era temida por muitos setores empresariais da economia real. Hoje é desprezada.

Não haverá apoio de grandes grupos econômicos, porque a guerra não é deles. E são grupos que já aprenderam a montar grandes parcerias com empresas internacionais. Uma coisa é inventar fantasmas de Farcs, Moralez, Fidel, essas bobagens sem fim. Outra é convencer os aliados de hoje que Telefonica, grupos portugueses, Pisa e outros que estão entrando representam interesses do Foro São Paulo.

Das multi? Só faltava as multinacionais, que na Constituinte conseguiram equiparação com as nacionais no setor real da economia, ampararem qualquer tentativa de criar cartórios na mídia.

Para os políticos, há muito a velha mídia é fator de risco. Sabem que elogios ou acusações estão submetidos a jogos de interesses empresariais. Preferem o diabo a uma imprensa cartelizada e exercendo o poder de forma ilimitada, como foi nas últimas duas décadas.

Para o mercado financeiro, nem pensar. No máximo acenam com possibilidades futuras de parcerias, mas de olho em apenas um ativo da velha mídia: o poder de influenciar mercado e governos. E esse ativo está sendo gasto rapidamente com a perda de qualidade e de influência dos jornais, o envolvimento permanente com factóides e o descolamento da parcela majoritária de opinião pública.

Por acaso pensam que investidores técnicos irão investir em setores com baixa governança corporativa e baixa rentabilidade?

As manifestações de Otávio Frias Filho – citando Rupert Murdoch como exemplo -, a associação da Abril com a Napster, mostram que tentou-se aqui, tardiamente, a mesma fórmula empregada em outros países. Trata-se de utilizar o poder político da mídia, antes que acabe, para pavimentar a transição para a nova etapa tecnológica.

A questão é que, com exceção da Globo, nenhum grupo tem condições de ser dominante na nova etapa, porque nenhum grupo pensou estrategicamente na travessia, mas apenas em barrar futuros competidores.

É fácil prever o futuro desses grupos nos próximos anos.

A Folha será salva pela UOL, mas como grupo econômico. Jamais a UOL conseguirá um décimo do poder político que a Folha deteve nos anos 90 e 2000.

A Abril não tem plano de vôo. Queimou a ponte quando abriu mão da BOL e da TVA.

Sabe que seu carro-chefe – a Veja impressa – está em queda livre. O mercado estima uma tiragem real de 780 mil exemplares – contra os 1,1 milhão apregoados pela mídia. Quando os clientes de publicidade exigirem um ajuste nos valores cobrados, proporcional à queda real das vendas, a Abril entra em sinuca.

Para enfrentar os novos tempos, fez investimentos maciços no portal Veja, que é um equívoco sem tamanho. Ora, a editora sempre teve a cultura da publicação semanal, quinzenal ou mensal. Jamais trabalhou sequer com a informação diária. Sei na prática o choque cultural que é passar do padrão semanal para o diário. Agora, ela quer do nada criar um portal com notícias online, sem prática e entrando em um mercado em que já existem serviços online consolidados, como o G1, UOL, Terra, IG. Não será sequer mais um. Será menos um.

A compra do Anglo com recursos pessoais dos Civita mostra claramente que, cada vez mais, deixará a operação midiática para os sul-africanos e se salvará em novos negócios – como os da educação – onde o poder de fogo da revista permita ganhos indiretos junto ao poder público.

O Estadão tem a melhor estratégia multimídia (depois da Globo), mas é um grupo à venda e sem fôlego financeiro, definitivamente preso aos conflitos familiares. Manterá um jornalismo de nicho, bem construído, trabalhando seu público mais conservador e de bom nível. Mas sem grandes vôos e sem influência política.

Nesse quadro, restará apenas a Globo, cercada de inimigos por todos os lados e perdendo a cada dia legitimidade e alianças.

É um pessoal bom de jornalismo. Com exceção do inacreditável O Globo, tem jornalismo de primeira na CBN, na Globonews, no G1 e posição dominante na TV aberta, apesar de toda a parcialidade do grupo de Kamel.

Mas, graças à miopia dos sucessores e às loucuras de Ali Kamel, será cada vez mais alvo das invasões bárbaras, seja da Record, seja grupos de fora, seja de todos os inimigos que acumulou nesses anos de arrogância cega.

O jogo acabou. Agora começam as apostas para o novo jogo que virá pela frente.

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127 comentários
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Dudu

E eu quero sentar na 1ª fila e assistir o desabamento do império

 
 
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Luiz Eduardo Brandão

Reserve uma poltrona a seu lado pra mim, xará.

 

“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”. (Joseph Pulitzer – 1847/1911)

 
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Helio - L de Freitas.Ba

Pelo demanda desse "espetáculo", vai ter cambista na área. É muita gente pra ver esse mega-evento!!! Eu vou assitir, nene q saibe em pé!!

 
 
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Cafezá

Eu levo a cervejinha.

 
 
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Alan Souza

Forneço duas garrafas de bom vinho do Porto. Quem leva tira-gosto?

 

Demóstenes Torres na cadeia: uma campanha pelo bem do Brasil!

 
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jaf

Eu Levo.

 
 
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carlos c

E eu uns petiscos

 
 
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MauroSobral

             

           Para evitar a falta de cerveja,eu levo um barril de chopp.

 
 
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Mário Nobre

Dudu;

Este lugar já é meu, sai daí rapaz kkkkkkkkk

 
 
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Dorly Neto

Eu levo os aperitivos, podem deixar comigo.

 
 
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tarsoryon

Bom, já que temos tudo, eu ajudo a beber e só saio carregado e em coma alcoolico.

 
 
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Edson Peixoto

Calma que eu estou de cadeirinha de praia e sombrinha ha mais de vinte anos sentado na porta do estadio esperando a bilheteria abrir . . . . . um cult

 
 
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Quanto Tempo Dura

Citando o imortal político Sérgio Mallandro, "Eu quero é dar risada! RÁ"

 
 
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Plinio J. V. Lins

Olha o mate geladinho com limããããão...

 
 
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Marcos Antônio

Essa primeira fila vai ter de ser grande....

 
 
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Reinaldo

Eu levo uma corôa de flores.

 
 
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Marco St.

E a Folha agora assumiu de vez! Decretou guerra contra o governo e especialmente o MEC,  em sua briga por causa das impressões das provas do ENEM. Agora "denúnciam" um livro de contos, voltado à adolescentes da escritora Monique Revillion. Tudo porque há um conto que narra estupros e sequestros (essas coisas que vemos todos os dias á tarde na TV)!!!! Do jeito que a coisa vai ainda vão querer queimar livros em praça pública!! Só faltou dizer que o livro tem prefácio de um "tal" Luís Fernando Veríssimo, outro que segundo a Folha, não deve saber o que está fazendo...

http://www1.folha.uol.com.br/saber/781743-mec-envia-a-escolas-publicas-l...

 

"Se você não cuidar, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo." Malcolm X

 
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Adhemar João da Silva

Nassif

não vamos nos iludir.

A partir do primeiro dia do governo Dilma nós veremos a mais sangrenta articulação da mídia contra um governo.

Tapiocas, intrigas, fofocas, dossiês, pequenos erros para encobrir os acertos.

O que vemos hoje contra o mito Lula não é nada quanto ao que veremos no governo Dilma.

E nosso quartel será a Internet. Você, Amorin, Azenha...

A dona Judith escreve um artigo na p.3 da Folha de hoje.

 
 
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Concordo com vc.  Não acredito que será assim tão fácil, quisera fosse.  Dilma enfrentará, diariamente, a midia unida, contra o seu gov. e acho que será muito pior que hoje.  Tb concordo quando vc diz da internet.  Sem querer ser estraga prazeres, mas acredito que o pior ainda está por vir.  Esse povo não sairá assim calado, com o rabo por entre as pernas. Momentos cruéis nos aguardam.

O que precisamos ter consciência, é do nosso poder enquanto povo.  Temos a internet a nosso favor e todo um poder de união que nos torna uma arma muito importante para futuros desdobramentos. As mulheres, na Alemanhã, possuem uma corrrente na internet, quando qq produto sobe de preço, imediatamente essa corrente entre em ação e o produto é boicotado. Temos muito que aprender com as mulheres alemãs. 

 

Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....

 
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tarsoryon

Já vejo o Bonner com sua agressividade dizendo: Faz 24 horas que ela assumiu o poder e até agora não fez nada pelo Pais. E dona Fatima do lado cutucando, larga de se tanso marido! espera mais 2 minutos para falar.kkkkkkkkkkkk

 
 
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Maurício Moinho

Olá Adhemar,

Olha, não tenho tanta certeza se será assim., logo depois da posse. caso Dilma seja eleita. Lembra da "festa" midiática que fizeram para comemorar e "seduzir" Lula, após este ser eleito, em 2002? Eu recordo muito bem.

Sei que naquela epóca, a Globo estava afogada em dívidas e pleiteava dinheiro público para sair do buraco, daí um dos motivos da bajulação a Lula.

Recordo que naquela época, o Jornal da Glogo, que pelo horário, pode ser o mais abertamente conservador da emissora, recuperava, todas as noites, um setor da economia no país.

Quando surgiu a história do mensalão, perceberam nela uma forma de tirar o "penetra" do poder. Ai, o jogo ficou escancarado. Era uma crise após a outra. Muitas delas inventadas na ânsia de um golpe ou da saturação - sangramento, diria FHC - do governo.

A "esperteza" se de Lula deu na remontagem da equipe. Neste processo, uma das principais medidas foi trazer Dilma  à casa Cilvil. Com um perfil mais técnico que político e com sede por resultados, deu nova cara os governo, além de ser mais díficil incluí-la no "bojo" do mensalão. Aliado a isso, a reapromição dos movimentos sociais e para mim, outro ponto capital: a ida de Franklin Martins para a comunicação do governo.

Lula continuo sem espaço para orientar o noticiário, sempre disposto a buscar coisas, eventos, denúncias que colocassem o  governo na eterna defensiva. Mas nesse processo, Lula, com sua facilidade de comunicação, tornou-se contraponto, e bem orientado, conseguiu furar o bloqueio e estabelecer o contraponto junto ao povo.

Minha impressão é a de que Dilma sendo eleita, haverá, de início, um recuo no comportamento golpista que a mídia tem assumido nos últimos anos frente ao PT. Depois, surgindo qualquer evidência de erro ou equívoco do governo - se não existir eles se encarregarão de inventar -, voltará a perseguição ao PT.

A estratégia de Dilma para tratar da comunicação, e de sua relação com a mídia, deverá ser muito bem elaborada. Porque ao contrário de Lula, ela não tem o carisma nem a mesma facilidade para falar com o povo brasileiro. Isso talvez torne a mídia mais insana e esperançosa de que com Lula a estratégia facista-denuncista-golpista não deu certo, mas com a Dilma, poderá auferir resultados mais efetivos.

Todavia, creio que isso não se dará de imediato. Será ao poucos. Até que se torne um tsunami que podemos contemplar diariamente nos dias atuais.

 

Maurício Moinho

 
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Adhemar João da Silva

Meus caros

lembro quanto tempo durou a lua de mel da velha mídia com o Lula: terminou ainda antes da posse.

Uma capa da revista Veja falava das "trapalhadas dos ministros" de Lula, antes da posse, destacando fora do contexto e do bom senso frase de Gil, Zé Dirceu e Palocci, entre outros.

A batalha contra a Dilma começará ainda mais cedo, lamento.

 
 
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Marcia

Comentário bom e honesto.

 
 
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Sérgio Fonseca de Castro

E não nos esqueçamos de 2008 quando estourou a crise, os "especialistas" só faltavam babar na gravata vaticinando (vaticinando é legal...) a destruição da economia Brasileira e a marcha triunfal da oposição para o "choque de gestão", dava até pena da cara de decepção deles quando nada disto aconteceu.

 

Sérgio F. Castro

 
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Celio Mendes

Penso que será por ai, Dilma e sua equipe já devem se preparar pois por aí vem "chumbo grosso", o plano nacional de Banda Larga não deve ser encarado como apenas uma ação de inclusão social, na verdade é uma necessidade estratégica da área de comunicação do governo, é a forma mais rápida e eficaz de quebrar o sítio que a grande mídia impõe a divulgação das ações do governo se comunicando diretamente com o público por meio da internet, apoiar os blogs e outras redes sociais de informação é o caminho para contrapor o jogo duro que vem por aí.

 

Srªs Senadoras e Srs. Senadores, a Transparência Internacional divulgou, nesta terça-feira, a classificação anual dos países mais corruptos do mundo, e a situação do Brasil, sob o império do “lulismo”, só piorou. Demóstenes Torres 08/10/2003

 
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Adhemar João da Silva

O texto da D. Judith publicado na Folha de SP de hoje, 12/08/2010

TENDÊNCIAS/DEBATES

Autorregulamentação no jornalismo

JUDITH BRITO

É preciso deixar bem claro que toda interferência governamental no exercício do jornalismo está fadada à inconstitucionalidade

Democracias de verdade dispensam leis de imprensa. Valem para as empresas jornalísticas e os jornalistas as mesmas leis de danos morais que valem para a sociedade em geral.
Disse muito bem um grande jornalista brasileiro, Cláudio Abramo, num texto hoje já clássico, que "não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão". Lembrou Abramo: "O que o jornalista não deve fazer que o cidadão comum não deva fazer?
O cidadão não pode trair a palavra dada, não pode abusar da confiança do outro, não pode mentir".
Mesmo assim, diante da grande presença e da influência que têm os meios de comunicação nas democracias modernas, nelas os jornalistas, as empresas e as associações representativas do setor costumam definir princípios éticos que devem ser obedecidos no exercício da atividade.
De uma forma geral, são princípios que seguem a fórmula simples e evidente do mestre Abramo. No Brasil, muitas empresas jornalísticas têm seus códigos de ética. A Associação Nacional de Jornais também tem seu código de ética e autorregulamentação.
Com o fim da Lei de Imprensa que vigorava até o ano passado, tem crescido no país o debate sobre a necessidade de autorregulamentação mais efetiva do exercício do jornalismo.
Há quem fale em autorregulamentação como antídoto contra a criação de conselhos ou mecanismos chapa-branca de regulamentação, na linha de propostas tentadas nos últimos anos por grupos obscurantistas partidários do "controle social da mídia".
É preciso deixar bem claro que qualquer iniciativa de interferência de instâncias governamentais no exercício do jornalismo estará sempre fadada à inconstitucionalidade. Nossa Constituição é categórica no sentido de que a liberdade de expressão não pode sofrer nenhum tipo de restrição. Por isso, o Supremo Tribunal Federal acabou com a famigerada Lei de Imprensa.
De qualquer forma, contudo, é válido o debate sobre a autorregulamentação. Em outras democracias modernas, em diferentes graus e modelos, a autorregulamentação está institucionalizada.
Criou-se nesses países toda uma cultura de respeito a princípios éticos fundamentais para que o jornalismo siga cumprindo seu essencial papel na sociedade.
Mais do que a criação de uma instância de autorregulamentação, o que precisamos no Brasil é exatamente disseminar ainda mais a cultura de respeito aos princípios éticos do jornalismo.
Os cidadãos devem estar atentos para os códigos de ética de cada jornal, de cada veículo de comunicação, e cobrar que sejam seguidos. Não podemos nunca esquecer que a credibilidade é o maior patrimônio do jornalismo.
Em relação ao Judiciário, o fundamental é que nunca se avance contra os princípios da Constituição e se pratique a censura.
Todo o conceito de liberdade de expressão está baseado no fundamento de que qualquer punição nesse campo se dará sempre a posteriori. Afinal, acima de tudo, a sociedade tem direito à informação, sem restrições ou censura.
A democracia brasileira, da qual muito devemos nos orgulhar, é uma obra em progresso iniciada com a Constituição de 88. A liberdade de expressão consagrada nessa Constituição tem sido um elemento fundamental desse processo e assim deve permanecer.
Cabe avançarmos na cultura da autorregulamentação para valorizarmos o exercício do jornalismo com liberdade e responsabilidade.

JUDITH BRITO é presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais) e diretora-superintendente da Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha.

 
 
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José Carlos Gomes

"Há muito a velha mídia atravessou o Rubicão da prudência."

Mais precisamente em 1964, ou, se preferir, em 1954.

 
 
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Ronaldo Caetano

Tendo a concordar com você JC e, ao mesmo tempo, olhando em retrospectiva, sinto-me idiota e impotente por ter, por tanto tempo, levado à sério uma instituição tão oca de valores e compromisso com a informação, como é a imprensa brasileira, especialmente seus principais jornais pois, claro, à tal da Rede Globo - que sempre bateu continência aos militares e ao que de pior existe na sociedade brasileira - jamais dei um pingo de credibilidade.

 

Abraços.

 
 
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van

Figueiredo, o gal que preferia o cheiro dos cavalos ao do povo foi escolhido junto com a Globo,  para fazer a transição pacífica do ditadura militar para a democracia.

Esqueceram de nos contar que teríamos mais 20 anos de ditadura Global.

Só não vê quem é cego.

 
 
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Hamilton

Esta sua lucidez deve incomodar muito, muita gente. Saúde e cuidado.

 
 

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