O subprime brasileiro no Financial Times

Da Folha

Brasil pode ter seu "subprime", diz diretor de fundo em artigo no "FT"

Paul Marshall diz ver excesso de oferta de crédito com juro alto

DE NOVA YORK

O crescimento do crédito e os altos juros cobrados pelos bancos estão fazendo com que o Brasil caminhe para uma situação parecida à dos EUA no "subprime" (hipotecas de alto risco que detonaram a crise em 2008).

Essa é opinião de Paul Marshall, fundador e diretor de investimento do fundo Marshall Wace, com sede em Londres, em artigo no "Financial Times".

Para ele, "um excesso de crédito com juros altos está sendo empurrado pelos bancos para os consumidores que, no fim das contas, não serão capazes de pagar".

Na opinião do investidor, as taxas cobradas dos brasileiros é "punitivamente cara", já que os juros reais giram em torno de 20% a 25%, enquanto na maioria dos países esse valor é de 1% a 3%.

"O Brasil vai precisar de uma formulação de política hábil caso queira reduzir a sua atual bolha de crédito sem perder o controle. Qualquer desaceleração na economia e um consequente aumento na taxa de desemprego podem criar uma espiral de liquidez", escreveu o diretor do prestigiado fundo.

A crise do "subprime" ocorreu quando os bancos americanos começaram a aumentar os empréstimos para pessoas que tinham histórico ruim de pagamento. Quando elas começaram a atrasar o pagamento da compra da casa, todo o sistema começou a ruir junto, travando o crédito e o resto da economia. 

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34 comentários
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Gilberto Marotta

Viajou na maionese legal! Que nossos juros estão altos não tenha dúvida. Mas comparar nossa situação ao subprime estadunidense...

 

"Ou o Brasil acaba com a mídia canalha, ou a mídia canalha acaba com o Brasil"

 
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Turco

Não viajou não. As medidas restritivas e o aumento dos juros não frearam a febre de acesso ao crédito, apenas suavizaram.

Isso se torna extremamente atraente para o sistema financeiro (alta demanda e alto retorno), o que pode sim se transformar em uma bola de neve, uma vez que qualquer sobressalto da renda do trabalhador pode gerar uma cascata de inadimplência.

 
 
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atenir

Todos os empréstimos feito por aqui estão inteiramente cobertos por garantias, tipo hipotecas ou alienação fiduciária, de modo que qualquer sinal de falta de pagamento pelos clientes o banco se torna dono imediatamente do bem dado em garantia. Não vejo risco nenhum, mas vejo juros muito altos, isso é verdade. Mas juro alto nunca foi sinal de subprime, pelo contrário, é ótimo para o banco e péssimo para o consumidor. Dessa maneira, vejo o artigo mais como um tiro no escuro ou simplesmente está querendo algum rendimento que o mercado não lhe deu até o momento.

 
 
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Charlie

Realmente, os empréstimos tem garantia. O problema é justamente a natureza dessa garantia.

Aqui em Brasilia o sujeito financia um apartamento de 2 quartos no Plano Piloto por R$ 750 mil. A garantia é o imóvel. Até aí, tudo bem.

Só que esse mesmo imóvel valia R$ 250 mil há apenas 5 anos.

Na hora em que a inadimplencia e a quebradeira começarem, os bancos vão querer executar os bens para se ressarcirem do prejuízo. Só que NÃO VÃO conseguir vender pelo preço que ele entrou como garantia, porque o preço está HIPERESTIMADO.

Foi assim nos EUA, tem tudo para se repetir por aqui.

Já vi casal em que o marido ganha R$ 1 mil e a esposa R$ 800 financiando em trinta anos imóvel de R$ 150 mil prá lá de onde Judas perdeu as botas. Ambos autônomos, sem comprovação de renda. Se isso não é subprime, não sei o que mais é.

Ah, o governo acaba de subir o limite do "Minha casa, minha vida" para R$ 170 mil. Vem aí mais uma enxurrada de dinheiro no mercado imobiliário, seguido de ajuste (pra cima) de preços de imóveis.

 
 
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Turco

Perfeito. Some a isso o risco (inerente a qualquer economia capitalista) de uma crise que abale a empregabilidade e os salários (que são, afinal, a garantia última para os empréstimos), e veremos o trabalhador exposto a empréstimos feitos em condições desfavoráveis, notadamente de juros altos, sem qualquer cobertura.

 
 
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Andre Araujo

Ah, ah, ah, mas os subprimes tambem tinham garantias. O problema é quando TODAS as garantias tem que ser executadas. Um banco tem 10.000 hipotecas em uma cidade. Executa 9.000 e coloca 9.000 casas a venda. Não haverá mercado. Portanto, TEM GARANTIAS MAS A GARANTIA NÃO GERA LIQUIDEZ e ai, companheiro? Garantias funcionam para casos individuais mas não funcionam no atacado. Se 100.000 compradores de carros devolveram os carros quebram as financiadoras, certo? Tem garantia e não adianta nada.

 
 
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Daniel Campos

Queria saber quem é o engraçadinho que coloca uma "estrelinha" de forma indiscriminada para todo mundo. Porquê esse seu comentário é completamente correto.

Exatamente, de que adianta um banco executar todas as suas hipotecas, se tornar praticamente "dono" da cidade (é um exemplo) mas... Não ter para quem vender essas casas? E diga-se de passagem que essa é uma das muitas contradições do capitalismo: Assume imbecilmente que o "mercado" é um ser abstrato com poder de compra infinito, quando na verdade o tão endeusado "mercado" na verdade é composto de milhares e milhares de pessoas que dependem dos seus salários para viverem. E sem ter pessoas com dinheiro para comprar, deixa de existir "mercado".

Mas já cansei de ver provas de que o banqueiro é um ser completamente desprovido de inteligência, à não ser quando é para prejudicar os outros.

 
 
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MuriloO

Financial Times? Aquele mesmo que apoiou a candidatura do Serra? Ahhh tá....

 
 
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Yamamoto

Tá confundindo com The Economist.

 
 
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Eduardo CPQ

MuriloO,

o Economist foi de Serra porque não tinha nenhum Bolsonaro candidato.

Este tipo de desqualificação já era...

Fui.

 
 
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Andre Araujo

Não dá para acreditar. O The Economist foi de Serra. Em que planeta vc vive? The Economist é mais gelado do que salmão da Escocia, vai apoiar alguem no Brasil? A troco de que? Eles ja viram de tudo, estão na janela do mundo há 170 anos, não apoiam ninguem a não ser o chá das cinco. 

 
 
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Andre Araujo

Nada a ver Zelão. O Financial Times é um dos melhores jornais do mundo, tem mais cem anos e nunca apoiou candidatos na Inglaterra aonde está sediado, imagine se apoiaria candidatos no (para eles) terceirão mundão. Para analisar contextos fora do Brasil precisa ter alguma noção, o mundo não é Araraquara e o Financial Times não é a Gazeta de Pirassununga.

 
 
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Athos

A diferença é que no Brasil a pessoa precisa comprovar renda para ter acesso ao crédito, ao contrário de outras praças financeiras  por aí.

 
 
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Rodrigo Rod

Fora isso a prestação fica limitada a 30% da renda.

E quanto aos juros reais de 25%, aconselharia ao pessoal do FT a fazer uma pesquisa econômica antes de publicar tal besteira.

Os juros médios de financiamento imobiliário são nominalmente próximos a 12%, o que torna o juro real próximo a 7%.

Pelo visto eles também estão sem pauta em relação ao Brasil, assim como os membros do PIG.

 
 
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Ivan Moraes

"Os juros médios de financiamento imobiliário são nominalmente próximos a 12%, o que torna o juro real próximo a 7%":

Ja tentou comprar uma casa a 12 por cento?  Pois eh...  Falencia garantida --tanto que TODAS as pessoas que tiveram juros altos nos EUA, que chegavam ate mesmo a 11 por cento, faliram.  TODAS elas.  Com ate mesmo 7 por cento voce paga 3 vezes o valor da casa.  Com 12 por cento, eh mais de 6 vezes o valor da casa.

O artigo esta certo mesmo que tenha saido com esse desinformado "25%".

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Andre Araujo

Ah, ah, ah, os tomadores do subprime tinham tudo ""direitinho"", da mesma forma que a "nova classe media" que compra carro zero tem ficha llimpissima até o dia que deixarem de ter. Tem muitas maneiras de comprovar renda para conseguir comprar carro e casa, não tem povo mais criativo na sacanagem do que o brasileiro.

 
 
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TFP

só rindo... o cara acha que o modelo de governança do mercado finaceiro brasileiro é cópia do americano... duvido que tenhamos de forma sistêmica alvacagem na ordem de 30 vezes como nos EUA. O Panamericano é uma exceção ...

 
 
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Klaus

"O que é bom para os EUA é bom para o Brasil!" Já dizia um generalzinho anos atrás. Será que o discurso mudou? O que é ruim para os EUA, necessariamente tem que ser ruim para o Brasil?" Vai urubuzar em outro lugar Mr. Marshall!!

 
 
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alext4e

eu só gostaria de saber aonde estavam os economistas (nobelados e não nobelados) para prever a crise de 2008. se não conseguem cuidar de seu quintal ainda querem dá pitaco na casa dos outros? faça-me o favor...

abraços a todos

alex

 
 
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Andre Araujo

Nenhum economista do mundo tem como ciencia prever crises que vão ocorrer, assim como nenhum medico pode prever a morte do paciente. Os economistas tem conhecimentos profissionais para entender como funciona a economia e a partir dai cconhecerem tendencias dos ciclos economicos, prever o futuro não é parte da profissão de economista e nem Keynes previu a crise de 29 mas recomendou bem sucedidas soluções para essa crise.

 

 
 
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flavio g.

Demonstra total falta de conhecimento deste maravilhoso Estado, a maioria de nossos emprestimos tem bens de garantia, os que não tem os juros são mais alto ainda, a pessoa paga todo os emprestimo antes da metade do emprestimo, sendo assim, o banco não leva prejuízo, temos um fundo garantidor dos bancos, e regras mais rigidas para eles. Bem na verdade os caras precisam vir aqui para aprender um pouco...... 

 

Nosso problema é o juros extremamente alto, e só esse, porém o povo brasileiro já se acostumou com ele, compra calculando se a prestação cabe no bolso e esquece o juros que paga.

 
 
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Daniel Campos

Mas a idéia é exatamente emprestar para quem não vai conseguir pagar. O banco lucra muito mais extorquindo o cliente que atrasa ou não paga, tomando para si as garantias que geralmente valem mais do que o empréstimo feito, do que quando o cliente paga as duas dívidas em dia.

Que como exemplo, o banco só consegue lucrar com as obscenas taxas de juros de 150% ao ano para o cheque especial, se o cliente usar o cheque especial.

Logo, a idéia é exatamente afogar o cliente incauto em dívidas para depois arrancar tudo o que ele tenha.

 
 
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luiz c l botelho

Prezado Nassif

Para combater esta possível bolha , já presenciamos a tomada de medidas fiscais bastante incisivas  no orçamento federal, além de uma gigantesca redução da oferta de crédito e diminuição dos períodos de pagamento dos futuros  empréstimos .A propósito, em caso de inadiplência sistêmica ; Quem tem dinheiro para comprar nos leilóes os carros, apartamentos, fábricas , etc , tomadas como garantias do empréstimo ?(Os Chineses?). Notando também  que certamente o valor de Mercado dos bens judicialmente  tomados  será muito menor do que aquele valor devido aos Bancos ( já que os juros são muito altos : você compra um carro, ou um apartamento e paga dois !).

 
 
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Cassio Tonsig

Isto é só uma besteira ou é um ataque especulativo?!

 
 
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Ivan Moraes

"Para ele, "um excesso de crédito com juros altos está sendo empurrado pelos bancos para os consumidores que, no fim das contas, não serão capazes de pagar"":

Eh verdade pura.

Gilberto, a situacao eh parecidissima, e com impunidade garantida para banqueiros.  Eles vao levar o Brasil aa falencia.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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the_outsider

Quem trabalha ou já trabalhou em banco sabe: o sujeito tem de ter renda (na grande maioria das vezes formal), não pode comprometer mais de 30% dela e, o mais importante: se está com qualquer pagamento (até a ração do gato) atrasado é dispensado na hora. Casa tem garantia, carro tem garantia, consignado tem folha de pagamento + 30% da verba rescisória direto para o banco em caso de demissão. O que sobra é crédito pessoal, mas aí as taxas de juros são tão altas que mesmo se o cara não pagar o banco já ganhou o que queria.

 
 
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Hamilton
 

Hamilton

 
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Hamilton

Juros reais de 6 por cento ao ano. Financiamento de R$ 300.000  no prazo de quinze anos. É óbvio que vai dar merda.

Juros sobre juros, matemática financeira, alguém já ouviu falar?

Esse ufanismo petista enche o saco. Façam contas, seus malucos!

 

Hamilton

 
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Ivan Moraes

"Esse ufanismo petista enche o saco. Façam contas, seus malucos!":

Como eh que eh?  Primeiro voce inventa que alguem disse alguma coisa a respeito de juros a 6 por cento, depois coloca ufanismo petista no meio?  Nao se masturbe em publico.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Hamilton

Leia direito.

Eu não disse que alguém disse.

Quem disse fui eu. E disse errado. Financiamento imobiliário aplica taxa de juros mais próxima da selic (portanto, maior que 6% a.a.), mais a variação do INCC, que é a inflação da construção civil.

De modo que a situação é mais grave ainda.

E se você também ler direito os comentários, tem gente achando que o economista está falando a maior barbaridade do mundo. Quando ele apenas está dizendo o óbvio.

Talvez essa temporada americana esteja lhe trazendo problemas com o português.

 

Hamilton

 

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