O recorde de Adriana Varejão

(Atualizado em 18 de fevereiro, às 16h45)

A tela Parede com Incisões à La Fontana II, de Adriana Varejão, foi vendida pelo preço recorde de US$ 1,7 milhão para artista brasileiro contemporâneo e vivo. Esperava-se algo entre 300 a 400 mil dólares.

Por Adriano Alves

Ninguém precisa entender de arte pra sacar como é fácil lavar dinheiro nesse meio. De Sanctis que o diga.

Por Sergio Leo

Ah, as certezas categóricas que a ignorância nos traz... Adoro essas teorias conspiratórias. É claro que há lavagem de dinheiro no mercado de arte, ams atribuir a fama da varejão a isso é desconhecimento total do trabalho dela, da história da arte contemporâena no Brasil, de mercado de arte na atualidade. Adriana é um dos expoentes da chamada geração 80, artistas que surgiram nessa década com novas abordagens em pintura, técncia que se dizia morta naquele tempo. Ela não é, foi casada com o Bernardo Paz, que não é nem nunca foi sócio do marco valério, mas do irmão do picareta. Ela ganhou reconhecimento uinternacional muito antes de casar com o cara _ que, aliás, casou após conheecê-la por causa do trabalho prestigiado que ela fazia.

É trisÉ triste ver nos comentários de muita gente aqui como seus padrões de julgamento ficaram presos aos conceitos do século XIX; querem, na Artem, figurinhas para pendurar na parede da sala; recusam-se a responder às provocações do artistas com alguma reflexão, alguma curiosidade intelectual. "Não entendo, não gosto, não aceito" é o lema.

Por maria utt

Mercado e arte é diferente de qualidade ou relevância da obra. Paulo Coelho é exemplo de literatura porque vende muito?

Por Sergio Leo

"O que faz com que uma obra de Cèzanne me arrebate?" A qualdiade, claro, mas também o contexto cultural, meu caro. Cèzanne, na época dele, foi acusado de fazer quadros de um "pintor de paredes bêbado". Alguams das objeções feitas ao trabalho dele parceem tremendamente com os comentários agressivos alguns aqui.Pessoas com menos preconceito que você souberam ver a revolução que ele fazia, seu profundo compromisso com a pintura (sugiro "A dúvida de Cézanne", do merleau-POnty, saiu na Cosac&Naify, no livro "O OLho e o Espírito") _ e a qualidade dele que foi louvada em alguns "manuais de estética" de especialistas para a patuleia que começou a se livrar dos conceitos passadistas e descobrir então o que de tão fantástico havia naquele pintor que influenciou os cubistas (outros que foram detonados pelos contemporâneos apegados só ao que já conheciam).

Parabéns por ter alcançado a sensibilidade estética de um sujeito do começo do século XX. Com um pouco menos de rejeição ao inusitado, quem sabe consiga ver o que há de encantador nas obras do século XXI.

A propósito, julgar essa obra por uma pequena reprodução na tela do computador é como saborear um prato fino lambendo a foto numa revista ilustrada. Não dá nem ideia da forte impressão que essa parede rasgada, expondo visceras, causa em quem chega perto.

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O recorde de Adriana Varejão
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190 comentários
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Sergio Saraiva

Quanto?

U$ 1,7 milhão?

Decididamente eu não entendo nada de arte.

 
 
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van.

"Adriana transporta as feridas na tela de Fontana para as suas paredes de azulejo, por trás das quais, em outras variações da obra, aparecem vísceras, sangue, matéria orgânica etc. A artista desloca assim o sentido do gesto de Fontana. Numa simplificação grosseira: se nas telas rasgadas dos anos 60 estavam a revelação da mentira da representação e a explicitação das convenções materiais da arte, nos azulejos de Adriana, a pureza e a assepsia da parede branca são desafiadas pelo desnudamento de outra mentira, a da falsificação histórica que escamoteia a violência e a exploração com que foi e continua a ser escrita a Hitória do Brasil.

A obra de Adriana Varejão reafirma a possibilidade de novas trilhas para a arte, que recuperem seu significado social, seu potencial de crítica e comentário do mundo (e não de si mesma). Como outros artistas, ela está longe da presunção pós-moderna de acreditar que a História da Arte acabou, e de que a arte hoje, pós-histórica, pode olhar de cima todas as etapas e movimentos dessa História. "

Posted by Luciano Trigo: at 6:47 PM        0

 
 
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Van.

SINCERAMENTE! Lá em casa tem várias "obras" de arte dos meus filhos quando estavam no jardim da infância. Eu não trocaria nenhuma delas por isso aí que você chama de arte. E, para ser honesto, acho um disparate alguém gastar dinheiro com uma coisa horrorosa dessas enquanto temos milhões de pessoas passando fome. Fala sério!?!?!

 
 
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maria utt

E o que o faz pensar que, não gastando dinheiro com isso, a pessoa fosse usá-lo para combater a fome no mundo? Do mesmo modo, eu poderia dizer que, enquanto há gente passando fome no mundo, você gasta algumas centenas de reais num computador e algumas dezenas, todo mês, para ter acesso à internet. Dito de outro modo: fome do mundo é culpa de políticas públicas, capitalismo selvagem e concentração de renda. Alto valor alcançado por peças de arte é só um sintoma, não é a causa e não convém atribuir-lhe a culpa.

 
 
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Cara Maria Utt,

Com todo respeito, mas eu tenho certeza que alguém que supervaloriza e/ou compra uma porcaria destas jamais irá se preocupar com a fome e a miséria alheia. Acho que você deve ter claro que o investimento que fiz comprando um computador e pagando para usar a internet eu levaria alguns milhares (?) de anos para gastar 1,7 milhões, portanto, sua comparação é um tanto quanto rasa. E quer saber mesmo a minha opinião verdadeira sobre esses gastos milionários com essas ditas obras de arte (?)? Cheira a lavagem de dinheiro...

É só uma opinião de alguém que valoriza outras coisas, nada além disso.

Abraço,

Roberto

 

 
 
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maria utt

"... portanto, sua comparação é um tanto quanto rasa."

É totalmente rasa. Só quis demonstrar o quanto a sua também não fazia sentido, indo até o absurdo.

 
 
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OK, vc venceu, batata frita!

 
 
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Luis Campos

A arte através dos tempos sempre foi expositora coerente de nossos hábitos e costumes. A obra artística  reflete nosso momento, é o nosso instantâneo social. Atualmente estaríamos mais bonitos, ordenados, plenos de valores reais e harmoniosos?  Continuando a viver desta mesma maneira, usando apenas o dinheiro para medir o belo, a criatividade, a eficiência e etc, daqui a 2, 3, 5 anos, esse trabalho poderá valer até bem mais. A obra provocou ondas, revelou-nos, nos mostrou um pouco quanto nossa cabeça monetária funciona. Foi muito bom isso.

 
 
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Van Grogue

van. com todo respeito e carinho... Isso só pode ser piada. A menos que quem pagou, levou junto o imóvel em que esta "mutilação ladrilhal" foi feita, e o imóvel tem que ser de alto padrão, fica a impressão de que ou é mentira ou no preço está imbutido algum benefício intangível para o comprador.

 

O mercado de artes plásticas em geral não prima pela coerência, e nem poderia. Mas aí já é demais...

 
 
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Murilo - SP

Caro Van., com todo respeito pelo que significa a obra da Varejão, onde fica o arrebatamento? A arte moderna precisa sempre de um manual de Estética pra ser compreendida? Precisa sempre de uma justificação teórica, social e histórica para ser sentida? Sendo mais simplista: o que faz com que uma obra de Cézanne, de Matisse e de Klee me arrebate? O que me faz ficar horas admirando a luz em telas de Vermeer e de Turner? E, talvez mais relevante nesta questão, o que me faz ficar indiferente a quase tudo que é produzido atualmente em matéria de artes plásticas? Porque eu não preciso de um longo texto explicativo para me maravilhar com Turner ou com Rembrandt? Não sou contra experimentações artísticas, pois admiro intensamente Pollock, por exemplo. Como também admiro (e sinto ao meu modo) o trabalho do Ianelli, para citar um brasileiro contemporâneo. Mas, sinceramente, não consigo entender como este trabalho da Varejão pode valer tanto dinheiro. Uma possível explicação é que o mercado da arte tenha se desvinculado do que chamávamos de arte no passado. Seria isto? Ou simplesmente este quadro arrebatará algumas almas no futuro (sem a necessidade de ler uma bula), não podendo ser compreendido no presente? Enfim, são muitas questões levandadas pela cifra elevada adquirida pela "Parede com Incisões à La Fontana II". Vc teria algo a dizer sobre todas estas questões?  

 
 
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Lúcia Dacosta

Questão: Para QUEM é feita, afinal, a arte?

Lancei essa questão no facebook e poucas pessoas entenderam ou não se interessaram em refletir sobre isso. A questão é: somos apenas fazedores e, portanto, não nos interessa para quem... ou existe algum tipo de propósito por traz do fazer? Por outro lado, a arte não é exatamente o belo mas algo que arrebata sim, não porque é belo ou sublime mas porque causa algum tipo de estranhamento, que te leva a algum tipo de reflexão, assim como no cinema e na literatura - a um pensar...ou simplesmente porque é belo também, porque não?

 
 
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maria utt

Mercado e arte é diferente de qualidade ou relevância da obra. Paulo Coelho é exemplo de literatura porque vende muito?

 
 
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SLeo

"O que faz com que uma obra de Cèzanne me arrebate?" A qualdiade, claro, mas também o contexto cultural, meu caro. Cèzanne, na época dele, foi acusado de fazer quadros de um "pintor de paredes bêbado". Alguams das objeções feitas ao trabalho dele parceem tremendamente com os comentários agressivos alguns aqui.Pessoas com menos preconceito que você souberam ver a revolução que ele fazia, seu profundo compromisso com a pintura (sugiro "A dúvida de Cézanne", do merleau-POnty, saiu na Cosac&Naify, no livro "O OLho e o Espírito") _ e a qualidade dele que foi louvada em alguns "manuais de estética" de especialistas para a patuleia que começou a se livrar dos conceitos passadistas e descobrir então o que de tão fantástico havia naquele pintor que influenciou os cubistas (outros que foram detonados pelos contemporâneos apegados só ao que já conheciam).

Parabéns por ter alcançado a sensibilidade estética de um sujeito do começo do século XX. Com um pouco menos de rejeição ao inusitado, quem sabe consiga ver o que há de encantador nas obras do século XXI.

A propósito, julgar essa obra por uma pequena reprodução na tela do computador é como saborear um prato fino lambendo a foto numa revista ilustrada. Não dá nem ideia da forte impressão que essa parede rasgada, expondo visceras, causa em quem chega perto.

 
 
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Murilo - SP

Caro SLeo, obrigado pela sugestão do texto do Merleau-Ponty. É realmente um texto muito interessante e não é à toa que costuma sempre estar presente em cursos de Estética. Mas a minha questão não é puramente acadêmica, na verdade não passa de uma certo desconforto frente ao que chamam de arte nova, ou arte conceitual, ou algo do gênero. Sem dúvida que Cézanne não foi devidamente compreendido pela crítica de sua época, mas este exemplo terá de ser sempre lembrado para anular o juízo crítico sobre este ou outro artista? Significa que o erro sobre Cézanne será sempre repetido ao longo da história? Então, de que vale a crítica ou opinião sobre uma determinada obra de arte? Então temos a todo momento gênios do porte de Cézanne, Picasso ou Klee revolucionando a arte mas que estão sendo incompreendidos e/ou criticados? Não creio que seja esta a situação, o surgimento de gênios é um evento raro, seja na arte ou na ciência.

Uma das coisas que me incomoda atualmente é a forma como a arte é colocada ao público. A impressão que tenho, ao visitar bienais, é a de que o artista passou a promover espetáculos, não cabendo mais espaço à obra de arte em si, mas de todo um aparato quase circense e grandioso. Aliás, a própria concepção das bienais deve ser muito provavelmente um fruto do mercado da arte, e aparentemente um depende do outro fortemente. É como se todo o artista devesse, de alguma forma, chocar seu público, e, nesse choque, estaria embutida toda uma renovação estética. Isso seria um efeito dos movimentos de vanguarda do século passado? Daqui pra frente não teríamos outra saída a não ser a busca desenfreada desta vanguarda? A obra da artista merecedora de um valor milionário é uma releitura de obra de outro artista. Isto não seria uma prova do limite em que se encontra a arte conceitual? Por que a arte não pode mais buscar o novo? O arrebatador? Afinal, qual a finalidade de uma arte que não dialoga mais diretamente com seu público? Obviamente para alguns há um diálogo incessante com o quadro da artista Varejão, mas, pergunto para estes, onde está o novo? Pode ser que eu ainda não tenha adquirido a percepção estética para admirá-lo, mas porque eu teria de fazê-lo via Merleau-Ponty, Hegel ou Adorno? Meu arrebatamento com Cézanne se deu na infância, quando eu ainda estava aprendendo a ler. Porque este sentimento não se repete com algum artista conceitual, sem a necessidade da busca de referências e contextualizações?

A propósito, sua observação sobre o fato de estarmos vendo apenas uma foto no computador é totalmente verdadeira. Nada substitui o momento "cara a cara" com uma obra de arte. Pelo visto muitos dos comentaristas acham que um quadro não passa de um objeto que deve combinar com a estampa do sofá...

 
 
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SLeo

Caríssima Lívia, não é verdade que a arte contemporânea se sustenta só na crítica. Verja o deslumbramento das crianças em Inhotim (a mal falada Inhotim aqui; quem dera que todo picareta no Brasikl construísse algo igual) para notar que, abordada sem preonceito do que deve ou não deve ser arte, a arte contemporânea é sim, capaz de provocar deslumbramento êxtase, espanto, deleite. A obra da Varejão, aliás, é uma das que mais o faz, em quem se encontra com ela, cara a cara. A foto mata, pode acreditar. E hopje Cezanne parece dar motivos "objetivos" para ser considerado belo porque temos um século de treino e educação do olhar. Quando ele surgiu, só artistas treinados, o pessoal dos manuais de estética (não os cocorocas, os de cabeça aberta) atentaram para sua qualidade. Victor Hugo, amigo do cara, tinha pena dele por se perder naquilo que hoje admiramos.

Caríssimo Murilo, obrigado pela delicadeza com que respondeu a meu comentário mal-humorado. Concordo que há empulhação na arte contemporãena, como em toda aividade humana, e que há interfer~encia de mercado. Mas havuia na época de vermeer, os artistas da Renascença produziam para a Igreja endinheirada, os barrocos tinham burgueses patrocinadores que encomendavam as obras. Ter sançaõ do mercado, ou até pressão dele não invalida a qualidade de uma obra nem signfiica que atender ao mercado corrompe seu valor.

O problema é que vivemos outra época, uma em que há artefatos e tecnoklogias automáticas de produção de imagens, o que obriga o criador verdadeiro, oa rtista, a buscaqr a criação em outros campos, às vezes próximos da filosofia, da reflexão sobre a existência e a essência das coisas. Ninguém diz que Descartes é imkbecil porque fala uma coisa óbvia como "Penso, logo existo", nem ninguém se arrisca a dizer que até seus filhos seriam capazes de dizer que só sabem que nada sabem, como dizia Sócrates. Aarte contempor~ena tateia caminhos não trilhados; alguns percursos darão em nada, outros correm o risco de ser intraistáveis pela maioria dos mortais, e outros ainda moldarão nosso futuro senso estético, ainda que pareçam bizaros hoje em dia. Veja o exemplo de Andy Wahrol, que influencia a diagramação de páginas, a criação de peças gráficas até hoje (para não falr de Mondrian, que filkisteuis em visita a museu comapram com disposições de azulejos de banheiro).

Um exemplo disso é Cildo Meireles, que pdoe ser experimentado no indigitado Inhotim. Não há necessidade de tirar um "sentido" das instalações dele lá _ são várias, todas notáveis. As pessoas vivem aquilo, e duvido que saiam intactas do contato com essas obras....

 
 
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pintor de dolares

SLeo:

Comparar Cezanne com Varejão é demais.

Essa bateu todos os records.

Cezanne mudou conceitos seculares.

Varejão é a copia, da copia da copia.

Mas num tão pobre periodo da historia humana, comparamos mesmo coisas incomparaveis. O Romero Brito é visto ate em palacios e museus. Ja houve epocas em que coisas de tal nivel não entravam nem nas cocheiras dos castelos e os endinheirados depositavam suas fortunas em valores mais solidos.

Ontem, enquanto  discutia-se sobre Varejão nesse blog, os americanos aprontavam mais uma no Conselho de Segurança, votando contra a busca da paz.

No fim, uma obra de Varejão "valer" mais do que todas as de um Goeldi é algo so possivel num mundo dominado por um povo tão cretino como o americano. Fizeram e continuam fazendo grande mal ao progresso humano.Essa distorção no "mercado de arte" é apenas mais uma das consequencias do dominio de um imperio tão mediocre que reduziu tudo ao "mercado".

Varejão é apenas mais uma artista da "moda". Atualmente vende-se qualquer coisa para os endinheirados que se informam na VEja. Houve tempos em que cultura,educação,informação eram valores basicos tambem para os poderosos. Va la tentar explicar aos ricos de hoje que "obras" que lhes são vendidas por milhões são copias, das copias, de trabalhos que Man Ray e outros fizeram no começo do seculo XX. Vão lhe responder "que esse Man Ray nunca apareceu na coluna social, como o Gustavo Rosa".

Mas o que podemos fazer?

Beatriz Milhares,que outrora com suas florezinhas, não passaria de uma moça bordadeira, hoje tem obras que valem o conjunto de todas de um Percy Law ou de um Goeldi.

Romero Brito pinta a presidenta e ela não tem vergonha de se fazer fotografar ao lado do quadro.

É o tempo contemporaneo. Cezanne se soubesse que um dia iria ser comparado com Varejão, talvez não "investisse" tanto em arte.

 
 
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pintor de dolares

SLeo:

Comparar Cezanne com Varejão é demais.

Essa bateu todos os records.

Cezanne mudou conceitos seculares.

Varejão é a copia, da copia da copia.

Mas num tão pobre periodo da historia humana, comparamos mesmo coisas incomparaveis. O Romero Brito é visto ate em palacios e museus. Ja houve epocas em que coisas de tal nivel não entravam nem nas cocheiras dos castelos e os endinheirados depositavam suas fortunas em valores mais solidos.

Ontem, enquanto  discutia-se sobre Varejão nesse blog, os americanos aprontavam mais uma no Conselho de Segurança, votando contra a busca da paz.

No fim, uma obra de Varejão "valer" mais do que todas as de um Goeldi é algo so possivel num mundo dominado por um povo tão cretino como o americano. Fizeram e continuam fazendo grande mal ao progresso humano.Essa distorção no "mercado de arte" é apenas mais uma das consequencias do dominio de um imperio tão mediocre que reduziu tudo ao "mercado".

Varejão é apenas mais uma artista da "moda". Atualmente vende-se qualquer coisa para os endinheirados que se informam na VEja. Houve tempos em que cultura,educação,informação eram valores basicos tambem para os poderosos. Va la tentar explicar aos ricos de hoje que "obras" que lhes são vendidas por milhões são copias, das copias, de trabalhos que Man Ray e outros fizeram no começo do seculo XX. Vão lhe responder "que esse Man Ray nunca apareceu na coluna social, como o Gustavo Rosa".

Mas o que podemos fazer?

Beatriz Milhares,que outrora com suas florezinhas, não passaria de uma moça bordadeira, hoje tem obras que valem o conjunto de todas de um Percy Law ou de um Goeldi.

Romero Brito pinta a presidenta e ela não tem vergonha de se fazer fotografar ao lado do quadro.

É o tempo contemporaneo. Cezanne se soubesse que um dia iria ser comparado com Varejão, talvez não "investisse" tanto em arte.

 
 
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SLeo

Caro, não fui eu quem lembrou de Cézanne ao coemntar a Varejão. Mas, já que o citaram, achei por bem lembrar que até ele, que como você diz, tem um ´papel inquestionável na história da arte, foi mal compreendido pelos contemporâneos, até pelos amigos intelectuais.

"Cópia da cópia da cópia"? Ela copia quem?

 
 
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SLeo

<p>Caro, não fui eu quem lembrou de Cézanne ao comentar a Varejão. Mas, já que o citaram, achei por bem lembrar que até ele, que como você diz, tem um ´papel inquestionável na história da arte, foi mal compreendido pelos contemporâneos, até pelos amigos intelectuais.</p><p>"Cópia da cópia da cópia"? Ela copia quem?</p>

 
 
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Livia Pulido

Mas é exatamente esse o ponto, seu exemplo depõe CONTRA o seu argumento! A obra de Cezanne, apesar da critica especializada da época considerá-lo um "pintor de paredes bêbado", teve características objetivas fortes o bastante para tornar-se clássica.

A arte contemporânea, ao contrário, se sustenta APENAS na opinião da crítica. Se não houver uma Saatchi para dizer que a obra é boa, ninguém dá um tostão por ela!

 
 
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daSilvaEdison

 

SLeo,

Gratificado, mas não satisfeito, gostaria que você compartilhasse conosco a opinião do seu Alter Ego, o sempre preciso "Canalha da Redação".

 

 
 
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Jorge Furtado

Uma informação que você não vai encontrar aqui: a venda aconteceu EM LONDRES. 

"Parede com incisões à La Fontana II", de Adriana Varejão, foi leiloado nesta quarta-feira (16) na Christie"s de Londres e se tornou a obra de um artista brasileiro vivo mais cara da história. A tela de 2001 foi vendida por R$ 2,72 milhões (1,1 milhão de libras). Ela estava avaliada entre 200 e 300 mil libras.

http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/02/tela-de-varejao-e-obra-de-um-artista-brasileiro-vivo-mais-caro-da-historia.html

 
 
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Luiz Lima

Esta senhora é a MERPOSA do mundo das artes plásticas. E como vende, a criança. A próxima tela será "ConTact C(*)gado com Perdigotos I". Vai sair por uns 2 milhões, molinho.

 
 
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Edmilson Fidelis

E eu entendo menos que você.  :-)

Ao ler este post eu me lembrei do post dos "batalhadores".

Será que algum "batalhador" sequer imaginaria o preço desta obra?

 

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

 
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Adriano Alves

Ninguém precisa entender de arte pra sacar como é fácil lavar dinheiro nesse meio. De Sanctis que o diga.

 
 
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Luis Campos

Muito bem lembrado Adriano.

 
 
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SLeo

Ah, as certezas categóricas que a ignorância nos traz... Adoro essas teorias conspiratórias. É claro que há lavagem de dinheiro no mercado de arte, ams atribuir a fama da varejão a isso é desconhecimento total do trabalho dela, da história da arte contemporâena no Brasil, de mercado de arte na atualidade. Adriana é um dos expoentes da chamada geração 80, artistas que surgiram nessa década com novas abordagens em pintura, técncia que se dizia morta naquele tempo. Ela não é, foi casada com o Bernardo Paz, que não é nem nunca foi sócio do marco valério, mas do irmão do picareta. Ela ganhou reconhecimento uinternacional muito antes de casar com o cara _ que, aliás, casou após conheecê-la por causa do trabalho prestigiado que ela fazia.

É triste ver nos comentários de muita gente aqui como seus padrões de julgamento ficaram presos aos conceitos do século XIX; querem, na Artem, figurinhas para pendurar na parede da sala; recusam-se a responder às provocações do artistas com alguma reflexão, alguma curiosidade intelectual. "Não entendo, não gosto, não aceito" é o lema.

 
 
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Marcelo Camanho

É sempre assim: quando uma obra de arte está OBVIAMENTE sobrevalorizada e as pessoas comentam, são "ignorantes" que não "respondem às provocações instigadas" pelo artista. Pelo palavrório vazio ("proposta", "provocação", "instigante", "discurso" etc.) fica claro para qualquer um que não frequenta o "mundinho" que o que vale não é mais a obra, e sim o nome do artista e suas conexões com os galeristas e críticos.

Tenho amigos galeristas e colecionadores, e já propus como brincadeira o seguinte: fazer uma exposição ANÔNIMA. Sem dizer quem fez o que, colocar lado a lado obras dos "medalhões" (Adriana Varejão, Vik Muniz etc) e de qualquer turma de primeiro ano da EAV do Parque Lage. Os críticos iriam PRIMEIRO julgar as obras e SÓ DEPOIS saber quem é o artista. Claro que ninguém topou, porque será?

Os colecionadores de hoje em dia são meros investidores, e o próprio interesse deles é que move o mercado. A obra é boa porque é cara e é cara porque é boa. O simples conceito de uma obra BELA, que apele ao senso estético do colecionador, é considerado "tacanho" e "pouco sofisticado". Por que? Porque assim os critérios ficariam objetivos, e os galeristas/críticos perderiam o poder de definir quem é "bom" e quem é "ruim".

(Por outro lado, para quem quer ser "queridinho" destes mesmos galeristas e críticos, e ainda ganhar uma grana, basta rezar amém para tudo que eles dizem - como fazem vários "comentaristas de arte contemporânea"....)

 
 
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SLeo

Camarada, no dia em que "Bela" for um critério objetivo, talvez d~e para levar em consideração seus outros argumentos.

E, lamento, mas é isso mesmo. Quando alguém rejeita uma experiência intelectual pelo simples fato de que "não gosta", de que não entende, não há como não falar em ignorãncia, ou tacanhice. Claro, tens razão ao reclamar do mundinho da arte, que fabrica talentos e estrelas. Mas reduzir toda a arte contemporânea a isso é um tanto exagerado.

 

 
 
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maria utt

ué... estranho. A primeira exposição dela foi em 88, quando expôs na Bienal de 94, era considerada uma nova artista...

Acho que não faz sentido colocá-la junto com a chamada geração 80, até porque a Bienal de 94 questionava o suporte. Não faz parte de um movimento de retorno à pintura, mas um momento posterior.

 
 

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