O PT e as bases católicas

Do Valor

Era Lula mitiga adesão de bases católicas ao PT

Maria Inês Nassif, de São Paulo
13/07/2010 

O PT foi fundado, em 1980, de uma costela dos movimentos populares ligados à Igreja da Teologia da Libertação. A ligação entre ambos, todavia, não é mais a mesma. Houve uma "despetização" desses movimentos. O setor progressista católico botou o pé para fora do partido que hoje está no governo da União e se move com mais desembaraço nos movimentos sociais do que fora do circuito de poder, e nos movimentos políticos suprapartidários, como o que resultou na aprovação do projeto Ficha Limpa, no dia 19 de maio.

As bases católicas progressistas ainda votam de forma majoritária no PT, mas não se misturam com o partido e são proporcionalmente menores que nos anos 80 e 90. Primeiro, porque a própria instituição perdeu a sua centralidade, com a redemocratização. "Nos anos 70 e 80, a Igreja era o guarda-chuva para a sociedade civil na defesa de direitos, um abrigo para os movimentos sociais e um centro de atividade política. Quando abriu o regime, não precisou mais exercer esse papel, porque floresceram outras institucionalidades", analisa o padre José Oscar Beozzo, da Teologia da Libertação - o veio de reflexão da Igreja de esquerda latino-americana que foi condenado à proscrição nos papados de João Paulo II e Bento XVI, acusado de tendências materialistas, mas que resiste nas bases sociais católicas de forma mais tímida e "de cabelos mais brancos", segundo Beozzo, e com mais dificuldades de reposição de quadros, na opinião de Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, um de seus teóricos.

Na democracia, a atividade partidária não precisa estar mais abrigada na Igreja, nem a Igreja tem a obrigação de ser o grande protagonista de movimentos políticos civis: "No movimento do Ficha Limpa, houve um trabalho conjunto com setores laicos. É melhor trabalhar assim", afirma Beozzo. "Sem a capilaridade da Igreja, dificilmente o movimento conseguiria reunir 1,6 milhão de assinaturas para a proposta de iniciativa popular", relativiza o juiz Márlon Reis, um dos organizadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

De De outro lado, também foi gradativamente se reduzindo o espaço de atuação da Igreja progressista nas bases sociais. Isto se deve à evasão dos setores mais pobres das igrejas católicas, que rumam celeremente para templos evangélicos, e à política sistemática de esvaziamento dos setores católicos progressistas por Roma. A igreja da Teologia da Libertação ocupa um espaço, junto às classes menos favorecidas, a que os tradicionalistas não conseguem acesso. Quando esse setor tem seu acesso reduzido a estas bases, a adesão ao catolicismo também diminui. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, 89,2% declaravam filiação ao catolicismo em 1980; em 2000, eram 73,8%. Em 1990, esse índice era de 83% - um ritmo de queda muito aproximado a 1% ao ano nos dez anos seguintes. As religiões evangélicas eram a opção de 6,7% da população em 1980; já trafegavam numa faixa de 15,4% dos brasileiros em 2000. Segundo dados do Censo, subiu de 1,6% para 7,3% os brasileiros que se declaram sem religião.

O IBGE parece confirmar a teoria de Frei Betto em relação à origem dos que saem do catolicismo em direção às igrejas evangélicas: enquanto, na população total, 73,8% se declaravam católicos no Censo de 2000, esse número subia para 80% nas regiões mais ricas e entre pessoas de maior escolaridade.

Segundo Beozzo, a Igreja Católica encolheu nas comunidades onde viscejava o trabalho pastoral da igreja progressista. "Hoje a igreja é minoritária nas comunidades. Para cada três igrejas católicas, existem 40 pentecostais." Além da perda de fiéis para as igrejas católicas nas periferias urbanas, a Igreja católica tem perdido também para os que se declararam sem religião. É a "desafeição no campo religioso" a que se refere Beozzo.

Para Frei Betto, todavia, as perdas respondem diretamente à ofensiva da hierarquia católica contra a Teologia da Libertação. Essa é uma posição que foi expressa também pelo bispo emérito de Porto Velho, dom Moacyr Greghi, na 12ªInterclesial, no ano passado, quando as comunidades eclesiais de base surpreenderam ao reunir cerca de 3 mil delegados num encontro cujo tema era "CEBs: Ecologia e Missão - Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia". "Onde existirem as CEBs, os evangélicos não entram e os católicos não saem de nossa igreja", discursou dom Moacyr.

Segundo teólogos, padres e especialistas ouvidos pelo Valor, processos simultâneos mudaram as feições da ação política da igreja. A alta hierarquia católica fechou o cerco contra a Teologia da Libertação, quase que simultaneamente à redemocratização do país e à emergência de instâncias livres de participação democrática - partidos, sindicatos, organizações não-governamentais e movimentos organizados.

O PT, principal beneficiário dos movimentos de base da Igreja, se autonomizou e absorveu quadros originários das CEBs, das pastorais e das ações católicas especializadas (JEC e JUC, por exemplo). Ao tornar-se poder, pelo voto, incorporou lideranças católicas, mas também decepcionou movimentos que estavam à esquerda do que o partido conseguia ir administrando o país e mediando interesses de outras classes sociais. "As bases estão insatisfeitas, mas têm medo de fazer o jogo da oposição, que está à direita do governo", analisa Frei Betto. "Tem uma parte dessa militância que tem pavor da volta do governo tucano", relata o candidato do P-SOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio.

O espaço do PT nas bases católicas ficou menor depois da ascensão do partido ao poder e da crise do chamado Escândalo do Mensalão, em 2005 - quando foi denunciado um esquema de formação de caixa 2 de campanha dentro do partido. Hoje, a relação dos católicos progressistas com a legenda não é mais obrigatória e os militantes de movimentos católicos de base são menos mobilizados e em menor número. Os partidos de esquerda acabaram incorporando um contingente da base católica que continua partidarizada, embora o PT ainda seja majoritário.

"O PT continua sendo o partido que tem mais preferência dos militantes das Comunidades Eclesiais de Base, mas existem partidários do P-SOL e tem gente que saiu do PT para militar com a Marina Silva, do Partido Verde", conta o padre Benedito Ferraço, um ativo militante . Em alguns Estados, como o Maranhão, onde existia uma militância histórica do antigo MDB autêntico, da época da ditadura, ainda se encontram bases católicas progressistas pemedebistas, segundo padre Ferraço. O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, que milita junto a setores da Igreja na defesa da reforma agrária - e assessora a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o tema - tem a adesão de líderes de movimentos da Igreja ligados à questão agrária. Contabiliza o apoio do ex-presidente da Comissão Pastoral da Terra, o bispo emérito Dom Tomás Balduíno. Marina - que, embora tenha abraçado a religião evangélica, tem na sua origem política a militância nas CEBs - recebeu a adesão do guru da Teologia da Libertação, Leonardo Boff.

Na avaliação do ex-vereador Francisco Whitaker, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, as bases da igreja progressista têm saído da militância petista, mas engrossam mais as fileiras dos "sem-partido" do que propriamente as legendas mais à esquerda ou opções mais radicais pela ecologia, embora isso aconteça. "Hoje, a militância partidária é apenas uma das possibilidades", afirma Whitaker, que foi um dos líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral que esteve à frente da campanha pelo projeto dos Ficha Limpa.

Whitaker e Frei Betto - este, junto com Boff, é um dos expoentes da Teologia da Libertação - apontam também um outro fator para a "despetização" das bases da Igreja: a absorção de quadros originários das CEBs e das pastorais sociais pelo próprio governo. "O movimento de base foi muito desarticulado, ou porque os seus líderes foram cooptados pelo governo do PT, ou porque foram incorporados à máquina partidária", diz Frei Betto. Isso quer dizer que o militante católico absorvido pelas máquinas partidárias e do governo deixou de ser militante e passou a ser preferencialmente um quadro petista.

A incorporação à máquina não é apenas a cargos de confiança em Brasília. "As representações estaduais do Incra e da Funasa, por exemplo, absorveram muita gente que veio dos movimentos de base da Igreja Católica", conta Frei Betto. Também a máquina burocrática do partido atraiu os militantes que antes atuavam nas bases comunitárias de influência católica.

A "laicaização" do PT foi mais profunda, todavia, após 2005. "O mensalão bateu forte nas bases católicas", avalia Whitaker. Sob o impacto do escândalo, centenas de militantes petistas aproveitaram o Fórum Social Mundial, que naquela ano acontecia em Porto Alegre, para anunciar a primeira debandada organizada de descontentes, que saíram denunciando a assimilação, pelo PT, das "práticas e a maneira de fazer política usuais no Brasil", conforme carta aberta divulgada por Whitaker. "Eu tomei a decisão de integrar o partido dos sem-partido", conta o ex-vereador. A aposta, naquele momento, era que esses dissidentes criassem um forte partido ligado à esquerda católica. O P-SOL nasceu, mas pequeno e fraco - uma reedição, em tamanho reduzido, da aliança entre esquerda católica e grupos marxistas que, 15 anos antes, havia criado o PT.

Os "sem-partido", no cálculo de quem saiu, são em maior número. Whitaker chama essa "despetização" de "saída para a sociedade": o contingente se incorporou ao movimento dos Ficha Limpa, agora reforça a briga pela aprovação da Emenda Constitucional de combate ao trabalho escravo e tem atuação na luta pela reforma agrária. Tem forte atuação também - e quase definitiva - na organização dos Fóruns Sociais Mundiais (FSM) que ocorrem todo ano, de forma quase simultânea ao Fórum Econômico Mundial de Davos, como uma opção de debate econômico dos excluídos das generosidades do capitalismo mundial. Exercem uma militância de certa forma invisível na política institucional, mas muito atuante nas bases, de questionamento da legitimidade das dívidas interna e externa.

O secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Daniel Seidel, afirma que esse setor católico vive hoje em estado de ebulição, depois de um período de recuo, imposto especialmente pela ofensiva de Roma contra os setores mais progressistas da Igreja da América Latina. No caso brasileiro, esse novo período de eferverscência é atribuído a Dom Dimas Lara, secretário-geral da CNBB, de um lado; e de outro lado, ao papel desempenhado pelas Assembleias Populares, um formato de organização das bases mobilizadas da Igreja. As Assembleias têm definido uma ação política fora dos partidos e engrossado as mobilizações dos movimentos populares. São um espaço para onde tem convergido a atuação da Igreja cidadã: é onde se definem questões de atuação conjunta com outras igrejas, leigos, movimentos sociais e partidos políticos, embora jamais vinculados a eles.

Embora a "saída para a sociedade" tenha se dado num quadro de frustração com o governo, existe cautela em relação a ações contra o governo Lula. "Tem uma parte das bases católicas que acha que, ruim com ele (Lula), pior sem ele. Essa parte tem pavor da volta de um governo tucano", analisa Arruda Sampaio. "Embora as bases estejam insatisfeitas, têm medo de denunciar o governo e fazer o jogo da oposição", diz Frei Betto. Isso ocorre também com os movimentos sociais que já estão descolados da Igreja, como o MST, que foram criminalizados nos governos de FHC, não concordam com os rumos tomados pelos governos de Lula, mas ainda assim preferem a administração petista, numa situação eleitoral de polarização entre o PT e o PSDB. 

Ex-militantes egressos da Igreja migraram para Marina e Plínio

De São Paulo
13/07/2010

A Igreja progressista já não produz quadros para a política na quantidade que o fazia antigamente, mas a política brasileira pós-redemocratização está repleta de suas crias.

No início do governo, no comando do programa Fome Zero, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, contabilizou-s em artigo no "Correio Braziliense": Marina Silva, ex-militante das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja; Benedita da Silva, líder comunitária cujo primeiro marido, o Bola, militou no movimento Fé e Política; o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que foi da Juventude Estudantil Católica (JEC) de Anápolis (GO); Dilma Rousseff, companheira de cárcere de Frei Betto e de outros religiosos, no presídio Tiradentes; José Graziano, formado politicamente na JEC; Olívio Dutra e Gilberto Carvalho, que vieram da Pastoral Operária; José Dirceu, que no período de clandestinidade foi abrigado no convento São Domingos; e o jornalista Ricardo Kotscho, com quem Frei Betto criou grupos de oração, base do trabalho evangelizador da Teologia da Libertação .

Muita água rolou por baixo da ponte, mas nessas eleições presidenciais pelo menos dois candidatos beberam dela. A evangélica Marina Silva, candidata a presidente pelo PV, é uma. "Nós crescemos na batina do dom Moacyr (Grechi)", afirma a candidata. Militante desde cedo das comunidades eclesiais de base do Acre, atribuiu à Igreja católica, em especial de dom Moacyr, o fato de o Estado ter encontrado caminhos políticos diferentes ao do narcotráfico. Foi o pessoal do dom Moacyr que ganhou eleições para governos e Senado e forneceu quadros para secretarias e estrutura burocrática,

O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, foi um incansável militante, dentro e fora da Igreja, pela reforma agrária. Era um quadro do PT até o racha de 2005. Acha que, em algum momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve liderança incontestável nas bases da Igreja, mas hoje não lidera mais "gregos e troianos".

A deputada e ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB), embora não seja candidata à Presidência, é um exemplo de política que se criou nas bases da Igreja. Em Pernambuco, onde dava os seus primeiros passos na luta política, a Igreja progressista ajudava a organizar sindicatos rurais numa região em que as ligas camponesas - movimentos sociais muito atuantes antes do golpe de 64 - foram destroçadas pela ditadura. "Havia uma grande repressão às ligas e aos camponeses, mas a Igreja tinha uma relativa liberdade de transitar por esses espaços e aproveitava disso para organizar sindicatos", conta a deputada. Erundina veio para cá ameaçada pela repressão militar. Elegeu-se prefeita em 1989 - e foi a sua relação com a Igreja progressista que a protegeu nos momentos mais difíceis. (M.I.N) 

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32 comentários
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willian

Esse papo de que o cerco à Teologia da Libertação pelo alto clero católico tenha despolitizado as CEBs é bem relativo. É preciso admitir que teologia da libertação não alcançou com seu discurso efetivamente boa parte das bases católicas. A expansão do  movimento carismático católico mostra isso. O grande problema dos teólogos da libertação é que muitos abandonaram a teologia como Leonardo Boff e Hugo Assmann. Já outros como Frei Betto assumiram a adiministração pública e o Estado mas não souberam lidar com as contradições e ambiguidades da política nacional. 

 

Há uma grande dificuldade de atualizar o discurso da teologia da libertação e o comprometimento político.

 
 
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Edmar Roberto Prandini

Esse papo desarticulou sim grande parte as CEBs e a seiva que lhes dava amálgama, que era a Teologia da Libertação. A Teologia da Libertação não se resume àqueles escritos fantásticos do Leonardo Boff, ou de seu irmão, Clodovis Boff, nem de José Comblin ou Frei Betto. Era uma elaboração natural que os líderes das comunidades de base, os líderes de grupos de jovens ou círculos bíblicos faziam e que serviam de inspiração para os teólogos "profissionais" que a transformavam em livros, dando-lhe maior solidez acdêmica e fundamentação teórica. 

Com a desarticulação de uma grande parte da pastoral baseada na metodologia e na pedagogia "libertadora", desapareceu parte do solo para que se desenvolvessem as bases da Teologia da Libertação.

 

Edmar Roberto Prandini www.twitter.com/edmarrp

 
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cariry

Vale lembrar que o Frei Boff sofreu grande perseguição na Igreja, com os processos da Inquisição liderada por Joseph Ratzinger, atual Bento XVI. Entre o silêncio e a "saída" da Teologia o Leonardo Boff optou pela ação fora dos marcos da Igreja Católica.

Confesso que fico cada vez mais decepcionado com os escritos e posicionamentos de Leonardo Boff após esse período de luta, bem relatado em "Igreja, Carisma e Poder". Pior ainda nesta eleição onde ela deixa de lado a contradição essencial para se ligar a projetos divisionistas.

Mas continua uma referência como pensador, teólogo, político, humanista. Lembro de um livro sobre a Santíssima Trindade onde ele procurava apresentar a doutrina mas fazendo um link com a realidade Humana, e um mapeamento (utopista sim, mas real) da Santíssima Trindade para a Humanidade: Todo, Parte, Comunidade Cristã...

Prefiro o Frei Boff, mas não posso perder a referência de Leonardo Boff, mesmo com o erro crasso nesta eleição e em outros momentos. Se não houver a crítica, movimento nenhum avança.

 

"Seja realista: exija o impossível"

 
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José Antônio Araújo

Excelente comentários Willian:

"Já outros como Frei Betto assumiram a adiministração pública e o Estado mas não souberam lidar com as contradições e ambiguidades da política nacional. 

Há uma grande dificuldade de atualizar o discurso da teologia da libertação e o comprometimento político."

As ambiguidades aceitas são somente as da Igreja e haja ambiguidades...

Um abraço,

JAA

 

José Antônio

 
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willian

Isso acontece mais no nível intelectual. Já no cotidiano das comunidades católicas e protestantes históricas, há ainda muito da Teologia da Libertação. Seu discurso se dissolveu em várias frentes como movimento negro, indígena, ecológico, MST, etc. Os intelectuais que permaneceram no referencial teórico da TdL focalizaram as suas leituras da realidade. Outros foram incorporados na teologia oficial católica como Clodóvis Boff, que agora acusa  a TdL de substituir o Cristo como centro da teologia pelo pobre. 

 

Quem faz TdL hoje, muitas vezes, faz e não sabe, porque o discurso da libertação da opressão social foi incorporado no discurso oficial da Igreja e mesmo dos partidos "burgueses" e liberais como PSDB. Mas acredito que a TdL está viva como nunca, precisa saber analisar as instituições pois faz parte delas, inclusive o estado democrático brasileiro.

 
 
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Raí

Cara Maria Inês,o que aconteceu com a militancia petista que era integrante da igreja católica modernista e adepta da Teologia da Libertação,foi o "pito"dado a esta facção religiosa,pela Santa Sé,e que freiou um pouco,o ímpeto de unir a igreja à política.

Como o PT havia sido o partido mais próximo das opçõespreferenciais pelos pobres,lema da igreja católica,este sempre foi o partido que mais cooptava eleitores e seguidores. Estando no poder,o partido convocou alguns líderes das CEBs,para cooperarem e isso tambem desagradou a alguns clérigos religiosos mais conservadores,que sempre foram excessivamnete laicos,e não quiseram desobedecer as ordens da Cúria,para afastar-se dos partidos.

Claro que perdemos seguidores de dentro desta sociedade cristã,e isso é a coisa mais natural dentro de um processo democrático,porem tambem ganhamos novos adéptos,os mais esclarecidos politicamnete falando,que enxergam nos partidos,a única uma maneira de participar das decisões que lhes afetam diretamente.

Sou membro de uma CEB,e nela eu presencio a mudança na postura política de seus membros,que hoje diferentemente das épocas de luta pela liberdade,hoje lutam para que a sociedade como um todo,e os mais pobres em especial,adquiram atravéz de seus votos,a cidadania,e saiam do lugar comum de simples coadjuvantes políticos.

A própria CNBB,mesmo estando afastada da participação política e não admita sua estreita ligação programática com o PT,(no sentido de temer a volta dos tucanos ao poder)educa religiosamente seus fieis,a votar corretamente e escolher nas urnas aqueles que estão comprometidos com a ética,com uma política voltada ao social,e com o respeito ao Evangelho.

Finalizando,eu diria que o PT perdeu em quantidade de adéptos,porem ganhou em qualidade dos atuais cristãos que sabem conciliar religiosidade e participação política.

 

Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.

 
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Mario Blaya

 

bom,  não é facção religiosa, e movimento religioso, o afastamento do PT, pode ter ocorrido devido o afastamento do PT de seus ideiais por um pragmatismo que fez dele, muito parecido com os partidos que antigamente ele criticava.

acho interesse você repetir que o PT perdeu me quantidade, mas melhorou em qualidade, uma cuspida no prato que comeu bem classica.  Mas essa tal qualidade não pode ser vista na escolha de um candidato forte para disputar o governo paulista ou mesmo alguém das bases do PT para ser o sucessor do Lula.  A Dilma, aquela que não esta nem ai para o programa do PT, não é do partido, e de outra facção politica.

E interessante notar que o ficha limpa correu a revelia do partido, afinal muitos aliados do governo seriam atingidos pela lei,  isso faz lembrar a maxima, "me dizes com quem andas, que eu direi quem tu és!" , quem é o partido que anda com Sarney, Renan, Collor, Geddel e outros.

Ah eu sei quem são os sujos do lado da oposição também, por isso que eu digo que o PT esta igual aos outros e não é mais diferente,  talvez por isso que a qualidade do partido variou tanto, e que diminuiu a base de comparação!  Não é mais um partido popular, é um partido de gente com "qualidade"! essa sua visão de qualidade, e bem diferente da minha!  mas fazer o que.

 

 

 

 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
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augustinho

E quem foi que planejou, pensou e executou metodicamente durante 20, 25 anos o isolamento, aperseguiçao e pressão politica sobre a teologia da libertaçao? E ao mesmo tempo que planejava executava friamente a substituiçao dos bispos catolicos simpaticos a TL ,um a um, por outros  ligadoes na 'tese que ' igreja nao deve fazer politica". Que nao estavam nem ai pela luta dos setores mais debeis. PORQue nao digam que nao foi  planejado e executado tudo isso, na ditadura e mesmo enquanto o cadaver da ditadura estava ainda quente?

 

 

 
 
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Otaviani

"Dou com uma mão e recebo com outra",uma parte da igreja católica que era minoria e que atuava alem dos formalismos da igreja,mas  atuava ativamente na area social e consequentemente na area politica.Seria um pequeno contra peso ao apoio do alto clero  ao golpe.O que é estranho quando se faz este tipo de análise em que as pessoas ligadas a igreja,sairam do partido(PT) apos o episódio do mensalão e a subida deste ao governo, porque então ,seguindo a lógica moral ou ética que os fatos mostram que os orienta,então porque não abandonaram a igreja,que apoiou um dos periodos mais negros da história do país.Estranho este senso de ética católica.

 
 
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Mario Blaya

 

a igreja não apoiou o golpe, quem apoiou o golpe foram alguns membros, a Igreja sempre pediu respeito aos direitos humanos e a vida, se a Igreja apoiasse a ditadura, homens como D. Evaristo ou D. Helder teriam sido afastados de suas funções para outras.

A Igreja foi a unica instituiçao que um periodo resistir a ditadura.

Agora sua analise a interessante, pessoas ligadas a movimentos religiosos abandanam o PT porque esse adotou metodos que o PT desaprovava no passado. Ai em contra-partida, vc quer que membros abandonem sua Igreja porque alguns membros apoiaram o golpe de 64. Para vc achar que o PT e a Igreja se equivalem deixa bem claro seu nivel de avaliação das instituições!!!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
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Otaviani

E quem esta falando de instituições a nivel comportamental,as instituições são pessoas,e as pessoas é quem estou criticando,seé que voçe realmente entendeu,ou realmente leu,talvez a critica a igreja católoica tenha afetado seu entendimento e fale o cristão não o analista.Agora quando a direção de uma organização qualquer apoia uma determinada ação,então é a instituição apoia,e seguindo o seu raciocionio quantas mulheres foram assassinadas ppor esta instituição chamada igreja e não vi nehum dos chamados santos da época a renegarem.beleza de critica de católico.

 
 
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Otaviani

A propósito,sou membro fundador do PT aqui em Minas,com Virgilio,Sandra starling.João Paulo Pires.Não venha falar em desconhecer instituições ,principalmente uma que ajudei a fundar.

 
 
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Levon Nascimento

Os problemas da "linha libertadora" ou "Teologia da Libertação" estão relacionados à falta de respostas para as questões "místicas" das pessoas. O discurso (coerente, acho eu) da TL sobre o Evangelho vivido na prática não foi suficiente para fazer frente à busca pelo sagrado presente no mundo atual. Para muitos, que não estavam diretamente tocados por "Questões Sociais", o discurso dos padres da libertação era apenas "pregação política". Infelizmente os teólogos e as comunidades não souberam dar uma resposta eficiente a isto.

Evangélicos e carismáticos supriram este espaço com base na ideia de que quem busca religião "quer ouvir apenas sobre religião" (mística, sobrenatural, milagres, etc). A concepção de que a religião deva estar interligada à vida, ao cotidiano, base do pensamento da TL, não alcançou o povo. Pareceu abstrato ou alheio ao que se imagina ser "a prática religiosa" convencional.

Os conservadores, por "razões conservadoras" e de poder, são contra a TL e ajudaram a desarticulá-la. Mas nada lucraram ou lucrarão. Estão fadados a sumir primeiro do que a própria TL. Seu discurso é muito menos ouvido e praticado do que o da TL. O futuro, bom ou mal, em termos religiosos, é dos pentecostais, católicos ou evangélicos.

 
 
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Brasileira

Parabéns. Concordo plenamente.

 
 
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Jose de Almeida Bispo

"Evangélicos e carismáticos supriram este espaço com base na ideia de que quem busca religião "quer ouvir apenas sobre religião"(...)

Excelente, essa ideologia plantada pela direita então em ascensão na Igreja Católica, especialmente depois da morte de Paulo VI e da súbita morte de João Paulo I. Quase todo mundo aceitou como fato. O que ninguém questionou é porque haviam tantos sincretistas antes do aumento considerável dos pentecostais, gente que saia da missa pra casa de candomblé e vice-versa; gente que só aparecia na Igreja quando padrinho ia batizar um filho alheio (às vezes nem o seu, no caso do pai, ele ia) e no momento isso é praticamente inexistente, ou seja, quatro em cada dez católicos não eram tão católicos assim. Mesmo assim, o aumento de evangélicos saltou até 200 por cento, porém, pelos números do IBGE está a anos-luz de aproximar-se do número de católicos.

 
 
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Levon Nascimento

Não acho que constatar a realidade seja algo de direita ou de esquerda. Sou de esquerda. Participo das Comunidades de Base. Mas vejo a realidade e me abasteço dela. "Olha na Bíblia, olho na vida". Não é assim que se diz?

 
 
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josias favacho

prezada m. ines

"O PT foi fundado, em 1980, de uma costela dos movimentos populares ligados à Igreja da Teologia da Libertação..."

Cabe corrigir, para colaborar com seu brilhante artigo, e acrescentar o "também" antes da vossa afirmativa, uma vez que outros segmentos participaram da fundação do pt. partidos até então na clandestinidade, movimentos sindicais, academia engajada, segmentos de movimentos culturais, personalidades militantes da sociedade civil sem inserção partidária, outras matrizes religiosas, etc... ou seja, não dá para reduzir a apenas uma força indutora, ainda que, dependendo de algumas variáveis - entre elas a questão geográfica - sim, a igreja teve um papel muito importante.

abraços

 
 
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luzete

reparo perfeito, josias e acredito que maria inês concordará com uma outra  formulação: a igreja católica cedeu uma das costelas daquilo que veio a se constituir o PT, amálgama de pessoas oriundas de muitos movimentos sociais e, sobretudo, políticos. a unanimidade que havia era o profundo respeito de todos pela ação corajosa deste setor progressista da igreja católica.

 
 
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Paulo Kautscher

"O PT, principal beneficiário dos movimentos de base da Igreja, se autonomizou e absorveu quadros originários das CEBs, das pastorais e das ações católicas especializadas (JEC e JUC, por exemplo)."

O que me preocupa é uma “autonomização relativa do Estado”. Não pela coerção e, sim pela cooptação.

 

 

 

 

“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” Revista Lórdine Nuovo

 
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Cláudio

É incrível como a Maria Inês consegue em todos os seus textos, aprofundar significativamente a discussão e o pensamento, o que contribui necessariamente para construção do conhecimento. Pena que outros jornais ainda prefiram jornalistas que abusam da inteligência dos leitores. Não é preciso citar nomes.

Outra questão que percebo nessa discussão é que o ser humano e a sociedade, historicamente com a idéia que possa criar novos grupos isentos dos erros identificados, se iludem, ao acreditar que esses novos grupos não vão incorrer em erros, ou até nos mesmos erros. Isso ocorre na política, na religião....

 
 
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cleber "cartacho" tomaz

E por falar na igreja católica , é bom lembrar que ela esta desempenhando um papel importante para as liberação dos presos politicos da Ilha da familia dos Castro , claro nunca esquecendo a Espanha , agora eo Brasil com sua importante diplomacia , sempre presente nos acontecimentos mundiais , ainda não se pronunciou , igualmente nosso presidente Lula por sinal munito ligado aos Castros , e o nosso presidente que é um baluarte na defesa dos fracos e oprimidos mundo afora acabau não participando destas negociações , sera porque?

 
 
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cleber"cartacho"tomaz

Uma comissão formada por presos politícos brasileiros que conseguirão do nosso governo aposentadorias , deveriam acessorar os seus colegas Cubanos para exigir reparação e aposentadorias  , o PT e a Igreja pode ajudar , é mais do que justo ,pois foram anos nas masmorras Cubanas .

 
 
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josé justino de souza neto

"Uma comissão formada por presos politícos brasileiros que conseguirão do nosso governo aposentadorias , deveriam acessorar os seus colegas Cubanos para exigir reparação e aposentadorias" 

Baboseiras de quem não tem argumento e papagueia a propaganda dos genocidas do Departamento de Estado ianque. Veja aqui de onde sai o dinheiro para os contrarevolucionários e leia aqui a respeito do argumento cubano - que é o mesmo de qualquer pais quando se trata de punir traidores - antes de utilizar esse discurso chinfrim da Seleções Reader´s Digest e da FOX.

Abaixo, deixo explícitos os endereços apontados acima: 

http://www.state.gov/g/drl/p/127829.htm 

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=109558  

Quanto às "masmorras" cubanas, sugiro que tenha menos preguiça e pesquise a respeito das masmorras franquistas da Espanha que hoje se presta a serviçal dos ianques.

Pesquise e compare sôbre o tratamento  que os cubanos dão aos contrarevolucionários presos e o que fazem os hipócritas do governo espanhol em relação aos seus dissidentes. 

Suponho que já esteja hora de você cobrar a sua parte ao Departamento de Estado, se já não o fez ainda. Os "dissidentes" cubanos até brigam entre si por fatias maiores. 


 
 
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Luiz Horacio

O Partido dos Trabalhadores não pode, de um lado, assumir decididamente as bandeiras do pragmatismo a qualquer custo, rompendo com toda sua tradição ética, e de outro lado querer continuar se afirmando como "reserva ética" da política e da sociedade. Além de incoerente, começa a ser esquizofrênico. Os cristãos de pensamento classista, ligados à Teologia da Libertação, jamais aceitariam a abertura do partido e dos governos do partidos aos esquemas de caixa 2 e "etceteras", e suas consequências. Seja por que motivo for, não se pode pagar o preço que o PT nos últimos tempos aceitou pagar, do ponto de vista de uma ética cristã católica e libertadora. Porque essas alas da Igreja estão muito próximas dos problemas cotidianos da população, de todas as classes socias, e compreendem muito bem o que significa a ruptura pragmática do PT. O PT existe e sobrevive hoje por causa de Lula e do governo Lula. O PT sabe disso e por essa razão concetra todas as suas forças na eleição presidencial. Já que optou por não atualizar as suas formas democráticas, mas fechar totalmente com projetos de poder vinculados à realidade atual brasileira. Há como diferenciar o PT dos outros? Há, pontualmente ainda restam alguns compromissos, mesmo que sejam só na aparência, enquanto de outro lado a "política tradicional" corre rasgada, mas o partido tem, no dizer daquele filme chinês que ganhou o Festival de Cannes, "a sua vida por um fio", um pequeno duto por onde ainda pode respirar o oxigênio.

Fora isso, tudo se confunde nesses jogos pragmáticos atuais. Mas o problema é que os resultados das gestões petistas começam a desejar nos valores mais básicos da cidadania, nas maiores necessidades da população, sempre em nome de sua majestade a política. E isso é muito ruim. Nesse caso, é ainda pior, por que de outro lado a Igreja conservadora se articulou, se mobilizou, tira espaços e atuações de uma postura mais democrática, e ajuda o autoritarismo a se organizar em bases tão obscuras quanto nos tempos ditatoriais. A Igreja Católica no Brasil está sofrendo perdas imensas em todas as direções, está se voltando cada vez mais para as minorias privilegiadas, como se aqui fosse a Europa. E como reação, além de afastar ou desprestigiar todo o seu quadro democraticamente mais avançado, ainda começa a ter atos inquisitoriais, como reação de defesa pelas perdas que ela mesma provoca, junto à população brasileira, não sei em toda a América Latina. A Igreja hoje está com um pé fora da realidade de seu própria rebanho, e de seus princípios cristãos.

Quer dizer, não há nada de bom por aqui, tanto a atitude teimosa e arrogante do PT, para usar termos mais brandos, nem o abandono que fez a Igreja Católica dos ideais democráticos, pelo menos no Brasil. E isso desarticula também a atuação católica em favor da democracia e reativa todos os seus movimentos mais conservadores e reacionários.

 
 
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Jose de Almeida Bispo

A Igreja Católica do Opus Dei não é a mesma Igreja Católica do Vaticano II. A guinada à direita imposta pela instituição direitista espanhola, hoje de posse da ICAR não comporta nenhum  compromisso salvo com a direita. As substituições ocorrida nas dioceses em geral, e a própria orientação teológica às antigas (coisa que interessa a ricos e principalmente nobres) com o surgimento de fortíssimos movimentos dentro da Igreja se contrapondo aos movimentos populares contaminados com a política são apenas o início de um processo que tem no recrudescimento do fundamentalismo religioso a sua feição mais fiel. Mesmo movimentos como o da Pastoral da Criança, de inestimável valor estão se volvendo mais para o mero assistencialismo e ganhando feições próximas do que ganhou em algumas dioceses o Movimento de Educação de Base, cooptado pelo Mobral do governo ditatorial, ainda no nascedouro das primeiras vitórias da direita católica coordenada pelo Opus Dei dentro da ICAR.

Sobre os migrantes pós-mensalão o que eles queriam era a deixa. E foi nisso que a direita apostou quando o PIG partiu pra cima com tudo:" ficar livres dessa raça pelos próximos vinte anos".

A Igreja Católica são várias... sempre o foi. Um estado quase perfeito. Por quanto tempo o Opus Dei será o manda-chuva, sabe-se lá. Da última vez que os espanhóis capturaram a Santa Madre só desgrudaram dela depois de Napoleão; quase três séculos. Mas os resquícios permaneceram.

Quanto ao flerte brasileiro da Igreja com a esquerda... aquilo foi só uma brincadeira passageira. A Igreja, como estado teológico, é por natureza contra qualquer iniciativa de ordem plural; popular. Nobreza e clero, em qualquer sociedade e de qualquer época sempre se entenderam bem. Quando assim não o foi é porque ambos eram o mesmo. Logo, a esquerda da Igreja Católica no Brasil, salvo as exceções de praxe, sempre foi Heloísa Helena e Marina Silva e principalmente Plínio e Arruda Sampaio. Lula foi só um atalho da moda.

Por enquanto o Terço de Nossa Senhora ainda é somente de reza. Acho. E os padres pop-stars tem se mantido apenas no estímulo ao fundamentalismo religioso.

 
 
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Valter

Parabéns pela ótima análise da jornalista nas matérias apresentadas,

e aos comentaristas pelo bom nível dos comentários.

 
 
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rogerio

O PT e as bases católicas se assemelham aos metodistas e o Partido Trabalhista inglês. Criado por metodistas, depois, incorporado pelos comunistas e as muitas correntes dentro do partido trabalhista. Fato curioso, quando o ideologo do partido trabalhista Harold Lansky perguntado sobre sua influência socialista, disse: meu socialismo não vem de Marx, vem dos metodistas.

Na decada de 80, havia 150 mil CEBs, nós protestantes, não neo-pentecostais, líamos Boff como um de nós. Afinal a Teologia da Libertação nos uniu em um livro, a Biblia. Católicos de 50 anos atrás não  tinham, nem liam a Bíblia, e a missa o padre celebrava em latim de costas para a congregação. A Teologia da libertação deu a Bíblia ao povo. E aproximou os evangélicos progressistas: Igreja Luterana, Metodista, Presbiteriana aos católicos. Mas daí teve o "Cale-se" que o vaticano aplicou em Leonardo Boff. A Igreja Católica foi quem moveu céu e terra para acabar com a teologia da libertação. Como dizia o famoso advogado Sobral Pinto: a pior coisa que aconteceu a Igreja depois de Lutero, foi a teologia da libertação.

O PT foi o meio mais adequado que esse grupo encontrou para manifestar sua prática política. Batia a ética, a democracia, a justiça, enfim.

Evangélicos progressistas aos poucos foram entrando nos vagões do trem petista. Nunca em massa, até porque a maioria era oriundo dos protestantes históricos. Em número muito menor que o movimento pentecostal e neopentecostal.

Com o esvaziamento do movimento da CEBs, devido a punição de seus líderes e ou abandono do ministério dos mesmos, com Boff, o PT sofreu por osmose. O surgimento e o crescimento a nível neo pentecostal do movimento carismático católico, composto por uma teologia despolitizada, de clérigos que não incentivavam a teologia da libertação. As CEBs encontraram seu maior obstáculo. Internamento o alto clero, a desestimulava e estimulava o movimento carismático. Daí porque hoje o movimento carismático é conhecido e seus líderes viraram popstar, enquanto a CEBs só aparecem na TV quando um candito petista das antigas diz que militou na CEBs.

O PT atualmente tem uma grande porcentagem dos votos do eleitorado neopentecostal evangélico. Isso não quer dizer uma perda de ética, o pior é que a coligação é uma co-beligerância. O PT e nós somos vítimas da mesmo inimigo a grande mídia. A critica ao PT e aos evangélicos sempre foram preconceituosas e exageradas. Cansaram e se uniram nessa co-beligerãncia. O movimento anti-etica no meio evangélico, não foi herança dos puritanos americanos, o crescimento dos evangélicos, foi fruto de um movimento autóctone. Usando uma expressão de Boff, houve uma eclesiogene: uma igreja velha católica renasceu evangélica.

 
 
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David Rodrigues da Silva

Nunca é demais repetir a máxima de MARX : A Religião é o ópio do Povo. Um povo liberto na sua essência humana não precisa de religião. Baseado na pseudo-ética-seletiva da igreja católica o que interessa é o Poder. Por falar nisso, não nos esqueçamos, que a Igreja Católica e suas facções internas, deveriam vim a público de forma peremptória pedir Perdão á Humanidade por suas práticas de tortura, de dizimar populações inteiras, de pedofilia...de buscar o poder pelo poder e oficialmente vender mentiras para o Povo, esse perdão infinito deveria vim acompanhado de sua extinção. Sou petista, sindicalista e vim para o PT do movimento estudantil universitário da Universidade de Uberaba/MG, onde fora Presidente do DA de Direito e do DCE, sempre fui alheio e indiferente com quaisquer que sejam religiões, e especialmente a católica. Vim e estou no PT por convicção própria assim como vários amigos, essa história da Igreja se confundir com o PT é uma falácia.Afinal, o PCO,PSTU,PSOL....sairam do PT por vaidades de pequenos grupos egocêntricos bem como as chamadas estrelas da Teologia da Libertação. Leonardo Boff hoje está com a traíra Marina defendendo os grandes empresários.....é muita picaretagem política. de Belo Horizonte. 

 
 
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cariry

Sou de esquerda mas detesto o PT -- e todos os seus rebentos -- desde o processo de fundação. Antes havia a discussão sobre um Partido Popular integrando vários grupos que vieram a formar o PT. Não foi possível um, mais amplo que o PT, Partido Popular pois não havia liberdade suficiente nos idos de 1980... Ficaria uma democracia restrita aos partidos permitidos pela ditadura -- exluindo partidos de tipo Socialista, Comunista ou Revolucionário. Mas formou-se o PT e a "ditabranda" permitiu, dentro do esquema (diversionista) de reforma partidária sob controle (distensão?)... Permitiu e teve que enfrentar os lutadores do PT...

Mas não podemos atacar a Marina Silva ou seja quem for de "traíra", isso é um desrespeito a todos que lutam de forma democrática, primeiro contra a ditadura, agora em torno de bandeiras mais amplas e mais radicais.

Existem divergências mas respeitemos quem luta, mesmo discordando.

 

"Seja realista: exija o impossível"

 
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cariry

O PT não mudou sua essência desde a fundação. Apenas se afirmou com mais clareza, deixando de lado as ilusões dos (pequenos) grupos esquerdistas, e o divisionismo que parecia marca registrada do PT. Os que buscam outros movimentos, sejam religosos ou não, estão apenas levando a petização para esses movimentos. Podem não concordar com os métodos de José Dirceu e Lula, mas guardam mais semelhanças que diferenças com essas lideranças.

De minha parte eu não sei qual o pior: a direita petista faz acordos e atua de acordo com a realidade atual (Dirceu e Lula), com eles se pode dialogar; a esquerda já devia ter saído há muito tempo pois se desliga da realidade atual e faz propostas mirabolantes sem base alguma. E quebram qualquer unidade através de uma miríade de tendências (e partidos, agora).

O chato é ter de aturar o neopetismo desses movimentos que saem do PT: é a repetição do velho.

Observação: quando falo de esquerda petista eu me refiro ao espectro político dentro do PT.

 

"Seja realista: exija o impossível"

 

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