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"O Primeiro Mentiroso" traz uma Fábula sobre a mentiraEnviado por luisnassif, qua, 15/02/2012 - 23:02Embora seja enquadrado dentro do gênero “comédia romântica”, "O Primeiro Mentiroso" (The Invention of Lying, 2009) é o resultado de um poderoso roteiro carregado de humor negro sobre os temas da mentira, amoralidade e religião. Diferente dos parâmetros hollywoodianos, a mentira não é tratada pelo viés moral. Dessa maneira o filme faz uma corrosiva fábula sobre uma espécie de mundo alternativo onde seus habitantes são incapazes de mentir não por livre-arbítrio ou virtude, mas por amoralidade. No cinema hollywoodiano o tema da mentira sempre foi tratado dentro do campo da moral: a verdade e a honestidade são vistas como virtudes que, no final, sempre acabam se impondo à mentira. Por exemplo, filmes como os do diretor Frank Capra dos anos 30 e 40 onde os heróis virtuosos lutam para que a verdade se imponha à corrupção e a mentira; comédias como “Muito Louco” ("Crazy People", 1990), estrelado por Dudley Moore sobre a mentira e a honestidade em publicidade; e “O Mentiroso” ("Liar, Liar", 1997) onde Jim Carrey faz um advogado que mente compulsivamente até que, graças ao desejo do seu filho no seu aniversário, é condenado a dizer sempre a verdade, metendo-se em mil enrascadas na profissão para provar que a verdade é a melhor política. A novidade do filme “O Primeiro Mentiroso” é que ele inverte a questão ao colocar a mentira no campo da amoralidade. O filme é uma fábula onde em um mundo onde todos falam a verdade não existe o conceito de mentira. “Franqueza”, “honestidade” e “sinceridade” não são bem os termos que possam ser aplicados aos habitantes desse universo fictício. Essas são categorias morais. O problema dos habitantes dessa fábula é que eles são amorais: simplesmente dizem o que lhes vem à mente sem saberem a oposição entre verdade/mentira, moral/imoral. Eles se comportam assim não por uma opção moral (livre arbítrio na escolha entre o certo e o errado). O interessante no filme é que, nesse mundo paralelo, as pessoas assim se comportam por serem seres amorais. Os diálogos diretos criam situações de típico humor negro chegando próximo ao brutal. Como na sequência em que o protagonista Mark (Ricky Gervais) chega a casa de Anna (Jennifer Garner) para o primeiro encontro. Ela atende a porta e se desculpa pelo atraso, e fala para Mark que estava se masturbando porque acreditava que aquele encontro seria um fracasso! Mark é um perdedor nato que trabalha como roteirista para o cinema (não há ficção em um mundo onde não se pode mentir, por isso os filmes são basicamente textos sobre fatos históricos reais lidos por um narrador em tom professoral diante das câmeras). Mark se interessa por Anna, mas em virtude de ser “gordinho com nariz arrebitado” e fracassado financeiramente torna o romance impossível. As pessoas nesse mundo são tão diretas e verdadeiras que expressam sem pudor seus preconceitos e intolerâncias. Anna até gosta de Mark, mas preocupa-se com sua herança genética. Esse mundo é cruelmente dividido entre vencedores e perdedores (genética e financeiramente falando). O fracasso financeiro de Mark chega ao limite no momento em que ele é demitido do estúdio de cinema e está prestes a ser despejado de sua casa. Deve 800 dólares de aluguel e só tem 300 na sua conta. Ao chegar ao banco para sacar tudo o que resta é informado pela caixa que o sistema caiu. Ela lhe pergunta quanto tem na conta. Uma ideia vem como um raio à mente de Mark: e se mentisse! Ele diz que tem 800 dólares e a caixa acredita. Com isso evita ser despejado de sua casa. Tal como Adão no Paraíso do Gênesis bíblico, Mark morde a maçã, perde a inocência e descobre os prazeres da mentira. A grande sacada do filme é que, ao contrário do moralismo bíblico hollywoodiano, Mark não será punido. Mais que isso, como primeiro mentiroso da história daquele mundo paralelo, será capaz até de criar a primeira religião baseada na mentira. Religião como racionalização O argumento do roteiro escrito por Ricky Gervais é instigante ao concordar com a máxima do escritor e poeta irlandês Oscar Wilde: “todo realismo é triste”. O fato de as pessoas serem incapazes de entender o conceito de mentira (é impagável a sequência em que Mark tenta explicar aos amigos como ele mentiu no banco – ninguém entende nada!) não torna o mundo melhor. Todos parecem ser tristes, enfadados, aborrecidos em um mundo onde o império da verdade somente fez dividir o mundo entre vencedores e perdedores, pessoas com herança genética “perfeita” e “imperfeita” (em outros termos, eugenia e preconceito) e onde crianças gordinhas são vítimas de bullying por parte de crianças “vencedoras”. Apesar da verdade, não há a Verdade. Tudo é amoral e sem sentido. Até o momento em que, sem querer, Mark cria a segunda invenção que vai complementar a mentira: a racionalização. No leito de morte da mãe no hospital, vendo o desespero dela diante da morte (para onde vamos, para o nada?) Mark mente ao dizer que ela vai para um paraíso maravilhoso, onde todos tem uma mansão e lá encontrará seus entes queridos. Os médicos ouvem e espalham a notícia. Logo dezenas de repórteres estão atrás dele para que explique melhor o que há depois da morte. Cria-se uma comoção mundial e centenas de pessoas param a sua porta à espera de uma resposta de Mark. Continuando a mentira, Mark criará, (tal qual Moisés no Velho testamento bíblico onde, após uma conversa com Deus, desceu das montanhas com as tábuas dos dez mandamentos) os mandamentos de uma nova religião, mostrada para todos gravados não em tábuas de pedra, mas em caixas de Pizza Hut. Mark criar as bases de uma nova religião baseada na imaginação onde Deus é o responsável por tudo de bom ou de ruim que acontece na vida de todos. Se a até então a realidade era triste e sem sentido, a partir da revelação de Mark tudo passa a fazer sentido (Hilário! Mark é homenageado com a sua imagem em vitrais de igrejas, segurando as tábuas dos mandamentos em caixas de Pizza Hut). Isso faz lembrar o conceito de racionalização tal como descrito por Freud. Para ele a Racionalização é o processo de achar motivos lógicos e racionais aceitáveis para pensamentos e ações. É o processo através do qual uma pessoa apresenta uma explicação que é logicamente consistente ou eticamente aceitável para uma atitude, ação, ideia ou sentimento que causa angústia. É uma forma para justificar comportamentos quando, na realidade, as razões para esses atos não são recomendáveis.
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Comentários + votados
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Orlando
16/02/2012 - 06:29
A neurociência vive apregoando que não existe livre arbítrio Não escolhemos ou decidimos nada - seria tudo uma ilusão. Isso levanta uma questão: sem livre arbítrio não há certo ou errado ou mesmo...
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Djijo
16/02/2012 - 11:28
Não entendo nada de essas "neuros" aí mas tentem convencer um crente que anda com bíblia debaixo do braço, próximo ao suvaco, de que Deus, por ser onisciente, já sabem quem vai para o Céu ou para o...
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Orlando
16/02/2012 - 12:00
JA
Eu não confundo nada.
[[[Você se interessou pelo tema desta reportagem e, por isso, resolveu dar uma lida. Certo? Errado! Muito antes de você tomar essa decisão, a sua mente já havia resolvido...
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A neurociência vive apregoando que não existe livre arbítrio Não escolhemos ou decidimos nada - seria tudo uma ilusão. Isso levanta uma questão: sem livre arbítrio não há certo ou errado ou mesmo conceitos morais e éticos e, sobretudo, não haveria o mal ou o bem.
Deus não é responsável por nada. O livre arbítrio, ao contrário do que apregoa a neurociência, [existência do livre arbítrio] possibilita o bem e o mal - o certo e errado e, até, a mentira. Deus não tem nada a ver com isso. O homem faz suas escolhas e, sobretudo, é responsável por elas. Não somos robos ou máquinas como defende a neurociência.
Se tudo fosse uma ilusão, como defende a neurociência, o próprio conceito de que não existe livre arbítrio [somos máquinas] seria, igualmente, uma ilusão. Isto é, sem o livre arbítrio não há nada - nem a possibilidade de perceber/entender que não há nada.
Ademais, não há mentira [ou verdade. Enfim,não há nada] se não há [a possibilidade] a verdade.
O mundo é composto de opostos/contrários: homem/mulher; preto e branco/noite e dia; alto e baixo; terra e água etc. Ao longo da nossa vida, fazemos nossas escolhas - à revelia da neurociência...
Não confunda NEUROCIÊNCIA com NEUROLINGUÍSTICA!
JA
Eu não confundo nada.
[[[Você se interessou pelo tema desta reportagem e, por isso, resolveu dar uma lida. Certo? Errado! Muito antes de você tomar essa decisão, a sua mente já havia resolvido tudo sozinha – e sem lhe avisar. Uma experiência feita no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim, colocou em xeque o que costumamos chamar de livre-arbítrio: a capacidade que o homem tem de tomar decisões por conta própria. As escolhas que fazemos na vida são mesmo nossas. Mas não são conscientes. Voluntários foram colocados em frente a uma tela na qual era exibida uma seqüência aleatória de letras. Eles deveriam escolher uma letra e apertar um botão quando ela aparecesse. Simples, não? Acontece que, monitorando o cérebro dos voluntários via ressonância magnética, os cientistas chegaram a uma descoberta impressionante. Dez segundos antes de os voluntários resolverem apertar o botão, sinaiselétricos correspondentes a essa decisão apareciam nos córtices frontopolar e medial, as regiões docérebro que controlam a tomada de decisões. “Nos casos em que as pessoas podem tomar decisões em seu próprio ritmo e tempo, o cérebro parece decidir antes da consciência”, afirma o cientista John Dylan-Haynes. Isso porque a consciência é apenas uma “parte” do cérebro – e, como a experiência provou, outros processos cerebrais que tomam decisões antes dela. Agora os cientistas querem aumentar a complexidade do teste, para saber se, em situações mais complexas, o cérebro também manda nas pessoas. “Não se sabe em que grau isso se mantém para todos os tipos de escolha e de ação”, diz Haynes. “Ainda temos muito mais pesquisas para fazer.” Se o cérebro deles deixar, é claro.]]]
http://super.abril.com.br/saude/livre-arbitrio-nao-existe-447694.shtml
Não entendo nada de essas "neuros" aí mas tentem convencer um crente que anda com bíblia debaixo do braço, próximo ao suvaco, de que Deus, por ser onisciente, já sabem quem vai para o Céu ou para o Inferno senão, não seria Deus. E o pior nesse caso, "esses já estão condenados ao nascer" (os feios, pobres, pretos, etc) segundo uma certa ceita por aí que tem um oratório num certo palácio.
Para quem quiser ler as contradições sobre "o céu e o inferno", nome do livro de Alan Kardec questionando as crendices religiosas sobre o tema. Acho que se pode baixar de graça da internet.
Nos casos em que as pessoas podem tomar decisões em seu próprio ritmo e tempo, o cérebro parece decidir antes da consciência”, afirma o cientista John Dylan-Haynes. Isso porque a consciência é apenas uma “parte” do cérebro – e, como a experiência provou, outros processos cerebrais que tomam decisões antes dela. antes da consciencia, isto no futebol se chama reflexo. puro reflexo, até o Galvao explica! nao posso interromper minha ação°
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