O primeiro ano de Dilma, por Aldo Fornazieri

O paradoxo Dilma

Do Estado de São Paulo

Por Aldo Fornazieri

O primeiro ano do governo Dilma Rousseff se constituiu num importante paradoxo: a agenda política preponderante foi a da corrupção, tanto é que nada menos que sete ministros foram afastados em consequência de denúncias. A rigor, isso poderia provocar uma crise permanente em qualquer governo. No governo Dilma, no entanto, não se pode dizer que esse processo tenha resultado em crise de governo ou política. A própria presidente deveria ter arcado com um desgaste político por ter nomeado ministros que não se mostraram probos. Dilma, no entanto, terminou seu primeiro ano com um recorde de aprovação popular, superando os presidentes anteriores.



Algumas razões explicam esse paradoxo. A primeira diz respeito ao perfil político que a presidente construiu. Havia o temor de que Dilma, por nunca ter exercido um cargo político eletivo, não se constituísse como personalidade política própria e agisse sob a tutela do ex-presidente Lula e controlada pelo PT. Dilma superou esse problema com surpreendente facilidade. Hoje tem personalidade política própria, que lhe confere a projeção de uma liderança autônoma, capaz de deliberar e decidir pela sua vontade no que diz respeito ao exercício do governo.

A segunda razão se refere a como Dilma lidou com os problemas da corrupção. Mesmo sendo responsável direta pela nomeação dos ministros afastados, ela conseguiu isentar-se de desgastes e de imputações negativas, por dois fatores: 1) A opinião pública deu-lhe crédito, supondo que o Ministério do primeiro ano de mandato não foi composto plenamente pela sua vontade, mas em decorrência dos arranjos que a elegeram; 2) de uma forma ou de outra, Dilma firmou uma avaliação na opinião pública de que não é conivente com a corrupção. Este fator fez a presidente ampliar seu leque de apoio em setores das classes médias mais exigentes com o tema da moralidade pública.

Dilma, possivelmente, ampliou o leque de apoio em estratos mais conservadores também por outra razão. Ao enviar a carta por ocasião do 80.º aniversário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ela conseguiu desanuviar e distensionar as relações, no jogo político, entre governo e oposição. A tese da herança maldita deixada por FHC foi posta de lado em nome de uma perspectiva mais construtiva com vista ao futuro. Claro que tal perspectiva não pode anular a exigência de uma oposição ativa. E, diga-se de passagem, se a oposição não exerce papel mais ativo, não se deve à distensão, mas à crise e à desorientação dos partidos oposicionistas. Além disso, o reconhecimento do papel de FHC tem a dimensão de um reparo histórico. Alguém do PT precisava fazer esse reparo. Se não foi o ex-presidente Lula, que tenha sido, então, Dilma. E isso foi bem feito.

A quarta razão, e talvez a mais importante, para o bom desempenho de Dilma diz respeito à economia. À medida que 2011 foi avançando para seu final, foi ficando claro que a crise europeia não afetaria de forma mais significativa a economia brasileira. A inflação manteve-se dentro da meta, o poder de compra foi pouco afetado e o emprego continuou em alta. Dessa forma, a virada do ano foi marcada por otimismo do consumidor em relação a 2012.

Dito isto, é preciso observar que a avaliação positiva do governo não é um ativo estocável para o resto do mandato. As avaliações estarão sempre suscetíveis às variações das ações dos atores políticos, econômicos e sociais, às circunstâncias e às contingências que lhes são inerentes. Em que pese a boa avaliação, não significa que o governo não tenha problemas. E talvez um dos problemas importantes resida justamente onde Dilma procura diferenciar-se: a eficiência gerencial. Embora técnicas de gestão privada possam ser adaptadas ao setor público, é preciso ter presente que a esfera governamental tem natureza distinta da do setor privado.

O excessivo controle imposto por Dilma às ações governamentais fez do seu Ministério um Ministério apagado. Dilma está certa ao não permitir a existência de um superministro porque este poderia projetar-lhe sombra, além de outros inconvenientes. Mas o fato é que o governo se vem mostrando lento. Uma das causas dessa lentidão diz respeito ao excessivo controle presidencial sobre os ministros e ao baixo grau de autonomia que estes têm na implementação de projetos. De modo geral, governantes hipercentralizadores denotam uma ou as duas das seguintes características: ou são autoritários ou são inseguros. Se Dilma foge dessas características, então se pode supor que ela não confia em seus ministros. Neste caso, cabe fazer uma reforma ministerial nomeando ministros probos e competentes. E a presidente deveria estabelecer o equilíbrio entre o necessário controle e a pertinente autonomia na ação dos ministros.

Em relação ao ex-presidente Lula, embora haja uma continuidade em termos de governo, o perfil de Dilma é bem diferente. Dilma adota um processo decisório mais racional e, portanto, mais cauteloso. Lula agia mais pela impetuosidade, pela intuição inata aos líderes carismáticos e pela sensibilidade social que movia muitas de suas decisões políticas. Tinha um estilo mais ousado do governar. Para dizer qual dos estilos melhor convém ao Brasil, tendo em vista o presente e as tendências do futuro, seria necessário processar uma análise dos desafios e urgências que se apresentam para o País neste momento. Os dois estilos, se forem prudentes e consoantes com as necessidades do tempo, podem produzir bons resultados. Mas se a ousadia traz maior risco de desmedida, a cautela pode-se traduzir na improdutividade de resultados. No caso de Dilma, a cautela, que se supõe pretender também uma rearrumação administrativa do Estado, produziria melhores resultados se encaminhasse as reformas sempre adiadas e cada vez mais necessárias.      

ALDO FORNAZIERI, DIRETOR ACADÊMICO DA FUNDAÇÃO ESCOLA DE SOCIOLOGIA, POLÍTICA DE SÃO PAULO (FESPSP)

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21 comentários
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luka

O autor se perde em seu próprio texto.

Resume 1 ano de governo e se esquece que é apenas 1 ano de governo e o tanto que foi realizado. Como assim lento?

Dilma é técnica sim. O autor toma como padrão de governo o prendo e arrebento., os grandes gestos, a postura Napoleônica. Pode conhecer sociologia mas não deve fazer idéia do quão demorado e penoso é montar uma estrutura organizacional azeitada ainda mais onde o foco é o social de um pais continental. 

O autor fala que Dilma não dá autonomia e ao mesmo tempo fala que os ministros não são de confiança. Estaria ela errada?

O autor omite, talvez por escrever para o Estadão, o bombardeio irresponsável de mídia sobre ministros. O tempo perdido por tapiocas. O tempo perdido nas mudanças de comando, que em aguns casos se justificaram, em outros não.

Me impressiona a visão que "sociólogos" vem apresentando. É uma visão limitada, restrita e acomodada. Está realmente dificil encontrar quem pense o Brasil em todos seus planos.

 
 
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Fuhgeddaboudit™

AVE DILMA !!!

O Governo DILMA, se diferencia de qualquer outro, até hoje, no país. 

E, aqui não é LULA quem fala, sou eu: "NUNCA ANTES NESTE PAÍS", um Presidente teve tanta personalidade para fazer BONDADES, quanto DILMA, no primeiro ano de governo.

Todos, até, aqui, fizeram barbaridades nos dois primeiros anos, para, cinicamente, deixar para "devagar e gradualmente", aumentando a dose de bondades no último ano, pensando egoisticamente na reeleição.

Dilma herdou um já programado por LULA e Mantega, e irreversível, aumento CRUEL do Salário Mínimo, logo no mês de sua posse, mas, neste ano, fez o que ninguém faria no segundo ano: aumentou o Salário Mínimo em 14%, quase 8% acima da inflação oficial (que ela sabe, manioulada).

E, com os Ministros que as coalizões, da era Lula, lhe obrigavam a aceitar, esperta e sagaz, que era, não foi boba para pagar para ver; ia lhe sair muito caro, mantê-los. Foi uma facada pelas costas do fogo amigo, mas ela não titubeou. Demitiu-os; ninguém lhe engana e nãpo é demagoga como o padrinho, antecessor. Mas, nem isso, a intimidou. Foi forte, foi ela mesma. UMA ESTADISTA. 

Ave DILMA !!!

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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LEN

O teu problema com Lula eu considero patológico. Mesmo quando ele não é o objetivo da matéria você dá uma jeito de encaixar essas avaliações toscas que não considero críticas, mas lorotas que repete a exaustão na intenção de enganar incautos. Se bobear os elogios que você faz a Dilma só existem para dar base para você detonar Lula, assim como a gente vê na grande imprensa. Vá se tratar, porque você deve dormir e acordar alimentando esse rancor contra o disparado melhor presidente que esse país já teve. O julgamento de Lula o povo brasileiro já fez e tem feito, vocês podem repetir a cantilena que quiser que não vão mudar esse reconhecimento popular.

 

Visitem o Blog Ponto & Contraponto. Twitter: @len_brasil Robozinho do blog: @pontoXponto

 
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franciscão

Certíssimo Len,

o Fuhgeddaboudit é muito fraquinho mesmo... de vez em quando acerta na escolha dos links musicais, e a gente aguenta ele por conta disso, mas politicamente  tem um horizonte obtuso. Mais fraco que ele no entanto, é a matéria. Rasa e recheada por um amontoado de contradições.

 
 
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Fuhgeddaboudit™

Guardem e tomem boa nota:

1) Votei em Dilma e repito: "AVE DILMA",  ESTADISTA que o Brasil jamais teve. Na era Lula (os anos em que o Universo trabalhou em favor dos subdesenvolvidos e em desenvolvimento), há de se por pesos e medidas; e disso eu entendo mil vezes mais do que vocês. 

2) Quando eu me pronuncio, é preciso, no mínimo, três "comentaristas" para debater comigo; "ISTO MOSTRA A IMPORTÃNCIA DE MINHAS PALAVRAS" e o quanto "a verdade dói". Ademais, mostra e a pequenez de vocês

3) Nos dias de semana, quando os Calls Centers dos Partidos e de Blogs, como o do Neto, funcionam com força total, eles atacam em bandos (ja contei 10, em um Post que envolvia LB). Esses "comentaristas de aluguel" atuam a partir de PAs alugados de vários Call Centers, para poderem criar diversos "Nicks", seguindo orientações de supervisores profissionais, via celular ou e-mails.

Sorry.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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Fuhgeddaboudit™

E.T.: não tenho o hábito de me "louvar" com cinco estrelas. Mas, já o fiz, quando atacado por um bando de "ferozes comentaristas". Só não gostam é quando o fazem depreciando Posts musicais, porque ofendem o artista e este nada tem a ver com os "fricotes" dos outros.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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Marco Antonio L.

O pior é que eles mesmos colocam 5 estrelinhas para eles mesmo. Só isso basta.

 
 
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Valcides

Excelente análise.

 
 
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Maria Rita

Já que o nosso sistema presidencialista obriga o governante a alianças, prefiro, por enquanto, o modelo centralizador da Dilma. Além do mais, está todo mundo trabalhando, tendo menos tempo de fazer politicagem, quem não lembra do ex-ministro Jobim? Desde a eleição de Lula, o governo vive sob intensa pressão do que há de pior de oposição na AL,leia-se meios de comunicação. Parece uma brincadeirinha de 'quem está na berlinda', onde não há mudança de foco. Nunca. O mantra não muda. A oposição dos políticos só aparece se eles fizerem a m..., sempre aparece a mãozinha de um  deles. Esses últimos acontecimentos mostram bem até que ponto é o abuso que temos que aguentar (nós, população e, principalmentes, os eleitores do PT). Nem por isso eles conseguiram (ainda) transformar o Brasil na 'Venezuela de Chaves' (palavras deles, sonhos deles, para chegar ao golpe). Haja saquinho de filó...

 
 
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Zilda

É a síndrome do "ex" falando mais alto:ex-marido, ex-comunista, ex-petista, ex-fumante.....

 
 
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urbano

Esses acadêmicos não perdem a mania de dar conselhos. No mais um artigo discreto

 
 
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Neideg

Não deprecie a história de quem você não conhece. Aldo Fornaziere desde jovem sempre foi um individuo envolvido com as lutas pela democracia no Brasil. Não sei quantos anos ele tem hoje, mas, há trinta anos, no meu tempo de estudante, ele já estava na luta.

 
 
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luisnassif

Continua sendo um pensador respeitável e profundo. 

 
 
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armando botelho

Esta ai a prova evidente do quanto o Brasileiro não é politizado , principalmente a nova geração que esta mais procupado é com as baladas . Agora tem tambem a sabedoria popular que diz que em casa que falta pão ninguem tem razão , e no atual momento o que menos falta é o pão , tanto é que ja estamos na  fase  de  epidemia da obesidade , ja somos o segundo no mundo neste quesito . Concluindo :Tendo circo e pão o povo é feliz .

 
 
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CROM

 

Texto mais ambíguo que esse nunca vi. Mas acertou numa coisa: Lula é audaz,carismáticos e sobretudo um líder. Coisa que os tucanos não são e não têm em suas fileiras, basta olhar a tibieza de seus representantes e a burrice dos seus trolls.

 
 
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luzete

o aldo começa assim:

"O primeiro ano do governo Dilma Rousseff se constituiu num importante paradoxo: a agenda política preponderante foi a da corrupção,..."

e, depois diz isto: "... uma avaliação na opinião pública de que (dilma) não é conivente com a corrupção."

paradoxo?! adonde? ah, no texto do moço, né?! 

então, poderia começar assim: a agenda política foi a do combate à corrupção... o autor da matéria seria mais convincente!

 
 
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Edimilson

DILMA e o que sempre foi um animal politico, como disse certa veis o presidente LULA, e nois seus eleitores acreditamos nele e votamos nela para ser a primeira mulher presidenta do BRASIL, para min ela esta sendo maravilhosamente bem.

 
 
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motoboy

todo sociólogo vale-se dumas enrolada. o Aldo vale-se disso prá vender as reformas e o fhc valeu-se disso prá vender as Vale pros amigo sócio.

 
 
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LEN

As vezes eu penso que os jornalões tentam destruir de vez a reputação da carreira de Sociologia. Acredito que existam sociólogos capazes de emitir opiniões sensatas e relevantes, mas a "seleção" desses jornais recruta apenas aqueles dispostos a dar validade aos editoriais destes veículos. Parece que a intenção é repisar teorias para que se tornem verdades incontestáveis, o que me permite supor até que determinadas análises vem pré-elaboradas para o sociólogo apenas assinar até porque são geralmente tão rasas e inconsistentes que é difícil acreditar que possa ter sido escrita por um profissional reconhecido no meio.

 

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neideg

Onde está no texto do Aldo a continuação dos Editoriais do Estadão? Aprenda a ler as críticas sem ver nelas à disputa PSDB versus PT. Pense que o Brasil pode ter gente que tem outras visões fora de um horizonte tão pequeno que tem apenas dois lados.

 
 
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Prometeu

Infelizmente, Dilma está governando preponderantemente para os que não votaram nela. E a referência aqui não é à direita raivosa.

É impressionante a surpresa e a satisfação dos que escolheram Marina e, depois, Serra, com os rumos  que a presidenta tem dado ao início do seu mandato. Não imaginavam que Dilma tivesse luz própria, um mínimo de inteligência e, principalmente, adotasse - por passividade e, na minha opinião, equívoco no jogo político - a única bandeira que restou à oposição: o combate pontual e seletivo aos efeitos da corrupção, sendo incrivelmente pautada pela mídia.

Em minha modesta visão, seu único avanço digno de nota foi na questão da taxa de juros, com o Banco Central finalmente integrando-se ao governo e colocando o país como prioridade. As concessões dos aeroportos, ridiculamente polemizada, foi, essa sim, compromisso de campanha e até demorou demais para ocorrer, em face da urgência gerada pela realização da copa.

A propósito, qual foi mesmo a estatal vendida? Nenhuma? Mas não era privatização? O que ocorreu, na verdade, foi uma espécie de quebra de monopólio da Infraero, cujo capital já deveria ter sido aberto (passaria de empresa pública a uma sociedade de economia mista) por questões de competitividade e também compromisso de campanha. Isso também está demorando.

Blindada com uma maioria esmagadora no congresso deixada por Lula, parece que Dilma não pegou gosto pela coisa, ao enfrentar o primeiro teste de sua bancada. Na votação do salário mínimo em 2011, seu mérito foi fazer valer a regra anterior (de Lula), que a oposição sutilmente queria destruir, o que redundou num aumento significativo neste 2012.

É pouco. Esperava-se que Dilma enfrentasse com mais vigor a reforma política e tributária, marco regulatório nas comunicações, revisão do papel das ridículas agências de FHC e, com o que se tem visto ultimamente, uma proposta de mudança estrutural do Judiciário.

Ao contrário, o que se vislumbra no alvorecer deste segundo ano é a desgastante implementação de um nefasto e fracassado modelo de previdência complementar para os novos servidores, sob o argumento falacioso de déficit na previdência pública. Trata-se de entulho neoliberal que esqueceram de lançar ao lixo e ficou repousando embaixo do tapete presidencial. Dinheiro público irá ser destinado para um fundo privado, com desembolso imediato, para, numa tese com meandros obscuros, equilibrar (?) o caixa daqui a trinta anos. Será que existe possibilidade de quebra do tal fundo, com o erário sendo chamado a arcar com os prejuízos?

O primeiro ano, portanto, foi perdido em termos de avanços estruturais. Um terço do mandato real já se aproxima e não se vislumbra no horizonte algo mais alvissareiro, pois a mais alta mandatária está aí para gerir, e não para aprofundar os avanços que eram esperados por quem realmente votou, desde o primeiro turno, em Dilma Roussef.

Sinto decepcionar os que vêem brilhantismo na presidenta, mas Dilma cada vez mais se mostra simplesmente uma tecnocrata, sem qualquer sensibilidade política ou disposição para o embate parlamentar.

Ao fim e ao cabo, como até agora se prenuncia, será um governo seguro, mas medíocre.

 
 

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