O preço de Kassab, por Maria Cristina Fernandes

Por Daniel Miyagi
Do Valor Econômico

O preço de Kassab

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

São Paulo elegeu sete prefeitos desde a redemocratização. Destes, quatro conquistaram o posto com alianças encabeçadas pela direita (Jânio, Maluf, Pitta e Kassab), dois o fizeram pela esquerda (Erundina e Marta) e apenas um pelo centro (Serra).

Preferências mudam, mas o eleitorado de São Paulo tem se mostrado razoavelmente estável ao longo das últimas duas décadas. Essa estabilidade se reproduz geográfica e socialmente com considerável coerência.

A direita, quando capaz de montar alianças capazes de abocanhar um naco das áreas e dos eleitores de centro e esquerda, tem sido a força eleitoral mais competitiva da maior cidade do país.

Some-se à força da história eleitoral a taxa de sucesso de prefeitos que buscam fazer seus sucessores. Em São Paulo, desde 88, apenas dois o fizeram — Maluf e Serra — , elegendo sucessores oriundos da direita partidária, Pitta e Kassab.

Foge, portanto, do campo da elocubração ou torcida a constatação da força eleitoral do prefeito Gilberto Kassab. Ainda que a fotografia do momento revele uma administração mal avaliada, o histórico do comportamento eleitoral paulistano, somado à boa saúde financeira do município neste último ano de mandato, dá ao prefeito capital suficiente para lhe assegurar a condição de pivô de sua sucessão.

O mapa daquela votação mostrou que Marta ganhara na cidade inteira, à exceção das seções eleitorais com maior perfil de renda, lideradas pelo candidato do PSDB.

Enquanto Maluf foi forte, os tucanos não encontraram seu lugar na cidade. Foi preciso uma hecatombe das proporções da administração Celso Pitta para desgastar o capital político do malufismo e dar lugar, em 2004, à primeira vitória do PSDB no seu berço político com a eleição de José Serra.

A sobrevivência do malufismo na capital explica em grande parte por que o PSDB, governando o Estado de São Paulo desde 1994, só ganharia a eleição paulistana dez anos depois.

No Estado o PSDB ocupou os espaços do PMDB de Orestes Quércia, cuja força eleitoral declinou enquanto a do malufismo ascendia. Quando Paulo Maluf elegeu-se prefeito da capital (1992), Luiz Antônio Fleury Filho já se preparava para encerrar em desgraça a derradeira gestão pemedebista no Estado.

A ascensão de Serra à prefeitura em 2004 e a eleição de Kassab quatro anos depois se dariam com a herança de zonas eleitorais do centro expandido de tradição malufista e marcadamente antipetista. As franjas da cidade continuariam com o PT mas, na sua derradeira tentativa de voltar, Marta mostrou não ser capaz de ultrapassá-las.

Nem o perfil classe média de Dilma foi capaz de romper a muralha erguida em São Paulo contra o PT. Nas cinco eleições presidenciais — e outras cinco estaduais — que disputou o partido, só venceu uma única vez na capital paulista, quando Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Serra em 2002, numa contenda marcada pelo desemprego crescente do final do governo Fernando Henrique Cardoso.

As dificuldades eleitorais petistas no mais importante centro urbano do país desmontam uma tese em voga nas esquerdas durante muito tempo, de que os eleitores inclinam-se por candidatos conservadores por falta de esclarecimento.

O microcomerciante de Santana, tradicional reduto malufista da zona norte da cidade, apesar de ter prosperado nos governos Lula/dilma, só enxerga taxas municipais quando pensa que o PT voltaria à prefeitura. Foi a perspectiva de conquistar esse eleitor que fundamentou os argumentos pró-aliança com o PSD.

Kassab já estava precificado no PT quando a candidatura Serra tomou forma. Os petistas avaliam que Kassab lhes ajudaria a vencer em São Paulo e minar as chances de o PSD vir a se aliar aos tucanos em 2014. Os tucanos também estão chegando à conclusão não podem prescindir dele na disputa paulistana, além de temerem o isolamento a que podem vir a ser submetidos pela aliança PT-PSD.

Petistas, pelo poder de contemplar o PSD nacionalmente, parecem ter mais poder de barganha, mas pesa a favor do PSDB maior afinidade das bases eleitorais de ambos os partidos. O que está em jogo é mais do que um ministério ali ou uma candidatura acolá. É a máquina de fazer política em que se transformou o PSD. Com o aumento da procura, o preço do prefeito subiu. E o pregão mal começou.

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24 comentários
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Vânia

O artigo é, em sua maioria, correto. Porém apresenta um erro grotesco.

Dizer que o Serra é de centro é de lascar!

 
 
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Vânia

Aqui a tabela que foi publicada juntamente com o texto.

Re: O preço de Kassab, por Maria Cristina Fernandes
 
 
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Kid Prado

Depois, quando a gente fala que os paulistas votam mal, eles ficam bravos e chamam nossa opinião de despeito, inveja e recalque. Olhem aí os eleitos e, entre eles, qual o candidato teve o maior percentual de votos!


Como diz o Neto, um comentador (ou torceirista) de muito prestígio aí nestas terras: É brincadeira!!!         Ou aquele Datena, do programa policial da Band, também muito respeitado pelo mesmo eleitorado: Me ajuda aí, ô....!

 

Kid Prado

 
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Juliano Santos

Olhando a tabela, vejo que a tendência do eleitorado paulistano é realmente de direita. Erundina foi eleita depois de Jânio. E depois do "porre" Jânio vem a ressaca, e para curá-la, os paulistanos elegem um de esquerda, a contra-gosto, como um engov.

É a teoria do Eduardo Guimarães, que diz que os da terra da garôa só elegem alguém da esquerda quando o pessoal da direita faz cagada além da conta, aí chama uma Erundina para limpa-lá. Depois volta ao voto reacionário de novo

O que a tabela comfirma, pois Marta Suplicy veio depois de Maluf/Pìtta. Ospaulistanos tem uma tolerância alta para a roubalheira tucana, mas Maluf e Pitta não, estes já tinham caído em desgraça no pig

 

Juliano Santos

 
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Rafael Ramos

O engraçado é que a própria missivista se contradiz, ao afirmar que enquanto o malufismo foi forte o PSDB não prosperou na capital. Todo malufista que eu conhecia virou tucano e foi eleitor do Serra, Kassab e Pitta. Se os dois últimos são de direita, por que o Bolinha de Papel é centro?

 
 
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alexis

Vânia

Serra é de centro sim ....,mas, lá nos EUA!

 

Re: O preço de Kassab, por Maria Cristina Fernandes
 
 
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Jose de Almeida Bispo

"As dificuldades eleitorais petistas no mais importante centro urbano do país desmontam uma tese em voga nas esquerdas durante muito tempo, de que os eleitores inclinam-se por candidatos conservadores por falta de esclarecimento."

E quem disse que o eleitorado de São Paulo, capital, é esclarecido? Porque votou massivamente em Cacareco em 1962? Um eleitorado que não tem tempo de conversar, de  maturar idéias? Que por não ter tempo de conversar e maturar idéias vive a reboque da mídia? FHC perdeu para Jânio em 1985 pelo excesso de boçalidade, que em si já é um excesso. O mesmo ocorreu aos demais candidatos que mesmo endeusados pela mídia diuturnamente foram identificados com a boçalidade. São Paulo é uma cidade de uma multidão de indivíduos. O cinto é a mídia e a fivela é o candidato da mídia. Quando esta não abusa, claro.

 
 
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jossimar

e o que sempre digo: sao paulo eh a maior concentraçao de boçais do universo.

os paulistas e o psdb se merecem.

 
 
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j@iro, de sp

Jossimar, como alguém que é três vezes de São Paulo (como paulista, paulistano e são-paulino) peço que me inclua fora disso.


Eu não mereço o PSDB. 

 
 
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AlvaroTadeu


Dona Maria Cristina, há um grave equívoco aí. Na sua análise, a senhora coloca o Serra como membro do Centro. Isso aconteceu em 1986, quando ele e FHC elegeram-se senadores. De lá para cá, as alianças de Serra sempre foram da direita para a extrema direita. Ter escolhido Kassab como seu vice e a pregação antiabortamento nas eleições de 2010, mais sua participação decisiva e radical nas privatizações, mostram que toda a extrema direita está com ele, do Malufismo ("rouba, mas faz"), à Tradição, Família e Propriedade, mais os direitistas envergonhados, que se assumem como de centro ou como "democratas".

 
 
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Ivan Moraes

Kassab ao preco certo?  Dificil imaginar!

Re: O preço de Kassab, por Maria Cristina Fernandes
 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Adjutor Alvim

Serra não fez seu sucessor.

Ele saiu para disputar o governo do estado e kassab, como seu vice, assumiu a prefeitura.

 
 
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Mario Siqueira

Para que tanto esforço "intelectual" ?

Kassab em poucas palavras: É o Pitta do Serra.

 
 
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Manoell

Atualize-se. Kassab: Pita do Lula.

 
 
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Andre Araujo

Absolutamente nada a ver. Celso Pitta era um completo desconhecido, nunca tinha estado na politica, era diretor financeiro da Eucatex quando Maluf o inventou.

Gilberto Kassab é politico profissional desde que é adulto, controlou a maquina estadual do PFL e depois DEM por mais de uma decada, foi deputado estadual e deputado federal

varias vezes, quando se impôs como vice de Serra como fatura da aliança do PSDB com o DEM, Serra FEZ DE TUDO para não aceita-lo, achava um vice péssimo mas teve que engoli-lo.

Kassab NUNCA foi o Pitta do Serra, é outra trajetoria, independente do Serra, teve com Serra um acordo TEMPORARIO que ele cumpriu, o maior capital politico de Kassab é sua historia de cumprimento de acordos, Kassab tem vida politica PROPRIA, ai está a sua proposta (vergonhosa) de se aliar ao PT como prova de sua COMPLETA INDEPENDENCIA, ele não tem nenhum compromisso com Serra ou com o PSDB, os que teve ja cumpriu.

 
 
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Mario Siqueira

Mais umas 2 ou 3 linhas, eu virava...kassabista. Quem diria, tem gente que quase acha que o "homem' é um estadista.

 
 
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Sanzio

O dono da voz:

Kassab tem vida politica PROPRIA, ai está a sua proposta (vergonhosa) de se aliar ao PT como prova de sua COMPLETA INDEPENDENCIA, ele não tem nenhum compromisso com Serra ou com o PSDB, os que teve ja cumpriu.

A voz do dono:

O prefeito disse ter "dever de lealdade" com o ex-governador, a quem sucedeu na prefeitura no início de 2006. Ele sustentou que o eleitorado o veria como um "traidor" se ele rompesse a aliança.

Em compromisso ontem em Cidade Tiradentes, Kassab declarou que conversa "rotineiramente" com Serra e que sempre nomeou sua gestão de "Serra-Kassab".

"Se ele for candidato, nós apoiaremos. Todos sabem, não há novidade. As nossas conversas são sempre realizadas com muita transparência, com muito espírito público. Estamos muito tranquilos em relação a isso", disse.

"A questão José Serra junto à nossa administração é muito específica, é clara, é pública", acrescentou.

 
 
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ruyacquaviva

Kassab é o pitta do Serra [2]

 
 
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Paulo Cezar

Esse artigo é um amontoado de baboseiras preconceituosas.

E é claramente pró Serra.

Serra de centro ??????

"As dificuldades eleitorais petistas no mais importante centro urbano do país desmontam uma tese em voga nas esquerdas durante muito tempo, de que os eleitores inclinam-se por candidatos conservadores por falta de esclarecimento."

Essa tese virou ao contrário, agora os menos esclarecidos votam na esquerda.

Deixa de levar em conta o principal fator, ao meu ver,  que explica o comportamento dos eleitores brasileiros.

O pragmatismo dos que tem menos renda e ascenderam de classe agora, e a alienação da antiga classe média, que ela chama de centro, que acredita em tudo que lê na Veja e assiste no jornal nacional, ignorando que nunca viveram tão bem e nutrindo um ódio doentio e irracional ao PT, partido que com suas politicas econômicas proporcionou essa melhora da qualidade de vida as classes médias.

 
 
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Andre Araujo

Baboseiras? Essa jornalista é uma das melhores, tem longa carreira, voce pode não concordar com os argumentos dela, mas ela não é paga por um jornal da qualidade do VALOR para escrever baboseiras, não vi erro algum em suas colocações.

 
 
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Mario Siqueira

Gostei do "colocações". Vou usar em breve Obrigado.

 
 
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Raphael Tsavkko

Kassab pode ter, junto com Serra, passado a perna no PT.

A ver se a candidatura de Serra se confirma e se Kasab será um bom filho.

Kassab se bandeou para o lado do PT e fez estrago. A mera possibilidade de aliança já rachou o partido, talvez nem a concretização seja necessária pra m* ficar completa.

E o golpe pode ter sido de mestre, pois Kassab deixou claro que apoiaria Serra não importasse o que acontecesse se este decidisse se candidatar até a síndico. E enquanto o PSDB finge-se de morto, sem nenhum candidato expressivo e com prévias armadas (ainda que com prévias, coisa que o PT passou por cima a mando do Lula, como fizeram na "escolha" de Dilma), Serra confabula e se fortalece.

http://www.tsavkko.com.br/2012/02/serra-e-kassab-golpe-sobre-o-pt.html

 
 
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jura

Se o preço de Kassab subiu, Lula estava certo. Tentou comprar barato, não conseguiu, então o Serra que pague caro...

 
 
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Cleir

Considero bastante incorreto usar fatos passados políticos para prever o futuro, como se este  fosse uma reprodução do primeiro. A sociedade está em constante evolução. Paulistanos são extremamente conservadores e preconceituosos, o que os levam a votar na direita, que se alinha com seus pensamentos. 

 
 

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