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O pragmatismo de Dilma e o auto-engano na blogosferaEnviado por luisnassif, qua, 23/02/2011 - 09:21
Autor:
JB Costa
Um dos fatos mais marcantes, porque trágico tal qual uma peça do teatro grego, da história política brasileira foi, sem nenhuma dúvida, o caso Olga Benário. Em resumo: presa pela ditadura de Getúlio Vargas e esperando um filho de Luís Carlos Prestes, então Secretário geral do OCB e ícone da esquerda brasileira, Olga, judia, foi deportada por conta de um pedido de extradição da Alemanha Nazista. Encarcerada num campo de concentração acabou sendo executada em 1942. Bem, qual o destino dos dois personagens principais da tragédia? O que o destino, ou, a face mais pragmática da política, os levou? Nada de ressentimentos, de revanche: em 1950 Prestes subiu no mesmo palanque de Getúlio e o ajudou na retomada do Poder, agora pela via do voto. A ida de Dilma à Folha longe está da magnitude do que foi a "rendição" de Prestes a realpolitik. Além dos aspectos institucionais (liturgia do cargo, relacionamentos institucionais etc) houve o sentido político. Os gestos dos que limitam nessa arte são, não raro, muito mais reveladores que palavras ou discursos, estes sempre envoltos em tergiversações e simulações. A meu ver, a alternativa mais danosa seria a presidenta ter-se negado ao convite. Tal gesto passaria, tanto para a mídia, como para a própria população, espírito de revanche, de vingança. Seria plausível, institucional e politicamente, uma ação dessas de um governante em início de governo? Que ainda busca firmar-se porque ainda à sombra de um político da dimensão do Lula? Entendo perfeitamente o desencanto e desalento dos que votaram na coligação vitoriosa. O Eduardo Guimarães, pessoa íntegra e que sempre esteve à frente dos embates por conta dos desvios da mídia, repassa todo o sentimento de frustração pelo gesto da Dilma. Sua integridade moral -inquestionável - o levará certamente a uma leitura menos emotiva e mais contextualizada desse evento. O mesmo pode ocorrer com alguns frequentadores do blog, cuja sinceridade é inquestionável. Não tenho a pretensão de querer anular, ou avaliar como ilegítimas ou equivocadas essas visões do "ensarilhar armas". Chamo a atenção apenas para um aspecto: o institucional; detalhe que passa despercebido pelo jornalista Leandro Fortes no seu artigo "Dilma na cova dos leões", na última edição (nº 634) da Carta Capital. A imprensa é uma instituição. A criação de qualquer acrônimo depreciativo nunca modificará esse fato. E as instituições são um dos resultados do processo civilizatório. Pode-se, aliás, deve-se, colocar em xeque sua credibilidade, sua honestidade, falta de ética, partidarismo, e tudo o mais. Mas nunca a sua própria liberdade e existência, desde que no âmbito das leis vigentes. Nesse sentido, como se costuma dizer, as pessoas passam e as instituições ficam. Dilma, pelo viés protocolar, foi prestar reverência à instituição imprensa, não a Tavinho ou tavão. Pela leitura política, estabelecer uma trégua num embate que só prejuízos acarretam para a sociedade e, de quebra, inserir uma cunha, não por rendição, mas por estratégia junto ao eleitorado mais conservador, cujo nicho maior sempre foi São Paulo. A blogosfera não pode deixar-se apossar pelo auto-engano do galo chantecler, aquele que pensava que o Sol despontava todas as manhãs pelo seu belo canto. Não vejo amplitude nem força nos blogs para uma eventual influência ativa e incisiva nos rumos da macro política. No varejo, talvez. Esse é o maior dissabor do auto-engano: quando a realidade se impõe o sentimento é de total desolação. Bate o desespero. Nesses momentos, vale recorrer a leitura do velho Maquiavel que há quinhentos anos nos ensina que a política é da seara dos homens imperfeitos. E para o futuro é bom nos resguardar. Novas emoções virão. Título:
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Comentários + votados
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Ney Henrique
23/02/2011 - 09:35
JB
Até que enfim uma voz sensata no meio desse tiroteio amigo que se viu na blogosfera esses últimos dias!
O que esse pessoal queria? Que a Dilma mandasse colocar fogo na folha e guilhotinasse...
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Gerson Pompeu
23/02/2011 - 09:36
Quem já encarou militares torturadores na ditadura não tem que ter medo de Otavinho Mosquito. Foi lá, do alto de seus milhões de votos, e mostrou o disparate que é a comparação de grandeza entre os...
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luzete
23/02/2011 - 09:37
JBCosta,
comungo totalmente da sua análise.
se olharmos o discurso de posse proferido pela presidenta entenderá perfeitamente este gesto que ela cometeu na visita ao moribundo de 90 anos.
claro que...
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Mauricio Soares
23/02/2011 - 09:56
Até que enfim um comentário sensato. Achar que a presidenta precise o tempo inteiro estar em conflagração com seus adversários e ter que prestar reverência a blogosfera é infantilidade. Ela tem agora...
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Marco St.
23/02/2011 - 10:02
Parabéns pelo texto!! Já estava cansado de ver gente aqui pregando o "olho por olho", a vingança, gente chorando porque se saiu traída, gente xingando a Dilma, um blá, blá, blá infernal. Teve...
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Chico Doido
23/02/2011 - 10:14
Acredito que nossa Presidenta foi apenas prestar suas condolências as viúvas pelo passamento do jornal da Ditabranda .
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oiDenilson
23/02/2011 - 10:16
Sinceramente, se a blogosfera está achando que isso foi um ultraje, é melhor voltar para o ensino básico e para ver se amadurece... Sério mesmo. Defender imprensa livre é basicamente ir contra estas...
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roque
23/02/2011 - 10:18
Para quem teve "problemas" com a ida da Presidente aos 90 aninhos da Foia, vale lembrar que quem saiu viva da cova dos leões, pode muito bem dar uma passeadinha por lá... De resto, deixa os leões...
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Marco St.
23/02/2011 - 10:27
Pois é! Ontem minha timeline do twitter se verteu em um poço de lágrimas do Eduardo. Tive que dar um unfollow "preventivo" . Na minha opinião, muita choradeira por um cerimônia trivial. Muitas outras...
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Drinds
23/02/2011 - 10:27
Análise sensata!!! Política é política, tem que ser frio e racional para viver dela...Não podemos nos esquecer que mesmo o Presidente Lula aceitou o apoio o Collor., elogiou a Globo, etc. Torcida e...
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Fabio (o outro)
23/02/2011 - 10:29
Bastante equivocado o argumento que permeia o texto.
Prestes é retratado como um homem que se colocou acima da tragédia pessoal e foi se juntar ao lado do homem que liderou o governo...
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Marcos Fernandes Gonçalves
23/02/2011 - 10:33
Concordo com o texto. A Presidente não poderia simplesmente negar o convite. No entanto, não custa nada - e ainda dá tempo - uma reunião com a blogosfera progressista, em geral. É o mínimo que se...
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Bento
23/02/2011 - 10:33
Raquel, concordo com teu comentário, mas só faço uma observação - não se pode afirmar em absoluto que a presença de Dilma na festa da Folha tenha sido uma mera visita de negócios, assim...
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drigoeira
23/02/2011 - 10:40
Temos que separar o período eleitoral, do agora, como presidente do Brasil.
A presidenta Dilma mostra que é de alto nível, vai governar para todos, quem votou nela e também quem a classificou como...
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Luiz F Siqueira
23/02/2011 - 10:43
No alvo, Nassif.
Também entendo que a questão aí é essencialmente institucional.
A Dilma fez (e bem) a parte dela, enquanto mandatária maior do país. Foi lá e disse: eu respeito a democracia e, por...
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Ronaldo
23/02/2011 - 10:53
Muito bem posto!
E ela deixou claro esse pragmatismo no instante em que foi reconhecida eleita: não vestiu vermelho, embora esta tenha sido sua cor durante toda a campanha.
Uma vez eleita, é...
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raq_uel
23/02/2011 - 11:01
Bento,
Acho importante que se coloque o pingo nos i's.
Se essa visita simboliza alguma coisa é de uma tregua à GRANDE IMPRENSA.
E não à imprensa. A Folha não representa a imprensa. Se a Folha falir,...
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IV Avatar do Rio Eufrates
23/02/2011 - 11:07
Parabéns pelo texto, imagina só Dilma trabalhar guerreando com a imprensa, ela precisa mesmo disso?
Tomara que não comecem a pixar Dilma, assim como fizeram com Erundina quando prefeita de SP pelo PT...
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Bento
23/02/2011 - 11:17
Infelizmente alguns representantes da blogosfera confundiram tudo, e pior, estando adotando uma postura revanchista infantil que não condiz com sua própria inteligência.
Desde quando visita à...
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Carlos Mangino
23/02/2011 - 11:27
JB por falara em realpolitik, só um adendo: O Collor mandou invadir a Folha mas ellle tinha o saco roxo e um monte de intenções duvidosas. Perfeito o seu texto.
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ótimo texto.
Ontem eu fiquei lendo no tuiter as msgs de desencanto do Edu e da Maria Frô e me pareceram dramáticas demais, como se houvesse acontecido uma traição. Não pensei em dar unfolou neles, como vários fizeram, mas incomodou um pouco. Dilma não pode se limitar, ela não é a presidente da blogosfera, sim do Brasil, da Folha inclusive e infelizmente.
Pois é! Ontem minha timeline do twitter se verteu em um poço de lágrimas do Eduardo. Tive que dar um unfollow "preventivo" . Na minha opinião, muita choradeira por um cerimônia trivial. Muitas outras do tipo ocorrerão.
"Se você não cuidar, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo." Malcolm X
Concordo com as análise. A resposta é emocional e pode ser curada com um gesto simples. Queria até fazer uma sugestão aos blogueiros para curar a ferida. ORGANIZEM UM GRANDE EVENTO sobre mídia alternativa E CONVIDEM A DILMA. Sabendo da importância da Internet hoje ela não vai ser louca de não vir. Façam isso. Não deem as costas, extendam a mão. Ela sabe quem a deu apoio quando ela precisou.
JB
Até que enfim uma voz sensata no meio desse tiroteio amigo que se viu na blogosfera esses últimos dias!
O que esse pessoal queria? Que a Dilma mandasse colocar fogo na folha e guilhotinasse o Ali kamle como exemplo?
Obrigado por lançar lucidez nesse debate!!!!
Falo por mim, eu queria que a Dilma não fosse. Incêndio? Boa ideia, mas não pra já...rs
Homero, aqui não virar a Libia, desista...
Eu também queria que ela não fosse. Aliás, queria que a Folha sequer ainda existisse. Mas não é assim. Infelizmente, ela teve de ir, foi algo mais institucional.
Em nenhum momento significou que ela concordava com aquele tabloide.
Incêndio...não tinha pensado nisso...
Quem já encarou militares torturadores na ditadura não tem que ter medo de Otavinho Mosquito. Foi lá, do alto de seus milhões de votos, e mostrou o disparate que é a comparação de grandeza entre os dois. Vejam bem, nas fotos, quem é que estava com cara de constrangido dentro de sua própria casa?
Com todo o respeito, tem comentarista aqui que deve achar que, na vida, tudo tem que ser levado a ferro e fogo, olho por olho, dente por dente. Bater de frente com todos que te contrariam.
Enfim, a mensagem dela foi: eu sou muito maior e melhor do que vocês.
Imaginem que ela não comparecesse.
Que palco para o o FHC, Serra, Tavinho e caterva?
No lugar da humilhação que sofreram, tendo de ouvir calados, íam deitar e rolar.
sds
cláudio
JBCosta,
comungo totalmente da sua análise.
se olharmos o discurso de posse proferido pela presidenta entenderá perfeitamente este gesto que ela cometeu na visita ao moribundo de 90 anos.
claro que vale a advertência de que ali, e em muitos outros ugares, a coisa se aproxima mesmo de um covil e o mais prudente é ficar longe e não se acostumar com afagos. eles são traidores. e dilma sabe disto. ela não espera retratações da folha pelos crimes que cometeu contra a então candidata. ela mesmo, no discurso, encerrou esta etapa. disse que iria governar para todos os brasileiros, sem revanchismo. dilma não é dilma. dilma é instituição. e ela tem mostrado que sabe governar.
Acredito que nossa Presidenta foi apenas prestar suas condolências as viúvas pelo passamento do jornal da Ditabranda .
Basta ver o Obama, concedeu entrevista exclusiva durante o Superbowl para a Fox News, que não dá tregua a sua administração!
Este é o exemplo mais claro da armadilha por trás deste tipo de aproximação.
Como já disse em outro comentário: eles não gostavam dela, continuam e continuarão a não gostar.
Obama agora ficou sem a Fox e sem os eleitores que o apoiaram.
Vejo por trás disto o dedo do Malocci(*). Acho bom a Dilma tomar cuidado com a nossa Hillary.
(*) Segundo o PHA, Amaury Jr está incluindo no seu livro um capíulo sobre a operação do Malocci junto a grande imprensa.
Até que enfim um comentário sensato. Achar que a presidenta precise o tempo inteiro estar em conflagração com seus adversários e ter que prestar reverência a blogosfera é infantilidade. Ela tem agora é que governar, não tem sentido ficar provocando o adversário e remoendo sentimentos, e sim abrir o caminho e seguir em frente. Prova que tem inteligência e maturidade, bem diferente de quem tem se oposto a esse comportamento.
Mas ... o Gov. Federal deve continuar a anunciar na midia de baixa circulação ? Pois não se enganem, a imprensa precisa de liberdade, logicamente nem o Gov. Lula cerceou, nem o Gov. Dilma irá cerceá-los, mas a FSP precisa é de dinheiro, em fluxo constante e abundante.
"É a economia , estúpido"...
Concordo com JB em tudo, apenas não comungo da frase: "Não vejo amplitude nem força nos blogs para uma eventual influência ativa e incisiva nos rumos da macro política. No varejo, talvez." pois enxergo na 'blogosfera' grande influência na reflexão como contraponto importante ao mainstream - e no atacado.
Mauricio Machado
É, eu não seria tão radical em mensoprezar a força da blogosfera. Os melhores debates sobre o Brasil tem acontecido aqui e passado ao largo da velha mídia, como a chama o Nassif.
Mas é verdade que a blogosfera "progressista" precisa baixar a bola. Foram muitas vitórias, desde a reeleição do Lula, passando por desmontes de factóides do pig os mais diversos, a eleição da Dilma e culminando com a histórica entrevista com o Lula.
O sucesso subiu a cabeça e embriagou. Agora a blogosfera tem que cair na real. O pig ainda é o quarto poder, apesar de tudo.
Isso foi dito com todas as letras quando a Folha levou os representantes máximos dos três poderes para soprar velinhas com ela
Agora é aguentar a "dor de corno" e continuar lutando pela democratização dos meios de comunicação, que não nos iludamos não é prioridade do governo Dilma. Embora, como o Lula, pode fazer avançar, um pouco que seja, sim
Juliano Santos
Parabéns pelo texto!! Já estava cansado de ver gente aqui pregando o "olho por olho", a vingança, gente chorando porque se saiu traída, gente xingando a Dilma, um blá, blá, blá infernal. Teve blogueiro que até entrou em depressão. Uma coisa!
Este foi apenas o primeiro momento de vários outros que ocorrerão durante a presidência da Dilma. Aliás, percebe-se, que tem gente ainda em campanha eleitoral, olhando para o passado. Dilma já venceu as eleições. E tanto ela, como Lula, já estão olhando e planejando 2014.
"Se você não cuidar, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo." Malcolm X
A imprensa é uma instituição. A criação de qualquer acrônimo depreciativo nunca modificará esse fato.
E ao mesmo tempo é business como disse o Nassif.
A Dilma visitou uma empresa e não uma instituição. Não foi o sindicato dos jornalistas, ou qlq outra organização que abarcasse a imprensa brasileira como um todo. Uma que abrigasse da Veja a Carta Capital passando pelos veículos menores e pelos freelas.
Ela foi prestigiar o business de comunicação por conta da sua influência e não a imprensa.
Existe uma enorme diferença.
Nesse sentido, como se costuma dizer, as pessoas passam e as instituições ficam.
O que eu vejo são as mesmas famílias ficando com a mesma instituição.
Não vejo amplitude nem força nos blogs para uma eventual influência ativa e incisiva nos rumos da macro política. No varejo, talvez.
Massa de manobra. Pq ngm põe o pingo nos i's?
Sinceramente eu ainda não formei uma opinião exata sobre a postura da Dilma, mas tudo o que eu disse acima vale tanto para uma análise pró como contra a visita dela ao aniversário da Folha.
"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"
Raquel, concordo com teu comentário, mas só faço uma observação - não se pode afirmar em absoluto que a presença de Dilma na festa da Folha tenha sido uma mera visita de negócios, assim como tampouco se pode afirmar com certeza que se tratou de evento de significado maior, no sentido de estender a mão à mídia. Nossas presunções se baseiam sobretudo no que sabemos a respeito do caráter e da inteligência da presidenta. É com base nisso que eu ainda prefiro acreditar que se tratou sim de visita institucional e que teve sim o propósito maior de significar uma trégua com a mídia como um todo e não só com a Folha. Até porque, se quisesse tratar de "business", nenhum presidente não precisaria fazer "social" - poderia discutir num escritótio a portas fechadas em Brasília. Aliás, neste caso a postura de enfrentamento seria bem mais eficiente inclusive.
De resto, convém lembrar que não existe organização que represente a mídia como um todo (ainda bem, diga-se de passagem) e muito menos que abarque da Carta Capital à Veja passando por veículos menores e até blogs. E, ainda que existisse tal coisa, seria completamente ocioso considerar uma visita a essa instituição como uma deferência à mídia nacional.
Bento,
Acho importante que se coloque o pingo nos i's.
Se essa visita simboliza alguma coisa é de uma tregua à GRANDE IMPRENSA.
E não à imprensa. A Folha não representa a imprensa. Se a Folha falir, a imprensa brasileira não vai desaparecer por conta disso.
Ela é nada mais do que uma empresa com uma influência ENORME na opinião pública de um modo geral. Se eu não me engano é o jornal de maior tiragem.
E é por conta dessa influência que a Dilma foi prestigiar esse evento.
Ela não vai confraternizar com peixe pequeno. Não relativo a imprensa.
"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"
Novamente, concordo em termos Raquel. A Folha de fato é grande imprensa e a grande imprensa não representa a "imprensa" como um todo. Você está correta aqui.
Mas daí a concluir que a visita se deveu à mera influência da Folha em termos de tiragem e alcance de leitores, é só uma leitura possível e nada mais. Não há nenhuma evidência que permita descartar outras opiniões. Como por exemplo a minha, que penso que a visita se deveu sim a um significado maior de superação de conflito e não apenas um afago à Folha.
"Botando os pingos nos i's", a tiragem da Folha nada teve que ver com o discurso de Dilma, claramente voltado à imprensa como um todo e não apenas ao jornal ou mesmo à "grande imprensa"; e o fato dela ter escolhido visitar um jornal de garnde circulação não impede que ela também visite um menor depois ou mesmo se encontre com um blogueiro no futuro.
Em suma, a sua leitura é possível, mas enquanto não houver uma evidência concreta de que Dilma escolheu falar na Folha exclusivamente por conta do alcance do jornal, essa leitura ainda será uma mera especulação, ainda que legítima. De minha parte, penso que Dilma não precisa ir á Folha para mandar recado à "grande imprensa" e muito menos depende da tiragem da Folha para repercutir sua mensagem. Se Dilma fizesse esse discurso no Palácio do Planalto ou num encontro do PT, a reverberação seria igual. A Folha estamparia na primeira página e o Estadão publicaria seu editorial auto-indulgente do mesmo jeito. É a imprensa que precisa de Dilma para emprestar-lhe credibilidade hoje, não o contrário.
Bento,
Sim, não e talvez.
Eu só coloquei o fator tiragem para dizer que é um jornal que vende muito. Que tem um apelo muito grande ao público. Não que ele seja essencial para a difusão de informação na imprensa brasileira. E tbm tem o fator perenidade, tradição, "credibilidade". Daí a sua importância a ponto de ser entendido como um símbolo da grande imprensa.
Obviamente pelo fato dela ser chefe de estado que o seu discurso iria ser propagado em todos os veículos. Se tivesse um jornal Conexão Brasil-Lua tbm daria destaque ao pronunciamento da Dilma.
É muito difícil de se afirmar quem precisa de quem. Ao mesmo tempo que a grande imprensa precisa de um certo apoio do governo para manutenção do seu status quo ( ou melhor manutenção do seu monopólio); o governo precisa da imprensa para veicular as informações que acha interessante que sejam divulgadas para a população. Mal ou bem a imprensa ainda é a ponte entre governo e população. Embora ela não represente os mesmos interesses da população como gosta tanto de afirmar.
Mas o ponto que eu quis destacar é que a escolha da Dilma não foi em vão.Talvez foi mais baseada no fator influência na opinião pública do interlocutor e a simbologia que o evento carregava para o grupo envolvido na ocasião.
Se vc quer estabelcer uma tregua com a grande imprensa, nada mais apropriado do que o evento de aniversário da Folha.
E aí é aquele tal negócio, apaziguar os animos com a imprensona é interessante para a população, porém mais ainda para a governabilidade da própria Dilma. Principalmente em um início de mandato em que ela precisa ainda se legitimar para os grupos que não a apoiaram durante a campanha.
O problema da ida da Dilma, é o justamente o medo do que virá depois.
Uma coisa é um aceno outra muito diferente; é a conivência com o monopólio da mídia.
E é isso que precisa ser observado no governo daqui para frente.
Até que ponto vão os sorrisos e os acenos.
"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"
O comentário mais sensato que li até agora no blog.
Parabens pela síntese, Raquel.
A imprensa é o PIG, um partido político que JAMAIS fará uma aliança com Dilma.
E quem disse que Dilma está buscando aliança com essa gente, Marcia? Desde quando visita significa gesto de amizade? Se assim fosse os mafiosos só se encontravam em velório..
raq_uel:
Você acertou na mosca ao introduzir a questão da "instituição". Esse tem sido o argumento mais frequente dos que apoiam a ida da presidenta ao regabofe do otavinho.
A imprensa é, de fato, uma instituição no sentido do direito civil de corporação ou organização estabelecida e reconhecida pela sociedade. O sentido sociológico implicaria que essa corporação estivesse revestida de características que a transformassem numa estrutura social, que atendesse a demandas ou necessidades dessa sociedade. Assim, neste sentido estrito, instituições são aquelas representadas e representantes dos poderes constituidos, como as Forças Armadas, as forças policiais, o Ministério Público, o Congresso, o Judiciário, os Executivos dos três níveis, etc.
Já no sentido do direito civil, instituições atendem a interesses particulares ou corporativos: imprensa, as diversas ordens e conselhos profissionais (OAB, AMB, CREA), igrejas, partidos políticos, etc.
Sob essa perspectiva Dilma não foi prestigiar uma "instituição", e sim uma entidade de direito civil denominada Folha de S. Paulo.
Tampouco acho, como muitos comentaristas disseram, que a alternativa à ida da presidenta seria vingança, retaliação, muito menos mandar tocar fogo na Folha ou guilhotinar o Ali Kamel, como chegaram a perguntar.
Já escrevi sobre o que penso em outro post; resumidamente, acho que a Dilma tem dezenas de motivos para não prestigiar uma empresa privada que, de resto, tratou-a como mentirosa, criminosa, assassina, terrorista, lésbica, incompetente, "poste" do Lula, entre outros adjetivos do mesmo naipe.
Mas o que mais me incomodou foi o fato dela ter tido a oportunidade de romper com essa tradição anacrônica, provinciana, de comparecer a esse tipo de evento, justamente na casa de quem critica duramente sua participação em eventos muito mais significativos para o país, como a inauguração de grandes obras do PAC ou o lançamento de uma plataforma de petróleo do pré-sal.
Aos que acharam que seu discurso foi um tapa com luvas de pelica, fica a pergunta: e daí? Qual o resultado objetivo disso? A Folha deixará de ser um partido de oposição? Passará a ser mais objetiva e menos partidária em seus editoriais e artigos? Daqui para frente a Folha não mais criará factoides e mentiras, como a D. Lina Vieira, o dossiê contra FHC, o tráfico de influência da Erenice, o rombo milionário na Eletrobrás?
Por mim, bastaria que a presidenta mandasse um representante e uma cartinha de duas linhas dando os parabéns à Folha e desejando-lhe vida longa, assim como a seu proprietário e empregados.
Sinceramente, se a blogosfera está achando que isso foi um ultraje, é melhor voltar para o ensino básico e para ver se amadurece... Sério mesmo. Defender imprensa livre é basicamente ir contra estas grandes empresas, que monopolizam há mais de 90 anos (não consta só a familia Frias ai no meio). Ir ao Aniversario ad Folha foi encarado como O Beijo de JUdas? Meu Deus! Quantos anos tem este pessoal? A Mulher que foi acusada, levou um monte de materia falsa e colunistas imbecis, passou por tudo isso e agora foi como PRESIDENTE! Ou Seja, ninguém está prestando atenção? Não foi a Dilma candidata, atacada para o Serra ganhar (este que mereceu até os comprimentos "presença do ex-governador" kk algo que teve ter estimulado seus comentarios no twitter sobre a Libia e o PT, devido a raiva que passou...).
Quando o pessoal vai entender? A Luta está na comissão da verdade, na regulamentação da mídia, na liberação de novas empresas para atuarem na área de comunicação, na regulação de rádios comunitarias e no fim às perseguições.
Será que acham que a grande luta será a Dilma aparecer no "Café com a Presienta" mandar o Otavinho e semelhantes a PQP?
Ninguém sabe que a mulher ganhou a presidência, "apesar" da Folha (e outros) e que agora a Folha tem que engulir o POSTE DA FICHA FALSA, com sua presença oficial de presidente?
Correndo o risco dela dar o golpe final no monopolio destas empresas? Que só ficaram grandes devido ao compadrio que as mesmas se dizem contra?
denilsoncel@yahoo.com.br
Para quem teve "problemas" com a ida da Presidente aos 90 aninhos da Foia, vale lembrar que quem saiu viva da cova dos leões, pode muito bem dar uma passeadinha por lá... De resto, deixa os leões ainda mais desconcertados...
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