O petroleiro João Cândido

Por george vidipo

Nassif,

Li esta matéria abaixo e achei relevante o comentario pelo blog, uma vez que estamos discutindo a industrialização brasileira. Esta matéria demonstra a dificuldade do seu renascimento.

Do Poder Naval

Por onde anda o N/T ‘João Cândido’?

Apontado há um ano como marco da recuperação naval brasileira, o petroleiro João Candido, lançado ao mar na presença do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da, à época, pré-candidata petista Dilma Rousseff, jamais deixou o cais do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no litoral de Pernambuco.

Fracassou a previsão do EAS e da Petrobrás Transporte S.A. (Transpetro) de que a partir de agosto do ano passado o João Candido estaria pronto para realizar viagens de longo curso. Desde a solenidade de lançamento ao mar, em 7 de maio de 2010, a embarcação passa por reparos.

Não há ainda uma data para a entrada em operação do petroleiro, o primeiro dos 22 encomendados ao EAS pela Transpetro. Em nota, o estaleiro limitou-se a informar que o início do emprego naval da embarcação deverá ocorrer no próximo semestre.

Além de criar tensão na Petrobrás e na Transpetro, que cobram a entrega do primeiro navio da encomenda, o atraso gerou uma crise sem precedentes no estaleiro, cuja construção foi simultânea ao do João Candido.

Controlado pelas empreiteiras nacionais Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, pela PJMR Empreendimento e pela sul-coreana Samsung Heavy Industries, o EAS demitiu neste ano a maior parte dos executivos responsáveis pela construção do petroleiro. Perderam o emprego o presidente Ângelo Alberto Bellelis ; o diretor industrial, Reiqui Abe, e seu adjunto, Domingos Edral; e o diretor de Planejamento, Wanderley Marques.

Na indústria naval, entre o lançamento ao mar e a entrada em operação de um navio, passam-se, em média, três meses, período de realização de testes. Tanto que o EAS anunciou no lançamento que em agosto de 2010 o navio estaria apto a navegar.

O lançamento do navio foi uma festa única na cidade-sede do estaleiro, Ipojuca (PE). Lula e a ex-ministra Dilma abraçaram operários, distribuíram autógrafos, posaram para fotografias – atividade comum naquela pré-campanha presidencial. A embarcação foi batizada em homenagem ao célebre marinheiro João Candido (1880-1969), líder da Revolta da Chibata, em que liderou, em 1910, cerca de 2.000 marinheiros negros rebelados contra os maus-tratos a que eram submetidos pelos comandantes da Marinha.

Novo Ciclo

Em discurso na cerimônia, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, anunciou que o João Candido abria um “novo ciclo” para a indústria naval brasileira. Afinal, a última encomenda da Petrobrás a um estaleiro do Brasil para a construção de um navio daquele porte ocorrera em 1987. E o navio só foi entregue dez anos depois.

Especialistas e profissionais da indústria naval e da Marinha Mercante creditam o atraso na entrega à construção simultânea do navio e do estaleiro. Apontam ainda a precariedade da mão de obra local como um dos fatores determinantes para o não cumprimento dos prazos.

Embora defenda o empreendimento e sustente que a embarcação estará apta a navegar em poucos meses, o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindmar), Severino Almeida, afirma que já eram esperados problemas.

“Não houve surpresas. Muita coisa no navio foi feita de forma adaptada ao crescimento do estaleiro. Houve falta de equipamentos no estaleiro para a montagem do navio. Isso seguramente ocorreu. Como houve a decisão de iniciar a construção do navio concomitantemente à construção do estaleiro, ficou claro, para quem conhece o setor, que haveria problemas”, disse Almeida.

Um dos equipamentos a que o presidente do Sindmar se referiu são os guindastes do tipo goliath. Os dois primeiros só chegaram, desmontados, em julho de 2009, um ano de atraso, conforme revelou, antes de ser demitido, o presidente Bellelis. Os goliaths têm 100 m de altura, vão de 164 metros e capacidade para içar 1.500 toneladas. O navio começou a ser construído sem o auxílio vital dessas máquinas.

A questão da mão de obra foi abordada por um experiente projetista naval, que pediu para não ter o nome identificado. O especialista disse que um atraso tão grande não é comum. Na Coreia do Sul, dois meses costumam separar o lançamento ao mar do início da operação.

O operário sul-coreano é extremamente bem treinado. Apesar de dizer que o brasileiro também recebe bom treinamento, o projetista argumenta que nosso profissional não tem grande experiência, especialmente em Pernambuco, Estado sem tradição na indústria. A experiência dele no setor indica que, para tornar-se eficiente e rápido, um operário naval precisa de quatro ou cinco anos de serviços ininterruptos, o que não ocorre no Brasil.

FONTE: O Estado de S. Paulo

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18 comentários
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luka

Fala-se em flata de mão de obra preparada e isso sempre me soa como tentativa de dizer que peão não sabe o que faz. Vamos lembrar que grande parte dos executivos tem uma cabecinha bem tacanha e a falta de qualificação se aplica a eles também.

 
 
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Uma pena, mas acontece.

A indústrai naval brasileira foi assassinada.

O navio de 400 mil toneladas que a Vale mandou fazer, no exterior, já havia sido feito, no BRASIL.

Mas a VALE o vendeu!!!?????

Pagamos um preço, hoje.

Recomeçamos!

 

 
 
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Paulo França

Meu primeiro emprego como jornalista, ainda estagiário, foi no jornal de um estaleiro aqui no Rio. Se agora o pessoal reclama de atrasos de meses, deveria lembrar que, no final da Sunamam, os atrasos eram de anos!!!! Concordo que a mão de obra pernambucana deve estar defasada nesse setor, no entanto, o Brasil já foi dono da maior frota mercante do mundo, um dos maiores construtores navais e estou certo de que essa fase ruim em Pernambuco logo vai ficar para trás. O atraso existe, é real, no entanto, com um pouco mais de pressão sobre os donos dos estaleiros rapidamente o Brasil deslancha novamente. O operariado brasileiro é extremamente ágil e bem disposto. Vi muito disso no estaleiro onde trabalhei. João Cândido vai liderar outra revolta já já.

 
 
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Maria José Rêgo

As justificativas são coerentes. Afinal, quanto tempo a nossa indústria naval ficou parada?

 
 
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jura

"O operário sul-coreano é extremamente bem treinado. Apesar de dizer que o brasileiro também recebe bom treinamento, o projetista argumenta que nosso profissional não tem grande experiência, especialmente em Pernambuco, Estado sem tradição na indústria. A experiência dele no setor indica que, para tornar-se eficiente e rápido, um operário naval precisa de quatro ou cinco anos de serviços ininterruptos, o que não ocorre no Brasil."

A falta de formação e treinamento (educação) - tema do Brasilianas.org - é o maior entrave ao desenvolvimento brasileiro. E não é só nos estaleiros: no governo de Pernambuco e na prefeitura de Ipojuca, também.

 
 
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André Oliveira

Mas como um estaleiro que ainda não existia pôde ganhar um contrato desse tamanho e, para piorar, com a Petrobrás

 
 
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Alexandre Weber - Santos -SP

O lançamento do navio foi fato jornalistico para dar sustentação numa campanha financiada pelos Bancos rentistas e que tinham de justificar o injustificável, com a eleição de um espantalho para o principal cargo do País.

Deu no que deu, um país sem governo, com uma casa civil pífia e uma presidência de fachada.

Vamos a passos largos para o abismo econômico, levados de roldão pela desvalorização do Dólar, vulgos QE1,QE2 e o fatídico QE3 que será o último prego no caixão.

Acorda Dilma!

 

Follow the money, follow the power.

 
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Marc

Bola pra frente!

Aprendizado tem um custo.

Com certeza é mais rapido e barato comprar dos coreanos, mas não é assim que se constroi uma nação e se adquiri expertise.

 
 
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rique

A bronca   começa  pelo nome:"João Cândido". O milicos da MB,não toleram  e ignoram qualquer  objeto,ainda  por cima que flutue,que leve o nome do   "Almirante Negro".A zebra é desejada  para estigmatizar.Quem   conviveu com a SUNAMAN nos tempos da "Redentora",sabe   no que resultou,para as contas pessoais dos administradores e o que tocou para o tesouro nacional.Os  "papéis", foram negociados  como moeda podre,nas privatizações tucanas,  por  20% do  valor de face !Também um "gap"   de  trinta anos na industria naval.Extingui-se uma geração de   profissionais especializados,sucateou-se  grandes estaleiros,tranformaram o país numa província mediterrânea.Quase uma Bolívia, em termos navais.

 

rique

 
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Marco Santo

O comentario do "rique" é correto. Os criticos é que adoram quando se atrasa uma encomenda. Esquecem que até um prédio médio, há atrasos, bastando conferir o atrito criado entre o comprador e o construtor. Imagine um navio, que depende de peças vitais produzidas no exterior. Nem um automovel é 100% nacional, para isto para vermos que a Toyota e Honda, reduziram a produção no Brasil por falta de componentes japoneses. O que querem é encontrar "pelo em ovo".  Quando muito com o nome do navio "João Candido". A MB não quer engolir essa............

 
 
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Ricardo,.,.,

Sou leigo em história econômica, mas tenho quase certeza que o Barão de Mauá já tinha tentado fazer uma indústria de estaleiros por aqui. Se não me engano completamente, vinculada ao Rio Amazonas, o que poderia ter sido um outro boom econômico na região, e talvez um jeito diferente de encarar o transporte fluvial no Brasil.. E provavelmente levou lenha dos seus compatriotas, não dos gringos. Parece com o tal do pêndulo do Nassif: a gente tropeça para a frente, mas não avança.

Surge um leve movimento para nacionalizar a produção, o know how e a potencialização da renda, mas no primeiro buraco todo mundo empaca e quer recuar e vender tudo para os "sabidos" da UE e do EUA resolverem logo. A diferença é que temos cabeça de consumidor. Prazo rápido, produto perfeito, esforço mínimo, planejamento zero, e free lunch geral. Funciona bem para exigir do mercado de consumo, para brigar pelo direito ao mínimo existencial, mas não como ideologia para acumular capital e competir com os países que tem mais capital para arriscar, organização melhor, gente especializada, e marcas mais fortes.

Salve o almirante negro, que não teria substituto melhor para simbolizar a necessidade de mudar essa mentalidade atrasada.

 
 
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George Vidipo,

Nem tudo que sai em Portais Militares dá para levar em consideração. Observe que a matéria abaixo não saiu no Poder Naval, leia e verás porque. Tem um portal chamado Força Terrestre que é NOJENTO.

23 de junho de 2011

Rejeitada proposta da Petrobras de privatizar sua nova frota de navios

Pela segunda vez consecutiva o Conselho de Administração da Petrobrás rejeitou o plano de investimentos da companhia para 2011-2015. Presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o conselho rechaçou também a proposta da estatal de repassar à empresa privada Sete Brasil os contratos do programa de modernização da frota petroleira.

Antes da reunião do conselho, a estatal havia enviado ao governo, segundo apurou o Estado, proposta de reajuste de combustíveis em torno de 10%. O aumento seria compensado pela Contribuição de Domínio Econômico (Cide), o que evitaria repasse ao consumidor e impacto na inflação, mas levaria também a reduzir a arrecadação do governo. A proposta foi descartada.

Nesta sexta-feira, 17, na reunião realizada em São Paulo, a Petrobrás apresentou ao conselho um programa de investimentos cerca de US$ 25 bilhões acima do atualmente em vigor, de US$ 224 bilhões, referentes ao período 2010-2014.

O governo está empenhado em manter inalterado o valor do plano. A Petrobrás, por sua vez, com 681 projetos em pauta, terá de rediscutir o orçamento de um a um para determinar quais deles serão postergados ou reduzidos. Por enquanto, não estão sendo discutidos cortes de projetos.

A transferência da frota para a Sete Brasil não conta com a simpatia do governo. Segundo o Estado apurou, a presidente Dilma Rousseff repudiou a proposta, por enxergar nela um projeto de esvaziamento do Programa de Modernização da Frota (Promef) e da própria Transpetro. O veto da presidente se confirmou na apreciação do conselho.

Passar a nova frota da Transpetro para a Sete Brasil é uma proposta que não encontra consenso nem mesmo na própria Petrobrás. A estatal tem apenas cerca de 10% de participação na Sete; os demais 90% estão divididos entre os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás), Valia (Vale) e Funcef (Caixa) e pelos banco privados Bradesco e Santander.

Caso a proposta fosse aprovada, as 49 embarcações – 41 contratadas e 8 a serem licitadas – planejadas pelo Promef, orçadas em torno de US$ 5 bilhões, passariam do atual controle estatal para o privado.

Nacional

A Sete é uma holding nacional que controla uma empresa com sede na Áustria, para poder usufruir de incentivos fiscais na importação de máquinas pesadas do setor de petróleo. A empresa planeja abrir capital em alguns anos.

A Petrobrás decidira apresentar o plano estratégico em 13 de maio, quando divulgou o resultado do primeiro trimestre, com lucro recorde de R$ 10,985 bilhões. Não houve, na ocasião, consenso sobre o orçamento.

A próxima reunião do conselho está marcada para o fim de julho, mas a estatal pode convocar uma extraordinária, caso encontre solução para o impasse.

O fato é que, internamente, a diretoria da Petrobrás diverge das propostas apresentadas ao conselho. No caso da transferência das embarcações para a Sete Brasil, o projeto não chegou ao conselho de modo unânime.

Tem que haver muita seriedade com um assunto tão importante que é a construção dos navios do PROMEF. É essencial para a soberania do Brasil.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/rejeitada-proposta-da-petrobras-de-privatizar-a-frota-de-navios.html

07/05/2010: João Cândido, petróleo, racismo e emprego

A Transpetro lançou ao mar o navio petroleiro João Cândido. Batizado com o nome de um dos nossos heróis, marinheiro negro, filho de escravos e líder da Revolta da Chibata, o navio tem 247 metros de comprimento, casco duplo que previne acidente e vários significados históricos. Primeiro, leva a industrialização para Pernambuco, contribuindo para reduzir as desigualdades regionais. Em segundo lugar, dá um cala-boca para quem insinuou de forma maldosa que o PAC era apenas virtual. Em terceiro, prova que está em curso a remontagem da indústria naval brasileira criminosamente destruída na era da privataria. O artigo é de Beto Almeida.

Beto Almeida (*)

Nesta sexta-feira a Transpetro lançou ao mar o navio petroleiro João Cândido. Batizado com o nome de um dos nossos heróis, marinheiro negro, filho de escravos e líder da Revolta da Chibata, o navio tem 247 metros de comprimento, casco duplo que previne acidente e vários significados históricos. Primeiro, leva a industrialização para Pernambuco, contribuindo para reduzir as desigualdades regionais. Em segundo lugar, dá um cala-boca para quem insinuou de forma maldosa que o PAC era apenas virtual. Em terceiro, prova que está em curso a remontagem da indústria naval brasileira criminosamente destruída na era da privataria. Como um simbolismo adicional, um total de 120 operários dekasseguis foram trazidos do Japão, com suas famílias, para juntarem-se aos operários nordestinos que construíram o navio. Os primeiros não precisam mais morar longe da pátria; os outros, saem do canavial para a indústria e não precisam mais pegar o pau-de-arara, nem entoar com amargura a Triste Partida, de Patativa do Assaré, como um certo pernambucano teve que fazer na década de 50. Até que virou presidente.

Mulheres trabalhando como chefes de equipe de soldagem no Estaleiro Atlântico Sul, no município de Ipojuca, em Pernambuco, pronunciavam frases orgulhosas lembrando que não sabiam nem que esta também poderia ser uma tarefa feminina. O ex-pescador de caranguejo contava em depoimento agreste que antes do estaleiro não sabia direito como ganhar o sustento da família a cada dia que acordava. O ex-canavieiro, agora operário, destaca que não depende mais temporalidade insegura da colheita da cana e quando acorda já tem para onde ir, quando antes vivia a insegurança. Estes alguns dos vários depoimentos colhidos na inauguração do navio petroleiro João Cândido ao ser lançado ao mar pernambucano. Deixa em terra um rastro de transformação.

Inicialmente, na vida destas pessoas antes lançadas ao deus-dará de uma economia nordestina reprimida, desindustrializada. A transformação atinge os municípios mais próximos, pois no local onde foi construído o estaleiro, uma antiga moradora, Mônica Roberta de França, negra de 24 anos, que foi escolhida para ser a madrinha do navio, dizia que ali era um imenso areal, não tinha nada. Agora tem uma indústria e uma escola técnica para os jovens da região. E que só agora ela tem seu primeiro emprego na vida com carteira assinada.

Desculpas à Nação

Para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o lançamento do João Cândido ao mar tem o mesmo alcance histórico do gesto de Getúlio Vargas quando deu forte impulso à nacionalização da indústria naval brasileira, na década de 30, por meio da empresa de navegação estatal. “Aqueles que destruíram a indústria naval tem que assumir sua responsabilidade e pedir desculpas à Nação”, disse Campos na solenidade que teve a participação de 5 mil pessoas aproximadamente, sobretudo dos operários.

O Navio João Cândido abre uma nova rota para a economia brasileira. Incialmente, porque a Petrobrás já não será obrigada a desembolsar cerca de 2,5 bilhões de reais por ano com o afretamento de navios estrangeiros. Há, portanto, um revigoramento do papel do estado na medida em que a reconstrução da indústria naval brasileira é resultado direto de encomendas da nossa empresa estatal petroleira. O que também permite avaliar a gravidade e o caráter antinacional das decisões que levaram um país com a enorme costa que possui, tendo montado uma economia naval de peso internacional respeitável, retroceder em um setor tão estratégico.

E isso quando nossa economia petroleira, há anos, já dava sinais de expansão, mesmo quando estavam no poder os que promoveram o espantoso sucateamento, a desnacionalização e a abertura da navegação em favor dos países que querem impedir nosso desenvolvimento. Este tema, certamente, não poderá faltar nos debates da campanha presidencial deste ano.

Almirante negro

A escolha do nome João Cândido também foi destacada na solenidade por meio do novo ministro da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Eloy Moreira. Vale registrar que há pouco mais de um ano Lula participou de homenagem ao Almirante Negro inaugurando sua estátua na Praça XV, no Rio, que estava há anos guardada, supostamente porque não teria havido grande empenho da Marinha na realização desta solenidade. Pois bem, agora João Cândido não está apenas nas “pedras pisadas do cais”, com diz a maravilhosa canção de Bosco e Blanc. Está na estátua e está cruzando mares levando para o mundo afora o nome de um de nossos heróis.

Navegar é possível

O novo petroleiro estatal, portanto, é uma prova real de que sim “navegar é possível”, como dizia uma faixa no ato. Navegar na rota inversa daquela que promoveu o desmantelamento da nossa indústria naval. Navegar na rota da revitalização e qualificação do papel protagonista do estado. Recuperar um curso que havia sido fundado lá durante a Era Vargas onde se combinava industrialização e nacionalização com geração de empregos e direitos trabalhistas. Se no período neoliberal foi proclamada a idéia de destruir a “Era Vargas”, agora, está não apenas proclamada, mas já colocada em marcha, a necessidade de reconstruir a partir dos escombros da ruína das privatizações - entulho neoliberal - tendo no dorso no navio-gigante o nome heróico do líder da Revolta da Chibata. Sem revanchismo, o episódio permite lembrar outra canção: “É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.”

Re: O petroleiro João Cândido
Re: O petroleiro João Cândido
 
 
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jorge j pires

Alguns dados, que acho relevantes, estão incorretos na materia apresentada, primeiro que o navio não demora apenas 3 meses após saída do chamado dique seco, porque até então somente a parte de caldeiraria e colocação do motor são realizadas, com a saida do dique seco, o que o artigo chama de "solenidade de lançamento ao mar", é na realidade saída do dique, onde após se inicia a montagem no caís, onde deve ocorrer mais um período de 7/9 meses, incluindo testes, para sua efetiva entrega, nesta fase são montados todos os equipamentos, caldeiras , bombas, parte elétrica, sistemas de controle, hotelaria, etc.. Enquanto isso no dique seco outros navios seguem montando a parte caldeirada.

Em uma retomada, como foi esta da industria naval brasileira, levando industrias a uma região até então sem nenhuma perpectiva de crescimento, onde muitos de seus jovens migravam para o sul/sudeste em busca de trabalho, mostram que esses atrasos são um mísero preço, para um futuro que promete ser grandioso.Os Cortadores de cana que hoje são soldadores/montadores, que tem carteira assinada, assistencia médica, hoje chegam a média de 2 anos de experiência, quando iniciou-se a produção do navio João Candido, esses trabalhadores tinham zero de experiencia, além do que a produção iniciou-se com as obras civís ainda em andamento.

Daqui a uns 10 anos poderemos fazer comprações com a Coreia, que hoje tem seus estaleiro como montadoras de navios, já que formaram em seu entorno um parque industrial fornecedor. 

Uma industria com desse porte, tendo que desenvolver seus colaboradores e fornecedores, demanda tempo para ter o ideal de performance.

No demais o Marco Santo e o Ricardo já disseram...............

 

 

 
 
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Santana

O mais engraçado é que o Estaleiro Atlantico Sul ganhou a licitação para construir 8 navios sonda, anunciaram que lançaram o casco da plataforma P55, tudo mentira o casco foi lançado parcialmente apenas 2 patas, faltam mais 2 que segundo eles " os genios " da engenharia vão acoplar na agua mesmo,  só pergunto como?, o João Candido  esta esperando o final da montagem das outras 2 patas da plataforma, e finalizar a montagem do navio 2 o Zumbi dos Palmares para ser colocado novamente no dique seco sob pretesto de ser pintado , mas na verdade é uma tentativa desesperada de corrigir os erros de projeto e montagem, hahaha o navio 2 esta igual todo errado, mas como conseguirão esta façanha se começaram uma grande campanha de demisoes em massa onde nem gestantes e deficientes estão sendo poupados e sem nenhum critério para isso pois os melhores profissionais inclusive as pratas da casa estão sendo demitidos indiscriminadamente, ah sim aguardem o proximo capítulo agora serão as mulheres da produção que serão retiradas, segundo as más linguas, a nova gestao das duas empreiteiras pretendem retirar as mulheres da produção, ou seja demissão....

 
 
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Alves

Saiu comunicado interno que o EAS ficara apenas com 2,5mil funcionarios. Dia 12/12 será demitido cerca de 3 mil funcionarios. No proximo dia 21/12/2011 devera ser anunciado a venda do EAS para um grupo chamado "Sete Mares". Todo esse fracasso deve-se,sem duvida,a incopetencia administrativa,em especial do dpto de RH. Eles demitem mulheres gravidas,pessoas com estabilidade,demitem por justa causa,demitem que tem atestado médico,não pagam periculosidade para eletricistas...enfim,não são dotados de critérios logicos!
Sem dizer da grande roubalheira que ocorre internamente,alem de muito nepotismo. Mulheres da região são contratadas apenas para serem "casos extra-conjugais" de chefes.

A realidade é nua e crua,quem trabalha lá sabe: o EAS esta sendo usado para lavagem de dinheiro,pessoas que nem possuem 2°grau chegam a ganhar cerca de 17 mil por mês.

É lastimavel !!!

 
 
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Camilo Canezin Leão

Na história da indústria naval mundial, encontramos inúmeros exemplos de falhas contrutivas e critérios de seleção de materiais que resultam em constantes quebras por ruptura catastróficas de navios petroleiros e de grande porte, em pleno mar. Não nos esqueçamos dos petroleiros que vivem causando inúmeras tragédias ambientais em águas nacionais e internacionais até os dias de hoje; não nos esqueçamos do próprio TITANIC, que num misto de negligência operacional (pelo comportamento da soberba) e falta de conhecimento técnico (desconhecimento dos efeitos da queda de temperatura em relação a tenacidade dos aços, inexistência da mecânica da fratura, etc...) resultou na maior tragédia marítima de todos os tempos. A Petrobrás não comete esse erro, apesar de tudo de bom e mal que foi apontado nesta página e nos comentários anteriores: a Petrobrás prefere passar pelo constrangimento frente a opinião pública de admitir que falhou na construção de um navio, ao mantê-lo no estaleiro o tempo que for necessário para passar por manutenção corretiva ou mesmo ser sucateado, se for preciso, a lançar no mar de maneira irresponsável uma "bomba-relógio" flutuante prestes a causar mais uma tragédia ecológica e humana. Nós sabemos muito bem que a repercussão na mídia mundial de um navio de bandeira brasileira provocando o vazamento de toneladas de petróleo no mar seria muito pior do que a de qualquer outro navio de bandeira estrangeira. Pagamos caro por construirmos aqui mesmo um equipamento que poderia sair muito mais barato se fosse feito lá fora, mas continuariamos padecendo de um mal muito maior se a Petrobras negasse essa oportunidade de renascimento da indústria nacional, erro crucial pelo qual o preço de um só navio ainda seria pouco. Pagamos caro o preço de nos arrojarmos a refundar a indústria naval do Brasil, que como bem disse, já foi a maior frota naval do mundo? Ou será que não estamos na verdade pagando caro por um dia havermos no passado abandonado essa mesma indústria naval, devido às mudanças de paradigmas cruciais de nosso papel no jogo geo-político estratégico e econômico mundial. A Petrobrás está tentando virar a mesa e para isso necessitará no futuro de uma forte apoio estratégico naval: não poderá continuar dependendo mais do que ja dependemos da indústria e da tecnologia sul-coreana de construções de modernas embarcações. Priorizando a construção de navios no Brasil, utilizando nossa abundante e competitiva mão-de-obra, a indústria nacional está criando massa crítica para a absorção de todas as novas tecnologias de ponta que existem no setor. Para cumprir esta tarefa, ficaria muito grata pelo apoio político de toda a nação brasilieira e principalmente da benevolência da mídia. e de todos aqueles que se dizem patriótas e que almejam o desenvolvimento da nossa indústria. Hoje, não dependemos de ajuda do governo, dependemos sim da capacidade de desenvolvermos os nossos projetos com vantagens competitivas. Apostar na mão de obra local foi uma decisão gerencial arrojada dos gestores da EAS; e isso não deve ser motivo de críticas e sim de elogios porque com certeza este foi um dos fatores críticos do sucesso deste empreendimento. Devemos aprender mais esta lição e com isso incrementar nossa curva de experiência. Devemos apostar mais uma vez na capacidade daqueles homens e mulheres empenhados na construção do Navio João Cândido, para que esse fracasso seja o prenúncio de uma série infinita de sucessos que o povo de Pernambuco merece vislumbrar. 

 
 
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DIVONSIR PARIZ

Volta às manchetes, em abril de 2012, o "PETROLEIRO JOÃO CÂNDIDO".

O Estaleiro Atlântico Sul (EAS) afirmou ter finalizado as provas de mar do petroleiro João Cândido. Segundo o EAS, serão feitas agora as “atividades finais” no navio, como a limpeza de casa de máquinas, acabamento das acomodações e limpeza geral da embarcação. Em seguida, o João Cândido será entregue à Transpetro.

O João Cândido deveria ter sido entregue à subsidiária da Petrobras, pelo cronograma original, em setembro de 2010. Atualmente, a carteira de encomenda do EAS inclui 22 petroleiros, que somam R$ 7 bilhões, dos quais cerca de 90% financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e sete sondas de perfuração encomendadas pela Petrobras à Sete Brasil.

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Camargo Corrêa e Queiroz Galvão dividem o controle do EAS, com 50% de participação cada. As duas empresas procuram um novo sócio estratégico depois que a sul-coreana Samsung, que tinha 6% de participação, deixou a sociedade.

Vem a pergunta: QUANTO TEMPO SERÁ NECESSÁRIO PARA AS "ATIVIDADES FINAIS" DE LIMPEZA E ACABAMENTO ANTES DA ENTREGA FINAL DA EMBARCAÇÃO À TRANSPETRO? Será que a desculpa de uma "provavel" demora seja a de não terem encontrado ainda um substituto da SANSUNG na sociedae?


Vamos esperar para ver........


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Hugo Freitas

Acima foram feitas referências à antiga Sunaman,de triste memória, diga-se de passagem, pois creio  que a mesma sucumbiu ao peso de_  como de costume em órgãos estatais_ muita corrupção e calotes tramados ou consentidos àquela autarquia de fomento à  indútria naval e à marinha mercante, entre outras atribuições. Mas o que, no caso dos trabalhadores avulsos da orla marítima, marcou sua existência, foi a denodada defesa dos interesses dos armadores em detrimento dos trabalhadores que sempre tiveram suas reivindicações salariais combatidas como se aquela autarquia fosse de propriedade dos armadores. Em que pese as consequêmncias de sua danosa existência, como de outros  órgãos públicos de igual destinação (de incrementar o desenvolvimento nacional), sou a favor e continuo defendendo o Estado como órgão indutor da economia do país, porque corrupção e ladroagem se combatem aqui dentro de nossas fronteiras, agora, a soberania  perdida para o capital estrangeiro como no caso das privatizações das empresas públicas e concessões de serviços públicos, é crime de lesa-pátria.

 
 

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