O novo momento político - 1

Coluna Econômica

O atual momento político é particularmente instigante.

Está-se no início de um novo tempo. As eleições do ano passado se constituíram no capítulo final da consolidação de um novo paradigma político e econômico do que pode ser chamado de a era Lula. Agora se inaugura o ciclo final de consolidação de um novo modelo em que um dos pontos centrais é o da pacificação nacional.

Após a guerra eleitoral do ano passado, esse movimento deixou a esquerda assustada e a direita perplexa. Mas é o fecho correto para encerrar o movimento anterior e entrar no novo tempo.

AscrAs crises da inclusão

O amadurecimento de um país ocorre por processos sucessivos de inclusão social e política. Cada movimento provoca crises políticas de tamanho proporcional ao da inclusão pretendida.

A lógica é simples e foi dissecada por Afonso Arinos em artigo de 1963 - que divulguei recentemente. Os novos incluídos lutam por ocupar espaço e sofrem a resistência dos setores encastelados no poder. Segue-se uma luta surda ou declarada, na qual entram os piores ingredientes da política, porque mesclando interesses, preconceitos e temores.

Nos Estados Unidos do século 19, resultou na Guerra da Secessão.

No Brasil, é possível identificar pelo menos quatro movimentos de inclusão-conflito:

1. No fim do século 19, o fortalecimento da classe agrária paulista, em detrimento da monarquia, o surgimento de uma classe média de profissionais liberais nas grandes cidades, que leva à Proclamação da República e a um período de distúrbios políticos. Há uma vitória dos fazendeiros, em detrimentos dos coronéis regionais, dos novos industrialistas e da própria monarquia.

2. A partir dos anos 20, a geração de migrantes e filhos molda uma nova classe social nas grandes cidades. Some-se a reação regional contra a política do café-com-leite (São Paulo-Minas), o aparecimento de uma cultura urbana consolidada. Resulta em distúrbios políticos e militares durante toda a década, desembocando na Revolução de 1930. Getúlio, então, consolida o processo de inclusão das novas massas, mas dentro de um quadro ditatorial.

3. A partir dos anos 50, há o nascimento de uma nova classe média urbana, fruto da industrialização do pós-guerra. São 13 anos de conflitos intermitentes, resultando no golpe de 1964. Como o próprio Arinos aponta (ele mesmo um líder da UDN), explorou-se o preconceito, a guerra fria e outros estratagemas visando criar o clima propício a um golpe militar. Tudo bastante ajudado pela falta de pulso do governo João Goulart.

4. A partir do início da era Lula, começa a consolidação de um novo mercado de massas, graças a políticas compensatórias e ao próprio redesenho da manufatura mundial, que se voltou para consumidores de baixíssima renda.

Os três movimentos anteriores resultaram em grandes batalhas políticas com desestabilização dos governos constituídos. Foi esse o embate enfrentado por Lula em um momento em que o principal agente político pós-redemocratização - a velha mídia - ainda não fora exposta aos novos ventos da modernização.

Amanhã vamos tentar destrinchar os principais pontos da estratégia política de Lula. 

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52 comentários
imagem de Anônimo

hummm  ...vou aguardar o 2 pra depois falar

abrá

 
 
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Nilson Fernandes

O Lula foi o presidente que  mais ampliou a inclusão no mercado de massas, tanto da classe média como da classe C e D. "Nunca Dantes" tinha acontecido isto. O Obama reconheceu isto, mesmo com as informações da embaixada americana em Brasília baseadas nas infirmações do Mainardi e Merval Pereira; Obama não levou a sério do jeito que pintaram o país, se não ele nem viria nos visitar.

 

Nilson Fernandes

 
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Guiba

 

Afonso Arinos era um sujeito de direita, da UDN, mas conhecido por sua honestidade inabalável e cortesia admirável. Se todos os políticos brasileiros fossem assim (do ponto de vista pessoal, não político), de qualquer lado, teríamos um país bem melhor....

 
 
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Otaviani

Descupe devo discordar de sua postura,o Eduardo Guimarães(qué um critico da postura da Dilma) comentou em seu post sobre uma tensão que se criou entre apoiadores da Dilma,que acham que ela ainda não mostrou a que veio,está muito cedo,que tudo que ela esta fazendo é uma estratégia,ou gestos magnanimos,etc,de outro lado os que acham(como eu) que ela tem toda asua atenção voltada para a direita,tentando conquistar ou desarmar os setores conservadores,inclusive até o momento a politica economica tem sido na medida para agradalos,ainda a nomeação de pessoas que gozam de desconfiaças ou nenhuma a esquerda,Palocci,Jobim,Cardoso.O Eduardo fez um Pedido de paz,que cada um tenha a sua opinião,sem ataques,agressões,como esta acontecendo.E ele fez uma grande pregunta a um comentário um tanto nervoso de um leitor:"Eu estou preparado para estar errado e voçe?".Não li o seu post e já discordo,porque o que tenho visto aqui é uma defesa do governo Dilma,tubdo bem é um direito seu,mas  não tenho visto textos ou posts aqui de quem pensa ao contrario,ou mesmo debates sobre o governo,Ela vem perdendo apoio e muito,a se ver nos comentários ,principalmente nos chamados "blogs sujos",que se nota claramente que a maioria etá decepcionada com o estilo da presidente.Então para finalizar faço a voçe Nassif a pergunta do Eduardo Guimarães- "Eu estou preparado para estar errado,e voçe está preparado para estar errado?".E pode ter certeza de uma coisa,eu vou dar pulos de alegria se estiver errado,será um dos poucos momentos da minha vida em que esta errado me dará alegria.

 
 
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Cassiano Simões

Acho essa preocupação correta. Há em curso uma avaliação negativa do governo Dilma por parte da esquerda. No entanto, o primeiro movimento da esquerda com o governo Lula fambém foi de desapontamento. Afinal, não vimos a reforma agrária, a reforma política, o fim do voto obrigatório, a tributação das grandes fortunas... Parecia que tudo estava indo para o buraco. No entnto, quando nos demos conta em 2006 que do outro lado do balcão estavam "os mesmos" de sempre, nos lembramos de FHC e percebemos o quanto havíamos avançado. Mais ainda em 2010, com José Serra. Espero que agora esteja acontecendo a mesma coisa.

 
 
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Andre Luis

Concordo com o Cassiano. O início do governo Lula foi marcado por uma grande "decepção" dos seus eleitores. Novamente, a memória é curta. Fico com uma frase do próprio, que peguei lá n'Os Amigos do Presidente Lula:

"Durante oito anos alguns adversários tentaram vender que éramos a continuidade do governo anterior. Agora que elegemos uma pessoa para dar continuidade, eles estão dizendo que está diferente"

 
 
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Otaviani

Não se pode comparar os dois momentos,Lula tinha tudo contra,a midia,o mercado,o empresariado.Ele foi eleito tambem com uma forma de protesto do povo que ja estava cansado de planos e planos,e a coisa  nunca andava bem. A Dilma ao contário,tem mar calmo,tempo bom e bons ventos.Esta história de estender ,conversar com o outro lado,já tá passando do ponto,enquanto ela deixa feliz o outro lado,do lado de cá as coisas começaram a se tensionar,quer dizer ganha um lado e perde outro,tudo tem um limite,tem de se ter bom senso.OU ela ou o Lula tem de abrir um canal de comunicação,acalmar os animos,ouvir,e vai ouvir até algumas besteiras,porque o que se está perdendo,pode depois mesmo com atos diria "progressistas",pode significar que ela o esta fazendo sob pressão.Tem um tempo,uma linha,uma mistura de tempo e racionalidade,que se ela cruzar (e olha que pelo que vejo,está perto) ficará muito dificil ela reconquistar o espaço e apoios que tinha.Minha irma que é nprofissional relações publicas diz que é mais dificil reconquistar um cliente do que ganhar novos.E é isso que alguns não estão querendo ver,ou não acham isso sério,sei lá.E o meu comentário é dirigido ao Nassif,pois não vi da parte dele nenhuma preocupação com a tensão e a desconfiança que se instalou nas hostes da esquerda,apenas uma defesa intrasigente da,como ele diz estratégia da presidente.

 
 
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Igor do Carmo

 

O problema, pelo menos aparentemente, e espero que de curto prazo é o de que Dilma está aceitando, ou pelo menos silenciando diante do discurso contraditório da oposição. Está aceitando bem os elogios, mas se recusa a rebater as críticas a Lula e a seu governo.

Nessa contradição, oposição e velha imprensa deixam explícito o novo jogo. Ou seja, depois de três derrotas seguidas aceitam um governo vencedor tendo que justificar suas insanidades anteriores.

É possível que ao próprio Lula caiba a tarefa de defender o seu governo. Mas o silêncio de Dilma e do PT diante delas deixa o eleitorado intrigado. E a velha imprensa certa de que seu discurso colou.

Não sei se estamos diante de um novo divisor de águas ou de novo ciclo da história política. Caso estejamos quem primeiro se deu conta foi a população quando sinalizou através dos mais de oitenta por cento de aceitação de Lula e seu governo.

Acho que o que se dá no momento não passa de acomodações convenientes.

 
 
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Luiz Gonzaga da Silva

"...mas se recusa a rebater as críticas a Lula e a seu governo."

Igor, se Dilma ficar rebatendo críticas da velha mídia a Lula, ela, provavelmente, não terá tempo para governar o país.  Lula é a fixação dessa gente, não vão se conformar nunca com o sucesso do ex-metalúrgico. Acho que tem que ignorar. Bola pra frente.

 
 
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DanielQuireza

Não é de direita. O governo é uma coalisão de centro/centro-esquerda. Ou combate à extrema miséria e aumento do bolsa família, política de valorização acima da inflação do SM é política de direita ? Não é. Quantos aos nomes dos ministros, o Lula também os teve parecidos.

 

@DanielQuireza

 
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Jotavê

As opiniões estão divididas, mesmo, Otaviani. Dentro da esquerda. Preparados para estarmos errados, nós todos temos que estar o tempo todo. Muros de Berlim e crises financeiras não pedem para entrar. Vão arrombando a porta, e aí pouco importa se você estava preparado para errar, ou não. O mais difícil é outra coisa. Será que estão todos preparados para estar CERTOS? De onde vem a crítica à política de Dilma? De que lugar se está falando? Enquanto vocês não destravarem essa maldita língua e disserem claramente - "falamos da perspectiva da construção de uma sociedade socialista", "falamos da perspectiva de uma mudança estrutural no MODO DE PRODUÇÃO da sociedade brasileira" - enquanto não estiverem, enfim, plenamente preparados para estarem CERTOS, a discussão não anda. Fica nesse chove-não-molha inconsequente, em que Dilma Rousseff é acusada de estar praticando uma política econômica que é EXATAMENTE A MESMA que era praticada pelo presidente Lula. No que diz respeito à postura diante do Mercado (escrevo com maiúsculas, em honra ao deus todo poderoso), a política é de continuidade em relação a Lula e TAMBÉM a Fernando Henrique Cardoso. José Serra foi o ÚNICO candidato até agora a vocalizar uma proposta clara de ruptura com esse modelo. Se tinha ou não "forças íntimas" para levar o projeto adiante, é assunto que psicanalistas saberão abordar melhor do que eu. Seu discurso era esse. Sempre foi. Uniu-se a uma direita truculenta na corrida eleitoral, e acabou comprando briga com todo mundo que poderia apoiá-lo. Ficou sozinho. Dilma pelo menos não manteve Henrique Meirelles no Banco Central. Montou uma equipe de profissionais de carreira, submetidos a ela. Se achar que deve mudar, dá um telefonema, e pronto. Lula nem isso fez. Vocês estão esquentando a cabeça com quê, afinal de contas? Com o fato de Dilma não dar "passos rumo ao socialismo"? Ninguém dá passos rumo ao socialismo, Otaviani. Socialismo não é nome de um projeto. É o nome de um sonho. Política serve para planejar os próximos cinco anos, tendo-se em vista os próximos vinte. E já é muito. Você pode não querer jogar o jogo. É outra história. Mas, aí, conte essa história com todas as letras. Para você mesmo, antes de mais nada.

 
 
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Otaviani

Voçe está apenas afirmando o que disse no primeiro comentário,veja o tom de seu comentário,que discorde ,ótimo mas não percisa ser agressivo,e nem colocar palavras na minha boca.O que se esta em discussão,é que ela foi eleita com uma plataforma,(e esta não estva inclusa uma "revolução socialista").O lula deixou para ela uma estrada limpa,ela tem maioria no congresso,o pais em crescimento,dinheiro em caixa,per sal,e o apoio maciço da sociedade civil organizada.O que se viu até agora é uma troca de amabilidades com a direita,esta mesma que pode agora estar sendo até gentil com ela,mas nas eleições certamente vão querer um candidato de sua confiança,e vã tentar desconstruila.Outro coisa é qua a sociedade espera,ou esperava da presidente a regulação da mídia,como o fim da propriedade cruzada,e plano nacional de direitos humanos,tão cobrado do pais,resgatar sua história.Como se implementa estas medidas se bajulando quem é contra.E outra é o silencio para quem votou e batalhou ,foi fundamental para sua eleição.Deixando um clima de suposições e desconfiançãs,em que começam ataques,discussões,em que nada contribuem.Assim como voçe está fazendo.Se voçe a apoia,se acha que está muito cedo para cobrar ,tubdo bem,respeito a sua opinião,mas respeite a minha,e principalmente não distroça o que estou tentando  dizer,que é que a presidente ou o Lula precisam abrir um diálogo,uma comunicação para estas pessoas ou as esquerdas,pois o clima não está bom,tá legal,então ve se o senhor esfria sua cabeça que seu comentário nã ajuda em nada,só aumenta ,põe mais lenha na fogueira.Eu por enquanto ainda esotu aberto a o diálogo,mas sou humano e minha paciencia esta chegando ao limite com este silencio da presidente,Porque daqui a pouco estarei respondendo de forma nem um pouco respeitosa a comentários como de vossa senhoria.

 
 
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Jotavê

Não quis ser agressivo, Otaviani. Quis ser assertivo, o que é diferente. Qual é a pauta de reivindicações que está sobre a mesa? Será que TODA a questão é estabelecer controle social da mídia e levar os torturadores para o banco dos réus? Podemos até discutir isso. Mas, se isso for TUDO, me desculpe, mas vocês estão fazendo muito barulho por nada. Ninguém apoia TODAS as medidas dos governos que apoia. Nem mesmo a Dilma deve estar de acordo com tudo que decide fazer. Política é assim. Você tem que ver a situação de cima, e decidir se a paisagem lhe agrada, ou não. O essencial é discutir a condução da política econômica brasileira. É aí que a coisa pega. E, para boa parte da esquerda e da militância petista, a questão é, SIM, tomar consciência plena e assumir a luta pelo socialismo. Enquanto não fizerem isso, vão continuar defendendo o socialismo NO PASSADO. Assumam de uma vez a bandeira, e tratem de bolar estratégias CONCRETAS para chegar lá. Minha aposta é que, quando vocês fizerem isso, irão perceber rapidamente que essas estratégias simplesmente não existem, hoje. Mas isso é simplesmente a minha aposta. Estou plenamente preparado, como você diz, para estar errado. E você? Está preparado para estar certo?

 
 
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Otaviani

Não.

 
 
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Flics

S. Jotave:

... fazer política de esquerda não quer dizer "mudar o modo de produção"... dentro do capitalismo também se faz política de esquerda... e não necessariamente visando a implantação do "socialismo"... ou tu achas que os militares americanos ao fazerem a reforma agrário no Japão e na Coréia do Sul acupados estavam visando o "socialismo"?... Já ouviu faalr no chanceler e unificador da Alemanha o senhor Bismark e sua política de "bem estar social" na Alemanha do século XIX?

Muito reduzido o seu pensamento...

 

Flics

 
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LEN

"laramente que a maioria etá decepcionada com o estilo da presidente".

Não sei de onde você tirou isso, das pesquisas é que não foi. a aprovação do governo dilma medida por mais de um  instituto de pesquisa é alta para um governo em início. Decepcionados sempre vão existir, principalmente para quem não entendeu os recados claros que Dilma passou ao país durante a campanha, mas daí supor que sejam maioria não se apóia em qualquer critério palpável.

 

Visitem o Blog Ponto & Contraponto. Twitter: @len_brasil Robozinho do blog: @pontoXponto

 
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Otaviani

2 coisas Len.a maioria que falo não é da população brasileira,veja que falo em esquerdas,movimentos da sociedade civil organizadas.Outra é quanto destas pesquisas de opinião não estão embutidas a ligação dela ao lula(Afinal a Dilma era uma completa desconhecida para a maioria da população até as eleições),então prematuras.vamos ver é daqui algum tempo .ai sim se saberá qual é realmente a popularidade dela.

 
 
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LEN

Otaviani, então explica para a gente como você mediu o nível de aprovação de Dilma junto à esquerda e movimentos sociais? cara, isso é chute, se você frequenta blogs que tem postura crítica ao governo dilma é óbvio que vais encontrar mais pessoas com esse perfil. Não há como você fazer uma afirmação como essa sem que se tenha feito alguma forma de aferir isso. Ou melhor dá, mas como opinião e não "claramente" como você afirmou, pelo menos para mim não está claro. Quanto a dizer que as pesquisas estão influenciadas pelo Lula é outra informação que não sei de onde você tirou. O nome do ex-presidente não entrou nos questionários realizados.

Em tempo: não vejo como se comparar Dilma e Lula, o segundo está consagrado pela população e tem seu lugar na história garantido, quem vai ser julgada pelo governo que fizer é a Dilma, tirar dela essa aprovação inicial não é legal.

 

Visitem o Blog Ponto & Contraponto. Twitter: @len_brasil Robozinho do blog: @pontoXponto

 
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TiagoGS

O que me parece é que está havendo um preconceito de classe por parte desses "apoiadores desiludidos" da Dilma: não estão gostando de ver ela ser elogiada por quem sempre criticou o Lula (na verdade, acho que tá mais pra conceito formado empiricamente que  preconceito!). Acham que, por isso, algo mudou (vejam que sequer critico o "preconceito de classe" nesse caso, pq acho realmente justificável ficar com pulga atrás da orelha qdo esse pessoal da velha mídia começa a elogiar alguém - eu tenho esse preconceito em relação à mídia e acho razoável que as pessoas o tenham em relação a certos apoios que têm sido dados à Dilma). Um preconceito semelhante do grande empresariado que lucrou muito mais agora, mas ainda assim criticou o governo por ser do PT.

O governo dela é a plena continuidade do Lula, em tudo de bom e tudo de ruim. E digo isso com consciência de quem sempre criticou esse governo, a ponto de eu ter me esquecido se votei na Dilma no 2º Turno ou se anulei o voto (deixei para escolher na hora, não me recordo o que fiz). Só que as pessoas votaram pela continuidade plena do que fora feito anteriormente, e o que a Dilma está fazendo é exatamente isso...

Creio que, justamente, tem havido essa alteração do posicionamento por parte da mídia (sei que não é apenas isso, mas realmente acho que o apoio dela é o que tem gerado essa desilusão maior) não por conta de seus méritos ou desméritos; é, como acho o próprio Nassif já falou, desconstrução da imagem de Lula e, de lambuja, jogam as pessoas contra a Dilma. Por um lado, para quem não era "eleitor ferrenho" do Lula, desconstrói sua imagem mostrando como esse governo é melhor que o anterior;  por outro, para quem era "eleitor  ferrenho" dele, faz com que crie desconfiança em relação à Dilma.

Partem do pressuposto que a lógica dos "eleitores ferrenhos" (e saliento novamente, não sem razão) é sempre negar a afirmação da mídia dominante. Assim, durante toda a campanha, criticaram Lula e Dilma, durante toda a campanha a crítica era vista como um elogio (a mídia dizia que era ruim, os ferrenhos interpretavam que não era ruim); agora, sem mais nem menos, simplesmente elogiam a Dilma, por uma questão de lógica a mensagem é apreendida como se o governo estivesse ruim (a mídia tá dizendo que tá indo bem, a mensagem é apreendida pelos ferrenhos como não tá indo bem). É uma espécie de argumento de autoridade ao contrário: ao invés de autoridade validar seu argumento, ela valida a negativa de seu argumento.

Por fim, sinalo, como já falei anteriormente, para quem é crítico do governo como eu, o que parece é que tem havido mais do mesmo.

 
 
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R Godinho

Estamos, muitos de nós na esquerda, pelo mecanismo exposto pelo Tiago, sendo massa de manobra da velha mídia. Ao invés de fundarmos nossas críticas nos fatos, estamos fundando na nossa impressão, gerada pela manobra esperta da velha mídia. Elogiam Dilma, criticam Lula, propositadamente confundem estilos diferentes com posições diferentes, e fazem os "lulistas" ferrenhos, automaticamente, "perceberem" que o governo vai mal.

A visita do Obama foi um excelente exemplo disso. Não houve, no governo Lula, qualquer ação de aberta oposição do Brasil aos EUA. Houve várias ações de afirmação de posições brasileiras, muitas vezes divergentes das americanas, mas em nenhum tempo ações de confronto (aliás, nem a China nem a Rússia andam fazendo isso, ultimamente). No entanto, a velha mídia, sem nenhum grande gesto de Dilma em direção aos EUA, afirma que há uma nova postura de harmonia com os americanos. E muitos de nós compramos isso, e criticamos o governo...

 
 
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Otaviani

Novamente,vem alguem que não entende o que acontece,"desiludidos da Dilma" e poe todo mundo no mesmo saco.Não consegue discordar ou ver uma opinião contrária,aí tem que por um tenperinho de provocação,pra quê? To aqui batendo na mesma tecla,de que a uma clima de tensão entre quem apoia e quem anda co um pé atraz com a Dilma.Que precisa de uma atitude para serenar os animos.O problema não é ela ir frequentar,aparecer nos holofotes da midia.O problema é as medidas na area economica,que absolutamente não efeito,estas medidas ortodoxas e neo liberais com a crise ficou cabalmente mostrado que são nefastas.E segundo O silencio da Presidente e do Lula para com as esquerdas.As pessoas estão perguntando o que está acontecendo,não nos tome por idiotas,não queremos afagos ,tapinhas nas costas.queremos que ela comece a mostrar claramente a que veio,por enquanto só tem dialogado com a direita.Para que criar um clima de desconfiança,de tensão.Quanto ao jogo do PIG querendo criar um antagonismo entre Dilma e Lula,é bala perdida,mais um tiro no pé.Ou falar que esta mesma esta criando este clima entre os apoiadores e a presidente,outra bobagem,pois nos ja estamos vacinados contra estes joguinhos da midia.Repito o grande problema é ela dialogar com a direita(para mim sem problema) eficar de costas para quem batalhou por sua eleiçãpo.Por favor pare de subestimar a inteligencia dos outros,e seja mais respeitoso,para que te respeitem por pensar diferente.Eu votei na Dilma,e como muitos batalhei pela campanha dela,mas isso não significa que eu não possa critica-la,isto é um direito individual e vou exerce-lo,então desopile o fígado,respire fundo e faça comentários mais respeitosos,critique,opine,discorde,mas não esqueça que tem muita gente que tambem tem inteligencia e pensa diferente de voçe.

 
 
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Paulo Soares

Otaviani,

Os governos Lula e Dilma são decepcionantes para parte da esquerda pois são governos trabalhistas... e o trabalhismo não é bem de esquerda, afinal, busca a conciliação entre Capital e Trabalho, com isso abrindo mão de bandeiras  igualitárias mais à esquerda.

O entendimento disso nos permite entender episódios como a (triste) ida dela ao aniversário da Folha.

Paulo

 
 
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João Paulo Sousa

Ótimo.

 
 
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L M Morais

Nassif, acredito que v. está correto quanto ao processo político e social de inclusão. O maior mérito do governo Lula foi, ao meu ver, a expansão da cidadania que ocorreu juntamente com inclusão de grande parte dos brasileiros mais pobres no mercado de massa (ou seja, sua consolidação como consumidor).

O segundo processo foi mais explícito e também mais fácil de perceber. Já a expansão da cidadania não vem sendo percebida tão claramente. Essa expansão consiste na integração dos mais pobres ao Estado brasileiro, não só pelas políticas inclusivas de distribuição de renda do trabalho e do aumento da rede de proteção da seguridade (incluso o bolsa-família, mas não só).

A integração vem ocorrendo  de forma mais simbólica e consiste na identificação dos mais pobres com o Estado nacional, devido a percepção de que pessoas consideradas seus "iguais" passaram a ser membros do poder político (no caso, o o poder executivo federal) sem a intermediação de membros das elites (intelectuais inclusive), como vinha ocorrendo de forma crescente desde a inclusão sociopolítica promovidas por Vargas. Vargas permitiu aos trabalhadores votar, elegendo políticos geralmente oriundos da classe média. Com o governo Lula, ficou visível que esses podiam não só votar, mas ser eleitos.

É evidente que esse processo de acesso de pessoas de origem pobre vem ocorrendo desde a década de 1980, especialmente devido a ação político de extração popular como o PT (embora dificultado pelo fato de seus militantes serem também integrantes da classe média e  da  elite  intelectual). Porém, embora isso pudesse vir sendo percebido pela elite intelectual, apenas alcançaou o imaginário da população mais pobre com o governo de Lula, pela óbvia importância que tem o poder executivo no nosso sistema político.

Pela primeira vez (outro "nunca dantes") milhares de famílias pobres sentiram a experiência - comum  entre as da elite intelectual ou econômica - de conhecerem, ou terem conhecidos,membros de vários níveis do poder executivo,e terem sido eles amigos de infância, colegas de escola ou mesmo parentes. A partir desse tipo de experiência, o simbolismo de pertencimento ao estado, em outras palavras, de ser cidadão pleno, veio se espalhando e conquistando o imaginário dessa grande parcela do "povão".

Isso foi um grande avanço na consquista da cidadania. Mesmo quando parte daqueles percebidos como "representantes" desses "novos cidadãos" passaram a usar a máquina pública de forma fisiológica ou mesmo predatória, reproduzindo a forma de "fazer política" das elites econômicas e intelectuais desde sempre. E devemos ver esse fenômeno indesejável como parte desse processo de inclusão sociopolitico e não apenas como uma questão moral. Acredito que a expressão política dos "de baixo" trás consigo o que nele existe, tanto de bom quanto de mau.

Como você observa, esses processos inclusivos sempre se deram em meio a lutas políticas e desestabilizadoras. Muitas dessas disputas acabaram com vitórias dos conservadores: derrubada do segundo governo Vargas e o golpe militar de 1964. Uma outra, que sucedeu à expansão da classe média ocorrida durante o "milagre brasileiro", acabou com sucesso parcial de forças mais progressitas, que derrubou o regime militar em 1985, mas que foi concluída com uma solução de compromisso, plasmada na Constituição 1988.

O processo atual ainda está em curso e seu resultado final ainda está para ser decidido. Mas o período do governo Dilma deve ser o palco decisivo dessa disputa pelo poder parcialmente remodelado herdado de Lula. As forças que se fizeram mostrar nas eleições de 2010 é uma boa amostra do que está se movendo nesse espaço político ampliado.

 

 

 
 
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JB Costa

O ideal seria uma pacificação, não no sentido, é claro, de acomodação ou cooptação. Seria uma espécie de pacto(ou que nome queira se dar) pelo qual questões comuns e do mais alto interesse do país prevalecessem sobre os ideários políticos de ocasião.

Observo, inclusive já comentara isso antes, um desejo da nova mandatária convergir para esse ponto. Os sinais dados são fortes e só não os entendem quem não quiser. O último foi esse convite aos ex-chefes de Estado para participarem de jantar com o presidente americano. 

Fica complicado querer percrustar a cabeça dos outros, em especial a de uma mulher que, néofita na praxis política, acaba de assumir o cargo mais importante do país. Para complicar, como sucessora de um estadista do porte do Lula.

Acho que a estratégia política da presidenta Dilma tem por objetivo desarmar e desacreditar os espíritos samurais  que avaliam que o status quo - de beligerência - os beneficiariam politicamente com vista a 2014. O principal deles responde pelo nome de José Serra. 

Nada e ninguém me convence que Serra demonstrará alguma grandeza nesse estágio de transição. O contrário certamente ocorrerá: solapar todas as iniciativas nesse sentido. O que mais lhe resta de opção se rejeitado pela esquerda e visto com desconfiança pelo dito centro? Claro que a extrema-direita truculenta e adepta do quanto pior melhor.

Aí entra o fator Lula. É verdadeiramente desalentador o quanto a grande mídia odeia o ex-presidente. Basta passar um rápido olhar nos jornais de hoje que se atesta isso. É ódio mesmo!

Aí fica a grande dúvida: como Dilma lidará com esse impasse? Como reagirá aos ataques e tratamento mesquinho da grande mídia a seu líder e mentor, a quem ela deve TUDO na vida política? 

Alguém terá que ceder nesta história.

 
 
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DanielQuireza

Concordo JB, mas creio que essa atitude do Serra, se é que ele continuará tendo alguma relevância só ajudará a Dilma em sua reeleição em 2014.

 

@DanielQuireza

 
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mello

Vou  aguardar  o  capítulo  2,  mas  já  estou  assustado...Afonso  Arinos,  da  UDN,  em 1963, Jango  não  teve  pulso,  comício  da  Central...Vou  rever  o  documentário  Jango  ,  com  brizola  e  Arrais  jogando  gasolina  e  Celso Furtado e San Thiago Dantas  querendo  abafar  o  fogo...a  opção  de  Jango.....Hummmm 

 
 
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oswaldo j. baldo

Muita luta, muita vontade, toda a vida  de muitos perdidas e ou dedicadas as mudanças nos leva hoje ao mesmo.

Fica tudo igual, somos um só?

 
 
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Walter Decker

O  Brasil realmente passa por um momento de transição em todos os sentidos, principalmente  social. Com o advento da nova classe média, que não tem nada a ver com aquela dos anos 70 e 80, está havendo um confronto de classes. A tradicional classe média do sudeste e sul sempre teve verdadeiro horror do povão. Essa classe, cujo sonho sempre foi subir na pirâmide social e ficar rica, viu acontecer, depois dos 8 anos de Lula, exatamente o contrário. Foram os pobres que subiram de vida e se aproximaram da velha classe média. Isso dá calafrios nessa turma. É bem aquela ironia do Paulo Henrique Amorim : “ Nossa, agora os shoppings e as faculdades estão cheios de “ pardos “. QUE HORROR ! “. Por outro lado a imprensa conservadora do país sempre incentivou esse confronto. Para ver o resultado basta dar uma olhada diária no fórum dos leitores do Estadão ou nos blogs da Veja. Tudo isso cria no imaginário da velha classe média do sul e sudeste esse clima de “ nós contra eles “. Os brancos contra os negros, sulistas contra nordestinos, os do bem contra os do mal, a velha classe média contra o povão da nova classe média. Tudo isso explodiu na última eleição. No entanto a maioria do povo teve juízo e nós vencemos. Isso é o que importa. Agora passada a eleição acho que temos de baixar um pouco a bola. Tem um pessoal muito ansioso entre os eleitores da Dilma. Vamos dar um tempo e ver como vai ser a evolução desse quadro, sem tanto stress e ansiedade. Já chega o que passamos ano passado.

 
 
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DanielQuireza

É verdade. É mais ou menos aquela coisa: agora, em alguns casos, o filho dos patrões estuda na mesma faculdade do filho dos empregados e isso é complicado para alguns engolir, apesar de negarem sempre. Imagina a concorrência como vai aumentar?

 

@DanielQuireza

 

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