O manifesto dos brancos da UFRGS

Por Eduardo Wagner 

Um bom assunto fora do tema eleições:

Manifesto dos Brancos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

http://www.geledes.org.br/cotas-no-stf/manifesto-dos-brancos-da-universidade-federal-do-rio-grande-do-sul.html

Este texto é um manifesto escrito e subscrito por brancos que compõem a comunidade escolar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele é uma retumbante admissão pública, por nossa parte, de que vivemos em um contexto de exclusão estrutural de negros e indígenas dos benefícios e espaços de cidadania produzidos por nossa sociedade e onde, ao mesmo tempo, é produzida uma teia de privilégios a nós brancos, que torna completamente desigual e desumana nossa convivência. Somos opressores, exploradores e privilegiados mesmo quando não queremos ser. O racismo não é um "problema dos negros", mas também dos brancos. É pelo reconhecimento destes privilégios que marcam toda nossa existência, mesmo que nós brancos não os enxerguemos cotidianamente, que exigimos a imediata aprovação de Ações afirmativas de Reparação às populações negras e indígenas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

No Brasil vivemos em um estado de racismo estrutural. Já é comprovado que raça é um conceito biologicamente inadmissível, só existe raça humana e pronto. Mas socialmente, nos vemos e construímos nossa realidade diária em cima de concepções raciais. Portanto, raça é uma realidade sociológica. Não é uma questão de que eu ou você sejamos pessoalmente preconceituosos. Mas é só olhar para qualquer pesquisa que veremos como existe um processo de atração e exclusão de pessoas para estes ou aqueles espaços sociais, dependendo de sua cor. Não é à toa que não temos quase médicos negros, embora eles sejam a maioria nas filas dos postos de saúde; que quase não vemos jornalistas negros, mas estes são expostos diariamente em páginas policiais; que não temos quase professores negros, especialmente em posições com melhores salários, e vemos alunos negros apenas em escolas públicas enquanto, na universidade pública quase só encontramos brancos.

A situação dos indígenas não é diferente, quando eles ainda sofrem lutando pelo direito mínimo de ter suas terras e aldeias, mesmo isso lhes é surrupiado pelos brancos. Vamos parar com esta falácia de dizer que não aceitamos cotas raciais na universidade, porque não queremos ser racistas: se vivemos no Brasil, se fomos criados nesta cultura, se construímos nossas vidas dentro deste conjunto de relações onde a raça é um elemento determinante, somos todos racistas! Não fujamos da realidade. Não usemos a falsa desculpa de que não queremos criar divisões entre raças no Brasil. Nossa sociedade poderia ser mais dividida racialmente do que já é hoje?

O estudo de Marcelo Paixão intitulado "Racismo, pobreza e violência", compara o IDH dos brancos e dos negros dentro do Brasil. O IDH tenta medir a qualidade de vida das populações, combinando os três fatores que, por abranger, cada qual, uma imensa variedade de outros, seriam os essenciais para a medição: renda por habitante, escolaridade e expectativa de vida. Na última versão do IDH, de 2002, o Brasil ocupa o 73º lugar entre 173 países avaliados, mesmo possuindo todas as riquezas nacionais e sendo o 11º país mais desenvolvido economicamente no mundo. Porém, entre 1992 e 2001, enquanto em geral o número de pobres ficou 5 milhões menor, o dos pretos e pardos ficou 500 mil maior. [Consideram-se brancos 53,7% dos brasileiros; pretos ou pardos, 44,7%, que chamaremos, hora em diante de negros]. O estudo mostra que Brasil dos brancos seria, na média o 44º do mundo em matéria de desenvolvimento humano, ao passo que o Brasil dos negros estaria no 104º lugar!!!

Nada disso é novidade, porém, para quem aceita viver com os olhos minimamente abertos. Temos que reconhecer que vivemos num sistema estruturalmente racista, que se reproduz em cima de mecanismos constantes de exclusão e exploração dos negros e de privilégios naturalizados aos brancos. Em um sistema racista, pessoas brancas se beneficiam do racismo, mesmo que não tenham intenções de serem racistas. Nós brancos não precisamos enxergar o racismo estrutural porque não sofremos diariamente diversos processos de exclusão e tratamento negativamente diferencial por causa de nossa raça. Nossa raça (e seus privilégios) são tornados invisíveis dia-a-dia. Este sistema de privilégios invisíveis a nós brancos é que nos põe em vantagens a todo instante, por toda nossa vida, em todas as situações, e que destroça qualquer tentativa de pensarmos que estamos onde estamos apenas por méritos pessoais. Que mérito puro pode ter qualquer branco de estar no lugar confortável em que se encontra hoje, mesmo que tenha saído da pobreza, dentro de um sistema que lhe privilegiou apenas por ser branco, ao mesmo tempo em que prejudicou outros tantos apenas por serem negros?

Vamos apresentar uma breve listinha de circunstâncias em nossas vidas que expõem nossos privilégios de brancos e que, embora não percebêssemos, embora os víssemos apenas como relações naturais para nós, por sermos pessoas normais e "de bem", foram decisivas para nos trazer onde estamos (e por não serem vivenciados também por negros e indígenas, seu resultado é fazer com que seja tão desproporcional o número destas populações dentro da UFRGS, por exemplo): 1) Sempre pude estar seguro de que a cor da minha pele não faria as pessoas me tratarem diferentemente na escola, no ônibus, nas lojas, etc; 2) Estou seguro de que a cor da pele dos meus pais nunca os prejudicou em termos das busca ou da manutenção de um emprego; 3) Estou seguro de que a cor da pele dos meus pais nunca fez com que seu salário fosse mais baixo que o de outra pessoa cumprindo sua mesma função; 4) Posso ligar a televisão e ver pessoas de minha raça em grande número e muitas em posições sociais confortáveis e que me dão perspectivas para o futuro; 5) Na escola, aprendi diversas coisas inventadas, descobertas, grandes heróis e grandes obras feitas por pessoas da minha raça; 6) A maior parte do tempo, na escola, estudei sobre a história dos meus antepassados e, por saber de onde eu vim, tenho mais segurança de quem sou e pra onde posso ir; 7) Nunca precisei ouvir que no meu estado não existiam pessoas da minha raça; 8) Nunca tive medo de ser abordado por um policial motivado especialmente pela cor da minha pele; 9) Já fiz coisas erradas e mesmo ilegais por necessidade, e nunca tive medo que minha raça fosse um elemento que reforçasse minha possível condenação; 10) Posso ir numa livraria e perder a conta de quantos escritores de minha raça posso encontrar, retratando minha realidade, assim como em qualquer loja e encontrar diversos produtos que respeitam minha cultura; 11) Nunca sofri com brincadeiras ofensivas por causa de minha raça; 12) Meus pais nunca precisaram me atender para aliviar meu sofrimento por este tipo de "brincadeira"; 13) Sempre tive professores da minha raça; 14) Nunca me senti minoria em termos da minha raça, em nenhuma situação; 15) Todas as pessoas bem sucedidas que eu conheci até hoje eram da mesma raça que eu; 16) Posso falar com a boca cheia e ficar tranqüilo de que ninguém relacionará isso com minha raça; 17) Posso fazer o que eu quiser, errar o quanto quiser, falar o que eu quiser, sem que ninguém ligue isso a minha raça; 18) Nunca, em alguma conversa em grupo, fui forçado a falar em nome de minha raça, carregando nas costas o peso de representar 45% da população brasileira; 19) Sempre pude abrir revistas e jornais, desde minha infância, e estar seguro de ver muitas pessoas parecidas comigo; 20) Sempre estive seguro de que a cor da minha pele não seria um elemento prejudicial a mim em nenhuma entrevista para emprego ou estágio; 21) Se eu declarar que "o que está em jogo é uma questão racial" não serei acusado de estar tentando defender meu interesse pessoal; 22) Se eu precisar de algum tratamento medico tenho convicção de que a cor da minha pele não fará com que meu tratamento sofra dificuldades; 23) Posso fazer minhas atividades seguro de que não experienciarei sentimentos de rejeição a minha raça.

Esta realidade destroça meu mito pessoal de meritocracia. Minha vida não foi o que eu sozinho fiz dela. Muitas portas me foram abertas baseadas na minha raça, assim como fechadas a outras pessoas. A opção de falar ou não em privilégios dos brancos já é um privilegio de brancos. Se o racismo, e os privilégios dos brancos são estruturais, as ações contra o racismo devem ser também estruturais. Racismo não é preconceito: racismo é preconceito mais poder. Se não forçarmos mudanças nas relações e posições de poder em nossa sociedade, estaremos reproduzindo o racismo que recebemos. E agora chegou a hora de a universidade dizer publicamente: vai ou não vai "cortar na própria pele" o racismo que até hoje ajudou a reproduzir, estabelecendo imediatamente Cotas no seu próximo vestibular? Se mantivermos o vestibular "cego às desigualdades raciais" estaremos, na verdade, mantendo nossos olhos fechados para as desigualdades raciais que nós mesmos ajudamos a reproduzir sociedade afora.

Nós, brancos da universidade que assinamos esta carta já nos posicionamos: exigimos cortar em nossa própria pele os privilégios que até hoje nos sustentaram. Cotas na UFRGS já!

Leia materia completa: Manifesto dos Brancos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. | Portal Geledés 

Leia materia completa: Manifesto dos Brancos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. | Portal Geledés 

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41 comentários
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silvio de sousa

Nassif,

É de arrepiar!

"Nós, brancos da universidade que assinamos esta carta já nos posicionamos: exigimos cortar em nossa própria pele os privilégios que até hoje nos sustentaram. Cotas na UFRGS já!"

 
 
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Rewmindo Sauim

Os dois últimos governos gaúchos nada fizeram para diminuir esta desigualdade. A própria Universidade também nada fez. Mas vejo que com este manifesto nós gaúchos estamos deixando de ser apenas grossos e nos abrindo para as dificuldades do povo brasileiro

 
 
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Minerva Yemanjá da Silva

Esse texto conseguiu me comover. Como eu ficaria orgulhosa se um filho meu tivesse assinado! Mas eles teriam, se estivessem estudando lá.

Viva a juventude progressista, generosa e corajosa do Brasil e do mundo!

 
 
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Tatu Bola

Que horrorrrrr, a cor tem que importancia mesmo

 
 
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luzete

incrivelmente digno. corajoso. atitude é isto.

aos gauchos, parabéns pela lição.

 
 
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arimateia
 
 
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Nilva de Souza

 

Estou emocionada. É o que posso dizer.

 
 
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Cássio Borges

Prezado Nassif

 

Foi com um pouco de temor que eu li manchete do post, "O manifesto dos brancos da UFRS (sic)". Como estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) do ano de 1996 até o ano de 2001, conheço bastante bem a comunidade universitária da época e a pouca representatividade que negros, mestiços e indígenas tinham nos cursos. Em minha própria turma, de Medicina, dos 140 alunos que naquele ano haviam entrado, apenas duas eram negras. Nem ao menos um mestiço, ou pardo, ou mulatinho, ou qualquer uma das mais de sessenta auto-denominações que o IBGE já registrou dos mestiços do país. Nada.

É com alívio que a comunidade discente de minha "alma mater" publica um manifesto que se declara a favor das cotas raciais. Não há muito a acrescentar a um texto que expõe claramente a fragilidade de nossos mecanismos de ascensão social aos pretos e pardos e indígenas. A universidade pública, gratuita e de qualidade deve ser disponível a todos os brasileiros, deve ser um elemento de inclusão e de oportunidades.

Subscrevo ao manifesto

Cássio Vinícius Aguiar Borges.

 
 
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arimateia

Um documento honesto e corajoso. É um soco no estômago dos hipócritas. Parabéns aos alunos da UFRGS.

 
 
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Antonio Orlando

Só o Militão não percebe o racismo no Brasil...

È preciso que os brancos da UFRGS digam, ao negro Militão, que existe, no Brasil, racismo e que os brancos, no Brasil, via de regra, são previlegiados.

 
 
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Antonio Orlando

Só o Militão não percebe o racismo no Brasil...

È preciso que os brancos da UFRGS digam, ao negro Militão, que existe, no Brasil, racismo e que os brancos, no Brasil, via de regra, são previlegiados.

 
 
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maria regina

Que brancos coloridos!!! É de chorar.

 
 
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Alessandro-Curitiba

Gostaria imensamente ver esse tipo de posicionamento estampado em um grande veículo de comunicaçao.

Infelizmente fica restrito aos guetos.

Que paradoxo.

 

Alessandro

 
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Ed Döer

O correto é UFRGS.

Estranho, estudo lá e não vi nem ouvi falar disso. Fora que não está assinado, não deixando claro quem são ou quantos são esses brancos.

E é muito fácil para quem já está lá dentro ser favorável, e quanto aos que estão tentando entrar? Será que são a favor?

E que eu lembre já existem cotas afirmativas na UFRGS baseadas em cor ou ter estudado em escola pública.

 
 
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João Aguiar

além da sigla da universidade, vc não está mesmo sabendo de nada. a discussão está sendo feita no STF com base na ação contra as cotas promovida pelo DEM e teve a sua origem nas cotas raciais na UFRGS e oriundos do ensino público na UnB.

Concordo totalmente com os privilégios de nós brancos quanto ao acesso à universidade, lá em casa somos dez filhos, oito formados na UnB, três com mestrados e um doutor. família de gênios essa, né?

 

você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte em vida, às vezes. Charles Bukowski

 
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alfredo machado

Caro João Aguiar:

Quer dizer que você concorda totalmente com ”os privilégios de nós brancos...”, é isto?

Acredito que não, pois o né? ao final indica a ironia, mas como você tem prazer em pontuar comentaristas sem necessidade (sei do que falo, né?), deveria prestar mais atenção no que escreve.

Caso seja um dos tres mestres em sua família (sem dúvidas, um belo e raro exemplo), mais razão você me dá.  

Não se iluda, caso pense que é o único capaz de ser grosseiro por aqui, o caso deste seu comentário, útil apenas em relação à boa informação sobre a discussão que ora se trava no STF.

Um abraço

 
 
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ROSE (não-logada)

Bem colocada a questão. E rara, por partir de brancos brasileiros, a parte 'privilegiada' - mesmo que não se dê conta disso, beneficia-se há séculos.

O primeiro passo para tentar solucionar um problema é assumir que o problema existe. Foi isso que fez o pessoal da UFRS nesse manifesto, enquanto a posição da maioria é negá-lo.

Ou ignorá-lo. Só 01 comentário em 01 hora (salvo se for apenas devido à demora para liberação).

 

Goleada sobre os Ali Kamel da vida...

 
 
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Nicolas Lavin

É disparado o melhor manifesto de apoio às cotas que já li e vi. É consciente, com boa linha de argumentação, auto-critico até o fundo da alma, mas antes de tudo, humano e emocionante. Parabéns maiusculo aos assinantes do manifesto.

Saudações

Nicolás

PS: que seja espalhado pelo mundo!

 
 
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João P.
 
 
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Marroni

Vivo fora do Rio Grande há mais de 28 anos e não posso deixar de reconhecer o valor da gente da minha terra, da minha querência. Oigaletê indiada macanuda essa!.

Aos descendentes dos lanceiros negros  dos idos 1835, heróis da revolução farroupilha, o reconhecimento e o resgate de uma irmandade feita de sangue, vermelho como o lenço, pelos seus devedores, agora, antes do nunca.

Coragem, que o nosso Brasil é uma construção de todos esses atos reparadores e emancipatórios!

Mais uma dívida que se resgata.

 

 

Somos a consequência de nossas escolhas.

 
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Pedro Germano Leal

Meu aplauso.

 
 
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nadja rocha

Munca na história desse país...

 
 
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luisão

Fui estudante da UFRGS.Sou branco. Fico orgulhoso ao ler um manifesto desses! O Brasil ainda tem jeito. Pela democracia racial JÁ!!!!!!!

 
 
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Regina

Comecei a ler com temor.

Aos poucos fui me surpreendendo e emocionando.

Parabéns aos alunos. Bela inciativa. Merece ser amplamente divulgada.

É o nosso país, mesmo com o PIG e manifesto de aloprados, aos poucos se democratizando, se solidarizando, ficando mais humano e bonito. A cada dia um melhor lugar para vivermos.

 
 
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JB Costa

Simplesmente arrasador. São manifestações dessa espécie que me resgatam do fundo do poço do qual me encontro com relação à descrença nos seres humanos.

Mais um ponto na minha admiração pelo grande povo gaúcho.

 
 
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JB Costa

Uma coisinha mais: lembrai-vos gaúchos que tendes um cidadão exemplar e guerreiro nessa luta contra qualquer tipo de racismo: Paulo Paim. Político que honra qualquer parlamento deste planeta.

 
 
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cabocla

com a palavra mouro e militão...

 
 
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Danilo Morais

Parabéns pela iniciativa dos/das estudantes da UFRGS. Parabéns também a você Nassif por ter postado este belo texto.

 
 
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Maicon Faria

Vão cortar na própria carne como, se já são alunos da UFRGS ?

Eu lembro do dia que propus para profs., defensores de cotas, sortear 30% das posições de prof. das UFs para recontratação usando critério de cotas... foi uma gritaria de direito adquirido sem igual.., pimenta nos olhos dos outros é refresco !

 
 
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fariajos

Maicon, isso deve ser visto com serenidade e bom-senso. Ninguém está propondo desestruturar coisas já estruturadas(como nesse seu exemplo de recontratação, que mexe com estruturas familiares já consolidadas) mas de estruturar coisas novas, a partir de um novo início (no ingresso à universidade). É um novo começo, não uma revolução.

Equidade, é a palavra. O mérito encontra aí sua real medida: que entrem os primeiros daqueles cujas oportunidades foram maiores, e os primeiros daqueles cujas oportunidades foram menores. Obviamente há uma vala entre os dois grupos. Iguala-os o fato de serem os melhores (não os mais bem colocados). Fica mais díficil para os que sempre tiveram maiores facilidades, e mais fácil para os que sempre tiveram maiores dificuldades.

Se branco, precisa estudar mais, porque as vagas, na prática, diminuiram. Se negro, tem agora uma motivação para estudar mais para estar entre os primeiros, pois agora há uma chance real de ser bem sucedido.

Como um todo, teremos estudantes mais aplicados. E motivados. Ruim, não será.

O bonito desse manifesto, ao contrário do que apontaram muito dos comentadores aqui (sobre a relevância disso acontecer entre os que já cursam a universidade) é que esse manifesto dissolve a continuidade da discriminação entre os já admitidos, arejando o convívio intra-universitário. Melhor e mais civilidade, impossível. É de tirar o chapéu.

 
 

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