O manifesto de André Lara Resende, por J. Carlos de Assis

O manifesto revolucionário de André Lara Resende

J. Carlos de Assis*

Caetano Veloso chamou minha atenção para um artigo de André Lara Resende no “Valor”. Fui consultar e vi que Luís Nassif já havia demolido o artigo com a conhecida competência em sua coluna. Contudo, diante da confusão que Caetano aprontou no “Globo”, com sua sincera confissão de que nada entende de economia embora queira entender tudo, acho conveniente dar uma contribuição ao debate a partir da tese central conclusiva de André, ou seja, de que o mundo deve se contentar com crescimento zero.

Isso talvez possa ser bem entendido por um economista de mercado, mas é péssima economia política. Pessoas ricas como André podem aceitar a inevitabilidade do crescimento zero porque, afinal, em seu nível de riqueza, não precisam ganhar mais ano a ano: basta repetir a renda passada. Entretanto, existe um problema: os que ganham pouco, ou muito pouco, situados nas esferas mais baixas de renda, só têm chance de aumentar sua renda em duas hipóteses: se a economia crescer como um todo, para que se distribua a renda em crescimento, ou se fizerem uma revolução violenta para se redistribuir a riqueza acumulada.

Aprendi isso com minha querida professora Maria da Conceição Tavares ainda em meu curso de graduação de meados dos anos 70. Riqueza é quase impossível de se distribuir (sem violência), dizia Conceição. Se quiserem distribuir alguma coisa, distribuam renda. E é preciso que a renda cresça para que ela possa ser distribuída de uma maneira virtuosa, promovendo indiretamente distribuição de riqueza na margem, para que uma sociedade tenha o mínimo de equilíbrio social e estabilidade política. Duvidam? Lembrem-se do projeto do então senador Fernando Henrique para taxar a riqueza: ele se esqueceu totalmente dele quando chegou à Presidência, e nem Lula teve coragem de tocar no assunto!

André Lara Resende talvez não saiba, mas ele, com seu malthusianismo, está pregando a revolução. O congelamento da renda média, numa sociedade de classes onde o poder econômico influi decisivamente no poder político, resulta inevitavelmente na expropriação de renda nos escalões inferiores para suprir o aumento de renda nos estratos superiores. Ou acaso as empresas deixarão de buscar aumento de renda ano a ano para atender a seus acionistas? Aos de baixo, pois, restará a alternativa da revolução violenta para melhorar a renda.

É preciso dizer que isso já está acontecendo na Europa. André apenas racionaliza o fenômeno. O Estado de bem estar social construído no pós-guerra, até os anos 80, está sendo destruído pelas políticas econômicas neoliberais em curso mediante os cortes dos gastos públicos, de salários e de direitos previdenciários. Estão tomando de volta o que deram durante a Guerra Fria para afastar o perigo comunista. Agora que a União Soviética acabou, a social democracia europeia (não a nossa, de fancaria) tornou-se tão dispensável quanto o próprio comunismo. Portanto, até a próxima revolução!

*Economista e professor, autor com Francisco Antônio Doria do recém-lançado “O Universo Neoliberal em Desencanto”, Ed. Civilização Brasileira.

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30 comentários
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pedro.nardelli

Fica a sugestão de análise http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/19497/a+revolta+da+burguesia+assalariada.shtml

 
 
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Flávio Furtado de Farias

E por falar em manifesto, que tal o Um Manifesto da Cinelândia, por Pedro Rios Leão (que está em greve de fome em frente a Globo em protesto contra o PIG devido ao ocorrido em Pinheirinho) ?

http://partidodaimprensagolpista.wordpress.com/2012/01/30/um-manifesto-da-cinelandia/

 

Flávio Furtado de Farias

 
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Gilberto .

Um alemão que se junta a esta crítica:

CRISE DA DÍVIDA Dez ideias para sair do absurdo


27 janeiro 2012

SÜDDEUTSCHE ZEITUNG MUNIQUE


Beppe Giacobbe

Embora seja incompreensível, emprenhou-se nos hábitos sociais: há anos que despojamos a coletividade e que arruinamos a democracia, denuncia Ingo Schulze. O escritor alemão divulga as suas dicas para restabelecer o bom senso. Excertos.

Ingo Schulze

Já não escrevia artigos há cerca de três anos, pela simples razão de que já não sabia o que escrever. Salta tudo à vista: o desmoronamento da democracia, a crescente polarização económica e social entre ricos e pobres, o fracasso do Estado social, a privatização e, por conseguinte, a comercialização de todos os aspetos da vida, e assim sucessivamente.

Quando, dia após dia, o absurdo nos é apresentado como algo natural, é normal que acabemos, mais cedo ou mais tarde, por nos sentirmos doentes e assumirmos um comportamento desviante. Segue-se um resumo de algumas considerações que me parecem importantes: 

1. Falar de atentado à democracia é um eufemismo. Uma situação na qual a minoria de uma minoria está legalmente autorizada a prejudicar gravemente o interesse geral em nome do enriquecimento pessoal, define-se como pós-democrático. O culpado não é mais do que a própria coletividade, incapaz de eleger representantes aptos para defender os seus interesses.

2. Todos os dias é-nos repetido que os governos devem “recuperar a confiança dos mercados”. Por “mercados”, entende-se principalmente as bolsas e os mercados financeiros, por outras palavras, os atores da esfera financeira que especulam por conta de outrem ou por interesse próprio, com o intuito de obter o maior lucro possível. Foram estes que despojaram a coletividade de montantes astronómicos. E, agora, deveriam os representantes supremos do povo lutar para recuperar a sua confiança?

3. Indignámo-nos merecidamente com a conceção de Vladimir Putin de uma democracia “dirigida”. Mas por que razão não foi Angela Merkel obrigada a demitir-se na altura em que esta falava de “democracia conforme aos mercados”?

4. Favoráveis à queda do bloco de Leste, certas ideologias transformaram-se em hegemonias, e a sua influência foi tal que pareceu natural. Considerada um fenómeno positivo em todos os aspetos, a privatização serve de exemplo. Tudo o que permanecia nas mãos da coletividade era considerado ineficaz e contraditório aos interesses do cliente. Deste modo, vimos emergir um clima que iria, mais cedo ou mais tarde, privar a coletividade do seu poder.

5. Outra ideologia cujo sucesso também foi retumbante: o crescimento. “Sem crescimento, não há nada”, proferiu a chanceler há já alguns anos. Não se pode falar de crise sem mencionar estas duas ideologias.

6. A língua utilizada pelos responsáveis políticos que alegadamente nos representam já não está em sintonia com a realidade (vivi uma situação similar na RDA). É a língua das certezas, que deixou de ser posta à prova na vida real. A política não passa hoje de um meio, um fole de ferreiro cuja razão de ser é atiçar o crescimento. O cidadão está reduzido ao papel de consumidor. Contudo, o crescimento em si não significa nada. O ideal para a sociedade seria um playboyque consumisse o máximo de coisas num período de tempo mínimo. Uma guerra poderia desencadear um considerável aumento do crescimento económico.

7. As questões simples: “Quem tira partido disso”, “Quem lucra com isso”? são atualmente consideradas inconvenientes. Não estamos todos no mesmo barco? Quem se interroga é visto como o apóstolo da luta das classes. A polarização social e económica da sociedade é fruto de um tumulto de evocações, segundo os quais teremos todos os mesmos interesses. Basta atravessar Berlim. Nos bairros de luxo, os únicos edifícios que não foram renovados são, normalmente, as escolas, as creches, os lares de idosos, as piscinas ou os hospitais. Nos bairros chamados “problemáticos”, os edifícios públicos não renovados são menos frequentes. O nível de pobreza é avaliado com base nas cáries da dentição. Hoje, ouve-se muitas vezes o discurso demagógico que consiste em dizer que vivemos todos acima dos nossos meios, que fomos todos gulosos.

8. Os nossos eleitos projetaram e continuam a projetar sistematicamente a coletividade contra a parede ao privá-la das suas receitas. A taxa máxima de tributação alemã foi reduzida de 53% para 42% pelo governo de Schröder, e o imposto sobre as sociedades foi praticamente dividido em dois entre 1997 e 2009, fixando-se nos 29,4%. Logo, ninguém deveria ficar surpreendido por ouvir dizer que os cofres estão vazios, quando o nosso produto interno bruto aumenta de ano para ano.

9. Vou contar-vos uma história: o que outrora nos era descrito como uma divergência profunda entre a Alemanha de Leste e de Oeste é-nos hoje apresentado como uma disparidade radical entre os países. No passado mês de março, estava no Porto, em Portugal, a apresentar a tradução de um dos meus livros. De um momento para outro, uma questão proveniente do público perturbou o ambiente, até então amigável e interessado. De repente, não passávamos de alemães e portugueses sentados frente a frente a olhar-se com desconfiança. A questão era desagradável: será que não tínhamos a sensação, quer dizer, será que eu, enquanto alemão, não tinha a sensação de concretizar com o euro o que não tínhamos conseguido concretizar outrora com os nossos panzers (tanques)? No público, ninguém o censurou. E, como era de esperar, reagi instintivamente, isto é, enquanto alemão: magoado, respondi que ninguém era obrigado a comprar um Mercedes, e que os portugueses deviam considerar-se felizes por obter créditos mais competitivos do que no setor privado. Após proferir estas palavras, ouvi a voz dos meios de comunicação social alemães.

Durante a confusão que seguiu as minhas afirmações, caí finalmente em mim. E como tinha o micro na mão, balbuciei no meu inglês macarrónico que a minha reação tinha sido tão absurda como a deles, e que caímos todos na mesma asneira ao defender instintivamente as cores da nossa nação, como no futebol. Como se o problema derivasse dos alemães e dos portugueses, e não das disparidades entre ricos e pobres, e portanto daqueles que, tanto em Portugal como na Alemanha, estão na origem desta situação e tiram proveito dela.

10. Estaríamos numa democracia se a política, através dos impostos, do direito e dos controlos, interviesse na estrutura económica existente e obrigasse os atores dos mercados a seguir uma certa via compatível com os interesses da coletividade. As questões que convém colocar são simples: “Quem tira partido disso”? “Quem lucra com isso”? Será vantajoso para a coletividade? O que equivale, no fim de contas, a questionar-nos o seguinte: Que sociedade pretendemos? Eis o que seria, na minha opinião, a democracia.

Termino aqui. Poderia falar-vos do resto, de um professor que confessou reconciliar-se com a visão do mundo que tinha aos 15 anos, de um estudo da escola politécnica de Zurique, que estudou a interpenetração das empresas para chegar ao número 147 – 147 grupos que partilham o mundo, e cujas 50 maiores potências são bancos e seguradoras, poderia também muito bem dizer-vos que convém reconciliar-se com o bom senso e encontrar pessoas  que partilham o mesmo ponto de vista que nós, porque não podemos ser os únicos a falar uma língua. E dir-vos-ia que voltei a ter vontade de abrir a boca.

 

Gilberto . @Gil17

 
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W K

Esse alemão que é escritor, não é econo-astrólogo, matou a pau nessa frase:

 

2. Todos os dias é-nos repetido que os governos devem “recuperar a confiança dos mercados”. Por “mercados”, entende-se principalmente as bolsas e os mercados financeiros, por outras palavras, os atores da esfera financeira que especulam por conta de outrem ou por interesse próprio, com o intuito de obter o maior lucro possível. Foram estes que despojaram a coletividade de montantes astronómicos. E, agora, deveriam os representantes supremos do povo lutar para recuperar a sua confiança?

 

Eu acresentaria o seguinte: Grana, bufunfa, dinheiro, crédito (e nomes parecidos) é tão somentemente a commodity mais básica de todas. Mais básica ainda do que água, do que o sol, do que ar.

E os mercadores dela se fantasiam como se fossem deuses. Não, essa é a forma errada de tratar estes mercadores.

Pra resolver isso, deveríamos ter uma espécie de "Taxa de Juros ABNT", isto é, uma fórmula de cálculo de juros. E essa taxa de juros deveria, tal como nos restaurantes, ser afixada na vitrine dos bancos, e legível do outro lado da rua, para quem tem visus normal nos olhos (não usa óculos).

Pronto, a partir daí, todos os bancos serão iguais, e o cidadão poderá escolher quem tiver a melhor taxa. E esses mercadores iriam suar para faturar.

Ah, e acrescentaria ainda a portabilidade de empréstimos: Você não está satisfeito com a taxa de juros cobrada no seu empréstimo / cheque especial / cartão? Então passe em outra agência, avise o gerente que você quer portar o tal empréstimo, o banco liquida lá e você continua a pagar no novo banco.

 
 
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Gilson AS

E por falar em Caetano Veloso, o que será que o chato achou, da demolição de Pinheirinho pelo seu partido.

Diz aí Caê meu rei ! 

 

gAS

Cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é guiada pelos seus pensamentos. Salomão

 
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Antônio CDS

Bem lembrado...

E queria saber também a opinião da Rita Lee e da CNBB.

 
 
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Vânia

E por falar em Caetano Veloso...

Re: O manifesto de André Lara Resende, por J. Carlos de Assis
 
 
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Erick M

Talvez mais importante que a taxação de grandes fortunas que pode, simplesmente, afugentar patrimônio (poupança) do País, seja mais inteligente mudar o cálculo do IR. A progressividade deveria ser maior, com alíquotas também maiores para altas faixas de renda (p. ex., 40% para quem ganha acima de 20 mil reais).

O dinheiro extra da arrecadação do IR poderia ser fonte permanente de custeio da Saúde Pública que, com melhor gestão, para muitos significaria - no longo prazo, até por questões culturais - trocar o Plano de Saúde por um IR maior, com a vantagem que a contribuição seria solidária, não contributiva (paga quem pode e quanto pode, para todos)!

 

Erick

 
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Jofran Oliva

R$20.000,00/ano está próximo da renda média do trabalhador brasileiro, ou seja 2,5 salários mínimos por mês, é uma renda baixa. Acho que deveria ter alíquotas crescentes para faixas de  R$10.000,00 de intervalo, exemplo para R$20.000 - R$30.000,00,  R$30.000,00 - R$40.000,00, até os R$100.000,00, creio que dessa maneira seria mais justo para todos.

 

Jofran Oliva

 
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Erick M

Na verdade, pensei em 20 mil mensais, mas apenas a título de exemplo. O que importa é que seja progressivo, como você indica.

 

Erick

 
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AntonioMorais

A solução, parece, é crescimento zero para a renda dos muitos ricos e, como disse a presidenta Dilma, trabalhar para um país de classe média.

 
 
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Assis Ribeiro

O texto aponta que só existe duas formas de crescimento.

O Aumento da produção para os que estão no andar de baixo consumam tanto quanto os do andar de cima. O planeta não conseguirá produzir para tantos.

Distribução de riqueza com menos consumo superfluo se quisermos nos manter a crescimento zero.

Se não for por este caminho teremos recessão braba.

O mundo se auto ajusta independente da vontade do homem. Isso também se chama evolução.

 

 

Assis Ribeiro

 
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Clever Mendes de Oliveira

Assis Ribeiro (segunda-feira, 30/01/2012 às 12:01),


O texto a que você se refere quando diz: "O texto aponta que só existe duas formas de crescimento", deve ser o texto de José Carlos de Assis e não o de André Lara Resende.


Pelo que eu li, José Carlos de Assis defende o crescimento econômico como forma de distribuir renda e não riqueza. Não creio que este modelo possa ser expresso na forma indicada por você na frase que transcrevo a seguir:


"O aumento da produção para os que estão no andar de baixo consumam tanto quanto os do andar de cima. O planeta não conseguirá produzir para tantos".


Para mim, José Carlos de Assis quer o crescimento econômico, mas certamente defende um crescimento moderado que fique dentro da realidade do planeta para os próximos cinqüenta anos.


A alternativa a isso seria o crescimento zero proposto pelo André Lara Resende que para José Carlos de Assis leva a revolução. Assim não penso que a alternativa que José Carlos de Assis sugere tenha sido como está na sua frase transcrita a seguir:


"Distribução de riqueza com menos consumo superfluo se quisermos nos manter a crescimento zero".


Esta frase me pareceu uma alternativa sua, que eu gostaria que fosse factível, mas que pelo que disse o José Carlos de Assis requer uma revolução. Gostaria que esta alternativa fosse factível agora, mas não me preocupo com o fato de ela não ser factível porque me parece que ela pode ser postergada.


Haverá um momento em que a proposta de André Lara Resende de crescimento zero não só será factível como necessária, imprescindível e inadiável. Ai o modelo será semelhante ao que você propôs e como também ao modelo de Nicholas Georgescu-Roegen que foi bem resumido no parágrafo transcrito a seguir do artigo de José Eli da Veiga, publicado no Valor Econômico de 08/02/2008 e intitulado “Reabilitar Georgescu”. Disse lá José Eli da Veiga:


“Para que o tão badalado desafio da "sustentabilidade" possa ser discutido com algum rigor, nada mais aconselhável do que as oito normas de seu sarcástico "programa bioeconômico mínimo", formulado em 1976. Primeiro, banir totalmente não apenas a própria guerra, mas a produção de todo e qualquer instrumento que tenha essa finalidade. Segundo, ajudar os países menos desenvolvidos a obter existência digna, mas em nada luxuosa, com a maior rapidez possível. Terceiro, reduzir progressivamente a população mundial até um nível no qual uma agricultura sem petróleo baste à sua conveniente nutrição. Quarto, evitar todo e qualquer desperdício de energia -se necessário por drástica regulamentação - enquanto se espera que se viabilize a utilização direta de energia solar, ou que se consiga controlar a fusão termonuclear. Quinto, curar a sede mórbida por bugigangas extravagantes, para que cesse a sua produção. Sexto, acabar também com essa doença do espírito humano que é a moda, para que fabricantes se concentrem na durabilidade. Sétimo, investir pesadamente na concepção de mercadorias que sejam as mais duráveis. Oitavo, reduzir o tempo de trabalho e redescobrir a importância do lazer para uma existência digna".


O endereço do artigo “Reabilitar Georgescu” que se encontra no site do professor José Eli da Veiga é:


http://zeeli.pro.br/old_site/artigos_valor/[99]Reabilitar_Georgescu_08-02-08.pdf


Deixo aqui mais dois links que penso serem importantes. Um, o do post de Luis Nassif a que o José Carlos de Assis se referiu. Trata-se do post “André Lara Rezende, o demiurgo de uma nota só” de sexta-feira, 20/01/2012 às 11:33 e que pode ser visto no seguinte endereço:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/andre-lara-rezende-o-demiurgo-de-uma-nota-so


Aproveito para lembrar que fiquei de enviar um comentário para junto do comentário de Sânzio de sexta-feira, 20/01/2012 às 12:23, e que se encontra na primeira página do post “André Lara Rezende, o demiurgo de uma nota só”. Eu já estava na oitava página de comentário quando alguém me chamou para dormir. Só agora eu vi que o comentário está inacabado, Escrevo ainda umas duas a três páginas e depois o divido em uns dez comentários e os envio. A ressaltar que uma das críticas que eu fazia ao post "André Lara Rezende, o demiurgo de uma nota só" era o fato de Luis Nassif ter sido muito duro na crítica a André Lara Rezende, não  considerando que pelo menos em um futuro mais à frente a proposta de André Lara Resende não só será factível como necessária. Não posso omitir, entretanto, que, para José Carlos de Assis, Luis Nassif já havia demolido o artigo [de André Lara Resende] com a conhecida competência.


O segundo post também no blog de Luis Nassif é “Políticas sociais para reinventar o capitalismo” de sexta-feira, 27/01/2012 às 08:00 (Foi atualizado posteriormente para 14:48) e que constituiu a Coluna Econômica de Luis Nassif da sexta-feira, 27/01/2012. O endereço do post é:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/politicas-sociais-para-reinventar-o-capitalismo


No post Luis Nassif faz a consolidação do artigo de Martin Wolf "As 7 lições para consertar o capitalismo" e que foi publicado no Valor Econômico de sexta-feira, 26/01/2012. E junto ao post eu fiz um comentário, enviado sexta-feira, 27/01/2012 às 13:22, para junto de um dos seus comentários (O que fora enviado sexta-feira, 27/01/2012 às 08:13). Chamo a atenção mais para um comentário que eu enviei sábado, 28/01/2012 às 18:29, para o comentário de Alexandre Weber - Santos –SP enviado sexta-feira, 27/01/2012 às 21:50.


Encerro aqui, com uma menção ao post “O capitalismo de Estado brasileiro” de sexta-feira, 26/08/2011 às 15:00 e que pode ser visto aqui no blog de Luis Nassif no seguinte endereço:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-capitalismo-de-estado-brasileiro


O post “O capitalismo de Estado brasileiro” consiste de uma chamada de Raquel_ para artigo na Carta Capital de 25/08/2011 às 17:54h de autoria de Vladimir Safatle e intitulado “Nação cartelizada”. Chamo a atenção para o post “O capitalismo de Estado brasileiro” pelo comentário que eu enviei sexta-feira, 26/08/2011 às 20:58, para o comentário de Cláudia Stefani, enviado sexta-feira, 26/08/2011 às 14:27. Embora a discussão do artigo de Vladimir Safatle se refira mais a concentração do capital no capitalismo brasileiro e que parece um tanto distante da discussão que André Lara Resende trouxe sobre o crescimento zero no mundo, o artigo retrata uma realidade mundial como bem diz Morales em um comentário que ele enviou sexta-feira, 26/08/2011 às 17:05 e diz respeito a uma alternativa de modelo de sistema econômico que se terá no futuro: uma grande empresa mundial ou milhões de empresas de praticamente funcionários públicos, pois não mais seriam geridas pelo crescimento, lucro e reinvestimento com base, portanto, no espírito animal do capitalismo.


Como em meu comentário para Cláudia Stefani eu faço referência elogiosa a José Carlos de Assis, e também a fase final de superação do capitalismo, penso que vale fazer mais um comentário aqui com a transcrição do meu comentário para ela. O elogio a José Carlos de Assis eu estendo também para este artigo "O manifesto revolucionário de André Lara Resende". Aliás, o artigo vai poupar-me de escrever as mesmas coisas no comentário que eu ainda pretendo enviar para Sânzio junto ao post "André Lara Rezende, o demiurgo de ua nota só" e assim talvez eu possa fazer um comentário menor.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 30/01/2012

 
 
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Clever Mendes de Oliveira

Assis Ribeiro (segunda-feira, 30/01/2012 às 12:01),


Comentei que iria deixar aqui a transcrição do comentário que eu enviei sexta-feira, 26/08/2011 às 20:58, para o comentário de Cláudia Stefani, enviado sexta-feira, 26/08/2011 às 14:27 junto ao post “O capitalismo de Estado brasileiro”. Na parte inicial do meu comentário eu deixo o link para o post "Sobre a economia ecológica" e que eu penso ser um post muito pertinente para o debate sobre uma política de crescimento econômico zero. Disse eu lá para ela o seguinte (Provavelmente eu venha a suprimir qualquer link que eu já deixei em meu comentário anterior e venha a corrigir um ou outro erro que eu perceber que tenha cometido ou esclarecer alguma passagem mais obscura):


 * * * *


"Cláudia Stefani (sexta-feira, 26/08/2011 às 14:27),


Não sou economista e o meu comentário seria destinado a Raquel_, autora da chamada para o artigo "Nação cartelizada" de Vladimir Safatle que fora disponibilizado na CartaCapital em 25/08/2011 às 17:54h. Não havia no meu comentário [Que eu preparara para Raquel-) a resposta às suas indagações, mas penso que o que eu ia dizer para Raquel_  ajuda um pouco a responder o que você apresentara como dúvida.


A Raquel_ tem feito boas chamadas para artigos interessantes na área de economia solidária e ecológica. No caso do artigo de Vladimir Safatle, o assunto é outro, mas para o comentar, ele se apoiou na política para o setor alcool-açucaleiro (ou sucro-alcooleiro) que tem repercussão na área ecológica. Como exemplo de post mais recente que originou de chamada de Raquel_, eu lembro do post "Sobre a economia ecológica" publicado aqui no blog de Luis Nassif terça-feira, 23/08/2011 às 08:56, em que ela trouxe a entrevista com Andrei Cechin publicada no IHU. Em 2008, Andrei Cechin defendeu tese sobre Nicholas Georgescu-Roegen. As idéias de Nicholas Georgescu-Roegen são excelentes, mas não creio que elas serão adotadas no mundo de modo integral, com um governo mundial, antes dos próximos cinqüenta anos. O endereço do post "Sobre a economia ecológica" é:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/sobre-a-economia-ecologica


O capitalismo tem seu ritmo. Não sou defensor do capitalismo. Não comparo os mortos do sistema comunista com os mortos do sistema capitalista, principalmente porque ninguém fez as contas das mortes nesse último sistema. Dos velhos que são jogados na sarjeta, das crianças que morrem de fome, de água poluída ou ao desabrigo, dos adultos que para sobreviver têm que roubar e matam e se matam, ou parodiando Olavo Bilac, "vão ficando atrás no derradeiro sono".


Não sou defensor do sistema capitalista nem penso que o melhor é se bater contra o capitalismo para o destruir. Para mim melhor seria alimentá-lo para que ele possa ser superado. O germe que o alimenta é o mesmo que o destrói.


E o que alimenta o capitalismo? É o Estado. E o que faz o Estado forte? É a carga tributária. Ao saímos da atual crise econômica mundial, provavelmente a partir de 2015, a carga tributária nos países mais ricos do mundo terá subido mais um degrau. De uma faixa de cerca de 37% do PIB, a carga provavelmente irá para uns 38%. O germe que alimenta o capitalismo (o Estado) é o mesmo que o destrói (o Estado = Carga tributária).


Gostei do texto de Vladimir Safatle. Não concordo com o comentário de Alexandre Weber - Santos -SP, de sexta-feira, 26/08/2011 às 14:52 de que Vladimir Safatle teria chovido no molhado. Ele disse muita coisa. Por exemplo, ele denunciou de modo geral a oligopolização de setores estratégicos da economia brasileira e denunciou de modo específico o processo de oligopolização do setor alcool-açucareiro feito com o beneplácito governamental.


Ele enfatizou a capacidade da atuação do Estado para reverter a crise de 2008, mostrando que os países onde o Estado era mais presente se saíram melhor.


Não concordo, entretanto, com ele [em relação ao oligopólio]. A oligopolização, eu a defendo. E então um pouco para responder a você se não inteiramente pelo menos em parte, eu transcrevo a seguir o comentário (#64) que enviei em 24/06/2010 às 02:31 am (numeração e data só são obtidas se não se deixa baixar o "Intensedebate") para junto do post "Serra e o BNDES" de 22/06/2010 no blog de Na Prática a Teoria é Outra e que pode ser visto no seguinte endereço:


http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6454


Lá então eu disse o seguinte (Com acertos e acréscimos que eu achar melhor realizar):


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"Na Prática a Teoria é Outra,


Pode ser que no fim da história o capitalismo seja pulverizado. Pode ser que quando se chegar ao final haverá milhares de pequenos empresários que seriam quase uma espécie de assalariados recebendo a renda mínima do Suplicy. O modelo certamente não seria capitalista, pois não haveria lugar para o crescimento econômico e, portanto, se prescindiria do espírito animal.


Isso, entretanto, é para o fim da história. Hoje, para que haja crescimento econômico é preciso que haja investimento, e para que haja investimento é preciso que haja concentração de capital. Só grandes conglomerados tem lucro suficientemente grande para investir ou tem capacidade para tomar dinheiro em grande quantidade e investir esse credito obtido. A geração de emprego precisa de grandes empresas [Ainda que as grandes empresas por serem mais eficientes reduzam a oferta global de postos de trabalho].


Delfim Netto tem passando os últimos vinte anos para tentar explicar que foi isso [criar grandes empresas] que ele procurou fazer durante o período em que foi ministro da Fazenda. Às vezes parece-me que ele mais interessa em rebater o trabalho investigativo daquelas tentativas de formação de grandes cartéis que José Carlos de Assis, jornalista, economista e filósofo, autor de três obras clássicas (“A chave do Tesouro – Anatomia dos escândalos financeiros no Brasil 1974/83″, “Os mandarins da República” e “A dupla face da corrupção”) realizou e transformou em crítica ao modelo.


Dou razão ao José Carlos de Assis, mas dou razão ao Delfim Netto também. Penso que Delfim Netto superestimou a capacidade do empresariado brasileiro, direcionou muito os recursos para São Paulo e não quis arriscar com a formação de grandes empresas estatais que poderiam ser formadas com um corpo técnico mais preparado e posteriormente serem vendidas à iniciativa privada, mas [Antonio Delfim Netto] tinha a exata compreensão da natureza do sistema capitalista e como fazer para o alavancar. [Talvez tenha feito a coisa certa, mas de modo errado] E ainda cabe responsabilizar Delfim Netto pelo descaso pela arrecadação tributária. No final do governo de Ernesto Geisel a arrecadação atingiu 27% do PIB. Delfim Netto entregou a arrecadação para José Sarney na faixa de 24% do PIB.


É essa política de Delfim Netto, só que agora ela ocorre com aumento da carga tributária, que o José Serra parece combater. Só que José Serra parece que já não se põe tão contrário ao aumento do tributo como antigamente (Os políticos paulistas para terem o apoio do empresariado paulista sempre combateram o aumento da carga tributária). [Como a campanha contra o aumento do tributo deixaria José Serra mal diante do esforço que ele fizera para aumentar a arrecadação do ICMS quando fora governador de São Paulo, principalmente por ter apelado para a Substituição Tributária (Acréscimo ao comentário original)] só restou para ele combater a formação dos grandes grupos com o dinheiro público. Não creio que uma boa política desenvolvimentista possa ser feita com a pulverização do crédito pelo BNDES. José Serra sabe disso, mas não resta muita bandeira para ele carregar."


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Bem ao reler o meu comentário lembrei-me de outra crítica que eu faria ao texto de Vladimir Safatle. No trecho a seguir transcrito eu considero que ele exagerou. Disse ele:


"Os oito anos de governo tucano, a despeito de destruir os restos do “Estado getulista” em sua aliança com a burguesia nacional, aliança que, segundo diagnóstico muito corrente à época, teria bloqueado o desenvolvimento e a inovação, acabara por produzir uma situação de terra arrasada."


Sim houve muito disso de que ele fala, mas a situação de terra arrasada não era completa. No governo de Fernando Henrique Cardoso, a carga tributária deve ter passado de cerca de 28% do PIB para cerca de 33% do PIB. Um aumento de quase 20%. Na verdade, sou crítico do governo de Fernando Henrique Cardoso, mas esse aumento da carga tributária eu vejo como uma herança bendita. E só faz sentido de o chamar de neoliberal dentro do conceito de neoliberal que G. Henrique de Barroso Franco defende e foi incorporado ao post "Gustavo Franco e a crise global" de segunda-feira, 08/08/2011 às 13:03 aqui no blog de Luis Nassif e originado de chamada de JB Costa para entrevista concedida a Eleonora de Lucena por G. Henrique de Barroso F. e saída na Folha de S. Paulo na seção Entrevista de 2ª com o subtítulo "Exaustão fiscal global está na origem de turbulência". Deixo o link para o post "Gustavo Franco e a crise global", já na segunda página, pois lá estão uns seis comentários meus em que eu procurei mostrar para JB Costa o entendimento que eu considero errado que ele e a maioria tem a respeito de G. Henrique de Barroso F. O endereço do post "Gustavo Franco e a crise global" na sua segunda página é:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/gustavo-franco-e-a-crise-global?page=1


Lembro ainda que no post dever-se-ia fazer um link para um artigo recente de Antonio Delfim Netto no Valor Econômico. Trata-se do artigo "Ainda não é o fim do capitalismo", publicado em 23/08/2011 e que pode ser visto no seguinte endereço:


http://www.valor.com.br/opiniao/984120/ainda-nao-e-o-fim-do-capitalismo


Com mais tempo, e melhor elaboração, Antonio Delfim Netto faz afirmações bem parecidas às que G. Henrique de Barroso F. fizera antes sobre o fim do capitalismo, e provavelmente fizera as declarações totalmente desapetrechado [Se bem que hoje com um celular 3G e o google não há ninguém desapetrechado].


Aliás, a coincidência das opiniões de G. Henrique de Barroso F. não é só com Antonio Delfim Netto. Em artigo, bem verdade que anterior, pois de 07/08/2011, Paul Krugman dissera a respeito das agências de risco algo bem próximo ao que G. Henrique de Barroso F. diria no dia seguinte como se pode ver no link a seguir:


http://www.nytimes.com/2011/08/08/opinion/credibility-chutzpah-and-debt.html?hp


O artigo de Paul Krugman intitula-se "Credibility, Chutzpah and Debt".


Bem, um acréscimo para a resposta que eu dei pela metade à sua pergunta. Penso que suas perguntas devem continuar com um ponto de interrogação. E eu duvidaria tanto dos que respondessem afirmativamente como dos que respondessem negativamente e acrescentaria uma outra dúvida. O sistema deve procurar a eficiência do modelo marxista e ai a grande empresa deve prevalecer, ainda que talvez seja causadora do desemprego, ou deve ficar com a ineficiência do sistema capitalista, em que se estabelece uma competição desenfreada, com muitos fazendo o mesmo trabalho de outros em um acúmulo de desperdício, mas altamente gerador de postos de trabalho?"


* * * *


Bem ai está o comentário que eu enviei para Cláudia Stefani, lembrando que a pergunta dela era muito simples: "Será que a produção em pequena escala conseguiria oferecer os mesmos preços da produção em grande escala?" Sendo simples, a resposta também seria simples: "depende das circunstâncias". E a pergunta dela questionava a certeza com que Vladimir Safatle se expressara ao dizer: "Se o processo produtivo estivesse focado em pequenos produtores, a oferta seria claramente maior".


Penso que ela nem precisaria fazer a pergunta para mostrar a dúvida, bastava dizer que Vladimir Safatle provavelmente exagerou.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 30/01/2012

 
 
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jefsilva

O André Lara Resende não seria aquele moço que durante o governo FHC saiu com um banco?

 
 
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roiza

Na verdade deveria ser "O bom e velho amigo André Lara Resende por seu preocupado leitor Caetano Veloso", o excelente compositor e cantor e sobretudo artista Caetano definitivamente -- é uma ABERRAÇÃO POLÍTICA!!!!!!

 
 
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Assis Ribeiro

 

Temos que abandonar o mito do crescimento econômico infinito

 

Por Tim Jackson, professor de Economia da Universidade de Surrey e autor do livro: Prosperidade sem Crescimento: Economia para um Planeta Finito.

Toda sociedade se aferra a um mito e vive por ele. O nosso mito é o do crescimento econômico.

Nas últimas cinco décadas, a busca pelo crescimento tem sido o mais importante dos objetivos políticos no mundo. A economia global tem hoje cinco vezes o tamanho de meio século atrás. Se continuar crescendo ao mesmo ritmo, terá 80 vezes esse tamanho no ano 2100.

Esse extraordinário salto da atividade econômica global não tem precedentes na história. E é algo que não pode mais estar em desacordo com a base de recursos finitos e o frágil equilíbrio ecológico do qual dependemos para sua sobrevivência.

As razões para essa cegueira coletiva são fáceis de encontrar.
 O capitalismo ocidental se baseia de forma estrutural no crescimento para sua estabilidade. Quando a expansão falha, como ocorreu recentemente, os políticos entram em pânico. As empresas lutam para sobreviver. As pessoas perdem seus empregos e em certos casos suas casas.
 A espiral da recessão é uma ameaça. Questionar o crescimento é visto como um ato de lunáticos, idealistas e revolucionários.  Ainda assim, precisamos questioná-lo.

O mito do crescimento fracassou. Fracassou para as 2 bilhões de pessoas que vivem com menos de US$ 2 por dia.
 Fracassou para os frágeis sistemas ecológicos dos quais dependemos para nossa sobrevivência.   Crise e oportunidade
 Mas a crise econômica nos apresenta uma oportunidade única para investir em mudanças. Para varrer as crenças de curto prazo que atormentaram a sociedade por décadas.Consertar a economia é apenas parte da batalha. Também precisamos enfrentar a intrincada lógica do consumismo.
 Os dias de gastar dinheiro que não temos em coisas das quais não precisamos para impressionar as pessoas com as quais não nos importamos chegaram ao fim.
 Viver bem está ligado à nutrição, a moradias decentes, ao acesso a serviços de boa qualidade, a comunidades estáveis, a empregos satisfatórios.  A prosperidade, em qualquer sentido da palavra, transcende as preocupações materiais.
 Ela reside em nosso amor por nossas famílias, ao apoio de nossos amigos e à força de nossas comunidades, à nossa capacidade de participar totalmente na vida da sociedade, em uma sensação de sentido e razão para nossas vidas.

http://assisprocura.blogspot.com/2011/10/temos-que-abandonar-o-mito-do.html

 

Assis Ribeiro

 
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Assis Ribeiro

Fraldas e Celulares

 

 O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…
 Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as reparávamos para que voltassem a serem sujadas. 

E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos e se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas.

Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!

O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto.
 O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.

É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!

É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica. Onde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike?
Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 aos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro!

Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos, às galinhas ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII).

Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava.. Desse tempo venho eu.  E não que tenha sido melhor....

É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo". E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!!
 Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher, a mesma e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar).

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?

Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos.

Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!! 

Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.

Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.

Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour. 

Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue... 
  Eduardo Galeano Jornalista e Escritor Uruguaio 
http://assisprocura.blogspot.com/2011/08/fraldas-e-celulares.html

 

Assis Ribeiro

 
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A. Alvaro Guedes

Uma boa notícia para o malthusianismo e a “seleção das espécies”.

0/01/2012 - 08h50

Testes mostram que ultrassom nos testículos 'pode ser novo contraceptivo masculino'

 

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A aplicação de ultrassom nos testículos pode suspender a produção de esperma, segundo pesquisadores que estudam uma nova forma de contracepção masculina.

Um estudo com ratos, publicado na revista científica Reproductive Biology and Endocrinology, mostrou que as ondas de ultrassom podem ser usadas para reduzir a contagem de esperma a níveis considerados inférteis em humanos.

Os cientistas descrevem o ultrassom como um "candidato promissor" como contraceptivo, mas novos testes ainda serão necessários para garantir que o método é seguro e que o efeito é reversível.

O conceito de usar as ondas sonoras para reduzir a fertilidade masculina surgiu nos anos 70, mas agora está sendo explorado a fundo por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, que receberam financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates.

'Água salgada'

O mais recente estudo descobriu que duas aplicações de 15 minutos "reduzem significativamente" o número de células produtoras de esperma e a contagem de esperma.

As sessões se mostraram mais eficazes quando realizadas com um intervalo de dois dias e através de água morna salgada.

Em humanos, segundo os pesquisadores, homens são considerados subférteis quando sua contagem de esperma fica abaixo dos 15 milhões/ml. A contagem de esperma nos ratos ficou abaixo de 10 milhões/ml.

"Ainda precisamos de mais estudos para determinar por quanto tempo dura o efeito contraceptivo e se é seguro utilizá-lo múltiplas vezes", disse o líder da pesquisa James Tsuruta.

A equipe também precisa garantir que o efeito do ultrassom será totalmente reversível, podendo ser usado com contraceptivo e não como esterilização, além de analisar se pode haver danos cumulativos com a repetição das aplicações.

"A ideia é boa, mas ainda é necessário muito trabalho", disse o professor de andrologia da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, Allan Pacey.

Segundo ele, é provável que a produção de esperma volte ao normal após as aplicações, mas "os espermatozóides podem ficar danificados e qualquer bebê que venha deles pode ter problemas".

"A última coisa que queremos é um dano prolongado ao esperma."

http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/bbc/2012/01/30/testes-mostram-que-ultrassom-nos-testiculos-pode-ser-novo-contraceptivo-masculino.jhtm

 

 

 
 
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mello

Á opinião  do  caetano  sobre  política  ,  economia e  muitos  outros   assuntos,  prevalece a  sua  boa  obra  musical. 

 
 
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Ricardo Santos

O Pensamento do Lara já é conhecido em outros carnavais,  é o seguinte:


"Que os Ricos sejam mais Ricos, para que graças a esses, os pobres sejam menos pobres”.


Essa é a essência do pensamento desse economista do tucanoto, com outra roupagem, é claro!


Qualquer esquematização econômica tem seu pano de fundo político, não tem jeito!


 Delfim Neto também cai nesta armadilha ao dizer: “Primeiro vamos fazer crescer o bolo para depois dividirmos”.  


 Hoje, o Delfim reconhece o grave erro cometido no passado...


No entanto, esses tucanos insistem no erro! Eles odeiam políticas para a população menos favorecida (eles chamam de populismo, que absurdo)...


Um economista que carrega em si o Racismo e o Preconceito já mais terá uma análise real dos fatos, pois, há cegueira em seus olhos...


É tempo de virarmos a página e seguirmos em frente, Lara é passado (se eliminar o Racismo e o Preconceito, aí quem sabe sua análise da realidade se tornará abrangente)...


 


Por enquanto é um sofisma descarado...


 


 


 


 


 

 

O caminho do mistério aponta para dentro!

 
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luzete

caê quando fala de política (ou de economia, tanto faz!) sempre é uma gracinha...

crescimento zero... para os pobres! esta é muito boa.

 
 
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Jose saguy Tenorio

Quando leio o nome do André Lara Resende me lembro logo de Cabeca de Planilha, e quanto ao Caetano,
para mim ele é o Laerte que ainda não conseguiu achar o vestido que lhe caisse bem. kkkkkkkkkk 

Este sistema que a minoria domina a maioria é democracia? pois bem, quem tem a grana é quem manda e quem manda é a minoria que tem a grana, simples assim.

O Lula mostrou que, aumentando a migalha as coisas andam muito melhor, tirou o país até da beira da recessão.

Abraço a todos

 
 
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mcn

Tenho imensa admiração por Caetano, em função de sua obra e suas ideias no campo da cultura musical brasileira. E, por conta disso, tenho uma imensa tolerência por suas opiniões na área de política e, agora, economia.

Caetano Veloso e Ferreira Gullar padecem do mesmo mal: acreditam na velha imprensa e não têm paciência com a internet. Daí as bobagens que falam. Ficariam espantados se conhessem a diversidade de visões da blogosfera independente e de seus comentaristas.

 
 
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Jose Armando Esper

o coisa antiga

q eu saiba o Manifesto Comunista é o único q ainda vale

e é bom lembrar, proletários somos aqueles todos que não são os donos

dos meios de produção

e a mais valia é o q conta para os Andrés Laras da vida

o mundo gira. a Lusitana roda e o capitalismo é sempre o mesmo

a cobra se come se

 
 
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urbano

Muito curioso o inicio do artigo. "Andre como uma pessoa rica, etc. etc.." . Pelo que consta quando era estudante bolsista estava sempre reclamando dos atrasos no pagamento. Parece que não era ainda uma pessoa "Rica". Como foi mesmo que ele enriqueceu? Se mal pergunto.

 
 
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Marcelo Neto

O artigo do Nassif não autoriza as manifestações de cunho messiânico, nem justifica comportamenento semelhante ao de figurantes dos 10 mandamentos de Cecil B deMille, cuja únicas funções resumiam-se em ou expressar pobreza e desespero ou a fúria dos puros, a dos profetas, a do povo escolhido.

Que All Gore tem especialização acadêmica em guerra econômica, que o neo-conservadorismo americano deriva de grupos profundamente relacionados ao caldo cultural que gerou o comunismo e o nazismo, que o neo-malthusionismo é encarado com muita seriedade por esta gente, de tudo e muito mais sabemos mas esta discussão está descartando a criança juntamente com a água servida.

 Tenho em conta que crescimento zero não é, por definição, sinônimo de invariabilidade de riqueza,  que daqui a menos de 3 décadas a população do Brasil começará a declinar, que nossa carga tributária nominal está acima dos 40% do PIB e que a educação de nossas crianças está no nível que a ditadura e Paulo Freire a deixaram.

É quase que inevitável que venhamos a ficar miseravelmente ricos, (O Brasil aprendeu a lição FHC), mas podemos evitar crescimento semelhante ao promovido pelos socialistas espanhóis. Crescer desordenadamente? - nossos netos verão linhas de produção inteiras paralizadas por falta de operadores ou totalmente robotizadas. Reduzir à escravidão, via carga tributária, aqueles que realmente podem contribuir, com trabalho, na formação de riqueza é tiro no pé - em pouco tempo estaríamos em situação pior que a do urso alcoólatra. Na educação: Cadê o horário integral de nossas crianças?, só tinha medo dos nazgul(s) até ver na televisão aquele Patrus Ananias espero que o PT não tenha 7 deles.

O governo Lula demonstrou que podemos reinventar um outro país e isto foi paradigmático, e paradigma é um espelho - a mais terrível das barreiras.

 

 
 
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Fernando G. Trindade

Li o artigo. É uma espécie de manifesto em defesa da tese do esgotamento dos recursos naturais e da necessidade  mudança do sistema produtivo para uma espécie de eco-capitalismo.


Na mesma linha de Marina Silva, Al Gore, Gabeira etc (A propósito, me veio à mente que Lara Resende pode vir a ser um dos pensadores do eventual partido novo de Marina).


Entendo que há alguma verdade no questionamento de Lara Resende, mas a sua proposta é mais interessante para os do Norte do que para os do Sul.


Um dos problemas dessa proposta é que congela a atual divisão internacional de trabalho, renda, desenvolvimento etc.


Para os europeus, norte-americanos pode até ser interessante, mas para América Latina, Ásia, África está óbvio que não.


Radicalizando a crítica eu diria que Lara Resende está na linha da idéia fora de lugar, algo como os liberais da elite brasileira no séc. XIX, que por um lado, defendiam valores como o constitucionalismo, a sociedade contratual e a igualdade entre os homens e por outro lado não enxergavam a sociedade escravocrata em que viviam e que sustentava todo o sistema econômico e social, com bem registrou Joaquim Nabuco e genialmente retratou Machado de Assis.


Trazendo para hoje, como defender para as centenas de milhões de excluídos e marginalizados do sistema global que eles têm que refletir mais sobre o acesso a bens e serviços em prol da sustentabilidade enquanto os do Norte estão empanturrados desses bens (o que já está causando indigestão)?


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

 
 
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Clever Mendes de Oliveira

Fernando G. Trindade (segunda-feira, 30/01/2012 às 18:01),


É o que eu penso também. E esse me parece ser o entendimento de José Carlos de Assis. E é o que eu pensava em dizer para o Sânzio em comentário que iria fazer para ele e que eu ainda pretendo enviar junto ao post "André Lara Rezende, o demiurgo de uma nota só" junto ao comentário dele de sexta-feira, 20/01/2012 às 12:23 e ao qual me referi no comentário acima enviado segunda-feira, 30/01/2012 às 18:12 para o comentário de Assis Ribeiro de segunda-feira, 30/01/2012 às 12:01. Embora eu criticasse em muito André Lara Resende, eu ia recomendar ao Sânzio que o lesse em crítica a afirmação dele que não havia razão para ler André Lara Resende.


O Assis Ribeiro é que quer ver premência em se adotar o crescimento zero e insiste em ver o mundo como uma bola em que todos os cantos se parecem e onde há uma liderança superior única que se vai encarregar de distribuir a riqueza de modo igualitário e então marchar em um ritmo parado.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 30/01/2012

 
 
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Claudio Almeida

  André Lara Rezende, filho do Oto Lara Rezende ? Ficou milionário, como todos participantes das equipes econômicas do FHC. E daí ?  Existe alguém que dê qualquer importância pro que êsse cidadão fala ? Ficou ricaço ( não por ser jênio ), mas a bola dêle é pequenininha.

 
 

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