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O manifesto das professoras de portuguêsEnviado por luisnassif, dom, 29/05/2011 - 22:02Desinformação e desrespeito na mídia brasileira « Nossa Língua Brasileira (NLB)
Desinformação e desrespeito na mídia brasileira Por alguma razão escondida dentro de cada um de nós que escrevemos esse texto tivemos como escolha profissional o ensino de língua (materna ou estrangeira). Por algum motivo desconhecido, resolvemos abraçar uma das profissões mais mal pagas do nosso país. Não quisemos nos tornar médicos, advogados ou jornalistas. Quisemos virar professores. E para fazê-lo, tivemos que estudar. Estudar, para alguém que quer ensinar, tem uma dimensão profunda. Foi estudando que abandonamos muitas visões simplistas do mundo e muito dos nossos preconceitos. Durante anos debatemos a condição da educação no Brasil; cotidianamente aprofundamo-nos sobre a realidade do país e sobre uma das expressões culturais mais íntimas de seus habitantes: a sua língua. Em várias dessas discussões utilizamos reportagens, notícias, ou fatos trazidos pelos jornais. Crescemos ouvindo que jovem não lê jornal e que a cada dia o brasileiro lê menos. A julgar por nosso cotidiano, isso não é verdade. Tanto é que muitos de nós, já indignados com o tratamento dado pelo Jornal Nacional à questão do material Por uma vida melhor, perdemos o domingo ao, pela manhã, lermos as palavras de um dos mais respeitados jornalistas do país criticando, na Folha de S. Paulo, a valorização dada pelo material ao ensino das diferentes possibilidades do falar brasileiro. E ficamos ainda mais indignados durante a semana com tantas reportagens e artigos de opinião cheios de ideias equivocadas, ofensivas, violentas e irresponsáveis. Lemos textos assim também no Estado de São Paulo e nas revistas semanais Veja e IstoÉ. Vimos o Jornal Nacional colocar uma das autoras do material em posição humilhante de ter que se justificar por ter conseguido fazer uma transposição didática de um assunto já debatido há tempos pelos grandes nomes da Linguística do país – nossos mestres, aliás. O jornalista Clovis Rossi afirmou que a língua que ele julga correta é uma “evolução para que as pessoas pudessem se comunicar de uma maneira que umas entendam perfeitamente as outras” e que os professores têm o baixo salário justificado por “preguiça de ensinar”. Uma semana depois, vimos Amauri Segalla e Bruna Cavalcanti narrarem um drama em que um aluno teria aprendido uma construção errada de sua língua, e afirmarem que o material “vai condenar esses jovens a uma escuridão cultural sem precedentes“. Também esses dois últimos jornalistas tentam negar a voz contrária aos seus julgamentos, dizendo que pouquíssimos foram os que se manifestaram, e que as ideias expressas no material podem ter sucesso somente entre alguns professores “mais moderninhos”. Já no Estado de São Paulo vimos um economista fazendo represálias brutas a esse material didático. Acreditamos que o senhor Sardenberg entenda muito sobre jornalismo e economia, porém fica nítida a fragilidade de suas concepções sobre ensino da língua. A mesma desinformação e irresponsabilidade revelou o cineasta Arnaldo Jabor, em seu violento comentário na rádio CBN. Ficamos todos perplexos pela falta de informação desses jornalistas, pela inversão de realidade a que procederam, e, sobretudo, pelo preconceito que despejaram sem pudor sobre seus espectadores, ouvintes e leitores, alimentando uma visão reduzida ao senso comum equivocado quanto ao ensino da língua. A versão trazida pelos jornais sobre a defesa do “erro” em livros didáticos, e mais especificamente no livro Por uma vida melhor, é uma ofensa a todo trabalho desenvolvido pelos linguistas e educadores de nosso país no que diz respeito ao ensino de Língua Portuguesa. A pergunta inquietante que tivemos foi: será que esses jornalistas ao menos se deram o trabalho de ler ou meramente consultar o referido livro didático antes de tornar públicas tão caluniosas opiniões? Sabemos que não. Pois, se o tivessem feito, veriam que tal livro de forma alguma defende o ato de falar “errado”, mas sim busca desmistificar a noção de erro, substituindo-a pela de adequação/inadequação. Isso porque, a Linguística, bem como qualquer outra ciência humana, não pode admitir a superioridade de uma expressão cultural sobre outra. Ao dizer que a população com baixo grau de escolaridade fala “errado”, o que está-se dizendo é que a expressão cultural da maior parte da população brasileira é errada, ou inferior à das classes dominantes. Isso não pode ser concebido, nem publicado deliberadamente como foi nos meios de comunicação. É esse ensinamento básico que o material propõe, didaticamente, aos alunos que participam da Educação de Jovens e Adultos. Mais apropriado, impossível. Paulo Freire ficaria orgulhoso. Os jornalistas, porém, condenam. Sabemos que os veículos de comunicação possuem uma influência poderosa sobre a visão de mundo das pessoas, atuam como formadores de opinião, por isso consideramos um retrocesso estigmatizar certos usos da língua e, com isso, o trabalho de profissionais que, todos os dias, estão em sala de aula tentando ir além do que a mera repetição dos exercícios gramaticais mecânicos, chamando atenção para o caráter multifacetado e plural do português brasileiro e sua relação intrínseca com os mais diversos contextos sociais. A preocupação dos senhores jornalistas, porém, ainda é comum. Na base de suas críticas aparecem, sobretudo, o medo da escola não cumprir com seu papel de ensinar a norma culta aos falantes. Entretanto, se tivessem lido o referido material, esse medo teria facilmente se esvaído. Como todo linguista contemporâneo, os autores deixam claro, na página 12, que “Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário“. Dessa forma, sem deixar de valorizar a norma escrita culta – necessária para atuar nas esferas profissional e cultural, e logo, determinante para a ascensão econômica e social de seus usuários, embora não suficiente – o material consegue promover o debate sobre a diversidade linguística brasileira. Esse feito, do ponto de vista de todos que produzimos e utilizamos materiais didáticos, é fundamental. Sobre os conteúdos errôneos que foram publicados pelos jornais e revistas, foi possível ver que, após uma semana, as respostas dadas pelos educadores, estudiosos da linguagem e, sobretudo, da variação linguística, já foram bastante elucidativas para informar esses profissionais do jornalismo. Infelizmente alguns jornalistas não os leram. Mas ainda dá tempo de aprender com esses textos. Leiam as respostas de linguistas tais como Luis Carlos Cagliari, Marcos Bagno, Carlos Alberto Faraco, Sírio Possenti, e de educadores tais como Maria Alice Setubal e Maurício Ernica, entre outros, publicadas em diversas fontes, como elucidativas e representativas do que temos a dizer. Aliás, muito nos orgulha a paciência desses autores – foram verdadeiras aulas para alunos que parecem ter que começar do zero. Admirável foram essas respostas calmas, respeitosas e informativas, verdadeiras lições de Linguística, de Educação – e de atitude cidadã, diga-se de passagem – para “formadores de opinião” que, sem o domínio do assunto, resolveram palpitar, julgar e até incriminar práticas e as ideias solidamente construídas em pesquisas científicas sobre a língua ao longo de toda a vida acadêmica de vários intelectuais brasileiros respeitados, ideias essas que começam, aos poucos, a chegar à realidade das escolas. Ao final de anos de luta para podermos virar professores, ao invés de vermos nossos pensadores, acadêmicos, e professores valorizados, vimos a humilhação violenta que eles sofreram. Vimos, com isso, a humilhação que a academia e que os estudos sérios e profundos podem sofrer pela mídia desavisada (ou maldosa). O poder da mídia foi assustador. Para os alunos mais dispersos, algumas concepções que levaram anos para serem construídas foram quebradas em instantes. Felizmente, esses são poucos. Para grande parte de nossos colegas estudantes de Letras o que aconteceu foi um descontentamento geral e uma descrença coletiva nos meios de comunicação. A descrença na profissão de professor, que era a mais provável de ocorrer após tamanha violência e irresponsabilidade da mídia, essa não aconteceu – somente por conta daquele nosso motivo interno ao qual nos referimos antes. Nossa crença de que a educação é a solução de muitos problemas – como esse, por exemplo – e que é uma das profissões mais satisfatórias do mundo continua firme. Sabemos que vamos receber baixos salários, que nossa rotina será mais complicada do que a de muitos outros profissionais, e de todas as outras dificuldades que todos sabem que um professor enfrenta. O que não sabíamos é que não tínhamos o apoio da mídia, e que, pior que isso, ela se voltaria contra nós, dizendo que o baixo salário está justificado, e que não podemos reclamar porque não cumprimos nosso dever direito. Gostaríamos de deixar claro que não, ensinar gramática tradicional não é difícil. Não temos preguiça disso. Facilmente podemos ler a respeito da questão da colocação pronominal, passar na lousa como os pronomes devem ser usados e dizer para o aluno que está errado dizer “me dá uma borracha”. Isso é muito simples de fazer. Tão simples que os senhores jornalistas, que não são professores, já corrigiram o material Por uma vida melhor sobre a questão do plural dos substantivos. Não precisa ser professor para fazer isso. Dizer o que está errado, aliás, é o que muitos fazem de melhor. Difícil, sabemos, é ter professores formados para conseguir promover, simultaneamente, o debate e o ensino do uso dos diversos recursos linguísticos e expressivos do português brasileiro que sejam adequados às diferentes situações de comunicação e próprios dos inúmeros gêneros do discurso orais e escritos que utilizamos. Esse professor deve ter muito conhecimento sobre a linguagem e sobre a língua, nas suas dimensões linguísticas, textuais e discursivas, sobre o povo que a usa, sobre as diferentes regiões do nosso país, e sobre as relações intrínsecas entre linguagem e cultura. Esse professor deve ter a cabeça aberta o suficiente para saber que nenhuma forma de usar a língua é “superior” a outra, mas que há situações que exigem uma aproximação maior da norma culta e outras em que isso não é necessário; que o “correto” não é falar apenas como paulistas e cariocas, usando o globês; que nenhum aluno pode sair da escola achando que fala “melhor” que outro, mas sim ciente da necessidade de escolher a forma mais adequada de usar a língua conforme exige a situação e, é claro, com o domínio da norma culta para as ocasiões em que ela é requerida. Esse professor tem que ter noções sobre identidade e alteridade, tem que valorizar o outro, a diferença, e respeitar o que conhece e o que não conhece. Também esse professor tem que ter muito orgulho de ser brasileiro: é ele que vai dizer ao garoto, ao ensinar o uso adequado da língua nas situações formais e públicas de comunicação, que não é porque a mãe desse garoto não usa esse tipo de variedade lingüística, a norma culta, não conjuga os verbos, nem usa o plural de acordo com uma gramática pautada no português europeu, que ela é ignorante ou não sabe pensar. Ele vai dizer ao garoto que ele não precisa se envergonhar de sua mãe só porque aprendeu outras formas de usar o português na escola, e ela não. Ele vai ensinar o garoto a valorizar os falares regionais, e ser orgulhoso de sua família, de sua cultura, de sua região de origem, de seu país e das diferenças que existem dentro dele e, ao mesmo tempo, a ampliar, pelo domínio da norma culta, as suas possibilidades de participação na sociedade e na cultura letrada. O Brasil precisa justamente desse professor que esses jornalistas tanto incriminaram. Formar um professor com esse potencial é o que fazem muitos dos intelectuais que foram ofendidos. Para eles, pedimos que esses jornalistas se desculpem. E os agradeçam. E, sobretudo, antes de os julgarem novamente, leiam suas publicações. Ironicamente, pedimos para a mídia se informar. Nós somos a primeira turma a entrar no mercado de trabalho após esse triste ocorrido da imprensa. Somos muito conscientes da luta que temos pela frente e das possibilidades de mudança que nosso trabalho promove. Para isso, estudamos e trabalhamos duro durante anos. A nós, pedimos também que se desculpem. E esperamos que um dia possam nos agradecer. Reafirmamos a necessidade de os veículos de comunicação respeitarem os nossos objetos de estudo e trabalho — a linguagem e o língua portuguesa usada no Brasil —, pois muitos estudantes e profissionais de outras áreas podem não perceber tamanha desinformação e manipulação irresponsável de informação, e podem vir a reproduzir tais concepções simplistas e equivocadas sobre a realidade da língua em uso, fomentando com isso preconceitos difíceis de serem extintos. Sabemos que sozinhos os professores não mudam o mundo. Como disse a Professora Amanda Gurgel, em audiência pública no Rio Grande do Norte, não podemos salvar o país apenas com um giz e uma lousa. Precisamos de ajuda. Uma das maiores ajudas com as quais contamos é a dos jornalistas. Pedimos que procurem conhecer as teorias atuais da Educação, do ensino de língua portuguesa e da prática que vem sendo proposta cotidianamente no Brasil. Pedimos que leiam muito, informem-se. Visitem escolas públicas e particulares antes de se proporem a emitir opinião sobre o que deve ser feito lá. Promovam acima de tudo o debate de ideias e não procedam à condenação sumária de autores e obras que mal leram. Critiquem as assessorias internacionais que são contratadas reiteradamente. Incentivem o profissional da educação. E nunca mais tratem os professores como trataram dessa vez. O poder de vocês é muito grande – a responsabilidade para usá-lo deve ser também. Alecsandro Diniz Garcia, Ana Amália Alves da Silva, Ana Lúcia Ferreira Alves, Anderson Mizael, Jeferson Cipriano de Araújo, Laerte Centini Neto, Larissa Arrais, Larissa C. Martins, Laura Baggio, Lívia Oyagi, Lucas Grosso, Maria Laura Gándara Junqueira Parreira, Maria Vitória Paula Munhoz, Nathalia Melati, Nayara Moreira Santos, Sabrina Alvarenga de Souza e Yuki Agari Jorgensen Ramos – formandos 2011 em Letras da PUC-SP, futuros professores de Língua Portuguesa e Língua Inglesa.
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Comentários + votados
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Adelina
29/05/2011 - 22:28
Sou veterinária, mas durante a graduação trabalhei como monitora do Mobral, portanto tive experiência na educação de jovens e adultos. Desde o início fiquei indignada com a maneira que este...
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Anarquista Lúcida
29/05/2011 - 22:31
Que bom. Falaram os professores. Legal que pelo menos neste Blog eles têm direito à palavra.
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Renata Hummel
29/05/2011 - 22:33
Gostei bastante do texto. Sou professora do Estado e sei bem do que estão falando, é esse mesmo nosso dia a dia. Mas isso não é de hoje. Pelo menos agora estamos falando mais nisso, na situação do...
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MariaDirce
29/05/2011 - 22:43
Ana, não se iluda pq é só aqui no Nassif.
Mas adorei a repreensão que os "colonistas" levaram
"Acreditamos que o senhor Sardenberg entenda muito sobre jornalismo e economia,...
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Samuel Possebon
29/05/2011 - 22:43
Infelizmente, nós jornalistas damos à sociedade cada vez mais razão para recebermos lições como essa. Os professores estão certíssimos.
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Vanda
29/05/2011 - 22:45
off topic...
.
fhc reporter do fantástico...por uma noite....kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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Marco Vitis
29/05/2011 - 22:53
Toda essa discussão teria sido muito proveitosa se houvesse a verdadeira liberdade de expressão e de comunicação.
Os cidadãos que leram ou ouviram esses "jornalistas" formaram um falso conceito sobre...
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Cafu
29/05/2011 - 23:01
Bravíssimo, futuros professores! Precisamos mais do que nunca de profissionais competentes e cidadãos conscientes e atuantes como vocês! Parabéns pelo manifesto.
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Valéria Cabral
29/05/2011 - 23:02
Excelente! Bastante elucidativo. Deveria estar nas primeiras páginas dos jornais. Parabéns aos autores!
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Odonir Oliveira
29/05/2011 - 23:17
Muito bem, professoras formandas.
Nós que estamos há muitos anos na luta com as palavras nos orgulhamos das de vocês.
O desserviço prestado por esses profissionais, a meu ver, atingiu os...
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Svibra
29/05/2011 - 23:25
Quanta esperança ver jovens se posicionando. Parabéns. O Brasil conta com vocês.
Voltei a receber, das mesmas fontes, a pertubadora corrente de emails batendo no governo, indignados como...
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José de França
29/05/2011 - 23:27
Podemos extender a mesma incompreensão dos jornalistas para a área numérica/quantitativa/tratamento da informação (Estatística).
Alguns profissionais de imprensa publicam coisas como: a extensão...
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Henrique - Economia
29/05/2011 - 23:32
Bravo...excelente...perfeito...e direto ao ponto. Parabéns ao Nassif (que realmente entende de economia) por dedicar este espaço para a defesa de uma classe tão louvável, porém, desvalorizada de...
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Sérgio de
29/05/2011 - 23:55
Mais uma vez a mídia faz besteira! Já estou cansado de ler O Globo, ver o JN... Hoje em dia prefiro a internet ao impresso ou telejornais, posso ler várias opiniões e visões de um mesmo assunto, isso...
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lauro c.l. oliveira
29/05/2011 - 23:58
Minha admiração pelos profissionais do ensino só aumentou após a leitura deste posicionamento. Lastimável é a contribuição da mídia sedenta para a prática de linchamentos...
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Nilva de Souza
30/05/2011 - 00:09
Parabéns, professores !
A "coisa" pegou de um jeito que eu, ao ler de passagem o post do Weden, comecei a criticar o livro. A Analu me deu um toque, aliás muito sutil, e eu continuei...
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Wandihkleysson Piragibe
30/05/2011 - 00:18
A polêmica continua. Deve ter havido alguma ordem de cima para bombardear a candidatura do Fernando Haddad até para líder de comissão de pais e professores.
O Ferreira Gullar, que aprendeu a seguir...
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José de França
30/05/2011 - 00:20
Podemos estender a mesma incompreensão dos jornalistas para a área numérica/quantitativa/tratamento da informação (Estatística).
Alguns profissionais de imprensa publicam coisas como: a extensão...
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Fr@ncisco
30/05/2011 - 00:26
Enquanto isso, no Saia Justa da semana que passou, chegamos ao cúmulo da ignorância sobre o assunto, revelada nas considerações dos participantes, com destaque para Teté...
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Cafezá
30/05/2011 - 00:50
É por causa de pessoas como ferreta gulá qui muitas línguas indígenas estão definitamente extintas. Causa espanto ouvir de alguém que se diz poeta essa tolice que não cabe em nenhuma lata. Lembrei da...
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Sou veterinária, mas durante a graduação trabalhei como monitora do Mobral, portanto tive experiência na educação de jovens e adultos. Desde o início fiquei indignada com a maneira que este assunto foi tratado pela mídia tradicional. Até o jornal de minha região ajudou nesta difamação. Esta carta de excelente conteúdo veio em boa hora, vou reenviá-la para a Folha da Região de Araçatuba. Mas como os editores deste Jornal não leram o livro Por uma vida melhor provavelmente não lerão esta carta também. Desculpas? Doce ilusão...
Imagina só se se tem como lidar com educação de jovens e adultos sem que o professor faça qualquer referência à linguagem e à realidade da população pobre. O método Paulo Freire por exemplo, que ensina a partir da realidade do aluno, não teria como ser aplicado se os professores tivessem que seguir a lógica PIGueana que, como se sabe, ensina o aluno com frazes tidpo "IVO VIU A UVA" mesmo que ele(aluno não saiba o que é uva, pois que não se trata de coisa do seu derredor, da sua realidade). Adelina, fiquei emocionado ao ver que vc deu aula no Mobral. É que eu era criança quando minha mãe também deu aula no Mobral. Vou contar uma coisa interessante. Na cidade havia um senhor entre 50 e 60 anos de idade. O nome dele era Severino e era conhecido por Severo. Ele era doido, diziam. Sim, o Sr. Severo vivia no mundo dele, conversava a sós, sorria a sós, dava gargalhada a sós, embora não olhasse para ninguém, pois andava sempre olhando pro chão. Durante uma das aulas minha mãe e deixo-me ali num cantinho. Ela dava aula, não me lembro ao certo, mas parece que era sobre grandezas, como uma coisa era mais do que outra. Ilustrou com um desenhos no quadro-negro para indicar que uma coisa era maior do que outra. E vai lá minha mãe escrever num dos bonequinhos o nome MARIA e sapecou: Joaquina é menor do que Ana que é menor do que Cláudia que é menor do que Maria. De repente o Sr. Severo levanto-se da cadeira e, indignado, saindo fogo pelas ventas, gritou: Mentira! Maria é a mãe de todos. Maria é maior. Em seguida arrancou-se da sala de aula para nunca mais voltar. Assim o Mobral perdeu mais um aluno. Só para ilustrar no que dá não se levar em conta a realidade do aluno.
Eu disse lógica pigueana? Ou hariosvaldiana*, tanto faz
* referência ao homorista Hariosvaldo Prado que tem como referência, entre outros outros, Luis Carlos Prates, Arnaldo Jabor, Miriam Leitão, Lúcia Hipólito...
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Que bom. Falaram os professores. Legal que pelo menos neste Blog eles têm direito à palavra.
Sra. Anarquista e outros, leiam melhor: não são professores falando, são recém formados - da PUC, escola cara. Por isso acham que ensinar gramática é fácil. Não é. Não é fácil ensinar nada para quaisquer crianças ou adolescentes de hoje.
Olha aqui mais preconceitos contra aqueles que, apesar de estudarem em escola cara, defendem o direitos dos que não puderam estudar como os jovens e adultos a quem o livro se dirige. É assim mesmo...quem faz a crítica não conhece nem o conteúdo do livro, e nem o público a quem se dirige. Pois é...dá para falar em um português irretocável, o duro é falar o conteúdo correto e ético. Temos tido inúmeros exemplos na mídia e nos nossos parlamentos!
Gostei bastante do texto. Sou professora do Estado e sei bem do que estão falando, é esse mesmo nosso dia a dia. Mas isso não é de hoje. Pelo menos agora estamos falando mais nisso, na situação do professor (a), na escola, no ensino e na posição da mídia, sempre falando em educação, mas só descendo o sarrafo no professor, como se fosse tudo culpa nossa (e o investimento? e a valorização do estudo? e a infra-estrutura? e a violência na escola? e as carências dos alunos e suas famílias? etc) . Enfim, ainda bem que os novos professores (ao menos alguns) já estão entrando mais alertas. Quem sabe muda alguma coisa...
Realmente, para a grande mídia é bem mais fácil colocar toda a culpa da deficiência do ensino nos professores, afinal, denunciar a falta de investimento na educação por parte do governo, principalmente aqui em São Paulo, significa ir contra as gestões dos tucanos, e isso eles não fazem mesmo. Se for pra falar mal de algum governo, que seja o federal.
Ana, não se iluda pq é só aqui no Nassif.
Mas adorei a repreensão que os "colonistas" levaram
"Acreditamos que o senhor Sardenberg entenda muito sobre jornalismo e economia, porém fica nítida a fragilidade de suas concepções sobre ensino da língua. A mesma desinformação e irresponsabilidade revelou o cineasta Arnaldo Jabor, em seu violento comentário na rádio CBN. "
bondade da turma achar que o Sardemberg e o Jabor entendem de alguma coisa. São, apenas, portavozes do atraso.
Infelizmente, nós jornalistas damos à sociedade cada vez mais razão para recebermos lições como essa. Os professores estão certíssimos.
off topic...
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fhc reporter do fantástico...por uma noite....kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Falando em FHC e lingua culta, aqui o Dr. Prates, uma das grandes referências de Hariovaldo Prado e, quiçá, do iFHC, aquele instituto que recebeu vários milhões para digitalizar uns trecos sem qualquer alarde do pig, gente fina é outra coisa
http://hariprado.wordpress.com/2011/05/25/reestabelecida-a-verdade-lingu...
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Só prá refrescar a memória
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
E o SBT teve coragem de contratar essa coisa? ou estou enganado? Tem o logo do SBT no vídeo.
Toda essa discussão teria sido muito proveitosa se houvesse a verdadeira liberdade de expressão e de comunicação.
Os cidadãos que leram ou ouviram esses "jornalistas" formaram um falso conceito sobre o livro "Por uma vida melhor".
Esse tipo de manipulação da consciência dos cidadãos ocorre frequentemente com os mais diversos temas de interesse social.
Por tudo isso, nós cidadãos temos que exigir Liberdade e Responsabilidade na Comunicação Social. Precisamos de uma Legislação que garanta a Liberdade de Expressão para todos e a Defesa ao Direito Constitucional de Informação.
Bravíssimo, futuros professores! Precisamos mais do que nunca de profissionais competentes e cidadãos conscientes e atuantes como vocês! Parabéns pelo manifesto.
Eles não citaram o Bechara, que deu uma entrevista para a Veja. Por que?
No início, diziam que aqueles que criticavam o livro teriam déficit de letramento e nem passariam no PISA.
Depois, diante de críticas de autoridades na língua, centram agora as críticas naqueles que não são especialistas, como Sandenberg e Jabor.
E em relação às críticas de renomados como o Bechara, o que dizer?
O Bechara tem déficit de letramento, não passaria no PISA?
Sim e nã0. Se ele ler o teste antes de respondê-lo, passa; não passa se não o ler(como ele fez com o livro) .
É que o Bechara fez consulta mediúnica ao Napoleão.
O Mendes, não o Bonaparte.
Não, Aleandro. O Bechara apenas vai parte de uma corrente de estudiosos da língua que não concorda com as mais modernas teorias de ensino da língua (patrocinadas pela Linguística). Além disso, o gramático em questão é como os da Bruzudanga, país criado por Lima Barreto para criticar diversas mazelas do Brasil, dentre essas mazelas a língua dos livros, culta e bela, mas "estrangeira" para o seu próprio povo.
Excelente! Bastante elucidativo. Deveria estar nas primeiras páginas dos jornais. Parabéns aos autores!
Valéria
Pessoal só gostaria de lembrar de uma coisa.
Caso Palocci
Caso Código Florestal
Caso Vídeo Educacional -
Hoje - em pleno fantastico - FHC
Professores vocês fizeram parte de uma tática política de ataque ao governo Dilma.
Vivemos isso diariamente no Rio Grande do Sul nos jornais diários.
Só quero deixar claro que sou a favor que o Palocci se explique e muito bem.
poderia também deixar claro qual foi a tática política.
A zelite não está nem um pouco preocupada com ética, querem mesmo é o impeachment de Dilma, só estão preparando o terreno, expondo Dilma em "estado terminal" (Época), se tivessem mesmo preocupadas com lisura, estariam falando em CPI para apurar ganhos de todos os ex-ministros e não apenas de Palocci, eu que não caio nesta esparrela, se o PIG me manda ir para uma direção vou prá outra, sei que o caminho deles é outro, não tenho o menor respeito por uma imprensa que não se atêm aos fatos, pelo contrário, manipula, faz politicagem e da bem rasteira, tô fora
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Bebeu? Ess@s professor@s estao lutando CONTRA esse ataque da mídia ao governo Dilma. Ou você nao entendeu nada do que el@s disseram?
Muito bem, professoras formandas.
Nós que estamos há muitos anos na luta com as palavras nos orgulhamos das de vocês.
O desserviço prestado por esses profissionais, a meu ver, atingiu os pesquisadores e suas pesquisas, desenvolvidas por anos a fio, e a população, que sem ferramentas e bagagem para comprensão do processo linguístico, acaba repercutindo as bobagens e difamações via mídia.
Pois é...o idioma continua a ser utilizado como instrumento de poder. Não é à toa que se apregoa, especialmente nos blogs do esgoto, num comportamento canalha e de pilantragem intelectual, que "a língua culta é o único instrumento de inclusão social, profissional" e blá blá blá... e o que livro em questão nega isso (não nega, como demonstrado no texto acima).
Ora, essa suposta "ascensão social" pelo uso da língua culta (tem tanta gente com diploma na mão, falando muito bem a norma culta, que não consegue "nem a pau" a tal ascensão social*, demonstrando que esse tipo de argumento é hipócrita) só mostra a cultura de dependência típica do capitalismo atrasado, que nos é imposta cotidianamente.
Mas, essa dependência está se esvaindo aos poucos. Estamos entrando na Era do Empreendorismo, de modo que a subserviência - por necessidade - a setores econômicos mais privilegiados tende a diminuir. As comunidades, com o tempo, ficarão cada vez mais independentes, com sua linguagem própria, com seu modo de vida próprio. As domésticas, por exemplo, já estão se libertando e observamos, nesse caso, o quanto está sendo brutal a reação elitista. Talvez, essa mesma elite também não queira que as classes menos privilegiadas tenham linguagem própria, que, por sinal, é quase revolucionária, anárquica.
Seria dizer o óbvio que é importante às classes sociais - secularmente humilhadass nesse país, sob os mais diversos aspectos - aprenderem a norma culta. Claro que é, mas, não pelos mesmos motivos apregoados pelos "entendidos" da norma culta. É importante para barganhar, não para servi-los. No fundo, é esse o medo geral. A subserviência lhes faz falta.
*Por conta de alguns estamentos sociais - indianamente estancados - presentes em nossa sociedade desde os tempos coloniais.
Quanta esperança ver jovens se posicionando. Parabéns. O Brasil conta com vocês.
Voltei a receber, das mesmas fontes, a pertubadora corrente de emails batendo no governo, indignados como ficam sempre que vêm avanços no país que não pela mão da elite despudorada.
A guerra midiática recomeçou. Certamente vou fazer novas inimizades, mas vou continuar rebantendo. Alimento-me de post como este.
Podemos extender a mesma incompreensão dos jornalistas para a área numérica/quantitativa/tratamento da informação (Estatística).
Alguns profissionais de imprensa publicam coisas como: a extensão territorial do Brasil é de 8,5 mil km.
Dois problemas: não distinguem mil de milhões. Não sabem o que significa ordem de grandeza. Para pessoas assim, deve R$ 1.000,00 ou R$ 1.000.000,00 deve ser a mesma coisa.
Outro problema: confudem medida de comprimento (km) com medidas de área (km^2).
Algum comentarista já alertou neste blog a questão do (mau) uso do Sistema Internacional de Unidades por parte de segmentos de nossa imprensa. Atrapalhando o papel da escola.
Encontramos problemas também na produção de gráficos. No uso (mistificador) dos números (Estatística) como legitimador da verdade, pois ´´os números não mente jamais´´.
Na produção de textos que confudem causa e efeito.
Textos que confundem correlação ou associação com causalidade.
Na produção de textos que usam silogismos.
Na produção de textos que tomam o todo pela parte. Exemplo típico é quando publicam coisas do tipo: ´´aumentou o número de mortos nas estradas brasileiras no último feriado em relação ao número do ano passado´´.
Mas, cára-pálida, este aumento é em números absolutos ou relativos? Relativos a que, exatamente?
Se a frota dobrou, se o número de viajantas nas estradas naquele feriado dobrou, se...se...se... e se o número de mortos cresceu 10% em relação ao ano passado, o número, na verdade, diminuiu!
Outro problema grave: vem algum ator dizendo para todos serem "amigos da Escola". Como se o voluntarismo resolvesse problemas que deveriam ser atacados por Políticas Públicas debatidas nas esferas municipal, estadual e federal.
Da próxima vez que anunciarem uma dragagem no Porto de Santos, mal posso esperar pela campanha dos "amigos do Porto de Santos" . Um monte de gente na draga, de camisa colorida, ajudando, voluntarimente, a dragar o porto.
Ou ainda
Achei impressionante quendo outro dia em um conhecido telejornal noturno de Porto Alegre, o repórter disse que o ladrão fugui por uma janela de 30 centimetros quadrados!!!!!!
O ladrão devia ser uma cobra!!!
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