O livro sobre Michelle e Barack Obama

Do O Globo

'Michelle quer dar o troco em rivais de Obama', diz autora de livro sobre casal

Escritora se diz surpresa com reação negativa da primeira-dama, para ela essencial na reeleição

NOVA YORK - The Obamas”, o livro de Jodi Kantor, repórter do “New York Times”, é um retrato cuidadoso das surpresas, tensões e decepções do primeiro casal negro a ocupar a Casa Branca.A primeira-dama não leu e não gostou: em entrevista à TV CBS no dia do lançamento, disse que a obra pintava o retrato que se tenta fazer dela “desde que Barack anunciou a candidatura, o retrato de uma angry black woman” (mulher negra e furiosa). A autora se surpreendeu com a reação.

Em entrevista ao GLOBO, Jodi garante ter mostrado uma Michelle forte; mãe dedicada e esposa que apoia o marido. Ela conta que a primeira-dama se dedica muito ao bem-estar das filhas Malia, de 13 anos, e Sasha, de 10. Manter a “sanidade” das meninas é a prioridade do casal. O presidente faz questão de jantar com a família, às 18h30m, e só retoma as leituras de trabalho, telefonemas ou reuniões depois que as filhas dormem. “Eles estão lutando com todas as forças pela reeleição. Se o presidente perder, a derrota será uma anulação da história de Obama”, arrisca.

O GLOBO: A frustração de Barack e Michelle Obama com a política e a infelicidade com a vida na Casa Branca, ao menos nos primeiros anos, chamam a atenção no seu livro. Continua assim?

JODI KANTOR: Não quero generalizar, dizendo que a experiência deles inteira seja de frustração e infelicidade, mas a Casa Branca projeta uma imagem tão polida de uma família feliz, e realmente usa isso, não só a imagem do presidente, mas a da primeira-dama, que é mais popular do que ele. Mas a verdadeira história da vida na Casa Branca é mais complicada, com muitos altos e baixos. O período de adaptação foi particularmente difícil, porque é tudo menos glamouroso do que parece.

O GLOBO: Obama falou várias vezes, como citado no livro, que estaria de acordo com a ideia de ser um presidente de um só mandato...

KANTOR: Isso não parece mais ser verdade. Eles estão lutando com todas as forças pela reeleição. Em parte porque, se o presidente perder este ano, a derrota será vista como uma anulação da história de Obama. E, para Michelle, ajudar na campanha e na arrecadação de fundos é a maneira de dar o troco aos republicanos que atacam o marido dela.

O GLOBO: A reação de Michelle ao livro surpreendeu, tendo em vista a alegação dela de ter sido estereotipada como “uma mulher negra e furiosa”?

KANTOR: Fiquei surpresa, porque não acho que seja um retrato duro, acho que ela é retratada como uma mulher forte, uma mãe dedicada, uma esposa que apoia o marido, uma pessoa tenaz e bem-sucedida. Há trechos do meu livro em que ela parece irritada, mas nunca irracional ou manipuladora, nada desse gênero.

O GLOBO: Obama falava muito, quando foi eleito, em evitar viver dentro de uma bolha, mas você deixa claro que isso não aconteceu. Por quê?

KANTOR: Um dos motivos pelos quais os americanos se interessaram por Obama é que ele parecia ser um tipo diferente de político, que tinha um frescor na abordagem da vida pública. Mas ele se tornou muito mais convencional na Presidência.

O GLOBO: Michelle também se transformou em uma primeira-dama bem mais convencional do que se esperava, não?

KANTOR: Sim, ela é uma primeira-dama bastante convencional. Muitas feministas se queixam disso, gostariam que ela desafiasse o status quo. Mas essa é uma história conhecida. Para uma primeira-dama moderna, atravessar as fronteiras do convencional não vale o risco político.

O GLOBO: Ela parece ter sido muito influenciada pelo desgaste sofrido por Hillary Clinton, enquanto primeira-dama, com a liderança do projeto fracassado da reforma da saúde, certo?

KANTOR: É muito interessante a influência de Hillary Clinton sobre a maneira como Michelle Obama exerce a função de primeira-dama. Ouvi relatos de temores da própria Michelle ou de assessores do presidente de que ela fosse vista da mesma maneira que Hillary, que arrumou confusão por se envolver demais com assuntos da ala oeste (centro nervoso da Casa Branca).

O GLOBO: Os temas que Michelle escolheu para marcar sua atuação como primeira-dama, o combate à obesidade infantil e o apoio às famílias de veteranos de guerra, são pouco controvertidos. Houve outros temas que ela pensou em abordar e desistiu?

KANTOR: Ela tem um trabalho muito interessante de orientação para mulheres jovens. É um programa pequeno, pessoal, não é para publicidade.

O GLOBO: Qual o grau de preocupação de Michelle em dar o exemplo, com o fato de fazer parte da primeira família negra a ocupar a Casa Branca?

KANTOR: Ela tem uma consciência bastante aguda das pressões e das possibilidades envolvidas nisso. Ela sabe que é uma inspiração enorme para muita gente. No livro, eu conto uma história de quando ela foi a Londres, era sua primeira viagem internacional como primeira-dama, e ela ainda estava um pouco confusa em relação ao seu papel. Ela vai visitar uma escola pequena, com estudantes de minorias étnicas, e as meninas ficam eufóricas com a presença dela. Quando Michelle começa a discursar, seus olhos ficam cheios de lágrimas. Assessores dela me contaram que foi a primeira vez que a primeira-dama se deu conta das possibilidades de seu papel, que ela viu como podia inspirar aquelas meninas.

O GLOBO: É surpreendente, na leitura, ver quantas despesas da Casa Branca o presidente tem que pagar do próprio bolso. Foi uma surpresa para os Obama também?

KANTOR: A vida na Casa Branca é muito cara, porque o presidente e a primeira-dama não podem usar recursos públicos para nada pessoal, mas a equipe da Casa Branca é muito grande, então fica dispendioso. Uma das muitas surpresas que eles tiveram quando chegaram foi receber a conta. Ninguém fala sobre isso antes da hora. Se eles convidam amigos para jantar, por exemplo, eles têm que pagar por essa despesa. Festas políticas são pagas pelos partidos, e recepções de Estado são pagas pelo governo, mas todo o resto é coberto pelo presidente.

O GLOBO: Tanto Obama quanto Michelle passam a impressão de ter um desprezo pelos políticos, assim como vários dos pré-candidatos republicanos este ano também o fazem. Não é estranho que um presidente ou um candidato a presidente desprezem os políticos?

KANTOR: Isso é um fenômeno aqui nos EUA, porque esses candidatos se apresentam como forasteiros, como alguém que vai mudar o sistema. Mas, quando chegam a Washington, é uma dureza, porque eles têm que aprender como trabalhar dentro do sistema. E isso, sem dúvida, é o que aconteceu com os Obama.

O GLOBO: E em que ponto dessa curva de aprendizado eles se encontram hoje?

KANTOR: É impossível dizer, porque não sabemos até onde irão. Para mim, o fascinante, olhando para a campanha de 2012, será observá-los continuar a aprender e a crescer.



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5 comentários
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CROM

 

 

Mais uma favela que pega fogo em São Paulo. Só isso...Quanto ao livro:peça de campanha, desinteresse profundo.

 
 
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Gustavo Belic Cherubine

A Michelle precisa combater esse tipo romney...
Olhem a foto e a pergunta do blog americano:

http://www.westernprogressive.com/2011/10/mitt-romneys-money-photo.html

Será que vamos ser burros o suficiente para eleger um amigo tão fiel de Wall Street?

O candidato e seus amigos de WS
 
 
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JigSawJr

"Se o presidente perder, a derrota será uma anulação da história de Obama”

A anulação da história de Obama ocorreu quando ele foi contrário à tudo que havia prometido nas eleições.

Tudo bem que ele não teria conseguido nada (e conseguiu algo será?) se não tivesse cedido *algumas* vezes (risos e mais risos), mas a verdade é que fracassou como presidente.

Pior para o resto do mundo, que tem que torcer para o fracasso-Obama ganhar a eleição, pois é o menos-pior por aqueles lados.

 
 
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Maria Luisa

 A biografa relata aquilo que a gente sente ao ver a trajetoria de Obama na Casa Branca: dificuldade de lidar com o stablishment politico-econômico poderoso dos Estados Unidos, num momento de grandes transformações da Geo-politica mundial e da maior crise interna e externa desde 29. Tudo isso, o que não é pouco, levando-se em conta de que são negros e precisam de apoio de grande instituições americanas para aprovar os projetos mais sociais do governo Democrata e assim, Obama alcançar a reeleição.

Apesar de ter demonstrado fraqueza em alguns momentos, não ha escolha possivel entre um desses pré-candidatos alucinados e incrivelmente incultos do partido Republicano e Barack Obama. Torço também para que o primeiro presidente negro de uma grande democracia ocidental, faça um bom governo e deixe sua marca na historia.

 
 
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evandro condé de lima

Repararam quando ela comenta sobre os custos bancados pelos ocupantes? No Brasil é assim?

 
 

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