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O livro 'Lulismo, Carisma Pop e Cultura Anticrítica'Enviado por luisnassif, dom, 19/02/2012 - 07:29Por Otto Do Estadão.com.br Para psicanalista, Lula encarna um produto midiático que pode ser perfeitamente redesenhado MÔNICA MANIR Era o X Congresso dos Metalúrgicos, 1979, Poços de Caldas, e o João Bittar ali, na porta do banheiro do hotel, na cola do Lula. Diz que o Lula saiu do banheiro e, entre irritado e desafiador, levantou a blusa: "Quer fotografar o meu umbigo também?" Estava tudo engatilhado, Bittar não pensou duas vezes. Clicou a foto mais importante da sua vida. Anos depois ele diria que, se Lula escorregasse numa casca de banana, o fotografaria do mesmo jeito. Bittar morreu em dezembro do ano passado e o ex-presidente continua surfando no próprio carisma. É hoje tema de escola de samba e articulador do PT na campanha para prefeito de São Paulo, que esquenta forte os tamborins.
Num primeiro momento, o psicanalista Tales Ab’Sáber achou a foto "muito comercial" para ser capa do seu livro. Num segundo, entendeu a proposta do editor. Lula apontando para o umbigo apontava para dentro do livro também e tinha a ver com o mergulho que esse professor de filosofia da psicanálise da Unifesp fazia na personalidade do ex-presidente. Mais ainda: "É uma foto icônica, uma imagem de autocondescendência e narcisismo, muito narcisismo, de resto que nem o do Fernando Henrique". É disso que Tales trata nessa entrevista: do lançamento do livro Lulismo, Carisma Pop e Cultura Anticrítica, da Hedra, em que ele pensa a figura desse homem público com poderes de mercadoria; dos efeitos da quimioterapia no redesenho desse produto; da oposição brasileira aparentemente perdida num vazio ideológico; e da falta de crítica à homogeneidade que está aí. "A arte e o pensamento estão mortos", sentencia, arranhando a barba. Estado: Lula tema da Gaviões da Fiel é a representação máxima de seu carisma pop? Tales Ab’Sáber: Já faz muito tempo que as escolas de samba puxam uma asa para o discurso oficial, às vezes de forma vendida, às vezes de forma comprada. Já teve escola fazendo o Maranhão, que era um jeito paralelo de falar do José Sarney. É um movimento das escolas de tentar se colocar à altura dos poderes da sociedade. Então não surpreende que uma delas eleja o Lula como tema, considerando o sucesso e a intensidade recente do personagem. Agora, é claro que existe um vínculo muito especial e pouco pesquisado do Lula com o Corinthians. Estado: O que foi pouco pesquisado? Tales Ab’Sáber: A cidade tinha um estádio pronto, um estádio tradicional, um estádio grande, um estádio bom. Como isso foi abandonado para construir do zero um outro estádio? É evidente que é uma decisão econômica, de bons negócios, e isso fala muito do nosso momento. Se é racional, se não é racional, todas as discussões desaparecem diante do fato de que algumas pessoas vão enriquecer com isso. É uma história mal contada. No futuro a gente vai saber como é que o presidente, de algum modo, teve uma agendinha pro Corinthians. Isso está sendo coroado agora, no carnaval. Estado: Em que medida a falta de barba e talvez um prejuízo na voz afetam o carisma do ex-presidente?
Tales Ab’Sáber: Acho que, no Brasil, houve uma mudança do nível do carisma. Ele funciona agora como uma marca, um brand forte, tal qual a Coca-Cola. Funciona sozinho, não precisa de esforço para se reproduzir. O governo Lula e as forças que se congregaram em volta acabaram por transmutar a posição de um carisma pessoal, popular, para um carisma midiático, algo semelhante à propaganda. Se houver uma perda significativa na voz, isso é muito sério pro Lula. Sua voz é uma singularidade do seu corpo. Agora barba, signos assim, podem ser perfeitamente redesenhados, como se redesenha uma mercadoria de ponta, sem perder nada. O pacto desejante ao redor dele é muito grande. Estado: Só por causa do carisma? Tales Ab’Sáber: Não só. É também pela facilidade de conciliar contradições, de colocar na mesa inimigos que não se relacionariam em nenhum outro lugar. Lula é o conciliador da direita com a esquerda, o popular com o capital. Essa figura política é muito importante, esse lugar ele não perde. O mensalão foi, paradoxalmente, o grande golpe do acaso a favor do Lula. Aquela foi uma crise muito grave, botou o governo em risco, mas acabou por diminuir a potência do PT e liberar o poder do seu líder, que era o presidente. Ele precisava ficar protegido e, ao mesmo tempo, negociar uma possível anistia para o mensalão. Um ano e meio antes, Lula era uma figura simbólica. Com a queda do José Dirceu e toda a estrutura do partido, entrou como articulador do seu próprio governo. Estado: A crise econômica global ajudou também. Tales Ab’Sáber: Sim, houve uma mudança do significante que vem do todo. O capitalismo regrediu e o Brasil continuou na mesma. Podia ter acontecido antes ou depois, embora não tenha sido por acaso o fato de estarmos protegidos nesse cenário. O sistema financeiro era forte; a China era um guarda-chuva para o País porque comprava e compra grande parte dos nossos produtos; e íamos vender petróleo. O capitalismo está regredindo agora, mas daqui a cinco anos pode crescer pelo Brasil. Isso é a estrela do Lula. Ele tem sorte para que todas essas coisas aconteçam para ele. Estado: Ao mesmo tempo, tentou três vezes a Presidência e não conseguiu. A estrela ainda não estava no ponto?
Tales Ab’Sáber: O que permitiu ao PT chegar ao poder foi a adesão aos parâmetros do capitalismo contemporâneo. Com isso ele ocupou as funções históricas do PSDB, cuja base social, o capitalismo financeiro brasileiro, aderiu ao projeto petista. Além disso o PT agregou, por meio do Lula, a ideia de que a grande massa de excluídos brasileiros está incluída via mercado. Lula conseguiu um pacto de aceitação da classe trabalhadora da gestão capitalista da sua existência. Para tanto, as pessoas precisavam acreditar que estavam ganhando algo, mesmo que fosse pouco mais do que ganhavam. A integração é simbólica. Aí está o carisma no sentido mais forte. As pessoas acreditavam que estavam num processo de integração por amor a ele. Do ponto de vista crítico, essa integração é mínima. A vida dos brasileiros continua horrorosa, as pessoas continuam acordando às 4 da manhã para pegar um ônibus lotado, para ganhar muito pouco, para não ter perspectiva alguma de educação, para morar em lugares horríveis. Mas todas essas mazelas estão suspensas por um horizonte de que está acontecendo alguma coisa. Tem um psicanalista, o Donald Winnicott, que diz que a mãe precisa ser suficientemente boa para o bebê. Ela não é infinitamente boa, nem perfeitamente boa. Ela é boa o suficiente no trabalho difícil de ajudar o filho a crescer. Poderíamos dizer que o governo Lula foi suficientemente bom para uma integração capitalista brasileira. Bom o suficiente. Nem bom demais, nem bom de menos. Isso é raro no Brasil. Essa é a obra de Lula, mais do que o Bolsa-Família. Estado: O Obama, quando eleito, tinha uma popularidade altíssima, que regrediu nos últimos tempos. Foi apenas o acaso da crise do capitalismo do mundo? Tales Ab’Sáber: Não dá para comparar o estágio atual de desenvolvimento dos dois países nem sua estrutura política. O Brasil inventou esse presidencialismo de coalizão, que tende a trazer todos os pequenos partidos e os de centro para dentro do governo. O PT era fortemente crítico a esse jogo fisiológico da política brasileira. Ele viria para modernizar e racionalizar isso daí. Cedeu em toda a linha, cedeu à tradição brasileira. Estado: E continua cedendo, aceitando uma maior proximidade com o PSD? Tales Ab’Sáber: O PSD quer o poder, porque esses partidos são partidos de poder. É muito diferente dos EUA. Lá o Obama enfrenta uma oposição ferrenha, irracional, antissocial, que chega a ser delirante. E, nessa luta ferrenha do partidarismo, o Obama perdeu força porque não conseguiu operar bem essa linha. Lá é branco e preto, lá tem que vencer o inimigo. Ele não conseguiu forças pra isso, então congelou o governo por um bom tempo. Só que os americanos são muito pragmáticos. Querem que o Obama faça, é responsabilidade dele achar um modo de resolver isso. Aqui quase toda a oposição é a favor do governo. Estado: Como avalia o momento do PSDB, com a indefinição quanto às prévias para escolher um candidato à prefeitura de São Paulo? Tales Ab’Sáber: Essa insolidez do PSDB tem origem lá trás, quando as bases sociais do PSDB migraram para o projeto petista-lulista. Isso ficou claro quando banqueiros vieram do primeiro para o segundo turno dizendo que, para eles, tanto fazia a vitória do Lula ou do Alckmin, que não importava mais o teatrinho do passado em relação ao PT. Importava a eficácia do partido em mobilizar o capitalismo contemporâneo. Ali o PSDB acabou. O PSDB nunca teve enraizamento social ligado a movimentos sociais, não conseguiu se infiltrar na federação como o PMDB. O PSDB era o partido que modernizaria o capitalismo brasileiro e que serviria como tampão para evitar a chegada ao poder do PT. Como o PT virou o horizonte de modernização do capitalismo, a necessidade política do PSDB se desfez. Hoje o PSDB é um monte de cacique sem estrutura, sem força política, lutando para ver se se sustenta como um símbolo vazio. Estado: A candidatura de José Serra poderia reverter esse processo? Tales Ab’Sáber: Olha, daria para fazer um livro sobre o Serra também. Neste momento, o Serra precisa assumir que é uma liderança importante e desarticuladora. Sempre foi. É uma tendência autoritária dele se impor a todos os debates. O que o Lula tem de agregador, ele tem de ataque às ligações. Ao mesmo tempo, é o herdeiro da confiança da elite conservadora paulistana, que agora não tem objeto em que depositar sua esperança a não ser ele. De algum modo, o PSDB está refém do Serra. O partido não tem alternativa, não dá para vir com o neto do Mario Covas, que é um moleque. É muito patética essa tentativa de construir um Chalita na última hora. Estado: Falando em Gabriel Chalita, como classificar o carisma dele? Tales Ab’Sáber: Esse é um grande sedutor. A carreira dele é a construção de mecanismos de sedução. O Chalita era um professor do Colégio Santa Cruz quando tentou ser vereador. Depois foi professor da PUC, onde quase virou reitor. É um demagogo, mas um neodemagogo, um demagogo pós-moderno. O Lula tem carisma, mas sempre representou forças reais, como representava Getúlio Vargas. O suicídio do Getúlio foi uma ação carismática com um gesto sobre o próprio corpo. Mesmo que sobre a morte, ele barrou o processo político que estava acontecendo. E aí a gente vê o tipo de compromisso que o Max Weber fala que o líder carismático tem. Ele empenha sua existência, chama o jogo para si, é o cara. E o Chalita? É um tipo Jânio, só a sua própria voz. Estado: Por que ele seduz? Tales Ab’Sáber: O Chalita é o menininho falso brilhante de classe média. Ele escreveu 60 livros. Seria um gênio, se um livro dele prestasse. Foi secretário de Educação do governo Alckmin, uma barbaridade. Um moleque sem lastro técnico nenhum dirigindo a Universidade de São Paulo, a Unicamp, e não houve reação a isso. Aí você vê como essas figuras conservadoras são fortes em São Paulo. Ele é uma mistura de radialista, animador e falso intelectual, que no entanto funciona perfeitamente. O Lula tem muito medo dele. O Lula vê que a demagogia dele é eficaz. Estado: E que símbolo é o Fernando Henrique? Tales Ab’Sáber: O Fernando Henrique foi negado pelo tucanato durante todo o governo Lula, não por acaso. No fim do governo Fernando Henrique, ele era um passivo muito grande para o PSDB, se configurando uma figura antipopular porque o País ficou anos parado, sem crescimento. Os marqueteiros tinham pesquisas dizendo: "O Fernando Henrique tira votos". Então ele tinha que ser deixado de lado porque a ideia era levar o Serra para o segundo turno para que o PSDB não sumisse naquela hora. Houve um momento de pânico. Depois disso, a própria Dilma fez um gesto de recuperar o Fernando Henrique, talvez como figura histórica, como diferenciação dela em relação ao Lula, na mesma linha do afastamento do imbróglio diplomático com o Irã. São gestos fáceis, que não significam nada, até pela avaliação de que o PSDB está estraçalhado. Com o esvaziamento do tucanato, o Fernando Henrique volta como uma coisa bem brasileira, que o Machado de Assis chama de medalhão, uma pessoa acima do bem e do mal, embora o livro A Privataria Tucana mostre que os tucanos não estão assim tão acima do bem e do mal. Aliás, se o Serra for mesmo o prefeito, espero que esse livro finalmente venha à tona. Os políticos não querem tocar nisso porque é provável que toda a política brasileira esteja funcionando assim hoje. É isso que é aderir incondicionalmente ao capitalismo. Estado: O Lula volta em 2014? Tales Ab’Sáber: Tem que lustrar a bola de cristal. Não sei. Depende muito do seu estado físico. Parecia que o mandato da Dilma seria um tampão para a volta do Lula, mas, se o governo dela estiver indo bem, talvez não haja necessidade disso. Acho que o Lula é um político de horizontes mais amplos, não necessariamente precisa estar no governo, desde que esteja produzindo um projeto político. Estado: Ele não precisa dos holofotes? Tales Ab’Sáber: Acho que precisava até chegar à Presidência. O fato de não ter flertado com o terceiro mandato abriu uma perspectiva mais ampla do que a mera política de estar no poder. No momento está jogando para a conquista da prefeitura de São Paulo, fazendo um movimento de renovação que os outros partidos não fizeram. Ele escolheu a Dilma, neófita, por um motivo que parece técnico. Do mesmo jeito escolheu o Haddad, um tipo de quadro de que o PT não gosta porque não vem das bases operárias, não vem da gestão cotidiana do partido. Curioso que o Haddad seja um pouco semelhante à Marta. É um cara que tem ligações com a universidade, um especialista, um professor, foi escolhido a dedo para ganhar esse povo que resiste ao PT em São Paulo. Vão atacá-lo porque roubaram uma prova do Enem? Não é culpa do MEC roubarem uma cópia do Enem. Foi um crime comum, um caso de polícia. O Haddad não conseguiu dizer isso. Ele passou recibo, aceitou como se fosse uma coisa do ministério. Nesse sentido, mostra que não é um político muito hábil. Estado: No fim do livro você escreve que a homogeneidade cultural prepara a homogeneidade política. Tudo está junto e misturado? Tales Ab’Sáber: Tudo é a mesma coisa. Isso é uma péssima notícia política para o tucanato. Ele não faz mais diferença. Perfume francês, falar inglês e ter passado por Harvard seis meses? Pode ser o Kassab também. Todos os políticos querem inflar a economia, inserir mais gente no consumo, e vai criando este mundo em que mesmo as pessoas de vanguarda não suportam a vanguarda. Não suportam a negatividade. O Brasil está muito fechado nisso. O centro do capitalismo, por causa da crise, perguntou que mundo é este. No Brasil, não. Aqui, o mundo é este. No centro do capitalismo se sabe que o capitalismo não entrega inteiramente o seu bife. Cria-se toda essa cultura de fetichismo e uma hora isso acaba. Puf! E aí as pessoas podem passar dez anos num inferno. Já se pergunta se esse é o melhor jeito de a humanidade viver, com tanta riqueza, com tanta tecnologia. Mas isso vai demorar muito tempo para se transformar numa teoria crítica de transformação. Vai se fazer uma nova rodada de todo poder ao mercado, de todo poder ao dinheiro, com tudo o que isso tem de doença. Estado: Se o mundo não acabar neste ano. Tales Ab’Sáber: Se isso não destruir o mundo antes.
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Comentários + votados
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Raí
19/02/2012 - 08:33
Toda esta sociologia política do Prof.Tales, não chega ao âmago da questão.
O que o carismático Lula, que sempre foi aglutinador e condutor da sua categoria, até chegar à política, aonde mais do que...
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aleXandre
19/02/2012 - 08:56
Não é preciso chegar á metade da leitura pra saber q se trata de apenas mais um item pra vassta biografia anti Lula q infesta nossas livrarias.
sinceramente, não deve ser muito diferente...
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Jose de Almeida Bispo
19/02/2012 - 09:01
Análise preparada exclusivamente para os "moderados" do neo-udeno-tucanismo. Inveja e despeita o tempo inteiro. Boçalidade intelectual tipo "eu sou doutor, sou do Olimpo, pois!" Aliás, esse rapaz...
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maria rodrigues
19/02/2012 - 09:02
Esse Chalita é de fato um cara esperto demais. Sempre penso que ele pode ser eleito como Prefeito, pois é bastante conhecido nos meiso políticos e sociais da cidade de São Paulo. Acho que o...
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Edmundo Adôrno
19/02/2012 - 09:03
Raí,
Seu último paragrafo, a meu ver, sintetiza aquilo que o Prof Talles não disse. Cá entre nós, acho que o Prof Talles como outros muitos, tem dificuldade em dizer a verdade que solta aos...
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Roberto M Almeida
19/02/2012 - 09:14
Chalita é um engodo, FHC foi um engodo,assim com Janio Quadros, esta elite palista é o mair engodo do país.
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aleXandre
19/02/2012 - 09:15
depois de uma leiturazinha vertical dá pra perceber que ele até tem posições razoáveis sobre Serra e FHC. mas não tem coragem nem interesse de fazer um Livro sobre elas. sabe que tem um nicho...
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Celio Mendes
19/02/2012 - 09:31
"O povo necessita de figuras polêmicas e por que não dizer folclóricas como o ex presidente , sempre foi assim ..."
É verdade, esse blog tambem precisa dessas pessoas e graças a Deus elas não...
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viviane legnani
19/02/2012 - 09:34
Lúcido, adorei! Consegui enxergar antes, na frente de milhares...
"O centro do capitalismo, por causa da crise, perguntou que mundo é este. No Brasil, não. Aqui, o mundo é este."
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Raí
19/02/2012 - 09:35
O comentário(maldoso e reacionário)do Josias de Souza, no seu blog, soa rançôso e patrulhador, porem é a admissão de que nada, absolutamente nada, poderá deter a avalanche de aumento da popularidade...
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Raí
19/02/2012 - 09:56
Oh meu "cumpadre" Jose Antonio, você compraria o livro desta "bêsta" ?
Ao contrário do livro do Amaury, o do sábio sociólogo, vai "mofar"nas prateleiras das livrarias, mesmo ele tendo usado o citado...
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Gilson Garcia
19/02/2012 - 10:00
Pérolas!
“Acho que, no Brasil, houve uma mudança do nível do carisma. Ele funciona agora como uma marca, um brand forte, tal qual a Coca-Cola.”
Discordo! Nosso Presidente é mais popular que a...
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Sérgio Troncoso
19/02/2012 - 10:06
Só gostei da crítica ao modelo político brasileiro, de resto foi mais do mesmo.
E o interessante é que mesmo o Lula tendo feito um governo liberal, capitalista, acrescentado de várias políticas...
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Marco Antonio L.
19/02/2012 - 10:11
Lulista fanático deve ser bom mesmo né? Com 90% de aprovação popular, com certeza deve ter muitos milhões de fanáticos brasileiros pelo maior líder do planeta. Sem contar nos outros países...
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Leonardo Ja.
19/02/2012 - 10:40
Apesar da entrevista ser um tanto quanto superficial, se a tivessem lido com atenção veriam que a análise apresentada pelo entrevistado é muito mais profunda do que simplesmente uma análise...
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Emilio GF
19/02/2012 - 11:14
Tenório era uma celebridade local. Andava armado com uma metralhadora - a famosa "lurdinha".
Getúlio foi um ditador, prendeu e torturou aos borbotões. Pra agradas a Hitler, mandou uma prisioneira...
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O povo necessita de figuras polêmicas e por que não dizer folclóricas como o ex presidente , sempre foi assim . Tempos atrás no Rio de Janeiro existia um político que marcou uma época , por suas atitudes inesperadas quebrando assim a mesmice de sempre, era o Tenório Cavalcante e sua inseparavel capa preta , seu sucesso foi mais local . Getúlio Vargas foi outra lenda viva , seus partidários eram verdeiros fanáticos e estavam dispostos a qualquer coisa pelo caudilho gaucho , e teve um fim trágico . Janio em São Paulo teve seus momentos de super star . Agora temos Lula que criou uma figura ligado ao povão , paternalista e protetor , e com isso chegou a presidencia da república , mas como os anteriores ficara na história , e so o tempo dira sua dimensão real .
"O povo necessita de figuras polêmicas e por que não dizer folclóricas como o ex presidente , sempre foi assim ..."
É verdade, esse blog tambem precisa dessas pessoas e graças a Deus elas não falham são sempre as primeiras a se manifestar.
Srªs Senadoras e Srs. Senadores, a Transparência Internacional divulgou, nesta terça-feira, a classificação anual dos países mais corruptos do mundo, e a situação do Brasil, sob o império do “lulismo”, só piorou. Demóstenes Torres 08/10/2003
Discordo: no caso nem é polêmico nem folclórico, simplesmente bobo.
Narciso acha feio o que não é espelho , assim como os lulista detestam o que não seja elogio ao seu supra sumo , isso não difere do fanatismo cego de um um homen bomba . E o pior é numa democrácia não se respeitar a opinião contrária , e agredir . É a demonstração clara da intolerancia e falta de civilismo da convivencia com os opostos .
Armandinho do espelho, vamos à lição de hoje? O tema é "acentuação". Vamos lá:
- democrácia (errado) democracia (certo)
- intolerancia (errado) intolerância (certo)
-convivencia (errado) convivência (certo)
Amanhã abordaremos a grafia correta das palavras (homen X homem), o emprego correto de palavras assemelhadas (civilidade X civilismo) e algumas figuras de linguagem, como anacoluto (falta de nexo entre o início e o fim de uma frase) e litotes (essa fica como lição de casa consultar o dicionário).
Tanta coisa para criticar no que o cara diz, e você criticando ortografia! Que pobreza de espírito! E elitismo antidemocrático. Nao é porque escreve errado que o cara é péssimo.
Analu, concordo contigo até porque muitas pessoas, como eu, não fazem rascunhos e os textos aparecem sem acentos, faltando ou repetindo sílabas. Não se mede ninguém pela forma de escrever num blog.
Eu, mesma, vou que vou sem corrigir nada e sem rascunho e para piorar não sei digitar...rs, ainda bem que meus trabalhos são digitados por profissionais do ramo...
Ademais acho que aqui no blog não tem nenhum membro da ABL.
Sanzio professor e corretor ortográfico do blog , ja responderam por mim sua forma de desqualificar minhas opiniões , no mais bom carnaval para você e familia ,sem rancor...
Os intolerantes sem civilidade democrática são os proximos a se pronunciar , detestam a opinião diferente , preferem a vida de gado , povo marcado povo feliz como canta o nosso Zé Ramalho...
Pois, Armando, eu acho imprescindível o contraditório. Ainda que eu não concorde com vc eu respeito sua opinião. Tem gente que gosta de provocar só porque o outro não tem a sua mesma ideologia. Graaaaaaaaannnde bobagem! E se partirem para abaixaria, como já aconteceu comigo, eu nem respondo..., fala sozinho!!!
Tenório era uma celebridade local. Andava armado com uma metralhadora - a famosa "lurdinha".
Getúlio foi um ditador, prendeu e torturou aos borbotões. Pra agradas a Hitler, mandou uma prisioneira grávida aos campos de concentração.
Jânio era um golpista enrustido, tentou aplicar um "bordaberraço" no país e se deu mal. Quando o milicos sentiram o chão faltar-lhes sob os pés, devido às greves e protestos de 1968, pegaram o Jânio como plano B e o guardaram em Corumbá. Submisso, aceitou.
Lula venceu eleições. Em seus governos, a imprensa atuou com toda a liberdade, tentando golpes e inventando crises a cada semana. Até a queda de um avião lhes serviu de mote. O único caso no mundo onde um presidente é culpado pela queda de um avião!
E Lula saiu de tudo isso ileso, grande, reconhecido nacionalmete e internacionalmente. Mudou as feições do país, tirou dezenas de milhões da miséria, recuperou o crescimento e muia coisa mais.
LULA É UM GRANDE HOMEM. TÃO GRANDE QUE AINDA NÃO PASSOU PELA GARGANTA DAS ELITES FINACEIRAS E INTELECTUAIS.
Um tanto simplista.
Tenório, Getúlio e Jânio foram muito mas que isto. Tenório foi uma espécie de coronel do Nordeste em Duque de Caxias, ajudando os retirantes que chegavam em paus de arara com casa, emprego etc, mas também eliminando desafetos a bala. Costumava dizer em sua velhice: "muitos perguntam quantos eu já matei, mas ninguém pergunta quantos eu já salvei da morte certa". O Getúlio ditador foi o mesmo Getúlio extremamente chorado após o suicídio, pelo povo pobre. As imagens e vídeos da época não nos deixam mentir. Já seus inimigos, tiveram que fugir feito ratos. Jânio era golpista? Mas quem não era naquela época? Como afirmou em uma palestra o professor José Murilo de Carvalho da UFRJ, democracia no Brasil dos anos 50 e 60 era coisa de burguês, não se dava à democracia o apreço que damos hoje.
No mais, admiro profundamente nosso ex-presidente como pessoa e como político
Toda esta sociologia política do Prof.Tales, não chega ao âmago da questão.
O que o carismático Lula, que sempre foi aglutinador e condutor da sua categoria, até chegar à política, aonde mais do que liderança e poder de condução dos liderados, é preciso saber ceder nas negociações, fez, foi mostrar à grande massa, e não somente aos engajados politicamente, que era perfeitamente possível, alguem que saiu do chão de fábrica, e sem a tradicional formação universitária, governar uma nação carente e endividada socialmente com a maioria.
Foi assim, que ele reverteu uma quase desconfiança dos "letrados" e governou por dois mandatos, ultrapassando tempestades, que em proporções menores, derrubaram e/ou desacreditaram antecessores seus, na Presidencia.
O que a Escola de samba homenageou com seu enrêdo, não foi um ex-Presidente bem sucedido, e que por acaso, torce para o time do mesmo nome da dita escola, e sim, um representante da classe trabalhadora, que conseguiu fazer da palavra mobilidade social, uma esperança possível, que qualquer um que acredite e lute por um sonho, certamente conquistará.
Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.
Raí,
Seu último paragrafo, a meu ver, sintetiza aquilo que o Prof Talles não disse. Cá entre nós, acho que o Prof Talles como outros muitos, tem dificuldade em dizer a verdade que solta aos olhos. Daí, ficam teorizando bizantices.
Abraço.
O que a Escola de samba homenageou com seu enrêdo, não foi um ex-Presidente bem sucedido, e que por acaso, torce para o time do mesmo nome da dita escola, e sim, um representante da classe trabalhadora, que conseguiu fazer da palavra mobilidade social, uma esperança possível, que qualquer um que acredite e lute por um sonho, certamente conquistará.
Raí, querido, vc foi felicíssimo nesse comentário.
Um abraço.
Obrigado Márcia.
Eu apenas esternei o que penso a respeito da mobilidae social, que foi aproveitada, em toda a sua extensão, pelo nosso líder.
Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.
E fez com muita propriedade.
Muita saúde para nosso Lula e todos nós.
Disse tudo sobre Chalita: Neodemagogo pós-moderno tipo Jânio !
Nilson Fernandes
BELA ENTREVISTA!!!
Também gostei muito e a homenagem da escola de samba foi emocionante. Assisti pela Globo (eles tiveram que engolir!!!!....rs).
"O centro do capitalismo, por causa da crise, perguntou que mundo é este. No Brasil, não. Aqui, o mundo é este"
Os concietos do autor são emprestimos do mundo do Marketing e as ideias são velhas de mais de 100 anos. O fim da civilização ja era anunciado no final do seculo XIX na Europa , nem por isso a Europa acabou.
Dizer que o povo vive só de ilusões é não viver como vive o povo. A vida segue dura com certeza mas aqui e ali as coisas melhoram para os pobres e se isso não faz diferença para quem vive um vida de professor universitario , para os trabalhadores faz bastante diferença, embora não seja a revolução desejada pelos intelectuais.
Rapaz, pode não parecer, mas se você olhar BEM, aquela Europa do século XIX acabou com certeza. Em alguns aspectos não sobrou nem pedaço para mostrar daquela Europa racionalista, aristocrática, "vitoriana", industrial-progessista e tradicionalista do século XIX. Portanto, não confunda o fim de uma civilização (um modo de organizar e viver a sociedade em um lugar) com o fim de um povo, uma nação, um continente. Um povo pode muito bem continuar existindo, mas sua civilização pode já ser outra bem diferente.
"Dizer que o povo vive só de ilusões é não viver como vive o povo. A vida segue dura com certeza mas aqui e ali as coisas melhoram para os pobres e se isso não faz diferença para quem vive um vida de professor universitario , para os trabalhadores faz bastante diferença, embora não seja a revolução desejada pelos intelectuais."
Exatamente. Psicanalista vive muito bem, dado aos altos preços das sessões. Então não sabe o que é a vida real, ainda mais que se preocupa mais com a vida subjetiva das pessoas.
Fato é que objetivamente a vida do povo melhorou muito. Domésticas comprando carros, colocando seus filhos em universidade, tendo acesso a praticamente todos os bens de cosnumo que antes eram exclusivos da antiga classe média.
Isso é pouco para o professor, mas é muito paras essas pessoas.
O Lula poderia ter o carisma pop do Michel Jackson e da Madona juntos, mas se não fizesse o que fêz pelos pobres, não teria esses quase 100% de popularidade
Juliano Santos
Juliano,
Esta sua frase "Então não sabe o que é a vida real, ainda mais que se preocupa mais com a vida subjetiva das pessoas." me fez lembrar de outro psicoisa famoso, o Contardo Caligaris. Quando a campanha da Marta fez aquela propaganda que perguntava ao eleitor se ele conhecia o Kassab, se sabia se era casado, tinha filhos, Caligaris escreveu um artigo desancando a campanha, respaldado por conceitos acadêmicos.
Não durou nem um dia sua hipocrisia: um leitor aqui do blog postou um artigo do mesmo Caligaris, publicado meses antes, onde dizia exatamente o contrário, que achava importante o eleitor saber da vida privada do candidato, dizia até que ele queria saber com quem o candidato transava.
Pois bem, confrontado com a contradição hipócrita, Caligaris saiu-se com uma resposta rastaquera, dizendo que no mundo ideal dele as coisas seriam assim, mas no mundo real eram assado. Eu jamais duvido da capacidade das pessoas se venderem por um espacinho ma velha mídia.
Juliano, endosso seu comentário! Essa frase aqui:
"Lula conseguiu um pacto de aceitação da classe trabalhadora da gestão capitalista da sua existência. Para tanto, as pessoas precisavam acreditar que estavam ganhando algo, mesmo que fosse pouco mais do que ganhavam. A integração é simbólica. Aí está o carisma no sentido mais forte. As pessoas acreditavam que estavam num processo de integração por amor a ele. Do ponto de vista crítico, essa integração é mínima. A vida dos brasileiros continua horrorosa, as pessoas continuam acordando às 4 da manhã para pegar um ônibus lotado, para ganhar muito pouco, para não ter perspectiva alguma de educação, para morar em lugares horríveis. Mas todas essas mazelas estão suspensas por um horizonte de que está acontecendo alguma coisa."
Caramba! Que argumento incoerente, ilógico, surreal! Só um "intelectual" para dizer tamanho absurdo! "As pessoas ACREDITAVAM que estavam num processo de integração por amor a ele..." Que baboseira! Então os 20 milhões de brasileiros que saíram da pobreza para a classe média "se iludiram"? As pessoas que nunca puderam comprar um automóvel, compraram uma "fantasia" com volante e rodas? Seus filhos estão em universidades imaginárias? E esse "auto-engano das massas ignaras" vem de seu amor por Lula, é isso!!!??? O salário médio vem subindo a cada ano, o que é evidente e CONCRETA qualidade de vida melhor para esses brasileiros. Pró-uni não é pouca coisa, inclui milhões nas universidades!
Miragem é essa conclusão estapafúrdia, totalmente fora da realidade social vivenciada no pós-Lula!
Muito conversa mole para pouca coisa interessante.
O pensamento morreu? Fale pelo seu, meu caro!
Francamente, é cada uma que me aparece.
Não é preciso chegar á metade da leitura pra saber q se trata de apenas mais um item pra vassta biografia anti Lula q infesta nossas livrarias.
sinceramente, não deve ser muito diferente dos livros do merval, neumane, Azevedo, mainardi, kamel , tas,etc
Adoraria ver livros com este conteúdo nas estantes dos que leem Merval e os outros. Digo isto, porque não podemos confundir críticas que vem da esquerda à Lula com as críticas que vem da direita (Merval e os outros). Quem dera se o pessoal da direita lessem autores que trazem este tipo de crítica à política brasileira.
Não podemos confundir as coisas. E o autor não confunde. Tales Ab'Saber, assim como seu pai, Aziz Ab'Saber (grande geógrafo e o sujeito responsável por conduzir Milton Santos para a Geografia), fazem críticas duras ao governo Lula, mas estas críticas não são como as de Hélio Bicudo ou de Merval e os outros. São crítcas à esquerda, que chamam a atenção para o relacionamento inadequado que o PT tem desenvolvido com o grande capital. Sinceramente, vocês acham que no governo Lula o grande benefeciado foi o trabalho? Se os trabalhadores ganharam, não tenham dúvida, o grande capital ganhou muito mais. Pois até onde sabemos o Brasil continuou um país capitalista, aliás como o próprio Lula gosta de dizer: foi ele quem "fundou o capitalismo no Brasil".
E é interessante ver um estudo sob a perspectiva psicanalítica sobre a forma como Lula exerce e conquista a liderança política no Brasil. E colegas, Lula, por todos e êxitos e defeitos, é criticável sim. Só não podemos fazer as mesmas críticas que a direita faz. Digo isto só para reforçar que não acho que seja o caso aqui. Mas ainda não li o livro então não posso dizer.
Então vamos às críticas “à esquerda”:
- Lula é acusado de ter um “vínculo muito especial” com o Corinthians. E o que é esse “vínculo muito especial”? É o fato de ele ser um torcedor fanático do time? Não, é uma suspeita de negócios escusos na construção do estádio do time, sendo recompensado com o tributo carnavalesco. Assim, sem mais nem menos, sem qualquer indício, sem qualquer prova, apenas jogando a suspeita no ar. É assim que a esquerda faz a crítica?
- O fotógrafo João Bittar persegue Lula onde quer que ele vá, até ao banheiro, a ponto deste se irritar e desafiá-lo. Essa foto transforma-se, nas palavras do crítico “à esquerda” numa “imagem de autocondescendência e narcisismo, muito narcisismo”. Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Augusto Nunes não diriam melhor.
- “Isso é a estrela do Lula. Ele tem sorte para que todas essas coisas aconteçam para ele.” Ou seja, o Brasil passou relativamente incólume pela pior crise do capitalismo desde 1929, as ações pró-ativas do Governo no sentido de liberar dinheiro para o crédito, reduzir imposto sobre bens de consumo, além de ter liquidado a dívida externa e ter acumulado reservas suficientes para enfrentar um possível ataque ao Real, nada disso conta. Foi a sorte do Lula, a conjuntura internacional, o preço das commodities, a demanda chinesa, que salvaram o Brasil de ir para o buraco. Bela crítica “à esquerda”. (obs: até a direita internacional reconheceu os méritos do governo brasileiro, menos o famoso psicoisa).
- O PSD quer o poder, porque esses partidos são partidos de poder. É muito diferente dos EUA. Lá o Obama enfrenta uma oposição ferrenha, irracional, antissocial, que chega a ser delirante. E, nessa luta ferrenha do partidarismo, o Obama perdeu força porque não conseguiu operar bem essa linha. Lá é branco e preto, lá tem que vencer o inimigo. Então tá, aqui a oposição foi mamão com açúcar para o Lula. Um verdadeiro passeio. Louvações diárias em todos os jornais, revistas, telejornais. Lula chegou a dizer que governar o Brasil era muito fácil, que os jornais até exageravam nos elogios. Como assim, não foi ele quem disse isso? Foi o FHC? Puxa, como eu estou por fora. Preciso aprender com o professor doutor psicoisa a fazer a “crítica à esquerda”.
Paro por aqui, por cansativo, embora tenha muito mais “críticas à esquerda” no texto, como dizer que o que Lula entregou ao povo foi uma miragem, que as pessoas precisavam acreditar que estavam ganhando alguma coisa. A única crítica realmente à esquerda é a que os PSOL e PSTU da vida também fazem: Lula não fez a Revolução Comunista! Mas aí, meu caro, cabe menos gente na Kombi do que a turma do cansei. Podem estrebuchar à vontade, o povão está cantando e andando para esse quinta-colunismo da direita.
Realmente, o Estádio do Corinthians é um ótimo exemplo de uma crítica totalmente cabível à Lula ou ao governo Lula: sustentar e fortalecer o patrimonialismo brasileiro.
Ora Sanzio, sério, o Itaquerão foi puro tino empresarial do Andrés Sanches? Ora, me explique uma coisa: a Juventus constroi um estádio em Turim e ele custa 135 milhoes de euros. Arena multi-uso blábláblá... capacidade não sei quantas mil pessoas... ou seja, tipo um Itaquerão. Só que aqui o estádio do Corinthians, este que o Lula ajudou na negociação, vai custar um 1 BI, vai sair apenas por metade disto porque a prefeitura concedeu um baita desconto de impostos. Ou seja, o estádio sai por 450 milhões de reais, por causa da isenção. Tá, porque o estádio da Itália custa metade do que o do Brasil? Os italianos pagam salários piores aos seus pedreiros? Os escritórios de arquitetura da Itália cobram preços menores? Ora, esta obra, que é importante para o clube e para a cidade, tem como objetivo principal encher o bolso da Odebrecht de dinheiro. Odebrecht que é uma das maiores vencedoras de licitações para obras do governo brasileiro e também uma das maiores doadoras para as campanhas petistas (tucanas, também, mas eles já aprenderam que com governos petistas ganham muito mais dinheiro). E aí? Sério, que dá para deixar esta passar em branco? Ou você vai falar que é só paixão de corintiano? Não estou falando de Lula enriquecendo com isto, estou apontando a relação nefasta entre a esfera pública e privada que existe no capitalismo brasileiro. Esta relação que o Estado conduz o grande capital e transfere renda para a esfera privada de forma descarada (alerta Faoro). O Itaquerão é um ótimo exemplo disto.
Eu concordo que tem determinadas frases do Tales que parecem muito com as de "Merval e os outros", mas até que pondo a entrevista está devidamente contextualizada. O mesmo Estadão, outro dia na entrevista do Haddad, escondeu algumas perguntas da versão impressa na edição online. Contudo a avaliação que ele faz da chegada de Lula e o PT ao poder me parece acertada. E a inclusão promovida pelo governo Lula, que foi e é fundalmental mas é modesta, é esta de incluir no mercado consumidor. E no poder? Como as coisas são decididas? O Estado brasileiro, e é mais ou menos isto que o Tales fala em determinado momento, ainda é autoritário em seu planejamento e gestão. Melhorou com Lula? Sim. O suficiente a ponto de incluir no poder aqueles que sempre foram excluídos? Não. Lembre-se escutar movimento social não significa incluí-lo, significa apenas escutar. Mas como sabemos a outra opção, a mais a direita, é muito pior. O Tales, no entanto, já acha que com o PT cooptado pelo grande capital estes avanços na verdade não foram avanços mas apenas "acomodação de camadas" - avaliação que se conversar com um socialista mais radical e menos tolerante com o capitalismo acabará escutando.
E Sanzio as eleições passaram. Você comete o equívoco de comparar tudo que o entrevistado fala do PT com o PSDB. Ele não está falando do PSDB, ele está falando do PT. Teria sido interessante se a entrevistadora tivesse feito esta pergunta para ele: e o governo FHC? E o FHC? Mas como o entrevistado deixa claro, FHC é desinteressante demais para virar livro. E óbviamente a entrevistadora não quer um sujeito detonando o Estadão. E sinceramente, o governo petista enfrenta uma oposição ferrenha dos meios de comunicação e da elite, mas lá no EUA... você conhece no Brasil um movimento do tipo e tamanho do Tea Party? Ou dos tais libertários? Eles existem no Brasil, sim, mas são o tal dos 1%. Lá nos EUA o "Cansei" deles é o meio-oeste inteiro e eles vão para rua pra valer, não são esta meia dúzia de riquinho fazendo passeatazinha no final de semana igual no Brasil. São realidades que mercem ponderações para serem discutidas. Infelizmente ele não falou da mídia, talvez porque não o interesse ou porque esqueceu, ou porque avalia de forma incompleta. Mas não acho que seja sensato colocar na fala do cara coisas que ele não falou.
O que chamei atenção aqui foi para o seguinte: o governo Lula é e deve ser criticado. Assim como o próprio Lula. O Lula é político, você conhece algum político que não seja narcisista? Isto não significa que o ex-presidente é o capeta, só significa que ele é humano. Começar as frases com: Nuna antes na história deste país... por mais que seja verdade em alguns casos é também retórica típica de político. Eu não li o livro e eu não confio na edição do Estadão, portanto eu não ficarei aqui escrachando o entrevistado. Já li outras entrevistas dele e textos dele, que me pareceram, alguns, muito sensatos - teve uma entrevista em 2006 que ele explica porque anulou o voto para a prefeitura de São Paulo, mesmo sabendo que poderia culminar na eleição do Kassab.
PS: Você reparou que ele fala da Privataria? Você reparou que a crítica dele ao Haddad foi pela falta de energia em detonar aqueles que o culpavam por algo que ele não tinha culpa?
É realmente, igualzinho a turma do "Merval e os outros"
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