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O lado legítimo do direito autoralEnviado por luisnassif, ter, 08/03/2011 - 15:50
Por Ernesto Camelo
Atualizado às 15:50 Caro Wilton, Tenho um filho compositor. Nem falo em nome dele, mas do que acompanho de sua vida profissional e pessoal. Depois de uma bem sucedida carreira com sua banda, seguiu em carreira solo. Seus primeiros CD e DVD, assim como o segundo CD que será lançado no começo de abril, foram totalmente produzidos com recursos próprios. As antigas gravadoras (“majors”) só entraram nisso para fazer a reprodução em série e distribuição comercial. E de onde vieram esses recursos? Dos cachês de shows e, principalmente, dos direitos do autor, recolhidos sob forma de royalties a cada unidade vendida, e do que foi arrecadado pelo ECAD e distribuído pela sociedade a qual ele é filiado, no caso, a UBC. Foi também com essas receitas que ele se manteve, numa vida sem luxos, ao longo destes últimos três anos. Por motivos pessoais, objeto de discussões sem fim entre nós, nunca se propôs a captar recursos advindos de Leis de Incentivo à Cultura. Agora me diga: qual a razão minimamente legítima para tirar dele a remuneração que tem por um trabalho com dedicação exclusiva? Qual a razão para que seu trabalho seja apropriado por terceiros, seja lá com o objetivo que for. Numa festa, num baile, num bloco, todos que estão ali ganham pelo que fazem. Quem aluga os banheiros químicos, quem vende as bebidas, quem faz a segurança. O dinheiro do patrocínio vai para todos. E por que não para o compositor das músicas ali executadas, razão principal da festa que está rolando. Imagine você toda e qualquer situação, e me diga sinceramente se é razoável que alguém se apodere do trabalho do outro, ou dos seus frutos, só porque está a fim. Muito pode ser discutido em relação ao ECAD: o percentual retido para administração (um total de 25% quando somado ao valor retido pela entidade distribuidora), o prazo de proteção de 70 anos contados do falecimento do autor, a forma como se dá o rateio para distribuição, e mesmo a necessidade de existir um órgão de controle externo. O que não dá para colocar na mesa é a proposta de tirar do compositor sua mais regular forma de remuneração. Apropriar-se do trabalho alheio não é coisa de gente civilizada. Por Jorge Stolfi Talvez ajude colocar a questão na perspectiva histórica. O conceito de propriedade material surgiu ainda na pré-história: cada um tinha seu arco, machado, colar de conchas. Um conceito natural, pois se A pega o machado de B, este fica sem machado. O conceito de propriedade intelectual surgiu praticamete ontem. Por vários milênios depois da invenção da escrita, ninguém pensaria em pagar por copiar um texto, música ou imagem. Quem conseguia acesso a um livro, mesmo que emprestado, tinha implicitamente o direito de copiá-lo, e modificá-lo como bem entendesse, sem qualquer obrigação de recompensar o autor. E nem por isso pessoas dexavam de escrever livros, pintar quadros, compor músicas e poemas. O conceito de copyright surgiu apenas depois da invenção da imprensa. Ao contrário dos copistas de antigamente, uma gráfica podia ter lucro significativo com a venda de livros produzidos em massa. Autores então começaram a achar que tinham direito a parte desses lucros. Alguns autores mais afortunados conseguiram esse direito dos reis (daí o nome "royalty"). Esse conceito só vingou porque, ao contrário dos copistas, as gráficas eram poucas e tinham domicílio fixo, e portanto era fácil obrigá-las a cumprir o decreto real. Mesmo assim, o direito a uma percentagem das vendas não era visto como um direito natural do autor, mas como um privilégio concedido por boa-vontade do rei, como os títulos de nobreza. O direito de cópia manual para uso privado continuou existindo. Somente no último século é que se estabelece o conceito de propriedade intelectual --- de que textos, idéias, músicas, imagens pode ter donos, da mesma forma que objetos materiais. Esse conceito só tem sido viável enquanto os meios de reprodução dessas obras --- gráficas, gravadoras, cinemas, estações de rádio e televisão --- eram concentrados em empresas com endereço fixo (e portanto facilmente fiscalizáveis) e bem separados do público consumidor. O grande problema do direito autoral hoje é que o computador digital destruiu essa separação entre as empresas de reprodução e os consumidores de obras intelectuais. Hoje qualquer um pode reproduzir uma obra intelectual com a mesma qualidade de uma distribuidora comercial. A reação natural da indústria de entretenimento, que tem um enorme "patrimônio" de tais obras, foi tentar estender o conceito para baixo, insistindo que qualquer ato de cópia, mesmo privado ou entre amigos, deveria pagar o que o "proprietário" quisesse cobrar --- e que a falha em fazer isso constituiria crime de roubo. Além disso, para preservar esse suposto direito das distribuidoras comercias, a indústria alega que é necessário anular direitos estabelecidos dos cidadãos --- como privacidade, presunção de inocência, e usufruto de propriedade material. Do outro lado, consumidores estão cada vez mais questionando a viabilidade do conceito de "propriedade intelectual". A adesão estrita a esse modelo sem dúvida atrapalha enormemente muitas atividades humanas, como educação, socialização e crítica literária. Ele atrapalha inclusive a criação de novas obras. (É o mesmo efeito inibidor que patentes de software tem sobre o desenvolvimento de software, ou as patentes de genomas tem sobre pesquisa biológica.) Os defensores do modelo de proprieade intelectual alegam que ele é necessário para recompensar os autores e portanto garantir a produção de novas obras intelectuais. Mas esse não é o único meio de recompensar autores. Muitos livros, por exemplo, são escritos por acadêmicos que recebem salário para isso; os direitos autorais nesse caso são apenas um prêmio adicional, e não o ganha-pão do autor. Na verdade a cultura humana se desenvolveu muito bem durante milênios sem o conceito de propriedade intelectual. De qualquer forma, quem está mais brigando pelo enrijecimento das leis de propriedade inteelctual não é a sociedade em geral, nem mesmo os artistas (que não devem ser confundidos com profissionais de entretenimento). Quem briga por isso são os "latifundiários intelectuais" (as grandes empresas de mídia), e os atravessadores como o ECAD. Mas, principalmente, os EUA --- que lucram R$ 2 bilhões por ano, só no Brasil, por royalties de filmes e músicas.
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Comentários + votados
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LEN
08/03/2011 - 10:34
Boa nassif, Espero que apareçam outros depoimentos como esse por aqui para equilibrar um pouco o tema.
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edisilva
08/03/2011 - 10:44
Quem está pedindno para o Marcelo desistir dos direitos dele?
Eu não entendi. Se for este o caso, ele deve negar. Os direitos são dele e, se ele quer, deve receber por eles.
Agora, se for sobre CC...
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Ivan Moraes
08/03/2011 - 10:47
"Apropriar-se do trabalho alheio não é coisa de gente civilizada":
Mas o ponto da nova discussao causada pela internet nao eh esse. Ninguem esta duvidando de seu filho ganhar o que merece, como...
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barão do cafe arrependido
08/03/2011 - 11:01
Me desculpe a pergunta, mas voce bebeu?
Fiz força, mas não consegui entender nada do que deseja ou quis dizer. Não sei como tirar o direito dos artistas vai resolver o problema dos "...
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foo
08/03/2011 - 11:01
Não entendi o título "o lado legítimo do direito autoral", pois ninguém está falando que o direito autoral é ilegítimo.
Se alguém quiser usar a obra comercialmente, deve obrigatoriamente obter...
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Marcos Tavares
08/03/2011 - 11:04
É como eu escrevi no outro tópico:
O erro do argumento é confundir direitos do autor (inalienáveis em qualquer país do mundo, creio eu) com direitos patrimoniais sobre a obra.
Os direitos...
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W K
08/03/2011 - 11:07
"Apropriar-se do trabalho alheio não é coisa de gente civilizada"
Dependendo de como se interpreta esta frase, acho que todos nós consumidores, gente civilizada, nos apropriamos sim do trabalho...
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Ernesto Camelo
08/03/2011 - 11:31
Só prá situar, escrevi o texto em resposta ao comentário dabaixo do Wilton Moreira, em post das 07:40 hrs sobre a Ana de Hollanda:
"Não sei mas, eu acho que a piratria não comercial, aquela que o...
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Ivan Moraes
08/03/2011 - 11:32
"Acho que essa frase seria mais correta, se fosse acrescentada a expressão "apropriar-se sem pagar"":
Ai eh que esta! Nao ha dinheiro suficiente em circulacao em NENHUMA atividade cultural...
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Adriano Alves
08/03/2011 - 11:42
Exatamente! Misturar esses direitos serve para confundir a opinião pública. A indústria de entretenimento é a primeira a a querer prostituir o artista. Eu não me conformo com aqueles outdoors enormes...
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João Mac-Cormick
08/03/2011 - 12:16
"O lado legítimo do direito autoral" é sem dúvidas o direito de autoria. O que se deve discutir é o direito de comercialização da obra (direitos patrimoniais).
A frase é por demais ambígua: "...
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Carlos Henrique Machado
08/03/2011 - 12:16
Gostaria de colocar algumas questões, a primeira, uma observação do principal guru da música brasileira, Mário de Andrade.
"Uma arte nacional não se faz com uma escolha discricionária e diletante de...
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Pedro Germano Leal
08/03/2011 - 12:25
"Apropriar-se do trabalho alheio não é coisa de gente civilizada"
Literatura é, essencialmente, isso mesmo. Só não sabia que não era civilizada.
Alguém deveria processar Camões (talvez o '...
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Carlos Francisco de Morais
08/03/2011 - 12:49
Prezados, podem falar o que quiserem, mas eu ainda ficarei com a grande e linda Cacilda Becker: "Não me peça de graça a única coisa que eu tenho para vender!".
O resto é sxo dos anjos, discussão...
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Mauro Segundo 2
08/03/2011 - 12:53
Não entendo porque diabos um médico ou dentista que conecta seu computador em uma rádio online que só toca música clássica tem que pagar ECAD. Não entendo porque um taxista que sintonisa seu rádio em...
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Zeno
08/03/2011 - 13:18
Tudo o que é facilmente reproduzível por meios digitais tende, em termos de mercado, ao valor-zero. A armazenagem de informações, o trânsito em terabaites, etc. fará que ao valor unitário da...
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Ed Döer
08/03/2011 - 13:25
E há outros problemas.
E se o que consumo é de outro país?
Como decidir quem teria direito aos recursos?
Qualquer autoproclamado artista poderia exigir participação na divisão do bolo?
Seria dividido...
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Carl Pardal
08/03/2011 - 13:38
Direito Autoral: Para enriquecer a discussão sobre o tema...
Hyde: direito autoral cerca cada vez mais o que antes era comum (06/03/11)
Por Lewis Hyde
O ensaísta americano Lewis Hyde,...
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Gilberto SP-Capital
08/03/2011 - 14:17
Pense comigo. Muito antes da internet, do creative commons e do mundo virtual:
Um autor recebia mais direitos pelo fato de uma obra sua se encontrar numa biblioteca pública e ser portanto lida...
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Jorge Stolfi
08/03/2011 - 14:34
Talvez ajude colocar a questão na perspectiva histórica.
O conceito de propriedade material surgiu ainda na pré-história: cada um tinha seu arco, machado, colar de conchas. Um conceito natural...
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Boa nassif, Espero que apareçam outros depoimentos como esse por aqui para equilibrar um pouco o tema.
Visitem o Blog Ponto & Contraponto. Twitter: @len_brasil Robozinho do blog: @pontoXponto
Não entendi o título "o lado legítimo do direito autoral", pois ninguém está falando que o direito autoral é ilegítimo.
Se alguém quiser usar a obra comercialmente, deve obrigatoriamente obter permissão do autor.
Nós só criticamos a falta de equilíbrio: a criminalização da cópia sem fins comerciais.
É injusto, por exemplo, que um estudante seja proibido de copiar um livro para estudo.
Se depender do lobby do Ecad, porém, o copyright que hoje dura 70 anos (após a morte do autor) se tornará eterno; E o compartilhamento de músicas será considerado crime hediondo.
E eu não estou brincando: o advogado do Ecad que foi cotado para a área de direitos autorais defendia publicamente que o copyright deve ser eterno. Ele não conseguiu a vaga (graças à vigilância da blogosfera) mas colocou uma colega.
Nós só criticamos a falta de equilíbrio: a criminalização da cópia sem fins comerciais.
É injusto, por exemplo, que um estudante seja proibido de copiar um livro para estudo.
Defina comercial.
Esse uso "não comercial" que vc acredita existir é lenda. No sistema capitalista isso não existe.
Esse aluno não está sozinho em uma sala de aula. A pirataria do xerox impossibilita, a médio e longo prazo, o trabalho de qualquer escritor.
Essa discriminação contra as letras vem de uma outra ilusão alimentada pela internet: qualquer alfabetizado acha que pode escrever.
Concordo inteiramente com voce.
O blog do Nassif, que critica tanto a imparcialidade da midia tradicional, estava se tornando a trincheira do movimento que pretende legalizar a pirataria.
Você entra com pseudônimo, coloca todos seus comentários sem ser impedido, posto um comentário do nosso estimado Ernesto Camelo, defendendo os direitos autorais. E agora você vem acusar o blog de defender a pirataria e compara-o com a mídia tradicional. Cada de pau é pouca, prezado barão das candongas.
Voce sabe perfeitamente meu nome, endereço e quem sou. Durante anos participei intensamente com comentarios em seu blog.
Voce sabe tambem, porque declarei e assinei na ocasião, a razão de ter me descadastrado de seu blog.
A maioria aqui usa pseudonimo para atacar uma ministra que nem assumiu direito o seu cargo, numa violencia assustadora, como classificam artistas e suas familias, como desocupados que exploram o nada para viver.
Não pretendo lhe incomodar em outros temas com comentarios. Mas, desculpe-me, é visivel a quantidade de posts que voce coloca de pessoas defendendo que o trabalho dos artistas deve ser distribuido gratuitamente, "disponibilizado". Inclusive o nivel desses comentaristas não era o comum em seu blog.
Todas as vezes que ler em seu blog ou em outro afirmações tão absurdas, como tem acontecido aqui, irei responder.
O direito de censurar ou não, evidentemente, continua em suas mãos.
Continuo achando que apesar de voce, pela quantidade de posts que coloca, ser favoravel a tese da distribuição gratuita do trabalho alheio, não é um homem favoravel a censura.
Não tenho a menor ideia sobre quem você é. E os posts são selecionados de acordo com a qualidade dos comentários. Hoje mesmo tem dois posts importantes a favor do copyright. Lembro que aqui foi o único veículo que deu a palavra ao MinC, através de uma entrevista com o Grassi.
Acho que a questão é semântica: o blog pode não ter a defesa da pirataria como princípio, mas a grande maioria dos visitantes sim. Basta ler os comentários em posts sobre o tema.
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Direito. Meus direitos.
Se e somente se as idéias tivessem proprietários e tivéssemos que pagar pelo acréscimo de cultura e saber que nos proporcionaram, seria aceitável a proibição da veiculação delas.
Imaginemo-nos todos puros e vazios de história e cultura. Cada um aprende por si (e para si). Ninguém aproveita nenhuma criação dos outros (sem pagar). Cada palavra original nossa teria direito de propriedade garantido por lei.
Ora bolas, desde que emiti o som, que pelo ar atingi ouvidos incautos...
Como controlar a apropriação da minha criação? Que lei? Que computador poderá retornar-me em dinheiro o bem que agreguei à cultura? Sou um injustiçado criativo que tive minhas idéias (que surgiram do nada, através da minha genialidade) surrupiadas pelos demais?
Por esse raciocínio, o dos direitos autorais, terei, eu o gênio da raça, que pagar direitos sobre todas as idéias que toda a humanidade teve até hoje e agregá-los às minhas, cobrando pelo uso das idéias acopladas que lanço ao ar de forma criativa. Ninguém deve repetir minha música, ninguém declamar minha poesia, ninguém imitar minha arte pictória, ninguém repetir minhas teorias filosóficas, científicas, minha sabedoria impar. Só se pagar.
Tudo é muito estranho nesse mundo de posses...
Quem está pedindno para o Marcelo desistir dos direitos dele?
Eu não entendi. Se for este o caso, ele deve negar. Os direitos são dele e, se ele quer, deve receber por eles.
Agora, se for sobre CC que estamos falando, parece que é mais desinformação.
Eu estava vendo ainda há pouco um documentário sobre a segunda guerra e o que o governo japonês falou para o povo de Okinawa sobre os americanos. Disse que eram monstros que cortariam as orelhas, os deformariam e depois os matariam de forma cruel. Em vista disto, o povo entrou em cavernas onde muitos morreram pelas péssimas condições do local. Condições sanitárias e desmoronamentos. Bom, o que percebo é exatamente isto: querem demonizar o "inimigo" e pra isto usam de todas as mentiras possíveis. Até Microsoft virou parceira do CC. Tem gente que acredita que Microsoft é favorável ao CC.
Não acho que o Ernesto esteja espalhando mentiras. Acho que ele é um dos japoneses assutados com o inimigo desconhecido.
"Não acho que o Ernesto esteja espalhando mentiras. Acho que ele é um dos japoneses assutados com o inimigo desconhecido."
Acho que o problema dele não é o mesmo dos "japoneses".
Ele esta "assustado", e com razão, com a probabilidade de seu filho artista perder o direito de receber pelo seu trabalho, com a "legalização" da pirataria.
Só isso.
E com toda a razão.
Demonstraçao ao vivo do mecanismo de que o Edisilva falou. NAO SE ESTÁ PROPONDO LEGALIZAR A PIRATARIA! Apenas em ampliar direitos do público (por ex., poder fotocopiar um livro para uso próprio, sem finalidades comerciais) e em corrigir absurdos, como os 70 anos de vigência dos direitos APÓS A MORTE DO AUTOR!
Só prá situar, escrevi o texto em resposta ao comentário dabaixo do Wilton Moreira, em post das 07:40 hrs sobre a Ana de Hollanda:
"Não sei mas, eu acho que a piratria não comercial, aquela que o pirata não ganha dinheiro, como no pirate bay, ELA ESTÁ SE TORNANDO LEGÍTIMA e o que é imoral são os direitos de cópia.
A própria sociedade está se encarregando de dizer aos produtores de conteúdo (autores, gravadoras, estúdios, editoras) que eles não tem direito de vender conteúdo digital ou digitalizável.
Esta discussão sobre direitos autorais ou de cópia está se tornando inútil e obsoleta. A internet é uma bliblioteca total e as pessoas creem, mesmo tacitamente, que têm direito de acesso gratuito à toda potência da internet, isto é, a todo conteudo escrito e audiovisual de todas as culturas e todos os tempos.
Exemplo: mesmo um livro esgotado eu posso escanear e disponibilizar na internet. Um livro protegido pode ter suas chaves quebradas por hackers e disponibilizado também. O que as pessoas estão 'dizendo' tacitamente com a prática ampla da pirataria comercial é: quem é a editora ou o autor pra dizer que não podemos fazer? nós temos direito sim ao acesso gratuito, arrumem outra forma de ganhar dinheiro que não seja vendendo conteúdo! É um caminho sem volta, já é legítimo e uma hora terá que ser legalizado.
VIVA O PIRATE BAY E OS SITES DE ARMAZENAMENTO!!"
Agora me diga: qual a razão minimamente legítima para tirar dele a remuneração que tem por um trabalho com dedicação exclusiva? Qual a razão para que seu trabalho seja apropriado por terceiros, seja lá com o objetivo que for.
Essa "polêmica" dá uma canseira...infelizmente, existe uma confusão muito grande, incentivada e instrumentalizada por setores ainda presos aos paradigmas pré-internet, onde grandes empresas multinacionais lucravam (e ainda lucram) bilhões através da exploração de direitos de uso sobre obras intelectuais. Esse parágrafo em destaque que coloquei é infeliz, porqua dá impressão de alimentar a desinformação de que os defensores da liberalização e democratização dos direitos intelectuais esteja querendo "roubar" os autores de sua justa remuneração.
Considerando o contexto do comentário (que foi em resposta a outro), o fato é o seguinte: qualquer obra intelectual passível de ser digitalizada é essencialmente livre, gratuita, e isso já HOJE. Filmes, livros, música ? Esquece. Se fizer sucesso vai ser copiado e disponibilizado na rede, com 100% de certeza. Não adianta mandar a polícia, não adianta processar, porque é impossível coibir a pirataria. É um fato, todo mundo sabe disse, a indústria cultural sabe disso, mas eles continuam tentando lutar contra isso porque...bem, não sei por que, e acho que ninguém sabe, porque é uma guerra perdida. Enquanto isso, as empresas mais espertas já estão ajustando seus modelos de negócios para adequá-los aos novos tempos. Enquanto os dinossauros lutam uma luta perdida, as empresas mais evoluídas ganham dinheiro: o exemplo mais óbvio é a Apple, que ganha muito dinheiro vendendo música no iTunes. Pirataria sempre vai haver, mas mesmo assim é possível se ganhar muito dinheiro, se houver oferta de produtos a preços honestos, que sejam práticos de ser comprados (novamente, como no iTunes), e que sejam entregues no momento certo, que na internet é agora. Eu acho que todo trabalhador intelectual precisa estar consciente disso, de que sua produção é eminentemente pirateável, e que nenhuma legislação vai conseguir protegê-lo disso.
Existe uma outra luta em curso, que não tem nada a ver com licenças permissivas, pirataria, etc, e que é simplesmente a luta contra os absurdos prazos de duração dos direitos intelectuais. Os maiores interessados nesses prazos absurdos são obviamente as corporações, que compram os direitos dos autores e querem explorar esse direito pelo maior tempo possível. Em última instância acredito que essa questão da extensão do tempo de validade dos direitos autorais também vai acabar se esvaziando.
Imagino que exista muito mais coisa, muito situações e interesses em jogo. A indústria cultural procura sistematicamente misturar todos os assuntos, espalhar confusão e desinformação, como meio de defender seus interesses. Infelizmente, muita gente acaba entrando de gaiato nessa história e acaba comprado gato por lebre, acha que está defendendo os criadores mas na verdade está defendendo os exploradores.
Pirataria sempre vai haver, mas mesmo assim é possível se ganhar muito dinheiro, se houver oferta de produtos a preços honestos, que sejam práticos de ser comprados (novamente, como no iTunes), e que sejam entregues no momento certo, que na internet é agora.
Questionável o argumento. Se vc cria, geração após geração, o costume de não pagar por nenhum bem cultural, pouquíssimos irão pagar no futuro. Mesmo que seja na iTunes Music Store.
Eu acho que todo trabalhador intelectual precisa estar consciente disso, de que sua produção é eminentemente pirateável, e que nenhuma legislação vai conseguir protegê-lo disso.
Conscientes já estão. O que temos de nos perguntar é se não é nesse caldo de cultura que a arte foi pras cucuias, pois a depender dos "novos artistas", nós estamos esteticamente lascados.
Questionável o argumento. Se vc cria, geração após geração, o costume de não pagar por nenhum bem cultural, pouquíssimos irão pagar no futuro. Mesmo que seja na iTunes Music Store.
A Apple ganha dinheiro com download, a Amazon ganha dinheiro com download. É só oferecer um site fácil, prático e seguro para fazer o download da "música da novela" a 2 reais que isso vai cortar a piratarial amadora ou eventual. É um caso básica de procura e oferta.
Existe um outro aspecto a ser considerado, na distribuiçào de música: o streaming. É possível ouvir praticamente tudo, GRÁTIS, via streaming. Os principais sites não funcionam no Brasil (como o Pandora) ou são pagos (lastfm), mas outros funcionam (grooveshark). Isso tudo sem considerar o Youtube...em outras palavras, como disse antes, música é essencialmente grátis, já HOJE. Essa luta da indústria cultural pela manutenção dos modelos de negócios antigos é uma batalha perdida. Ou mudam-se os modelos de negócios (perdem-se os anéis) ou insiste-se nos modelos antigos, e perde-se tudo (os dedos).
(Eu acho que não vai demorar muito para o consumo de música em ambiente doméstico ser todo ou quase todo via streaming. Em celulares e quejandos vai demorar mais, mas provavelmente vai acontecer a mesma coisa.)
Conscientes já estão. O que temos de nos perguntar é se não é nesse caldo de cultura que a arte foi pras cucuias, pois a depender dos "novos artistas", nós estamos esteticamente lascados.
Sei, assim como a televisão ia matar o rádio, a televisão ia matar o cinema, a fita cassete ia matar a criação de música (por causa da pirataria, óbvio). Esse discurso é tão antigo quanto falso. Simplesmente, as coisas mudam, o mundo muda:
“mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades”.
"Apropriar-se do trabalho alheio não é coisa de gente civilizada":
Mas o ponto da nova discussao causada pela internet nao eh esse. Ninguem esta duvidando de seu filho ganhar o que merece, como tambem, quando foi mencionado, ninguem achou que Nassif deveria perder sua renda de seus livros.
O completo ponto da discussao internauta em uma casca de castanha eh esse: voce escreve? Eu tambem. Pinta? Eu tambem. Canta? Eu tambem. Toca instrumento? Eu tambem. Analisa foto, grafico, noticia? Eu tambem. Borda e faz barra de calca enquanto assobia, come farinha, e chupa cana? Eu tambem.
Essa eh a questao. Dado as ferramentas, o numero dos excluidos eh tao grande que "a sociedade" como esta tem que ser repensada ou se partir em duas, "real" pra gente grande e "alternativa" pro resto.
Evidentemente uma delas vai ruir: nao da pra ter uma sociedade aonde somente quem "tem curso superior" tem "oportunidade" --ah, que hipocrisia de uso nessa palavra... Nao da pra excluir os sub-empregados e nao-empregados sob pena de convulsoes sociais imensas. Nao da mais pra apagar a historia deles todos, ou pior ainda, apagar todos eles proprios da historia.
Eu propuz e vou continuar propondo uma unica solucao mundial: 50 centavos de real ou 25 centavos de dolar SEM INTERFERENCIA BANCARIA. Disso eu nao afasto.
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
Me desculpe a pergunta, mas voce bebeu?
Fiz força, mas não consegui entender nada do que deseja ou quis dizer. Não sei como tirar o direito dos artistas vai resolver o problema dos "excluidos" ou dos "sub empregados".
Nao entendeu porque nao esta seguindo o assunto. Eh "comentarista" pago, ne, arcanjo?
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
Como é....???
Ninguém aqui quis nada grátis?
Você assobia e chupa cana.. faz marchinha de carnaval, asp, php... tece, borda....vi muito na Bolsa!!!!
ROUBAM, sim!
E.... MENTEM!!!!!
Sociedade imbecil, pernóstica.
[Do s. ant. pronóstico, 'indivíduo petulante, espevitado', com troca de prefixo, poss.]
Adj. Pop.
1. Presumido, afetado, pretensioso, pedante; pronóstico.
2. Espevitado, repontão.
3. Bras. Diz-se de pessoa que gosta de empregar termos difíceis, os quais, freqüentemente, desconhece.
S. m.
4. Indivíduo pernóstico; pronóstico.
Essa discussão dos direitos autorais me parece um pouco com as reformas do direito a aposentadoria feita no segundo mandato do FHC. Os responsáveis pelas mudanças foram todos beneficiados do regime antigo [ me lembro na época que acho o ministro da previdência tinha se aposentado com 48 anos]. Engraçado que muitos artistas consagrados que defendem a mudança dos direitos autorais fizeram sua fortuna - e de forma justa, realço - com o sistema atual. O relato do Ernesto mostra como cada vez mais o artista será obrigado a ter que entrar em leis de incentivo à Cultura para conseguir sobreviver dignamente através de sua arte. E sabe-se que nesse terreno não vale apenas a qualidade do que o artista faz.
Ué, entao a lei atual nao serve para garantir a sobrevivência dos autores, nao é? Bidu!
É como eu escrevi no outro tópico:
O erro do argumento é confundir direitos do autor (inalienáveis em qualquer país do mundo, creio eu) com direitos patrimoniais sobre a obra.
Os direitos patrimoniais são negociáveis. Se o músico citado assinou um contrato com a gravadora multinacional vendendo todos os direitos patrimoniais por R$50 mil e 5% de remuneração sobre cada negociação envolvendo as músicas (venda de direitos para produções audiovisuais, que dão uma tremenda grana), ele não terá mais qualquer controle sobre a venda dessa obra.
Portanto, em tese, ao concluir a obra o artista possui os direitos de autor (inalienáveis - não dá pra transferir pra ninguém) e os patrimoniais.
A única questão a ser discutida numa reforma dos direitos autorais são os direitos patrimoniais.
Aí o debate fica espinhoso porque mexe em interesses de uma indústria bilionária.
Exatamente! Misturar esses direitos serve para confundir a opinião pública. A indústria de entretenimento é a primeira a a querer prostituir o artista. Eu não me conformo com aqueles outdoors enormes que tem em NY com os Beatles endossando o novo Ipad ou Ipod. John Lennon morreu há 30 anos!
Quem negociou o uso da imagem dos Beatles para a publicidade que te causa ódio foram eles mesmos, não foi nenhuma gravadora.
"Apropriar-se do trabalho alheio não é coisa de gente civilizada"
Dependendo de como se interpreta esta frase, acho que todos nós consumidores, gente civilizada, nos apropriamos sim do trabalho alheio, o que se dá, por exemplo num supermercado. Lá estão milhares de produtos fornecidos por batalhões de produtores (operários, marqueteiros, operadores de logística, etc.) esperando que nós os levemos para casa.
Claro, não sem antes passar pelo caixa e deixar por lá o que pedem, através do conceito preço.
Acho que essa frase seria mais correta, se fosse acrescentada a expressão "apropriar-se sem pagar". E é esse o problema do antigo direito autoral - como receber, não é direito autoral x creative commons.
Na época dos cassetes, cobrava-se em alguns países da Europa uma taxa adicional de "direito autoral" sobre o cassete vazio; assim quem o utilizasse para cópia já pagava antecipadamente.
"Acho que essa frase seria mais correta, se fosse acrescentada a expressão "apropriar-se sem pagar"":
Ai eh que esta! Nao ha dinheiro suficiente em circulacao em NENHUMA atividade cultural porque todas elas estao concentradas nas maos de um punhadinho de gente. No entanto, ha MAIS, e nao menos, atividade cultural hoje e agora. De fato, ha mais "atividade cultural" nos ultimos 10 anos do que nos ultimos 500 anos de historia. Toda ela gerou virtualmente zero movimento economico, zero riquezas.
Ate quando?
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
APROPRIAR.
Tornar próprio, seu; apossar-se de. Tomar como propriedade, como seu; arrogar-se a posse de: 2
Precisava escrever .... "sem pagar"?
Não, não seria apropriação.... seria COMPRA.
O texto é claro, APENAS .... o texto.
Alguém lembra da tese do camarada que queria que todo mundo que tivesse acesso a internet banda-larga pagasse taxa de R$ 3,00 pelos Direitos Autorais e pudesse baixar seja lá o que tivesse na rede?
Acho a ideia boa, mas o nó da questão continua, como e quem faria a distribuição dos recursos?
@gledsonshiva
"Acho a ideia boa, mas o nó da questão continua, como e quem faria a distribuição dos recursos?":
Um computador. Zero interferencia humana, portanto zero direitos bancarios quanto a "porcentagens".
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
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