O jogo de damas da política econômica

Coluna Econômica - 18/01/2012

Um dos maiores erros da análise econômica é levantar dados do momento e projetá-los para o futuro – sem a devida avaliação dos ciclos históricos ou da dinâmica da economia.

Lembro-me de um seminário que participei na cidade de Santander, Espanha, em 2002, promovido pela Universidad Menendez Pelayo. Presentes jornalistas da imprensa financeira espanhola, acadêmicos e representantes de multinacionais espanholas que tinham vindo para o Brasil.

Na época, vivia-se a grande crise Os jornalistas malhavam sem dó suas multi, por terem ido investir o dinheiro das velhinhas da Espanha em “republiquetas corruptas”.

Os jornalistas brasileiros reagimos. Mostramos o vício de mercado de pegar uma situação momentânea e projetar por anos. Fizeram isso nas primeiras privatizações das quais participaram as espanholas e passaram para os leitores a ideia de que haveria um crescimento exponencial permanente. Depois, na primeira crise, projetaram os dados do momento para prever a bancarrota.

Dissemos, em bom tom, que a economia brasileira era mais pujante que a espanhola, tínhamos empresas melhor administradas, um agronegócio muito superior. A única vantagem das empresas espanholas era terem ido antes a mercado e adquirido algumas de nossas estatais. Se não fosse o Brasil, a Telefonica já teria sido absorvida pela Deutsch Telecom.

Bom, hoje em dia, não fossem os lucros brasileiros, Telefonica, Banco Santander e tantas outras teriam sido vendidos.

Lembro esses fatos a propósito da atual zona de conforto da economia brasileira.

Nos últimos anos, a economia brasileira deu um salto. Criou um mercado de consumo de massa apetitoso, atraiu investimentos externos. Mas toda essa base foi possível em cima de uma situação conjuntural: a explosão das cotações de commodities em função da emergência da China. Foram os superávits gerados pelas exportações de commodities que permitiram ao país apostar no mercado interno e atravessar com poucos danos a crise de 2008.

Nesse período pouco foi feito para fortalecer a produção interna. Pior: o país está aceitando passivamente o papel de fornecedor de matéria prima e consumidor de produto acabado da China. Da mesma maneira que fez com a Inglaterra no século 19 e com os EUA em períodos do século 20.

A defesa da produção nacional se resume a declarações recorrentes de Ministros, de medidas de defesa comercial pontuais, beneficiando um ou outro setor. O principal preço da economia, o principal instrumento de política econômica – o câmbio – continua ao sabor da conjuntura internacional.

Pouco antes da campanha eleitoral, a então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff apresentou um programa minucioso de investimento setorial a partir do pré-sal.

No fundo, a política industrial parece ter se convertido no exercício de tapar buracos da peneira cambial, sem nenhuma visão estratégica.

O país já possui todas as peças do tabuleiro para jogar xadrez de bom nível. Mas a visão estratégica não vai além de um jogo de damas.

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25 comentários
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Rogerio0512

Muita coisa que compramos é made in China, insuportável.

 
 
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xicobarreto

Não existe produtos insuportáveis, existem produtos que não atendem as nossas necessidades.


Se alguém, por qualquer motivos, seja ele ideológico, protecionista ou outro, não o deseja adquiri-lo,  simplesmente deve ignorá-lo e optar por outro de igual ou melhor qualidade, obviamente qualidae tem o seu preço.


Quem impôe preço é o consumidor, quem impôe valor é o comerciante, o produtor apenas cobra seus custos com sua margem de contribuição pois ele não necessáriamente discutirá o preço de venda, o seu valor comercial.


abs

 
 
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Alexandre Weber - Santos -SP

Ser Made in China, Made in USA ou qualquer outro lugar é irrelevante.

Penso que o modelo de industrialização que queremos implantar não obedece à lógica industrial, dai a total falência das políticas industrias até hoje tentadas.

Não existe uma fórmula pronta ou um paradigma acabado para ser copiado ou usado, o que existem são algumas estratégias que podem ser combinadas de maneira sinergética para dar o salto de qualidade, quantidade e excelência que eu e o Nassif tanto desejamos.

O Paraguay têm alguma coisa para ensinar, os USA também, a China idém e por aí passa a carruagem.

Não vamos reiventar a roda, quando muito vamos colocar uma pitadinha do jeitinho brasileiro no modelo, o que será mais do que suficiente para virarmos o jogo.

Acorda Dilma!

 

Follow the money, follow the power.

 
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Bento de Abreu

Claro que importa se o produto é made in China ou USA, afinal ele na verdade é quase que só China, e por que?


Porque o câmbio chinês é depreciado pelo govrno exatamente para ter comptitividade, aliás para não ter competitividade, para dominar o mercado.


Com o câmbio manipulado, um produto chinês chega ao Brasil com preço abaixo do custo de produção, não há como o produto nacional competir.

 
 
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Assis Ribeiro

A pergunta que os jornalistas brasileiros deveriam ter feito à imprensa financeira espanhola, acadêmicos e representantes de multinacionais espanholas que tinham vindo para o Brasil, era:

E vocês acham que suas empresas estão indo ao Brasil para serem exploradas ou para explorarem?

 

Assis Ribeiro

 
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Luciano Dornelles

Meu caro Nassif

Será que você, ou algum colega do blog, poderia exemplificar o que impede os agentes políticos desse país de tomarem a iniciativa de jogar " o xadrez" como você diz, se todas as peças, ou pelo menos a maioria delas, estão no tabuleiro. Alguém se dispõem...

Abraço a  todos

 
 
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alfredo machado

Nassif:


Escolhendo a melhor hipótese, um governante efetivamente empenhado com as perspectivas futuras do país, do outro lado, contra ele existe:


Uma classe política majoritariamente medíocre, incapaz de perceber o que é preciso, preocupada apenas com o próprio umbigo e mais nada, e o pior, que consegue piorar a cada renovação de quadros, pois tal renovação quadrienal tem sido sempre bastante expressiva;


Uma classe empresarial, por questões culturais, desde sempre avessa a qualquer compromisso com o “chão de fábrica”, que nunca foi capaz de outra atitude que não fosse a de reclamar com o governo federal. No patropi acontece algo diferente, a ser explicado pelos especialistas- é raríssimo encontrar um grande empresário que consiga dizer que está ganhando dinheiro, que está sendo bem sucedido em sua rotina empresarial, que tem bons projetos em mente;  


Um Judiciário como este que está aí, sempre disposto a chantagear o governo federal caso se sinta contrariado- e não precisa muito, para que alguns “vampiros de toga” se sintam contrariados;


Uma sociedade majoritariamente desinformada em relação à relevância de determinadas questões nacionais, com um baixíssimo nível de educação formal que só serve para dificultar as coisas.


Certamente me esqueci de identificar outros empecilhos, pois roda-presa com complexo de vira-latas não falta, mas é como vejo a situação, um confronto permanente entre as vozes do atraso e o futuro promissor.


O país, um autêntico copo pela metade, o país das centenas de ilhas de atraso, já era para estar bem mais adiantado, pois o potencial é gigantesco em diversas áreas de atuação.


Acontece que o governante da vez, seja lá quem for e por melhor intencionado que possa ser, não é milagreiro nem mágico, precisa da colaboração, do entendimento compenetrado de diversos segmentos da sociedade para, após o imprescindível contraditório levar adiante, sem sobressaltos desnecessários, uma estratégia de governo que vá além de um jogo de damas,  um conjunto de atitudes para políticas que dinamizem prá valer a produção interna, que naturalmente provocarão enormes benefícios, no médio prazo, para milhões de brasileiros de todas as classes sociais.  

 
 
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Moraes

Detalhe:  faz tempo a Telefonica não é mais espanhola, 70% de suas ações estão em mãos de titulares estrangeiros. Outras empresas espanholas, tambem. As bolhas criadas na Espanha (uma grande escala) e em Portugal (uma economia bem menor) estouram agora, mas foram dedicadamente criadas ao longo de uns 15 anos de "fundos europeus" supostamente generosos. Na época desse seminpário, para bem informados, isso já era de pressentir, pelo menos. Quando Zapatero assumiu, a primeira notícia dos diários era que a Espanha passava de 'recebedora' dos fundos europeus para doadora de fundos, com a entrada, na UE, de países aparentemente mais pobres do leste.

 
 
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Alexandre Weber - Santos -SP

O modelo topológico que a New Scientist publicou já mostrou que todas as empresas do planeta estão na mão de 50 grupos que obedecem em seus investimentos às quatro agências classificadoras de risco.

O resto é conversa mole.

Para implantar algo de bom para o povo e o Brasil têm de ser fora deste Cartel.

 

Follow the money, follow the power.

 
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aliancaliberal

Sem reformas sem desenvolvimento sustentável a longo prazo, apenas mais um vôo de galinha.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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xicobarreto

É verdade, mas faz tempo que as galinhas estão no chão, apenas os tucanos voando e despenados ou depenado, sei lá

 
 
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Alexandre Weber - Santos -SP

Não é preciso torcer para o mundo acabar para se colaborar.

Generalizações destas colocando todas as empresas no mesmo galinheiro não me parecem corretas, muito menos recomendação da Escola Austríaca, muito mais nuançada e sofisticada, na minha opinião.

 

Follow the money, follow the power.

 
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Joaquim Aragão

Dois comentários: primeiramente sobre a estratégia. É fácil reclamar, de forma genérica, sobre a ausência das propaladas "estratégias". O difícil é definir os projetos concretos de construção de complexos industriais que fariam frente à alegada onda de "desindustrialização". Espero que os Seminários da Brasilianas tenham gerados idéias mais concretas de projetos, e não de meras medidas regulatórias, pois sem projetos de investimento privado e público, as ações não saem do papel.

Segundo, sobre as previsões econômicas. Por preguiça ou falta de opção, a evolução do PIB  e da renda per capita ainda é a tônica da avaliação do potencial econômico. Ao meu ver, ele é apenas o velocímetro, que mede em km/h. Precisamos de um HP da economia que avalie inclusive o potencial da economia recuperar a velocidade, após ter de frear em função de uns panelões na estrada (crises, catástrofes, etc.). Só um indicador mais geral de potencial econômico permanente é que fornecerá a informação segura aos investidores, não a velocidade pontual.O que está  acontecendo com essas avaliações econômicas, é que branquinho xinga o Porsche quando, por alguma circunstância, a velocidade está baixa!

Que indicadores alternativos existem para avaliar o verdadeiro potencial econômico (não estou falando de IDH, útil para muitos aspectos da política econômica, mas que não cumpriria as necessidades dos investidores)? Ao meu ver, diversos elementos necessários para propelir o crescimento econômico, como tamanho e taxa de crescimento do mercado interno, avanço tecnológico, capacitação dos recursos humanos, infra-estruturasdesenvolvimento do mercado financeiro, etc. teriam de ser incluidos na medição , com vistas a compor um indicador sintético, nos moldes do IDH. Para tal, teriamos de aportar lições dos diversos modelos da Teoria do Crescimento econômico.

Minha pergunta aos economistas de plantão (sou um mero engenheiro "bota-na-lama"): isso já foi feito? Se sim, porque essa dependência de velocidades pontuais da economia, tornando as decisões de investimento cheio de risco? Como é que as "agências classificadoras" (que vem merecendo uma baixa classificação) estão avaliando os potenciais econômicos dos países?

Agradeço contribuições nesse sentido.

 

 

Joaquim Aragão

 
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Gustavo Caldeira Brant

E se os Ministérios fossem ocupados por engenheiros?

Me parece que a melhor "mão-de-obra estatal" anda vindo do Ibmec. 

 
 
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Raí

O que está "atravancando"o nosso progresso.


Concordo parcialmente com a análise do Alfredo Machado, sobre os gargalos e vícios, que estão impedindo os nossos "jogadores"de exercerem toda sua capacidade e conhecimento teórico do xadrêz, e discordo do Aliança Liberal, sobre estarmos fazendo mais um "vôo de galinha".


Vamos concordar, que é humanamente impossível um partido que veio de baixo, e ao vencer a eleição majoritária deste país, receber uma herança de centenas de anos de más administrações, e conseguir reverter tais valores e vícios, em pouco mais de 8 anos ?


Os quatro gargalos citados pelo Alfredo, são apenas a ponta do iceberg que "atravanca"o pleno desenvolvimento brasileiro, pois mais do que estes gargalos, temos contra a governança desenvolvimentista iniciada pelo Lula, e tocada pela Dilma, um Congresso corrúpto e representante do que tem de pior no país.


Desde 2008, passamos a jogar com enxadristas de pêso, e mesmo não sendo mestres neste jôgo, estamos vencendo etapas e aprendendo a jogar o jôgo, como ele deve ser jogado.


Fomos invadidos por multinacionais famintas de retôrno financeiro rápido, porem como não tínhamos(e continuamos não tendo)poupança interna suficiente para aplicarmos em grandes empreendimentos, aceitamos aquelas invasões financeiras(quase jogatinas)e aos poucos fomos cumprindo os contratos e alongando as nossas dívidas, de modo que hoje, já podemos respirar, com uma certa tranquilidade, e já temos um colchão de reservas internacionais relativamente fôfo, que promete não murchar, ao sabor das tempestades financeiras atuais. 

 

Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.

 
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Ironiclário

Presidenta tira dinheiro da insuficienta saúde pública em cordialidade à insistenta dívida pública:

"Os jornais noticiam os vetos da Presidente Dilma à Lei que regulamenta a Emenda Constitucional nº 29, que dispõe sobre os recursos destinados à saúde pública.

Analisando-se a mensagem de veto, podemos verificar que houve grande prejuízo a esta importante e urgente área social. Ou seja: a nova Lei, tão comentada como algo que favoreceria a área da saúde, pode, na realidade, prejudicá-la.

Em primeiro lugar, quando veta o parágrafo 1º do Art. 5º da Lei, Dilma não aceita sequer a atual sistemática de utilizar o Produto Interno Bruto (PIB) como indexador para os gastos com a saúde: caso haja uma revisão para cima dos dados do PIB – como já ocorreu diversas vezes – o governo se desobriga de complementar os recursos da saúde.

Em segundo lugar, quando veta o inciso II do §4º do artigo 24, Dilma permite que sejam contabilizadas – para fins de apuração do mínimo de gastos com a saúde - as “despesas com amortização e respectivos encargos financeiros decorrentes de operações de crédito contratadas para o financiamento de ações e serviços públicos de saúde”. Na prática, isto significa a redução dos recursos da saúde.

Os vetos a vários trechos dos artigos 13 e 16 são ainda mais nefastos: permitem que os governos federal, estaduais e municipais se desobriguem de manter em contas separadas os recursos da saúde, e de destinar e esta área social os rendimentos financeiros de tais contas. Com os vetos, na esfera federal tais recursos serão destinados à Conta Única do Tesouro, cujo rendimento é atualmente destinado ao pagamento da dívida pública. Além do mais, os vetos também autorizam os entes federados atrasarem os repasses aos fundos de saúde, mesmo que o dinheiro já tenha sido arrecadado.

Ou seja: mais uma porta aberta para se fazer superávit primário com os recursos da saúde.

Por fim, o veto ao artigo 15 da Lei permite que Estados e Municípios não direcionem à saúde os recursos provenientes de taxas, tarifas ou multas arrecadados por entidades próprias da área da saúde. E mesmo que tais recursos sejam destinados à saúde, eles serão contabilizados na apuração dos recursos mínimos, permitindo a redução de igual montante de outras fontes de recursos da saúde.

Importante relembrar que as recentes Medidas Provisórias 435/2008 e 450/2008 permitiram que recursos legalmente vinculados a áreas sociais fossem destinados ao pagamento da dívida, assim como já foram R$ 20 bilhões dos royalties do Petróleo (que deveriam ir para Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, etc), ou R$ 5 bilhões do FUNDAF, que deveriam ser destinados ao fortalecimento da administração tributária."

 

Fonte: http://www.divida-auditoriacidada.org.br/config/artigo.2012-01-18.2006461203/document_view

 
 
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Paulo F.

A turma do "fazendão", do Brasil celeiro do mundo e eterno fornecedor de commodities, ainda surfa no sucesso da preemencia chinesa por materias primas. Fica dificil, muito dificil mudar a mentalidade que tem suas raizes na proibição colonial às manufaturas, e reflete-se hoje em um país ainda com mentalidade rentista e que se desindustrializa. Até quando?

 
 
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Sergio SS

Na linha do que o Alfredo Machado bem colocou, e complementado pelo Raí, vejo a imprensa como um elemento que em nada ajuda a virar o jogo.

Ao invés de enaltecer o país aos brasileiros, joga na cara somente nossas mazelas.

Ao invés de criar um sentimento de grandeza e independência, sugere que devemos nos ajoelhar às nações desenvolvidas.

Ao invés de valorizar o crescimento econômico e o desenvolvimento social, cutuca que somos pífios nos números.

Ao invés de disseminar as oportunidades Brasil afora, concentra suas atenções em Higienópolis e Leblon.

Ao invés de formar consciência empreendedora e tecnológica, vende o atraso do Estado e esconde as políticas de incentivo.

O invés de criar uma plataforma de diálogo político a favor do país, opta pelo jogo da desinformação em favor da ignorância e do preconceito.

Ao invés de investir nas cores do Brasil, na cultura e nas artes, atropela nossas raízes e rasga nossas fantasias.

A imprensa faz o jogo antipatriótico, antinacionalista, antidesenvolvimentista.

Ela é apenas um negócio privado, mas com acesso amplo aos brasileiros, mas cujos interesses é somente privado, tímido e covarde, nada mais.

Ela sim, e somente ela, é a rainha do atraso no Brasil.

 

Viver é afinar um instrumento...

 
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Ed_milson

Assisti domingo a um excelente documentário sobre a política externa do primeiro governo Lula ("O mundo segundo Lula"). Abordou as gestões da diplomacia brasileira na OMC, para democratizar as decisões sobre o comércio mundial, liderando a criação do G-20 e pugnando pelo fim dos enormes subsídios agrícolas dos países ricos; na ONU, pela reforma do conselho de segurança e por um maior protagonismo do órgão em outras questões além da segurança, como o desenvolvimento social; e na América Latina, sepultando a Alca e  buscando a criação de um bloco político e econômico para fazer frente aos países hegemônicos. Por incrível que pareça, passou no "Canal Brasil" (da Globo). Mas, como a Globo é a Globo, foi exibido exatamente na hora de Flamengo x Corínthians. A produção era canadense (ou alguém imaginou que haveria gente do PIG tecendo loas a Lula?). A diferença de abordagem em relação ao que diz  "opinião pública" dos grandes meios de comunicação brasileiros é gritante. Nossa imprensa trabalha a favor dos Estados Unidos (e de outros países ricos) e contra o Brasil...

 
 
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Pedro Valadares

Eu discordo. A imprensa faz é um papel profilático ao apontar o que está errado. O Governo tem milhões para investir em propaganda e mostrar seus feitos. Lembremos que a campnha de Dilme tinha vídeos feito que a tecnologia mais avançada da indústria cinematográfica.

Também considero que tem muito leitor que lê o que quer. A Folha, a Globo e até mesmo a Veja já fizeram diversas reportagens favoráveis à políticas governamentais. Porém, é mais fácil ignorar e alimentar o mito da imprensa golpista.

A imprensa não existe pra afagar governo nenhum, até porque nenhum partido ou coalização é dono da verdade. Logo, as críticas são sempre bem vindas. 

É claro que tem muita gente que preferia fazer as coisas de uma forma menos criteriosa, mas não é assim que funciona a democracia.

Ressalto ainda que discordo da história do voo de galinha. O Brasil é uma democracia com vários grupos de interesse, por isso, avança pouco, mas de maneira sustentável. Já a China, apoiada no dumping social, explora o povo, mata os discordantes e avança feito um trem. Agora, quero ver quando a classe média cansar de ser governada pelo partido único...

Por fim, discordo de qualquer medida protecionista. Se todos os países decidissem se defender de produtos importados, todos iriam viver só do mercado interno. O Brasil para competir com a China deve desburocratizar a abertura de empreendimentos, incentivar a poupança privada e pública e aliviar a taxa de juros e a carga tributária. 

Além disso, o governo deve incentivar antes de tudo as micro e pequenas empresas que empregam mais da metade da mão de obra e não jogar rios de dinheiro para formar super-empresas multinacionais, que tem toda a capacidade de capitar dinheiro no mercado privado.

 
 
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Ed_milson

Pedro Valadares

"A imprensa faz é um papel profilático ao apontar o que está errado. O Governo tem milhões para investir em propaganda e mostrar seus feitos."


A imprensa faz um papel "profilático" ou quer forçar o governo a gastar mais e mais "milhões" em propaganda nessa mesma imprensa para mostrar que muitas das "notícias" não correspondem aos fatos? A evidente, em diversas ocasiões, má-fé da imprensa é só questão política (querem que seu grupo predileto volte ao Poder) ou também tem um viés econômico?

 
 
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alfredo machado

Caro Sergio SS:


Concordo quanto à inestimável contribuição da grande imprensa tupiniquim neste processo de copo pela metade que o país ainda não conseguiu se livrar.


Apesar de ser crítico contumaz daquela turma nefasta, reconheço que eles atendem ao desejo dos que os consomem através de televisão, jornais e revistas. Se os consumidores fossem mais exigentes e medianamente informados, e não os alienados Homer Simpsons que se alimentam e se satisfazem com muito pouco, os BBB e JN da vida, me parece evidente que a qualidade de informação seria diferente.


Em minha opinião, o tumor maior vem do andar de cima, ainda incapaz de compreender que a exagerada disparidade de renda é um caminho infalível para o atraso, incapaz de compreender que este modelo os levará a enorme dificuldade em futuro próximo, caso o curso não seja alterado. Isto já acontece em alguns setores, o de comunicações a necessitar de reserva de mercado como de ar prá respirar, caso contrário, todos os barões serão literalmente engolidos pelas bilionárias multinacionais do setor; o sucroalcooleiro já sendo rápida e devidamente digerido, e, com exceção do setor bancário, muitos outros poderão ter o mesmo destino, serem devorados num piscar de olhos, e por qual motivo? Falta de iniciativa, falta de visão estratégica, um andar de cima que ainda vive nos anos 1950, ponto.


Se você reparar, a China vem caminhando nesta direção- atrai diversos empresários internacionais de grande porte, estes passam a priorizar suas linhas de produção no país onde tudo é baratinho, e mais tarde, com determinado setor dominado, seus preços serão disparados pela própria China, é lógico, pois os outrora grandes não terão cacife suficiente parar remontar, em seus países de origem, suas indústrias em condições de competir com aquele que era, mas deixou de ser baratinho e passou a ter a produção do mercado internacional em suas mãos.


Tente comprar um tênis de boa qualidade, de marca internacionalmente conhecida e que não tenha sido fabricado por lá


É pelo andar de cima, aquele que tem $$$ e acesso a mais $$$ em financiamentos, que o processo de progresso se inicia, mais adiante começarão a aparecer os diversos e capazes visionários do andar de baixo.      


Um abraço

 
 
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Eduardo Ramos

Nassif, concordo com sua análise, quase integralmente... Não acho justo você não reconhecer que a Dilma tem se posicionado sim, e o Mantega, com muito mais firmeza e coerência em relação à juros, câmbio e indústria brasileira, do que se permitiam fazer no governo Lula. O ex-presidente, de quem sou fã por ter mudado a cara do Brasil com crédito expandido, bolsa família, prouni etc. etc, ou não acreditava em mexer nos juros e no câmbio, ou teve como prioridade absoluta o "social" e deixou o mercado comandar essas áreas. Mas há sinais claros, talvez tímidos, mas claros, sim, de que Dilma agirá diferente. É como se um "novo ambiente" propício a mudanças mais radicais estivesse se formando aos poucos...  Abraço!

 
 
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Laura K

"A imprensa faz o jogo antipatriótico, antinacionalista, antidesenvolvimentista.

Ela é apenas um negócio privado, mas com acesso amplo aos brasileiros, mas cujos interesses é somente privado, tímido e covarde, nada mais.

Ela sim, e somente ela, é a rainha do atraso no Brasil."

 
 
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Mucuim

Em sua coluna de hoje, Merval Pereira expressa a sua desesperança em relação à debilidade da oposição ao petismo. Interessante é sua conclusão de que ao PSDB só resta torcer contra a economia brasileira, o que é sinal de grande vazio ideológico e político. Ao vincular-se a essa campanha de mau agouro, a oposição sinaliza que não está disposta a ajudar o país a se desenvolver, pois antepõe o seu interesse partidário ao amor pátrio. É justamente essa uma das razões pelas quais a direita brasileira vem se desintegrando. Quase nenhum brasileiro, por mais conservador e antipetista que seja, verá com bons olhos quem joga contra o seu próprio emprego, a sua própria empresa, o nosso próprio futuro. ... leia mais: http://www.ocafezinho.com/2012/01/18/oposicao-de-mau-agouro/


 


 

 
 

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