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O grande Mikhail BotvinnikEnviado por luisnassif, qui, 11/11/2010 - 21:27Nos tempos em que cultivava mais o xadrez, uma das grandes incógnitas, para mim, era o grande mestre soviético Mikhail Botvinnik. Foi pai da moderna escola soviética de xadrez, que dominou o xadrez mundial no pós-guerra, o primeiro grande jogador depois da era Alexander Alekhine (que era russo branco). Que foi grande professor, não se discute. Dizem, também, que grande físico. Mas seu longo reinado, como Campeão Mundial, perdeu duas vezes o título – e, depois, o recuperou. Uma delas, para Mikhail Tal, meu ídolo maior. Outra, para Vasily Smyslov, em cujo livro de xadrez estudei. Gostava das lendas do xadrez mas me faltava conhecimento para avaliar o talento dos jogadores. Bobby Fischer costumava dizer que Tal era um gênio imperfeito: construía jogadas complexas, porém falsas. Vencia quando os adversários não conseguiam encontrar a solução a tempo. O mesmo se dizia de Alekhine. Não tinha o gênio e a racionalidade do cubano José Raúl Capablanca , mas sabia construir edificações complexas, que acabam enredando o adversário. Ainda espero algum comentarista do ramo me decifrar melhor o grande Botvinikk. Por Daniel Mendes Para o xadrez, talvez não haja ninguém mais influente que Mikhail Botvinnik. Como fundador da escola soviética, foi decisivo para a consolidação do esporte. Não há um só campeão mundial, nos últimos 50 anos, que não deva alguma coisa, direta ou indiretamente, a ele. De certo modo, foi o primus inter pares, a figura que dominou a cena da evolução do jogo nas últimas décadas. Talvez pela sua relevância enquanto divulgador (diria até evangelista) do xadrez é que as suas façanhas como enxadrista tenham ficado sombreadas. Ele parece estar sempre num ponto cego quando olhamos pelo retrovisor da história. Difícil, mesmo, decifrá-lo. O que ressalta em sua carreira é a sua apaixonada defesa da racionalidade do jogo, da disciplina pessoal com que selou sua visão de que o xadrez seria uma espécie de engenharia do intelecto. Daí sua paixão pela escola, não apenas para formar jogadores,mas para demonstrar a supremacia do seu método de ensino baseado em princípios de rigor, estudo e permanente auto-avaliação. Ficou famoso pela maneira com que exigia dos seus alunos uma incansável investigação sobre os erros, os pontos fracos, as insuficiências no entendimento. Foi um mestre posicional, pois acreditava justamente na supremacia do melhor plano, quase como uma demonstração matemática. Era o oposto de Tal, o tático, o ilusionista. Desenvolveu um faro agudo para identificar os gênios, ainda em estado larvar. Descobria as pedras que transformava em gemas. Foi o Spinoza do xadrez, o geômetra da construção da vitória como um teorema. Daí ter sido pioneiro também no desenvolvimento dos primeiros computadores. Tinha, para mim, algo de monástico. O xadrez foi seu nirvana pessoal.
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Comentários + votados
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cesar laus
11/11/2010 - 21:33
NAssif,
Boa noite. Fora de pauta.
Pq nao fazes eventos nos estados, talvez nas capitais, com os colaboradores de teu blog ??
Daria muito samba todos se conhecendo ??
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luisnassif
11/11/2010 - 22:03
Das loucuras de Veja. Não sei como podem achar que esse estilo é editorialmente sustentável. Só vai segurar leitores sem nível.
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Fernando Monteiro
11/11/2010 - 22:13
Tal pode não ter sido o melhor, mas foi o mais empolgante de todos os enxadristas. Seu estilo agressivo e ousado era, mais do que qualquer coisa, resultado de sua paixão pelo jogo. Era um jogador que...
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Marco Sanches
11/11/2010 - 22:22
Eu aguardo com muita expectativa os comentários de jogadores experientes sobre Botvinnik...
Mas arrisco a dizer que o outro Mikhail ( Tahl ) é um Salvador Dali do Xadrez !
Estou lendo o sensacional...
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Pablo Castro
12/11/2010 - 05:45
Botivinnik é o baluarte da escola soviética, pioneiro na preparação exaustiva de aberturas, em cujas variantes perparadas seus adversários entravam em esquemas de meio-jogo previamente analisados por...
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NAssif,
Boa noite. Fora de pauta.
Pq nao fazes eventos nos estados, talvez nas capitais, com os colaboradores de teu blog ??
Daria muito samba todos se conhecendo ??
Eu, uma vez, em 2004, num torneio realizado pelo 19-BC do Exército, meti um cheque de Capablanca num tal lá campeão baiano sub-18. Fí-lo desistir. Foi bonito.
Nassif, veja a impressionante truculência do "jornalista" que quinta Augusto Nunes. Não cabe processo do Haddad por injúria? Ele chama o Ministro de falsário, além de ofender os leitores do blog que não concordam com ele:
http://opinioesepensamentosaleatorios.blogspot.com/2010/11/truculencia-d...
Das loucuras de Veja. Não sei como podem achar que esse estilo é editorialmente sustentável. Só vai segurar leitores sem nível.
Boa ideia, eu organizaria contigo algo do tipo aqui em Sorocaba, é só entrar em contato que nos reunimos.
Nassif.
Botvinnik foi o "caboco tranca rua do xadrez". Mestre em conduzir o jogo para o empate ou para a sua vitória devida a exaustão.
Que lembrança a sua.
Xadrez é interessante, pois depende muito de estratégias e táticas, como a política monetária internacional nesta quadra.
Veja como o problema do dinheiro fraudulento que usamos pode dar vezo a diferentes interpretações sobre o mesmo fato, o desequilíbrio do câmbio, basta mudar a retórica e defende-se ambos os lados com o mesmo vigor.
Quando se olha para o problema sem a máscara da moeda, fica fácil entender que o dinheiro que usamos não é suficiente para abarcar a civilização que ele criou, temos de reformar o dinheiro e ai lançar a nova moeda.
Does monetary protectionism lead to trade protectionism? Nov 11th 2010, 22:48 by G.I. | WASHINGTON, DC
BEHIND today’s hand-wringing over currency wars is the fear that it’s one small step from currency intervention and capital controls to traditional, noxious protectionism: tariffs, quotas, subsidies, etc. For example, Gerald O’Driscoll at the Cato Institute writes:
The Fed's announced purchase is an exercise in monetary protectionism. It has already produced countermeasures in terms of capital controls by Brazil and perhaps others. It may lead to trade protectionist countermeasures. Monetary protectionism breeds trade protectionism and risks a global meltdown in trade as occurred in the 1930s, which paved the way for World War II. And Alan Greenspan obliquely makes the same point today in the Financial Times.
But is it true? Does monetary protectionism breed traditional protectionism? I could argue the opposite. If monetary protectionism softens the pain felt by the trade sector, it weakens demands for the traditional variety. When America succeeded in devaluing the dollar against the yuan in 2005, it stopped the momentum of anti-China trade bills in Congress. QE, which may or may not be monetary protectionism (I don’t think it is), seems to make traditional protection even less likely, as Barry Eichengreen and Doug Irwin argued eloquently back in October:
In the 1930’s, the countries that raised their tariffs and tightened their quotas the most were those with the least ability to manage their exchange rates—namely, countries that remained on the gold standard… In a desperate effort to do something—anything—to defend their economies, they turned to protectionism, imposing “exchange-rate dumping” duties, and import quotas to offset the loss of competitiveness caused by their own increasingly overvalued currencies…Today, the United States is in the position of the gold-standard countries in the 1930s. It can’t unilaterally adjust the level of the dollar against the Chinese renminbi. Employment growth continues to disappoint, and fears of deflation will not go away… The villain of the piece [is] the US Federal Reserve Board, which has been reluctant to use all the tools at its disposal to vanquish deflation and jump-start employment growth. Doing so would help to relieve the pressure in Congress to blame someone, anyone—in this case China—for America’s jobless recovery. I asked Tom Gallagher, a regular contributor to our "Economics by invitation" series. His reply:
Some government intervention can be (in political-economic terms) the necessary cost to allow market forces to work more broadly. That was the argument for trade adjustment assistance and escape-clause import relief. Without those Congress wouldn't have gone along with free-trade agreements. The same argument could apply to capital controls now. We shouldn’t really call capital controls protectionism (if we keep that as a loaded word for bad policy) if capital controls are done to prevent bubbles. They are simply part of the central bank/IMF/World Bank new consensus that some regulatory action is probably needed to prevent bubbles. Emerging markets I think have thought this for some time. If QE means a dollar-based carry trade for some time, then countries like Brazil should discourage outside capital from creating asset bubbles.After reading your blog post I wondered if you could distinguish by motive. If an EM imposes capital controls to deal with asset bubbles, that’s probably a good thing. If it does so to preserve an undervalued currency, that’s bad, but if the currency is appreciating maybe capital controls can serve that safety valve purpose mentioned above. I suspect in the wake of QE we’ll be seeing more capital controls, it will spook markets a bit and give editors more fodder for “currency wars” headlines, but it will be a war with few casualties. The real test, of course, is if those countries now experiencing appreciating currencies resist resorting to traditional protectionism, and that will depend partly on how well their economies perform. Even if they do succumb, though, it seems more likely that it will be in spite of, not because of, having already taken monetary steps.
Follow the money, follow the power.
Tal pode não ter sido o melhor, mas foi o mais empolgante de todos os enxadristas. Seu estilo agressivo e ousado era, mais do que qualquer coisa, resultado de sua paixão pelo jogo. Era um jogador que gostava de dar espetáculo porque admirava a beleza do jogo. Não tinha medo de errar e era capaz de fazer graça com seus próprios erros. Essa história que reproduzo abaixo ilustra um pouco da personalidade de Tal:
JORNALISTA: Talvez seja interessante interromper esta profunda discussão e mudar de assunto um pouco, eu gostaria de saber quais tipos de pensamentos alheios, abstratos entram na sua cabeça quando está jogando uma partida de xadrez?
MIKHAIL TAL: Sim. Por exemplo, nunca me esquecerei de minha partida contra o Grande Mestre (GM) Vasiukov num torneio da URSS. Nós atingimos uma posição muito complicada onde eu pretendia sacrificar um cavalo. O sacrifício não era óbvio, havia um vasto número de variações possíveis; mas quando eu comecei a estudá-las mais a fundo, descobri com horror que nada de bom sairia dali. Idéias se empilharam umas sobre as outras. Eu iria transpor uma sutil resposta de meu oponente, que funcionara em um caso, para outra situação em que ela naturalmente se mostrava ser bastante inútil. Como resultado minha cabeça ficou cheia de uma pilha completamente caótica de todos os tipos de movimentos, e a infame “árvore de variações”, que os treinadores de xadrez recomendam que você corte fora os pequenos galhos, neste caso cresceu e se espalhou com uma velocidade incrivelmente rápida.
Então, de repente, por alguma razão, eu me lembrei de uma clássica frase de Korney Ivanovic Chukovsky: “Oh, que trabalho árduo que foi. Arrastar o hipopótamo para fora do pântano.”
Eu não sei por qual associação o hipopótamo foi parar dentro do tabuleiro, mas apesar dos espectadores estarem certos de que eu estava continuamente estudando a posição, eu, apesar de minha educação humanitária, estava naquele momento tentando resolver o problema: exatamente COMO se arrasta um hipopótamo pra fora de um pântano? Eu me lembro como macacos surgiram em minha cabeça, assim como alavancas, helicópteros e até uma escada de corda.
Depois de considerar por um bom tempo, admiti minha derrota como engenheiro e disse a mim mesmo: “Bem, deixe que afunde!”. E então o hipopótamo desapareceu. Saiu fora do tabuleiro da mesma forma que havia aparecido... por sua própria vontade! E logo em seguida a posição já não parecia mais tão complicada. Eu percebi de alguma forma que era impossível calcular todas as variações e que o sacrifício do cavalo era, por sua própria natureza, puramente intuitivo. E como prometia um jogo interessante, eu não pude recusar-me a fazê-lo.
JORNALISTA: E no dia seguinte, foi com prazer que li no jornal como Mikhail Tal, depois de analisar cuidadosamente por 40 minutos uma posição, realizou um preciso e bem calculado sacrifício de peça.
In: The Life and Games of Mikhail Tal
Eu aguardo com muita expectativa os comentários de jogadores experientes sobre Botvinnik...
Mas arrisco a dizer que o outro Mikhail ( Tahl ) é um Salvador Dali do Xadrez !
Estou lendo o sensacional The Life and Games Of Mikhail Tahl, e uma das passagens de que mais gostei até agora é quando ele conta que tomou um Mate Pastor ao jogar com seu primo. Tahl afirma que aquilo foi uma "verdadeira tragédia", aos seus 10 anos de idade !
( E eu que pensava que isso jamais acontecia na vida de um Mestre ! )
Bobby Fischer e Mikhail Tahl são seres mitológicos. Daqueles que quando a gente reproduz uma partida tomando um cremoso cappuccino, nosso semblante expressa modos de surpresa, fascínio e perplexidade.
Vou parando por aqui.
E muito obrigado pelo seu maravilhoso blog, Nassif !
Um primor, produção esmerada, finíssimo.
Parabéns !
Já vi partidas do Tal (Mikhail) com um brilhantismo tático, mas com uma precisão assustadora. Não eram construções falsas.
Não tenho nada a dizer sobre Botvinik. Apesar de ter acompanhado xadrez em certa época, hoje me divirto resolvendo problemas de mate em dois.
Estou surpreso realmente. Nassif além de você ser músico, é enxadrista. Também sou as duas coisas, embora xadrez só jogo "for fun".A parte musical pra mim é mais séria, sou formado em música inclusive ( formado em universidade, quero dizer ) O livro do Smyslov eu tenho também, é um de capa amarelo forte, nao é? Iniciei pelo livro do D`agostinni. E depois, com o aprofundamento dos estudos de xadrez, o livro do Bobby Fischer foi meu guia, um em que ele faz uma seleção de seus melhores jogos e ele mesmo comenta. As partidas dele no livro contra o M. Tal são muito boas. O Fischer pôs inclusive uma ou duas em que ele perdeu para o russo. Este também foi o livro que me atraiu mais intensamente para o xadrez. Para quem se interessa por xadrez, um ótimo chess blog que existe, com várias atualizações diárias, é o da Susan Polgar. È praticamente um jornal diário de xadrez, onde ela e seu esposo, que é GM também, trazem todas as notícias do mundo do xadrez, puzzles ( nunca muito fáceis de resolver ), o acompanhamento das partidas de campeonato mais importantes que estão acontecendo. O blog dela fica em http://susanpolgar.blogspot.com/ Recomendo mesmo.
Tenho também o livro do Fischer e minhas preferidas eram justamente as com Tal. Tem um empate ou uma derrota do Fischer, se não me engano.
Para o xadrez, talvez não haja ninguém mais influente que Mikhail Botvinnik. Como fundador da escola soviética, foi decisivo para a consolidação do esporte. Não há um só campeão mundial, nos últimos 50 anos, que não deva alguma coisa, direta ou indiretamente, a ele. De certo modo, foi o primus inter pares, a figura que dominou a cena da evolução do jogo nas últimas décadas.
Talvez pela sua relevância enquanto divulgador (diria até evangelista) do xadrez é que as suas façanhas como enxadrista tenham ficado sombreadas. Ele parece estar sempre num ponto cego quando olhamos pelo retrovisor da história. Difícil, mesmo, decifrá-lo.
O que ressalta em sua carreira é a sua apaixonada defesa da racionalidade do jogo, da disciplina pessoal com que selou sua visão de que o xadrez seria uma espécie de engenharia do intelecto. Daí sua paixão pela escola, não apenas para formar jogadores,mas para demonstrar a supremacia do seu método de ensino baseado em princípios de rigor, estudo e permanente auto-avaliação. Ficou famoso pela maneira com que exigia dos seus alunos uma incansável investigação sobre os erros, os pontos fracos, as insuficiências no entendimento. Foi um mestre posicional, pois acreditava justamente na supremacia do melhor plano, quase como uma demonstração matemática. Era o oposto de Tal, o tático, o ilusionista.
Desenvolveu um faro agudo para identificar os gênios, ainda em estado larvar. Descobria as pedras que transformava em gemas. Foi o Spinoza do xadrez, o geômetra da construção da vitória como um teorema. Daí ter sido pioneiro também no desenvolvimento dos primeiros computadores. Tinha, para mim, algo de monástico. O xadrez foi seu nirvana pessoal.
1207 partidas de Botvinnik:
http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=11207
(Supostamente funciona, mas nao em iMac 10.4)
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
Botivinnik é o baluarte da escola soviética, pioneiro na preparação exaustiva de aberturas, em cujas variantes perparadas seus adversários entravam em esquemas de meio-jogo previamente analisados por ele, o que lhe proporcionou um incrível número de vitórias de abertura, onde ele conseguia uma vantagem estratégica decisiva.
É um jogador de estilo claro e profundamente estratégico, um jogador que, costumavam dizer, quando encontrava o plano certo era praticamente irresistível.ELe tinha bom senso tático, tendo uma boa coleção de combinações, mas era na preparação teórica de aberturas, e no seu meio jogo estrategicamente bem orientado que ele desequilibrava em relação aos jogadores soviéticos de sua geração.
É bem verdade que ele foi rapidamente escolhido pelo partido comunista como o modelo exemplar do grande líder do xadrez soviético, dessa forma gozando de uma posição muito privilegiada, o que também acabava desequilibrando a seu favor.
Kasparov faz um retrato bastante rico de seu antigo treinador, e há historias incríveis a respeito dele.
Curiosamente, Botvinnik ascendeu ao trono não derrotando um campeão mundial ( Alekhine havia morrido em 1946) e a Federação Soviética conseguiu manipular a situação e houve um torneio de candidatos cujo vencedor seria declarado campeão mundial : Euwe, ex campeão mundial holandês, estava fora de forma, Reshevsky era um grande jogador mas não dispunha de um centro enxadrístico capaz de proporcionar o mesmo nível de preparação de aberturas dos russos, o armênio Keres tinha quase morrido durante a Segunda Guerra e passara por grandes privações, e Smyslova ainda não tinha experiência suficiente pra rivalizar com Botvinnik. Assim ele se tornou campeão
Além disso, nas suas três primeiras defesas do título, uma contra Bronstein e duas contra Smyslov ( ambos russos ) , ele não venceu nenhuma . As duas primeiras ele empatou, o que lhe era suficiente pra manter o título. Na terceira, perdeu pra Smyslov (1957), mas depois , no match de desquite ( a que o campeão mundial derrotado tinha direito naquela época) ele recobrou o cetro e a coroa. Depois contra Tal, situação semelhante : perdeu em 60, recobrou em 61. Só depois de perder contra Petrosian (63) ele abandonou a disputa pelo título de campeão mundial.
No fim da carreira, fundou uma extraordinária escola de xadrez cujo maior fruto foi Gary Kasparov, pra mim, de fato, o maior jogador de todos os tempos, provavelmente.
Análise perfeita de Daniel Mendes, parabens! Quando reproduzimos uma partida de "Botta" não temos fogos de artificios tipo Fischer e Tal, mas estudo, muito estudo e o mais puro estilo posicional. O velho engenheiro eletricista russo que nasceu e morreu comunista, portanto conforme o letrado "pobre", sempre ví como uma enciclopedia ambulante viva de xadrez. Mark Taimanov dizia que uma partida com Botvinnik era sempre um evento, sua única partida contra Fischer é histórica e sempre que paramos para analizar, ou simplesmente reproduzir um jogo seu aprendemos algo novo que estará sempre nas entrelinhas. Em 1948 após a morte de Alekhine e ter sobrevivido a uma guerra onde morreram 20 milhões de compatriotas Mikhail tornou-se campeão mundial em um torneio onde reinou absoluto e em 1950, aos 37 anos (já velho para o xadrez), enfrentou e empatou dois matchs contra o estupendo teorico David Bronstein, o resto está na história! O ranço contra o velho campeão sovietico no ocidente tem motivos obvios!
"O mesmo se dizia de Alekhine. Não tinha o gênio e a racionalidade do cubano José Raul Capablanca , mas sabia construir edificações complexas, que acabam enredando o adversário"
Concordo que não tinha a racionalidade do genial cubano, só que o grande erro de Capablanca y Graupera em 1927 foi não considerar o gênio de Alekhine, basta ver as partidas do match e as posteriores:
http://www.chessgames.com/perl/chess.pl?tid=54140
Alekhine não só construia edificações complexas, assim como conseguia criar situações de vitória ou empate (quando em desvantagem) a partir de posições aparentemente vazias. Como dizia Fischer: o único que poderia jogar no estilo de Alekhine e ganhar era o próprio Alekhine!
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