O fracasso do tablet da HP

por foo

Do IDG NOW

"O efeito tablet é real", mas não para a HP, diz CEO

Lançado há apenas seis meses, TouchPad não sobreviveu a um mercado dominado por iOS e Android - e a próxima vítima poderá ser a divisão de PCs.

A HP acredita que os tablets têm um futuro promissor, mas funcionários da empresa disseram ontem, quinta-feira (18/8), que a reação ao primeiro tablet da empresa, o TouchPad, foi tão negativa que não fazia sentido continuar nesse mercado. Na muito aguardada previsão de lucros da compahnia, o CEO da HP, Leo Apotheker, esforçou-se para manter opções em aberto sobre a divisão de computadores, que poderia se tornar independente ou vendida.

"O efeito tablet é real", disse o CEO, "e nosso TouchPad não vinha ganhando força suficiente no mercado". E assim termina de vez a curta vida da HP no mercado de tablets.

A empresa está chamando o evento de transformação: na previsão de lucros de quinta-feira, os acionistas da HP foram informados sobre os planos da empresa de mudar de marcha, potencialmente derrubando seu papel de fabricante mundial de PC para de se concentrar nos setores mais lucrativos de sua multifacetada organização.

As novidades sobre a plataforma WebOS (somado ao abandono do TouchPad, a empresa também vai descontinuar telefones WebOS) não são totalmente surpreendendes.

Os consumidores têm falado, à luz do desempenho muito menos que estelar do TouchPad, que a decisão da HP de abandonar a produção dos tablets seis meses após o lançamento provavelmente foi a melhor para o interesse financeiro da empresa.

Separação dos PCs

Mas o anúncio de que a companhia também está considerando “uma separação parcial ou total do Personal Systems Group”, divisão de computadores e notebooks da empresa, não era algo esperado. A verdade seja dita, e ela está escrita nas paredes há algum tempo: O interesse do consumidor por PCs tradicionais tem diminuído, em grande parte, graças ao implacável iOS da Apple.

A receita de computadores de notebooks da HP caiu 4% desde o relatório do 3.º trimestre ano passado e, apesar de a divisão PCs continuar rentável, a queda de receita e o encolhimento de margens, associados ao fracasso da tentativa de entrar na corrida armamentista dos tablets, provavelmente azedaram o naufrágio da empresa, deixando-a sem mais recursos, em uma divisão cujo provável fim se aproxima.

Antes de anunciar a notícia surpreendente, os novos números de vendas mostravam que a HP tinha sido ultrapassada pela Apple nas vendas de notebooks e tablets. A Apple vendeu 13,6 milhões de unidades, entre eles, 10 milhões de iPads. Isso significa que a Apple vendeu mais em iPads do que a HP em notebooks, 9,7 milhões.

Durante o anúncio da previsão de lucros, Apotheker repetidamente deixou claro que eles estão simplesmente analisando as opções para PCs. "Eu quero que as pessoas entendam ... que a PSG faz parte da HP, e será gerida de uma maneira muito normal." Ou, mais resumidamente: ". Vamos nos abster de comentar até que a diretoria tome uma decisão."

Para coleção

Enquanto os diretores examinam a viabilidade de tranformar o setor de PCs em uma empresa independente - ou vendê-lo - tudo será "business as usual", o que significa que você provavelmente não deveria começar a tentar vender seu novo TouchSmart 610 como um item de colecionador.

Os fãs do TouchPad estão sem sorte.”Há cerca de um ano, apostamos no WebOS”, afirmou a CFO Catherine Lesjak. Não valeu a pena. “Ele teve reviews fortes, mas teve poucas vendas” e investir tempo e recursos para tornar a plataforma mais forte era simplesmente muito arriscado, sem sinais claros de retorno. Então a HP optou por eliminar o hardware por completo. Dito isso, a HP não anunciou a morte do WebOS - eles estão tentando explorar “alternativas estratégicas para otimizar o valor da plataforma de software."

“Passos decisivos nunca são fáceis, e mudanças não acontecem do dia para a noite”, ressaltou Apotheker no fim do anúncio da previsão de lucros. Uma HP sem computadores seria difícil de engolir, sem falar no súbito desaparecimento de um webOS promissor. Qualquer que seja a decisão da companhia quanto ao setor de PCs, fica claro que líderes de mercado não estão imunes aos ventos da mudança.

(Nate Ralph)

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6 comentários
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wilson yoshio.blogspot

Do Gizmodo, via twitter

HP TouchPad será o rei dos tablets por um fim de semana. É o preço, estúpido

 

Ao que parece, finalmente teremos um tablet mais vendido que o iPad nos EUA, ao menos por este fim de semana. O TouchPad da HP, abandonado pela empresa, está sendo vendido (e criando filas em lojas, segundo algumas reportagens) a US$ 99. Por menos de R$ 200, menos que qualquer tablet xing-ling, é óbvio que vale à pena. A lição que a HP e os concorrentes do iPad têm a aprender com esta história maluca dos últimos dias é clara, e tem que ser levada em consideração se alguém planeja encostar no tablet da Apple nos próximos 2 anos.

Preço. Hoje, usando informações do próprio Google  para fazer a conta, para cada tablet com Honeycomb vendido para os consumidores, há 20 iPads saindo das Apple Stores. O que não surpreende qualquer um que tenha usado longamente os produtos concorrentes e acompanha o mercado. Como lembramos lá no início do ano, a única hipótese de alguém tirar mercado do iPad seria vender algo significativamente melhor em termos de hardware e software ou radicalmente mais barato. Ninguém chegou remotamente próximo do primeiro quesito (o iPad ainda é o melhor hardware e tem, com seus 110.000 apps, o maior número de utilidades possíveis para um tablet, por não tentar imitar um netbook). Neste fim de semana, em queimas de estoque malucas, o Touchpad alcançou o segundo quesito, e vai conquistar uma breve e melancólica liderança. Auto-referência é chata, mas o que eu dizia em fevereiro – sob acusação de “análise ridícula e precipitada de fanboy”:

Chame-me de covarde (conservador seria melhor), mas se eu fosse chefe de divisão de qualquer uma dessas empresas, eu não lançaria qualquer tablet em 2011 que custasse o mesmo preço ou mais que o iPad 2, como todos estão fazendo, somente por lançar. Parece suicídio comercial – o iPad virou sinônimo de tablet e, a não ser que você jogue agressivo no preço, não terá a atenção do consumidor: a única chance de algum concorrente fazer sucesso no mercado de tablets hoje é ser significativamente mais barato. Isso não aconteceu, e pelos contratos e volume de fabricação da Apple, dificilmente acontecerá este ano. Então, eu sugiro a todo mundo que humildemente volte à fase de projetos e voltem aqui com algo tão bom ou melhor, a um preço competitivo. Na verdade, se você se lembra bem, em 2010 aconteceu este recuo. Na CES, em janeiro, havia um monte de protótipos. Lembra do Steve Ballmer empunhando o Slate, uma bizarra tábua com Windows? Ele e tantos outros não viraram realidade: quando viram o iPad – e especialmente seu preço -, poucos dias da feira acabar as fabricantes viram que não teriam chance. Acertaram.

A HP, obviamente errou com sua estratégia de tablets. Em diversos níveis – do projeto à estratégia de descontos rápida. Todos os que analisaram o Touchpad – incluindo nossos amigos do Giz americano – disseram que excluindo o hardware equivocado, o WebOS era uma experiência melhor que o Honeycomb. Se amadurecesse um pouco mais, poderia fazer frente ao iPad (custando mais barato, é claro). Se a HP investisse mais na ideia. Ele ficou tempo o suficiente na prancheta, poderia ter ficado mais. Ou ser lançado com outra etiqueta. Joshua Topolsky disse sugeriu que a US$ US$ 200 ou US$ 300, ele venderia como água. A US$ 100, como agora, ele será um sucesso, mesmo que seja para ler coisas no Kindle ou ver filmes no avião. A US$ 200, a HP certamente perderia dinheiro. Mas se ela levasse a sério a estratégia, ela deveria considerar a alternativa.

Veja o exemplo da Microsoft. Em 1999, na fase de pré-projeto do primeiro Xbox, Rick Thompson disse a Bill Gates que eles deveriam entrar no mercado de videogames. Ele disse que para isso eles iriam perder uma geração inteira e algo entre US$ 3 e US$ 6 bilhões, só começando a ter lucro em no mínimo 5 anos. Bill Gates, gênio que é, pediu para Thompson continuasse com o projeto. O resto, como o lucro recorde da unidade de entretenimento da Microsoft este ano, é história.

Já que era a única, além da Apple, que controlava hardware e software (vamos considerar que o PlayBook da RIM já morreu, para fins de praticidade) no campo dos tablets, a HP teria estofo financeiro o suficiente para aguentar um pouco de prejuízo, e tentar ganhar dinheiro de outras maneiras. De acessórios a pacotes de programas ou upgrades, aos 30% básicos em cada app vendido, haveria um caminho lucrativo no médio prazo, mas que envolvia riscos. Quando um CEO que tem um certo nojinho de hardware assume, tudo isso fica mais difícil. O que mais me preocupa é que a HP era a última que poderia apostar em ganhar dinheiro no ecossistema, se arriscasse. Samsung, HTC, Asus e outros fabricantes de tablets só podem lucrar com hardware, e por isso dificilmente poderão concorrer de maneira agressiva com o iPad. Para mim, a HP era a última esperança de ver um tablet com preço competitivo. A não ser que o Google mude a sua lógica na parceria com a Motorola e decida perder um pouco de dinheiro para segurar a maçã, o futuro para a concorrência dos tablets é sombrio. Desde 2002 analistas dizem que seria impossível a Apple manter os seus 70% de marketshare no ramo de tocadores de MP3, e olha que o iPod não era nem tão melhor ou com preço competitivo como o iPad. Será que isso se repetirá nos tablets?

É um pouco cedo. Precisamos ver as novidades do próximo Android, os avanços de hardware com o Kal-El, e a estratégia do Windows 8, que segue uma outra lógica em relação aos tablets apresentados até agora, tornando-o mais familiar aos usuários de PC, são ameaças importantes. (UPDATE: Sem esquecer, como alguns comentaristas lembraram, do tablet da Amazon). Mas não são pra agora.

Eu não duvido que o segundo (ou primeiro, nunca teremos dados confiáveis) tablet mais vendido no Brasil seja um Coby Kyros ou algo do tipo. Quando o mercado não tem certeza da necessidade, ou mesmo utilidade de um tablet, preço é algo fundamental, como nos mostra o TouchPad. Se ninguém cortar os valores radicalmente, o iPad será absoluto em 2012 também. Queremos mais concorrência, e as empresas precisam estar dispostas a correr riscos. Precisamos torcer para isso.

 
 
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Marco Cardoso

Pelo que eu li no link indicado ("usando informações do próprio Google"), não é que "para cada tablet com Honeycomb há 20 iPads SAINDO das lojas", como diz o texto. Pelo que entendi, a conta é de que para cada Honeycomb vendido já foram vendidos 20 iPads. Esperado que fosse bem maior, já que o iPad começou a ser vendido antes e é mais conhecido (ainda deve vender mais). Isso não indica como estão as vendas atualmente e nem qual a tendência.

 
 
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Ilustre BOB

Não é o "efeito tablet" que é real. É o "efeito iPad". O Android é um grande competidor do iOS no mercado de smartphones, mas no mercado de tablets o iOS (do iPad) ainda tem 90% do market share.

Ou seja, é um exagero dizer que o mercado de tablets é dominado pelo iOS e pelo Android. Ele é dominado pelo iOS apenas, o Android está lá como coadjuvante.

 
 
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Bruno Cabral

Tentei encontrar uma loja online com essa tal oferta de U$99 e não consegui. Ha uma promessa de ubuntu linux e Android (cyanogenmod) para esse Touchpad, mas para isso é preciso que se consiga compra-lo...

 
 
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Athos

Deixa eu advinhar, o Tablet do NAssif é da HP, quebrou, e o suporte não funcionou.

Hehehe, brincadeirinha.

Mas que tem alguma coisa estranha nesta onda de notícias ruins tem. Todo dia é uma nova.

 
 
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Tedesko Duda Deps Almeida

Noticia nova, saindo do forno.

Vem mudança forte novamente.

Oracle está em vias de comprar a HP?

http://www.forbes.com/sites/ericsavitz/2011/08/22/thinking-the-unthinkab...

 
 

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