O fim dos "cabeças de planilha"

Coluna Econômica

Na semana passada, o seminário "Repensando a política macroeconômica", organizada pelo FMI com os economistas David Romer, Joe Stiglitz e Michael Spence e com seu economista-chefe Olivier Blanchard ,decretou oficialmente o fim da era dos "cabeças de planilha" - tipo de analista que contaminou o mercado financeiro nas últimas décadas, com simplificações que desmoralizaram o que se entendia por ciências econômicas.

***

MuniMunidos de suas planilhas, e com conhecimento insuficiente em política, análise setorial, ciências sociais, psicologia social, e mesmo correlações básicas de economia, esses economistas julgaram ter descoberto o equilíbrio universal, o fim dos riscos sistêmicos. Qualquer questionamento à sua falsa ciência era tratado com superior desprezo.

***

O encontro promovido pelo FMI é a pá de cal nesse tipo de pensamento cabeção, primário, manipulador, insuficiente.

***

Um dos princípios era a visão monofásica de que cada instrumento de política econômica deveria visar apenas um objetivo.

Por exemplo, para inflação em alta, aumento das taxas básicas de juros. Esse aumento impactava a dívida pública, apreciava o real, causava desequilíbrio nas contas externas que, mais à frente, provocava uma maxidesvalorização do real que comprometia o próprio combate à inflação.

Pouco importava: juros só devem se preocupar com a inflação.

***

Às vezes o aquecimento do consumo se dava em um setor específico. A situação poderia se resolver com uma restrição ao financiamento àquele setor. Mas as "boas práticas" diziam que apenas os juros poderiam ser.

***

Anos atrás, monetaristas brasileiros – da melhor escola de Chicago – alertavam para os erros da política de metas inflacionárias.

Define-se uma meta, mede-se a expectativa dos agentes econômicos. Se estiver acima da meta, aumentam-se os juros. Os monetaristas alertavam que nesse modelo não se levava em conta o excesso de liquidez (de moeda) na economia.

Consequência: esse excesso formou bolhas especulativas por todos os poros do sistema financeiro internacional, resultando na grande crise de 2008.

***

Esse pensamento manipulador criava um agente financeiro imaginário, racional que por si só seria capaz de coibir qualquer abuso do sistema financeiro internacional, permitindo abrir mão de qualquer regulação. Se uma instituição abusasse, se algum ativo estivesse muito caro, os investidores simplesmente trocariam por outras instituições ou ativos, regulando automaticamente o mercado.

Era uma miragem, como se todo investidor fizesse cálculos complexos, análises de risco, arbitragens.

***

Nas instituições financeiras, havia cálculos infernais mostrando que quando despencasse a cotação do ativo 1, haveria um aumento na cotação do ativo 2, de tal maneira que aplicando em ambos o risco tenderia a zero.

Imbecis, sem nenhuma noção do que uma crise sistêmica provocava no mercado. Quando sobrevinha a crise, caía o ativo 1. Para cobrir sua posição naquele mercado, o banco vendia o ativo 2, provocando também sua queda e assim por diante.

***

Havia muito mais erros nessas formulações. Nunca foram combatidos porque criaram uma cadeia improdutiva de juros e especulação.

Só a crise para repor o conhecimento econômico no seu devido lugar. 

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30 comentários
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é  ..mas a CVRD que foi no meio desta MODA, esta nunca conseguiram nos repor não

e agora  ..e agora?  ..se não com LULA cumpadi, só com os Ets

 
 
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Luiz Alves

Com este comportamento econômico, eles (FHC, o PSDB e o Demo) venderam as empresas estatais, e aumentaram a dívida pública de 56 bi para 770 bi, e o PT subiu mais ainda, para 1.6 trilhões. Recursos que seriam melhor aproveitados fora do sistema finceiro. Isto também gasto público.

 
 
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Não repita bestage!

A dívida é sempre calculada em relação ao PIB.

Era de 56% em FHC, HOJE É DE 40,5%.

Subiu?

AHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!

 
 
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Rosan Amaral

Uma nova atualização: em fevereiro/2011 a dívida pública total é de 39,9% do PIB; fonte BC em 30/03/11.

 
 
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Brigadú!

 
 
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Eduardo CPQ

Caro JMP,

você agiu como um cabeção planilheiro e desrespeitou o colega Luiz Alves.

Lembre-se que Dívida/PIB é um indicador importante do peso da dívida, equivalente à divida de uma família em relação aos seus ganhos.

De todo modo, a dívida aumentou, inegavelmente.

"Bestage", o que é isso?

É isso. 

 
 
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Não, não aumentou!

Ela será SEMPRE relação entre o que vendo/o que devo!

Desreipeito é o teu, duplo.

Meta-se em tua seara!

Caro, não entro num blog em busca de carinho, mas de idéias.

Quer chameguinho, procure uma.. mulher, sei lá!

 
 
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desreipeitar.... viadagem.

.. bestage.... conheça o interior e tenha uma boa dor de ixtrombo!

 
 
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Cansado, postei com erro... desrespeito..... ficou na mufa... pronto!

Bestage!

 
 
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evandro condé de lima

Nassif, nós ignorantes, que vemos inúmeras críticas a economistas - aqui no blog pululam - e de repente elogios, ficamos confusos. Baseado em que nós devemos nos fiar nas críticas e/ou elogios, uma vez que, os por um criticados por outros são elogiados, e vice versa.

 
 
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Homero Pavan Filho

Quem sabe no seu próprio discernimento?

 
 
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JB Costa

Respondendo a perplexidade do comentarista Evandro Condé de Lima: pelo caráter dual da economia: dependendo da perspectiva, ou seja, do viés ideológico, um modelo ou teoria econômica pode estar certo ou errado. Daí que o seu enquadramento como "ciência" é um pouco forçado.

Imaginemos se a física fosse como as ciências econômicas. Como ficariam seus principais postulados? Existiriam sempre para cada um, antípodas: Lei Anti-Gravidade, Lei da Não-Conservação da Energia; as constantes universais, tipo velocidade da luz no vácuo, gravitação, Planck, seriam regionais e inconstantes.

Espero que os economistas do blog não me esfolem vivo. Isso é apenas uma brincadeira para amenizar a aridez dos últimos dias.

Vamos aos especialistas. O que pensa a economista Maria da Conceição Tavares?

Qual o papel da Matemática e da Econometria na Economia?

Da Matemática, do ponto de vista prático, nenhum! Os últimos ensaios de Matemática aplicada à economia dão antíguíssimos, da década de 50.

(....) O que se vê atualmente é uma formalização crescente, de forma abstrata, da "teoria da escolha pura", não tem nem Economia aplicada, nem interpretação. Se os modelos não tem como incorporar nada que tenha a ver com a realidade, não são nem indutivos nem dedutivos. Então, tanto modelos de "escolha pura", como as da "teoria dos jogos", não servem para nada!Servem só para o jogo das contass de vidro, como dizia o velho escritor Hermann Hesse."

O papel da matemática é misticar, levar vocêr para o jogo das contas de vidro. .....A pseudomatemática dos modelos que permitem derivações de política econômica , não é matemática. Para fazer uma IS-LM não se precisa de Matemática nenhuma. Dado que você não deriva nem deduz a política econômica de modelos, a não ser heurísticos ou por simulação com experimentação numérica. Os modelos matemáticos em Economia em geral só tem hipóteses uma vez fixados objetivos e cenários alternativos. A maioria não passa de uma axiologia da escolha pura."

O outro lado: O que pensa o economista Pérsio Arida.

Qual o papel da Matemática e da Econometria na Economia., inclusive como instrumento de retórica? Na sua opinião, hoje em dia, está ocorrendo um refluxo, uma volta à Economia Política?

Discuti essas questões de retórica de forma extensa no meu artigo de 1984. O que me fascinaria hoje, se fosse escrever um ensaio mais filosófico, não seria o uso retórico da matemática ou da evidência econométrica, mas sim as mudanças no estilo da formalização. Por que se abandonou as cadeias markovianas ou os modelos n setoriais, por exemplo? Por que a formalização via cálculo estocástico revela-se fundamental hoje em dia? O fato é que as matemáticas tem estilos diversos. Seria interessantíssimo verificar se as mudanças na estilização formal decorrem de exigências do objeto a ser estudado ou se, como suspetio, em últim análise, moldam o próprio objeto de estudo.O que leva o espírito a privilegiar uma estilização formal? Minha conjectura é que a escolha da estilização formal induz a um caminho, a uma apreensão do mundo, uma visão dos fenômenos econômicos. Quer dizer, enquanto o senso comum das pessoas pensa que existe algo a ser estudado imóvel e constante como uma montanha, vejo algo totalmente diverso, no qual aquilo que se estuda resulta do filtro de análise imposto pelo instrumento formal.

Para concluir: o velho Delfim Netto.

Como instrumento de retórica( a matemática), funciona?

Como instrumento de retórica, não, como instrumento de intimidação. Porque o sujeito que se deixa aprisionar por uma fórmula é um idiota. A fórmula só pode pôr para fora o que você colocou lá dentro. Isso é uma coisa mais elementar do mundo. Então o sujeito que vem construir um modelo de equilíbrio geral no espaço de Banach é um banana, e quem aceita isso é mais banana do que ele! Estamos dando, na verdade, para o pessoal que gosta de Matemática e estuda Matemática, um campo maravilhoso para produzir exercícios interessantes. Mas a Economia não é isso, ou então a Economia não é nada.

BIDERMAN, Ciro:  Conversas com Economistas Brasileiros; Ciro Biderman, Luis Felipe L. Cozac e José Márcio Rego - Editora 34; São Paulo, 1996.

 

 

 
 
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evandro condé de lima

Grato pela resposta. Por curiosidade sou Físico, e o comentário veio a ajudar. Ao que parece - me corrija- bom ou ruim par quem cara pálida? O mesmo fato pode ser visto de várias maneiras e em economia não há certo ou errado, nem melhor ou pior. Tem o modelo  que nos agrada ou serve.

 
 
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Eduardo CPQ

Sensavional, gente!

"O fato é que as matemáticas tem estilos diversos."

O Pérsio Arida, com esta, humilhou Poincaré, Descartes, Pascal, Gauss, Lagrange, Desargues, Godëll, uma carrada de gênios da Matemática, mostrando que matemática tem estilos: clássico, barroco, rococó, trivial...

Caraca! 

 
 
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Orides

"Era uma miragem, como se todo investidor fizesse cálculos complexos, análises de risco, arbitragens"

Discordo da miragem: era uma SACANAGEM para levar todos os lucros possíveis ao sistema financeiro. E como o sistema financeiro sabe que é sempre socorrido em caso de crise... pimba!

E como defender idéias sem pé nem cabeça? Ignore, despreze quem contesta, isso fica bem fácil quando você pode usar a mídia a seu bel-prazer.

Nassif, repito mais uma vez, sobre os mentores dos cabeções (e sobre uma boa parte deles, muito espertos também): Ladrões, do berço ao túmulo

 

 
 
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OLV

Durante muitos anos milhares de pessoas sofreram por causa desses bandidos?

 
 
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R Godinho

Não vejo a primazia desse pensamento como um evento independente.

Porque a grande imprensa propaga essas idéias desde os anos 70? Porque, mesmo sendo óbvio que se tratava de uma total imbecilidade, uma das coisas mais vendidas nos anos 90, na grande mídia, foi o fim das ideologias? E porque justamente essa ideologia do deus-mercado foi tratada por 99,9% dos jornalistas da grande imprensa como a única que restou de pé no campo de batalha da guerra fria?

Ora pois, o Capitalismo, no Ocidente, desde há muito, um século, talvez, já deixou de ser um capitalismo industrial e se tornou um capitalismo financeiro. Grandes corporações produtivas usam o processo produtivo única e exclusivamente para gerar caixa para suas operações financeiras. Enquanto houve o contrapeso político da ameaça soviética, o medo de que as massas expoliadas se voltassem para a URSS reteve a mão do império financeiro. Depois disso, foi a farra do boi: concentração de renda, desmonte da estrutura legal de proteção ao Trabalho, desregulação generalizada, etc, etc...

 
 
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Leonidas de Souza

Concordo plenamente, quando o Capital produtivo se torna mesnos rentável que a especulação financeira é sinal que o organismo esta graemente doente e que não pode haver um final feliz.

Basta ver o que esta acontecendo com os preços dos alimentos, novo foco da especulação internacional.

Milhões de pessoas no mundo estão condenadas a fome ou a queda no seu padrão de vida.

As agitações sociais já começaram e vão se agravar.

Governos estão espoliando os direitos e os ganhos  dos cidadãos para sobrar dinheiro para continuar alimentando os especuladores, pagando por uma crise que não criaram.

No Brasil o governo esta caindo no golpe das tais swaps cambiais, agora que os primeiros titulos começam a vencer, o Mercado manipula o valor do dólar para aumentar seus ganhos.

Para alimentar esses tubarões, o governo apela para cortes de gastos, com todas as suas consequências para o setor produtivo e para os trabalhadores.

Já vi esse filme.

 
 
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Pensador

Nassif,

Ha um equivoco na sua analise qdo vc diz que havia calculos infernais nas instituicoes financeiras mostrando que a queda no ativo 1 aumenta o valor no ativo 2.

Bem, este tipo de relacao realmente existe. Talvez, ela nao seja muito apropriada pro mercado de acoes, mas pra quem trabalha com derivativos eh fundamental sim. O aumento da taxa de juros nos EUA, diminuiria as cotacoes das comodites sim. A questao eh em quanto.

Alias, a grande questao e definir pra cada acao, as variaveis que realmente importam. Qdo teve o problema do apagao, todas as acoes foram, inicialmente, punidas. Uns 3 dias depois descobriram que algumas empresas, como a CSN, tinham geracao propria de energia.  O mesmo aconteceu com a Taurus qdo da criacao da lei do desarmamento. Ate que descobriram que ela exportava quase toda a sua producao.

Agora de uma coisa vc tem razao: o pessoal nao sabe nada de politica, nem de analise setorial. Acho ate que nao manjam tanto assim de economia.

 
 
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luisnassif

Mas esta arbitragem só vale em tempos de normalidade relativa. Quando explode uma crise sistêmica, todas essas correlações ruem, pelos motivos que expliquei.

 
 
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carioca80

"Só a crise para repor o conhecimento econômico no seu devido lugar.", nassif, vc já sabia que o "conhecimento economico" estava fora do lugar? na boa, o ego do alexanndre scwartsman é fichinha perto do seu (e olha que o cara é doutor por berkley)

 
 
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Zé Raineri

E a crise acaba amplificada pelo "efeito manada".

Na minha opinião, nada mais característico dos perigos de um pensamento único que o efeito manada.

 
 
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Luiz Lima

Infelizmente, essa "mudança de mentalidades" jamais se confirmou na prática. É só consultar no próprio sítio do FMI o andamento dos "programas de estabilização" que a instituição está levando a cabo nos países bálticos, por exemplo.

 

 
 
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droubi

Falou tudo, Lima.

O que mais me aflige, hoje em dia, é exatamente isto: O próprio Obama é o exemplo vivo disto. Não mudou nada com a eleição dele. Ele entrou e logo depois virou as costas para todo mundo que tinha apoiado ele e foi logo socorrer os bancos com dinheiro público sem contrapartidas, postergar os cortes de impostos do Bush, etc.

O FMI vai na mesma linha: tudo bem que tem o Olivier Blanchar de economista-chefe, o que é muito salutar, mas se você pega aquele Strauss-Kahn mesmo, ele prega austeridade na veia, em plena crise, com os países endividados, ou seja, parece que continuou o mesmo jogo, independentemente da crise ter tirado pelo menos o domínio moral destes cabeças-de-planilha.

O Lula mesmo outro dia em Portugal, segundo o PHA, pelo menos, orientou os portugueses a agir em relação ao FMI da mesma maneira como os Kirchner. E eu não duvido nada mesmo que o Lula tenha falado isto.

A Grécia e a Irlanda foram austeridade na veia e olha agora.

Então eu questiono esse negócio de fim do cabeças de planilha. Acho que do jeito que a coisa anda, tá mais pra recuperação do poder pelos mesmos em um curto espaço de tempo.

 

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ROGÉRIO VERSIEUX

COLEGAS DEBATEDORES:

1- Não existiriam cabeças de planilha se não fosse montado um triplé: mídia régiamente paga pelo sistema financeiro, de políticos interessados nas negociatas da privataria, governo complacente ( mesmo sabendo dos  conceitos absurdos que estavam sendo divulgados e principalmente executados);

2- As análises pseudo econômicos ( sempre muito explicativas na pósvisão) erram todos os prognósticos e o mais espantoso: continuam na mídia como se nada tivesse acontecido) Imagine apenas se os médicos, engenheiros e os cientistas errassem tanto como eles. Estariam todos presos.

3- A total irresponsabilidade dos governantes: Exemplos radicais: plano collor e todo o desmonte das ferrovias; Também do abandono dos investimentos fundamentais do Estado: saúde, educação, infra-estrutura. Tudo  sendo tratado como Mercado. O mais espantodos é a impunidade após os desastres. Continuam pontificando na mídia. E não são responsabilizados nunca;

4- O sistema político vigente: O nosso sistema representativo exige que  para ser eleito  o interessado tenha um caixa monumental, antes de começar a eleição. Quanto custa eleger um deputado (estadual, federal) governador e um presidente da República. QUEM FINANCIA OS CANDIDATOS? na real ( não na prestação de contas);

5- Parafraseando um economista bem informado: Delfim Neto. Este problema só existe porque interessa a todos.

Rogério Versieux

 
 
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carioca80

na boa nssif , o tamanho do delírio deste texto só não é maior que o pao de acucar, o qual vejo neste momento..

 
 
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droubi

O que eu acho que o Nassif está falando é disto aqui:

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_de_Precifica%C3%A7%C3%A3o_de_Ativos_...

http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_beta

É uma teorização estatística dos riscos de mercado e de ações.

É lógico que é uma teoria extramamente bonita, que salta aos olhos e faz todo sentido do ponto de vista matemático, mas o que está em pauta atualmente é:

a)O investidor não é racional!

b)O consumidor não é racional!

c)Etc.

O que está claro há muito tempo pra muita gente, mas que a crise de 2008 escancarou.

Mas estes são os princípios que se escondem por trás de toda esta teoria.

Uma nova microeconomia comportamental, fazendo interface com estas outras áreas que o Nassif citou é que será cada vez mais necessária para explicar o mercado, o consumo e etc.

Delíreo é acreditar ainda nestes princípios em pleno pós-crise.

 

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Marcos Fernandes Gonçalves

Os "cabeças de códigos"

Impressionante como, por vezes, ciências diferentes acabam se encontrando em determinados pontos (na verdade, tudo está interligado), infelizmente, por linhas tortas e exteriores que as influenciam.

A teoria dos "cabeças de planilha" encaixa-se perfeitamente num problema já secular no Direito, o apego exacerbado e cego à lei, aos Códigos.

Os cabeças de planilha remetem-me automaticamente a essa questão, de modo que estou fortemente tentado a trazê-la para minha área e chama-la de "cabeças de códigos". Querem ver como a comparação bate? Assim, numa explicação rápida, sem se aprofundar muito:

Na economia:

"Munidos de suas planilhas, e com conhecimento insuficiente em política, análise setorial, ciências sociais, psicologia social, e mesmo correlações básicas de economia, esses economistas julgaram ter descoberto o equilíbrio universal, o fim dos riscos sistêmicos. Qualquer questionamento à sua falsa ciência era tratado com superior desprezo.

No direito:

Munidos de seus códigos de leis, e com pouco conhecimento em política, análise setorial, ciências sociais, psicologia social, alguns juristas desprezam os riscos que interpretações da lei, contrárias a questões humanísticas, sociais, fundamentais, possam causar à sociedade como um todo. Sim, a lei dá abertura às mais diversas interpretações e é aí que reside o problema: quem interpreta? Ou melhor, qual interpretação prevalece? A quem atende as interpretações da lei? Quais os interesses defendidos (nem sempre claros...)? À maioria da população ou a setores predominantes na Sociedade? Alguns dirão: o direito não se presta a fazer justiça social; interpretação de lei é invenção de advogado; a lei deve ser aplicada da forma que está descrita (é o que chamamos de interpretação literal - por acaso, é a pior possível);

Na economia:

 

O encontro promovido pelo FMI é a pá de cal nesse tipo de pensamento cabeção, primário, manipulador, insuficiente.

No direito:Esse, vou pular porque, infelizmente, não há, digamos, órgão, encontro de pensadores ou instituições, que possam questionar o pensamento predominante no Direito, que é a interpretação fria, nua e crua da lei (às favas com os reflexos sociais, alguns dirão);Na economia:

"Um dos princípios era a visão monofásica de que cada instrumento de política econômica deveria visar apenas um objetivo. Por exemplo, para inflação em alta, aumento das taxas básicas de juros. Esse aumento impactava a dívida pública, apreciava o real, causava desequilíbrio nas contas externas que, mais à frente, provocava uma maxidesvalorização do real que comprometia o próprio combate à inflação. Pouco importava: juros só devem se preocupar com a inflação."

No direito:

Está ligado ao primeiro tópico: Princípio básico da hermenêutica jurídica, que, senão a única, é a que predomina no Brasil: interpretação estática da lei, ainda que seus reflexos sociais sejam nefastos (afinal, dirão alguns, Direito é ciência dogmática - Direito Civil, Penal, Constitucional, etc. - questões zetéticas: sociologia, economia, psicologia, não interessam ao jurista). O STF, por exemplo, decidiu, no final do ano passado, que a responsabilidade subsidiária do Estado, na terceirização dos seus serviços (http://twixar.com/on3hh9F), é ilegal em face do art. 71, § 1º, da Lei de Licitações. Não vou entrar no mérito da interpretação, só explico seu efeito: a partir de agora, se o trabalhador não consegue receber seus direitos da empresa terceirizada, contratada pelo Estado, não pode responsabilizar a Administração Pública (a não ser que demonstre que esta "não fiscalizou a terceirização, o que é muito difícil de ser provado - ou seja, o Estado contrata mal e quem paga é o trabalhador).

Só um detalhe: o Art. 5o, da Lei de Introdução ao Código Civil, diz: "Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum." Pelo que, então, os mais conservadores não podem dizer que a interpretação que tenha por escopo efeitos sociais seja ilegal. A questão é sutil.

Na economia:

"Às vezes o aquecimento do consumo se dava em um setor específico. A situação poderia se resolver com uma restrição ao financiamento àquele setor. Mas as "boas práticas" diziam que apenas os juros poderiam ser."

No direito:

Pensando apenas num assunto em pauta nos últimos dias: num momento em que a economia está em franco crescimento, aumentando, significativamente, o emprego com carteira assinada (o que fica claro que não é a lei diretamente que o influencia, mas, investimento estrutural), alguns andam dizendo que a lei trabalhista no país é atrasada (dão tanta ênfase a essa "interpretação", mas, pergunte para explicarem o porquê de a tal lei ser atrasada. Não explicam. É pura retórica. Perguntem para explicarem artigo por artigo da lei trabalhista que implique em suposto atraso na economia. Não explicam, é puro discurso.

Na economia:

 

"Anos atrás, monetaristas brasileiros – da melhor escola de Chicago – alertavam para os erros da política de metas inflacionárias. Define-se uma meta, mede-se a expectativa dos agentes econômicos. Se estiver acima da meta, aumentam-se os juros. Os monetaristas alertavam que nesse modelo não se levava em conta o excesso de liquidez (de moeda) na economia. Consequência: esse excesso formou bolhas especulativas por todos os poros do sistema financeiro internacional, resultando na grande crise de 2008."

No direito:

Em meados do Século XX, juristas alemães (Phillip Heck, Müller-Erzbach e Karl Engisch), em contraposição ao positivismo cego, que, em geral, trazia consequências sociais nefastas, defendem teorias que buscam causas e consequências da lei, isto é, o que levou a sociedade, no contexto geral, privilegiar positivação legal de determinado fato social? Qual a causa? Consequência? Busquemos na Constituição, dizem eles, ou na jurisprudência (secundum legem: segundo a lei). É a partir daí que se deve interpretar a lei. Nossa Constituição, por sinal, é um prato cheio nessa questão, a começar pelo artigo 1º (Fundamentos da República Federativa do Brasil); o que deveria ser o norte de toda interpretação. Estamos falando da interpretação causal e da jurisprudência de interesses. Alguns juristas brasileiros (poucos, é verdade), senão diretamente, indiretamente estão nesse campo: Fábio Konder Comparato, José Eduardo Faria (professor da USP), Dalmo de Abreu Dallari, entre outros. Nos EUA, Henry Campbell Black; na Itália, Norberto Bobbio. Registre-se: a interpretação jurisprudencial, ainda que baseada na lei, é duramente criticada no Brasil. Afinal, poderia quebrar a função de cada um dos três Poderes...(e que há infeliz confusão entre interpretar a lei e "legislar". É água e vinho aqui)

Os itens restantes estão implicitamente inclusos nas ponderações anteriores.

Enfim, a semelhança entre os cabeças de planilha e os cabeças de códigos é cristalina. A divisão no Direito entre os positivistas (a lei deve ser aplicada fria e cegamente, às favas eventuais consequência sociais negativas) e os jusnaturalistas (o homem tem direitos independentemente da lei - "direito natural", pois) é histórica - há intermediários, por assim dizer - gerando até problemas epistemológicos mal resolvidos até hoje.

Se você chegou até aqui me xingando desde o primeiro parágrafo achando que sou contra o "Estado de Direito", que vou "rasgar códigos", desprezar a Constituição, errou feio. Ao contrário, sou positivista e passo longe do direito natural (é perigoso, depende de quem está no poder), isto é, para mim, importa a lei. No entanto, não sou cego. Preocupo-me com as consequências da lei, especialmente se não atendam aos paradigmas sociais, gerais, expressos, ou implícitos, na Constituição Federal. Ora, pois, nossa Constituição é, ou não, "cidadã", como dizia o velho Ulisses?

Embora eu não entenda de economia, imagino que os economistas não desprezam as planilhas, apenas não se prendem necessariamente a elas, ou seja, a planilha não é norte (existem outras questões envolvidas), mas, apenas o começo da análise. Igual ao direito: a lei é ponto de partida (viram? Não desprezo a lei. Bem ou mal, fico com ela, sob pena de ficarmos a mercê de subjetivismos, quiçá, de desmandos).

Eis aí uma boa ideia: acho que vou escrever livro chamado: "os cabeças de códigos" (vou ser execrado, sim, dúvida, pois a reação será bem mais incisiva do que no caso das planilhas). Deixa eu me aposentar primeiro, depois escrevo...

 



 
 
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droubi

Essa do Krugman cai como uma luva para a coluna econômica de hoje. Confiram:

O inacreditável Alan Greenspan

Impagável a coleção de frases com "com notáveis raras exceções" no final do post.

http://krugman.blogs.nytimes.com/2011/03/30/the-exceptional-mr-greenspan/

The Exceptional Mr. Greenspan

Alan Greenspan continues his efforts to cement his reputation as the worst ex-Fed chairman in history; in today’s FT, he comes out for a repeal of financial regulations designed to prevent a repeat of the crisis for which he, more than any other individual, bears personal responsibility.

To be honest, I didn’t know quite how to respond; I was, very nearly, left speechless by the lack of self-awareness on display. But Henry Farrell shows us the way, pointing out that Greenspan’s piece contains this remarkable passage:

Today’s competitive markets, whether we seek to recognise it or not, are driven by an international version of Adam Smith’s “invisible hand” that is unredeemably opaque. With notably rare exceptions (2008, for example), the global “invisible hand” has created relatively stable exchange rates, interest rates, prices, and wage rates.

Henry then asks readers to chime in with other uses of the “with notably rare exceptions” phrase. Among the entries:

With notably rare exceptions, Newt Gingrich is a loyal and faithful husband.

With notably rare exceptions, Japanese nuclear reactors have been secure from earthquakes.

Though unredeemably(sic) opaque, Mr. Madoff’s operations delivered excellent returns, with notably rare exceptions.

With notably rare exceptions, the levees protecting New Orleans have held fast in the face of major hurricanes.

With notably rare exceptions, locking all exits to the workplace is a harmless way to improve your employees’ productivity.

With notably rare exceptions, petroleum extraction has minimal environmental impact.

 

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Alexandre Weber - Santos -SP

 

O ramo da matemática tem duas vertentes clássicas: a aritmética e a geometria.

A geometria nos fornece os tijolos básicos com que construímos o mundo e a civilização, a aritmética são outros 500, a geometria, mesmo aplicada toscamente nos ajuda a montar e correlacionar cenários que seriam ininteligíveis de outra forma. Quando este conjunto está pronto ele doa credibilidade, quando ele doa credibilidade para a ferramenta civilizadora número um, o dinheiro, ele invade a área econômica de forma benéfica. Eu não tenho muita familiaridade com outros pontos entre a economia e a matemática, por outro lado, números índices e porcentagens relativas sobre números complexos e agregados me cheiram a grossa tapeação.

 

Follow the money, follow the power.

 

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