O fim das editoras de livros didáticos, por Arnaldo Saraiva

Por Arnaldo Saraiva

Prezado Nassif,

Sou editor de livros didáticos há mais de 40 anos. Comecei minha atividade de editor bem cedo, iniciei e criei a divisão de livros didáticos naEditora Saraiva no longínquo ano de 1970. Iniciei e criei, também, mais duas outras editoras didáticas: a Nova Geração e a AJS.

Publiquei incontáveis autores e incontáveis livros didáticos.

Concordo com quase tudo que já foi dito noblogue do Nassif.

As editoras didáticas estão no fim. Com o advento do livro digital, não há mais condições delas existirem. Os novos aplicativos como oiBook Autor da Apple é uma ferramenta que dá aos autores condições deles produzirem seu próprio livro digital com qualidade superior aos das editoras.

Com o fim do livro de papel e tinta, a pergunta que não quer calar é:

O que uma editora de livros didáticos tem agora pra oferecer a seus autores?

Resposta: NADA, absolutamente NADA.

Com o  iBook Autor e outros recursos, esses autores didáticos poderão fazer seus próprios livros com qualidade superior ao das suas antigas editoras e colocar em lojas virtuais e nas NUVENS do MEC.

Nas décadas de 70, 80 e 90 as empresas que produziam fotolito eram tão grandes ou maiores que as editoras didáticas. Havia dezenas de grandes e médias empresas. Com o advento do fotolito eletrônico, TODAS, repito, TODAS elas, grandes e médias fecharam as portas. Hoje em dia não há mais empresas de fotolito. O que aconteceu com o fotolito ira acontecer com as editoras didáticas, ou seja, o fim...

O MEC e o FNDE sabem perfeitamente que, em breve, os livros didáticos digitais também serão  produzidos diretamente pelos  autores empreendedores.

Como o grande mercado, hoje em dia, é o MEC, que chega a representar 90% das vendas. É evidente que o Loby das grandes editoras vai tentar adiar, ao Máximo que puderem, mas não terão forças suficientes pra remar e lutar contra a maré.

Mesmo no mercado privado, as escolas passarão a produzir seus próprios matérias didáticos digitais ou vão adotar livros diretamente com os autores.

Hoje em dia, um livro didático de papel custa algo em torno de R$ 100,00. O preço do livro digital, vai cair pra algo em torno de R$ 10,00. Como os autores ganham 10% de direitos autorais, eles não vão queer receber apenas R$ 1,00.

Então, ele mesmo, os autores, venderão seu livro digital por 10,00. É claro. Alguma dúvida?

Na minha opinião, as grandes editoras didáticas irão desaparecer e serão substituidas pelosautores empreendedores e por uma nova geração de garatos que nascerão, literalmente, nas garagens.

Arnaldo Saraiva

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64 comentários
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Uma pena...uma pena......daqui a pouco até o lápis e as canetas deixarão de existir.....perderemos contato com a palavra escrita.........Não consigo imaginar isto como sendo bom....não mesmo!!

 

Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....

 
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foo

É uma pena... sem falar na substituição da argila pelo papiro, ou do papiro pelo papel... a substituição da prensa de tipos móveis pela impressão a laser... as máquinas de escrever pelos computadores e impressoras jato de tinta... daqui a pouco não precisaremos mais de papel!

<ironia off/>

Antigamente a leitura e escrita era privilégio de 1% da população (se tanto); hoje o desafio é alfabetizar 100%.

Antigamente o custo para se construir uma bilblioteca era de mais de R$ 100 mil; hoje qualquer criança pode ter um e-reader de $99 com 3 mil livros na mochila.

Acho que estamos melhor do que antes... :)

 
 
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Laudir

Foo, como dizem os manezinhos florianopolitanos, "matasxte a pau oôoh",  mereces os troféus Dazo e Ezo: "Daz um banho mô quirido" e 'Ez um mosxtro". Muito bom teu comment, Foo. Dependesse de certas gentes ainda estaríamos no comunicando via tambor e sinal e fumaça. Tem gente que só dando com "o rufi da tarrafa no meio das orelha para aprender".  Quanto a modernidade, vale o velho ditado mané dos comerciantes da antiga ilha de Desterro: se "quésx, quésx, senão mofasx com a pomba na balaia". 

A velha e boa Editora Saraiva ainda pode sobreviver imprimindo cartilhas ideológicas para serem distribuidas nos acampamentos do MST e escolar públicas, tái o nicho, isso não vai acabar nunca.

 
 
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Sergio Saraiva

Menas, catarina, menas.

O texto do sr.Arnaldo Saraiva é de uma grande generosidade, diria até, de um despreendimento não esperado de um um editor. Faz pensar, e muito. A tecnologia tornando, pela primeira vez na história da humanidade, as idéias um produto que pode ser comercializado pelo próprio autor das idéias.

Mas a minha querida Dê fala de outra coisa, do fim da letra cursiva, da escrita à mão.

Não Dê, os cultos, não exatamente os ricos, mas eles em maior número, continuarão escrevendo à mão.

Os que serão independentes continuarão sabendo cuidar da sua própria comida, da sua própria roupa e da sua própria higiene pessoal e doméstica, incluindo reparos elétricos e hidráulicos de pequena monta. Qualquer um que tenha lido Chê sabe que isso é fundamental para se manter na luta. Ainda mais, serão capazes de se comunicar de forma escrita de forma manual e fazer cálculos sem os auxílio de uma calculadora.

Os outros comprarão esses serviços a preços módicos, proporcionados pela produção e distribuição em massa. Serão dependentes, estarão em risco, mas, no dia-a-dia, quase não notarão a diferença.

 
 
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Daniela Menezes

A letra cursiva vai voltar a ser uma arte, dominada por poucos... o desenvolvimento as vezes nos faz voltar uns passos... Não sei se é bom ou ruim, mas é um fato que independe da minha avaliação...

Vou continuar a ensinar esta arte na minha sala de aula...

 
 
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meiradarocha

Os primeiros livros impressos, no século 15, custavam o mesmo que três anos de trabalho de um artesão.

 
 
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Foo, não me refiro ao "tipo".....claro que estamos bem melhor que quando usávamos máquinas de escrever....me refiro ao hábito salutar da escrita. 

Quanto aos e-reader's, serão ótimos mas quando todos tiverem acesso.

 

Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....

 
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André B.

Não: o que é uma pena é autor receber royalty de 10%, isso se consegue um contrato espetacular.

 

A palavra escrita não tem como morrer. Não sob a estrutura socio-burocrática que vige no mundo inteiro.

 

E se o que morrer for a letra cursiva, aí eu já até cogito se não é para melhor. Vide a insistência dos médicos em fazer gracinha em suas receitas, a despeito de LEIS proibindo a "letra de médico". Ou a hermetismos jurídicos. Sendo tudo eletrônico, um glossário fica a um clique de distância.

 

O autor é lúcido em não transformar a inovação tecnológica em situação de "eles contra nós". Em vez de reeditar o luddismo, faz ele bem em reconhecer a obsolescência e o anacronismo do modelo editorial atual, e torço para que consiga atacar um novo nicho de mercado! Ele está melhor equipado para isso que 90%, talvez 99%, de seus colegas.

 
 
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Emilio GF

É uma pena a perda da escrita cursiva, o que já vem ocorrendo.

A escrita envolve o controle e desenvolvimento de esquemas psico-motores que são importantes na evolução cognitiva das crianças.

Estamos formando uma geração que só age para apertar botões ou tocar telas.

As próprias crianças sentem isso. Coloque uma delas frente a madeiras e martelos e veja seus olhilhos brilharem. Já fiz isso.

 
 
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marcyo

vide algumas instituições de ensino já fornecendo tablets com conteudos aos alunos...

não há duvidas...

os dinossauros foram extintos pela não adaptação ao meio ambiente...

marcyo..

 
 
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Egler

E eu que pensava que os dinossauros foram extintos porque o Noé não os colocou na arca.

 
 
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Sergio Saraiva

Grande Egler, mas os dinossuaros provavelmente foram extintos pela que de um meteoro.

Ou seja, foram extintos por uma causa externa antes que se inviabilizassem. A natureza parece previlegiar seres que necessitam de baixo consumo de energia para sobreviver. As baratas, pelo que sei, são tão velhas quanto so dinossauros, e serião hoje um dos poucos animais que sobreviveriam a uma catastrofe nuclear e a um novo meteoro, naturalmente.

 
 
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foo

"Com o fim do livro de papel e tinta, a pergunta que não quer calar é:

O que uma editora de livros didáticos tem agora pra oferecer a seus autores?

Resposta: NADA, absolutamente NADA."

 

Na verdade as editoras ainda poderão funcionar como um hub para "edição" dos livros didáticos -- isto é, revisão, aconselhamento, produção gráfica, etc.

Ou seja: em tudo aquilo onde as editoras realmente adicionam valor, e não na impressão e distribuição, onde ela funcionava apenas como intermediário.

E como as editoras (agora produtoras de conteúdo) vão sobreviver? Veja os exemplos da Wikipedia, do MIT OpenCourseWare, e da Khan Academy -- dois projetos que recebem recursos para executar seu trabalho e distribuir seus conteúdos gratuitamente.

 

O material didático não é estático, sempre precisará de atualizações. O Governo precisará, portanto, de organizações capacitadas a agregar valor ao material existente.

 

A Saraiva precisa posicionar-se como referência na livre distribuição de conteúdos digitais. Ela deixará de receber um valor fixo por cada obra impressa, mas poderá fazer contratos de longo prazo (com governos ou fundações) para manutenção das obras.

 

 
 
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Erick M

Exatamente. Não sei se esses autores empreendedores terão a capacidade de fazer isso. Nos livros didáticos, é possível que o próprio MEC faça, mas e nos demais.

Além do mais, não sei como funciona os contratos das editoras com os atuais autores renomados. Se forem contratos de longo prazo, envolvendo o conteúdo, pelo menos no início eles continuarão amarrados às editoras.

 

Erick

 
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ruyacquaviva

A questão dos contratos entre autores e editoras é apenas uma questão temporária.Pode adiar as coisas por um certo tempo, mas só.

Acho que existe sim um mercado para serviços profissionais de editoração, afinal por mais que se tenha softwares à disposição, existe um conhecimento específico de como tornar uma obra autoral em um produto profissional. Mas é um mercado mais no sentido de uma consultoria especializada, muito menor que a atual indústria editorial de livros didáticos. Essa indústria realmente perdeu sua razão de ser. Consultorias de editoração e marketing podem absorver alguns dos profissionais das editoras atuais, outros podem migrar para a produção de softwares didáticos e ensino à distância.

Mas a maioria irá para outras atividades, os mais envolvidos com as atividades fim voltarão a se envolver com a educação, que tem um espaço imenso para se desenvolver no Brasil, dada a enorme carência do setor. Os envolvidos em atividades meio irão trabalhar em outras atividades.

Acho que as editoras atuais deveriam planejar-se para essa mudança, de modo a ser menos chocante e permitir a migração de seus profissionais sem gerar desemprego.

Aliás a área editorial toda deveria se preparar para o baque. Restará ainda um bom tempo em que pessoas comprarão livros em papel por preferência pessoal ou costume. Mas a nova geração entrará sem esse costume e portanto suas preferências serão outras. Sempre haverá espaço para livros de arte em edições especiais, que irão além do que o livro eletrõnico pode oferecer. Mas é um mercado muito mais restrito que o atual.

Ninguém sabe exatamente como as coisas serão, mas sabemos que haverá muitas mudanças. E a velocidade dessas mudanças é cada vez maior e mais impressionante.

 
 
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meiradarocha

"E como as editoras (agora produtoras de conteúdo) vão sobreviver? Veja os exemplos da Wikipedia, do MIT OpenCourseWare, e da Khan Academy -- dois projetos que recebem recursos para executar seu trabalho e distribuir seus conteúdos gratuitamente".

É isso aí! Os próprios professores, coletivamente, farão seus livros didáticos. Cada uma faz um pouquinho e o resultado é um superlivro.

 
 
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Ewerton Luiz

Quem irá controlar o conteúdo dos livros digitais?

Teremos livros ao gosto do freguês, dependendo da orientação de determinada

escola, poderemos ler tendência de esquerda ou de direita.

Pano para manga temos...

 
 
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Marroni

Uma questão de certificação, um selo dizendo que o conteúdo do livro foi revisado por seus pares, como é hoje a publicação de artigos científicos. Não precisa ser uma obra individual. Pode ser um coletivo ou colegiado a decidir ou mesmo escrever o conteúdo. Na era da Internet a produção colaborativa vai ser a regra. Sem falar nos recursos multimídia. Nossos netos saberão dez vezes mais do que sabemos hoje. Não há o que temer.

Não veremos mais mapas da América do Sul com dois Paraguais. 

 

Somos a consequência de nossas escolhas.

 
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veras

Isso já acontece com o livro impresso. Entre numa livraria e veja os livros de História: tem para todos os gostos.

Portanto, nada de novo.

O que eu defendo é que nos sistemas públicos deveria haver um material único, que poderia ser desenvolvido pela própria  rede de ensino, ao contrário dessa confusão na qual cada professor e cada escola escolhe o seu livro didático.

E cá entre nós, tem porcaria de monte!

 
 
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foo

"Com o  iBook Autor e outros recursos, esses autores didáticos poderão fazer seus próprios livros com qualidade superior ao das suas antigas editoras e colocar em lojas virtuais e nas NUVENS do MEC."


Espero que o MEC fuja da armadilha do iBook e dos formatos proprietários da Apple.

O iBook só funciona nos Macs, e com a versão mais recente do sistema operacional (Lion). E a Apple continuará a empurrar atualizações, como a Microsoft fazia nos anos 90 (e tenta fazer até hoje, com menos sucesso).

O MEC precisa (e, conhecendo o Mercadante, provavelmente vai) adotar somente formatos abertos como TXT, HTML5, e EPUB. Sem DRM!!!


 

 
 
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Eduardo Ramos

Simplesmente fundamental esse ponto que você abordou!

 
 
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André B.

O formato .ibook não tem DRM. É baseado em HTML5 e estendido por microformatos.

 

Na hora que alguém aparecer com um editor excelente para EPUB, suponhamos para a versão 4 (planejada, e que até o momento não se discute oferecer recursos do mesmo nível, mas certamente isso muda) ou a sequer anunciada versão 5, pode saber que sua sugestão será viável. Pelo menos no lado da edição. O consumo, porém...

 

Só não vale reclamar depois que todos os demais fabricantes de tablets suspenderam o suporte e atualização de sistema operacional e aplicativos associados dos modelos de tablets antigos, e que esses permanecerão compatíveis apenas com EPUB 2 e PDF, e olhe lá.

 

Do jeito que é Brasil, vão regulamentar EPUB 2 e PDF. O que é fechar o olho, de maneira burra, para todos os recursos introduzidos pelo formato .ibook.

 

Isso me deixa muito em cima do muro sobre se o formato de publicação deve ou não ser regulamentado. Eu acho que deve haver regras e parâmetros mínimos, mas não se deve normatizar uma especificação que necessariamente nivela por baixo.

 

A propósito... Quem cria livro nesse formato .ibook, que é sim proprietário, embora perfeitamente "reverse-engineerable", é o autor (ou diagramador). Não é a Apple que enfia goela abaixo não. O iBooks (aplicativo) suporta EPUB e PDF perfeitamente, vindos de quaisquer fontes, além do próprio formato, que deve vir de uma das lojas da Apple. Se este dominar, será por mérito, e não sufocamento.

 
 
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foo

A questão não é "nivelar por baixo", mas a garantia de interoperabilidade. Enquanto o iBook só puder ser lido adequadamente em um produto da Apple, ele não deve ser distribuido pelo Governo. E enquanto a Apple controlar o padrão, ela sempre estará à frente de todos os concorrentes -- assim como a Microsoft, com os formatos do MS Office.

Por isso, e para evitar a criação de um novo monopólio, o Governo deve adotar e promover os padrões abertos, livres de extensões proprietárias.

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Com relação ao editor; eu ainda não testei, mas existe pelo menos um editor que suporta o formato EPUB:

 

 

 
 
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André B.

Foo,

 

Não disse que não existem editores que suportem o EPUB (isso seria completamente ridículo). O QuarkXPress exporta EPUB. O InDesign exporta EPUB. O próprio Pages da Apple também exporta.

 

Disse que não há um único editor de EPUB no mercado que seja ao mesmo tempo fácil de usar e que produza resultados de qualidade comparável ao que o iBooks Author atinge. Em boa parte porque o problema não é só do software de editoração, mas também do leitor e até mesmo inerentes ao formato.

 

O padrão EPUB é explícito em deixar em aberto a questão da renderização do conteúdo. Não houve qualquer preocupação com qualidade e controle diagramático até a versão 3.0 do padrão, que é de outubro passado. Mesmo assim há dezenas de concessões e partes deixadas a cargo da implementação.

 

O que a Apple fez foi o que ela sempre fez: definiu uma plataforma uniforme e disponibilizou a ferramenta de produção de conteúdo. A diferença é que agora ela já sabia chegar nos produtores de conteúdo e fechou acordo com 3 das 4 enormes editoras de conteúdo educacional dos EUA, além de umas 2 ou 3 um pouco menores. Resultado: vai ter conteúdo, vai ter acordo com instituições educacionais dos EUA, e o pulo, não, salto, lançamento balístico do gato, é lançar o iBooks Author grátis com possibilidade de professores publicarem direto no iTunes U.

 

Isso sim é muito maior que a conversão de livros existentes para o novo formato, por mais que incorporem balangandãs multimídias nas edições eletrônicas. É um curto-circuito tremendo nas bases do mercado editorial. Coisa que o Sr. Saraiva percebeu claramente.

 
 
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Emilio GF

Como professor e autor de textos didáticos, a notícia que mais me entusiasmou foi o fato do PDF poder, agora, suportar animações.

Isso seria uma revolução didática - poder colocar uma figura em movimento dentro de um texto.

Venho estudando animações 3D há uns 3 anos e tenho um monte de coisas para utilizar.

A pergunta que faço, é: O ePUB permite que se coloque animações num texto?

Se alguém puder responder, agradeço.

 
 
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Mario Abramo

Caro Emilio GF,

 Eu produzo apresentações com o Kile, diretamente pra PDF, e acho que com o pacote Tikz dá pra produzir animações. Mas ainda não testei isso.

 []s

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

 
imagem de André B.
André B.

PDF suporta filmes e alguns outros objetos interativos há tempos. Mas eu não sei dizer sequer um leitor de PDF que não o Adobe Reader que os reproduza.

 

EPUB permite animações no sentido de que não proíbe e delega esse "detalhe" para a implementação em vez de normatizar. Agora, na linguagem do padrão, é fortemente desencorajado o uso de JavaScript nos livros. Aí, esquece. Talvez um Kindle desses novos implemente, mais provavelmente algum dos tablets Android poderá implementar porque o leitor de EPUB deve ser pouco mais que uma casca para o WebKit... Mas, até o momento, o único capaz de reproduzir recursos de animação em EPUB de maneira confiável é o iPad.

 

Não sei se você já viu, Emilio, mas recomendo assistir à apresentação de introdução do iBook 2.0 e do iBook Author:

http://www.youtube.com/watch?v=DO93FpZ4oLE

 

Me chamem de ridículo, mas esse vídeo me fez querer ter mais filhos do que estava planejando. :)

 
 
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marcelo

Perderemos contato com a caligrafia, o que não vejo como ruim. Quanto à palavra escrita, a informártica foi muito favorável, e será mais ainda, com a popularização dos tablets...

 
 
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Moikano

Quais as editoras que produzem livros didáticos hoje? A editora abril estaria entre elas?

 
 
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foo

A Editora Abril publica livros didáticos:

http://www.abrileducacao.com.br/didaticos.html

 

E usa a revista Veja para fazer lobby:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-critica-politica-aos-livros-d...

 

Aliás, Nassif - quando é que você vai publicar o Caso Veja em formato digital?

 
 

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