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O fascistômetro de Adorno, por SafatleEnviado por luisnassif, ter, 31/01/2012 - 13:46Da Folha de S. Paulo VLADIMIR SAFATLE Na década de 50, o filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969) uniu-se a um grupo de psicólogos sociais norte-americanos para desenvolver um estudo pioneiro sobre o potencial autoritário inerente a sociedades de democracia liberal, como os Estados Unidos. O resultado foi, entre outras coisas, um conjunto de testes que permitiam produzir uma escala (conhecida como Escala F, de "fascismo") que visava medir as tendências autoritárias da personalidade individual. Por mais que certas questões de método possam atualmente ser revistas, o projeto do qual Adorno fazia parte tinha o mérito de mostrar como vários traços do indivíduo liberal tinham profundo potencial autoritário. O que explicava porque tais sociedades entravam periodicamente em ondas de histeria coletiva xenófoba, securitária e em perseguições contra minorias. O que Adorno percebeu na sociedade norte-americana vale também para o Brasil. Na semana passada, esta Folha divulgou pesquisa mostrando como a grande maioria dos entrevistados apoia ações truculentas como a internação forçada para dependentes de drogas e intervenções policiais espetaculares como as que vimos na cracolândia. Se houvesse pesquisa sobre o acolhimento de imigrantes haitianos e sobre a posição da população em relação à ditadura militar, certamente veríamos alguns resultados vergonhosos. Tais pesquisas demonstram como a idealização da força é uma fantasia fundamental que parece guiar populações marcadas por uma cultura contínua do medo. É preferível acreditar que há uma força capaz de "colocar tudo em ordem", mesmo que por meio da violência cega, do que admitir que a vida social não comporta paraísos de condomínio fechado. Sobre qual atitude tomar diante de tais dados, talvez valha a pena lembrar de uma posição do antigo presidente francês François Mitterrand (1916-1996). Quando foi eleito pela primeira vez, em 1981, Mitterrand prometera abolir a pena de morte na França. Todas as pesquisas de opinião demonstravam, no entanto, que a grande maioria dos franceses era contrária à abolição. Mitterrand ignorou as pesquisas. Como se dissesse que, muitas vezes, o governo deve levar a sociedade a ir lá aonde ela não quer ir, lá aonde ela ainda não é capaz de ir. Hoje, a pena de morte é rejeitada pela maioria absoluta da população francesa. Tal exemplo demonstra como o bom governo é aquele capaz de reconhecer a existência de um potencial autoritário nas sociedades de democracia liberal e a necessidade de não se deixar aprisionar por tal potencial. VLADIMIR SAFATLE escreve às terças nesta coluna.
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Comentários + votados
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Muchacho
31/01/2012 - 14:13
Esse moço é dos poucos respiradouros que sobraram no folhetim dos Frias ! muito bom artigo.
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Antonio Rodrigues do Nascimento
31/01/2012 - 14:14
O fascistômetro que o Montoro tinha instalado no Palácio dos Bandeirantes abriu o bico faz mais de 20 anos. O Fleury jogou o aparelho quebrado fora, junto com mais de 100 cadáveres do...
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Vânia
31/01/2012 - 14:19
São Paulo está precisando de um Mitterrand e o Bajonas Teixeira de Brito Junior (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-totalitarismo-singular-no-brasil) de umas aulas com o Vladimir Safatle.
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marcelo arruda
31/01/2012 - 14:20
O estado das coisas nessa sociedade em que vivemos está começando a ficar preocupante. Pouquíssimas vozes contrariam o status quo - presidido, não pela presidenta, mas pelo mercado - e a ideologia...
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marcos nunes
31/01/2012 - 14:23
É triste ver como o "apoio" da população aos eventos da Cracolândia (e até ao Pinheirinho) é dado como exemplo de que a ação do Estado foi na direção correta, e é muito oportuna a lembrança da ação...
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Nilson
31/01/2012 - 14:28
Isto demonstra que o governo pode mudar uma sociedade. Só tivemos um François Miterrand, sobrou Sarkozy, Alckmin etc.
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Jair Fonseca
31/01/2012 - 14:30
Parabéns a Safatle, mais uma vez. Mesmo aqui e em outros espaços como este do blogue, há quem se proclame "liberal" mas apresenta um grau alto no fascistômetro. Nas sessões de comentaristas da grande...
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Jotaem
31/01/2012 - 14:52
"Como se dissesse que, muitas vezes, o governo deve levar a sociedade a ir lá aonde ela não quer ir, lá aonde ela ainda não é capaz de ir. "
E ainda fala do autoritarismo dos outros.
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Alan Souza
31/01/2012 - 15:02
Vivesse no Brasil de hoje e Adorno se interessaria em montar um fascistômetro da nossa imprensa. A presidenta Dilma deu uma entrevista em Cuba, onde espertamente calou a boca dos jornalistas da nossa...
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Roberto Veiga
31/01/2012 - 15:04
>>>> Como se dissesse que, muitas vezes, o governo deve levar a sociedade a ir lá aonde ela não quer ir, lá aonde ela ainda não é capaz de ir.
Ah se isso saisse da pena de um conservador...
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aleXandre
31/01/2012 - 15:30
esse safatle é um bom colunista. bom saber.
Por falar em governantes q não se guiam pelo ibope, a Dilminha foi muito feliz ao responder abertamente sobre a pressão da opinião"...
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Moraes
31/01/2012 - 15:50
O estudo do Adorno foi muito importante, sem duvida. Mas acho ainda mais impactante (e direto) aquele experimento, muito polêmico, de Stanley Milgram, de 1961, depois longamente comentado por ele em...
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Edson Joanni
31/01/2012 - 16:09
Hoje pela manhã, no Bundinha Brasil, a Globo quis colocar saia justa na Dilma, e "noticiou" que ela iria interceder a favor de Yoani.
MENTIRA!!!
Como se pode ver nos outros meios, ela disse que o...
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Angelo G.Frizzo
31/01/2012 - 16:16
Além da primeira e maravilhosa resposta sobre direitos humanos, valeu a cacetada nos babacas da nossa "grande" imprensa que querem porque querem que o Brasil declare guerra a Cuba, Bolívia,...
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Luiz Horacio
31/01/2012 - 16:20
Adorno teve de dialogar com a sociologia americana e talvez por isso tenha participado do projeto. Os americanos são conhecidos por seu pragmatismo - não igual ao nosso, que é um pragmatismo...
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Nilson
31/01/2012 - 16:23
Quebrou a espinha do PIG. "há desrespeito aos direitos humanos inclusive no Brasil"
Dalhe Dilma 2 ! Dá um beijo no comandante Fidel Castro por nós do blog ! hauhahahahahKKK
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Juliano Santos
31/01/2012 - 16:27
O bafometro está para o Aécio assim como o facistômetro está para o Alkimin
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Esse moço é dos poucos respiradouros que sobraram no folhetim dos Frias ! muito bom artigo.
E na Filosofia da USP também.
Mas poderia ser mais explicito e chamar o governo de Alckmin de fascista. Para o Otavinho o texto do Safetle tá ótimo.
Nilson Fernandes
Ufa, pelo menos alguém percebe que Safatle é uma farsa. Ele faz o papel de provar que a mídia é plural. Alguém já viu ele atacar diretamente Serra e FHC???? Seus textos sempre param a meio caminho, a medida certa para que ele possa posar de esquerdista sem perder lugar na mídia. Por princípio, quem é de esquerda não pode escrever para um jornal que defende a ação do Pinheirinho (e mais, defende de forma esperta e covarde, sob a forma de uma pesquisa na capa de domingo).
tem muito fascista vestido de democrata ou até de socialista. para ler: Psicologia de Massas do Fascismo - Wilhelm Reich e Revolução e Contra Revolução na Alemanha , Leon Trotsky. Garanto nunca mais voce será o mesmo. tenho dito . pois alguem já dizia isso.
O fascistômetro que o Montoro tinha instalado no Palácio dos Bandeirantes abriu o bico faz mais de 20 anos. O Fleury jogou o aparelho quebrado fora, junto com mais de 100 cadáveres do Carandiru. O Covas deu baixa no patrimônio. Já o extranumerário da Opus Dei e o mussolini da Móoca ignoram a existência de tal dispositivo e afirmam que tudo não passa de trolóló petista.
O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar ao paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno. Antonio Cândido
São Paulo está precisando de um Mitterrand e o Bajonas Teixeira de Brito Junior (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-totalitarismo-singular-no-brasil) de umas aulas com o Vladimir Safatle.
O estado das coisas nessa sociedade em que vivemos está começando a ficar preocupante. Pouquíssimas vozes contrariam o status quo - presidido, não pela presidenta, mas pelo mercado - e a ideologia dominante. A seguir nessa toada, em breve o precipício não será apenas motivo de receio.
É triste ver como o "apoio" da população aos eventos da Cracolândia (e até ao Pinheirinho) é dado como exemplo de que a ação do Estado foi na direção correta, e é muito oportuna a lembrança da ação de Mitterrand contra um absurdo que é a pena de morte como política de Estado (bem, sei que uns coleguinhas não se importam tanto com a existência da pena de morte em Cuba, mas...). Este é o ponto: não é porque uma suposta maioria se inclina por ações do tipo autoritário (como se qualquer gênero de autoritarismo tenha "dado certo" em alguma parte do mundo e em qualquer época) que devemos compreender tais ações como as mais corretas; devemos mirar à frente, se contrapor ao autoritarismo; perseverar em programas radicalmente democráticos; não deixar prosperar as ilusões de massa nem as demanda incivilizadas de supostos superindivíduos.
Um porém, no entanto: não é tudo que é "fascismo". O uso dessa palavra a todo momento equivale ao uso da palavra "revolução", que já perdeu seu caráter e agora é aplicada cada vez que lançam mais um modelo de celular. A tendência ao indivíduo se acomodar em um meio social muito complexo o leva a responder, por exemplo, a pesquisas como esta sobre a Cracolândia da forma como ele acha que a maioria responderá, sem que tenha pensado minimamente na questão. Preguiça, conforto e, depois, caso confrontado em uma situação mais próxima, alguma reflexão e, aí, a refutação da truculência. É preciso um distanciamento que o cidadão, no momento em que é posto sob os olhares de um pesquisador, não tem, ao menos naquele momento exato, daí porque as pesquisas muitas vezes não refletem sequer o momento e, conforme seu encaminhamento, o programa de quem pagou pela pesquisa e conduziu seus resultados para determinado fim.
Não esqueçamos que essa pesquisa é posta como prova de triunfo da política de segurança, tanto pelo estado de SP quanto pela sua capital. O que não é fascismo; é só cinismo político.
Perplexidade aflita diante da perspectiva caótica
Esse fenômeno da indução à resposta que se presume a que o entrevistador gostaria de ouvir é uma realidade comum, principalmente entre pessoas mais simples, que se acham incapazes de justificar sua opinião a contento perante o interlocutor.
Isto demonstra que o governo pode mudar uma sociedade. Só tivemos um François Miterrand, sobrou Sarkozy, Alckmin etc.
Nilson Fernandes
O fascismo é a condição natural do ser humano.
Ele precisa ser educado contra essa condição, assim como precisa ser educado para a civilidade.
Parabéns a Safatle, mais uma vez. Mesmo aqui e em outros espaços como este do blogue, há quem se proclame "liberal" mas apresenta um grau alto no fascistômetro. Nas sessões de comentaristas da grande mídia na internet, então... Fahreinheit 451!
"Como se dissesse que, muitas vezes, o governo deve levar a sociedade a ir lá aonde ela não quer ir, lá aonde ela ainda não é capaz de ir. "
E ainda fala do autoritarismo dos outros.
Vivesse no Brasil de hoje e Adorno se interessaria em montar um fascistômetro da nossa imprensa. A presidenta Dilma deu uma entrevista em Cuba, onde espertamente calou a boca dos jornalistas da nossa velha mídia, ávidos por uma declaração dela em condenação a Cuba, na questão dos Direitos Humanos. Dilma falou 2 minutos sobre o tema e disse, dentre outras coisas:
"Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Então eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral. Não podemos achar que direitos humanos é uma pedra que você joga só de um lado para o outro. Ela serve para nós também. Não é possível fazer da política de direitos humanos uma arma de combate político-ideológico. O mundo precisa se convencer de que é algo que todos os países do mundo têm de se responsabilizar, inclusive o nosso"
Aí a Folha/UOL estampam a seguinte barbaridade:
"Em Cuba, Dilma diz que todos os países desrespeitam os direitos humanos"
O áudio da entrevista, sem cortes, está aqui: http://www2.planalto.gov.br/multimidia/galeria-de-audios/audio-da-entrevista-coletiva-concedida-pela-presidenta-da-republica-dilma-rousseff-apos-visita-ao-memorial-jose-marti-havana-cuba-11min27s-1
Alguém ache, por favor (se for capaz), o trecho a que a Folha/UOL se refere...
Demóstenes Torres na cadeia: uma campanha pelo bem do Brasil!
Da-lhe, Dilma!
Hoje pela manhã, no Bundinha Brasil, a Globo quis colocar saia justa na Dilma, e "noticiou" que ela iria interceder a favor de Yoani.
MENTIRA!!!
Como se pode ver nos outros meios, ela disse que o Brasil já fez sua parte dando o visto à blogueira pró-ianque, e que o resto compete ao governo cubano.
DÁ-LHE DILMA!!!
Milicos de pijamas não terão mais sossego em suas camas! Comissão da Verdade já!
"Bundinha Brasil" foi ótimo, vou procurar uma oportunidade pra usar essa expressão!
Demóstenes Torres na cadeia: uma campanha pelo bem do Brasil!
Quebrou a espinha do PIG. "há desrespeito aos direitos humanos inclusive no Brasil"
Dalhe Dilma 2 ! Dá um beijo no comandante Fidel Castro por nós do blog ! hauhahahahahKKK
Nilson Fernandes
>>>> Como se dissesse que, muitas vezes, o governo deve levar a sociedade a ir lá aonde ela não quer ir, lá aonde ela ainda não é capaz de ir.
Ah se isso saisse da pena de um conservador...
Roberto
Uma frase não é certa ou errada dependendo de quem a diga. Existe o certo e o errado
e nem sempre a maioria está do lado certo. Na idade média a maioria acreditava
que o sol girava em torno da terra.
Mitterrand fez algo que era correto e a história mostrou isto. Não há vantagem na pena de morte. Locais com pena de morte não tem menos crime, portanto por que usar uma punição que não traz vantagem alguma, mas que se aplicada incorretamente não tem possibilidade de correção?
esse safatle é um bom colunista. bom saber.
Por falar em governantes q não se guiam pelo ibope, a Dilminha foi muito feliz ao responder abertamente sobre a pressão da opinião"Pública" sobre a blogueira santa. A Mártir a Pobrezinha. Yo-yo para os íntimos.
http://www.cartacapital.com.br/internacional/dilma-evita-discutir-direitos-humanos-e-diz-que-brasil-tem-telhado-de-vidro/
O estudo do Adorno foi muito importante, sem duvida. Mas acho ainda mais impactante (e direto) aquele experimento, muito polêmico, de Stanley Milgram, de 1961, depois longamente comentado por ele em um livro de 1974 - Obedience to Authority. Se pudéssemos fazer esse experimento em Sampa (pelo que sei, é interdito), iamos ficar supresos. Milgram mostra como comportamento fascista, terrivelmente violento, proprio de torturadores da pior espécie, era flagrado em 'gente boa', cidadaos 'de boa familia', daqueles que rezam missa todo fim de semana. Em Sampa, acho que até uma famosa ciclonudista, conhecida por alardear consumo proprio de canabis, apoiaria a blitz da cracolândia. Se teve a coragem de rotular os resistentes de pinheirinho de criminosos, imagino o que ela diz dos dependentes do crack na rua Helvetia.
Interessante, ele falou da cracolândia mas não falou do Pinheirinho, queria saber do safatle o q ele pensa de reintegrações de posse de área privada com o uso de força policial
e por falar em fascismo;
A foto é da Tuiteira Amanda seixas
Além da primeira e maravilhosa resposta sobre direitos humanos, valeu a cacetada nos babacas da nossa "grande" imprensa que querem porque querem que o Brasil declare guerra a Cuba, Bolívia, Venezuela, Coreia do Norte, etc. Deu uma lição de democracia e anti-beligerância. Dá pena e vergonha ouvir as perguntas dos imbecis. Tomara que a imprensa mundial não os tenha ouvido fazer perguntas.
Adorno teve de dialogar com a sociologia americana e talvez por isso tenha participado do projeto. Os americanos são conhecidos por seu pragmatismo - não igual ao nosso, que é um pragmatismo para "levar vantagem", mas um pragmatismo pra tirar o máximo de proveito de uma situação, o que é claro depende de várias concepções. A sociologia americana tende a ser demasiado empirista. Confia demais nos números, em tabelas e estatísticas, ou em fórmulas e perfis prontos, previsíveis, como se as "boas" Ciências Humanas, para serem boas, tivessem de se adequar aos padrões das Ciências Exatas e Naturais.
Isso não é mal não. Pode ser muito útil para certos aspectos de certas análises, desde que devidamente "ponderadas", já que devemos usar as Ciências Naturais e Exatas, neste caso a Matemática. O problema é que um "indicador" desse pode oferecer uma determinada temperatura de uma situação, que pode inclusive ser uma situação complexa, mas, mesmo assim, a abordagem empirista não consegue lidar adequadamente com os processos internos, muitas vezes invisiveis, detectáveis apenas por uma correta análise metodológica, que inclua não só seus aspectos estruturais (insuficientes) como também seus aspectos dialéticos, acompanhados de uma observação atenta dos conflitos específicos (as arenas de luta, o nível dos diálogos).
Podemos dar uma olhada no "facistômetro", ou podemos compreender os processos em curso na sociedade.
O bafometro está para o Aécio assim como o facistômetro está para o Alkimin
Juliano Santos
"Na semana passada, esta Folha divulgou pesquisa mostrando como a grande maioria dos entrevistados apoia ações
truculentas como a internação forçada para dependentes de drogas e intervenções policiais espetaculares como as que vimos na cracolândia."
As intervenções policiais espetaculares eu dispenso... São a maior burrice que se poderia fazer: tratar de patologias sociais com policia e truculência. Ainda mais espantando todos os usuários e traficantes para outras regiões, como foi feito.
Mas no que tange à internação forçada eu tenho uma visão diferente. Veja que até familiares fazem isso!! Conheço várias famílias que fizeram isso. Ninguém no mundo quer mais bem àquela pessoa dependente, que seus familiares!! O que dá pra perceber é que em muitos casos não resolve nada. Um dia o "ex-dependente" recebe alta do instituto que "o reabilitou" e ele volta às ruas na mesma intenção: procurar e usar a droga.
Mas tem certos casos em que as pessoas que foram anteriormente forçadas a tratamento e voltaram às drogas, em dado momento, PEDEM nova internação, pois já conhecem e sabem que ao menos ali ele não usará a droga. Quando o dependente pede a internação é porque ele efetivamente reconhece que precisa de ajuda. E para ele fazer isso ele precisa ter certeza de que a internação é realmente um tratamento e não pura e simples reclusão.
O que fizeram na cracoândia foi sem qualquer planejamento, pois muitos usuários que declararam querer o tratamento não tiveram tratamento algum. Ficaram horas esperando alguma vaga em institutos de reabilitação e ñada de conseguir. O resultado é que eles desestiram e voltaram pras ruas novamente.
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