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O eterno "faça o que eu digo" europeuEnviado por luisnassif, sab, 28/01/2012 - 18:09Por Mariana Silveira O Brasil quer porque quer ser europeu e, para ser europeu, quer esconder o negro debaixo do tapete. E o que é pior, esquece que este modelo de homem dominar homem foi trazido pelo próprio europeu. As elites brasileiras nunca viram o negro como ser humano. Tudo foi e é negado a ele: dignidade, justiça, honradez, sua crença. E, olha, falo isto com orientação religiosa protestante. Pesquisando sobre a cultura nordestina, fiquei pensando, tentando voltar à minha mente a Salvador dos anos seiscentistas. Salvador, pela sua origem cultural, tem uma dualidade incrível: já que possui o maior conjunto arquitetônico barroco fora da Europa, pela riqueza de suas igrejas, a fim de que representasse uma época, é a mais europeia das cidades brasileiras, já que era a capital colonial. Curiosamente, fiquei pensando nesta situação: a elite baiana indo à igreja carregada pelos negros, para não sujar seus pés e, estes, esperando nas escadarias, já que não podiam entrar. É de impressionar este cristianismo. outro lado, Vieira, na sacada da igreja, fazendo seu sermão e falando ao governo-geral sobre esta dualidade. Enquanto isto, o negro sendo obrigado, no seu cotidiano, a aceitar uma religião que não era sua. Só encontrou uma maneira: adaptar a crença do seu senhor com a sua. Enquanto o baiano de origem europeia se curvava diante de homem. Se verificarmos o Palácio Tomé de Souza, seu teto é igual ao da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Uma demonstração clara da presença da Igreja com o Estado e, curiosamente, Vieira, do próprio clero, defendendo a presença do judeu na Bahia, ou melhor, no Brasil e defendendo um melhor tratamento ao negro.
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Comentários + votados
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Andre Araujo
28/01/2012 - 19:27
The Economist é uma revista não é ""a Inglaterra"" e muito menos a Europa, tem uma visão universalista com tempero britanico e não reflete o ponto de vista do Governo do Reino Unido, a...
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Kleber.S
28/01/2012 - 19:40
A Inglaterra só passou a "comabter" o tráfico africano após encontrar substituto nos "trabalhadores livres" asiáticos, como os coolies, que em nada possuiam situações melhores que a dos escravos,...
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Zero
28/01/2012 - 19:44
Acho surreal desqualificar "os ingleses" para uma discussão sobre o problema racial no Brasil. Se "os ingleses" não estão qualificados, quem estaria ? "Os brasileiros" que foram os últimos a abolir a...
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urbano
28/01/2012 - 20:51
Os europeus foram responsaveis pela escravidão renovada nas Americas mas muitos europeus foram capazes de lutar pelo fim da escravidão enquanto outros europeus aliados com seus colonos nas Americas...
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Kleber.S
28/01/2012 - 19:42
E muito menos é a The Economist um grupo de joranlistas que emitem opiniões neutras.
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The Economist é uma revista não é ""a Inglaterra"" e muito menos a Europa, tem uma visão universalista com tempero britanico e não reflete o ponto de vista do Governo do Reino Unido, a quem a revista ataca mais que a qualquer outro, quando The Economist publica um artigo é apenas a opinião de uma equipe de jornalistas.
Quanto ao trafico negreiro, o Imperio Birtanico foi quem mais o combateu a partir de 1830, podendo-se dizer que foi a pressão inglesa que acelerou as leis abolicionistas brasileiras até chegarmos à Lei de extinção da escravidão em 13 de maio de 1888, sendo o Brasil o ultimo pais do mundo a dar fim à escravidão negra.
Embora o Imperio Britanico participasse do comercio escravagista no inicio, muito antes que Portugal e Espanha se derem conta da indignidade da escravidão, os ingleses passaram a lutar pela sua extinção, lutando contra os interesses politicos, comerciais e economicos dos grandes negociantes escravistas espanhois, portugueses e brasileiros.
A expressão brasileira ""para inglês ver" simboliza esse periodo de 60 anos quando os ingleses patrulhavam o Atlantico Sul para impedir o trafico que era praticado por negociantes brasileiros e portugueses, o trafico negreiro era o maior negocio financeiro da cidade do Rio de Janeiro, envolvendo grandes capitais, banqueiros, companhias de seguro e bem representado no governo imperial.
Portanto a opinião de The Economist deve ser lida e aceita ou criticada, sem essa de que ""europeus não podem opinar", podem assim como nós podemos opinar sobre os problemas europeus, qual é o problema?
A Inglaterra só passou a "comabter" o tráfico africano após encontrar substituto nos "trabalhadores livres" asiáticos, como os coolies, que em nada possuiam situações melhores que a dos escravos, isso sem falar nas p´roprias crianças inglesas, escravizadas nas "satanic mills" de sua revolução industrial.
Eles podem opinar livremente, só não possuem qualquer moral para fazê-lo, oriundos que são do continente mais racista do mundo.
Seja lá o que for, os anos de 1830 a 1840 foram de intenso nacionalismo dos brasileiros, principalmente dos comerciantes e latifundiários que uniram forças pelos sagrado direito de importar escravos. Só que a importação de escravos já tinha sido proibida poucos anos depois da Independência; foi a fomosa lei "para inglês ver". Ou seja, as elites brasileiras unidas contra os britânicos lutando pelo direito de desrespeitar a lei brasileira!!!
Os brasileiro só cederam quando navios britânicos começaram a perseguir navios negreiros até dentro da baía de Guanabara em frente à Corte Imperial. Como não havia marinha capaz de enfrentar os britânicos, o Brasil teve que ceder. No final, bastou um embaixador inglês mais truculento (Christie) para que o Brasil rompesse relações diplomáticas com o Reino Unido. Seria o equivalente hoje a romper relações diplomáticas com os EUA.
E muito menos é a The Economist um grupo de joranlistas que emitem opiniões neutras.
Que pena, bom mesmo era o antigo ""Pravda"" dos bons tempos do partidão, lá sim sempre tinha a verdade desinteressada. Pena que tenha acabado, hoje o Pravda continua existindo mas é privado, que coisa, temos que aturar The Economis que está por ai dando opiniões há 164 anos, que absurdo.
Engano seu. O "Pravda" continua, firme e forte.
http://www.gazeta-pravda.ru/
E em 164 anos a "opinião desinteressada" dos jornalista da The Economist não conseguiu mudar a situação racista de sua sociedade, por isso eles agora querem palpitar sobre o Brasil?Deve ser isso.
O Brasil propôs, em âmbito da ONU, a extensão de vários direitos para os imigrantes, infelizmente a proposta foi barrada, principalmente pelos europeus, continente da The Economist, que pena que a The Economist não publicou nenhum editorial.
...sendo o Brasil o ultimo pais do mundo a dar fim à escravidão negra.
Correção: o Brasil foi o último pais do Ocidente a dar fim à escravidão (de negros, mulatos, pardos e até uns meio brancos). A escravidão continuou ainda em várias colônias africanas dos franceses (com escravos negros) e em muitos países mulçumanos (com escravos geralmente negros). Na Arábia Saudita (que o André Araújo diz não ser uma ditadura) a escravidão só foi tornada ilegal por volta de 1961-1964. Na Mauritânia, a lei que extinguiu a escravidão é de 1980. Alguns anos atrás, alguns jornalistas europeus ainda encontraram na Mauritânia alguns negros mulçumanos que possuiam escravos negros. Conseguiram comprar (e libertar) os escravos por pagando uns US$ 100,00.
Acho surreal desqualificar "os ingleses" para uma discussão sobre o problema racial no Brasil. Se "os ingleses" não estão qualificados, quem estaria ? "Os brasileiros" que foram os últimos a abolir a escravidão negra no mundo? Chego a desconfiar que o que se pretende realmente é alijar do debate alguém que está propondo que se puna mais severamente o racismo no país.
O relevante da matéria é informar que a revista, respeitada pela mídia mainstream, vai contra a idéia que esta tenta impor de que não há racismo no Brasil.
Zero
Os europeus foram responsaveis pela escravidão renovada nas Americas mas muitos europeus foram capazes de lutar pelo fim da escravidão enquanto outros europeus aliados com seus colonos nas Americas ( incluindo Brasil) deram continuidade enquanto puderam a essa forma de exploração humana. Não é uma questão de origem de quem opina. A questão é o que deve ser feito para superar essa mancha que esta entranhada na sociedade brasileira. Alguns por aqui ainda acham que existiu escravidão boa no Brasil. Não vejo muita gente reclamando quando se exige democracia em todas as partes. Venha de onde venha a reivindicação. Por que se indignar quando um estrangeiro pede respeito aos descendentes de escravos? A xenofobia na Europa é coisa muito grave mas isso não torna menos grave nosso racismo crônico.
Borges dizia que os escritores "europeus" só eram encontráveis na américa latina, já na europa existiam escritores franceses, ingleses e alemães cada um deles almalgamados às suas respectivas literaturas. Acredito que esta constatação pode ser estendida a um grande número de circunstância. Eu vi as contas feitas pelos ingleses que fizeram com que apoiassem a abolição. Estamos no ocidente, dele excluo os países reformados, então olhemos, como homens da Scena: O povo mexicano, brasileiro ou o colombiano são parecidos com o norte americano, com o australiano ou com o sul-africano? Não houve escravidão européia - houve escravidão portuguesa, a holandesa, a inglesa, todas medonhas, e confirmando a tese de que o inferno é mais variado que o céu, deram em diferentes resultados. Os ingleses não têm nada a dizer a nós, pertencem a outra civilização, de ladrões, de piratas e homicidas.
We are better, 'cause we are British!...
Caro André A., a The Economist - tanto quanto a Time ou a Newsweek - externa sua opinião baseada em uma visão "de fora", um "consenso mudo" que é o de estar no "Prmeiro Mundo" - portanto, ostentar um modelo de perfeição e objetivo final a ser buscado por qualquer outra sociedade civilizada. E é uma falácia: o "patamar civilizatório" que eles alegam ter alcançado antes que nós, na verdade, está sendo posto em questão como modelo de sociedade desenvolvida em todos os sentidos - a crise global veio para desnudar isso. Portanto, essa postura é extremamente arrogante - olhar para o cisco nos olhos do outro e não enxergar a "trave" diante de si - essa mesma em que baterá a cabeça e o derrubará mais adiante.
É, definitivamente, uma empáfia que não pode mais ser tolerada - o que os expõe, hoje, é o fato de estarem em dificuldades com a crise sistêmica e se recusarem peremptoriamente a seguir o mesmo receituário (a "bula" salvadora) que eles indicavam para as economias emergentes, quando em dificuldades. Ou pode-se negar que a UE criou aquele Fundo de Assistência Européia para "passar o chapéu" pelo mundo e manter-se à margem das duras exigências que o FMI faz aos países que solicitam crédito à entidade?
Problemas raciais existem de penca na Europa - o britânico não se considera europeu como o "continental", o irlandês católico continua sendo um "problema", a Football Association continua negando aos clubes escoceses Celtics e Rangers direito a disputar um campeonato unificado (não somente "inglês", mas "britânico"), a bancada "tory" ainda tem ojeriza da "common people" (tanto que há entre estes últimos uma constante e obsessiva busca genealógica para cavar qualquer pequeno traço de uma eventual linhagem "nobre" que o permita ter acesso a círculos nos quais ele está vetado). Racismo social, puro e simples.
E, lembremos: a princesa Diana tinha sangue mais "azul" (descendência nobre) que o Charles...Então, não dá pra eles ficarem arrotando regras, não é? Acho a sua defesa deste caso um desperdício de erudição. Abs.
Muita gente se doendo com a matéria da Economist, me pergunto quem realmente leu: http://www.economist.com/node/21543494
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