O empreendedorismo como porta de saída do Bolsa Família

De O Globo

Governo quer que beneficiários do Bolsa Família virem empresários

Mas o medo de perder renda certa ainda impede medida de deslanchar

<br />
Luiz Barretto, presidente do Sebrae Nacional: governo identificou que 103 mil beneficiários do Bolsa Família viraram empresários<br />
Foto: Divulgação / Agência O Globo
Luiz Barretto, presidente do Sebrae Nacional: governo identificou que 103 mil beneficiários do Bolsa Família viraram empresários Divulgação / Agência O Globo

BRASÍLIA — Até o fim do mandato da presidente Dilma Rousseff, o governo quer transformar 400 mil pessoas dependentes do Bolsa Família em empresários. A estratégia para criar uma porta de saída para o programa de complementação de renda é usar a Lei do microempreendedor individual. Até agora, o governo identificou 103 mil pessoas que – espontaneamente – se formalizaram para prestar algum tipo de serviço. A estimativa conservadora é que esses novos empresários já movimentem R$ 1,8 bilhão na economia por ano. No entanto, o principal obstáculo para o sucesso da iniciativa é o medo de quem depende do dinheiro do governo tem de perder seu sustento.

— Eles cortam à toa o benefício — diz Maria de Fátima Lopes da Silva, que reclama ainda mais: — Se olharem que você tem máquina de lavar ou cartão de crédito, já querem cortar o benefício. Pobre também não pode ter TV.

Ela já se formalizou e pretende trocar o programa por uma renda maior no futuro gerada pelo próprio negócio, mas admite que perder esse dinheiro seria um grande problema familiar.

— Cortaram o Bolsa Família da minha cunhada só porque ela se mudou. Ela tentou e nunca mais conseguiu — conta a empregada doméstica Antônia Gomes.

O Sebrae já começou a distribuir uma cartilha para explicar que só será excluído do Bolsa Família quem ultrapassar uma renda mensal de R$ 140 por pessoa. Outro ponto que deverá ser abordado é que se o microempreendedor individual não conseguir manter um faturamento maior e precisar voltar para o Bolsa Família, não regressará para o fim da fila.

A determinação da presidente Dilma é retirar 16,2 milhões de pessoas de uma situação de extrema pobreza e inserir essa gente no mercado formal de trabalho. A principal saída é qualificação de mão de obra porque o governo sabe que não tem como transformar todos em empresários, porque é preciso duas coisas para abrir o próprio negócio: vocação e mercado consumidor. A ideia é aproveitar o sucesso da Lei.

— Sempre se combateu a praga da informalidade, mas eu não conheço nenhum país do mundo que formalizou 2 milhões de pessoas em 2 anos — alega o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

Até agora, o governo não incentivou novos empreendedores entre os beneficiários, apenas identificou os 103 mil que se formalizaram. Desses, somente 20% receberam a visita de um consultor do Sebrae. No estado do Rio, o número é ainda menor: 10,8% de 10.456 pessoas que recebem o benefício e já se transformaram em microempreendedor individual. A ideia é dar consultoria para todos e depois influenciar novos possíveis empresários.

— Para esse público, é ver para crer. Se a vizinha contar que se formalizou e manteve o benefício, a pessoa vai acreditar — diz Barretto.

Como no Bolsa Família, entre os microempreendedor individual, o destaque é a mulher. É ela que recebe o benefício por garantir que esse dinheiro será destinado para os filhos. No microempreendedor individual, o percentual de empresárias é de 45%: muito maior que os de microempresárias que é de 29%. A flexibilidade na jornada de trabalho é o principal chamariz: poder cuidar da casa, dos filhos e aumentar a renda.

Até para o Estado, esses microempreendores já vendem. E a tendência é aumentar o número de negócios porque o limite do faturamento anual deles subiu de R$ 36 mil para R$ 60 mil neste mês. Segundo a pesquisa mais recente, 78% não possui outra fonte de renda. No entanto, apenas 12% buscaram crédito no banco para ampliar o negócio. Dessas pessoas, 57% teve o pedido de crédito negado. Mesmo assim, o Sebrae diz que se formalizar é garantia de acesso a juros mais baixos e comprar mais barato de fornecedores e maior poder de barganha.

Hoje, cerca de 7% desses novos empresários recebem o Bolsa Família. A tendência é que com a divulgação da cartinha, esse número aumente.

Nenhum voto
14 comentários
imagem de Ivan Moraes
Ivan Moraes

Que pena, ate de ler o titulo eu ja ia dizer varias coisas que ja estao expostas na reportagem.  Eh ataque direto ao BF, pra quem nao sabe.

"Empreendorismo" joga pras maos dos beneficiarios o trabalho de nao "incomodar" o governo e "tirar" o dinheiro que a direita mundial clama pra si mesma.  Nos EUA era o tal "entrepreneurship" a palavra mas o golpe era o mesmo, cortar o suporte do Estado  aos que mais precisam dele.

Por sinal, ou eh documentado ou nao eh que se voce mudar de casa ou tiver televisao/geladeira voce eh cortado do BF.  Acontece que...  que eu acredito na mulher que o diz, e me lembro vagamente de alguem me dizendo mais ou menos a mesma coisa em BH ha alguns anos atraz.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
imagem de armando botelho
armando botelho

São duas coisas entrelaçadas , o medo do beneficiário perder sua graninha certa no fim do mês e o governo tem medo de perder o voto de cabresto garantido que na última eleição desequilibrou a favor de Dilma , então fica ai o impasse ....

 
 
imagem de Ivan Moraes
Ivan Moraes

Dia da inveja foi ontem.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
imagem de Joãozinho
Joãozinho

Coitado !!!

 
 
imagem de Cláudio José
Cláudio José

O Governo deve buscar fortalecer as cooperativas de trabalho, buscando uma maneira de obterem apoio para importações e acesso a outros mercados, pois geralmente quem exporta são os grandes grupos. A agricultura familiar deveria ter meios de ecoar suas produções, e deixar de ser só um meio do pobre produzir só para comer!!

 
 
imagem de haroldo_silva_filho
haroldo_silva_filho

E por que não o COOPERATIVISMO  como porta de saída para o Bolsa-Família???

O próprio Sebrae incentiva os empreendimentos coletivos:

http://www.sebrae.com.br/customizado/desenvolvimento-territorial/temas-relacionados/associativismo-e-cooperativismo

Isto sem falarmos também na Secretaria Nacional de Economia Solidária, que faz parte da estrutura do Ministério do Trabalho.

Creio que o que falta (nessa como em tantas outras áreas) é a definição de uma política clara de desenvolvimento, capaz de articular os vários órgãos e setores governamentais na sua concretização. 

 
 
imagem de Joaquim Aragão
Joaquim Aragão

O governo poderia manter o benefício por alguns anos (3 a 5), mas a partir daí cobrar receita fiscal do negócio que exceda o valor da bolsa. Não se alacançando esse excesso, a bolsa seria reduzida ao montante da arrecadação fiscal do negócio, até mais 3 a 5 anos. Depois, acabaria o subsídio.

Mas tudo isso só poderá valer se houver um número suficiente de casos de sucesso. É o sucesso do vizinho que fará que o bolsista entre nesse barco.

Claro, a supressão súbita da bolsa leva as famílias a uma atitude conservadora, pois a vida de empresário é cheia de riscos, para os quais os bolsistas não estão técnica nem financeiramente preparados. Forçar a saída para o  empreendedorismo seria, de fato, um engodo anti-social.

O empreendedorismo é uma grande solução, só que ela tem de ser implantada de forma cautelosa, com programas de capacitação, financiamento fortemente subsidiado, políticas industriais e garantia de compras governamentais.

Essa saída não resolve apenas o problema da dependência da bolsa e do emprego, mas também questões macroeconômicas mais complexas, como por exemplo a falta de poupança interna.

Infelizmente, os programas de reforço da poupança voluntária só focalizam a poupança doméstica (previdência e habitação), e desreconhecem que a principal fonte de poupança voluntária seriam as empresas, que são obrigadas a poupar para fins de amortização do capital, a garantia de capital de giro e a consolidação de fundos de contigência.

Só a massificação do capitalismo popular elevará nossa poupança aos patamares necessários!

Voltando para as políticas concretas de empreendedorismo, a agricultura familiar é um ramo essencial, mas aí temos de enfrentar definitivamente a questão fundiária, que é emperrada não apenas no campo, mas também na própria cidade.

Todas as cidades teriam de prever espaços para a habitação social e também agricultura urbana de abastecimento. Essa provisão poderia ser estabelecida como condição para recursos federais em infra-estrutura urbana.

 

Joaquim Aragão

 
imagem de Filipe Rodrigues
Filipe Rodrigues

O governo não tinha que ver o empreendorismo como porta de saída, e sim a qualificação profissional.

Pra ser empresário tem que ter vocação, se bem que já é alto o número de pessoas que deixam o Bolsa-famíla, por causa da melhoria do emprego no país (qualquer um prefere ganhar R$ 620 do que R$120).

Esse é um governo cada vez mais técnico e "frouxo", pautado pelo PIG, culpa da Dilma que dispensou o Franklin Martins, que sabia fazer a comunicação de guerrilha.

 
 
imagem de rogerio delamare
rogerio delamare

 Creio que o Programa Bolsa Familia já nos deu lições suficientes sobre sua importancia (social e economica) para não cairmos em tentação de que o titulo nos sugere.

Empreendedor, brasileiro já é, em mutirões, em campanhas comunitárias, em arranjos sociais para resolver problemas estruturais, e daí começar a ser considerado empresários, acho que há um caminho a ser melhor analisado.

Me parece que nas entrelinhas desta chamada porta de saída esteja a necessidade de formalizaçao do trabalho autonomo e sua vinculação a previdencia social e ao nosso sistema de seguridade social.

É preciso ficar atento já que esta formalização (novos empresários) é transitória. Na primeira oportunidade em que percebem querem mesmo é buscar um posto de trabalho com CLT. Ex: um beneficiário do BF que faz produtos de limpeza e entrega de porta em porta. Quem garante que esta atividade não é transitória? Precisamos compreender melhor isto.

Em particular, estou disposto a dar minha contribuição para que estas famiias que ou não tiveram acesso ou quando tiveram acesso este é precário tenha o direito de participar dos benficios do desenvolvimento que o país vive.

Outra coisa: qual é a estrutura urbana (segurança, infraestura urbana, saúde, lazer) que os bairros onde estas pessoas vivem tem para que os mesmos rompam a insegurança e possam formalizar suas atividadades (negócios)?

Preciso compreender melhor esta tal porta de saída? Creio que cada caso é um caso e depende muito do contexto (Lugar onde vive, estrutura familiar, de vizinhança, infraestrutura) para poder afimar que a porta de saída do BF é assunto prioritário hj.

 

 

 
 
imagem de A.ALVARO GUEDES
A.ALVARO GUEDES

Haja mercado para cestinhas de vime, redes, reciclagem, salgadinhos e quejandos. Além dos botecos, das barraquinhas de camelô, maridos de aluguel.

Sobra ainda os empregos "informais" (sem carteiras assinadas) como: tráfico de todo tipo. roubos e furtos de toda ordem e em todas as esferas, e a mais antiga das profissões que deveria ser formalizada.

Enquanto isso a Rússia monta seu complexo industrial/militar. Cria empregos de qualidade, desenvolve tecnologias (civil e bélica), impõem respeito internacional e protege suas imensas reservas naturais, pode reinvindicar, para si, boa parte do Polo Norte, proteger  seu território (maior do mundo) com a maior floresta do mundo, as maiores reservas de gás, ouro e todos os minerais e elementos da tabela periódica (inventada por um russo).

Um país não tutelado por ONGs, sem (presumo) legislações esdrúxolas; um nacionalismo xenófobo (transcende o nacionalismo) que é negativo sob o ponto de vista ético, mas promove uma grande coesão política interna, apesar de agir com traços imperialistas com as minorias étnicas (Chechenia p.ex.)

                                                   xxxxxxxxxxxxxxx

Não sei se estou mal informado, mas os países que estimularam o pequeno empreendedor não deram muito certo no médio prazo. São exatamente os países periféricos da Europa. Sustentar o crescimento da economia só no consumo e serviços, fundamentados no crédito e subsídios sociais não sei se é possível. Só acho muito difícil com a exportação agrícola e mineral, sem uma indústria forte, nacional e autônoma,.

A indústria da defesa talves seja a única capaz de gerar empregos de qualidade, aplicar e desenvolver tecnologia.

Pelo menos no Brasil das filiais das multinacionais.  

 

 

 
 
imagem de Morales
Morales

É o (ex-)Partido dos Trabalhadores fazendo mais uma "concessão" ideológica. Agora, o PT é capitalista utópico!

 
 
imagem de -Charlie-
-Charlie-

"só será excluído do Bolsa Família quem ultrapassar uma renda mensal de R$ 140 por pessoa"

Quer dizer que quem recebe até R$ 139 por mês tá tranquilão, magnata?

 
 
imagem de Edmar Roberto Prandini
Edmar Roberto Prandini

Continua a insistência nesse conceito obtuso de "porta de saída".

O Brasil precisa mais é de muita "porta de entrada"!

A política que precisamos adotar é a do aumento do valor per capita do Bolsa Família para incluir mais gente e ampliar a redistribuição de renda, não o contrário.

Recursos?

* Redução dos juros da SELIC;

* alongamento do prazo médio da dívida pública;

* renegociação do valor da dívida pública;

* auditoria da dívida, conforme determina a CF-88, para cancelar endividamento indevido.

 

Edmar Roberto Prandini www.twitter.com/edmarrp

 
imagem de DanielQuireza
DanielQuireza

Realmente. Acho a medida interessante, mas nao tem esse negocio de ter que ter porta de saida. Algumas pessoas sempre precisarao de bolsa familia. Se alguns conseguirem virar empreendedores e sairem, otimo. Se outros arrumarem empregos e sairem, otimo tambem. Ainda mais no caso de empresarios, evidente que uma minoria apenas que conseguira.

 

@DanielQuireza

 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!