O doce Tião Nunes e as múmias da Academia

Por romério rômulo

" Paulo Coelho e as Múmias da Academia Brasileira de Letras"

nassif:

o tião nunes assou um cabrito, ficou mais suave do que normalmente é, e escreveu a crônica com

o título acima.

ele dá um pau no machado de assis, outro no rui barbosa (fala do encilhamento. ele leu o

"cabeças de planilha"), e livra a cara do paulo coelho. doçura tamanha não se encontra todo dia.

link

http://www.otempo.com.br/otempo/colunas/?IdEdicao=1742&IdColunaEdicao=12433

Paulo Coelho e as múmias da Academia Brasileira de Letras

A ABL, calcada na academia francesa, como não poderia deixar de ser nesta terra de araras e papagaios, teve os seguintes fundadores: (1) Luís Murat; (2) Coelho Neto (3); Filinto de Almeida; (4) Aluísio Azevedo; (5) Raimundo Correia; (6) Teixeira de Melo; (7) Valentim Magalhães; (8) Alberto de Oliveira; (9) Magalhães de Azeredo; (10) Rui Barbosa; (11) Lúcio de Mendonça; (12) Urbano Duarte; (13) Visconde de Taunay; (14) Clóvis Bevilácqua; (15) Olavo Bilac; (16) Araripe Júnior; (17) Sílvio Romero; (18) José Veríssimo; (19) Alcindo Guanabara; (20) Salvador de Mendonça; (21) José do Patrocínio; (22) Medeiros e Albuquerque; (23) Machado de Assis; (24) Garcia Redondo; (25) Barão de Loreto; (26) Guimarães Passos; (27) Joaquim Nabuco; (28) Inglês de Sousa; (29) Artur Azevedo; (30) Pedro Rabelo; (31) Luís Guimarães Júnior; (32) Carlos de Laet; (33) Domício da Gama; (34) Pereira da Silva; (35) Rodrigo Otávio; (36) Afonso Celso; (37) Silva Ramos; (38) Graça Aranha; (39) Oliveira Lima; (40) Eduardo Prado. Sim, senhor, 40 figurões! Entre os novos da época, que não foram chamados, estava Cruz e Sousa, bem mais importante do que 35, 36, 37, 38 ou mesmo 39 dos canonizados. Ficou de fora não por ser preto e pobre, mas porque nunca soube fazer a fama e deitar-se na cama. Seu altíssimo nível já era reconhecido.

Todos estão mortos e enterrados, é claro, mas a obra de alguns sobrevive, várias capengando, dezenas em asilos de traças, não raras em UTIs livrescas, quase a soltar o derradeiro suspiro. Vivo, mas vivo mesmo, só o talentoso Machadinho, ainda assim pelos contos e por dois romances, sem contar que alguns livros são definitivamente ruins. Aliás, costumo dizer que Machado de Assis deveria ser proibido para menores de 30 anos. Você não concorda? Então imagine um adolescente às turras com "Esaú e Jacó", com o "Memorial de Aires" ou ainda com "Dom Casmurro". Que tem a infeliz pós-criança com o fato de Capitu ter ou não botado chifres em Bentinho, fato mais do que corriqueiro e até banalíssimo nos dias correntes? E se até o ardiloso Machadinho corre o risco de sucessivas mortes parciais, imagine outros tantos, de que nem eu ouvi falar, imagine você, que não é especialista em literatura. Duvida?

ZUMBIS ZUMBINDO
Você sabe quem foi - se é que algum dia foi - Valentim Magalhães? Urbano Duarte? Salvador de Mendonça? Garcia Redondo? Barão de Loreto? Guimarães Passos? Inglês de Sousa? Pedro Rabelo? Domício da Gama? Pereira da Silva? Rodrigo Otávio? Silva Ramos? Oliveira Lima? Eduardo Prado?

Alguns eruditos decerto sabem. Por exemplo, catado na Wikipédia:
"Valentim Magalhães. Filho homônimo de Antônio Valentim da Costa Magalhães e de D. Maria Custódia Alves Meira. Formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde ingressara em 1877. Ali colabora para os periódicos acadêmicos 'Revista de Direito e Letras', 'Labarum' e 'República', este último de Lúcio de Mendonça. Ainda nesta cidade publicou três obras: 'Ideias de moço', 'Grito na terra' e 'General Osório', esta última em parceria com Silva Jardim, além do livro intitulado 'Cantos e lutas'. Ali também casou-se, em 1880. Voltando para o Rio, dedica-se ao jornalismo, dirigindo o periódico 'A Semana' (fundado em 1885), que torna-se o veículo dos jovens escritores da época, além da propaganda abolicionista e republicana, sendo um período de marcadas agitações culturais e políticas, estando Valentim Magalhães no proscênio dessas lutas todas.

Sobre sua vida, registrou Euclides da Cunha, que o sucedeu na Academia:
A geração de que ele foi a figura mais representativa, devia ser o que foi: fecunda, inquieta, brilhantemente anárquica, tonteando no desequilíbrio de um progresso mental precipitado a destoar de um estado emocional que não poderia mudar com a mesma rapidez'.

Ficou célebre pelas inúmeras polêmicas criadas, que redundaram em ataques e desafetos, bem como pelas defesas que dele faziam os amigos.
Durante o 'Encilhamento', falsa prosperidade econômica que se seguiu à Proclamação da República por obra do seu confrade Rui Barbosa, então feito ministro das finanças, Valentim dedicou-se ao lucro rápido, fundando uma companhia e, logo mais, como todos, vindo à falência.
Sobre seu papel na memória futura, ele mesmo declarou, honestamente: 'A princípio fui gênio; mais tarde, cousa nenhuma'."

SALVE-SE QUEM PUDER
Enfim, e como quase todos nós, o valente Valetim nasceu, cresceu, ficou bobo, casou, escreveu, batalhou, ficou rico, ficou pobre e, encerrando sua aventura maluca e desprovidade de qualquer sentido, esticou as canelas. Como todos nós.
Então, hoje em dia, lendo por acaso o nome Valentim Magalhães numa vasta enciclopédia virtual, certa bela senhorita sonhadora sonhará sonhos do tipo: "Quem sabe não seria meu tipo inesquecível?" Ou: "E se fosse eu uma jovem daqueles tempos, casadoira e apaixonada, bela e fosforecente, luminosa e graciosa?"

Mas tudo passou, Valentim tornou-se pó e hoje é apenas um punhado de células espalhadas por milhões de arbustos cariocas, pendurados nos morros, nenhuma das quais se lembrando da outra, de modo que está disperso e confuso, desconhecendo-se a si mesmo e a seu brilhante (quando nasceu) e obscuro (quando morreu) destino.

O sentido de toda esta lenga-lenga? Nenhum. Ou talvez o de lembrar que Paulo Coelho, do alto de seus milhões de livros e milhões de dólares, faz muito bem em ter feito o que fez: crescer, aparecer e fulgurar, pelo menos enquanto está vivo.

Sua literatura presta? Não sei, e isso não tem importância. Seu nome ficará na história? Também não sei, e isso não faz qualquer diferença, tanto para ele quanto para a literatura, nem mesmo para os leitores que o leram, ou pelo menos compraram seus livros e os empilharam em cima de mesas, ou os enfiaram em estantes.

Nada vale nada, nenhuma literatura vale coisa alguma. Besteira chorar sobre o leite derramado. Voltarei ao assunto? Acho que sim, já que não terminei de assar o cabrito, que berra na ponta do espeto. Cabrito? Perdão: eu queria dizer coelho. 

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11 comentários
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jo lima

Perdi meu tempo em ler essa bobagem. O trecho em que escreve que  "Vivo, mas vivo mesmo, só o talentoso Machadinho, ainda assim pelos contos e por dois romances, sem contar que alguns livros são definitivamente ruins" diz que Machado de Assis só se 'salvou' porque fez dois romances ( que ele não diz quais - talvez por preguiça ) e pelos contos - como se isso fosse coisa pouca. Poderíamos lembrar que Homero entrou na história da literatura só por dois livros e que Coelho Neto, apesar de mais de 100 livros, é só leitura , hoje, pra scholars. 

Pro autor, nada vale nada. Vale também pra isso que ele escreveu.

 
 
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Alessandro

Um pouco de vaidade para aparecer. Chocar está na moda e é um lance bem existencialista...

 
 
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meu

testo pro(lixo) de um imbecil.

 
 
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romério rômulo

nassif:

já destaquei este post na minha página do facebook .

romério

 
 
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Tatu Bola

Cabrito D

O Machado merece mesmo uma machadada do Tião,,.adorei o texto.,,, nota 10

 

Machado de Assis*

 

Bons dias! 

Crônica publicada no jornal Gazeta de Notícias, em 19 de maio de 1888. 

 Eu pertenço a uma família de profetas après couppost factum, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, e juro se necessário fôr, que tôda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

 Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

 No golpe do meio (coup du milieu, mas eu prefiro falar a minha língua), levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que acompanhando as idéias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas idéias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus, que os homens não podiam roubar sem pecado.

 Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pegou de outra taça, e pediu à ilustre assembléia que correspondesse ao ato que acabava de publicar, brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo; fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

 No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

 - Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que...
 - Oh! meu senhô! fico.
 - ...Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo; tu cresceste imensamente. Quando nasceste, eras um pirralho dêste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...
 - Artura não qué dizê nada, não, senhô...
 - Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis; mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha. 
 - Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

 Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Êle continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

 Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio; daí pra cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe bêsta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas tôdas que êle recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre.

 O meu plano está feito; quero ser deputado,e, na circular que mandarei aos meus eleitores, direi que, antes, muito antes da abolição legal, já eu, em casa, na modéstia da família, libertava um escravo, ato que comoveu a tôda a gente que dêle teve notícia; que êsse escravo tendo aprendido a ler, escrever e contar, (simples suposições) é então professor de filosofia no Rio das Cobras; que os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem à lei, mas os que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: és livre, antes que o digam os poderes públicos, sempre retardatários, trôpegos e incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.

 Boas noites.

__________________________________________________

*

Biografia

Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) é considerado o maior escritor realista do Brasil e, provavelmente, o maior escritor da literatura brasileira. Nasceu numa família muito humilde e, para ajudar a família, começou a trabalhar como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional em 1856. De 1858 em diante escreve para diversos jornais importantes com regularidade. 
Dentre suas principais obras estão seus contos (O Alienista e A Cartomante estão entre os mais famosos) e os romances Memórias Póstumas de Brás CubasQuincas Borba e Dom Casmurro. Foi o principal fundador da Academia Brasileira de Letras e o seu primeiro presidente. A crônica brasileira moderna tem, em Machado de Assis, um dos seus principais fundadores. Machado escrevia suas crônicas sob pseudônimos. Só 40 anos após sua morte é que se descobriu o verdadeiro autor das chamadas Crônicas de Lélio.
Na crônica [acima], Machado de Assis aborda com ironia a questão da abolição da escravatura, que havia ocorrido no dia 13 de maio de 1888.

http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/cronicas/machadodeassis.htm

 
 
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JArlindo

Romério,

Me desculpe se você gostou.

Mas o cara, o ta; de Tião Nunes, gastar o seu tempo e o nosso para falar que o Paulo Coelho é um literato, é perda de tempo.

Não sou nenhum erudito: apenas sou leitor (desde os 4.5 anos de idade, quando me alfabetizei espontaneamente antes de ir para a escola. E como sou filho de professora primária que tinha em casa uma excelente biblioteca formada principamente pelo INL (Intituto Nacional do Livro, nos anos 50), aprendi a ler, lendo. E li de tudo: dos clássicos ocidentais aos gibis e aos "pulps" dos anos 60.

Daí, que quando vejo alguém querendo reduzir os nossos (excelentes) escritores a alguns dos membros atuais da ABL, onde grassam uns P. Coelho (que os emergentes europeus adoram e, por isso alguns intelectuais brasileiros começaram a valorizar - por macaquice) ou uns João Ubaldo et allii, sem contar os agraciados por motivos puramente políticos ou por não sei quantas moedas (vide um Roberto Marinho, p. ex.), chego à conclusão que a ABL, como sua inspiradora - a AF - é mesmo um túmulo, que nem chega a mausoléu. 

 

JA-BH Belo Horizonte - MG

 
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Paulo F.

Não pode-se destronar as vacas sagradas!

 
 
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Tatu Bola

Claro que o Tião aprontou uma grande gozação ao colocar o Paulo Coelho acima de tudo e todos, uma ironia cortante, e ainda mais sendo assado no espeto...rsss

 
 
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toni gatto

D, alguns não entenderam o 'espírito" da coisa.... não é apenas Cruz e Sousa, Drumond tbm se recusou...  A ABL tem uma semelhança intestina, para traçar um paralelo "confortável e seguro" , com a CFB... tem cada craque ..., além do Imortal RT...

 
 
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Robertto

Não li e não gostei, quem é  Tão Nunes? Email para redação.

 
 
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romério rômulo

robertto:

se você me disser quem você é, eu te digo quem é o tião nunes. com o maior prazer.

romério

 
 

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