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O dia um da nova oposiçãoEnviado por luisnassif, qui, 09/09/2010 - 09:28Coluna Econômica A oposição já tem data marcada para ressuscitar e desempenhar o papel relevante de contraponto ao governo, como ocorre em todo democracia saudável. Será em algum ponto qualquer do futuro, quando o rombo das transações correntes chegar a tal nível que provocará uma nova desvalorização cambial. Em política, assim como no mercado de ações, não existem figuras boas ou ruins – ou empresas boas ou ruins -, mas caras ou baratas. É cara quando passa a percepção de que a realidade é menor do que a avaliação; e vice-versa. Ou seja, se determinada figura (ou empresa) for massacrada durante muito tempo, quando a opinião pública puder avaliá-la melhor, perceberá que é melhor do que se dizia. Então a tendência será a de seu valor subir mais do que o normal. Até que chega em determinado nível, e o mercado constata que a pessoa (ou empresa) está cara. Isto é, não vale tanto quando todos apregoam. Aí começa o movimento de queda novamente. *** OgovO governo Lula é um caso exemplar. Durante cinco anos, o circuito da velha mídia bateu diariamente nele. Não havia nada de bom, nenhum programa que prestasse. Ai veio a crise internacional, o bom desempenho da economia brasileira e uma tremenda reavaliação do governo Lula, a partir de fontes externas. Descobriu-se que o país amadurecera, caminha para se tornar uma grande nação. Começaram a aparecer resultados do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Minha Casa Minha Vida, do Luz Para Todos, da crise vencida. Foi um bom desempenho. Mas, confrontado com a propaganda negativa diária de cinco anos seguidos, tornou-se excepcional. Tanto que os índices de avaliação explodiram mesmo entre o público mais sofisticado. *** Agora, o governo Lula está no seu auge. A crítica foi desmoralizada pela incapacidade da velha mídia e da oposição em apontar as vulnerabilidades e defeitos reais de seu governo. Passadas as eleições, começará a hora da verdade. Se perceberá que falta muito a se avançar. São corretas as críticas de José Serra à política econômica. Qualquer país que permita essa combinação terrível de altas taxas de juros, câmbio apreciado e carga fiscal pesada, está comprometendo seu futuro. Essa conta será cobrada de Dilma Rousseff, assim que sentar na cadeira da presidência e tiver que enfrentar o terremoto cambial. Nesse momento, quebrará o cristal que cercou Lula nos últimos tempos, graças à enorme incapacidade da oposição. *** Aí começará o segundo tempo do jogo, com a oposição renascendo das cinzas. Certamente não será pelas mãos nem de Serra nem de Fernando Henrique Cardoso, que estarão parcialmente fora do jogo. FHC ainda se sustentará graças ao apoio da velha mídia e ao fato de manter um conjunto coerente de ideias – em que pese as inclinações golpistas. O pêndulo da oposição virá para as mãos de Geraldo Alckmin, em São Paulo, e Aécio Neves, em Minas – caso o PSDB vença em ambos os estados. Pelo desempenho na sabatina da UOL, outro provável vitorioso tucano, Beto Richa, parece ser bastante limitado. Assim, a próxima rodada da oposição ficará no eixo de um São Paulo, sem a herança de Serra, e Minas Gerais. O factóide da espionagem - 1 Se o candidato José Serra pensasse minimamente no partido, estaria repisando esse tema em todas suas apresentações, deixando de lado o primarismo dos ataques à campanha de Dilma, imputando-lhe a responsabilidade pelo vazamento das declarações de renda de Eduardo Jorge. Após fazer essa afirmação por dias, depois que o PT entrou com uma ação contra ele, Serra recuou rapidamente, como tem sido constante na campanha. O factóide da espionagem - 2 Na sabatina no jornal O Estado de São Paulo, Serra corrigiu a afirmação anterior. Disse que acreditava que a motivação do vazamento seria "política" e não "eleitoral". A troca de palavras foi aconselhada por advogados. Intenção política é algo genérico, que pode ser imputado a qualquer militante do PT. Intenção "eleitoral" é personalizada e se refere à campanha de Dilma. Ao trocar as palavras, Serra pensou no processo. O caso Amaury - 1 A campanha desnorteada de Serra, aparentemente, não visa competir eleitoralmente nem fazer boa figura. Pelo visto, Serra jogou a toalha. Seu objetivo é de criar uma blindagem contra o livro de Amaury Ribeiro Jr., sobre as privatizações. No ano passado, a divulgação de trechos do livro aparentemente deixou o candidato abalado. O livro foi bancado pelo Estado de Minas, provavelmente a pedido de Aécio Neves. O caso Amaury - 2 A iniciativa surgiu depois que correram notícias de que Serra estaria preparando um dossiê contra Aécio, quando ainda disputavam a indicação pelo PSDB. Serra já tinha um bom histórico, no caso Lunus (que sepultou a candidatura de Roseana Sarney) e em dossiês contra Tasso Jereissatti e Paulo Renato de Souza – quando disputavam a indicação do PSDB em 2002. Para se prevenir, foi encomendado um trabalho a Amaury. O caso Amaury – 3 Durante meses, bancado pelo Estado de Minas Amaury escarafunchou os documentos da CPI do Banestado, foi a Nova York através dos papéis da Beacon Hill (conta de doleiros brasileiros, investigados por promotores novaiorquinos), passou por Ilhas Virgens e refez o trajeto de parte do dinheiro da privatização. Quando o trabalho estava por terminar, foi selada a paz entre Serra e Aécio. O caso Amaury - 4 O Estado de Minas não quis aproveitar o material, mas Amaury insistiu em transformá-lo em livro. A partir daí começou o calvário de Serra, quando se constatou que sua filha Verônica era um dos personagens do livro, com os recursos transitando em paraísos fiscais, no mesmo circuito montado por Ricardo Sérgio, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil. Serra preferiu cuidar do futuro a cuidar da oposição.
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Comentários + votados
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Lucas Jerzy Portela
09/09/2010 - 13:08
Alckmin não se elege: Mercadante está Wagnerando, já disse...
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Tomás Rosa Bueno
09/09/2010 - 13:38
Caro Nassif,
desculpe-me, mas não há modo mais diplomático de dizer: isso que você está fazendo no post sobre a "nova oposição" beira o terrorismo eleitoral.
Não interessa quantos "analistas"...
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ThiagoL
09/09/2010 - 14:15
"terremoto cambial" é exagero. Não dá para comprar a atual situação de valorização cambial com 1998 pelos seguintes motivos:
1) Na época o câmbio era fixo, a pressão pela desvalorização do real era...
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Fernando Antonio Moreira Marques
09/09/2010 - 15:27
Esta nova oposição inicia-se sob um terrível dilema!
Todo o apoio que o Presidente Lula alcança no meio do povo brasileiro é fruto da percepção, por parte deste povo, do seu bom governo, ou...
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Heitor Rodrigues
09/09/2010 - 17:48
Nassif,
Vejo o primeiro dia de uma nova oposição responsável ainda bem longe. Serra, Aécio e Alckmim, e não só êles, apesar da origem singular de cada um, não diferem no papel que atribuíram às...
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Márcio Xavier
09/09/2010 - 10:12
Nassif, tá sabendo de algo disso aí embaixo???
é aquela história que um jornalista da Record estava investigando mas segurou um tempinho a pedido da rede?
por Luiz Carlos Azenha...
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Raí
09/09/2010 - 12:18
Será necessário repensar uma maneira de fazer oposição,sem cair no lugar comum de apenas criticar,sem propor mudanças factíveis,e isso,esta oposiçãozinha que estamos vendo aí,não vai conseguir.
A...
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A comparação parece-me esdrúxula. Uma nação mais amadurecida não seria aquela a tratar suas opções políticas como quem compra ou se desfaz de ações da Bolsa.
Na verdade achei a analogia muito boa. Pelo que entendi, seria quase um movimento inconsiente, não uma decisão pessoal.
@DanielQuireza
Nassif, boa análise sobre o papel da nova oposição. Agora, permita-me apontar um pequeno equivoco no texto: o Ricardo Sérgio foi diretor do Banco do Brasil, se não me engano, da Área Internacional.
Abraços.
Olha Nassif, acho que discordo de vc. O problema do câmbio é obviamente sério, mas quem quer que venha vocalizá-lo terá de mostrar credibilidade para isso. O pessoal da atual oposição, mesmo os menos queimados como Aécio foram cúmplices na "graça" de FHC de 1998. Agora vão sair por aí fazendo o número do "eu não disse!!"?? É claro que podem fazer, mas é difícil colar.
Qto à expectativa dele (o problema cambial) virar uma crise como as anteriores, acho que, graças a Deus, falta um ingrediente fundamental: a posição relativa do Brasil mudou muito, para melhor. Os especuladores "racionais" irão procurar alguma moeda mais fragilizada do que a nossa. E ao contrário os investidores menos propensos a risco: os "fundamentos" da nossa economia, apesar de intrinsecamente complicados, são melhores do que os das outras alternativas de investimentos. Por isso, o mais provável é que continue a chuva de dólares que nos irriga (e inunda, é claro: não nego o problema, apenas que ele vá desaguar numa crise cambial clássica).
Concordo, e complemento que tem bem países mais vulneráveis que o Brasil para sofrerem ataque especulativo sobre a moeda. O problema cambial tem que ser resolvido, mais em função dos danos a industria local. e se as previsões de alguns economistas se confirmarem, tomar cuidado com o ritmo de perda de valor do dolar frente a outras moedas, e consequentemente o ritmo de (des)valorização interna (no Brasil) do dolar. Apesar do enfraquecimento do dolar, face a dívida americana, é bom não substimar a capacidade econômica dos americanos, ha muito espaço para elevar a arrecadação de impostos, apesar dos estragos políticos, mas é uma medida viável se compararmos o peso dos impostos americanos com os europeus, apesar do custo político.
Nassif,
você, várias vezes, apontou a inconsistência do discurso econômico do Serra, que teria diversas motivações, como por exemplo, não descontentar a mídia amiga. Se ele fosse mais firme neste ponto, certamente isto poderia ajudá-lo a ter uma campanha mais propositiva e menos de picuinha. Mas o que eu acho é que ele percebeu que o discurso contra a economia não encontraria eco em um eleitorado que está vendo o país crescer e o bolso fala pelo presente e anuvia os olhos para o futuro.
Aparentemente não havia muita saída e ele optou pelo que seus principais apoiadores (a mídia) mais gostam, o que vende jornais. Toda "crise", todo "escândalo" aumenta a possibilidade de venda e produz grandes manchetes, o que é mais importante na tentativa de virar o jogo.
Aquele assunto de ontem, sobre os jornais de Minas, quem é de Brasília está cansado de ver o mesmo. Por oito anos de Roriz e três de Arruda, os jornais daqui funcionavam como "diário oficial" do GDF.
Nassif, tá sabendo de algo disso aí embaixo???
é aquela história que um jornalista da Record estava investigando mas segurou um tempinho a pedido da rede?
por Luiz Carlos Azenha
Se de fato investigar a fundo a quebra de sigilo dos tucanos, a Polícia Federal terá muito trabalho: só de um repórter deverá receber 1.200 páginas de documentos.
Se de fato decidir investigar toda a história, a mídia será obrigada a torrar algum dinheiro com viagens internacionais, especialmente às ilhas Virgens Britânicas.
O governador Aécio Neves pode negar que tenha partido dele qualquer tipo de investigação contra o adversário José Serra.
Mas eu ainda acredito — aliás, acredito cada vez mais — que todos os caminhos levam a Minas Gerais. Isso ainda vai dar BO.
O cambio, sem limitação da ordem de certeza, eh um grande mal que põe em jogo toda a existencia ao conquistar o nosso plano social:
"Será em algum ponto qualquer do futuro, quando o rombo das transações correntes chegar a tal nível que provocará uma nova desvalorização cambial."
De fato, o dólar nos faz vitimas da falsificação de perspectivas da realidade, como uma forma ao contrario (cambio), a qual eh indispensavel lhe entregar a produção em troca de ver tudo a sua maneira. Mas isso, que eh próprio ao dólar, sobrecarrega a consecução dos objetivos da moeda interna, por um custo obscuro de valor, quando uma asserção se começa de uma análise sobre si mesma; porém, temos de aceitar as coisas no domínio vago, com a inversão de conta corrente, sem nenhuma discussão sobre a sua necessidade.
Será necessário repensar uma maneira de fazer oposição,sem cair no lugar comum de apenas criticar,sem propor mudanças factíveis,e isso,esta oposiçãozinha que estamos vendo aí,não vai conseguir.
A turma do Serra,perdeu o bonde da história,e toda esta confuzão que ele tentou "jogar"no colo do PT,foi armada pelo Aécio e uma pequena facção de novos oposicionistas,que não aceitam mais,serem conduzidos pelos "mesmos"e querem uma renovação.
Quanto à ameaça ao governo Dilma,que receberia como herança a "bomba"cambial,que estaria prestes a "explodir"em suas mãos,que tal pararmos de "morrer na véspera"? Puxa vida ! será que toda a gestão do governo Lula,na qual esta apocalíptica professia,foi cantada o tempo todo,vai continuar no governo Dilma ?
Que tal,um pouco de otimismo ?
Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.
Corrigindo:
Daniel Dantas continua contando com muitos defensores na mídia.
É só ver como Amaury Ribeiro foi violentamente atacado, hoje, pelo Mediaval Pereira.
Concordo com a avaliação de que Serra tem medo.
Não concordo que a boa avaliação do governo e de Lula seja simplesmente por causa da propaganda negativa da imprensa e o sucesso do governo mediante a crise internacional.
Como diz o nosso Presidente, "o pobre sabe das coisas", age com certa razão e quando come carne mais de uma vez por semana,além de no Domingo, ele pensa: A coisa tá dando certo!
Alckmin não se elege: Mercadante está Wagnerando, já disse...
Sobre a questão do câmbio, meu sentimento é que já devem estar no forno medidas para efetivar seu controle.
Acho que estão segurando para não causar uma turbulência nesse período eleitoral.
"O pêndulo da oposição virá para as mãos de Geraldo Alckmin, em São Paulo, e Aécio Neves, em Minas – caso o PSDB vença em ambos os estados."
Mesmo que vençam, não acredito que se tornem líderes nacionais. É claro que a velha mídia, que será o maior partido político pós eleição, tentará transforma-los em "laranjas". Serão escalados para verbalizarem, em SP e Brasília, as posições dos barões da midia e seus aliados.
Só que não vai dar certo. Primeiro, a oposição vai sair dizimada das urnas, não vai sobrar pedra sobre pedra. Segundo, os dois não tem a vocação, nem o "tutano" que se exige de um líder. Alckmin parece um eterno prefeito do interior, sua carreira política parece que se move por inércia. Não é sem razão que é apelidado de "picolé de chuchu".
Aécio Neves é o eterno "bon vivant", passou esses anos todos no governo de MG na "flauta". Em nenhum momento usou o peso e a tradição mineira na política, para se afirmar como grande líder nacional. No governo estadual se pode terceirizar a administração e, desse modo entrega-la a parentes e amigos, mas liderança é pessoal e intransferível. É aí que a "porca torce o rabo".
Mas Nassif, se o pig pauta o Serra, como ele martelaria na questão do câmbio e juros, se o próprio pig gosta de juros altos como macaco gosta de banana.
É só lembrar que foi por causa de temas como esse que o Serra estressou-se com a Miriam Leitão, cuja amor ao mercadismo consegue ser maior do que ao Serra
Juliano Santos
Caro Nassif,
desculpe-me, mas não há modo mais diplomático de dizer: isso que você está fazendo no post sobre a "nova oposição" beira o terrorismo eleitoral.
Não interessa quantos "analistas" concordam com você. Há mervais pereira e urubólogos por toda a parte, não só nas colunas de "análise" política e econômica dos jornalões. Cabe a você, como jornalista isento, demonstrar o que diz e não só apoiar-se num "consenso" pra lá de suspeito para avançar as suas próprias teses. Cabe-lhe provar que o José Perra "tem razão".
Você mesmo, no post sobre a bolha cambial, diz que a entrada de dólares que vai sustentar a valorização do real no futuro próximo se deve à "captação das empresas". Portanto, não tem nada a ver com taxa de juros e capital especulativo. Se a suposta "supervalorização" do real é devida à entrada de capital especulativo que vem se alimentar da nossa taxa de juros, cabe demonstrar quanto das divisas estrangeiras que entram no Brasil provêm de capital especulativo e quanto é de investimentos diretos e captação de empresas brasileiras. Se ficar provado que uma parte significativa, se não a maior parte, do capital estrangeiro que entra no país é de capital especulativo atraído pelos juros altos, pode ser que você e o Serra tenham razão. Mas este não é o único aspecto da choradeira dos setores atrasados em relação à atual política de câmbio e de juros.
Quanto do atual desequiíbrio da balança de pagamentos é devido ao aumento do consumo interno que a indústria nacional, acostumada a proteções e avessa a investimentos, não é capaz de suprir momentaneamente, e quanto é devido ao câmbio "supervalorizado"? Caso o real se desvalorize, dificultando as importações, qual será o impacto da consequente redução da oferta sobre a inflação? Quanto da redução proporcional (e não absoluta) do peso das exportações na balança de pagamentos é devida a falta de investimentos em produtividade e em promoção, e quanto se deve ao câmbio "supervalorizado"? Se a taxa de câmbio é fator determinante no volume de exportações, porque até os panos-de-prato à venda na Argentina (além de eletrodomésticos e automóveis) vêm do Brasil e não da China? Por que os utensílios domésticos de aço inox à venda na Alemanha vêm do Brasil e não do Vietnã? Por que é necessário impor barreiras tarifárias para impedir que o etanol brasileiro acabe com o etanol dos americanos? Como é que a Embraer consegue vender tantos aviões? E finalmente, a pergunta que vale mil reais, e que ninguém responde: em relação a que o real estaria "supervalorizado"? Já demonstrei que em relação à moeda chinesa não é. Qual seria o valor "real" do real, e como se faz para garantir que se mantenha nesse nível?
Enquanto estas perguntas não forem respondidas, ficará sempre a impressão de que estas questões de câmbio e juros são apenas mais um factoide, com o mesmo valor do da "quebra do sigilo". E se é nesse coro desafinado de lamúrias que se baseará uma "nova oposição", fica desde já claro que de "novo" ela terá somente o nome.
Tomás, patrulhamento para cima de moi? Se nem a Folha, Veja e o Serra conseguiram, jogando com todas as armas possíveis, porque você acha que vai ser bem sucedido?
:-)
Porque não é patrulhamento, é "questionamento": já faz dois anos que lhe faço as mesmas perguntas, e você sempre arruma um jeito de sair pela tangente. Como hoje.
Se o que você diz sobre o câmbio é tão líquido e certo, porque não demonstra isso, em vez de recorrer ao argumento de autoridade? Eu não sou do ramo, sei muito bem que posso estar falando besteira; mas, neste caso, gostaria que alguém me mostrasse que estou variando, pra não ficar por aí fazendo papel de bobo, contestando o que é óbvio.
Como respeito a sua opinião, procurei por todos os meios de que disponho (que, admito, nesta área não são muitos) confirmar o que você diz, mas não encontrei nada; ao contrário, tudo me mostra que tenho razão: por mais que a imensa maioria dos jornalistas e analistas concorde com você, até agora não encontrei nem um cujas opiniões não estivessem baseadas nas opiniões de terceiros. De dados concretos, nada, neca de pitibiriba.
O câmbio do Plano Real e era artificialmente valorizado, e por isto precisou ser desvalorizado na marra no segundo mandato do FHC. O caos do desmoronamento do Plano Real levou a uma desvalorização que refletia a situação real da economia do pós-Real. Situação essa que foi corrigida no primeiro mandato do Lula, que trouxe o real a um valor que reflete o peso verdadeiro da economia brasileira e o volume das nossas transações internacionais. Dizer que vai ser necessária uma segunda desvalorização no governo da Dilma é equiparar a condução responsável da economia pelo governo Lula à zorra incompetente do governo FHC. Nada mais, nada menos.
Nassif, não acho que ele esteja te patrulhando não. Com exceção da acusação de terrorismo eleitoral, que na minha opinião é descabida, o Tomás coloca questões importantes e que merecem ser debatidas sim. Vejo muito analista por aí que está simplificando essa questão da valorização cambial, ignorando nuances importantes da atual conjuntura em relação à crises anteriores, detalhes esses que comprometem as previsões catastróficas que sustentam.
Dizer que o Serra "tem razão" nas críticas à política econômica do governo e prever uma "desvalorização" logo no início do governo da Dilma tem sim cheiro de terrorismo eleitoral. Não há nada no cenário econômico que autorize essa "previsão".
Magina! Déficit recorde em transações correntes, preços de commodities nos patamares mais elevados da história, economia mundial entrando em uma segunda grande onda recessiva.
"terremoto cambial" é exagero. Não dá para comprar a atual situação de valorização cambial com 1998 pelos seguintes motivos:
1) Na época o câmbio era fixo, a pressão pela desvalorização do real era artificialmente represada e quando estourou o dólar quase dobrou de valor do dia para a noite. Hoje no máximo sai de R$ 1,75 e vai para R$ 2,00 ou R$ 2,10.
2) A dívida externa era alta e boa parte dela estava atrelada ao dólar. Hoje a dívida externa é baixa e está fixada em reais. Fora o pequeno detalhe dos US$ 260 bilhões de reservas.
3) Hoje o Brasil é um dos únicos que cresce (e muito) enquanto todo o mundo desenvolvido patina. É claro que isso gera um descompasso conjuntural entre importações e exportações, mas que deverá ser amenizado nos próximos anos.
O único ponto que considero grave é a alta taxa de juros, que incentiva a entrada de capital especulativo no país. Portanto, creio que seja essencial que Dilma acelere a queda dos juros e que aumenta a alíquota de IOF para entrada de capital estrangeiro enquanto os juros não cederem.
Uma coisa tem que ficar clara: o Brasil de 2010 não tem nada a ver com o Brasil de 1998.
Post de menino, é? Pois bem eu não acredito neste seu vaticinio Nassa de uma Oposição com O maiúsculo que emergirá do caos cambial a partir de Alckmin e Aécio. Por tudo o que você qualificou como sendo excepcional no governo Lula e que Dilma irá dar continuidade, a praxis, talvez sem o recheio da emoção do Cara, mas não menos estratégico, não vejo em nenhum dos dois ungidos e em nenhuma força política atual que possa se autodenominar como de oposição ao governo Lula e ao futuro governo . Ainda. Falta muito chão para alguns e para outros nem estrada tem para se iniciar a caminhada.
Região Serrana Fluminense:Vergonha!Vergonha!Vergonha!
Bien corrigindo: Exageros meus a parte, o Nassa não falou em oposição com O. Perdonami. Mas continuo achando que não há oposição neste país. Só quando a Demo, a cratos de Platão que é mais corrupta, virar o jogo e perdermos a eleição.
Região Serrana Fluminense:Vergonha!Vergonha!Vergonha!
Sinceramente já estou achando que esta história de livro bombástico não passa de estratégia de promoção do tal livro, se ele realmente exisitir.
Primeiro o livro iria ser lançado logo após a copa e antes do início da propaganda eleitoral. Seria um divisor de águas.
Agora vai ser lançado (será?) após as eleições. E se a oposição conseguir o intento dela e virar o jogo? O livro ainda seria lançado? Qual a utilidade dele? Depois dos predadores de patrimônio público estiverem no poder, o livro seria um fiasco, repercuntindo somente na rede.
Estes dados tem que ser trazido à luz quanto antes. Do jeito que está só está rendendo dividendos justamente para quem supostamente o livro acusa. Ou será que a fonte de vazamentos é o próprio livro?
Juro que eu tento entender este debate de câmbio e igual ao Tomás ninguém me explica nada.
Os especialistas sempre sai com desculpas tangenciais, mas não mostram o caminho claro e não respondem dúvidas cruciais.
Esta nova oposição inicia-se sob um terrível dilema!
Todo o apoio que o Presidente Lula alcança no meio do povo brasileiro é fruto da percepção, por parte deste povo, do seu bom governo, ou Ele não passa de um grandessíssimo encantador de serpentes, um talentosíssimo prestidigitador de ilusões?????
Vejam bem os números. Um apoio desta magnitude não está apenas na ignara base da pirâmide social. O apoio inclui muito da parte mais aguda, superior e culta da pirâmide.
Acho difícil que possa ser a segunda opção. Tem sim, um estupendo avanço, não só de resultados, mas de atitudes, neste período de governo.
Para que, então, se opor ao que vem contando com a aprovação da quase totalidade dos brasileiros???? Para que criar factóides que não se coadunam cam a realidade????? Até de ditador chamaram o homem que certamente poderia, se quisesse, ter facilmente um terceiro e quarto mandatos????
Pelo simples prazer de ser do contra?????. Para posar de profetas do apocalipse?????
Só depois de eleita Dilma mostrará a que veio. Ou será um “poste” com muita luz, iluminando os caminhos do nosso futuro ou ficara como um “poste” apagado, no meio do caminho, atravancando a passagem dos afogadilhos de ocasião.
Mais uma vez eu fico cam a primeira opção.
Nassif,
Aproveitando o gancho, gostaria que você nos falasse um pouco sobre o Aécio. Embora nesse momento tenhamos visto que Serra não tem condições de governar o país, nos parece salutar ter uma oposição atuante e coerente.
Considerando que Dilma vença agora e Aécio passe a liderar a oposição, será que nas próximas eleições ele irá ceder à tentação de renovar o pacto espúrio com os coronéis da mídia? Como ele tem se apresentado? Ele será uma oposição "votável"? O que ele demonstra pensar em termos econômicos e políticos?
Fico ainda com muitas dúvidas...
A velha mídia ficou nas críticas incongruentes porque as críticas reais a serem feitas ao governo não lhe interessam. Câmbio, juros, reforma agrária, banda larga... Esse é um problema para a “nova oposição” também : o governo é (ainda) tão “centro-direita” que a N.O. vai mais é vigiar a eficiência da gestão e o cumprimento de princípios éticos. Esse mote parece com maiores chances, como em 1989 e seguintes. Continuará faltando a crítica “à esquerda”.
Constrangimento cambial : pode se verificar... ou não. Os fundamentos hoje são distintos dos de 1998, não é possível prever uma data inexorável. E parece uma contradição muito grande que uma equipe econômica (e de governo) bem sucedida em tantas frentes simultaneamente iria deixar justamente esse flanco em aberto. A hipótese alternativa se coloca : se o novo governo agir com eficiência tem o potencial de tirar mais um argumento da N.O. Não seria a primeira vez.
E a N.O. não tem discurso único em relação a câmbio e juros. Como conciliar a posição de industriais e agroexportadores, que desejariam uma política monetária desenvolvimentista, com o apoio de bancos, comunicações e serviços, para os quais o equilíbrio instável atual é o melhor? Vão remeter a solução para o mercado, o qual não é racional como deveria.
E não devemos olhar apenas os benefícios de uma desvalorização consistente da moeda. É necessário se precaver em relação ao potencial de grande transferência de renda para o setor extrtivista/produtor de bens primários, que não necessita de proteção cambial e não gerará novos empregos. Um imposto sobre exportação seria interessante, mas politicamente difícil.
Outro ponto : a N.O. tem muita gente visível. Não estaria mais dividida que o governo, apesar de seu porte menor? Pode demorar a superar as divergências internas e nisso o projeto de poder do governo, com vários trunfos a usar, fica mais tempo.
Tutu, Zapatero, Cristina, Hollande, Obama já deram o recado : não vote em quem não se declarar favorável ao Casamento Gay
"Uma coisa tem que ficar clara: o Brasil de 2010 não tem nada a ver com o Brasil de 1998"
Isso mesmo, não tem nada ver com o Brasil de 1998.
A base do cambio propicia valores exteriores que engendram o desenvolvimento, isto eh, a passagem de uma formação social a outra, especulativa.
Enquanto formação especulativa, não faz sentido discutirem condições fixas entre reais e dolares, ou regressão desse modelo no tempo.
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