Nossa página está em teste e sua contribuição será valiosa.
Participe com sugestões e auxilie na construção.
Relacione aqui sugestões e problemas que tenha encontrado. Esse espaço também é seu!
Nossa página está em teste e sua contribuição será valiosa.
Participe com sugestões e auxilie na construção.
Relacione aqui sugestões e problemas que tenha encontrado. Esse espaço também é seu!
|
|
|
Brasilianas.Org |
|
O debate sobre a Reforma PsiquiátricaEnviado por luisnassif, sex, 20/01/2012 - 11:53Por Angelo- Usuário do CAPS Sou usuário do CAPS, e para os que acreditam que o psiquiatra Mauro Aranha é motivado por ressentimento... Sinto informar que apesar dos CAPS envolver diveras especialidades no seu atendimento, na prática o médico psiquiatra é o que ocupa papel central. Em primeiro lugar a demanda é muito grande, e não é possível ter atendimento psicológico - que demanda mais tempo - para todos. Para o bem, ou para o mal - segundo a crença dos resistentes -, o acesso a medicação é o grande responsável pela melhora dos pacientes. Seria desejável e melhor a associação de medicação e terapia, mas fato que terapia sem a medicação seria impossível a vida de quem sofre de algum transtorno mental crônico. Fazer coro contra a psiquiatria é fácil quando se está em bando e distante do chão da clínica. Acreditar em teorias de consíração cria a ilusão de ser mais crítico... Não vejo viés da psiquiatria contra a psicologia nas colocações de Mauro Aranha, pelo contrário, o que percebo é que ele defende que os usuários da rede pública tenham uma qualidade semelhante dos usuários do sistema privado que têm a oportunidade do acesso ao médico psiquiatra, terapia e internações curtas quando necessário. Existe um preconceito, um estigma em relação à internação... porém, esta é eficiente em momentos agudos. Quem é usuário do sistema privado conta com uma rede profissional de atendimento, os usuários do sistema público têm a escolha de instituições públicas sucateadas ou instituições assistencialistas - religisiosas. Enfim, o cerne da questão é que o objetivo de uma reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial deveria ser não zerar o número de internações, mas atender de forma adequada os pacientes, de acordo com o momento e a complexidade específico de cada transtorno mental. Por José Carlos Lima A reforma psiquiátrica desestruturou sim, os depósitos de loucos que eram fonte de lucro para psiquiatras carniceiros. Tive a oportunidade de visitar um destes depósitos em, Goiânia. Era o "Hospital Psiquiátrico" Adauto Botelho, conhecidos meus trabalhavam lá, um deles aparece num documentário do cineasta goiano Eduardo Jorge, sobre aquela casa de horror. Até hoje guardo lembranças do que vi. Lembro-me que os militantes da luta antimanicomial, por ocasião da implosão do Adauto Botelho, que aparece nos vídeos abaixo, tentaram salvar o acervo que incluia prontuários, fotos, traços daquele mundo. No entanto o sistema tradicional como que com medo de complicar-se caso o acervo viesse futuramente à tona, deu um jeito de transformar tudo em pó. Mas guardo lembranças daquele universo dantesco pois, como disse, conheci ao ser levado por amigos que trabalhavam lá. Muito forte. Dá para se ter uma idéia assistindo aos vídeos postados. Não consigo compreendeer a lógica que leva a se usar dos casos críticos dos que padecem de transtornos mentais como forma de se justificar o retorno dos antigos Hospitais Psiquiátricos. Nem sei porque aqueles depósitos de gente eram chamados de hospitais, nunca foram isso não. Só lamento que os espetinhos, ao implodirem o Hospital, não permitiram que os militantes da luta antimanicomial salvassem o acervo. Também pudera, se viesse futuramente uma Comissão da Verdade para apurar o que ocorreu naquela época, muitos envolvidos naqueles abusos iriam ficar em apuros. Os vídeos abaixo revelam que era os tais "hospitais" psiquiátricos eram, antes de tudo, uma indústria de se fazer grana. Era para aquela indústria de moer gente que eram levados, geralmente pela polícia, os rejeitados, os sem eira nem beira, os que se atreveram a ser diferentes e, neste caso, diferença era um termo bem amplo. No filme "Bicho de 7 Cabeças, um cigarrinho de maconha era motivo para o jovem ser levado a um destes hospitais. Os leitos eram muitos, a indústria funcionava a todo vapor, bem ao gosto dos saudosos daquele período, dentre eles o poeta Ferreira Gullar. Nada contra o poeta, compreendo que ela tenha sofrido por ter que conviver com o transtorno mental de dois filhos que, se não me engano, manifestavam agressividade. O que não é compreensível nem aceitável é que se use tais casos para se justificar o retorno daquele mundo de horror que recebiam o pomoso nome de "Hospital Psiquiátrico." Aliás, o Brasil deveria ser penalizado pela forma com que tratou seus doentes mentais antes da luta antimanicomial, cuja importância pode ser conferida neste texto. http://www.apropucsp.org.br/apropuc/index.php/revista-puc-viva/39-edicao... E não são atores estes do filme abaixo e sim um mundo real que pude conferir pessoalmente, figuras tão próximas, o espaço físico também; Vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=eEp_3E6Tpz4&feature=player_embedded http://www.youtube.com/watch?v=N3XwMVVIers&feature=player_embedded
Faça seu login e aproveite as funções multímidia!
|
Carregando
Mais Lidos da SemanaPosts de hoje
Comentários + votados
1
-
Ritinha
20/01/2012 - 13:31
Rogério,
Que tal ser menos irônico com o que o Ângelo escreveu? Usar de irônia é uma das jogadas para desqualificar um argumento, aliás uma jogada infantil. Seria mais lógico (e inteligente) você ter...
5
2
-
Gustavo Cunha
20/01/2012 - 14:41
O fato de um CAPS ou váris deles não funcionarem adequadamente não permite que se discuta a política de saúde mental. Do contrário teríamos que estar sempre pensando em abolir os hospitais do sistema...
5
3
-
Marcia
20/01/2012 - 18:47
Muito legal. Quanta beleza e sensibilidade nsa pinturas. Gostei muito, mesmo.
As pessoas, embora doentes da alma, são extremamente criativas e são capazes de se...
5
4
-
Renato Santiago
20/01/2012 - 19:57
"A loucura encontrou uma pátria que lhe é própria: deslocação pouco perceptível, tanto o novo internamento permanece fiel ao antigo, mas que indica que alguma coisa de essencial está acontecendo,...
5
5
-
Rogério Santiago
20/01/2012 - 12:36
Graças ao CAPS, fruto da reforma psiquiátrica, o Ângelo está aqui, integrado conosco. Naquela época, diante de qualquer probleminha a família acionava a polícia, e esta levava o "...
4
6
-
Ricardo Luz
20/01/2012 - 12:55
De um lado a estrutura do Estado com polícia, hospitais, sossega leão e choque elétrico e, do outro, a ignorância e o preconceito da familia e da sociedade e do próprio paciente, este não podia fazer...
4
7
-
José Carlos Lima
20/01/2012 - 16:36
Em O Analista de Bagé, de Fernando Veríssimo, o médico da cidade, de tanto procurar esquisitices nos outros, terminou encontrando-as em si mesmo e, por isso, internando-se também num ...
4
8
-
hugo
20/01/2012 - 18:08
Não precisamos voltar décadas atrás, para observar o tratamento oferecido aos pacientes com transtornos mentais em instituições particulares. Há alguns meses, vários pacientes...
4
9
-
Analista de Bagé
20/01/2012 - 21:51
Sobre a "lei errada", de Gullar agradou e muito ao velho modelo médico-psiquiátrico. Segue link, leiam os comentários, a maioria discordando do poeta.
http://www.portalliteral.com....
4
10
-
Rogério Santiago
20/01/2012 - 13:05
Para quem está pegando o bonde agora, o debate começou por conta da operação-limpeza na Cracolândia. Ainda bem que o Pinel foi desativado, senão a Cracolândia teria sido trasnportada para lá...rsss
3
11
-
Ricardo Luz
20/01/2012 - 14:19
Amiga Ritinha. não se avexe. Se vc viu ironia olhem bem para o que está escrito: Na primeira frase um elogio ao Angelo, onde demonstro bem estar por estar na companhia dele. A segunda frase é...
3
12
-
Marcia
20/01/2012 - 17:16
Tive uma tia muito póxima que sofria de psicose maníaco depressiva. Vivia sendo internada em um manicomio onde, sistematicamente, tomava choques elétricos e sofria...
3
13
-
José Carlos Lima
20/01/2012 - 17:55
Márcia muito emocionante seu depoimento, lembrei das cenas de ontem ao assistir aos videos (links na postagem) aqueles olhares pedindo socorro, triste, como se a medicina os conhecesse apenas por...
3
14
-
superperplexo
20/01/2012 - 13:27
NISE DA SILVEIRA: ARTE/CRIATIVIDADE X “DOENÇA PSIQUIÁTRICA”
Parece que existe um limite / fronteira tênue entre grande número de problemas rotulados como “doenças psiquiátricas” e o “...
2 TagsBanco do Brasil
bancos
banda larga
Bolsa Família
Bresser-Pereira
capitalismo
Casa Civil
Cidades
Crise
crise mundial
desemprego
Dilma Rousseff
Economia
Educação
Educação
Folha
Gestão
Gestão Pública
Habitação
impostos
investimentos
IPEA
moradores de rua
municípios
Mídia
oposição
PAC
Política
Políticas Sociais
Software
São Paulo
Tecnologia
telebras
Universidade
Universidades
|
Graças ao CAPS, fruto da reforma psiquiátrica, o Ângelo está aqui, integrado conosco. Naquela época, diante de qualquer probleminha a família acionava a polícia, e esta levava o "sujeito esquisito" para algum hospital psiquiátrico para de lá nunca mais sair.
Rogério,
Que tal ser menos irônico com o que o Ângelo escreveu? Usar de irônia é uma das jogadas para desqualificar um argumento, aliás uma jogada infantil. Seria mais lógico (e inteligente) você ter usado apenas um argumento consistente para um assunto tão complexo.
Amiga Ritinha. não se avexe. Se vc viu ironia olhem bem para o que está escrito: Na primeira frase um elogio ao Angelo, onde demonstro bem estar por estar na companhia dele. A segunda frase é genérica: Até eu, como "sujeito esquisito" que sou, teria sido levado para algum Pinel da vida. Será que agora fui claro.
Em O Analista de Bagé, de Fernando Veríssimo, o médico da cidade, de tanto procurar esquisitices nos outros, terminou encontrando-as em si mesmo e, por isso, internando-se também num hospício....rsss
http://www.releituras.com/lfverissimo_analista.asp
Grato,
SPIN em Rede(link)
De um lado a estrutura do Estado com polícia, hospitais, sossega leão e choque elétrico e, do outro, a ignorância e o preconceito da familia e da sociedade e do próprio paciente, este não podia fazer muita coisa, ficava à mercê da truculência, tudo isso gerava lucro para o velho modelo médico-psiquiátrico. Hoje até terapia online resolve muitos problemas que, antes da Reforma Psiquiátrica, justificava uma internação.
A grande verdade é que na rede pública não existe tratamento adequado os diferentes tipos de transtono mental, ou seja quem precisa de atendimento psiquiatríco especializado mal consegue marcar uma consulta e passa pelo ambulatório somente quando a medicação está terminando, sendo que depois de pegar outra receita para comprar o produto, por se tratar de uso continuado e fornecido nos postos de saúde, as vezes não encontra o que esta precisando. Quem conhece o assunto sabe que a medicação sem terapias não resolve os problemas do paciente, nem da família, mas para contornar a situação evitando o mal maior, a rede pública disponibiliza o atendimento precário e mantem quase sob controle esse grave problema que atinge milhares de pessoas.
Para quem está pegando o bonde agora, o debate começou por conta da operação-limpeza na Cracolândia. Ainda bem que o Pinel foi desativado, senão a Cracolândia teria sido trasnportada para lá...rsss
NISE DA SILVEIRA: ARTE/CRIATIVIDADE X “DOENÇA PSIQUIÁTRICA”
br />Parece que existe um limite / fronteira tênue entre grande número de problemas rotulados como “doenças psiquiátricas” e o “potencial de expressão artística”. O trabalho da Dra. NISE DA SILVEIRA procurou explorar a arte para ajudar muitos de seus clientes. Um artigo do escritor Ferreira Gullar* fala do CASO DE EMYGDIO DE BARROS que, através da pintura, conseguia dar um sentido “construtivo/saudável” a uma energia que poderia apenas ser vista como “destrutiva/doentia”. Será que o trabalho dela teve continuidade e ainda seria válido/eficaz na busca de aperfeiçoamento dos tratamentos da saúde mental com menor custo?
******************************************************************
*FERREIRA GULLAR
Folha 22.10.06
FORA DA HISTÓRIA
A obra de Emygdio tem uma carga psíquica que só quem viveu outros "estados do ser" revela
HÁ 60 ANOS , em setembro de 1946, Nise da Silveira criava, no Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio, o ateliê de pintura que daria origem ao Museu de Imagens do Inconsciente, hoje uma referência fundamental para os que estudam as relações da arte com a esquizofrenia.
O museu foi concebido com o propósito de preservar obras que, realizadas por doentes mentais, constituíssem material de estudo do seu mundo interior, de difícil acesso e compreensão. Não era intenção de Nise formar ali artistas mas, sim, lançar mão da linguagem simbólica da arte para ampliar as possibilidades de superação da enfermidade psíquica. Não obstante, desde o primeiro momento, os trabalhos de alguns dos pacientes despertaram o interesse do crítico francês Léon Degand, então diretor do MAM de São Paulo, que propôs expô-los. Essa mostra provocou uma polêmica entre os críticos Mário Pedrosa -que defendia o valor artístico das obras- e Quirino Campofiorito -que o negava. Na verdade, um debate que continuaria ainda por muitos anos, dividindo a opinião de artistas e críticos.
Mas não vale a pena, agora, reabrir essa discussão, mesmo porque o que hoje muitas vezes se apresenta como arte não cabe em nenhuma definição possível. A estranheza, que levava alguns críticos a negar valor artístico àquelas obras, parece coisa normalíssima em face das manifestações atuais. Tampouco quero perder meu tempo com isso.
Não demorou muito para que o ateliê de pintura da dra. Nise revelasse talentos surpreendentes como os de Emygdio, Rafael e Diniz. Era de fato um outro universo que se revelava em suas pinturas e desenhos. Vendo-os, convenci-me de que, se a condição de esquizofrênicos imprimia a suas obras uma atmosfera peculiar, inusitada, não era ela que os qualificava como artistas. Noutras palavras, entendi que um artista pode ser esquizofrênico mas nem todo esquizofrênico será artista e, dentro dessa mesma visão, há esquizofrênicos que são bons artistas e outros que são geniais, como é o caso de Emygdio de Barros. Essa é uma afirmação difícil de demonstrar, mas não sei de que outro modo qualificar a força expressiva daquele universo de formas ao mesmo tempo familiares e estranhas, transfiguradas na sua expressão visionária. As cores, que surgem como relâmpagos do fundo da noite -noite psíquica?-, pertencem a uma outra dimensão do imaginário. Há, em seus quadros, uma carga psíquica de tal densidade que certamente só quem, como ele, visitou outros "estados do ser" pode revelar.
Emygdio, que estava internado há 25 anos sem falar uma só palavra, foi trabalhar no ateliê de encadernação. Um dia, porém, Almir Mavignier, que monitorava o atelier de pintura, encontrou sobre sua mesa um desenho que o deixou impressionado. Descobriu que o autor era o paciente magrinho chamado Emydgio e o trouxe para o ateliê de pintura. Dos desenhos, Emygdio passou aos quadros, ricos de matéria e variações cromáticas, dando início a uma produção espantosa. Havia uma fosforescência subjacente à matéria cromática de seus quadros que ninguém sabia explicar.
Um dia, próximo ao Natal, Nise perguntou a Emygdio que presente gostaria de ganhar e ele respondeu: "Um guarda-chuva". Ela concluiu que ele desejava ir embora. "Mas ele vai parar de pintar", advertiu Almir. Decidiram, então, fazer uma exposição de seus quadros para vendê-los e, com o dinheiro obtido, comprar telas e tintas. A exposição foi feita, mas só se venderam seis quadros: cinco deles comprados por Mário. Emygdio mudou-se para a casa de seus parentes, no interior do Estado do Rio. Poucos meses depois, Almir foi até lá e trouxe para o museu uma série de belíssimos guaches, que Emygdio pintara. No ano seguinte, porém, Almir transferia-se para a Alemanha e nada mais se soube de Emygdio, até que o próprio Mário foi visitá-lo e constatou que o dinheiro destinado a comprar mais telas e tintas fora investido na aquisição de porcos e galinhas.
Muitos anos se passaram até que, certa tarde, Emygdio reapareceu, no Centro Psiquiátrico Nacional, de maleta e guarda-chuva, e informou a dra. Nise que queria reinternar-se para voltar a pintar.
E ali ficou, pintando, até completar 80 anos, quando, por lei, teve que deixar o hospital. A dra. Nise conseguiu interná-lo num asilo de velhos, onde concluiu sua existência vivida fora da História. É certo, porém, que, graças a ele, há hoje no universo, além de planetas e galáxias, alguns quadros e guaches de espantosa beleza.
Amigão superplepexo, tens certeza de que este texto é da lavra do poeta Ferreira Gullar? Até parece que Gullar é a favor da luta antimanicominal, o que não é o caso. Se o texto é dele, e deve ser (kd o link?), o poeta mudou de idéia logo depois, uma vez que neste artigo ele(Gullar) não dá a menor chance aos portadores de transtorno mental:
Uma lei errada
Por Ferreira Gullar
Folha de S. Paulo, seção: Opinião, 12/04/2009
FONTE: Associação Psiquiátrica de Brasília
“Uma lei errada
A CAMPANHA contra a internação de doentes mentais foi inspirada por um médico italiano de Bolonha. Lá resultou num desastre e, mesmo assim, insistiu-se em repeti-la aqui e o resultado foi exatamente o mesmo.
Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, repressão "burguesa" para defender os valores do capitalismo.
A classe média, em geral, sempre aberta a ideias "avançadas" ou "libertárias", quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade. Não, adere sem refletir.
Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que "as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles". E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: "Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu".
Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra "manicômio", já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais. Digo isso porque estive em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou "solitárias" para segregar o "doente furioso". Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno.
Até descobrirem os remédios psiquiátricos, que controlam a ansiedade e evitam o delírio, médicos e enfermeiros, de fato, não sabiam como lidar com um doente mental em surto, fora de controle. Por isso o metiam em camisas de força ou o punham numa cela com grades até que se acalmasse. Outro procedimento era o choque elétrico, que surtia o efeito imediato de interromper o surto esquizofrênico, mas com consequências imprevisíveis para sua integridade mental. Com o tempo, porém, descobriu-se um modo de limitar a intensidade do choque elétrico e apenas usá-lo em casos extremos. Já os remédios neuroléticos não apresentam qualquer inconveniente e, aplicados na dosagem certa, possibilitam ao doente manter-se em estado normal. Graças a essa medicação, as clínicas psiquiátricas perderam o caráter carcerário para se tornarem semelhantes a clínicas de repouso. A maioria das clínicas psiquiátricas particulares de hoje tem salas de jogos, de cinema, teatro, piscina e campo de esportes. Já os hospitais públicos, até bem pouco, se não dispunham do mesmo conforto, também ofereciam ao internado divertimento e lazer, além de ateliês para pintar, desenhar ou ocupar-se com trabalhos manuais.
Com os remédios à base de amplictil, como Haldol, o paciente não necessita de internações prolongadas. Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar. No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo.
Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de "repressão burguesa", resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo. Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia), que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos.
É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre. “
------Dr. Antônio Geraldo da Silva - Presidente da APBr, comenta o artigo:
Respeitado internacionalmente, o escritor, filósofo e poeta, Ferreira Gullar escreveu um artigo sobre a realidade brasileira na assistência aos doentes mentais e seus familiares. O texto, publicado pela Folha de São Paulo no dia 12 de abril, pode ser considerado um dos mais importantes já publicados desde a promulgação da lei 10.216.Talvez por ser um familiar e não um médico e/ou político, Gullar tenha se referido à lei 10.216 como sendo a Lei do Deputado Paulo Delgado. Fato que não procede.O Projeto de Lei do Deputado foi rejeitado no Senado com 23 votos contra e somente 04 a favor. Sendo assim, não existe nenhuma “lei Paulo Delgado”.O que existe é um mesmo grupo estar à frente da Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde há mais de 20 anos, sendo que na última década o Coordenador é o irmão do citado deputado, que vêm conseguindo publicar portarias que burlam a Lei 10.216.A lei 10.216 é totalmente adequada às necessidades dos doentes mentais, seus familiares e dos profissionais comprometidos, mas está sendo distorcida em detrimento de uma proposta errada e rejeitada, que desde sua concepção estava fadada a levar nosso sistema público de assistência ao doente mental ao caos que estamos enfrentando hoje.Infelizmente dos 120 mil leitos públicos que existiam, hoje temos apenas cerca de 38 mil. Em compensação, os leitos privados aumentaram consideravelmente – chegando a mais do dobro do número anterior.Uma triste realidade. A desassistência à saúde mental reina no país. FONTE: http://psiquebrasil.blogspot.com
Atualização
Alguns comentários dos leitores da Folha ao texto "Lei Errada", de Ferreira Gullar, em 2009:
Lamentável o artigo de Ferreira Gullar de ontem, que reúne uma série de informações equivocadas a respeito dos avanços nas políticas de atenção às pessoas com sofrimento psíquico intenso.
Destaco apenas dois pontos-chave do texto: a lei mencionada pelo autor (10.216, de 6 de abril de 2001) não propôs o fim das internações psiquiátricas, mas a sua indicação apenas quando esgotados todos os recursos de tratamento em meio aberto (ambulatórios, hospitais-dia, centros de atenção psicossocial etc.); e o que é mencionado no artigo como uma "campanha" se refere a um conjunto amplo de pesquisas científicas, práticas interprofissionais e discussões consistentes no âmbito das políticas de saúde e de inclusão social."
THAIS CHRISTOFE GARRAFA, psicanalista (São Paulo, SP)
"O colunista Ferreira Gullar erra ao igualar a clorpromazina ao Haldol, que, embora tenham a mesma função, são substâncias diferentes. Tal detalhe, porém, não diminui em nada a relevância do tema por ele abordado.
Há anos as políticas de saúde mental têm se pautado mais em questões ideológicas do que técnicas. O resultado disso é uma desassistência progressiva ao doente mental em várias cidades do país.
Nesse processo, a psiquiatria e os psiquiatras foram excluídos, demonizados e acusados de serem meros instrumentos de controle social. É urgente que isso seja revisto.
Não é possível nenhuma discussão séria sobre a assistência ao doente mental que não conte com a participação dos representantes da psiquiatria brasileira."
MARCOS AURÉLIO MARTINS RIBEIRO, médico psiquiatra, doutor em saúde mental pela FMRP-USP, professor-adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade de Ribeirão Preto -Unaerp (Ribeirão Preto, SP).
"O poeta Ferreira Gullar ('Uma lei errada', Ilustrada de ontem) não deveria ter o direito, por ser colunista da Folha, de falar de maneira ideológica a respeito de uma lei brasileira que está à frente do seu tempo.
Sou professora da Faculdade de Medicina da Unicamp e tenho recebido financiamento público importante (R$ 400 mil, do CNPq e da Fapesp) para realizar pesquisas sobre os serviços de saúde da reforma psiquiátrica brasileira e posso afirmar que eles têm se mostrado eficazes para a contenção de casos graves, tanto na voz dos usuários como na dos próprios familiares e gestores, em redes bem constituídas, como a da cidade de Campinas, por exemplo.
Inúmera bibliografia internacional reforça e estimula esse aspecto da legislação brasileira, que o Sistema Único de Saúde (SUS) se esforça em implementar. Temos especialistas no país inteiro trabalhando e pesquisando sobre o tema. Que a Folha deixe um colunista 'viajar' na sua história pessoal, sem outras evidências, é um fato ruim e que fala mal do rigor do próprio jornal.
Convido Ferreira Gullar a conhecer a rede pública de Campinas e me disponho a pedir autorização da Faculdade de Ciências Médicas para acompanhá-lo pessoalmente na sua visita, se ela for possível."
ROSANA ONOCKO CAMPOS, Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Campinas, SP)
"O que entendo como desastre é que esse tipo de opinião circule em pleno 2009. Além da carrada de preconceitos com que nos brinda em seu texto pretensamente bem refletido, o senhor Gullar demonstra estar longe de conhecer o momento histórico, os antecedentes filosóficos e os avanços práticos da reforma psiquiátrica no Brasil. Será que o senhor Gullar já ouviu falar em Caps 3 e residências terapêuticas? Será que visitou um hospital psiquiátrico público para chamar de conveniente a 'contenção de crise'? O articulista precisa conhecer melhor os avanços humanos e sociais que a reforma atingiu. Precisa ler um pouquinho mais sobre o papel central que a cidadania e a liberdade têm num processo de regressão sadia de uma psicose grave. Precisa se atualizar para descobrir que não são apenas os muros dos manicômios físicos que precisamos derrubar, mas principalmente nossos manicômios mentais, que infelizmente cotinuam muito presentes."
THESSA GUIMARÃES, estudante de psicologia na Universidade de Brasília (Brasília, DF)
"O Conselho Federal de Psicologia manifesta-se favoravelmente à lei que instituiu um novo modelo de tratamento aos transtornos mentais no Brasil.
Muito mais que "demagogia", como escreveu Ferreira Gullar, a lei 10.216/01 representa enorme avanço em relação à política de isolamento que há séculos o Brasil dispensa aos portadores de sofrimento mental.
O movimento de luta antimanicomial, que inclui profissionais que atuam diariamente com saúde mental, considera que a loucura pode e deve ter o seu lugar no mundo, que as subjetividades individuais contribuem na construção do todo social e que a aceitação das diferenças, sejam elas quais forem, faz parte do ideal de democracia da nossa sociedade.
A luta antimanicomial, fundamentada no oferecimento de direitos de cidadania e de convivência social aos portadores de transtornos mentais, é um desafio epistemológico para as ciências da saúde, contra o qual muitos segmentos se colocam contrariamente, afirmando imediatismos mercadológicos, farmacológicos e de encarceramento como caminho."
HUMBERTO VERONA, presidente do Conselho Federal de Psicologia (Brasília, DF)
"Curiosamente, o termo cretino -usado por Ferreira Gullar para classificar o proponente da Lei da reforma psiquiátrica- é um antigo diagnóstico psiquiátrico que nomeia os portadores de cretinismo, retardo mental causado pelo hipotireoidismo congênito.
Os periódicos nos indicam que também o diagnóstico que Gullar informa ser o de seus filhos -a esquizofrenia- tem sido usado com frequência como xingamento. Esse contrassenso oculto evidencia a natureza obscura do estigma e revela como pode ser escorregadio redigir sobre o campo polêmico que é o dos cuidados públicos nessa área.
Penso que o articulista poderia conhecer um pouco mais sobre os familiares satisfeitos com os espaços de excelência que existem dentro da reforma da saúde mental - sim, eles existem, e tendem a não estar nos serviços particulares.
Sua energia direcionada para a revogação da lei poderia ser mais produtiva se ele viesse a reivindicar a expansão necessária dessa excelência para o maior número de cidadãos brasileiros."
LUÍS FERNANDO TÓFOLI, doutor em psiquiatria pela Universidade de São Paulo (Fortaleza, CE).
Da Folha, via site Medicina.Net
http://www.medicinanet.com.br/
Superplexo, trouxe para cá um outro texto de Gullar, sobre a "arte dos loucos."Como poderia ele(Gullar) reconhecer como artista contemporâneo o interno Arthur Bispo do Rosário?Se vê arte genial em Emygdio pq não a mesma consideração para com o Bispo do Rosário. Todos são ímpares, nada esta implicândia do Gullar contra a arte contemporânea, mas aqui é outra novela, o poeta rompeu com sua própria cria, o neoconcretismo, um movimento ímpar da cultura brasileira. Ah, estou me esquecendo, esta postagem é sobre a Reforma Psiquiátrica, um assunto puxa outro, fazêr o que,,... São Paulo, domingo, 14 de agosto de 2011
FERREIRA GULLAR
Arthur Bispo e a arte contemporânea
Ele jamais pretendeu fazer carreira de artista nem revolucionar as linguagens artísticas consagradas
A exposição de Arthur Bispo do Rosário na Caixa Cultural - Unidade Chile, no Rio, oferece a oportunidade de apreciarmos um número considerável de seus trabalhos realizados com fio e, também, de refletirmos sobre sua personalidade e sua obra. E isso se torna tanto mais oportuno quando alguns estudiosos dessa obra, ou apenas curadores, o associam ao que se convencionou chamar de arte contemporânea.
Essa associação inapropriada dá margem a uma série de equívocos, tanto no que se refere a esse gênero de arte quanto ao que aquele artista criou.
Mas não é só isso. Um pequeno texto na entrada da exposição afirma que Arthur Bispo do Rosário se rebelou não apenas contra o tratamento psiquiátrico como também contra a terapia ocupacional.
A referência à terapia ocupacional é surpreendente, primeiro porque, na Colônia Juliano Moreira, hospital psiquiátrico em que estava internado, não havia esse tipo de terapia, criado por Nise da Silveira no Centro Psiquiátrico Nacional. Tampouco era pretensão dela formar artistas, ali, mas apenas oferecer aos pacientes a possibilidade de se expressarem.
Aquela afirmação, porém, não é gratuita, uma vez que o texto procura apresentar Arthur Bispo do Rosário como um artista revolucionário, consciente da necessidade de romper com as formas artísticas existentes.
Essa tese alia-se a outra, que pretende mostrá-lo como uma espécie de precursor da chamada arte contemporânea, uma vez que não se utiliza das linguagens artísticas consagradas, como a pintura, a escultura ou a gravura.
Sua obra consiste em objetos recobertos por fio, além de mantos e estandartes bordados a mão. Trata-se, em ambos os casos, de teorias equivocadas.
Associar a obra desse artista à chamada arte contemporânea é ignorar a origem e a natureza de ambas as manifestações. Todo mundo sabe que o que se chama de arte conceitual ou contemporânea tem sua origem nos "ready-mades" de Marcel Duchamp e nos desdobramentos decorrentes da ruptura com as linguagens artísticas. Já Bispo do Rosário --que não tinha nenhum conhecimento daquelas experiências-- jamais pretendeu fazer carreira de artista nem muito menos revolucionar as linguagens artísticas consagradas.
Sua obra é, na verdade, resultado de dois fatores que se juntaram: um talento artístico excepcional e uma visão mística, alimentada por seu desligamento da realidade objetiva, dita normal.
Sabe-se que Arthur Bispo do Rosário, nascido em Sergipe em 1911, mudou-se para o Rio em 1926, onde entrou para a Marinha, passando depois a trabalhar na Light. Em 1938, experimentou o primeiro delírio místico, que o levou a um mosteiro, donde o encaminharam a um hospital psiquiátrico. Depois de algum tempo alternando períodos de internação com atividades profissionais, passou a fazer miniaturas de navios, automóveis e bordados.
Em 1964, internado na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, teria ouvido a voz de Deus dizer-lhe que sua missão era salvar os objetos do mundo. Preso que estava numa solitária, por ter agredido outros internados, decidiu que a maneira de salvar os objetos seria recobri-los com fio. E passou a fazê-lo, desfiando o tecido de seu próprio uniforme para, com o fio assim obtido, envolvê-los. E prosseguiu nessa tarefa, que incluiria tudo o que lhe chegava às mãos, fossem facas, garfos, funis, algemas etc. Curioso é que, para salvá-los, decidiu ocultá-los, envolvendo-os com fio, e assim protegê-los do olhar humano.
Deve-se atentar para o fato de que não pretendia ser consagrado artista, como se deduz do que disse quando falaram em expor seus trabalhos: "Não faço essas coisas para as pessoas, mas para Deus". Não por acaso, sua obra-prima é um manto que bordou para com ele apresentar-se diante de Deus.
Certamente, isso não retira de seus trabalhos o valor estético e a criatividade que definem as obras de arte, mas, sem dúvida, torna inapropriado atribuir-lhe intenções vanguardistas.
Aliás, a natureza artesanal do que realizou --que lhe exigiu não só talento como mestria e dedicação-- nada tem a ver com a arte contemporânea, que nasceu da negação do trabalho artesanal do artista, o que está evidente no nome "ready-made" --que significa "já feito".
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1408201120.htm
Mais sobre Gullar, mais algumas das suas pérolas, aqui
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/coment-rio-ao-post-os-rf-os-do-poeta-ferreira-gullar?xg_source=activity
Grato,
SPIN em Rede(link)
Sobre a "lei errada", de Gullar agradou e muito ao velho modelo médico-psiquiátrico. Segue link, leiam os comentários, a maioria discordando do poeta.
http://www.portalliteral.com.br/artigos/uma-lei-errada
O fato de um CAPS ou váris deles não funcionarem adequadamente não permite que se discuta a política de saúde mental. Do contrário teríamos que estar sempre pensando em abolir os hospitais do sistema de saúde, cada vez que alguns deles funcionasse mal. E talvez a maior parte dos hospitais públicos e privados funcione em condição tecnicamente duvidosa e gestão e atenção.
A maior aprte dos psiquiatras é treinada para fazer um tipo de diagnóstico (entre os muitos diagnósticos e avaliações que se pode fazer para uma pessoa com problemas de saúde mental). O psiquiatra muitas vezes, faz o diagnóstico da doença de acordo com com o DSM (um recorte mas muito muito limitado). A refoma psiquiátrica justamente tem o seu maior mérito em reconhecer que o sujeito com problemas de sáude mental é mais do que o seu diagnóstico. E merece infinitamente mais do que medicação e contenção. Isto vale para qualquer área da saúde e á um problema na prática clínica de boa parte dos médicos: reduzir as pessoas a uma doença. E reduzir as internvenções ao "combate" à doença. As pessoas tem desejos, tem potencias, tem relações sociais, tem ou podem ter trabalho, aptidões diversas, problemas diversos agravados ou não por uma patologia e que precisam ser abordados pelos profissioanis de saúde para a construção de um projeto terapeutico adequado. No caso da saúde mental o CAPS e a Atenção Básica são serviços de saúde privilegiados para se fazer sito. Embora nem sempre façam, até porque as políticas de saúde são nacionais, mas as gestões são municiapais, quando não terceirizadas para "parceiros".
Gustavo T Cunha Méddico - Doutor em Saúde Coletiva. Pesquisador do Departamento de Saúde Coletiva da Unicamp. Blog http://www.redehumanizasus.net/blog/gustavo-t Twitter @Gustavo_tc
Tive uma tia muito póxima que sofria de psicose maníaco depressiva. Vivia sendo internada em um manicomio onde, sistematicamente, tomava choques elétricos e sofria agressões físicas das demais doentes, etc. Sofreu muito até eu conhecer meu marido. Ele era radicalmente contra internação e convenceu toda a família dos malifícios des hospitais psiquiátricos. Minha tia hoje é morta mas não esquecerei jamais das cenas horríveis que presenciava quando ia visitá-la no depósito de loucos. Eu era criança e me marcou demais. Só quem vivenciou essa esperiencia pode entender por que houve a reforma do sistema psiquiátrico.
Márcia muito emocionante seu depoimento, lembrei das cenas de ontem ao assistir aos videos (links na postagem) aqueles olhares pedindo socorro, triste, como se a medicina os conhecesse apenas por fora e nem um pouco por dentro, suas histórias, seus desejos geralmente tão poucos, tão simples. Segue link para um texto bacana, com arte feita por eles
http://www.ccs.saude.gov.br/saude_mental/pdf/inumeraveis_estado_ser.pdf
Grato,
SPIN em Rede(link)
Muito legal. Quanta beleza e sensibilidade nsa pinturas. Gostei muito, mesmo.
As pessoas, embora doentes da alma, são extremamente criativas e são capazes de se superar.
Minha tia fazia belíssimos vestidos de noiva mas muito esporadicamente porque tremia muito e ficava sem condições de trabalhar regularmente como costureira. Uma pena.
Muito obrigada , e coloquei esse post nos "favoritos" para depois salvá-lo.
Grande abraço.
Não precisamos voltar décadas atrás, para observar o tratamento oferecido aos pacientes com transtornos mentais em instituições particulares. Há alguns meses, vários pacientes morreram DE FRIO num hospital em Sorocaba.
Quando surgem defensores das volta dos hospitais psiquiátricos me ocorre o tratamento dispensado aos viciados da cracolândia. Não nos iludamos. Não será muito diferente do que está ocorrendo no centro de SP ou que já ocorreu no Juqueri.
"A loucura encontrou uma pátria que lhe é própria: deslocação pouco
perceptível, tanto o novo internamento permanece fiel ao antigo, mas
que indica que alguma coisa de essencial está acontecendo, algo
que isola a loucura e começa a torná-la autônoma em relação ao
desatino com o qual ela estava confusamente misturada (Foucault,
1978, p. 384)."
http://www.unirio.br/cch/ppg-pmus/dissertacoes/dissertacao_euripedes_gom...
Postar novo Comentário