O crack, a doença e a internação compulsória

Do Portal Luis Nassif
Blog de Beatriz Silva Ferreira

Porque a internação compulsória de dependente de crack é necessária

A dependência química é uma doença crônica classificada pela Organização Mundial de Saúde cujos sintomas compulsivos reaparecem. Por isso, o dependente não deve ser tratado como um marginal, mas como um doente que precisa de tratamento.

Em geral, a decisão inicial de usar drogas é voluntária. No entanto, a dependência pode se estabelecer e, nesse momento, a capacidade de exercer autocontrole pode ficar seriamente comprometida. Nesse caso, sair das drogas deixa de ser um ato de vontade.

Estudos de imagens do cérebro de dependentes químicos mostram mudanças físicas em áreas do cérebro críticas para julgamento, tomada de decisão, aprendizagem, memória e controle do comportamento.

Acredita-se que essas mudanças alteram o funcionamento do cérebro, explicando, pois, os comportamentos compulsivos e destrutivos do dependente. Por isso, a dependência é considerada uma doença mental.

Se o dependente químico é um doente mental que não possui critério para decidir por si próprio porque não possui autocontrole, é preciso que alguém decida por ele. Isso dito, é preciso que existam mecanismos de internação compulsória.

Não bastam ações que mais parecem o jogo de “gato e rato” ou afirmar que há uma boa infra-estrutura de assistência hospitalar à disposição daquele que quer largar as drogas. Não se trata de uma decisão de vontade.

O fato é que, hoje, quem depende da rede pública para o atendimento de um familiar dependente de drogas enfrenta uma burocracia que não combina com urgência da situação. Um dependente em surto coloca em risco sua família e si próprio.

Os mecanismos de internação compulsória adotados, atualmente, interferem na agilização que a situação exige. Sem eles, não é possível enfrentar o problema da cracolândia. Acresce que não há, em São Paulo, nenhum hospital de referência em atendimento aos dependentes químicos. Como é possível enfrentar esse problema sem uma infraestrutura que de suporte aos encaminhamentos?

Na verdade, muitos médicos e hospitais sequer sabem como proceder diante da situação e não atendem o paciente como um doente, mas como um marginal. O usuário é estigmatizado.
Pergunto às autoridades: o que fariam se tivessem um filho dependente químico na cracolândia? Deixá-lo-iam “perambular em busca de mais droga até que ele pedisse ajuda?” Não se trata apenas de um problema de segurança, mas também de saúde pública. Aceitem ou não é uma doença que precisa de tratamento especializado.

Às autoridades faltam compaixão e bom senso.

Beatriz Silva Ferreira

Fundadora do Grupo Amor Exigente/São Luís

Especialista em Dependência química

Mediadora e terapeuta Famíliar

Autora dos livros Só Por Hoje Amor Exigente e Filhos que Amam Demais

Participação de um capítulo do livro “Aconselhamento em Dependência Química.”, organizado

por Neliana Buzi Figlie, Selma Bordin e Ronaldo Laranjeira

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27 comentários
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Ritinha

Perfeita análise

Não adianta pensar neste grave problema de forma romantizada, como li em alguns comentários aqui e em outros lugares.  Quem já esteve diante de um drogado na cracolândia e já teve um parente drogado, sabe do que eu estou falando.

O problema é de difícil solução, onde até se tenta usar de equilíbrio para com o drogado, mas que alguns deles, de tão tão destrutivos,  podem colocar a nossa própria vida em risco. Triste isso.

 
 
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Regis Mesquita

Rita e outros,

sabem qual a eficiência do tratamento compulsório? Baixíssima. Por isto foi abandonada na maior parte do planeta. 

O caminho mais eficiente é ter múltiplos serviços e múltiplas abordagens capazes de criar identidade com os múltiplos perfis de seres humanos que usam drogas. Igrejas conseguem combater o vicio desta forma, abordando, aproximando, etc.

Outro problema é o usuário não viciado, outro são os traficantes, o marketing do poder relacionado às drogas, etc.

Abraço,

Regis Mesquita

http://www.psicologiaracional.com.br/

 
 
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Orides

Concordo, Ritinha.

Eu acho que combater a internação compulsória nos casos de dependência estabelecida de crack demonstra falta de sensibilidade com a necessidade alheia - do viciado e seus familiares. Talvez algum sentimento ou valor esteja colocando uma cortina de fumaça no julgamento de quem combate a internação, alegando proteber outros direitos das vítimas.

Se o viciado ficam sem discernimento para procurar ajuda, é como uma criança. Alguém deixaria de internar uma criança com qualquer outra doença, só porque ela não quer?

 
 
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IV AVATAR

O poeta Ferreira Gullar poderia ter sido o autor do texto acima. Não se trata de uma crítica ao texto e nem a Gullar. Quero apenas entender esta problemática, retratada no filme "Bicho de 7 Cabeças"

'(...) O enunciado geral da política, "vamos enfrentar o crack", não é polêmico. O que tem dado panos para as mangas é a inclusão da internação compulsória da pessoa viciada, com indicação médica de internação (indicar internação é prerrogativa médica) na fase aguda para desintoxicação e para tratamento prolongado.(...)" (Fátima Oliveira)

Link para outros textos sobre o tema

http://www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=6746

 
 
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Marcia

Muito boa a análise. A questão é  de saúde e  os usuários de drogas tem que  ser vistos   como doentes, dependentes químicos  e não como marginais.

São Paulo é uma referencia quando se trata de medicina mas  em relação a dependencias químicas parece que  ainda não encontrou a saída para o problema.

 

 
 
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implacavel

...e nem vai encontrar Márcia. Infelizmente a visão dos Governantes Paulistas para esse problema é muito limitada. Quem deveria comandar esse processo seriam médicos, assistentes sociais e psicologos e não a Policia Paulista!

 

"Não existe testemunha tão terrível, nem acusador tão implacável quanto a consciência que mora no coração de cada homem." Políbio

 
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Elder

eu não concordo com a aplicação do conceito de dependencia quimica ao vicio nas drogas. dependencia quimica nós temos da agua, do sal, do açucar.. enfim, coisas que nosso organismo necessita pra sobreviver e que ele não produz. agora, quando que nosso corpo depende de drogas??? pra mim que o que os viciados tem é dependencia psicologica, não dá droga em si, mas do prazer que ela dá.

também é preciso destinguir o usuario da droga do viciado na droga, duas coisas bem diferentes e que pra maioria das pessoas é a mesma bosta. o usuario não tem dependecia psicologica da droga, o viciado sim. mas em vez de focar todos os esforços no combate as drogas (ou aos seus usuarios, que é o que tem parecido ultimamente), deveria tentar entender o que é que leva as pessoas a usarem drogas. porque não adianta querer estancar a hemorragia sem saber a origem.

minha opinião é de que os usuarios buscam aliviar a pressão do cotidiano atraves das drogas, pressão essa que é da vida mesmo, sendo assim, foge das nossas mãos acabar com ela. Assim como também não podemos impedir que as pessoas escolham as drogas pra se aliviar.

mas é fato concreto que mesmo a droga mais pesada tem seu lado bom. e a diferença entre o remedio e o veneno é a dose. creio eu que o uso da droga de forma moderada, sem abusos, deve trazer o beneficio que os usuarios buscam.

a solução que eu vejo não é forçar as pessoas a abandonar as drogas, mas ajuda-las a ter uma relação equilibrada com elas, ou a mesmo parar, se for do seu desejo. porque a solução que arranjaram, dar tratamento de louco forçado aos usuarios quando eles não são loucos, não poderia ter sido pior.

 
 
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Jotavê

É preciso, a meu ver, deixar a decisão de internação nas mãos de um juiz, e não de um médico. Médicos não podem ter esse poder sobre a vida das pessoas, e ninguém deve ser internado APENAS porque usa drogas, ou porque um médico não sei das quantas o considerou "dependente químico". Dependente químico qualquer um pode ser, e enquanto esse dependente químico não estiver interferindo na vida das outras pessoas, NINGUÉM TEM NADA A VER COM ISSO. Nem médicos, nem juízes, nem ninguém.

É urgente definirmos em lei a figura do dependente químico ANTI-SOCIAL: o dependente de bebida, de cocaína ou de crack que transforma a vida de sua família num INFERNO, que põe em risco a vida de outras pessoas EM FUNÇÃO DE SEU VÍCIO, ou que ocupa espaços que deveriam ser de todos, transformando esses espaços públicos em territórios livres do tráfico de drogas. Esse é o dependente químico ANTI-SOCIAL. Ele deve ser PRESO (isso - preso, contra a sua vontade, com uso de algemas, se for necessário) numa CLÍNICA controlada e mantida pelo Estado. Tratamento, ele recebe ser quiser. Mas, para a clínica, ele vai à força, mesmo. E fica preso. 

Dependente químico que não é anti-social não tem que ser incomodado nem pela polícia, nem por ninguém. Acima de tudo, não tem que ser incomodado por médicos caga-regras. Tem que ser deixado em paz em seu canto. Nâo está infernizando a vida de ninguém, não está transformando espaço público em espaço privado, não está pondo a vida de outras pessoas em risco? O problema é dele, e de ninguém mais.

Esse é um discurso sustentável. 

Enquanto a esquerda não for capaz de tratar esse assunto com realismo, ficará patinando no vazio. 

 
 
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Sanzio

É isso que eu sempre digo, enquanto o Estado de São Paulo continuar na mão dessa esquerda a única coisa que irá proliferar serão os ringues de patinação. Desde 1947 o estado está nas mãos desses esquerdistas de merda:

Ademar de Barros, Jânio Quadros, Carvalho Pinto, Ademar de Barros, Laudo Natel, Abreu Sodré, Laudo Natel, Paulo Egídio, Paulo Maluf, Franco Montoro, Orestes Quércia, Antonio Fleury, Mário Covas, Mário Covas, Geraldo Alckmin, Geraldo Alckmin, Cláudio Lembo, José Serra, Alberto Goldman, Geraldo Alckmin.

São 65 anos de desmandos, quando essa esquerda assumiu o poder as únicas drogas que existiam eram a pinga, o rapé e o lança-perfume Rodo Metálico.

Não vejo a hora da direita vencer em SP.

 
 
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Cascudo

Seu filho não está lá, não é jotavê?

 
 
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Marcia

. Nâo está infernizando a vida de ninguém, não está transformando espaço público em espaço privado, não está pondo a vida de outras pessoas em risco? O problema é dele, e de ninguém mais.

Jotavê então, segundo  seu ponto de vista,  é o  outro ou os outros que interessa. O dependente químico não importa, não valhe nada

O Inferno São Os Outros

O Inferno São Os OutrosTitãs

O Inferno São Os Outros
Não quero rotina, nem disciplina,
Não tenho hora, pra ir embora
Não vou pro trabalho, não ganho dinheiro
Não ando na moda, não olho no espelho

Não tenho endereço, casa, nome e sobrenome
Não tenho documento, carro, conta e telefone
Se todo mundo acha, que estou errado, eu acho que não
Se todo mundo acha, que estou louco, eu acho que não

O problema não é meu
O paraíso é para todos
O problema não sou eu
O inferno são os outros, o inferno são os outros

Não tenho amigo, nem inimigo
Não me engano mais
Ninguém vive em paz
Não uso relógio
Não escondo a idade
Não ouço conselho
E nem falo a verdade

Não tenho endereço, casa, nome e sobrenome
Não tenho documento, carro, conta e telefone
Se todo mundo acha, que estou errado, eu acho que não
Se todo mundo acha, que estou louco, eu acho que não

O problema não é meu
O paraíso é para todos
O problema não sou eu
O inferno são os outros, o inferno são os outros

 
 
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M. Marlene

Nassif,


Concordo plenamente com as denúncias feitas por Beatriz Silva Ferreira acerca da extrema precariedade dos recursos públicos disponíveis ao tratamento de portadores de dependência química. Contudo considero equivocada a afirmação de que "sair das drogas deixa de ser um ato de vontade". Portanto, no meu ponto de vista, é falacioso o argumento seguinte: "Se o dependente químico é um doente mental que não possui critério para decidir por si próprio porque não possui autocontrole, é preciso que alguém decida por ele. Isso dito, é preciso que existam mecanismos de internação compulsória".


Ora, a presença da compulsão não significa absoluta e total ausência de vontade e de autocontrole. Aliás, não havendo vontade de superar a compulsão ao consumo, isto é, a dependência, não haverá tratamento capaz de reverter o problema. Nâo podemos nos esquecer que qualquer dependente é sujeito de direitos. Como tal, ele deveria ter à sua disposição recursos de tratamento, inclusive por meio de internação.


Quanto à internação compulsória, é preciso ir devagar com o andor, ou correremos o risco de retroscedermos nas conquistas dos nossos direitos. Afinal já temos regulamentação em nosso país que prevê que tal expediente só deva ocorrer quando o doente oferece risco iminente à sua própria vida ou a de outrem, risco este a ser atestado por profissionais competentes. 


Um abraço,


M. Marlene 


 

 
 
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Rodrigo Machado

Não há coerência alguma nos argumentos contra a internação provisória.

1. Dizem que não adianta. Mas todos concordam que a dependência química é difícil de ser tratada, no AA dizem que é um dia de cada vez, etc. Então, nada adianta? Não tem valor um dia longe do crack? Acho que tem, um dia sem fumar querosene, sem dormir ao relento, quem passou por isto deve valorizar.

2. Dizem que tem de preservar a liberdade. Bem, na verdade a dependência química não é um exercício da liberdade, pelo contrário. Tirá-los da rua, internando e ouvindo-os após limpos, aí sim poderão exercer a liberdade.

3. Falam contra combater o tráfico de drogas na cracolândia. Bem, a cracolândia só existe porque por incompetência policial criaram um santuário do tráfico na cidade, um lugar onde os traficantes podem trabalhar livremente. Enfim, algo como o que ocorria no Complexo do Alemão, só que sem armas, tamanha a incompetência da polícia estadual. Revistar as pessoas na rua em uma situação destas é errado? Então as vozes contra a ação na cracolândia deveriam ser contra a ocupação de favelas no Rio, por exemplo.

4. A propósito, se o poder público não recolher os menores e encaminhá-los a suas famílias ou a tratamento adequado, o poder público não cumpre o artigo 4 do ECA, pois lá está estabelecido o dever da sociedade e do Estado em garantir dignidade à infância e aos adolescentes.

 
 
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Marcia

O AA  funciona  para quem  QUER parar de beber,  se o  cidadão  não tem vontade de parar o programa do AA não  funciona. Os NA ( narcóticos anonimos) seguem os mesmo passos do AA .

Acho que  as vezes a pessoa  está tão  doente que nem tem condições  de enxergar  que precisa de  ajuda.

 

 
 
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Marcia

Rodrigo, essse assunto é muito complexo. É  difícil.

Ainda que  eu saiba que o doente, o dependente químico tem que QUERER se curar eu não tenho  dúvida: se eu tivesse um filho dependente químico eu tentaria tudo para curá-lo até mesmo o   internaria numa clínica de tratamento, mesmo contra a vontade dele.  Como mãe  eu não ficaria de braços  cruzados, iria até  as últimas consequencias para  salvar meu filho Ocorre que essas clínicas são caríssimas então  só mesmo para os mais  abastados.

 
 
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MBTMelo

Importante ressalvar que dependente e usuário são coisas distintas.

Vide "Bicho de 7 cabeças".

 
 
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Marcia

O Bicho de 7 Cabeças não era dependente químico , ele  usava  esporadicamente maconha. Aquele pai  foi desumano, cruel.

Estou me referindo a dependencia química, a doença.

 
 
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Artaud

Do blog de Eduardo Sakamotohttp://blogdosakamoto.uol.com.br/2012/01/12/que-tal-ocupar-o-centro-de-sp-no-final-de-semana/Que tal ocupar o Centro de SP no final de semana?12/01/2012 - 9:02 - Sem categoria 21 Comentários »

A esperança de São Paulo é que uma nova geração, liberal em costumes, progressista politicamente, consciente com relação ao meio ambiente e aos direitos sociais e civis, culturalmente plural e agregadora e menos arrogante, consiga emergir com força em meio à decadência quatrocentona, travestida de modernidade ao longo do século 20, que ainda reina. Uma geração que consiga fazer com que a segregação social e cultural deixe de ser nossa mais importante política pública. Pois se houve melhora na administração pública, isso se deve à mobilização, pressão e luta e não a bondades de supostos iluminados. Até porque nossos “grandes líderes” naufragam em tempos de chuva e são reduzidos a pó em tempos de seca.

Em um momento em que o poder público trata dependentes químicos e a população de rua na base da bala de borracha e da bomba de efeito moral, como parte de sua política para o Centro de São Paulo, é uma lufada de ar fresco atividades que tentam agregar e não expulsar.

Um exemplo é o que vem fazendo o movimento BaixoCentro. Composto por centros culturais, coletivos, artistas e produtores do entorno do Minhocão, eles promovem, neste final de semana, uma série de atividades para ocupar as ruas e angariar fundos para um grande festival de rua – colaborativo e aberto à intervenção de qualquer um, a ser realizado em março. Serão quatro eventos para ocupar os bairros de Santa Cecília, Campos Elísios, Vila Buarque e Luz com música e ativismo. Segue mais informações enviadas pelos organizadores:

Dia 13, sexta 
CORTEJO DO BLOCO FILHOS DA SANTA
O bloco Filhos da Santa sairá às 19h da frente do Galpão do Folias e tocará pelas ruas até o Largo Santa Cecília, onde normalmente se apresenta. No Largo, o bloco continua tocando até 22h.

PEDAL CRU PELA CIDADE: EDIÇÃO BAIXOCENTRO
O Coletivo CRU liderará uma pedalada pela região, para desbravar ruas, praças, edifícios e monumentos importantes da cidade, com paradas para contar um pouco da história de cada local.  Local: Galpão do Folias – Rua Ana Cintra, 213 – Concentração: 18h; cortejo/pedalada: 19h-20h; samba: 20h-22h – Largo Santa Cecília

Dia 14, sábado
ROLÊ ÔNIBUS HACKER
O Ônibus Hacker, projeto da comunidade Transparência Hacker, fará um passeio pela região do Baixo Centro até chegar à área da Cracolândia, na Luz, onde se juntará ao Churrascão da Gente Diferenciada, que será realizado nesse dia. O passeio tem o objetivo de produzir registros fotográficos, em vídeo e texto sobre a situação da região hoje, em pleno processo de higienização promovido pelo poder público. Dentro do ônibus, debates sobre a região. Um exercício de “olhar a cidade”. Mais informações, clique aqui. Local da saída: Casa da Cultura Digital – Rua Vitorino Carmilo 459 – Concentração: 13h; passeio: 14h-19h

Dia 15, domingo
SAMBA NA CASA DO GATO
Uma banda de chorinho, uma mostra colaborativa de vídeos e degustação de cachaças artesanais brasileiras espera os convidados, com entrada a R$ 5. Local: Casa da Cultura Digital – Rua Vitorino Carmilo 459. Horário: 13h-19h. Entrada: $ 5

Para conhecer melhor e apoiar o projeto BaixoCentro, clique aqui.

Churrascão Diferenciado

E, para completar, coletivos, grupos e entidades marcaram, para este sábado (14), mais um “churrascão diferenciado”. Esse tipo de mobilização foi organizado pela primeira vez na cidade para protestar contra a mudança do local da estação Higienópolis do metrô, após declarações infelizes de alguns moradores do bairro. Tanto daquela vez quanto nessa, a iniciativa ganhou corpo e adeptos através das redes sociais.

Os organizadores do churrascão do Centro pedem que todos tragam “seus instrumentos, cartazes, idéias, alimentos e o que mais acharem necessário para tornar agradável este sábado de protesto e diálogo em defesa de políticas corretas, respeitosas e abrangentes em relação à população de rua (ou em situação de rua) e aos usuários e dependentes de drogas”.

Local: Rua Helvétia esquina Dino Bueno, a partir das 16h.

 

MAF

 
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Rodrigo Machado

Outra alternativa é liberar as drogas.

Bem, liberando o consumo, tem de liberar a venda, para evitar a violência etc (até para controlar a qualidade). Não haveria cracolândia, as pessos usariam crack em suas casas. Em praças, ou nos lugares de venda, como maconha na Holanda.

E quem é viciado em diazepan, anfetamina, etc? Libera também, liberdade é para isto - argumento Republicano (no sentido americano do termo, li um artigo de um republicano sobre isto).

Vendas de remédios vão aumentar , assim como efeitos colaterais - para isto tem o SUS, cria uma alíquota, assim como com cigarros e álcool, tudo bem.

Souza Cruz terá um futuro, Roche e outras criarão um departamento recreativo, gira a economia, grandes indústrias terão um grande lucro e o país se torna para as drogas o que a Tailândia é para o sexo. É uma alternativa, meio liberal, mas acho que é a alternativa defendida por quem é contra reprimir o tráfico. 

A sociedade tem que fazer uma escolha um dia destes.

 
 
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Alan Souza

Nem na Holanda a cocaína (ou um subproduto dela como o crack) é liberada para consumo recreativo. O Brasil seria o primeiro país do mundo a fazer isso. Já imaginou o "turismo craqueiro", os problemas que traria? A própria Holanda, aliás, está restringindo o consumo de maconha nos coffeeshops para residentes no país. O "turismo da maconha" trazia mais prejuízos do que dividendos...

 

Demóstenes Torres na cadeia: uma campanha pelo bem do Brasil!

 
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armando botelho

No primeiro momento concordo que tem que haver esta internação compulsória , mas de uma forma mais abrangente o governo tem que livrar novos dependentes com muita educação , pois é no ensino fundamental que tem que se trabalhar a prevenção , e no ensino médio e tecnico ja colocar o jovem para estagiar e em fim ser colocado no mercado de trabalho , pois como dizem os mais velhos , cabeça vazia é casa do diabo . O trabalho é a melhor terapia ocupacional .

 
 
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Lucas Gordon

Segundo a autora do texto, a partir de uma análise de imagem cerebral podemos chegar a conclusão de que alguém perdeu seu poder de auto-determinação.

Melhor exemplo de continuidade da "ciência" frenológica, impossível. Se a tomografia do seu cérebro aparece com uma mancha aqui e aqui, quer dizer que você é um ser humano sem senso de liberdade e cujas escolhas próprias não mais serão reconhecidas socialmente e juridicamente. Pulamos a etapa de dizer que o indivíduo é um criminoso pelas medidas do crânio: agora podemos enjaular outro tipo de gente que não apenas bandidos.

Essa "especialista em dependencia química", que aparentemente nem sequer tem outro título melhor para se apresentar, é apenas mais uma das vozes cristãs que roubam o dinheiro público que em tese iria para o tratamento de dependentes químicos e o aplicam na catequisação e dogmatização das mentes frágeis, que muitas vezes substituem o crack e a cocaína por Jesus, consumindo-o com o mesmo fervor e impotência que antes fazia com as substâncias ilícitas.

Ressocializar alguém isolando-o da sociedade? Isso soa como um desafio para a lógica.

 
 
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Marco Antonio L.

PiG anuncia crise na Rocinha.
Bom era no tempo do Nem

Publicado em 12/01/2012


 

O Conversa Afiada reproduz e-mail do amigo navegante Bruno Machado sobre a gravíssima denúncia de um jornal piguento (pertence às Organizações (?) Globo) do Rio:

pha, agora o PIG quer desmoralizar a Rocinha. Para o PIG a Rocinha já não está mais dando certo (pela visão de São Conrado para Rocinha). Acho que um filhote de urubu já fez ninho lá. Xô mau agouro! E aí PHA, o que o Sr. diria para confortar a Rocinha?


Livre do tráfico, Rocinha entra em crise econômica

Na noite de 12 de novembro, Ana Cláudia, de 36 anos, foi dormir com o coração cheio de esperança, como qualquer morador da Rocinha. Dois meses após a ocupação policial, ela tenta se equilibrar:


— O faturamento caiu pela metade, e ainda pago mil reais de aluguel. Não pensei que a ocupação afetaria o movimento. Duas manicures deixaram o salão e dispensei uma pessoa que trabalhava na minha casa.


O movimento a que ela se refere diminuiu por conta da proibição de bailes na comunidade, que ainda não têm data para voltar a acontecer.


Para garantir o pagamento das contas, ela baixou os valores cobrados pelos serviços no salão. O preço da escova progressiva caiu de R$ 100 para R$ 75.


— Até pensei em voltar para o asfalto, mas vou esperar. É uma fase de adaptação — acredita Ana Cláudia, que já pensa em vender bijuteria e lingerie no salão Shalon para aumentar a receita do estabelecimento.


Os dias também são de incerteza para Rosângela Jesus Silva, de 48 anos. Dona do Isabella’s Coiffeur, na Via Ápia, principal rua de comércio local, ela acreditava que a freguesia aumentaria após a ocupação. Hoje, chora ao lembrar que há dias em que atende apenas uma pessoa. A média diária era de 30 clientes.


— Aos sábados, fechava à meia-noite. Essa semana, fui embora às 21h. Aos poucos, vejo meu sonho acabar — diz, com lágrimas nos olhos.


Dona do salão há oito anos, ela procura alternativas.


— Já pensei em levar a loja para Rio das Pedras. Mas vou procurar um ponto na rua. Ficar no segundo andar pode estar atrapalhando — planeja a comerciante.


A crise na Rocinha não se restringe a salões de beleza, nem aos exageros do choque de ordem. Parte dos R$ 10 milhões que o tráfico lucrava mensalmente circulava no comércio local. Esse dinheiro evaporou da noite para o dia. Além disso, os moradores passaram a arcar com os custos da legalização, como o da TV a cabo.

 


 

 
 
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Rafael Bianchini Abreu Paiva

O problema do crack é gravíssimo e exige soluções extremas, de choque mesmo. Eu não veria com maus olhos a ação da polícia se a prefeitura e governo estadual tivessem estrutura para atender aos dependentes químicos (está prometido para o final de fevereiro). Porque vejo muita ONG, a Unifesp etc dizendo que a ação da PM acabou com uma aproximação de longo-prazo, mas essa "aproximação de longo-prazo" não trouxe resultado algum.


Mas ação da PM sem os centros de tratamento me cheira mais a política deliberada de higienizar a Nova Luz para a valorização imobiliária.


Hoje o UOL/Folha publicaram uma reportagem chocante sobre as grávidas do crack:


 


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/19638-gravidas-do-crack.shtml


 

 
 
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Marcia

Me chocou também. O cúmulo da doença.

 
 
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IV AVATAR

Rafael,  "um morador de rua que não esteja em flagrante delito não pode ser constrangido, coagido a deixar o lugar para ser levado a uma delegacia" (Promotor de Justiça Marcos Antônio Ferreira Alves, sobre a operação da PM, em Goiânia,  similar a ocorrida em SP, que retirou das ruas 144 usuários de crack e levou-os para uma delegacia).

 
 
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IV AVATAR

Não que eu concorde com o texto abaixo, até mesmo porque sou a favor da luta antimanicomial por entender que  os antigos manicômios eram depósitos de pessoas sem eira nem beira, fora o fato de que atendiam aos interesses de uma certa medicina e uma certa indústria farmacêutica:

Por Cristiane Segatto/Revista Época, via Blog do Rozin, em 21/11/2011

 "Tchau, drogado, volta amanhã"


Até a presidente Dilma parece insatisfeita com o atendimento pífio que o Brasil dá aos dependentes de álcool e drogas. Por que insistir no fracasso?

 Presidente dá mais uma bronca nos seus comandados: "... jornalista Vera Magalhães relata em reportagem publicada no domingo (13/11) pelo jornal Folha de S. Paulo: - A presidente comandava uma reunião com representantes de vários ministérios para discutir o lançamento de uma política de saúde para pessoas com deficiências. Quando um funcionário do Ministério da Saúde sugeriu uma sigla para identificar a nova política, Dilma cortou:

-- O quê? Você está me sugerindo mais uma sigla? Você sabe quantas siglas tem no Ministério da Saúde? – e se pôs a enumerar várias delas. Ao citar os CAPs-AD (Centros de Atenção Psicossocial Antidrogas), voltou-se para um ministro ao seu lado: -  Você sabia que os CAPs-AD fecham às 18h? Você chega para o drogado e fala: “Drogado, são 18h. Tchau, drogado, volta amanhã!” Será que Presidente começa a perceber o absurdo que é a estrutura de atendimento aos dependentes de álcool e drogas no Brasil. Eles e suas famílias não são os únicos afetados. Toda a sociedade sofre. A política de saúde mental do Ministério da Saúde tem sérios problemas. O principal é estar baseada muito mais em ideologia e preconceito do que em medicina.
Quem tem na família um dependente químico (de drogas ou álcool) ou um doente com depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo e outros problemas psiquiátricos sabe que essa estrutura de atendimento baseada nos CAPS não dá conta do problema. Por mais bem intencionados que os defensores desse modelo sejam. No final dos anos 80 ganhou força no Brasil um movimento chamado de luta antimanicomial ou de reforma psiquiátrica. Pregava a extinção dos manicômios, nos quais os pacientes eram abandonados, maltratados e submetidos a situações degradantes. Ninguém pretende que esses horríveis depósitos de gente renasçam no Brasil. Mas é preciso reconhecer que dependentes de álcool e drogas e doentes psiquiátricos em estado grave podem precisar de internação. Os doentes (independentemente de sua condição social) merecem uma internação em hospital adequado, com atendimento psiquiátrico eficaz e a dignidade que todo sofredor merece.As famílias dos pacientes enfrentam hoje uma enorme dificuldade para internar quem precisa.  Desde 1989, cerca de 70% dos leitos psiquiátricos do país foram fechados. O Ministério da Saúde investiu nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Nesses locais, o paciente recebe medicação e acompanhamento semanal. A ideia é atendê-lo sem retirá-lo do convívio da família e da comunidade. Quando a situação do paciente complica, no entanto, os familiares não conseguem vaga num leito psiquiátrico em hospitais comuns. Vários municípios discutem a internação compulsória de dependentes de crack, uma polêmica muito bem retratada pelos jornalistas Mariana Sanches, Matheus Paggi e Eduardo Zanelato. A pergunta que não quer calar é “internar onde?” Em meio a uma verdadeira epidemia de crack, o Brasil dispõe de apenas 268 centros de atendimento de casos de álcool e drogas (CAPS-Ad). Eles funcionam apenas até as 18 horas. Só de segunda a sexta-feira. O país inteiro tem apenas três (!!!) centros 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. Um em Petrópolis (RJ) e dois em São Bernardo do Campo (SP). Pelo sistema de atendimento vigente no Brasil é preciso surtar em horário comercial. Não sei se a bronca de Dilma foi dirigida à pessoa certa, mas foi merecida. CAPS são úteis, mas não podem ser o único recurso disponível. Sozinhos,esses centros não têm competência para prestar assistência adequada aos doentes. Fechar leitos psiquiátricos e abrir mais CAPS não resolve o problema. Sem nenhum demérito às equipes multiprofissionais que trabalham neles, esses centros deveriam ser recursos complementares. Por que o governo insiste no erro? “Por um infantil viés ideológico, quem defende o modelo atual acredita que as dependências químicas são uma construção social e os dependentes são vítimas da injustiça social”, diz Marco Antonio Bessa, presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatra.Diante da crise aberta pela dependência de drogas, o governo e a sociedade precisam ouvir os psiquiatras – mesmo que seja para discordar deles. “Às vezes fico pensando que em breve as internações em UTIs, os choques para ressuscitação e as radioterapias também serão vistos como ações arbitrárias e violentas dos médicos – esses lacaios do biopoder a serviço da opressão e da exploração da humanidade”, diz Bessa. Se a presidente  se informar melhor e souber da missa a metade, ficaria ainda mais preocupada, pois até hoje o Ministério da Saúde não tem uma política assistencial em relação ao tratamento do crack. Nem mesmo para o alcoolismo existe um mínimo de padronização do que se deveria fazer”. Os CAPS-Ad são caros e ineficientes. Cada centro custa, em média, R$ 200 mil. “Nunca conheci um CAPS que faça mais de mil atendimentos por mês. Portanto, cada consulta custa ao redor de R$ 200. A adesão ao tratamento é muito baixa e a eficácia do tratamento é absurda”, afirma. Não se tem notícia de que algum dia o Ministério da Saúde tenha realizado uma avaliação de custo-benefício nesses locais. “Se fizesse, 90% deles teriam de ser fechados”. O comentário da presidente é absolutamente pertinente. Um dependente de drogas não escolhe a hora de querer se tratar. Não escolhe a hora de precisar de tratamento. Se pudesse escolher, não seria um dependente de drogas. Em vez de promover a abstinência de drogas, o objetivo dos CAPS-Ad é reduzir o consumo. É a ideia da redução de danos. “Isso é inadequado porque são muito poucos os dependentes que conseguem reduzir o uso. Eles voltam a usar drogas na mesma quantidade que usavam antes. Basta ver o que acontece com os fumantes que tentam reduzir a quantidade de cigarros. Não funciona ! O governo sabe que a coisa vai mal. É bom saber que a presidenta também tomou consciência disso. Talvez esse seja o momento de reformar o que precisa ser reformado. http://blogdorozin.blogspot.com/2011/11/drogados-x-dilma-x-caps-ad.html

 
 

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