O caso do plágio na USP

Houve uma comissão de sindicância que concluiu pela culpa do professor. Pelas explicações, houve um erro grave, mas pode não ter havido dolo.

Para escrever uma tese, junta-se uma montanha de citações, documentos, fontes. Depois, há o trabalho quase logístico de encadear as informações para o texto final. Em muitos casos, perdem-se citações de parágrafos no meio da escrita, dando a impressão de que o autor se apropriou de ideias alheias. Nenhum autor de peso vai arriscar uma tese deixando de referenciar uma ou outra citação, especialmente quando se sabe que a tese sairá em uma publicação internacional. É impossível esconder um plágio em algo que estará acessível a todo meio especializado.

Não tenho maiores informações sobre esse episódio, mas gostaria de mais dados do lado do acusado.

Folha de S.Paulo - USP demite professor por plágio em pesquisa - 20/02/2011

USP demite professor por plágio em pesquisa

Chefe de trabalho que usou imagens sem creditá-las, ele diz não ter havido má-fé

É a 1ª exoneração do tipo em 15 anos; comissão conclui que ex-reitora, coautora, não teve relação com problema

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

A reitoria da USP decidiu demitir um professor de dedicação exclusiva, com mais de 15 anos de carreira, após entender que ele liderou pesquisa que plagiou trabalhos de outros pesquisadores.
A exoneração por plágio é a primeira na instituição em mais de 15 anos. O imbróglio envolveu também a ex-reitora Suely Vilela, coautora da pesquisa questionada. Ela não sofreu punição -a avaliação é que não teve relação com os trechos plagiados.
Outra pesquisadora teve o título de doutorado cassado. Era responsável pelas partes contestadas. Tanto o docente quanto a pesquisadora podem recorrer internamente e judicialmente das decisões.
"A punição de docente, discente ou funcionário técnico-administrativo é sempre dolorosa", disse à Folha o reitor João Grandino Rodas, a quem coube a decisão da punição, após duas comissões internas terem recomendado a decisão. O processo durou mais de um ano.
"Contudo, há de se ter em mente que em casos gravíssimos, como os presentes, a ausência do devido castigo compromete a universidade, cujo maior tesouro é a credibilidade", completou.
O docente Andreimar Soares, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, foi demitido por ser o principal autor da pesquisa, que copiou imagens de trabalhos de 2003 e 2006, sem creditá-las aos autores, da UFRJ (Federal do Rio).
Um dos objetivos do trabalho da USP era investigar se uma substância isolada da jararaca é útil contra o vírus da dengue. Dez cientistas participaram da pesquisa, publicada pela revista "Biochemical Pharmacology".
As imagens copiadas eram de responsabilidade de Carolina Dalaqua Sant'Ana. O trabalho foi uma continuação de sua tese para doutoramento na USP. A escola decidiu cassar o título por entender que houve plágio e "possível fraude" em seu trabalho.
A publicação em revistas científicas é um dos principais indicadores de produção no mundo científico. Uma boa produtividade rende prestígio e financiamentos.

RETRATAÇÃO
A Folha ligou anteontem para a casa do docente demitido. Uma mulher informou que ele não daria entrevista. A reportagem tentou por mais de um mês contato por e-mail, sem sucesso.
Em mensagem anterior, ele afirmou que "ocorreu um lamentável erro de substituição de figuras pela minha ex-aluna de doutorado". Soares disse, porém, que não houve má-fé e que já havia tomado medidas para a retratação "deste grave erro".
A reportagem não encontrou a pesquisadora que perdeu o título de doutora. Segundo a reitoria, ambos foram ouvidos no processo, ao qual a Folha não teve acesso.
A investigação começou em 2009, após a denúncia do próprio grupo da UFRJ, autor das imagens copiadas.
O último caso de demissão na USP por plágio foi em 1995, envolvendo docente do Instituto de Psicologia. Nos últimos anos, surgiram ao menos outras duas denúncias, nas área da física e do direito. Ambas não acarretaram em exoneração.

Folha de S.Paulo - Outro lado: Erro foi de troca de imagens por aluna, diz docente - 20/02/2011

OUTRO LADO


Erro foi de troca de imagens por aluna, diz docente


DE SÃO PAULO

O professor Andreimar
Soares não concedeu entrevista após sua demissão. Em
novembro de 2009, ele enviou por e-mail à Folha algumas respostas sobre o caso.

"Não houve plágio, mas
lamentável erro de substituição de figuras pela minha ex-aluna de doutorado", disse.
"Não houve má-fé e todas as
medidas já estão sendo tomadas para a retratação deste grave erro junto à editora e
à comunidade científica." A
retratação já foi feita.

Carolina Dalaqua Sant'Ana não foi localizada. Ao informativo da Adusp (sindicato dos professores da USP),
também de 2009, ela afirmou
que o que o professor disse "é
o que realmente aconteceu"
e lamentou a situação.

Por Humberto Borges

Acho um absurdo os inquisidores da USP retirarem o título de doutorado da pesquisadora, que havia sido conquistado por outro trabalho sem plágio defendido publicamente e aceito pelos componentes da banca de avaliação. Para retirar o título deveriam mostrar os erros na defesa de tese do doutorado, como é o caso do ministro alemão.

Também acho mais importante nesta história uspiana saber o resultado da pesquisa sobre a Dengue, ora questionada apenas por não citar 3 microfotos já publicadas. A pesquisa ajudou ou não nos estudos sobre a Dengue?

Quanto ao aspecto em si das 3 microfotos publicadas sem crédito de autoria, deve sim ser considerado para evitar a bagunça geral nos atuais tempos do copiar/colar da internet. Mas dever-se-ia usar o bom senso e considerar o tamanho do erro, sua importância no contexto maior do trabalho completo. E, mais ainda, a divisão do erro e respectivas punições entre todos os participantes que assinaram o trabalho, inclusive a ex-reitora, do grupo dominante da burocracia uspiana.

Se o trabalho proporcionar um grande avanço nos estudos sobre a Dengue, com certeza a imputabilidade da autoria e méritos serão exatamente o contrario, com a ex-reitora nos primeiros lugares das manchetes e citações de seus pares acadêmicos. 

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22 comentários
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Leo V

"Em muitos casos, perdem-se citações de parágrafos no meio da escrita"

Discordo! Sinceramente nunca vi isso acontecer. E mesmo se acontece ou acontecesse, como que o autor da tese não saberia distinguir, numa simpls leitura ou revisão, o que ele mesmo escreveu e o que são palavras de outros?

O comentário do Humberto Borges me parece sensato. Não faz o menor sentido retirar o doutorado da pesquisadora se o título não teve nada a ver com o artigo publicado.

Será se essas punições não são uma espécie de bode expiatório para livrar bem a cara da ex-Reitora, colocando toda a culpa em alguns e livra do outros?


 
 
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Ivan Moraes

O ultimo caso de "plagio" que apareceu aqui foi de uma reporter norte americana (nao estou lembrado de detalhe nenhum exceto que eu nao acreditei no "plagio").  Ainda nao vou acreditar nesse caso exatamente pelas razoes que o Nassif citou.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Fabio SP do B

Dá para culpar os demo-tucanos nessa? Sim? Então vamos em frente...

 
 
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Alessandro Simas

 

A seguir, uma discussão sobre este assunto:

http://genereporter.blogspot.com/2009/11/plagio.html

O paper de onde saiu a imagem:

http://aac.asm.org/cgi/content/abstract/47/6/1895

 

 

 

 
 
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Jorge Stolfi

O artigo da Folha é muito incompleto. 

Imagens numa tese ou artigo podem servir  para vários propósitos, desde ilustrar  o contexto da pesquisa (por exemplo uma foto de uma vaca em um artigo sobre  composição do leite) até ser a única prova dos resultados supostamente obtidos (por exemplo uma foto de um novo planeta do sisetma solar).

Pela severidade da pena,  e pela implicação de que houve fraude no trabalho de doutorado,  desconfio  que  as imagens não eram simplesmente ilustrativas.  A referência (retirada do currículo Lattes do docente, mas salva pela memória coletiva da Internet) parece ser esta:

4. SANTANA, C ; MENALDO, D ; COSTA, T ; GODOY, H ; MULLER, V ; AQUINO, V ; ALBUQUERQUE, S ; SAMPAIO, S ; MONTEIRO, M ; STABELI, R . Antiviral and antiparasite properties of an l-amino acid oxidase from the Snake Bothrops jararaca: Cloning and identification of a complete cDNA sequence. Biochemical Pharmacology, v. 76, p. 279-288, 2008

No site da revista o artigo está listado como RETRACTED, mas o PDF ainda está disponível para instituições assinantes. 

http://dx.doi.org/10.1016/j.bcp.2008.05.003

"This article has been retracted at the request of the Editor-in-Chief and Author. [...] Reason: The authors have plagiarized transmission electron microscopy figures published by others in Antimicrob. Agents Chemother., 47 (2003) 1895–1901; doi:10.1128/AAC.47.6.1895-1901.2003). As such this article represents a severe abuse of the scientific publishing system. The scientific community takes a very strong view on this matter and we apologize to readers of the journal for this incident."

Numa lida em diagonal, parece mesmo que as três figuras copiadas (figura 3A--3C) estão sendo apresentadas para comprovar a eficácia da droga.  O texto diz que os autores fizeram o teste e dá a entender que as fotos mostram os resultados desses testes.

"Photomicrographs of the promastigotes with different degrees of damage are shown in Fig. 3. For
treated T. cruzi with BjarLAAO-I, disruption of flagellar membranes, mitochondrial swelling and gross alterations in the organization of the nuclear and kinetoplast chromatins were detected. After 24 h in the presence of 15 mg of BjarLAAOI, the parasites were completely destroyed (Fig. 3A–C)."

"Fig. 3 – Transmission electron microscope of parasites treated with Bothrops jararaca LAAO. Trypanosoma cruzi epimastigote forms were incubated for 24 h with 5 and 15 mg/ml of BjarLAAO-I. (A) untreated parasite showing kinetoplast (k) and nucleus (n); (B) treated parasite with 5 mg/ml of BjarLAAO-I exhibiting kinetoplast disorganization. Note the gross alterations in the organization of the nuclear and kinetoplast chromatins. (C) Parasites completely destroyed after treatment with 15 mg/ml of BjarLAAO-I. [...]"

A afirmação de que essas figuras "incluídas por engano" não é impossível, mas é difícil de aceitar.  Pelo menos dois dos autores (a aluna e seu orientador) deveriam conhecer as imagens corretas como a palma da mão, e deveriam ter percebido a troca ao conferir o artigo antes do envio, ou logo depois da publicação. 

 
 
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Murilo - SP

Caros, infelizmente não é a primeira vez que este tipo de problema ocorre na USP. Houve um caso de plágio no Instituto de Física, há algum tempo atrás, que foi amplamente discutido pela SBF (Sociedade Brasileira de Física). O problema é que isto repercute de maneira muito negativa lá fora, pois isto é algo que é levado muito, mas muito a sério mesmo, na comunidade científica mundial. Neste artigo, e no caso do da Física, há algo em comum: o número grande de co-autores; isso leva a crer que, muito provavelmente, vários deles não chegaram sequer a olhar o artigo antes de enviá-lo para publicação. É uma prática que demonstra que, apesar de termos evoluído muito nas últimas décadas em termos núméricos,  a qualidade e mentalidade científica profissional ainda carece de atenção. Mas, chegaremos lá...

Uma posição que defendo, e que é feita em boa parte das melhores universidades do planeta, é a de que desde cedo devemos incultir nos nossos estudantes idéias ligadas a ética profissional. Por exemplo, na Universidade de Oxford, os estudantes de graduação  em Física  estão em contato com estas idéias desde o primeiro dia de aula: o manual que recebem, e que os acompanha até o final do curso, tem uma seção específica para questões ligadas ao plágio:

Citations and Plagiarism
The University definition of plagiarism can be found at http://www.admin.ox.ac.uk/epsc/plagiarism/. Details relating to ‘good’ academic practice can also be found at
http://www.admin.ox.ac.uk/epsc/plagiarism/acadgdprac.shtml

The University’s Regulations state that: No candidate shall present for an examination as his or her own work any part or the substance of any part of another person’s work... passages quoted or closely paraphrased from another person’s work must be identified as quotations or paraphrases, and the source of the quoted or paraphrased material must be clearly acknowledged. (Proctors’ and Assessor’s Memorandum, Section 9.5 http://www.admin.ox.ac.uk/proctors/pam/index.shtml). “Turnitin is a tool that allows papers to be submitted electronically to find whether parts of a document match material which has been previously submitted .... This
is very useful in training students in good citation practice...” [Ref: Oxford University Computing Service]

Acredito que, sem a discussão destas questões nos currículos de graduação, casos como estes poderão, infelizmente, ocorrer novamente.

 

 
 
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Anonimo

Pois eu não defendo, pratico.  No primeiro dia de aula digo algo próximo do seguinte: terei dois alunos inoportunos: o que passa cola e o que cola. Quando pego, o que passa eu reprovo por uma questão muito simples: se acha que tem condições de ajudar outro ser aprovado, muito mais terá para o próprio. Já o que estava colando, além de uma outra chance, irei pesquisar se não estava até jogando uma ideia genial no lixo para copiar tal qual ele nem sabe se é certo.

Entretanto isso tem um preço em universidade pública: ser tratado por safado em tudo quanto é canto e mais ainda por docentes.

 
 
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Criton Mendes

Eu sempre que vejo gente tentando levantar um "que houve a falha houve, mas talvez possa não ter havido dolo...", que é a defesa particular do "foi sem querer" e do "mas eu não sabia", admiro-me do quanto uns de nós têm propensão a quitar a culpa de qualquer um que a porte.

O argumento "a la Chavo del Ocho" é sempre o mesmo: "mas foi sem querer querendo"....

 

Publicação ciêntífica é algo sério. Respeito pelas citações é algo mais sério ainda. Creditar o merecido crédito a um autor que nos ajudou com um escrito seu é dever moral. 

E se não sabe disso, leva pau.

 

À enfermeira que aplicou "sem querer" a vaselina na garotinha que se condene à forca.

 

Ao doutor e seus ajudantes que pouco sabem sobre controle de fontes bibliográficas, e sobre creditar a outros autores seus devidos méritos, pedem paciência? Pedem tolerância?

 

O brasileiro tem que deixar de ser o povo do "deixa disso, deve ter sido sem querer".

 

Para mim, copiou sem citar fonte é plágio. E plagiarista tem que ser punido exemplarmente.

E esses autores que foram pegos no crime (intencional ou não, mas que foram considerados culpados, foram sim), que paguem, e que sirvam de exemplo.

Tem um monte, mas um monte, de pesquisador que adota essa escola do copy-paste-ladrão-de-referência-sem-citar-a-fonte-e-se-for-pego-digo-que-esqueci.

Desculpa velha.

Castigo neles.

A nossa Academia precisa ser a de um país sério. Primeiro. 

 

 

 

 

 

 

 

Sator Arepo Tenet Opera Rotas

 
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Cesar Alberto Hyssa Luiz

Prezado Sr. Criton Mendes.

O sr quer fazer com que a não citação de autores seja punida.

O bom disto é que no final de suas considerações o sr cita uma frase e não coloca o autor desta.

Como ficaria este caso?

 

Atenciosamente.

 
 
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Criton Mendes

Muito simples, senhor defensor dos plagiaristas:

1- A frase que eu menciono (em latim) é de autoria desconhecida. Contrário fosse, estaria li, claramente, o nome do autor.

2- Se fosse frase comum, de autor muito conhecido, pertencente ao universo dos leitores usuais deste blog, talvez não mencionasse o autor por ser óbvio. Diga-se, por exemplo: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena", que praticamente qualquer falante culto da Língua Portuguese sabe de quem é. 

3- Falo, aqui, em um texto informal. Não em uma revista científica que me dará créditos acadêmicos e vantagens. O texto que desenvolvo aqui não é normatizado, e tampouco sujeito a normas acadêmicas. Uma falta de referência aqui poderia ser considerada lapso porque meu comentário aqui não tem valor acadêmico. Aliás, eu não tenho que seguir normas acadêmicas aqui porque este não é um blog onde tais normais são reforçadas ou se aplicam. Aqui fala quem quer, como quer.

 

Ademais, não me venha tentar levantar cortina de fumaça com esse tipo de conversa mole.

 

Você está defendendo o mau-hábito: a postura "Chavo del ocho", do "foi sem querer querendo". 

Errou, errou. 

Puna-se.

Não é porque não houve má-fé que deixa de ser erro. Aliás, provar má-fé nem sempre é fácil. Algum advogado diga-o?

 

 

 

 

Sator Arepo Tenet Opera Rotas

 
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luiz c l botelho

Prezado Nassif

Somente plágios flagrantes são punidos .É claro que a industria de plágios subliminares é muito grande na ambito das publicações internacionais, especialmente em Teses de Mestrado e Doutorado  .É muito difícil separar entre o famoso argumento "serviu de inspiração" e de plágio facilmente detectável :aquele de  copiação pura e simples .Agora certamente utilizar abertamente dados e resultados sem referencia-los apropriadamente sempre merecem retratação dos autores , quando é o caso .Agora chegar ao ponto de  demissão ...me parece que fatos mais graves podem  ter ocorrido e não divulgados para preservar o "Bom nome da Instituição".

Recentemente tive um problema com o editor de um prestigioso jornal internacional em relação a avaliação de um artigo meu .Você não imagina os interesses e disputas pessoais que muitas das vezes prevalecem entre os grupos científicos e linhas de pesquisa e que afloraram nestas disputas acadêmicas .Mas coloco ao seu conhecimento , como exemplo ilustrativo ,  o prevalecimento do meu ponto de vista sobre a minha disputa com um Editor Professor Chines  Feng Qi da Revista Científica em questão , conforme e-mail  do  seu Editor em Chefe Prof Mostafa Salem  .

 

 

 
 

7

 

Dear Prof. Botelho,

I am writing regarding the correspondences between you and Prof. Qi. I
would like to express our deepest apologies for the language used by
Prof. Qi, and we hope that these communications will not affect your
relation with International Journal of Mathematics and Mathematical
Sciences or any of our journals in the future. We have already
contacted Prof. Qi expressing our concern, and would like to assure
you that such experience will not happen again.

Best regards,

Mostafa

--
******************************

*
Mostafa Salem
Editorial Staff
Hindawi Publishing Corporation
http://www.hindawi.com
*******************************

:

 
 
imagem de Julio1
Julio1

LN

Precisamos ter em mente, neste caso de demissão por plágio na usp, o contexto das lutas políticas internas da universidade.

O trabalho questionado tem como co-autora da ex-reitora, Sueli Vilela. O caso surgiu quando ela era reitora. Foi um "bafafá" entre os auto-denominados meritocratas, de um lado, e o grupo da reitora do outro lado.  

O atual reitor não estava em nenhum dos lados ( o candidato "meritocrata" da última eleição foi Glaucius Oliva, atual presidente do CNPq).  Mas Rodas encampou uma discurso extremamente violento, de faz e acontece. E essa demissão faz parte do circo que "faz e acontece".

O fato é que o demitido é um peixe pequeno. Sobrou para o mais fraco.  A universidade faz pose de que é intransigente na moralidade. Dá uma de  vestal da academia brasileira. 

Na mesma época, um pouco antes deste episódio, havia surgido o caso do plágio no Instituto de Física. Envolvia o diretor, Alex Sjanto Toledo. Caso sem dúvida alguma, é só olhar os artigos.  Muita conversa aqui e ali, comissão para tudo que é lado, deu em nada, pois o dito acusado é poderoso.  Depois, um membro do grupo então acusador foi acusado ( e de fato, provou-se a acusação) de plágio. Mais comissão aqui e ali, e não deu em nada, de novo.Tinha peixe graúdo na história. 

Agora sobrou para o mais fraco. Bode expiiatório.  

São cenas de uma universidade ( na qual estudei) decadente.  

Amem.

 

 
 
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Edson Joanni

Pena que este post está sem as imagens (de manhã estavam). Numa delas (a da parte superior) se vê claramente que os pesquisadores da USP recortaram parte de uma das imagens do trabalho original. Se a desculpa de troca de imagens já é difícil de ser aceita, o uso de recorte de uma delas mais ainda.

Re: O caso do plágio na USP
 

Milicos de pijamas não terão mais sossego em suas camas! Comissão da Verdade já!

 
imagem de Edson Joanni
Edson Joanni

Me corrijo: a foto que eu vi pela manhã está no comentário que o Mario Mendonça fez no post sobre o plágio do ministro alemão.

 

Milicos de pijamas não terão mais sossego em suas camas! Comissão da Verdade já!

 
imagem de Anonimo
Anonimo

Primeiro há uma inocente sendo condenada. Posto que, essa estava nesse meio para aprender, inclusive não fazer certas bandalheiras. A simples troca de foto numa hora dessa é mais condenável ainda. Há relatos de que essa jovem fez diversas exposições/seminários usando essas votos e com todos esses na plateia e nenhum a questionou de nada e essa foto é a coisa mais fundamental em toda essa pesquisa, pela razão mais simples: em ciência, sempre que for possível evitar isso não se usa porque isso  terá erros até  dos próprios aparelhos usados para tirar.

E a USP, se quiser mostrar um pouco de falta de vergonha, deveria publicar todo o processo para que se possa ter as informações mais completa.  Do jeito que a estão fazendo, transparece na medida para proteger alguém.

 
 
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Trazendo

Ver "Um caso de corrupção acadêmica",
http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=3792&id_coluna=93
e "Outro caso de corrupção acadêmica",
http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=3805&id_coluna=93

 

 
 
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Alberto Cordiviola

Nunca na história foi tão fácil plagiar..... nem tão fácil descobrir o plágio. 

Existe um programinha, se bem me lembro "farejador" que pega qualquer trabalho e determina se foi tirado da internet; com certos requintes, por exemplo: se mudou até 8 palavras e manteve o sentido, etc. 

Mas o que me parece fundamental é saber se a omissão de citação das fotos (ou em outro caso de texto ou qualquer outra coisa) retira o mérito científico da coisa. 

Tem autores que não fazem citações deliberadamente. Norbert Elias, por exemplo, não usa integralmente o texto mas usa as idéias. O faz tão magistralmente que suas obras têm a importância que têm. Por exemplo em "Sobre o Tempo" começa dizendo (cito de memória) "Um velho ancião me disse um dia: O que é o tempo? se ninguém me pergunta, sei; se alguém me pergunta, não sei". A sentença é por demais conhecida: Santo Agostinho "quid ergo est tempus? si nemo ex me quaerat scio, si quaerenti explicare velint nescio" em As Confissões. É evidente que isto não é plágio mas estilo. Todo mundo que já pensou algum dia sobre o tempo conhece a frase de Santo Agostinho. Não explicitar citação, em Elias, é um estilo. Em geral, sua obra não tem o seu mérito nas citações que, as vezes, omite. Quando é necessário, por razões científicas, ele cita fontes (Como em "Mozart; sociologia de um gênio").

Acho que a diferença entre plágio e esquecimento ou "estilo" está em tomar o mérito de um trabalho, ou parte significativa do mérito de um trabalho de outros, sem citação. 

Se realmente houve plágio - e todo leva  crer que houve, é fundamental que a USP exponha com a maior transparência do mundo o plágio, o processo, a defesa e a justificativa das punições. Para o castigo ser exemplar, a transparência se torna essencial. Se não, ficaremos sempre conjecturando sobre eventuais questões políticas ou inimizadas de qualquer tipo. 

p.s. o plágio é grave, mas é necessário saber também se o trabalho com ou sem plágio, foi importante. Tem muito lixo publicado que não é plágio e nem por isso é trabalho cientifico. Sei que este é outro assunto, mas é que muitas vezes uma "pesquisa" rende dezenas de artigos de uma espécie de "auto-plágio" freqüentemente de dezenas de autores. Isto também é grave.

Creio que um importante componente do futuro imediato do Brasil está na sua capacidade científica. Está na hora de parar de contar artigos, publicações, citações, mestres e doutores  e começar a pensar qualitativamente na produção científica do país. 

 
 
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Juan

Enquanto o trabalho ainda está em andamento e o texto ainda é um amontoado de idéias bagunçadas, fica difícil não se perder e confundir o que é meu e o que é citação. Por isso eu tenho todo um sistema que vai muito além das aspas, incluindo colchetes e outros símbolos. Tem que manter a numeração das páginas, prestar atenção para não jogar uma citação no meio das palavras de outro autor e depois confundir a autoria de um pelo outro.

Dá muito trabalho, mas, mesmo assim, é necessário.

Esse caso da reportagem, foi incompetência ou má-fé? Eu não sei, mas se as imagens estiverem no centro da argumentação e da pesquisa, acho improvável que seja apenas um erro inocente.

 
 
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Ana Dias

Se a punição foi para a pessoa certa ou errada, se foi exagerada ou não, eu não vou discutir (ainda que pense, como um comentarista já disse, que a corda arrebentou pro lado mais fraco e os figurões foram poupados, lamentavelmente).

Mas discordo com veemência desse parágrafo, Nassif: "Em muitos casos, perdem-se citações de parágrafos no meio da escrita, dando a impressão de que o autor se apropriou de ideias alheias."

Nassif, quando você vai escrever qualquer trabalho científico, você não pode "perder" citações. Desde o início você tem que ter um método (qualquer um) para marcar todas as citações, páginas, tudo. Você não pode descuidar disso em momento algum. Isso deveria ser o óbvio para qualquer pesquisador, e, me desculpe, mas isso não é tão complicado. Um mínimo de organização, disciplina e preocupação vai garantir isso.

Quando estamos orientando um trabalho, é fácil perceber quando o aluno copia algo sem citar. Ou o estilo do texto muda repentinamente, ou o texto cita coisas que o aluno não sabe explicar, ou, se eu desconfio, peço para o aluno me mostrar as pesquisas prévias ao texto, enfim... uma orientação mínima consegue detectar isso.

Pode passar uma coisa ou outra? pode. Mas figuras sem citação, é demais! porque as figuras estão deslocadas do texto. E de mais a mais,  se de fato você esqueceu, deixou passar, mas quer corrigir, você pode adicionar uma errata (no caso da USP) ou corrigir a versão final do texto (em outras instituições).

Concordo com os comentaristas acima. O plágio tem se tornado uma instituição na academia. As causas são várias, e a pressão pela "produtividade" das pesquisas, em termos puramente quantitativos, é uma delas. Mas isso não é desculpa para que não se puna o plagiador, porque o plágio prejudica a instituição científica - cuja legitimidade depende de sua credibilidade!

 
 
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luiz c l botelho

Prezado Nassif

De um comentador "O problema é que isto repercute de maneira muito negativa lá fora, pois isto é algo que é levado muito, mas muito a sério mesmo, na comunidade científica mundial. "

Pura Palhaçada de comentarista  colonizado de segunda classe !.Ninguém nem ao menos se importa com aquilo que aconteçe com a melhor entre as piores (Universidades   de Terceiro Mundo!) !.A propósito, em geral em situações de plágio menores como aparentemente este ocorrido  na USP e restrita a um único artigo , bastaria  uma retratação pública  dos autores e o constrangimento resultante aos mesmos .Ninguèm destrói um currículo com vários  artigos de pesquisa por um único erro de conduta .Agora se o artigo plagiado foi determinante para se conseguir fundos , bolsas e financiamentos , aí temos então a prática do crime para o peculato .Agora sim , estamos na presençade ilícitos penais .

A propósito, resenhas de artigos por Sociedades Científicas prestigiosas são protocolos extremamente importantes  para auferir-se a solidez de um artigo científico publicado .E citações nunca são confiáveis , além de serem  essencialmente políticas, como na Física  .E fatores de impacto são das Revista e Jornais científicos como um todo e é profundamento  aético extende-los aos artigos publicados individualmente e aos seus autores .

 

 

 
 
imagem de luiz c l botelho
luiz c l botelho

Prezado Nassif

O CNPQ e Capes utilizam muito o fator de impacto para qualificar artigos científicis publicados .Anexo portanto , uma descrição (em inglês!) deste protocolo de Rankeamento de JORNAiS CIENTÍFICOS :

EDITORIAL
Assignment of an impact factor to our journal
Yasutomo Fujii
 The Japan Society of Ultrasonics in Medicine 2010
This year an impact factor has been assigned to the official
English journal of the Japan Society of Ultrasonics in
Medicine. We are delighted that our journal can be internationally
recognized as important one in this academic
field. We would like to thank you all for your support.
In a given year, the impact factor of a journal is the
average number of citations of the papers published in
the journal during the two preceding years. In our case, the
2010 impact factor of our journal would be calculated as
follows:
2010 impact factor ¼ A=B
A = the number of times articles published in 2008 and
2009 were cited by indexed journals during 2010
B = the total number of ‘‘citable items’’ published in
2008 and 2009
The impact factor is often misused to evaluate the
importance of an individual publication or to assess an
individual researcher. This does not work well, because a
small number of publications are cited much more than the
majority, and thus the importance of any one publication
will be different from, and in most cases less than, the
overall number.
How should we use an impact factor? The impact factor
is used to compare different journals within a certain field.
Because the impact factor of a journal may reflect the
number of readers, researchers will submit their work to
journals that have a larger impact factor. Thus, a higher
impact factor brings more submissions, leading to
improvement in the quality of published scientific work. A
larger number of higher-quality submissions will reduce
the workload of referees. This is an excellent ‘‘cycle’’ not
only for a journal but also for readers, including
researchers.
Our journal has not yet adopted editorial policies
designed to increase its impact factor. Some strategies may
be necessary to achieve such a goal. These strategies may
not solely involve improving the quality of published scientific
work. Because review articles, which generally are
cited more than research reports, can raise the impact factor
of the journal, a larger percentage of review articles will be
published. Several methods, not necessarily with nefarious
intent, enable a journal to cite articles in the same journal,
which will increase the journal’s impact factor.
Finally, the editorial board welcomes more submissions
of your work for publication, and hopes that a larger impact
factor will be assigned to our journal and be cited on
MEDLINE in the near future, which will help not only our
journal but also researchers in the field of ultrasound
throughout the world.
Y. Fujii (&)
Department of Clinical Laboratory Medicine,
Jichi Medical University, 3311-1 Yakushiji, Shimotsuke,
Tochigi 329-0498, Japan

 
 
imagem de Alex Noise
Alex Noise

Estou constatando outro problema em uma dissertação de mestrado na FOUSP: o mestrandoz simplesmente encheu o trabalho com citações, e nunca sintetizou o seu entendimento de nada. A coisa é tão absurda, que em dado momento REPETE uma citação já utilizsada. Além disso, entre outros absurdos, modificou a proposta do trabalho, assumindo como propósito algo cuja pesquisa foge completamente ao objetivo da pesquisa proposta, sem qualquer relevância. Grande parte do trabalho é constituído de análise estatística, sem relevância... Menciona por meio de citações os requisitos para a elaboração de um Objeto de Aprendizagem, mas não os observa quando elabora o seu próprio...

Querem ver?

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/23/23132/tde-28042009-115111/pt-br.php

Eu pensava que a USP fosse séria...

 
 

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