Nossa página está em teste e sua contribuição será valiosa.
Participe com sugestões e auxilie na construção.
Relacione aqui sugestões e problemas que tenha encontrado. Esse espaço também é seu!
Nossa página está em teste e sua contribuição será valiosa.
Participe com sugestões e auxilie na construção.
Relacione aqui sugestões e problemas que tenha encontrado. Esse espaço também é seu!
|
|
|
Brasilianas.Org |
|
O carnaval e a apresentadora da ParaibaEnviado por luisnassif, ter, 08/03/2011 - 23:14
Por Alarcon
Tem RBS em João Pessoa? Pois acabamos de achar a Prates da Paraíba! Não sei o que ela está fazendo por nossas praias, podendo colocar uma máscara (ou tirar essa) e passar seu carnaval europeu em Veneza... com o Mainardi! Ai, ai, ai. Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Os chineses já jogavam uma coisa bem parecida com golfe há 2.000 anos, nem por isso o golfe de hoje é considerado chinês. A briga na Bahia, por exemplo, é limitar o confisco do espaço público - e os camarotes de luxo podem ser inclusive um ótimo caminho nesse sentido -, coibir abusos e atacar segregações e preconceitos. No mais ela só falou besteiras de quem não conhece o que é mobilizado de gente, técnicas mais avnçadas que as usadas em muita empresa de tecnologia na gestão de projetos e processos, logística urbana de alto nível, tecnologia em quase todas as áreas possíveis (acústica, mecânica, telecomunicações e muito mais). Tem empresas gigantes do mundo inteiro que vem aqui aprender as soluções quase mágicas desenvolvidas para os mais diversos problemas. E ela está falando de muito mais que uma festa esta abestada. Ela está falando de um expressão das mais importantes de identidade de uma nação inteira, de uma economia completa, de uma indústria cultural inteira, de uma rede imensa de micro, médio e grandes empreendedores, de promoção da imagem de regiões e do país inteiro e, enfim, de queira-se ou não um dos maiores empreendimentos humanos do mundo. Ela disse que já gostou do carnaval mas com certeza nunca entrou num galpão de escola-de-samba nem assitiu e megamobilização para a produção, logística urbana de alto nível. Ela que vá colocar 3 milhões de pessoas soltas na rua em 10km de avenida na Suiça, em Londres, em Nova York e depois vá contar os cadáveres. Não é à toa que nos chamam quando precisam. E precisa saber também que depois que o carnaval acaba, o carnaval continua e não mais pelas outras cidades do Brasil mas pelo menos da Europa quase inteira. E não são só os músicos que são importados daqui, eles levam o pacote da tecnologia inteira, que é bem grande. Será que ela assistiu quem puxou as maiores comemorações da maior festa que a Espanha tem notícia com La Furia Campeã do Mundo? Seria que ela viu 1 milhão de pessoas na Rambla (que não cabe nem 250.000. Ou não conseguiu ligar o nome Carlito Marron à pessoa do Brown. Mas era ele e centenas de profissionais que ele leva daqui e tecnologia que ele leva daqui. E, o mais importante, aquilo lá começa aqui. E agora. Além, também, e não menos importante um tiquinho que seja, da explosão de alegria em êxtase de um povo. Orgasmo (literal ou metaforicamente) é bom e eu gosto. Ela devia experimentar um dia.
Faça seu login e aproveite as funções multímidia!
|
Comentários + votados
1
-
Ivan Moraes
08/03/2011 - 23:40
Discordo frontalmente do item. A mulher esta certa. Se em 20 anos de Brasil eu so consegui ir em uma "festa de carnaval" porque nao cobrava das criancas, entao tem coisa muito errada com...
5
2
-
Matheus Lahm
08/03/2011 - 23:45
Concordo totalmente com a apresentadora!
Seus comentários vão no sentido oposto dos feitos pelo apresentador catarinense.
Matheus
5
3
-
Celso_51
08/03/2011 - 23:47
Tudo muito bem, tudo muito bom.
O carnaval é ótimo !!!
Exportamos a tecnologia do carnaval ! Mas ??
Quanto de dinheiro público tem neste orgasmo fenomenal, hem ??
Dinheiro que, pelo que me consta,...
5
4
-
Fuhgeddaboudit™
08/03/2011 - 23:59
Olha, ......... a intenção foi boa, mas, (i) se, como eu, assistiu, "de grátis", em pé, em cima de um caixote, em 1963, em plena Av. Presidente Vargas, no Rio, o SALGUEIRO ser...
5
5
-
esquiber
08/03/2011 - 23:59
O post é uma tentativa de desqualificar os argumentos da jornalista que tem consistência em muitos pontos da abordagem corajosa que fez sobre o carnaval que é um negócio que fatura milhões, é...
5
6
-
dirval
09/03/2011 - 00:06
Nassif, a apresentadora está absolutamente certa. Pagar R$.800,00 por um abadá, um simples pedaço de pano para ter o direito de "ser feliz" é justo? Um "cordeiro", desdentado, sem teto, ganhar R$.10,...
5
7
-
Victor Saless
09/03/2011 - 00:28
Mais uma vez a maior parte dos comentaristas reduzem o carnaval ao de Salvador. O Brasil é bem maior que isso e suas manifestações culturais carnavalescas também. Lazer e cultura também são direitos...
5
8
-
Ed Döer
09/03/2011 - 00:44
Injusta a comparação com o Prates, a mulher está coberta de razão.
Digo mais, existe tanta cultura e identidade nacional nesse carnaval criticado pela apresentadora quanto existe de...
5
9
-
Barbosinha
09/03/2011 - 00:44
Ela está correta quando diz que o carnaval virou uma indústria de distribuição de álcool. E mais: eu acrescentaria de entorpecentes, que vai do lança ao crack. Leiam o que saiu no blog "Acerto...
5
10
-
peppersjk
09/03/2011 - 00:55
As considerações da apresentadora não tem em nada semelhança com o Prates.
As considerações dela são na maioria bem ponderadas e corretas. Principalmente com relação às ambulâncias, atendimento...
5
11
-
socram pb
09/03/2011 - 01:20
Os comentários da apresentadora não tem nada a ver com os do Sr. Prates.
Acho que são pertinentes e bem articulados.
E sobretudo ela exerce o direito a opinião. Ela pode gostar de carnaval mas...
5
12
-
Ricardo Medeiros
09/03/2011 - 01:22
A apresentadora está certa ! Prates sim é idiota. ESta mulher falou a pura verdade... e sem falar no desvio de verba das prefeituras para contratar shows superfaturados...
5
13
-
Derli
09/03/2011 - 02:35
Concordo plenamente com a apresentadora.
Quem ganha com o carnaval?
Aqui em Recife-Olinda, a cada carnaval são depredados em média 200 (duzentos) ônibus.
As prefeituras desmontam as paradas de...
5
14
-
jclop
09/03/2011 - 02:53
Quase tudo na vida, se peca pelo excesso, no caso, os excessos do carnaval e o da apresentadora....
5
15
-
Webster Franklin
09/03/2011 - 03:52
O evento carnaval beneficia muitos brasileiros, como o turismo e toda a cadeia produtiva, como agências de viagens, hoteis, pousadas, restaurantes, taxistas, pequenos comerciantes, além da...
5
16
-
Melanor
09/03/2011 - 05:09
Acho que o pessoal está analisando o carnaval pela ótica errada, acredito que o carnaval tenha muito mais sentido emocional do que racional.
Não sou carnavalesco, mas porque não podemos ter os...
5
17
-
Webster Franklin
09/03/2011 - 05:23
Quanto ao preço do Abadá de R$ 800,00 está barato para os gringos tanto da zona do Dólar como do Euro, o equivalente a 485 dólares e 380 euros aproximadamente, com direito a show ao vivo, ...
5
18
-
Augusto Pinheiro
09/03/2011 - 05:57
A apresentadora não está de todo equivocada, principalmente no que diz respeito ao acesso da população em geral aos eventos subvencionados pelos governos e, ainda, quanto ao direcionamente de...
5
19
-
paulo raimundo
09/03/2011 - 07:00
estou de acordo com a apresentadora . aqui no rio de janeiro houve um incendio em barracões de algumas escolas de samba.e na mesma semana a prefeitura liberou 4 milhões de reais de dinheiro publico....
5
20
-
Castello
09/03/2011 - 07:51
A jornalista esta coberta de razão, estão nos manipulando e nós estamos aceitando.
5 Carregando
Posts de hoje
Mais Lidos da SemanaTagsBanco do Brasil
bancos
banda larga
Bolsa Família
Bresser-Pereira
capitalismo
Casa Civil
Cidades
Crise
crise mundial
desemprego
Dilma Rousseff
Economia
Educação
Educação
Folha
Gestão
Gestão Pública
Habitação
impostos
investimentos
IPEA
moradores de rua
municípios
Mídia
oposição
PAC
Política
Políticas Sociais
Software
São Paulo
Tecnologia
telebras
Universidade
Universidades
|
Discordo frontalmente do item. A mulher esta certa. Se em 20 anos de Brasil eu so consegui ir em uma "festa de carnaval" porque nao cobrava das criancas, entao tem coisa muito errada com o carnaval brasileiro. Nao, isso nao passa nao. Eu passei a infancia inteira olhando pras paredes em Belo Horizonte, e nem no carnaval eu tive qualquer break de ninguem. A mulher esta certa. O artigo acima, erradissimo.
"Expressao de identidade nacional" merda nenhuma. Eu a vi. Infelizmente eu a vivi.
Exploracao dos pobres, isso sim. Nao estou clamando que sou regra, estou clamando que minha vida nao eh descartavel e minha experiencia pessoal vale mais pra mim que todos os depoimentos do mundo: tenho zero identificacao com carnaval, futebol, samba. Nao sou brasileiro. Nunca tive incentivo pra ser. E estou ABSOLUTAMENTE PUTO.
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
Bem vindos a 1984! O Grande Irmão Nassif nos observa e manipula a todos.
Finalmente uma luz me ilumina a percepção (...passou!...era somente um vaga-lume – pirilampo – e já me encontro mais uma vez sob as habituais trevas que me envolvem diuturnamente...). Mas é assim que ele me mantém viciado e eu abandonei meus 04 e tantos blogs e não consigo mais sair daqui. Sendo ele quem é, portando a história que importa, e estando eu, como já disse, “drogatito”, dependente químico, físico, espiritual, intelectual, psicológico e digital deste (nunca vi essa palavra se aplicar tão bem) domínio, aceito a provocação “polemista” (a menos que seja expulso tão por isso quão pelo o contrário e por ambos) a provocação daquela mão midiática que manipula as cordas que fazem esta marionete que vos escreve se mover. Descobri que os posts “imperialistas miseráveis” de AA não são tão “miseráveis imperialistas” mas que o meu senhor e mestre Nassif escolhe tão somente os mais”miseristas imperialáveis” para “subir”. Mesmo que no caso de AA, seja quase impossível (exceto quando sobre acarajé) separar uma coisa de outra, se é que a outra existe. Peço aos amigos, visto ser muito feio o que faço ao falar mal de um ausente, informar ao André Araújo que eu acabo de xingá-lo brutalmente (mesmo ele não tendo nada a ver com o aqui posto, digo post) e convocá-lo para que este possa vir juntar-se a vós no meu linchamento público e humilhante. Ao onimedia Senhor Nassif não precisam avisar visto eu nem tê-lo xingado o devido e merecido e visto ele tudo saber, tudo ouvir, tudo ver e tudo comandar. Aliás talvez mesmo eu esteja tão somente, em verdade, psicografando o que tal espírito maquiavélico já há semanas me prescreveu.
Aproveito, também, a oportunidade para convocá-los, também de novo e ainda mais uma vez, a todos para intensificarmos a sova e sem dó nem piedade descermos o mais pesado malho neste tal Alarcônico, esta antológica anta ao “cúbico”, merecedor dos mais rijos cilíndricos porretes à sua minúscula e vazia cabeça, cuja qual tantas ignomínias por si escritas tem escritas ao topo da página, e tanto nos indigna e nos causa perplexidade frente a tamanhas abominações.
Uma criatura, este tal Alarcônico, forma de vida tetraédrico-forme, baseada no carbono, a quem nem podemos chamar de humana de tão disforme, desencontrada, dual, que ora diz uma coisa e já no segundo seguinte a contesta. Uma quasi-pessoa tão ambígua que vive sob constante apedrejamento, perdendo amigos e ganhado inimigos, por atacar incessantemente com todas as suas forças e energias a todo o modelo e estrutura da maior festa de sua cidade e comete o despautério de vir aqui, a este nosso sacrossanto e imaculado fórum, vir desdizer fernandohenriquecardosa-mente tudo que outrora escreveu e defender descaradamente tudo e o todo da tal festa nefasta cuja estrutura e modelo diz tanto combater. E ainda desancar grosseiramente tão nobre (e lindinha mesmo) jornalista da não menos linda terra do Tambaú-y (o y é tão somente para evitar o inevitável das rimas impropérias que virão imediatamente ao pensamento das senhoras e senhores para adjetivar o tal Alarcônico)! Um absurdo!
É assim, outrossim, que me vejo obrigado a transcrever aqui algumas posições sobre o o tal carnaval importadas do mesmo debate original (e quiça de outros) de onde este texto foi extraído (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/video-exclusivo-racismo-faz-marcio-victor-do-psirico-soltar-o-verbo) – e extraído quedou-se parcialmente descontextualizado – defendidas por um homônimo deste “verme da Alarcônia” que doravante não podemos cessar sequer um minuto em combater. Faço isso, antes mesmo, de entrar no mérito que passa a ser o do debate presente, sobre a apresentadora e suas posições quanto ao carnaval, visto ver os textos importados como concernentes ao mesmo tema. Comprimi os parágrafos e “negritei” suas aberturas.
---------------------------------------------------------------------------
T e x t o 01
O Carnaval separatista da Bahia, paradoxalmente enriquecido e enriquecendo todos a partir das raízes da gente da terra, transformou minha cidade, orgulhosamente a maior cidade negra do mundo fora do continente africano, na maior vergonha do Brasil como a cidade mais racista do país. Sinto morto o velho "orgulho de ser baiano". Pois sendo "galego" (apesar de nenhuma ascendência da Galícia) não sei ser nem me sentir outra coisa senão baiano brasileiro. Não posso olhar meu mar sem enxergar Angola na outra margem e dentro de mim. Da minha ascendência europeia pouco cuido e menos sinto. O que sinto é o que sou e o que sou vem da mistura de minha gente, com o perdão da imodéstia, mistura única no mundo. Ou encaramos a verdade de frente, apesar de toda a pressão dos imensos interesses por trás da festa, ou vamos continuar alimentando a hipocrisia que alimenta a chaga aberta no coração da Bahia que o Brasil não conhece e a própria Bahia finge que não vê. Numa Bahia cada vez mais dividida onde até o Recôncavo, berço de tudo o que somos, foi exilado de Salvador. A maioria das grandes avenidas de Salvador - as que não se chamam Magalhães (e apesar da crítica velada nisso, fica aqui minha única nota positiva, muito positiva por sinal, em relação a ACM que tratava aos pontapés - como deve ser tratado - esse tipo de coisa, principalmente quanto ao desrespeito ao Candomblé) - têm nomes de grandes engenheiros, médicos, juristas todos negros ou mulatos baianos das décadas de 10 a 70. Hoje não é possível contar nos dedos de uma única mão o número de negros tão destacados ou reverenciados assim, em áreas fora da música e, mesmo na música, os protagonistas sempre são reduzidos a coadjuvantes. Numa conversa inesquecível enquanto passeava com o amado Profº Cid Teixeira, aos 90 anos à época, maior historiador da Bahia, ele me abriu os olhos: "filho, a mecânica mercantilizada sem controle do carnaval empurrou o negro para o tambor e ele foi e, hoje, só lhe resta o tambor, nem mesmo o carnaval lhe permite protagonismo algum...". Sábias palavras de quem conhece a fundo a história do ontem, do hoje, do amanhã e do sempre da minha terra. Será que ninguém se espanta no país inteiro com o fato de que na própria música ligada ao carnaval, animicamente nascida e nutrida pelo nosso ventre negro, todas as musas (e musos) - sem nenhum demérito ao talento das nossas grandes artistas "morenas e galegas" - todas as musas são brancas, todas as musas da cidade 70% negra? O sagrado Candomblé da Bahia, a fé mais bonita que conheço, e o elemento essencial de resistência, afirmação, independência e consistência cultural não só da raça negra mas de toda a raça baiana, brasileira, que é nossa humanidade, o Candomblé da Bahia vem sendo estuprado e maculado todos os dias. A Bahia já foi diferente e destruída no seu mais belo por alguns fatores essenciais: I) A desqualificação da escola pública que criou contingentes escolares bem definidos entre escolas "europeias" e "africanas"; II) A mercantilização perversa do carnaval que já iniciou sua transformação em mercado (um mercado importante mas totalmente equivocado na modelagem das suas bases econômicas e normatização por parte do Poder Público) como apartheid com as velhas fichas de cadastro com foto dos grandes blocos que priorizavam as fotos "mais claras" e precisou ser derrubada a tapa pela lei e o esforço do vereador e amigo Javier Alfaya, mas cujos "princípios" recrudescem na "paulistização" maníaca dos grandes blocos (por favor, os paulistas estão usados aqui didaticamente representando os turistas do carnaval, mas não têm culpa nenhuma nessa história!), sem falar na marginalização e "expulsão" dos blocos afro do circuito do dinheiro; III) Pelo preconceito religioso que já existia mas ganhou um impulso hecatômbico, virulento, odioso e brutal, no início principalmente, da maré evangélica; IV) Pela imbecilidade generalizada que se recusa a rediscutir o carnaval e os outros temas, sendo o carnaval o mais factível de ser resolvido sem maiores prejuízos e satisfatoriamente no curto prazo; V) Pela seletividade (esse já um mal nacional) conveniente no cumprimento das leis, leis como a Afonso Arinos. E a urgência da necessidade de passar e fazer cumprir as formas legais mais rígidas possíveis tanto contra ação e não menos contra o discurso "fóbico" de qualquer fobia seja homofobia, racismo, de gênero ou outra qualquer. Enquanto as algemas não se fizeram brilhar, nosso brilho como povo continuará esmaecendo.
“Triste Bahia! Ó quão dessemelhante / Estás e estou do nosso antigo estado! / Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, / Rica te vi eu já, tu a mi abundante. /// A ti trocou-te a máquina mercante, / Que em tua larga barra tem entrado, / A mim foi-me trocando, e tem trocado, / Tanto negócio e tanto negociante. /// Deste em dar tanto açúcar excelente / Pelas drogas inúteis, que abelhuda / Simples aceitas do sagaz Brichote. /// Oh se quisera Deus que de repente / Um dia amanheceras tão sisuda / Que fora de algodão o teu capote!” - Gregório de Mattos e Guerra (Bahia, Século XVII).
---------------------------------------------------------------------------
T e x t o s 02 e 03 – C o n d e n s a d o s
O problema do racismo é imensamente maior. / Mas o modelo do carnaval foi um dos grandes motores - entre muitos outros é claro - da piora, e pode ser um dos grandes motores da reversão do quadro. / O Carnaval tem um poder imenso aqui. / Muito maior que a festa e do tamanho do ano inteiro, todos os anos.
(...)
"O carnaval" VIROU "uma festa insultante, racista, anti-pobres." / Mas tem volta. E rápido. Para se tornar exatamente o oposto. Um celebração da afirmação, diversidade em comunhão, como já o foi. / Mas tem que ser a fórceps pois os donos do carnaval não querem abrir mão de meio milímetro de chão nem privilégios. / Há muito tempo o comportamento policial vem melhorando. / Muito a caminhar mas se estreitarmos a corda a avenida alarga e garanto que a polícia vai parecer ainda mais mansa e, com certeza, menos tensa. / Contudo, a questão do espaço vem piorando sem parar há 10 anos. / O domínio midiático por muito poucos vem matando a imensa diversidade da festa. / Elogiei a ACM na questão do Candomblé mas no todo o resto seu domínio completo sobre o quintal Bahia foi nefasto - quando você tem o Poder Público, a televisão, as rádios, gravadoras tudo nas mãos de um mesmo grupo que precisa valorizar certos "produtos" culturais, a segregação classificatória acaba acontecendo, mesmo se forem pessoas sérias, por inércia, e a cultura inteira e a sociedade inteira perdem e a maior parte acaba sendo excluída. / Isso está na raiz do que aconteceu. / O carnaval nasceu elitista há 50 anos mas quando começou a se tornar grande passou por um período em que a convivência chegou a ser muito bonita de se ver. / Os blocos afro, por exemplo, disputavam o mesmo espaço dos demais, os blocos fechados eram mais estreitos e, por isso, a avenida ficava mais larga e você via de tudo no carnaval e era uma riqueza só. / Outro fator está na organização por trás da festa e a eterna e normal negociação entre Poder Público, a Indústria do Carnaval e Sociedade. A Sociedade acabou totalmente alijada do processo. / Existe, por exemplo, ordem definida na saída dos blocos e havia só um circuito (Campo Grande - Castro Alves). / Ficou definida a ordem por antiguidade em geral. / Mas aqui juntamos vários fatores em grande parte advindos da concentração de poder (aliás origem de quase todos os males). / A música baiana explodiu e passamos a ter uma indústria fonográfica local muito ligada às rádios. Isso foi muito bom no começo pois o dinheiro gerado pelo talento local passou a ficar mais na terra. / Mas depois houve o afunilamento e esse dinheiro “local” se concentrou, e o número de estrelas diminuiu ou passou a viver à sombra das mega estrelas. / Em paralelo, blocos começaram a comprar blocos e a ordem de saída também começou a privilegiar um grupo muito fechado. O mesmo das mega estrelas. Que gravavam com as gravadoras muito ligadas quando não pertencentes ao mesmo grupo que detinha o poder político. / As cordas foram alargando e a avenida estreitando. / Chegaram os turistas em massa com dinheiro, o que acabou preterindo os soteropolitano pela subida de preços já que chega-se a um ponto em que a avenida não "alarga" mais. / Nascem os blocos alternativos que acabam fugindo do circuito tradicional para a Barra onde moro. Aliás moro "dentro" do Carnaval. Mas esses blocos eram sub-blocos dos grandes blocos e o circuito alternativo com as maiores estrelas acabou virando principal. / E usamos o mesmo critério de antiguidade, mas específica ao circuito. / Os blocos ricos que chegaram primeiro à Barra acabaram dominando "historicamente" o pedaço. E os afro e tradicionais ficaram no outro circuito que foi empobrecendo, empobrecendo, e esses blocos saindo cada vez mais tarde. / Hoje temos vários apartheids superpostos. De espaço, de tempo, e econômico. / Mas isso é reversível até porque o carnaval está se tornando muito feio, sem variedade, como se fora uma fileira de blocos todos iguais de meninos uniformizados. Só que todos bêbados (isso não tem a mínima importância na história). / Escrevendo aqui sei que não consegui ser muito lógico ou organizado. / Pretendo fazê-lo melhor com mais tempo e jogar à discussão. / É verdade que há blocos de todos os tipos, nas variadas faixas de preço. / Mas isso deixa de valer como argumento já que todos os blocos não têm as mesmas vantagens. / Eu ainda consigo fazer meu carnaval livre (eu só entro em camarote ou bloco como ponto de encontro - ou de namoro - rs), banheiro e fôlego e banho de mar às vezes, por não mais de meia hora porque acho muito chato e ainda consigo ver e viver aquele carnaval utópico acontecendo. / Mas em ilhas de fraternidade muito específicas. / A história é complicada mas a solução pode ser bem mais simples do que parece. / Basta vencermos - simples não quer dizer fácil - a mesquinharia de alguns poucos muito fortes. / Os tão criticados camarotes podem, ao contrário do que se diz, ajudar muito por que oferecem o luxo a partir de áreas privadas à margem da Avenida e podem liberar o espaço público. / Mas os "Donos da Festa" (e da cidade durante a festa) não abrem mão de nenhum milímetro em nenhum dos dois espaços. / E nisso está a luta, a bandeira, a guerra e a chave para fazer a maior festa do mundo voltar a ser a maior festa POPULAR do mundo no sentido pleno. / Só é preciso boa vontade. Boa vontade, é claro, que só veremos acontecer debaixo de pancada. E por isso vamos à luta.
---------------------------------------------------------------------------
T e x t o 04
CORDA: 75% do problema; 100% da solução. / Os acima do bem e mal, que têm mesmo farinha no saco e não só dinheiro, como Margareth, Daniela, Brown (que fora isso é responsável pela recuperação da dignidade de um povo e um bairro imenso) e alguns outros, ganham seu "dindin" mas atocham nas negociações superiores e dão um jeito de sair sem corda, com toda a megaestrutura mas sem corda. / E são momentos de grandiosidade do carnaval. / Além dos afro que todos têm imensos projetos comunitários a si integrados. / O resto precisa ser enforcado na própria corda. / Já ouvi um contra-argumento de que xizinho ou ípsolonzinho então iria para outro carnaval./ É muita arrogância! / Morre um, nascem vinte. Temos talentos a rodo sendo implodidos por não poderem explodir. / Isso eu disse à época. / Mas na verdade os 20 já estão na fila há muito tempo, esperando a fila andar, essa fila que não anda. / Enforcar xizinho e ípsolonzinho na própria corda é a solução para a fila andar e crescer ao mesmo tempo, com espaço para todos, vigorosa, bonita.
---------------------------------------------------------------------------
T e x t o 05
O problema é que a concentração da mídia em poucos ofusca e mata e toda essa produção cultural imensa fica reprimida, contida ou é cooptada e desviada para o Som de Meia Nota só. / Há movimentos e artistas libertadores renascendo a região para o mundo. / Mas ainda muito longe de conquistar o espaço devido. / A música baiana homogeneizou, pasteurizou. / Existe muita variedade mas você tem ir buscar nos guetos ou fora de Salvador.
---------------------------------------------------------------------------
A G O R A V O L T AN D O A O D E B A T E E M F O C O:
No mais, tenho a dizer que é preciso, mais uma vez, tomar a experiência individual como verdade absoluta, nem homogeneizar lugares e épocas.Concertar o Carnaval não pode ser assassinar o Carnaval. Diminuir a relevância denegrindo a festa em si e não seus algozes é também de um elitismo superior pseudointelectual cego. Se o carnaval nasceu na Europa pouco importa. Tudo o mais, exceto o indígena, nasceu na Europa ou África ou alhures. O samba é africano, a bossa-nova estadunidense, o forró muito de português, talvez somente o Choro seja mais nacional. Mas estamos no Novo Mundo. O idioma, a cozinha, a música, o carnaval brasileiro e tudo mais, tenham nascido onde quer tenham nascido, se transformaram e renasceram maiores e mais fortes e diferentes, pela mistura, e são essencialmente, exclusivamente, totalmente brasileiros. Invenção brasileira, da raça humana brasileira.
E não é possível transpor a experiência do carnaval de Belo Horizonte para Salvador, ou para o Rio de Janeiro, ou Recife, ou o Amazonas, ou São Paulo. São realidades, raízes, processos histórico-culturais absolutamente diferenciados uns dos outros.
E isso empresta ainda mais grandeza à imensidão de uma cultura mega diversa, e à expressão da identidade nacional das mais fortes sim. Como o futebol.
O carnaval de Salvador sempre foi “pulado' na rua, por todos indistintamente, sem dinheiro nenhum. Por décadas acho não ter existido no planeta inteiro nenhuma expressão sequer parecida ou comparável de confraternização humana livre e harmônica na diversidade.
Como tudo que nasce da alma popular, o capital chega e traga e suga para si, absorvendo, distorcendo e excluindo.
Mas é preciso sim controlar essa voracidade destrutiva do capital (aproveitando ainda sua participação que quando sob controle só complementa com sustentabilidade econômica a expressão espontânea), controlar o capital e não matar a alma popular.
O discurso “panis et circensis” é também improcedente, pseudointelectual, elitista, fascista e “'Prates'ziano sim! Quem não tem comida não pode ter carro nem se divertir? Isso é por demais obtuso. São 05 dias de explosão para 360 de labuta!
Historicamente o povo misturado brasileiro foi convencido para si mesmo de ser sub-raça, inferior, segunda classe. Um padrão de raciocínio diabólico que contamina a todos. Cito aqui, enquanto se espanca Monteiro Lobato, um exemplo do poder dessa subautomitificação nas palavras de um brasileiro Gigante e um Gigante do abolicionismo que ainda assim não livrou-se incólume da contaminação e chegou a desejar “aprimorar por vias 'caucasianas'” sua própria raça superior e, sem saber, mostrou desdém por outra raça ainda. Ele não é em nada menor por isso. Mas que sirva de exemplo do poder da praga que ainda hoje nos viola:
---------------------------------------------------------------------------
“...atraída pela franqueza de nossas instituições e pela liberdade de nosso regime, a imigração européia traga, sem cessar, para os trópicos uma corrente de sangue caucásico vivaz, enérgico e sadio, que possamos absorver sem perigo, em vez dessa onda chinesa, com que a grande propriedade aspira a viciar e corromper ainda mais a nossa raça” - JOAQUIM NABUCO (O Abolicionismo. 5. ed., Petrópolis, Vozes, 1988, p. 170).
Durante mais de meio século de subserviência a este raciocínio, foi em grande parte o futebol e o carnaval que ajudaram a segurar um mínimo de autoestima nacional até que esta pudesse ser nutrida e, finalmente emergir (SOMENTE AGORA, E OLHE LÁ) e pudesse emergir para um patamar de autoestima mais elaborado e consistente que ainda estamos começando a experimentar.
---------------------------------------------------------------------------
“A G E N T E N Ã O Q U E R S Ó C O M I D A” - Arnaldo Antunes.
---------------------------------------------------------------------------
Não sei se poderei porque agora começa a melhor hora do carnaval e isso não perco. É a rebarba, ressaca, as “raspas e restos” que é o que mais me interessam. E devo voltar “chumbado”. Mas tentarei voltar para apanhar bem mais e ajudar a todos a baterem em mim mesmo e nesse tal Alarcônico cilíndrico ou sei lá o que é isso.
---------------------------------------------------------------------------
“A G E N T E N Ã O Q U E R S Ó C O M I D A” - Arnaldo Antunes.
PS:
O que mata é arma ou o ato de dirigir bêbado. Não o carnaval.
E o que engravida é sexo a depender de como é ou não feito. Não o carnaval.
Trio Elétrico jorra som e não cerveja nem sêmem.
Os controles de cada um e sobre todos são um problema para resolver e não um Carnaval para destruir.
Alarcon,
Li seus comentários no post anterior e a maioria achei excelentes. Abaixo comentei sobre o evento carnaval e a influência na indústria do turismo, criando trabalho para muitos brasileiros. Discordo em grande parte do que disse a jornalista de JP, quanto as mazelas que ocorrem no carnaval são provenientes da desorganização do evento e da ausência das diversas autoridades do estado que requer um evento desse porte. Para mim o Brasil perde em parte uma ótima oportunidade de ampliar o turismo no país, a exemplo do que fazem diversos países incrementando e divulgando suas culturas e desenvolvendo o turismo.
Em outros países qualquer fato histórico se transforma em museu como um simples seriado do filme bonanza no início da década de 60, filmado numa fazenda do Canadá e transformada em museu de cêra com os atores do filme. E haja visitação de turistas, emprego e dindin para os Canadenses!
webster franklin
Alarcon (e outros q "falam" - comentam - usando textos de 3os. para justificarem sua opinião),
colega, não daria pra vc escrever COMENTÁRIOS de "punho próprio" ao invés de colocar textos alheios pra falar por vc?
a graça da discussão está em saber a opinião pessoal, não a leitura de textos integrais de 3os. de um comentarista para outro... cada coisa estranha q a gente vê por aí...
tem comentário q, d tão grande, tem de pular umas duas telas, SEM UMA PALAVRA PRÓPRIA DO COMENTARISTA.... haja!
se o texto é colocado em "fora de pauta" ou "clipping do dia", o critério é outro (e aí, sim, cabem textos maiores), mas comentário usando cópias integrais de texto, não tem a mínima graça!!!
aliás, este seu comentário ao texto sobre a moça da tv só faltou ser dividido em capítulos, DE TÃO GRANDE, e fiz questão solene de NÃO ler (só faltou colocar o texto todo em negrito, como fazem alguns comentaristas para destacar seu texto como o mais importante do blog)...
se der tempo, depois de ler todos os outros comentários talvez me digne a perder um tempo precioso lendo textos de 3os. para justificar SUA opinião.
voltando ao ponto inicial, se está postando um comentário, a opinião é sua; escreva o texto vc!!!
(e coloque o(s) link(s) caso queira justificar um ou outro ponto mais controverso).
É preguiça de ver onde estão os argumentos-chave no texto original ou falta de habilidade em escrever e argumentar mesmo?
Esta situação me lembra aquele povo mediano de humanas (eu era de "exatas"; só depois é q me aprofundei um pouco mais em "humanas") q numa discussão não tinham opinião própria, só ficavam discutindo referências (trechos e nomes de autores).
Acho q esse povo pensava q qto mais referências tivessem, mais capacitados a discutir E IMPOR UMA OPINÃO estariam...
Nossa, q canseira, q brochante (intelectualmente falando) esse tipo de discussão!!!
Agora, qdo a gente discutia com feras da área (nem todos - exisitiam os formais - mas a grande maioria dos "ban ban ban" era mais "descolada" de referências), as conversas eram muito mais ricas, polêmicas, e, engraçado, quase isentas de "trocentas" referências (mas, lógico, sabendo reportar a fonte, se necessário).
Que diferença, não?
("conversar" aqui no blog é uma coisa, escrever um artigo técnico ou tese é outra - aí sim cabíveis as referências pertinentes)
se algum outro colega perguntar ou questionar suas fontes num comentário seu, aí sim vc passa mais links ou passa o texto original (mas, por favor, copiem somente os trechos mais interessantes para o blog, não o texto integral, a não ser q não seja grande, tipo max. de 30~40 linhas).
como já comentei e sugeri a outros colegas, na seção "fora de pauta" ou "clip do dia" até cabem artigos (postagens) grandes SEM COMENTÁRIOS PRÓPRIOS... lê quem quer!
Em tempo: tbém não gosto de carnaval (e nada contra quem gosta, apesar de achar estranho pessoas terem dias para "brincar", usar álcool (e outras drogas), conseguir uma (ou várias) "ficada" e sentirem-se "felizes"), e tirando uma outra frase mal construida, a moça tem bastante razão no q fala.
Eu, particularmente, não preciso de carnaval (ou outro pretexto qquer) pra fazer o q tenho vontade de fazer. Para mim, quem precisa de pretexto para fazer em alguns dias "especiais" o q não faz no dia-a-dia, tem algum problema.
O único pretexto bom para o carnaval é o feriado (pessoalmente falando; respeito quem quer "brincar" no carnaval).
A moçoila cheirou lança-perfume estragado.
Concordo totalmente com a apresentadora!
Seus comentários vão no sentido oposto dos feitos pelo apresentador catarinense.
Matheus
Tudo muito bem, tudo muito bom.
O carnaval é ótimo !!!
Exportamos a tecnologia do carnaval ! Mas ??
Quanto de dinheiro público tem neste orgasmo fenomenal, hem ??
Dinheiro que, pelo que me consta, anda escasso em todos os níveis do governo.
Quanto custa a apoteose do samba na Sapucaí. Qual o custo benefício ??
Passando a régua no final, o saldo é azul ????
Privatiza pra ver como é que fica.
Será que alguém encara essa ????
Sds
Olha, ......... a intenção foi boa, mas, (i) se, como eu, assistiu, "de grátis", em pé, em cima de um caixote, em 1963, em plena Av. Presidente Vargas, no Rio, o SALGUEIRO ser campeão com XICA DA SILVA, (ii) foi a seus ensaios, lá em cima (mas, não tanto) do morro, na Quadra Calça Larga, (iii) foi ao Baile do Cabide na sexta-feira durante o expediente, (iv) saiu no Cordão da Bola Preta e nos Blocos Bafo da Onça e Cacique de Ramos (do antigo Morro do Alemão, agora promovido a "Complexo") e na Banda de Ipanema, aí, sim, pode dizer que brincou o Carnaval sem gastar grana. Mas, aí, não seria uma jovem senhora; já estaria mais para maracujá maduro do que para uma maçã verde.
Bem, mas quanto a promiscuidade & outras "cositas mas" , como diria Arlete Salles, ......... prefiro não comentar.
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
O post é uma tentativa de desqualificar os argumentos da jornalista que tem consistência em muitos pontos da abordagem corajosa que fez sobre o carnaval que é um negócio que fatura milhões, é excludente e elitistas. Concordo com parte significativa dos comentários expressos pela jornalista sobretudo no que diz respeito ao aparato público que envolve o carnaval em termos de segurança, saúde e a mobilização de profissionais envolvidos e pagos pelo estado. Na Bahia o vice prefeito teve que travar uma feroz batalha para garantir os direitos básicos de centenas de trabalhadores braçais que seguram as cordas dos blocos num regime de semi-escravidão, salvo engano discutido num post aqui no blog que disponibizo abaixo:
Início » Blogs » Blog de luisnassifVice de Salvador contra o modelo de carnavalEnviado por luisnassif, seg, 07/03/2011 - 08:00 Por Patricia R
Coloco aqui texto retirado do blog da Maria Fro, é reportagem do Terra Magazine. Segue o link e o texto. Mostra um lado nada agradável do que se tornou o carnaval no Brasil.
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4199139-EI6578,00-Vice+de+Salvador+ataca+exploracao+de+cordeiros+no+Carnaval.html
Vice de Salvador ataca exploração de cordeiros no CarnavalTerça, 12 de janeiro de 2010, 21h38
Ex-prefeito e atual vice de Salvador, Edvaldo Brito ataca ganância dos donos de grandes blocos carnavalescos em Salvador: "Querem o dinheiro da Prefeitura, querem tudo o que você possa imaginar"11 de janeiro de 2010Secom/Divulgação
Claudio Leal
reduzir tamanho da fonte tamanho de fonte normal aumentar tamanho da fonte
Baba Egbé do Terreiro do Gantois, uma espécie de protetor da comunidade do Candomblé, o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito (PTB), precisará de auxílio dos ancestrais para impor mudanças nas relações de trabalho no carnaval baiano. Em especial, no cabresto dos cordeiros, os subempregados da indústria carnavalesca que cuidam das cordas de segurança nos desfiles dos blocos (a etnia predominante é a negra).
Divulgado na semana passada, o novo estatuto das festas populares determina que os cordeiros devem ganhar três litros de água, protetores solar e auricular, sapatos antiderrapantes e camisa de algodão. Para superar as condições precárias dentro dos blocos, houve a participação do Ministério Público do Trabalho, mas, ainda assim, os empresários reagiram às medidas humanitárias da Prefeitura.
- Eu vi reagir o chamado presidente do Conselho Municipal do Carnaval. E, considerando ser alguém vinculado a um bloco do carnaval, é evidente que não tem isenção para ser presidente de um órgão que congrega diversos segmentos - diz o vice-prefeito, Edvaldo Brito, responsável pela coordenação da folia baiana, em entrevista a Terra Magazine.
Veja também:
» Entrevista: Gilberto Gil discute o Carnaval de Salvador
» Siga Bob Fernandes no twitter
Entre outras medidas, a Prefeitura obriga os blocos a pagarem também pela exposição de patrocinadores. Em conversa com o jornal baiano Correio, o dublê de presidente da Associação de Blocos de Trio de Carnaval de Salvador (ABT) e do Conselho Municipal do Carnaval, Fernando Boulhosa, afirmou: "Vamos ingressar na Justiça para cancelar as regras, pois elas foram divulgadas a 35 dias do Carnaval. Nós não fomos consultados e nem temos condições de arcar com os custos para equipar os cordeiros com tantos itens".
Numa festa milionária, os cordeiros chegam a receber pela diária menos de R$ 10. A concentração para a escolha dos braços negros, em frente ao Farol da Barra, chega a lembrar os procedimentos dos mercados de escravos, séculos atrás. Edvaldo Brito responde ao choro financeiro dos empresários:
- O vice-prefeito de Salvador está propondo oferecer três litros d'água aos cordeiros, proteger os ouvidos dos cordeiros, a integridade dos cordeiros... E eles declaram, safadamente, que não têm dinheiro.
"Gigi, eu chego lá" - "O 1o voo do Chiclete Voador" (sic!) destacado por jornal baiano: Chiclete com Banana investiu R$ 17 milhões em jatinho
No dia 8 de janeiro, o jornal A Tarde estampou louvaminheira metade de primeira página para informar aos leitores "chicleteiros", em foto sinérgica: a banda Chiclete com Banana (Bell Marques à frente) realizara o "voo inaugural" de um avião particular avaliado em R$ 17 milhões. Edvaldo Brito não citou diretamente o esbajamento do jet set, mas critica os plutocratas da música baiana:
- Estão trocando a dignidade por dinheiro, pra ficarem mais ricas, terem mais condições de comprar seus bens materiais com valores estratosféricos.
Ele denuncia a ganância privatista do setor carnavalesco:
- Querem o dinheiro da Prefeitura, querem tudo o que você possa imaginar desde que privatizem mais, mais, mais e mais o Carnaval da Bahia, sob o sacrifício da dignidade da pessoa humana.
Nos últimos meses, Brito tem sido mais atuante do que o próprio prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), apontado pelo Datafolha como o pior administrador entre as capitais brasileiras. Há articulações para Carneiro abandonar o cargo no mês de abril. O alcaide tenta se aproximar do governador Jaques Wagner (PT), apesar de ser liderado do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Prefeito da cidade em 1978 e 1979, o atual vice desfaz a especulação de que poderá assumir o cargo este ano.
Leia a entrevista.
Terra Magazine - Como o senhor vê as críticas dos donos de blocos de Carnaval ao estatuto que os obriga a dar coisas básicas aos cordeiros, como água e protetor solar?
Edvaldo Brito - Você colocou duas premissas. Blocos de carnaval, não. Eu diria que alguns reagiram, não todos. Eu vi reagir o chamado presidente do Conselho Municipal do Carnaval. E, considerando ser alguém vinculado a um bloco do carnaval, é evidente que não tem isenção para ser presidente de um órgão que congrega diversos segmentos. Perde a legitimidade quando fala a favor ou contra a medida.
Se refere a Fernando Bulhosa (ligado ao bloco Internacionais)?
Esse senhor. Em segundo lugar, vale a pena repetir sua expressão: as coisas básicas estão na Declaração dos Direitos do Homem, estabelecendo os princípios da dignidade da pessoa humana. A primeira a colocar isso foi a Constituição Alemã, exatamente depois da Segunda Guerra Mundial. Não se pode brincar com a dignidade da pessoa humana. Tudo isso que estou lhe dizendo é pra falar que os cordeiros, em favor dos quais a Prefeitura de Salvador veio agora, são portanto titulares da dignidade da pessoa humana. E aí essas pessoas estão reclamando. Poucas pessoas, pois vários segmentos aplaudiram... Essas pessoas estão trocando a dignidade por dinheiro, pra ficarem mais ricas, terem mais condições de comprar seus bens materiais com valores estratosféricos. O vice-prefeito de Salvador está propondo oferecer três litros d'água aos cordeiros, proteger os ouvidos dos cordeiros, a integridade dos cordeiros... E eles declaram, safadamente, que não têm dinheiro.
Querem o dinheiro da Prefeitura?
Querem o dinheiro da Prefeitura, querem tudo o que você possa imaginar desde que privatizem mais, mais, mais e mais o Carnaval da Bahia, sob o sacrifício da dignidade da pessoa humana.
O senhor disse que somente uma pessoa, o presidente da entidade dos blocos do canaval, se pronunciou contra a medida da Prefeitura. Mas a verdade é que se trata de uma prática tão forte que até hoje os empresários submetem os cordeiros a esse tipo de regime de trabalho.
Com certeza. Estou aqui na minha fente com a enquete promovida por um site, indagando o que as pessoas acham das medidas do Estatuto. Até as 15h e 24 minutos, 53,8% das pessoas achavam ótimo. Mas alguns acham que vai prejudicar muita gente.
Como vai ser feita a fiscalização?
Será feita por diversos órgãos integrados: Polícia Militar, Civil, Defesa Sanitária, órgãos de combate à violência... Será um batalhão de fiscalização.
Há uma questão racial no tratamento dado aos cordeiros?
Não diria que é uma questão racial, mas é um desrespeito à igualdade racial. Não no sentido de segregar, mas da igualdade. Se mais de 90% dos cordeiros são negros, precisamos ter a ideia logo de saída de que é um desrespeito à igualdade racial. Você pode imaginar o que é o dia de pagar esse dinheiro?
Filas enormes, sob o sol...
Mulheres grávidas, menores que pelo Estatuto da Criança e do Adolescente não podem trabalhar... O menor de 18 anos só pode trabalhar como estagiário. Como é que ele já vai puxar cordas? Essas regras valem para quê? Um grande escritor político do século XX, Norberto Bobbio, escreveu um livro chamado "A Era dos Direitos". Ele diz que todos nós temos direitos inscritos nos documentos normativos, mas faltam órgãos públicos para aplicar esses direitos. Não renego minha origem. Sou filho de uma lavadeira de roupas com um pedreiro. O povo vem e me dá 800 mil votos, me dá essa cadeira, me dá uma caneta para legitimar o exercício do poder. Não me abato com nada disso.
Por que o vice-prefeito tomou a frente disso e não o prefeito João Henrique?
Ele me delegou. Existe um artigo da Lei Orgânica, o artigo 52, que estabelece que o prefeito pode me convocar para algumas tarefas especiais. Na quinta-feira "de cinzas", posterior ao carnaval de 2009, o prefeito deu um café da manhã para apurar como foi o carnaval. Neste momento, ele olhou para mim e deu a coordenação do carnaval de 2010, assim como me deu a revitalização do Pelourinho (no centro histórico de Salvador) e a reforma administrativa. Enfim, foi por isso. Significa que ele está de corpo e alma.
O que se comenta é que o senhor o sucederá em breve, na Prefeitura. Por isso tomou a frente? O prefeito vai se licenciar em abril?
(gargalhadas) Meu sorriso já mostra que eu não acredito em nada disso. Eu acho que isso não tem procedência. Você está me entrevistando lindamente e eu estou lhe respondendo lindamente.
Em relação aos cordeiros, numa análise mais sociológica, como o senhor avalia essas práticas da elite baiana?
Não quero generalizar em termos de elite. Prefiro dizer: capitalismo à baiana. Uma determinada faixa capitalista da Bahia, voltada para a exploração da cultura baiana e da fonte da cultura, o negro, essa sim, no plano sociológico e histórico, não se compadece.
Entra naquilo que disse Joaquim Nabuco? De que a escravidão permaneceria como uma característica nacional?
Uma pessoa, o vereador Alcindo Anunciação, exatamente no dia de hoje, falou de quando os negros puxavam os navios negreiros com as cordas. Ele vê uma reedição com os cordeiros puxando a corda no carnaval. Você pode dizer que eu assino embaixo disso. Cada vez que vejo essa cena, me lembro da miséria do meu povo, me lembro da minha avó, que para poder sobreviver dependeu da minha ajuda. E me lembro de mim mesmo, tomando café com farinha. Digo isso sem nenhum complexo de inferioridade. Porque um filho de lavadeira que chegou aonde chegou não pode ter complexo de inferioridade, mas somente a gratidão a Deus, Nosso Senhor.
Terra Magazine
O Prof° Edivaldo Brito, um dos poucos que estão naquela mão que falei acima, está aboslutamente coberto e recoberto de razão e tem o meuapoio e estamos d mesmoo lado, conforme post que postei acima esclarece.
Nassif, a apresentadora está absolutamente certa. Pagar R$.800,00 por um abadá, um simples pedaço de pano para ter o direito de "ser feliz" é justo? Um "cordeiro", desdentado, sem teto, ganhar R$.10,00 por dia para servir de escravo no carnaval baiano é justo? O país ficar paralisado por seis dias é justo? As prefeituras dispenderam recursos públicos, fruto dos impostos que todos pagamos, para subsidiar o carnaval é justo? Finalmente, é justo comparar a digna e lúcida apresentadora com o Prates é justo? Sou contra tudo isso elencado e acho que um país não precisa do carnaval, esse BBB coletivo, como o que é vendido no Brasil. Chega de hipocrisia e inversão de valores!
O evento carnaval beneficia muitos brasileiros, como o turismo e toda a cadeia produtiva, como agências de viagens, hoteis, pousadas, restaurantes, taxistas, pequenos comerciantes, além da contratação de bandas, cantores e artistas para animação dos eventos em cada estado. Acabar com a indústria do carnaval, sugere acabar com a importação de shows que ocorrem durante todo o ano nas grandes cidades brasileiras, muitas das vezes com patrocínio do estado e prefeitura, pagando cachês exorbitantes a artistas estrangeiros.
webster franklin
Penso que o evento carnaval atrai muitos turistas ao Brasil, empregando muitos brasileiros e trazendo divisas ao país. Se existem abusos e irregularidades a solução não é acabar com evento e sim corrigi-los, disciplinando, com mais policiamentos nas ruas, coibindo excessos etc.. Observem quanto arrecadam a indústria de turismo de Miami, Nova York e algumas cidades europeias. Temos mais é que aperfeiçoar e melhorar nossos eventos atraindo mais turistas ao Brasil. O Brasil precisa e muito criar empregos em todas as áreas, são milhões de jovens chegando ao mercado de trabalho e sem perspectivas de emprego.
webster franklin
Quanto ao preço do Abadá de R$ 800,00 está barato para os gringos tanto da zona do Dólar como do Euro, o equivalente a 485 dólares e 380 euros aproximadamente, com direito a show ao vivo, desfilar no bloco e apreciar a boa música baiana.
webster franklin
Jesus! Mas quem tá falando em acabar com o carnaval? A apresentadora se mostrou corajosa em argumentar sua discordância a esse suposto "país em festa"; "maior festa popular do mundo", etc...Vários argumentos mostrados por ela são factíveis sim. Mesmo quem mora no interior percebe essa mercantilização que, vc Webster, acha positiva. Vamos legalizar as drogas também: Uma grande indústria , ora bolas. e depois quem não gosta de carnaval, não é rancoroso, sem amigos...e bláblá blá coisas que eu li em outros posts...Somente prefiro curtir meu feriado fazendo outras coisas. Não me acho nem melhor e nem pior do ninguém por conta disso.
Marlon,
No meu caso não brinco carnaval e nem gosto, porém, defendo o direito dos que gostam e dos que trabalham no evento carnaval. A sua comparação com a indústria de cocaína não cabe, um verdadeiro exagero. Cocaína e outras drogas existem e são consumidas diáriamente em todas as cidades, independente do evento carnaval um vício que deve ser tratado e combatido a produção e distribuição, portanto, sua comparação é esdrúxula.
webster franklin
Brilhante amigo! A gente precisa entender que as coisas não são dicotômicas maniqueístas (repito isso 100 vezes e todas as vezes até morrer) bem/mal, deus/diabo, certo/errado. Esse simplismo mata muita idéia boa e se acabarem cou continuarem desconstruindo o carnaval - e nãos somente contra seus algozes e seus defeitos como você colocou - se matarem o coarnaval desse jeito, vão matar muita gente. Pelo menos de raiva ou tédio.
É a historinha bem velha e batida mas bastante simbólica do marido que chega em casa e se depara com a esposa e o melhor amigo se esbaldando nús e ferventes no sofá da sala. Decidido e objetivo ele imediatamente toma a atitude, a solução exemplar e cabal para resolver a situação: vende o sofá!
As coisas são muito mais commplexas, há um tecido social, uma matriz econônomica e dezenas senão centenasd e milhares de vidas envolvidas.
Vamos nos estapear evolutiva e progressivamente sem "soluções finais" que, enfim, nem existem.
Alguém já disse também (perdoe-me não me lembrar agora do nome do autor) que "todo problema aparentemente complexo tem sempre uma solução óbvia, simples, definitiva e ERRADA".
É isso. Parabéns pela argumentação, caro Webster.
Tô no carnaval. Fui.
Valeu Alarcon! Divirta-se e continue defendendo os valores culturais do seu Estado e do País.
Um forte abraço
webster franklin
Então o carnaval é para os gringos e turistas? Os nativos ficam no gueto, sem direito a participar da festa em condições de igualdade, sem segurança e apôio do estado? Quantifiquemos a relação custo benefício. O número de acidentes e mortes ocorridas nas estradas federais, estaduais e dentro dos municípios? O estrangulamernto do sistema de saúde em atendimento de urgência e emergência?
O número de vidas perdidas, assassinadas durante a festa momina como fica? O que dizer das perdas patrimoniais ocosionadas pelos assaltos, as lesões permanentes? Vale a pena? Os recursos desviados dos cofres públicos, em contratações de bandas superfaturadas para o evento e que estão além de qualquer fiscalização dos órgãos responsáveis, pelo simples fato de haver o "por fora", nova modalidade de corrupção descoberta pelos gestores de muitos estados e municípios que consiste em contratar determinada banda por X no contrato e por Y fora do contrato.
Em Fortaleza, por exemplo, tem sido comum a imprensa noticiar gastos de determinada quantia na contratação de bandas, segundo dados apresentados pela prefeita e os contratados contra-argumentarem dizendo que não receberam a quantia informada. Hoje é fácil contactar um cantor ou banda de grande porte para um evento e oferecer-lhe um valor acordado de bôca, por exemplo, 300.000 e colocar 700.000 no contrato.
Como fiscalizar isso se há a conivência de produtores e gestores nessa maracutaia? O carnaval é uma mina de ouro para a roubalheira de prefeitos do interior que encontraram na contratação de bandas para esse evento, fonte de enriquecimento ilícito devido a esse esquema escabroso difícil de ser desarticulado. Enquanto isso, no dia a dia o povo sofre em filas de hospitais, sofre pela ausência de segurança, educação etc... Um aparato caro e sofisticado do estado é mobilizado para uma festa que tornou-se cada vez mais elitista e excludente.
O verdadeiro carnaval é aquele que reune amigos, vizinhos e espontaneamente pelas ruas os brincantes fazem a folia, fantasiando-se como bem querem, jogando maizena, arrozina, goma, massa de trigo uns nos outros, confraternizando-se sem nenhuma estrutura de estado a não ser a comum de todos os dias.
Não disse que carnaval é para gringos e turistas. Apenas defendi a oportunidade do evento para ampliar o turismo no Brasil, umas das indústrias que mais crescem no planeta com a criação de milhões de empregos. Quanto aos nativos tem todo direito de brincar seu carnaval e de graça como acontece em muitas cidades, a exemplo de Olinda e Recife com diversos polos e shows gratúitos. Atrair turistas com o evento carnaval não exclui os nativos de brincarem.
webster franklin
Mais uma vez a maior parte dos comentaristas reduzem o carnaval ao de Salvador. O Brasil é bem maior que isso e suas manifestações culturais carnavalescas também. Lazer e cultura também são direitos do povo.
De novo?
Um post q é tão generalista quanto o editorial? E os mesmos comentários?
Minha opinião sobre tudo isso: o Carnaval tem sido explorado comercialmente sim e em demasia em alguns cantos. O carnaval de salvador é um exemplo. O carnaval do Rio da sapucai tem mobilizado tanto dinheiro que quem quer ver o desfile fica na arquibancada de dispersão... pq é mais barato. Pelo menos há os blocos populares do Rio para salvar um pouco do que é o carnaval... é perversão, é marchinas e músicas safadas (foge foge sim mulher maravilha) e é a chance do 'povão' curtir algo também.
O carnaval de Recife é um exemplo de que se pode ter um evento popular sem estar atrelado ao comercialismo exagerado para uma data. É preciso ter sim um carnaval com artistas da terra e evitar q se traga 'atrações' de outros cantos. Incentivar os cantores locais e blocos populares de bairros.
Há problemas sim no editorial, mas devem ser discutidos, e não se colocar num extremo ou outro. O carnaval comercializado ao extremo é mais vantajoso aos grandes. Um trio recebe horrores... Nem sei como funciona o 'merchan' e cobrança da Globo pros carnavais do rio e sp: prefiro não imaginar.
Mas a sapucaí não é acessível a todos... E estar dentro de uma corda, só pra poder ter 'mais' segurança e garantia de proximidade dos artistas é algo ridículo.
Questionei o editorial quando ele fala q carnaval trás prejuízos. Q o governo gasta mais sem arrecadar nada... Me parece besteira... Uma cidade como Olinda mais do que triplica de tamanho. Todo dinheiro gasto por lá: aluguel de casas, comida, bebida... vai em boa parte para o povo da região. Há os custos: manutenção extra da ordem, saúde e comerciais. Não sou bom para por na ponta da caneta para dizer se isso trás prejuízos, mas me parece ser mais benéfico nos cenários em que as prefeituras e governos não se submetam a condições comerciais extremas de um mercado exploratório e não local.
O outro ponto que questiono do editorial é sobre o ambulâncias e polícia. Mas isso me pareceu mais uma crítica social do que uma puramente específica do carnaval. O governo deve, sistematicamente, alocar ambulâncias e policiamento nas regiões de maior densidade populacional. Este é um caso típico no carnaval. Me parece q a opinião do editorial é de que não há esse afinco dos órgãos públicos para manter este interesse nas outras épocas do ano. Não saberei responder sobre isto.
No fim, não é pq um editorial foi extremista, q se precisa colocar em algum dos extremos. Será que não é possível ter um discurso amigável para reconhecer o que é de bom e de ruim num texto ou numa política?
Injusta a comparação com o Prates, a mulher está coberta de razão.
Digo mais, existe tanta cultura e identidade nacional nesse carnaval criticado pela apresentadora quanto existe de religião nas comemorações natalinas.
A verdade é que o capitalismo não perdoa nada e assimila tudo.
Ela está correta quando diz que o carnaval virou uma indústria de distribuição de álcool. E mais: eu acrescentaria de entorpecentes, que vai do lança ao crack. Leiam o que saiu no blog "Acerto de Contas" (http://acertodecontas.blog.br/artigos/urina-e-crack-no-carnaval-do-antigo/), pertencente ao Pierre Lucena, de Recife (Nassif conhece o autor deste blog). O custo disso tudo vai sair muito caro. Mortes no trânsito, decorrentes de brigas, jovens com a saúde prejudicada (inclusive mental). Podem ficar certos que não é a sociedade quem vai lucrar com isso. Esta, ao contrário, só arcará com prejuízos. Afora isso, tem a questão da elitização do carnaval. Tome-se como exemplo o caso da BA, em que o carnaval, há tempos, não é mais uma festa do povo, mas de uma elite nacional, que migra pra lá nessa época do ano impulsionada pela mídia.
As considerações da apresentadora não tem em nada semelhança com o Prates.
As considerações dela são na maioria bem ponderadas e corretas. Principalmente com relação às ambulâncias, atendimento médico, Dst, gravidez indesejada, acidentes, embriaguez, ela está corretissima.
Os comentários da apresentadora não tem nada a ver com os do Sr. Prates.
Acho que são pertinentes e bem articulados.
E sobretudo ela exerce o direito a opinião. Ela pode gostar de carnaval mas fazer objeções sobre o que discorda, ou não ?
Ou aprovar o carnaval como está passou a ser obrigatório ? Ou ainda, todos brasileiros são obrigados a gostarem de carnaval ?
A apresentadora está certa ! Prates sim é idiota. ESta mulher falou a pura verdade... e sem falar no desvio de verba das prefeituras para contratar shows superfaturados...
Concordo plenamente com a apresentadora.
Quem ganha com o carnaval?
Aqui em Recife-Olinda, a cada carnaval são depredados em média 200 (duzentos) ônibus.
As prefeituras desmontam as paradas de ônibus (já são criadas desmontáveis, prá facilitar) porque no carnaval elas são destruídas.
Para o desfile das "virgens" as casas comerciais (lojas, bancos etc.) colocam tapumes para não ter suas vidraças destruídas.
As praças localizadas nos focos de "folia" são rodeadas de tapumes, para não ser destruídas.
E prá terminar: quem sabe o número de homicídios do período momesco?
Isso é que é animação!!!
Quase tudo na vida, se peca pelo excesso, no caso, os excessos do carnaval e o da apresentadora....
Postar novo Comentário