O artigo de Dilma na Folha

Por JB Costa

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2002201107.htm 

 

País do conhecimento, potência ambiental

DILMA ROUSSEFF

Hoje, já não parece uma meta tão distante o Brasil se tornar país economicamente rico e socialmente justo, mas há grandes desafios pela frente, como educação de qualidade

Há 90 anos, o Brasil era um país oligárquico, em que a questão social não tinha qualquer relevância aos olhos do poder público, que a tratava como questão de polícia.

O país vivia à sombra da herança histórica da escravidão, do preconceito contra a mulher e da exclusão social, o que limitou, por muitas décadas, seu pleno desenvolvimento.

Mesmo quando os grandes planos de desenvolvimento foram desenhados, a questão social continuou como apêndice e a educação não conquistou lugar estratégico.

Avançamos apenas nas décadas recentes, quando a sociedade decidiu firmar o social como prioridade.

Contudo, o Brasil ainda é um país contraditório. Persistem graves disparidades regionais e de renda. Setores pouco desenvolvidos coexistem com atividades econômicas caracterizadas por enorme sofisticação tecnológica. Mas os ganhos econômicos e sociais dos últimos anos estão permitindo uma renovada confiança no futuro.

Enorme janela de oportunidade se abre para o Brasil. Já não parece uma meta tão distante tornar-se um país economicamente rico e socialmente justo. Mas existem ainda gigantescos desafios pela frente. E o principal, na sociedade moderna, é o desafio da educação de qualidade, da democratização do conhecimento e do desenvolvimento com respeito ao meio ambiente.

Ao longo do século 21, todas as formas de distribuição do conhecimento serão ainda mais complexas e rápidas do que hoje.

Como a tecnologia irá modificar o espaço físico das escolas? Quais serão as ferramentas à disposição dos estudantes?

Como será a relação professor-aluno? São questões sem respostas claras.

Tenho certeza, no entanto, de que a figura-chave será a do educador, o formador do cidadão da era do conhecimento.

Priorizar a educação implica consolidar valores universais de democracia, de liberdade e de tolerância, garantindo oportunidade para todos. Trata-se de uma construção social, de um pacto pelo futuro, em que o conhecimento é e será o fator decisivo.

Existe uma relação direta entre a capacidade de uma sociedade processar informações complexas e sua capacidade de produzir inovação e gerar riqueza, qualificando sua relação com as demais nações.

No presente e no futuro, a geração de riqueza não poderá ser pautada pela visão de curto prazo e pelo consumo desenfreado dos recursos naturais. O uso inteligente da água e das terras agriculturáveis, o respeito ao meio ambiente e o investimento em fontes de energia renováveis devem ser condições intrínsecas do nosso crescimento econômico. O desenvolvimento sustentável será um diferencial na relação do Brasil com o mundo.

Noventa anos atrás, erramos como governantes e falhamos como nação.

Estamos fazendo as escolhas certas: o Brasil combina a redução efetiva das desigualdades sociais com sua inserção como uma potência ambiental, econômica e cultural.

Um país capaz de escolher seu rumo e de construir seu futuro com o esforço e o talento de todos os seus cidadãos.

DILMA ROUSSEFF é a presidente da República.

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72 comentários
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Rosan Amaral

Como política e pessoa, tá confiando os ovos ao gambá. Como presidenta da república fez o correto.

 
 
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Lima

Caro colega, peço a gentileza de me explicar o sentido e qual a região onde ela é usada.

 

"deixar o gambar guardar os ovos"

 

Obrigado.

 
 
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Diogo Costa

Estou louco para ver o desfecho do debate sobre o novo Código Florestal...

 

Diogo Costa

 
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Rogerio0512

Palavras coerentes de uma estadista. Brazil takes off really.

 
 
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Gustavo Belic Cherubine

E a entrevista do Rudá Ricci na Caros Amigos com o Tom Zé na capa?

Duas grandes entrevistas dessa necessária revista.

http://www.planetaosasco.com/oeste/index.php?/201102188558/Nosso-pais/en...

Entrevista: professor Rudá, da PUC de Minas, ataca o lulismo – pela esquerda
Sex, 18 de Fevereiro de 2011 07:02
Escrito por Redação
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por Rodrigo Vianna

O professor Rudá Ricci, da PUC-MG, dá uma entrevista polêmica na “Caros Amigos” que chega às bancas nesse fim-de-semana. Ele diz que o lulismo “odeia a participação popular”.

Há certamente uma dose de exagero na afirmação. Não concordo com muitas das críticas de Rudá. A frase entre aspas, no parágrafo acima, dá a impressão de um ataque raso. Mas quando se lê a entrevista completa, percebe-se  uma crítica consistente ao lulismo, pela esquerda. Vale a pena conferir.

Não gostei muito – digo logo – da comparação que ele faz entre “lulismo” no Brasil e “fordismo” nos EUA. Ora, pelo pouco que sei, “fordismo” é um conceito para explicar um modelo de organização econômica  (e fabril, principalmente). O lulismo é um fenômeno político. Sera mais consistente comparar o lulismo com o papel de Roosevelt, talvez. Mas, enfim…

Também acho um erro resumir o papel de Vargas nessa expressão: “modernização conservadora”. O segundo governo Vargas, nos anos 50, sofreu ataques violentos da direita brasileira (UDN) e dos EUA. Por que EUA e UDN atacariam um governo “conservador”? Lula, muito menos, parece-me vestir o figurino da modernização conservadora. Fez um governo moderado, social-democrata. O que é bem diferente.

De todo jeito, a entrevista é forte, corajosa e certamente vai suscitar muita polêmica. Gostaria de saber a opinião dos nossos leitores sobre a análise de Rudá. Acho que é um bom debate!

===

por Tatiana Merlino, na “Caros Amigos”

Caros Amigos – O que é o lulismo e como ele se manifestou durante o governo Lula?

Rudá Ricci – O lulismo é um sistema de gerenciamento do Estado e de políticas públicas. Portanto, não é uma ideologia, não é um movimento. Ele moderniza economicamente, mas é conservador do ponto de vista político, o que a gente chama em ciência política de modernização conservadora. E ele se montou como nos EUA o fordismo se montou no século passado. Aliás, os dados de ascensão social no Brasil são muito parecidos com os dados da ascensão social dos Estados Unidos desse período. Eu acho que é um fordismo tupiniquim, com um Estado muito forte e centralizador. 65% do orçamento público está concentrado na execução da União. Os municípios brasileiros dependem, em sua maioria, de convênios estabelecidos com ministérios. Ele usou como mecanismo de suporte social e desenvolvimento os recursos do BNDES, o PAC e as obras públicas e, com isso, conquistou o grande empresariado nacional. Todos os grandes conglomerados
têm financiamento com o BNDES. E, na outra ponta, há, principalmente no aumento real do salário mínimo, a grande política de ascensão social no Brasil. Depois dela, vem o crédito consignado e, depois, o Bolsa-Família, que tirou da pobreza mas não gerou uma grande ascensão social, principalmente para os pobres se tornarem classe média, classe C. E aí vem a base do lulismo. E aí tem o suporte político. De um lado, a coalizão presidencialista, que é algo inédito no Brasil. O Getúlio Vargas até tentou montar algo, mas o Estado Novo acabou destruindo o que ele tentava forjar. Nós não tivemos na história republicana nenhuma situação parecida com a atual. O Brasil desmontou o sistema partidário, criou uma coalizão de tipo parlamentarista e jogou a política do Brasil entre governistas e não governistas, mas não é qualquer governismo, é lulista ou não lulista. E os partidos de oposição estão completamente em frangalhos, tanto PSTU quanto Psol de um lado, que não conseguem em somar com todos os partidos de esquerda 1% da intenção de voto nacional, e de outro, direita, o PSDB e o DEM; o primeiro num de mus momentos de maior tensão interna, a ponto e muitas lideranças falarem em refundação, e o segundo praticamente destruído com a saída do Gilberto Kassab. A última ponta é a do financiamento pelo Estado das organizações populares no país, principalmente as centrais sindicais.

Caros Amigos – O senhor afirma que o Lula finalizou a modernização conservadora iniciada pelo Getúlio Vargas. Como isso aconteceu?

RR – O conceito de modernização conservadora é da sociologia e foi elaborado por um autor chamado Barrington Moore. Atualizando isso para o caso brasileiro, significa que se faz uma modernização econômica sem mudar de maneira alguma a estrutura de poder, ela é conservadora nesse sentido do poder. O Lula articulou todas as lideranças clientelistas do Brasil, assim como Getúlio fez isso. A impressão que se dava do Getúlio era que ele estava atacando toda a base clientelista, dos coronéis, mas muitos deles foram recriados através do getulismo. O Lula recriou a mesma estrutura de poder.

 A marca do getulismo e do lulismo é a conciliação de interesses e não o enfrentamento. Um exemplo é que se tem o Ministério da Agricultura de um lado, tem o do Desenvolvimento Agrário do outro. Isso não é por acaso. Se o Getúlio criou a base da industrialização do país com um Estado organizado a partir de uma estratégia desenvolvimentista e gerou a urbanização acelerada do país, o Lula deu o passo final, que é a emergência de um mercado consumidor de massa, da organização do investimento dos empresários através do PAC.

CA - O lulismo é um neogetulismo?

RR - É um neogetulismo sem o autoritarismo do Getúlio. É uma espécie de síntese didática. O lulismo completa o getulismo. Por isso que o Lula é o líder da classe C. Ele é a expressão do sucesso dos pobres. E ele soube usar isso.

CA - Na sua perspectiva, o governo Dilma será mais conservador que o Lula?

RR – Na política, sim, não sei na economia. Até agora a Dilma está sendo a expressão da história dela, uma pessoa que veio da Polop, que era, nos anos de chumbo, talvez a organização mais intelectualizada. Depois, ela vai para organizações de luta armada que tinham alta centralização e disciplina política, e depois ela foi para o PDT. Ela junta essas coisas. A Dilma não é uma pessoa da rua, ela é muito técnica, não tem a história e o discurso do PT. Isso está muito evidente, ela tem objetivos, é muito centralizadora, adota mecanismos de gestão que vem do alto empresariado brasileiro, e isso é uma ruptura com o lulismo. E eu não acho que o Lula está achando isso ruim, pois ele volta com tudo depois.

CA – Qual é o seu balanço do governo Lula? O que houve de positivo e negativo?

RR – O grande mérito do governo Lula é que ele fez o país se reencontrar consigo mesmo. A ideia de que o gigante estava adormecido… não está mais. O Brasil é uma potência, está cada vez mais evidente para todo mundo. Já somos o segundo da América, somos mais ricos que o Canadá e o México.
O Lula conseguiu criar uma política de estabilidade, que está assentada numa forte profissionalização da ação do Estado na economia. Houve um aumento da capacidade e a confiança nos agentes econômicos, como o Banco Central, o Ministério da Fazenda, do Planejamento, eles sabem operar com as técnicas de mercado e controlam mesmo a economia. Com todos os ataques aos BNDES, ele foi um fomento ao desenvolvimento. A segunda grande vantagem do governo Lula foi articular uma intenção social de inclusão de massa com desenvolvimento, algo que a gente não via há muito tempo no Brasil. Talvez a última vez que a gente ouviu isso foi antes do golpe de 1964. Efetivamente, quem juntou as duas coisas foram João Goulart e Lula. E, finalmente, a política externa. A política entrou como centro da diplomacia brasileira para valer, e não como habilidade para fazer negócio. Pela primeira vez, a política não foi só para abrir mercado, mas para inserir o país como potência. Acho que o Brasil disputou a América inteira e ganhou.
Com o Irã foi uma vitória, a história da negociação Brasil, Turquia e Irã foi uma “vitória de
Pirro” ao contrário. Ou seja, parecia uma derrota de Pirro, a comunidade e o G7 ficaram muito irritados, mas o Brasil entrou na história agora, sabe negociar. E é um país da América Latina que entrou no Oriente Médio. Eu acho que são três campos muito importantes, que mudaram completamente o país. O que foi ruim? É que parece que para se governar esse país não se pode ser de esquerda. Na gestão participativa de controle social, nós demos um passo atrás. Começamos o governo Lula discutindo o plano plurianual, e nunca mais voltou. O governo Lula deliberadamente rachou o movimento social nas conferências que são cantadas em prosa e versos. Só duas das 60 ou 70 que foram feitas viraram lei.

Obs. – Reproduzi acima pequenos trechos da entrevista, que ocupa três páginas na nova edição da revista. Vale a pena conferir, nas bancas. Também há uma ótima entrevista com Tom Zé, além de artigos sobre Cuba, Egito… Enfim, muita coisa boa.

Uma página dessa entrevista
 
 
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Luiz Gonzaga da Silva

As críticas negativas ao governo Lula, seja pela esquerda ou direita, com pequenas nuances, são sempre as mesmas. Só que as positivas tornam as negativas, irrelevantes. 

 
 
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YRD

O sapo (elite) está na panela e sendo cozinhado.

 

A alternativa ao lulismo (aumentar a chama) é a revolução armada. Quem e o quanto estão disposto a segui-la ?

 

Dar um passo de cada vez e implementar as mudanças sociais, na prática, lenta e gradualmente para que o sapo não pule da panela, até agora é a mais bem sucedida - erros foram cometidos e corrigidos assim como muitos virão, mas sempre olhar e reavaliar os paradigmas e buscar o bem comum, com coerência, demanda um despreendimento que até hoje nenhuma outra agremiação mostrou alguma disposição.

 
 
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Raí

Com toda a sua reconhecida inteligencia,o Prof.Rudá Ricci "escorregou"quando diz que o governo Lula,pecou pelo excesso de esquerdismo,e por ter se afastado das classes sociais.

Como afastou-se destas classes,se foi intrinsicamente para estas,que o governo administrou ?

Como enxergar excesso de esquerdismo,se foi a esquerda que o impulsionou ao poder,e se foi em nome desta esquerda,que o governo Lula,reverteu as prioridades do Brasil,e tirou da miséria 1/3 da população brasileira,e a elevação de outro 1/3,das classes C,e D,para a classe B ?

Tudo bem,Rudá,todo mestre tem seu dia de aprendiz.

 

Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.

 
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Criton Mendes

O Rudá não sabe construir um argumento com coerência lógica. 

Ele já mostrou-se falho nesse ponto muitas vezes. E eu apontei a lógica falha dele aqui neste blog inúmeras vezes.

 

Para mim, esse texto dele aí de cima é só uma confirmação da minha tese, antiga, de que ele tem dificuldades para argumentar.

O problema é que dão atenção demais para ele.

E por quê?

É isso.

 

Sator Arepo Tenet Opera Rotas

 
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Eden SP

Depois dizem que a Dilma não tinha um "q" de preocupação ambiental.Que o diga a Marina Silva que explorou esse suposto hiato na campanha eleitoral.

 
 
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Augusto da Fonseca

Enquanto isso, o desgoverno Alckmin vai se blindando, completando a compra da velha imprensa

 

Alckmin terá comprado o apoio da Folha via patrocínio da versão para a iPad?

 

http://migre.me/3UGw8

 

*

 
 
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diogojfaraujo

Tenho tanto nojo do Alckmin quanto vc, senão mais, por viver aqui... Acho que vc tá brincando, mas sem zuera, se rolar uma intervenção federal em sampa, mesmo que isso seja uma hipótese remotíssima, é dar munição a tal elite branca separatista maçônica clerical católica racista do PHA...

E eu vou estar lá tacando pedra em quem vier intervir aqui... 

Aqui se faz, aqui se paga... Na urna!!!!

Não esqueçamos que o PT tem uma grande parcela de culpa nisso; é ausente e omisso em seu próprio berço... Do PCdoB então, melhor nem comentar esses dias...

Ditadura não tem vez, sinistra ou destra... Aí é estocar Vodka de quatro reais, mecha e ir pro pau...

 

ANTIFA!

 
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Nilson Fernandes

Diogo, você tem razão, Na derrota para o governo do Estado por poucos votos ele não disse nada. Eu confiei nele. não confiou nunca mais.

Perfemos por falta de votos do PSTU, PCO Etc. o mERCADANTE E O mINISTRO DA JUSTIÇA ME DECEPÍCIONARAKM

 

Nilson Fernandes

 
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maria nadiê rodrigues

 

´Vejo dois grandes desafios para Dilma: a educação e a saúde. Acho até que em matéria de educação nós temos visto muito bons resultados, com os investimentos em universidades e escolas técnicas, faltam, claro, atenção maior para o ensino básico, que é mesmo a base de tudo. E vemos que uma grande maioria de estudantes pobres largam os bancos escolares sem terminar o primeiro grau. São filhos de domésticas, ou porteiros - apenas um exemplo. Muito cedo tem filhos, e logo serão a reprodução do que foram seus pais. Isso precisa ser mudado, e as implicações são muitas nesse sentido.

E a saúde? O que dizer de um povo que mal tem condições de chegar a um hospital, ou de pagar seus remédios. Os hospitais brasileiros são uma grande vergonha nacional. Faltam os recursos mais elementares, ou faltam mesmo médicos para atender a demanda. A alegação maior dos profissionais é o salário. Como pode um cara que estudou por mais de 06 anos, investindo muito dinheiro no seu curso, se contentar com a miséria paga pelos governos brasileiros. Daí surge a necessidade deles de acumular empregos com a atividade de consultório, o que torna inviável o bom atendimento ao público nos hospitais.

Não podemos esperar muito de uma gente que vive nas periferias mais miseráveis, com o esgoto a céu aberto na frente de sua casa, com crianças convivendo com o que existe de pior, e sem sequer a alegria de ser criança pela falta de um brinquedo, de uma roupa...Se é esta miséria que Dilma pretende combater, e se o fizer, terá aplausos de tdos nós. Mas, é preciso ir fundo mesmo, pois o que não falta no Brasil é muita miséria.

 
 
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JB Costa

Perfeito Nadiê. No que tange à miséria não pode haver condescendência: tem que ser extirpada, eliminada, extinguida, morta e enterrada.

Para isso, não basta só o governo. Cada cidadão tem que se imbuir da sua responsabilidade com essa chaga, essa nódoa. 

 
 
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cabocla

sabe nadiê, há muito desisti de escrever aqui em vários assuntos.

especialmente os médicos, que tomam a parte pelo todo, que são sempre classificados como mercenários e quejandos...

mas vc tocou em um que me pega essencialmente...

Sou médica, formada pela USP, cheia de oportunidades de prática privada, mas que sempre quis trabalhar com saúde pública pela minha própria história - que não vem ao caso...

prá poder viver..sem o jaguar que todos apontam serem o carro usual de médicos e sem nunca ter botado os pés fora do país..trabalho, depois de 9 anos de formação - incluída a faculdade e residência - e uma gama de grana pela formação continuada, 80 horas/semana, depois de 21 anos de formada....

não é prá qualquer um aguentar...

mas eu ainda aposto, fazer o que?

vamos ver gerações inteiras de médicos bem e mal formados virando as costas  pro serviço público... E, de quem está dentro concluo: estão certos...

O salário, as condições de trabalho, se tornam dia a dia mais insustentáveis..

é isso, sorry todos, mais desabafo que comentário...

 
 
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JB Costa

Ah, cabocla, não faz isso. Volta a escrever. O blog sem você perde brilho. Aliás, não só você, mas outras comentaristas que não vou citar o nome para não incidir em injustiças. 

As vezes dá, digamos, uma preguiça, principalmente quando as discussões enveredam para a subjetividade extrema e o, nada saudável, exercício da auto-suficiência.

 
 
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cabocla

JB, vc é um  gentleman, raro por aqui...

não escrevo justo do que entendo porque aqui ainda anda o clima - horroroso - da campanha..

vai reciclar, gente que escrevia vai parar - ou já parou - aparecem novos...

e assim la nave vá...

eu só folgo domingo e não sou só eu que acha o ar do blog irrespirável...

vai perder gente boa, aparecerão outros...

não lamente..

abços

 
 
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Francisco Ernesto Guerra

Cabocla,

Belo desbafo e parabéns pela sua opção profissional.  Mas, reconheça, voce é uma minoria bem pequena.

Eu, confesso, sou daqueles que atacam a sua categoria profissional, até o ponto de defender que 100% das vagas nas faculdades públicas  sejam destinadas para cotas raciais e estudantes oriundos das escolas públicas. Filhos de médicos (o amor à medina passa de pai para filhos com uma intensidade incomum em outras profissões) e outros pais abonados, que estudam em excelentes  escolas particulares, que vão estudar em faculdades de medicina particulares, uma vez que estes tem condições de arcar com os custos.

Não tenho receio de dizer que estou cansado de pagar faculdade para este pessoal, via pagamento de impostos, é claro. Além do mais, quem tem coragem de afirmar que a competição do vestibular é justa, equânime?

Bem, a razão de minha desconfiança em relação aos médicos vem das reportagens de jornais, revistas, rádio, boca a boca e todas as demais formas de comunicação possíveis. Médicos, com honrosas exceções, pensam em $. A saúde do povo? Ora... a saúde do povo, não seria responsabilidade do governo federal, ele que pague mais e melhore as condições de trabalho, certo ou errado?

Tão importante quanto as razões do parágrafo anterior, há a minha convivência com médicos. Já há 32 anos sou profissional do ramo imobiliário. Lidar com médicos é extremamente difícil. Se inquilinos, atrasam aluguéis, não querem pagar multa por atraso, não respeitam os contratos e, sobretudo, detonam o imóvel que residem e não querem pagar  os reparos e, de quebra, acham que estão certos ou algo como estão pairando acima da lei, como se fossem... uma categoria humana a parte. Se proprietários (a maior parte dos casos) se acham no direito de pedir mais e mais $ pelo aluguel, não respeitando os três anos da ação revisional, querem entrar no imóvel a todo o momento, querem que o inquilino desocupe o imóvel com contrato em vigor, vendem o imóvel sem dar o direito de preferência, etc, etc, etc. Durante os 20 anos em que fui empregado era obrigado a tolerar este segmento de mercado. Nos doze últimos anos em que sou patrão simplesmente não aprovo inqulino médicos e nem admito proprietários desta profissão, sempre com algumas exceções.

Por favor não se ofenda, o meu relato não é uma opinião baseada numa mera afinidade (ou falta de) pessoal. Na minha atividade acumulamos informações cadastrais e comportamentais dos diferentes estamentos da sociedade e os utilizamos para otimizar o nosso trabalho e oferecer aos clientes um serviço mais eficiente e confiável.

Para finalizar duas observações: Admiro demais o trabalho de alguns médicos, especialmente dos sanitaristas. Tenho também admiração incontida por médicos da extirpe do Dr. Jatene, que, aliás, operou meu pai. E imagino que se o grosso dos médicos fossem oriundos da classes populares saberiam tratá-las melhor.

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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cabocla

se mais gente tivesse contato, como vc, com médicos como Jatene....

que foi meu professsor..

até hj tenho amizade com  ele: escolheu mal e se deu como sua escolhas - me disse uma vez, e estava certo..

então....

 

 

 
 
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Francisco Ernesto Guerra

Cabocla,

A bem da verdade nunca tive contato com o Dr. Jatene. Apenas ele operou o meu pai  no início dos anos 80, que infelizmente veio a falecer. Tinha chegado a hora dele.

A admiração ao Dr. Adib Jatene decorre da atuação corajosa dele em defesa  de uma saúde pública melhor.

 
 
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Bocó-de-mola

Você tem razão.  Com as excessões que confirmam a regra, os médicos do Brasil são mercenários e não estão "nem aih" para o povo Brasileiro.

Sou um usuário frequente do SUS e conheço bem a situação, mesmo morando numa cidade super desenvolvida. Mas tenho 65 anos e aposentado c/5l0 reais e minha mulher é doente e faz hemodiálise.

Não por nada,  são chamados de "a máfia de branco", pelo menos aqui no RS. Hoje estão muito mais envolvidos em lavagem do "pouco" dinheiro que ganham que não declara ao imposto de renda como os assalariados.

Recebem do SUS, via gov.Federal, Estados ou Municípios(mesmo que seja pouco), para trabalhar 20 ou 40 horas semanais e não cumprem nem dez p/cento disso. Sobra o resto do tempo p/seus "particulares.

Ha poucos anos o Governador do Amazonas disse no programa do Jô que estava pagando mais de 30 mil reais p/mes p/médicos atuarem no interior de seu estado. Não apareceu ninguém ou abandonaram logo.  Ainda bem que os Cubanos(que além de melhores são dedicados), que hoje resolvem a maior parte desse problema.

Ainda acho que o problema não é investimento, pois acho que o Brasil gasta mais p/cápita em saúde,  que a maioria dos países da Europa.  Quem tiver dados concretos informe.

 

 

 
 
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Mauro_R

Bocó-de-mola,

Dependendo de onde sua mulher faz hemodialise eu imagino o que voces devem passar.

Mas extrapolar a sua experiencia para todo o resto dos médicos do país tem grande chance de voce pintar um quadro errado.

Primeiro, com as mudanças no imposto de renda, mesmo que o médico só viva de clentes particulares (e  isso hoje em dia é uma minoria), tá cada vez mais dificil sonegar o leão. Provavelmente, se sonega muito menos hoje do que se sonegava antigamente. As coisas estão melhorando

Sobre a questão de ganhar e trabalhar pouco, isso não acontece somente com os médicos no serviço publico. Parte do problema é o salário; tem outras questões tambem. Achar explicação não quer dizer que isso seja certo. Mas quem é que está batalhando para achar soluções pra saúde no Brasil? Não é uma coisa que dependa só da boa vontade dos médicos. E ficar repetindo inúmera vezes que os médicos são "mercenários" adianta muito pouco, porque no final das contas se um dia você precisar vai cair na mão da gente - é melhor você buscar soluções para que eles sejam menos "mercenários", seja lá o que isso quer dizer

Sobre a questão no Amazonas eu realmente desconheço. Em outros países tem médicos que trabalham em lugares distantes, e aqui também tem. Veja os médicos que trabalham em plataformas da petrobras, não sei se chegam a receber este salário, mas eles devem trabalhar la porque tem alguma proposta que faça sentido e tem condições. Pra fazer isso tem de pensar um pouco. Não adianta colocar um anúncio dizendo que vai pagar bem. Quando a usar médicos cubanos ou venezuelanos ilegais não sei se é uma solução - aquela população merece um atendimento de qualidade e não uma "falsa solução" de contratar profissionais ilegais que vão aceitar trabalhar em qualquer condição para sobreviver.

Ao contrário do que voce disse, um dos problemas é investimento. A renda per capita do Brasil é entre 1/4 a 1/3 dos paises desenvolvidos. O investimento em saúde é menor do que isso. Se os caras tem problemas nos paises desenvolvidos gastando 4-6 vezes mais que a gente, não dá pra esperar milagres da saúde no Brasil.



 
 
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Mauro_R

Cabocla,

Tem varias pessoas que leem o blog e não escrevem. Então esse "preconceito" contra os médicos necessariamente não representa a maioria. As pessoas sempre citam os casos dos muitos ricos que são uma pequena porção dos médicos. Quanto ao mau atendimento é um fenômeno que se explica por como o sistema funciona: não dá pra esperar demais de gente que trabalha estressada, que trabalha demais e com formação deficiente tanto técnica quanto na questão humana (nós sabemos que existem diversos Brasis nesta questão da formação médica - os problemas que temos nao sao poucos).

Acho que é importante participar do debate e mostrar um pouco da realidade para quem quer generalizar um fato ocorrido com ele como se representasse a realidade do pais.

Fato é que os médicos tem parte da culpa de como está a medicina hoje. Sou formado em 89 e pra mim a ausência de projetos, seja por nossas entidades médicas ou grupo de pessoas, que façam algum sentido (tanto pra o setor privado quanto público), além da carência de lideranças no cenário nacional com visão de futuro (isto é,  não apenas buscando mudanças com objetivos de favorecimento pessoal ou pra seu grupo) é uma questão que preocupa (quanto tempo vai demorar pra chegarmos a algo um pouco melhor). Pode ser que haja boas propostas por aí , mas se há, elas não tem boa divulgação

E um conselho. Se voce não tem muitas dividas na praça e realmente não quer comprar o tal Jaguar, trabalhar menos de 50 horas por semana é uma coisa muita mais agradável :)

 
 
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cabocla

mauro, colega - suponho....

nem carro tenho, quanto mais jaguar........

o meu primeiro comentário- elevado a post-  foi sobre a promiscuidade médico x indústria farmaceutica...

isso em 2006...

de lá prá cá..

só tomo lambada...

eu desisiti, se vc não, parabéns.

 
 
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cabocla

ah, formei em 89 tb...

 
 
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Mauro_R

Cabocla,

Tomar lambada faz parte de como o blog funciona...

Mas escrever, as vezes, é divertido e, outras vezes, terapêutico :)

Estou mandando um email pra voce - pelo seu nickname era meio dificil saber que a gente era da mesma turma.

 
 
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Igor do Carmo

Enquanto o artigo nos remete a desafios prementes no sentido do pleno desenvolvimento, com democracia, educação, oportunidades e coexistência pacífica, nos deparamos com vídeos e atos da Polícia paulista com a complacência de sua corregedoria e de “seu” braço direito, o ministério público estadual – juntos - estuprando direitos elementares de uma policial civil. Até parece que estamos no Irã de Sakineh. A diferença é que no Irã as autoridades estão na dúvida se matam por enforcamento ou por apedrejamento. Em São Paulo as autoridades não têm dúvida. Despem uma policial, filmam, afirmam que a grana é de corrupção (quem afirma não os mesmos que cometeram o crime de constrangimento ilegal), prendem, julgam e condenam. Tudo no silêncio da impunidade.  Meu Deus!

 
 
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angel

Agora o artigo da presidenta é curioso, pois ela afirma que apenas nas décadas recentes o social tornou-se prioridade, incluindo os governos FHC.

 

angel

 
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silvio campello

e ainda bem que ela fez isso, pois mostra que sabe. O social entrou na pauta do brasil a partir da constituição de 88. E FHC fez algo pelo assunto, sim. Acho pouco o que foi feito, mas foi feito. Tem que sair desse maniqueísmo besta e dar o crédito a quem merece crédito.

 
 

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