O acesso ao ensino médio

Por RODRIGO K T 

Nassif, sem resolver isso não resolveremos nada em relação a educação e futuro do país

Do Valor

Acesso ao ensino médio atinge 'esgotamento' 

Luciano Máximo, de São Paulo
17/06/2010 

De modo diferente do que ocorreu na educação fundamental, a universalização do acesso ao ensino médio no sistema educacional brasileiro está longe de ser atingida. Com taxa de matrículas estagnada nos últimos anos na casa dos 10 milhões de alunos, o ciclo escolar enfrenta alto índice de evasão, "difícil de ser corrigido", segundo Carlos Artexes, diretor do Ministério da Educação (MEC) responsável por políticas públicas nesse segmento.

De acordo com dados organizados pelo pesquisador social Ricardo Paes de Barro, do Instituto Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dois em cada dez jovens brasileiros de 15 a 17 anos estão fora da escola, o que representa 18% da população nessa faixa etária - cerca de 2 milhões de pessoas. Na faixa dos 18 aos 24 anos, 68% dos jovens não estudam. 

Na avaliação de Artexes, a taxa de matrícula atual do ensino médio, estimada em mais de 80% para jovens de 15 a 17 anos, alcançou um "esgotamento". "Isso acontece em qualquer nível de ensino, no fundamental chegamos a 97%; no médio é evidente que a universalização se dê num patamar mais baixo", comenta. Uma das explicações para esse esgotamento, diz o educador, é a decisão do próprio jovem. "Ele está construindo sua autonomia e estar ou não na escola depende cada vez mais dele e menos da posição dos pais", resume.

Já para Paes de Barros, o problema está relacionado à desigualdade social no país. "Esses 18% são famílias pobres em áreas isoladas. O sistema educacional avançou e agora está batendo num núcleo duro e será preciso fazer algo mais especial para conseguir penetrar aí. Pode ser que o Bolsa Família tenha ajudado e transporte escolar é fundamental no acesso", opina.

Paes de Barros diz também que as políticas devem ser moldadas para atrair os jovens que estão atualmente fora da escola. "Para esses excluídos, uma escola com um viés totalmente acadêmico, voltada para o vestibular e a universidade, não vai funcionar. O indivíduo já sabe que não vai poder estudar e vai se perguntar: 'Por que eu vou fazer educação média se eu sei que não vou usar o que aprendi aqui na minha terra?'".

Carlos Artexes sublinhou que a evasão deve ser analisada num contexto de longo prazo. "Não é possível avaliar o problema sem um olhar histórico. Há 20 anos, a taxa de matrículas no ensino médio era de 15%, com 3 milhões de alunos. Conseguimos chegar hoje a 10 milhões", pondera. 

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10 comentários
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MariaDirce

Depois que aumentaram os cursos profissionalizantes pq o aluno vai ficar no fundamental? ele ja parte pro  profissionalizante qdo termina ja tem emprego esperando.O ensino medio ta decadente faz tempo.Não sei pq  ainda existem os colegiais, principalmente  em escolas de periferia, ficam 3 anos perdendo tempo na escola e a noite principalmente tem uma evasão enorme, os meses de maior evasão  começam em agosto os alunos  aproveitam as férias de julho e não voltam mais  qdo  chega no final  do ano la pro dia 22 de dezembro  final do ano letivo  tem em cada  classe  uns 10 alunos mas se inicia o ano com mais de 40 alunos no ensino medio.Principalmente as escolas estaduais  ficaram  absolutamente sem motivação nenhuma.Os alunos mais  carentes vão até as prefeituras pedindo bolsa escola e partem para o ensino profissionalizante.As escolas profissionalizantes por ex Senai,Senac, são excelentes e realmente preparam o aluno  para seu futuro emprego.Acho que deveriam as prefeituras distribuir muito mais bolsa escola que muitos mais alunos iriam para os cursos profissionalizantes que inclusive o Brasil esta precisando  urgente.

 
 
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Concordo, da maneira que está é totalmente ineficiente.

 
 
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MariaDirce

aliás no ensino medio, eu  escrevi  fundamental.O fundamental é fundamental rsrs

 
 
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luka

O ensino tem que ser repensado de maneira profunda mesmo tocando em pontos que são  tabus. O método de ensino e a quantidade de matérias decoreba não são interessantes, ainda mais num momento em que interatividade é tudo. Será mesmo que o que se ensina é absolutamente necessário? Não seria possível fazer um enxugamento de conteúdo ou mesmo dinamizar certas matérias que são esquecidas assim que saímos da escola?

 
 
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Túlio Carvalho

no ensino superior, a preocupação com o "pra que serve" está presente o tempo todo. ontem li a matéria que dava conta da possibilidade da british petroleum perder um contrato com o governo brasileiro de 7bn de doláres por causa do acidente no golfo do méxico. falei pros alunos que os engenheiros da bp possivelmente erraram a solução de algum sistema linear, o que teria causado o vazamento.

a questão "como tapar um buraco" foi colocada para a turma de engenharia civil, com respostas variadas. a verdade, entretanto, é que o que se aprende na universidade é como passar nas matérias sem muito esforço. aprende-se como lidar com cada professor, e não como lidar com problemas.

na universidade estadual de londrina, informo que o curso de medicina tem a metodologia do "problem based learning" (aprendizado a partir de problemas), que pode ser uma saída interessante. por que isto não é ensaiado em cursos de engenharia?

 
 
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Calvin

Esse Paes de Barros está na equipe da Marina, assim como o Furlan (ex-MDIC/Sadia)

 
 
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João Rafael

De novo o problema vai se restringir à quantidade e não à qualidade. O Ensino fundamental está com lotação máxima, a qualidade piorou sensivelmente...agora abrir-se-á as portas do Ensino Médio sem a devida preocupação com as condições de trabalho dos profissionais, sem uma estrutura adequada, sem um debate sobre "o que ensinar"...

 

O problema da quantidade deve suceder o da qualidade...

 

Um país democrático em desenvolvimento não alcançará sustentabilidade sem uma educação de qualidade.

 
 
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Vivian S.

O problema é a pobreza dessas familias. Esse jovens partem para o trabalho desde o fim do ensino médio, eles não têm, muitas vezes, nem acesso ao ensino profissionalizante, como dito aqui. So um salario minimo muito maior que o atual e ajudas do Estado para alcaçar as familias que ainda estão à margem. E tem muitos que ainda questionam o Bolsa Escola. 

 
 
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Dimas

Diferentemente do que se afirma acima, o ensino profissionalizante ja foi tentado ha muitos anos, com muito investimento e pouco resultado deu. Hoje as Etecs não tem o nivel das Escolas técnicas originais. Mesmo assim, consegue resultado muito superiores ao conjunto do ensino medio por uma simples razão: os alunos são selecionados e as escolas contam com uma infraestrutura muito superior a da totalidade das escolas regulares. Essa comparação é portanto completamente equivocada. Como é equivocada a idéia de enxugar o curriculo. Aos que desconhecem a realidade da escola pública aviso que isso ja é realizado pela maioria dos professores. O problema é que a base cultural da maioria dos alunos e bastante insuficiente e isto vem se refletindo inclusive na formação dos professores. As escolas públicas por sua vez são completamente desprovidas de quadro de pessoal adequado. Os coordenadores são escolhidos entre os professores, não tem formação especifica para desempenhar sua função e normalmente suas atribuições são desviadas para atividades burocraticas. Por sinal, tudo é centrado no burocratico e a educação e completamente esquecida.

 
 

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