O abandono social e o crack

Da Carta Maior

Crack é usado por miseráveis porque é barato

A explicação é tão simples que parece óbvia, mas para o especialista Dartiu Xavier da Silveira apenas o preço define o fato de que na Cracolância se fuma o crack. A droga vicia tanto quanto qualquer outra, inclusive o álcool, e as taxas de sucesso no tratamento são as mesmas. A diferença é que, neste caso, o “ser miserável” precede o “fumar crack”. Qualquer política de combate ao uso da droga tende ao fracasso, se não for precedida de uma política social conseqüente. Silveira define o lobby da comunidade terapêutica para drogados junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) como “pesado”, e diz que a ação policial na Cracolândia é simplesmente “política e midiática”. A reportagem é de Maria Inês Nassif.

São Paulo - O grande equívoco da ação policial do governo do Estado de São Paulo e da prefeitura da capital na chamada Cracolândia, o perímetro onde se aglomeram moradores de rua e dependentes de crack na cidade, definiu, de cara, o fracasso da operação: o poder público partiu do princípio de que a droga colocou aqueles usuários em situação de miséria, quando na verdade foi a miséria que os levou à droga. Esse erro de avaliação, segundo o psiquiatra e professor Dartiu Xavier da Silveira, por si só já desqualifica a ação policial. Professor do Departamento de Psiquiatria e coordenador do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (PROAD), Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Silveira há 25 anos orienta pesquisas com usuários de drogas e moradores de rua, normalmente patrocinadas pela Organização das Nações Unidas, e tem sido consultor do Ministério da Saúde na definição do Plano de Combate ao Crack. Nas horas vagas, ele desmistifica os argumentos usados pela prefeitura, município e uma parcela de psiquiatras sobre usuários de drogas. 

A primeira contestação é essa: o abandono social vem antes, o crack vem depois. E a política social tem que preceder qualquer ação junto a essa comunidade, inclusive a médica. 

Outras desmistificações vêm a tiracolo. O crack é droga pesada, concorda ele, mas o dependente da droga tem as mesmas chances de cair no vício do que um usuário de álcool, por exemplo. “Em qualquer droga existem os usuários ocasionais e os dependentes”, diz o médico. Inclusive no caso do crack. O tratamento por internação compulsória de qualquer uma – álcool, cocaína etc – situa-se na ordem de 2%, ou seja, 98% dos usuários internados compulsoriamente, inclusive os de crack, não conseguem manter abstinência. O tratamento ambulatorial garante a maior taxa de sucesso, de 35% a 40% dos usuários tratados. Isso também vale para os usuários de crack. 

Daí, outra mistificação é derrubada pelo médico: não se joga simplesmente fora os outros 60% a 65% que não vão conseguir se manter abstinentes. Do ponto de vista da saúde pública, é um ganho se o usuário se beneficiar de uma política de redução dos riscos. “O usuário não vai parar, mas pode reduzir o uso e até estudar ou trabalhar”, afirma. Isso vale também para o viciado em crack. 

Por que o crack e não outra droga? Porque a população miserável só pode comprar o crack. Existem usuários de classe média, concorda Silveira, mas crack, pobreza e população em situação de rua são situações que convergem. “A gente sempre tem essa noção de que a rua é um espaço horrível, e é mesmo, mas em muitos casos a situação da família é tão agressiva que é um alivio para a criança estar fora de casa.”

Com todas essas evidências de que o problema da Cracolândia é fundamentalmente social, Silveira apenas consegue atribuir ações policiais na área e a defesa instransigente que políticos e profissionais de saúde fazem da internação compulsória como ligadas a “causas menos nobres”. Que envolvem também interesses econômicos de alguns médicos.

CARTA MAIOR: Como o crack pode deixar de ser tratado como um caso de polícia para tornar-se política pública?

DARTIU XAVIER DA SILVEIRA: Essa ação (policial) na Cracolândia começou com um equívoco básico, que é atribuir aquela situação à presença da droga. É como se a droga tivesse colocado aquelas pessoas em situação de miséria, e isso não é verdade. Todos os estudos feitos com população de rua mostram que, na realidade, o que leva essas pessoas ao crack é a exclusão social, a falta de acesso à educação, saúde e moradia, ou seja, a privação da própria cidadania e identidade. Isto, sim, é um fator de risco para a droga. A droga vem porque tem um prato cheio para florescer. A droga é consequência, não é causa disso.

CARTA MAIOR: Então, essa história de que o crack está atingindo as famílias de classe média no geral é uma bobagem?

SILVEIRA: Ela atinge também a classe média, mas não com a gravidade com que atinge as pessoas mais pobres, porque a situação delas é grave do ponto de vista social, não apenas do ponto de vista do consumo da droga. É uma população mais vulnerável. E por que é o crack? Porque é a droga mais barata para essa população mais miserável. Se fosse na Europa não seria o crack. As populações excluídas da Europa do Leste também abusam, mas de heroína ou de álcool, porque lá crack seria muito caro. Mas essa é a situação que se vê no mundo inteiro entre as populações excluídas. O abuso de drogas é igual, só que a droga usada é a mais barata. Por conta desse equívoco básico, existe esse discurso que diaboliza o crack, faz da droga a causa de tudo. 

CARTA MAIOR: A política social, então, deve preceder qualquer outro tipo de política?

SILVEIRA: Exatamente. Existe outro dado alarmante, e as pessoas se esquecem disso, que é um dado epidemiológico. As pesquisas mostram: pode pegar qualquer droga, lícita ou ilícita – álcool, cocaína, qualquer substância. Existem sempre os usuários ocasionais e as pessoas que são dependentes. E isso ocorre também com o crack. Até para drogas pesadas existem usuários ocasionais. Do ponto de vista médico, as pesquisas são direcionadas para entender isso: por que, por exemplo, pessoas conseguem beber socialmente e outras viram alcoólatras. Por que tem gente que consegue cheirar cocaína esporadicamente e tem gente que é dependente? As respostas são muito parecidas. O que vai diferenciar um usuário ocasional de um dependente são outros fatores que não têm nada a ver com a droga: se a pessoa tem outro problema psíquico associado, como depressão e ansiedade, e começa a usar o álcool e a cocaína para resolver problemas, ou situações de muito stress... Numa situação como a das pessoas que vivem na Cracolândia, ser morador de rua já é, por si só, uma situação de risco.

CARTA MAIOR: No caso de criança é uma situação de abandono completo? Não dá para imaginar uma criança com grande problema psíquico ou stress em condições minimamente normais, não é?

SILVEIRA: Sim, é uma situação de abandono completo. O stress que estou falando é de forma geral, que afeta também a classe média. Na situação da Cracolândia, o abandono é fundamentalmente a situação de risco. Têm crianças de classe média que abusam de algumas drogas também, mas elas normalmente vêm de famílias muito desestruturadas, têm pais muito agressivos. Esse não é um ‘privilégio’ da classe desfavorecida. Mas numa situação extrema de crianças de rua, o risco é altíssimo, porque essa criança é privada de tudo.

CARTA MAIOR: Como é a família de uma criança de rua e usuária de droga? Ela tem alguma possibilidade de reatar laços afetivos?

SILVEIRA: Algumas famílias têm condições, e quanto a gente identifica essa possibilidade, faz a intermediação. Outras famílias, não. A gente tem sempre essa noção de que a rua é um espaço horrível – e é mesmo horrível morar na rua – mas em muitos casos a situação da família é tão agressiva que ir para a rua é um alívio para a criança. Por exemplo, muitas crianças vão para a rua porque não aguentam o abuso sexual dentro de casa, por parte do pai, ou do irmão mais velho. Ir para a rua pode ser uma progressão positiva, pode representar escapar de uma situação muito inóspita de vida. Tem uma situação até emblemática, relatada em um trabalho que fizemos com adolescentes de rua. Identificamos vários adolescentes usando drogas. A uma delas, a gente perguntou: por que você usa droga, o que você está procurando na droga? A resposta dela foi um tapa na cara da gente. Ela virou e disse: ‘olha, tio (veja você, uma cabecinha de criança, me chamando de tio), eu nem gosto muito do efeito da droga, mas o problema é que para eu sobreviver na rua eu preciso me prostituir, e para eu suportar uma relação sexual com um adulto só sob o efeito de droga.’ Agora, como dizer que a droga é um problema na vida dessa menina? A droga é uma forma de solução, para ela conseguir sobreviver. A droga já é consequência de uma situação de prostituição que ela foi obrigada a encarar por omissão do Estado, da sociedade como um todo. O depoimento dessa menina torna todas essas justificativas para as ações feitas na Cracolândia uma hipocrisia, uma total falta de sensibilidade para reconhecer o fenômeno.

CARTA MAIOR: Outro mito do crack é que é a droga definitiva, que é impossível livrar-se dela. Isso é verdade?

SILVEIRA: É um mito completo. Ela não é uma droga pior que heroína, que a cocaína, em termos de grau de dependência. É difícil sair? É, mas é difícil como qualquer droga. O crack não é pior. 

CARTA MAIOR: Então, para essa população, a questão é muito mais uma política social do que médica.

SILVEIRA: Exatamente. Por isso que os trabalhos mais bem-sucedidos são os feitos in loco, por meio de educadores de rua, desses agentes de saúde. Não são médicos que vão fazer uma consulta médica na rua. A gente chama de consultório de rua mas não é um consultório. A equipe vai investigar o que está acontecendo caso a caso, se a pessoa está com falta do quê, de lugar para morar, ou o problema é o relacionamento com a família, ou o problema é assédio de algum tipo, por parte de alguém. É uma coisa mais social, mesmo.

CARTA MAIOR: É um encaminhamento de assistência social e os profissionais de saúde só entram quando for o caso para aquela pessoa?

SILVEIRA: Frequentemente os aspectos psicológicos são muito relevantes, porque essas crianças estão psicologicamente abaladas – não apenas elas, aliás, mas os jovens, os moradores de rua em geral. Mas a intervenção médica, mesmo nesses casos – e não estou desqualificando a importância dela – não é primordial.

CARTA MAIOR: Então a intervenção médica é só para casos extremos.

SILVEIRA: Exatamente.

CARTA MAIOR: E desde que não seja internação compulsória?

SILVEIRA: Desde que não seja compulsória. As experiências de internação compulsória são simplesmente um fracasso. As taxas de insucesso chegam a 98%. Na hora que você interna compulsoriamente uma pessoa, ela não vai ter acesso à droga porque está em isolamento social. Nessa condição, é fácil para um dependente se manter abstinente. Na hora que sair de lá e voltar para os problemas da vida, no entanto, essa pessoa recai. 98% recaem. Isso, sem questionar que o governo não tem equipamento para fazer internação compulsória de todo mundo. As internações são feitas geralmente em verdadeiros depósitos de drogados. Parecem mais um campo de concentração do que uma estrutura hospitalar.

CARTA MAIOR: E é tudo privatizado, não é?

SILVEIRA: E a privatização não melhorou nada essa situação. Os hospitais psiquiátricos privados têm um custo baixíssimo. A economia é feita com a contratação de pessoal. Não existem equipes adequadas para tratar esses dependentes. É um trabalho muito porco, de segunda categoria.

CARTA MAIOR: Esse atendimento privado se misturou muito com religião?

SILVEIRA: Sim, e isso não é bom. Eu não tenho nada contra religião, não é uma questão de princípio, mas o que se vê são diversos grupos religiosos montando o que eles chamam de “comunidades terapêuticas” que partem do princípio de que só a intenção e a conversão religiosa são fator de cura. A maioria dos casos não tem bom resultado. E por quê? Porque a gente sabe que o melhor tipo de tratamento para a dependência química é feito por uma equipe multidisciplinar. A grande maioria das comunidades terapêuticas não tem equipes para trabalhar com dependentes.

CARTA MAIOR: O relatório do Conselho Federal de Medicina sobre as clínicas de tratamento para drogados é impressionante.

SILVEIRA: O relatório é dramático. E é verdadeiro. No relatório tem até denúncias de abuso, espancamento, maus-tratos a pacientes, ou seja, não são pessoas minimamente capacitadas para darem conta do problema que estão lidando com os usuários nesses lugares.

CARTA MAIOR: Isso acaba sendo a reintrodução do manicômio, mas para dependente químico?

SILVEIRA: Exatamente. A Lei Antimanicomial vai por água abaixo, porque o sistema manicomial está voltando sob a justificativa de que a droga demanda uma intervenção urgente. E isso não é verdade.

CARTA MAIOR: Isso está sendo um motivo de discórdia grande dentro da sua área de especialidade? Não faz muito tempo, a luta pela Lei Antimanicomial foi abraçada como uma luta pelos Direitos Humanos.

SILVEIRA: E a lei foi um ganho muito importante. Só vou abrir parênteses nessa questão: eu não sou contra a internação, eu interno meus pacientes, mas apenas quando eles precisam. Eu não interno por questão social, ou porque a família está me pressionando, ou porque não se aguenta o paciente em casa. Os abusos que se cometiam nessas internações, isso acho intolerável, se internava muito mais do que era necessário. Hoje em dia se interna ainda, é importante ter espaços de internação, mas é para casos excepcionais, não para a regra. É para surto psicótico ou risco de suicídio. Ponto. Não tem outra aplicação.

CARTA MAIOR: Dos programas que estão sendo anunciados por município, Estados e União, tem algum que não assume essas orientação da internação compulsória?

SILVEIRA: Os programas de intervenção mais eficazes para dependentes são os que adotam o modelo ambulatorial, onde o paciente aprende a se manter abstinente convivendo em sociedade, com a ajuda de uma equipe multidisciplinar. Essa proposta estaria plenamente contemplada nas orientações do Ministério da Saúde e dentro da filosofia do Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS), e existe um número mínimo de CAPS para fazer esse trabalho. O problema, no entanto, são as equipes dos CAPS – falta gente e falta gente bem treinada. Existem exceções, é lógico, como o da Água Funda, um modelo que deu muito certo. Porque não é desumano.

CARTA MAIOR: Ainda assim os resultados são melhores do que a internação compulsória?

SILVEIRA: Em regra, os melhores resultados, em relação à dependência química, giram em torno de 35% a 40%, contra os 2% da internação compulsória. Os que sobram, de 60% a 65%, no entanto, não podem ser apenas considerados um fracasso e pronto. O que nós aprendemos nos últimos anos é que mesmo as pessoas que não conseguem ficar em abstinência podem se beneficiar de política de redução de danos. Esse usuário pode não vai ficar completamente abstinente, não vai parar, mas vai se drogar com uma frequência menor, em circunstâncias de menos risco. Do ponto de vista da saúde pública, é um avanço se esse usuário for mantido em condições de estudar, trabalhar, levar uma vida normal.

CARTA MAIOR: A internação ajuda a desintoxicação inicial, ao menos?

SILVEIRA: A desintoxicação não precisa ser feita na internação, e se as pessoas forem internadas, o ideal é que não ultrapasse os 90 dias. Para a grande maioria das pessoas, é possível fazer a desintoxicação com medicamentos que tiram a crise de abstinência. Elas podem levar vida normal. Isso já é possível com o avanço da medicina. Os CAPS-AD (específicos para dependentes de álcool e drogas) têm esse tipo de medicação, mas poucas equipes capacitadas a administrá-las.

CARTA MAIOR: Se as diferenças de resultado são tão grandes, por que ainda se defende a internação?

SILVEIRA: As causas para defesa da internação não são nada nobres. Em primeiro lugar, acho que a ação feita na Cracolândia foi uma mera ação política e midiática. Para uma população menos informada, a impressão que se tem, numa ação policial como essa, é que o poder público está desempenhando muito bem suas funções. A grande maioria das pessoas que defende a internação compulsória ou é despreparada, ou é de médicos que têm interesses econômicos nisso. Como o SUS (Sistema Único de Saúde) não tem leitos para atender uma demanda dessa, vai ter que contratar leitos de hospitais particulares. E isso interessa a muitos médicos.

CARTA MAIOR: O lobby das clínicas é pesado, então?

SILVEIRA: A atual gestão do Ministério da Saúde é muito séria e está tentando fazer o melhor possível, mas enfrenta uma série de problemas. O pior deles é, de fato, o grande lobby da comunidade terapêutica para drogados junto ao SUS. O Ministério está sendo obrigado a engolir goela abaixo essas pressões, em prejuízo de seu próprio projeto, que é muito mais eficiente.

Nenhum voto
25 comentários
imagem de foo
foo

"o poder público partiu do princípio de que a droga colocou aqueles usuários em situação de miséria, quando na verdade foi a miséria que os levou à droga"


Notícia antiga, mas relevante para essa discussão:


Ocupação no Alemão vai dobrar o preço da maconha, diz PRF

 

Quilo da droga passará a R$ 100; já no Rio, entorpecente custará R$ 700

 

Informações do setor de Inteligência da PRF (Polícia Rodoviária Federal) no Mato Grosso do Sul revelam que, com a ocupação no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, o preço do quilo da maconha vai dobrar na fronteira do Brasil com o Paraguai e também quando a droga chegar à capital fluminense.

 

Segundo a PRF, o quilo da maconha na fronteira custa cerca de R$ 40 para os fornecedores que levam o entorpecente para o Rio. Com os bandidos cariocas "descapitalizados", os paraguaios que produzem a droga em fazendas do país vizinho, deverão aumentar o preço do quilo para R$ 100.

 

Já na capital fluminense, o quilo da maconha que vem do Paraguai custa R$ 300. Segundo a PRF, com o reajuste na fronteira, o quilo passará para R$ 700.

 

- Os traficantes paraguaios estão até comemorando o problema que houve no Rio porque vão aumentar o preço - afirmou um policial rodoviário.

 

A PRF ainda não conseguiu descobrir se haverá impacto também no preço da cocaína e do crack. Na fronteira, o quilo da cocaína sai por cerca de R$ 7.000. Já o do crack, R$ 6.000. No Rio, o custo aumenta (R$ 12 mil a cocaína e R$ 11 mil o crack). Ainda não foi calculado também se haverá aumento para o consumidor.

 

http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/ocupacao-no-alemao-vai-do...

 

 
 
imagem de Fuhgeddaboudit™
Fuhgeddaboudit™

O álccol provoca depedência assim como, mata com o tempo.

Entretanto, equipará-lo ao "crack" em um dos seus aspectos negativos principais é demagocgia ou desconhecido total, da causa e efeito. A comparação só se aplica a consequências clínicas, de médio prazo ou longo prazo.

O álcool provoca o que todos, aqui, em recorde de "audiência" ao POST, viram os últimos dias, com seus próprios olhos: "a fragilidade ou a inconsciência", deixando o alcoollizado sem forças para agir contra outras pessoas po se dender delas (naquele caso da TV, não sei se foi uma ação calculada - eu não estava, junto, com eles, na cama, para saber).

Por seu turno, o "crack", deixa o dependente "superativo", mas, sem controle sobre si mesmo, levando-o a cometer atrocidades das mais diversas, inclusive um assassinato. 


 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
imagem de foo
foo

Eu concordo contigo. Não dá para comparar crack com álcool. Mas existem comparações que podem (e devem) ser feitas:

Fonte: nida.nih.gov

 

 
 
imagem de Fuhgeddaboudit™
Fuhgeddaboudit™

Nada a opor.

E, acrescentando: existem, certamente, 1000 vezes mais dependentes de álccol do que do crack, no Brasil. Deste fato se conclui que, o problema em São Paulo, é escancaradamente uma forma menor e apequenada de deturpar r minar as ações políticas de Alckmin (de quem não sou eleitor), vis-à-vis o desespero do PT em ter a Prefeitura e o Estado sob seu comando. E, para tal, Lula já admite vender sua alma a um agente do inferno, mesmo que o demônoio, depois de Baralho e Sirney, agora seja Kassab.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
imagem de Sanzio
Sanzio

Oba, agora quando receber uma visita em sua casa você pode oferecer um cafezinho e um baseado!

Existem comparações que podem e devem ser feitas, mas elas de nada valem se compararmos apenas os riscos dos fatores relacionados (dependência, tolerância, intoxicação, etc.), sem comparar o potencial de dano de cada droga, ao indivíduo e à sociedade.

A nicotina tem o dobro do potencial de gerar dependência que o álcool, mas eu posso fumar 3 maços de cigarro e sair dirigindo que não vou causar nenhum acidente, enquanto  tomar meia garrafa de scotch e pegar o carro é quase certeza de problemas. Pelo quadro fica parecendo que a nicotina é a pior droga e a maconha a "menos pior", o que é um absurdo.

Essas comparações simplesmente não fazem sentido quando se comparam drogas que alteram os sentidos e o comportamento (cocaina, heroina, álcool, crack, maconha) com outras que não causam esse efeito, como nicotina e cafeina.

 
 
imagem de armando botelho
armando botelho

Caro Sanzio , concordo contigo em parte , mas como dizem toda droga é uma muleta , e se é uma muleta é porque o individúo esta precisando de um apoio , e quase sempre este apoio  tem  que ser um acompanhamento socioeducativo e psicológico , pois não é a nicotina que vai suprir suas carencias muito pelo contrário ,esta   fuga vai custar caro a sua saúde .


Tem tambem a predisposição genética e  o individúo no primeiro gole ou no primeiro cigarro o vicio ja esta presente .   Agora temos ai estas drogas devastadoras que transforman o cara num zumbi , e a atuação da polícia no primeiro momento foi impactante , porque até então nada vinha sendo feito , pelo menos causou uma mobilização contra e a favor e dai parece que vai sair alguma coisa prática para tirar nossos irmãos da rua e reintegra los no meio familiar e no trabalho .

 
 
imagem de Marcia
Marcia

Deveriam convidar os patrocinadores do BBB para ajudar na campanha  de cpmbate ap crak.

 
 
imagem de IV AVATAR
IV AVATAR

Márcia, boa idéia, e cobrar também das empresas ligadas à especulação imobiliária, que exigem da prefeitura construção de obras tipo viadutos, com grana dos cidadãos, os imóveis são valorizados e a corporocracia não desembolsa seque 1 centavo.

E quanto à segregação social dos usuários de crack, um ponto a ser debatido é o da internação forçada x voluntária, isso tem a ver com o filme Bicho de 7 Cabeças, tem a ver com a visão de  Ferreira Gullar (o poeta é contra a luta antimanicomial que, como se sabe, desafiou a indústria farmacêutica e a mediciana mercenária ao implodir os velhos manicômios),...etc etc, segue texto de Wladimir Saflate e Paulo Henrique Amorim sobre o assunto, sendo que Saflate é contra a internação compulsória

http://www.spincurador.blogspot.com/2012/01/alckmin-e-o-poder-curador-do-porrete.html

 
 
imagem de Marcia
Marcia

Muito bom o texto. Concordo.

PM que bate em dependentes químicos não merece meu respeito.

 
 
imagem de Alexandre Werner
Alexandre Werner

Puxa...

Mas é PM é um aparato de repressão do Estado. Necessário para combater e coibir crimes. Mas ae eles pegam alguém em flagrante, a justiça manda soltar. Querem fazer uma investigação, só existe perícia na capital. Correm o risco de tomar um tiro todos os dias mas o contracheque é uma vergonha.

O problema não é a PM bater no kra... o problema é mandar a PM lá. Os kras não foram preparados para isso. E nem deveriam. Não é pra isso que existe polícia. E o Estado não prepara e nem dá condições para a PM fazer ao menos o que deveria fazer.

Não gosto de criticar a polícia por causa disso. Vejo um PM e o que vejo é um cara mal pago, mal treinado, pra fazer um puta dum trabalho.

Eu não faria melhor.

Mas os governadores engravatados em seus gabinetes... esses sim são culpados pelo fato de a PM bater em drogado, brigar com estudantes, etc. etc...

 
 
imagem de Michel
Michel

Até que enfim uma reportagem lúcida sobre o tema. Já cansei de dizer que a campanha "crack mata" é tão estúpida quanto dizer que "álcool mata" ou "cocaína mata". Conheço pessoas que fumam crack há anos e estão aí vivas (diríamos assim) como aquelas, as quais tb conheço, que cheiram pó, bebem, fumam... Neste sentido, conheço tb pessoas que há anos consomem hambúrguer, batata frita, sorvete e refrigerante - e que tb estão vivas, pode? Conforme dá p/ constatar, não é uma questão de morte, mas sim de velocidade para sua conquista. 

 
 
imagem de Nagibe
Nagibe

" vivas (diríamos assim)"

Ah bom...explicado.

 
 
imagem de vera lucia venturini
vera lucia venturini

Meus cumprimentos a Maria Inês Nassif pela sua sensibilidade social e jornalismo ético. A reportagem é desmistificadora e apresenta ao menos uma direção a ser tomada neste pesadelo das drogas.


Eu mesmo vi o sabe tudo Drauzio Varella defender na Globo a internação compulsória dos viciados em crack porque era uma droga devastadora. E agora, Drauzio?

 

Vera Lucia Venturini

 
imagem de foo
foo

Acho que o Dr. Dartiu (ou a jornalista) fizeram uma simplificação.

Aqui está um gráfico que mostra a relação entre dependência e prejuízos à saude de diversas drogas:

 

Claramente, o LSD e a maconha são menos aditivos e menos prejudiciais à saúde do que o álcool, o tabaco, a cocaína e a heroina. O crack não aparece nesse gráfico, mas eu suponho que ele deve estar junto à cocaína e a heroina.

Respondendo então a pergunta: porque os dependentes de rua usam crack, e não maconha? A questão não é o preço, pois a maconha é relativamente barata. A razão é que o crack vicia muito mais, e é muito mais barato do que a cocaína e a heroina.

A solução não é "prender e arrebentar", como parece ter sido a política de São Paulo.

A solução é oferecer um ambiente seguro e controlado onde o usuário possa ser liberado, aos poucos, do vício -- ou substitui-lo por substâncias menos nocivas.

 

 
 
imagem de Mario Blaya
Mario Blaya

bom desmistificadora para vc, apontar uma direção não significa ser a direção certa!

criticar o Drauzio apenas porque ele fala na Globo e a coisa mais estupida que alguém faz, e somente faz isso os doutrinados na fé petista, que se equivalem aos alemães que jogavam livros proibidos pelo governo nazista na fogueira ou que queimavam bruxas!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
imagem de IV AVATAR
IV AVATAR

O post "O abandono social e o crack" é muito bom, temos muito o que destacar, me chamou a atenção, mais uma vez, que ficar somente na internet não nos leva a compreender o quadro nem acabar com o preconceito, isso ficou evidente quando o entrevistado revelou se deparar com a realidade da garota que usa o crack para suportar a rua, o prostituir-se com adultos.

Também interesses por parte de grupos de direita  em desconstruir a luta e o discurso antimanicomiais que, é claro, são contra a medicina e farmacologia mercenárias

E também quanto ao "crack" ser barato. Na verdade é um barato que sai caro. Dias atrás ao conversar com um "usuário anti-social', o mesmo me disse que termina ficando caro porque a droga tem que ser usada várias vezes. Da primeira vez, disse-me ele, o 'noiado' leva 10 reais, quando acaba a grana leva a própria camisa, depois a calça

Disse ele "por isso estou maltrapilho como você". E mendou: sou jornalista e locutor. Faço várias vozes (isso é verdade, ele demonstrou para mim). Você acha que é fácil para mim entrar no ônibus, vê todo mundo bem arrumado, perfurmado, indo para o trabalho com suas pastas e eu exalando droga pelos poros?

A droga fede, disse-me ele, concluindo que gostaria de ficar apenas na "lirica" (grupos de pessoas usando o crack) mas sem usar, somente observando. Mas não consigo. Ao nos despedirmos ele me disse que nunca havia roubado para sustentar o vício, que trabalhava prá isso, que faz serviço braçal, às vezes ganha 10 reais por dia, vi que as mãos dele eram grossas, e pediu que eu lhe indicasse para algum trabalho.

 

 

 

 
 
imagem de Plínio J. V. Lins
Plínio J. V. Lins

Falo do que vi aqui em Maceió, nos muitos anos de reportagem e edição de que tenho participado.

A droga dos pobres, pobres mesmo, até um tempo atrás, era a cola de sapateiro. A gente já fotografou, e deu na primeira página, fotos da praça em frente ao Palácio do Governo, a solenidade de hasteamento das bandeiras às segundas-feiras, a tropa da PM formada, o então governador hasteando o pavilhão, tudo muito bonito - e no canto da foto, o detalhe que domina a cena, um garoto com a garrafinha plástica pendurada na boca, cheirando cola. Eles eram parte da paisagem, a polícia nem ligava mais.

Esses meninos migraram para o crack. Cola de sapateiro ficou difícil de comprar, foi proibida até, encareceu. O crack foi a migração natural por causa do preço, o Dr. Silveira tem toda razão.

Com uma diferença. Aliás, algumas diferenças e uma dúvida que me ocorre agora. As diferenças: o crack parece provocar muito mais dependência que a cola. O resultado é que, fumada aquela pedra, o usuário, se estiver na dependência, vai usar, para conseguir mais droga, meios que não usava antes. Ele cai matando para arranjar dinheiro. Assalta, rouba e, se estiver morando com a família, tira de dentro de casa, essas coisas que todo mundo sabe.

Maceió hoje é a capital com mais homicídios per capita no país. Não há como dissociar isso da pobreza extrema que habita a periferia da cidade. As vítimas são, na imensa maioria, jovens metidos com drogas. E o motivo das mortes, quase sempre, é "dívida de nóia". Ele pega fiado duas pedras, 10 reais. Se não paga no prazo, o traficante não quer nem saber: mata, que é pra dar o exemplo e avisar aos outros. A lei é esta: dívida de nóia, não pagou, vai pro saco. Vira estatística.

A minha dúvida é: o efeito do crack faz passar a fome?

Pergunto isso a quem estuda o assunto porque no tempo da cola de sapateiro, os meninos diziam que cheiravam cola pra enganar a fome; ela dava sono e o menino ou menina de rua conseguia dormir. No crack, acho que é diferente, por isso pergunto. Mal comparando, os efeitos da cola versus crack são como o da maconha versus cocaína: um dá lassidão quando acaba; o outro dá vontade de fumar mais a qualquer preço.

Então, pra mim, o Dr. Silveira está certo nesse ponto e em outros. O usuário do crack, dependente ou não, consome a "sua" droga, a da faixa de mercado. Em relação à cola de sapateiro, houve um upgrade de potencial viciante, de efeito (uma dava lombra, outra dá nóia) e de violência para conseguir.  

 
 
imagem de Mario Blaya
Mario Blaya

Outras desmistificações vêm a tiracolo. O crack é droga pesada, concorda ele, mas o dependente da droga tem as mesmas chances de cair no vício do que um usuário de álcool, por exemplo. “Em qualquer droga existem os usuários ocasionais e os dependentes”, diz o médico. 


esse comentario me faz duvidar da qualificação do medico, afinal o alcool cria dependencia sim, mas não na rapides do crack, e o alcool tem possibilidade de reabilitação mais facil que o crack!  esse medico não pode ser levado a serio!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
imagem de foo
foo

O Dr. Dartiu é um médico muito sério e responsável. Ele sabe do que está falando.

Mas a comparação entre o crack e o álcool foi infeliz. O crack é muito mais viciante e mais prejudicial à saúde do que o álcool.

 
 
imagem de Nagibe
Nagibe

Eu não tenho dúvida Mário...o comentário mostra que o cara não tem qualificação mesmo. Deve ter gazeteado as aulas de estatística no colegial.

É mais do mesmo - daqueles que acham que 'política social' resolve tudo, que nóia é coitadinho, que bandido é vitima da sociedade e etc. Defendem a indústria do qual tiram o sustento.

É por isso que as cracolândias não acabam - interessam a muita gente. E nós brasileiros optamos por ser um país onde todos os interesses tem que ser acomodados, sem juízo de valor.

 
 
imagem de Sanzio
Sanzio

Caracas, mais um a fazer coro com o Blaya. O Dr. Dartiu é reconhecido internacionalmente por seu trabalho sobre dependência química, é reconhecido por seus pares, incluindo-se o ídolo do Blaya, o midiático Dr. Dráusio (sim, é midiático, independente de suas qualificações), e vocês vem aqui falar dele como se fosse um picareta. Acho que vocês precisam se informar um pouco melhor antes de sair cuspindo asneira sobre as pessoas.

 
 
imagem de Nagibe
Nagibe

O fato de ser reconhecido, laureado e incensado nunca foi fator limitante para se dizer besteiras.

Basta comparar a proporção entre dependentes sobre o total de consumidores do crack e do alcool para ver que o ilustre doutor, motivado por outras razões que não a ciência, falou bobagem - ou jogou pra galera, afinal besteiras atraem mais mídia do que ciência.

Por isso é bom de vez em quando analisar o que os laureados falam, Sanzio. Pensar nunca fez mal.

 
 
imagem de aliancaliberal
aliancaliberal

O texto não leva em conta a responsabildade individual, as escolhas feitas que não dependem da situação economica.

Ate parece que é barato manter o vicio em Crack se a pedra custar 5 reais e se comsumir 5 vezes ao dia  da 750 reais por mês.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
imagem de Renato Santiago
Renato Santiago

Um vizinho aqui, o Paulo, saiu de casa e tá na rua, por causa de droga. Os familiares pressionaram para ele deixar a droga. "Deixa isso cara", diziam. O Paulo não aguentou a pressão e preferiu sair de casa.

 
 
imagem de clemente
clemente

acho que a afirmativa do medico sobre  causa e efeito - pobreza (ou miseria) X dependencia, é uma falacia,  se assim fosse todas as favelas pelo Brasil afora, seriam imensas cracolandias, o que, evidentemente nao é verdade

 
 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!