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O abandono social e o crackEnviado por luisnassif, qua, 18/01/2012 - 10:18Da Carta Maior Crack é usado por miseráveis porque é baratoA explicação é tão simples que parece óbvia, mas para o especialista Dartiu Xavier da Silveira apenas o preço define o fato de que na Cracolância se fuma o crack. A droga vicia tanto quanto qualquer outra, inclusive o álcool, e as taxas de sucesso no tratamento são as mesmas. A diferença é que, neste caso, o “ser miserável” precede o “fumar crack”. Qualquer política de combate ao uso da droga tende ao fracasso, se não for precedida de uma política social conseqüente. Silveira define o lobby da comunidade terapêutica para drogados junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) como “pesado”, e diz que a ação policial na Cracolândia é simplesmente “política e midiática”. A reportagem é de Maria Inês Nassif.Maria Inês Nassif São Paulo - O grande equívoco da ação policial do governo do Estado de São Paulo e da prefeitura da capital na chamada Cracolândia, o perímetro onde se aglomeram moradores de rua e dependentes de crack na cidade, definiu, de cara, o fracasso da operação: o poder público partiu do princípio de que a droga colocou aqueles usuários em situação de miséria, quando na verdade foi a miséria que os levou à droga. Esse erro de avaliação, segundo o psiquiatra e professor Dartiu Xavier da Silveira, por si só já desqualifica a ação policial. Professor do Departamento de Psiquiatria e coordenador do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (PROAD), Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Silveira há 25 anos orienta pesquisas com usuários de drogas e moradores de rua, normalmente patrocinadas pela Organização das Nações Unidas, e tem sido consultor do Ministério da Saúde na definição do Plano de Combate ao Crack. Nas horas vagas, ele desmistifica os argumentos usados pela prefeitura, município e uma parcela de psiquiatras sobre usuários de drogas.
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Comentários + votados
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foo
18/01/2012 - 10:28
"o poder público partiu do princípio de que a droga colocou aqueles usuários em situação de miséria, quando na verdade foi a miséria que os levou à droga"
Notícia antiga, mas relevante para essa...
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vera lucia venturini
18/01/2012 - 10:56
Meus cumprimentos a Maria Inês Nassif pela sua sensibilidade social e jornalismo ético. A reportagem é desmistificadora e apresenta ao menos uma direção a ser tomada neste pesadelo das drogas.
Eu...
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José Carlos Lima
18/01/2012 - 11:04
O post "O abandono social e o crack" é muito bom, temos muito o que destacar, me chamou a atenção, mais uma vez, que ficar somente na internet não nos leva a compreender o quadro nem acabar com o...
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Plínio J. V. Lins
18/01/2012 - 11:22
Falo do que vi aqui em Maceió, nos muitos anos de reportagem e edição de que tenho participado.
A droga dos pobres, pobres mesmo, até um tempo atrás, era a cola de sapateiro. A gente já fotografou, e...
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foo
18/01/2012 - 11:23
Eu concordo contigo. Não dá para comparar crack com álcool. Mas existem comparações que podem (e devem) ser feitas:
Fonte: nida.nih.gov
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Mario Blaya
18/01/2012 - 11:27
Outras desmistificações vêm a tiracolo. O crack é droga pesada, concorda ele, mas o dependente da droga tem as mesmas chances de cair no vício do que um usuário de álcool, por exemplo. “Em qualquer...
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foo
18/01/2012 - 11:41
O Dr. Dartiu é um médico muito sério e responsável. Ele sabe do que está falando.
Mas a comparação entre o crack e o álcool foi infeliz. O crack é muito mais viciante e mais prejudicial à saúde...
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Nagibe
18/01/2012 - 11:50
Eu não tenho dúvida Mário...o comentário mostra que o cara não tem qualificação mesmo. Deve ter gazeteado as aulas de estatística no colegial.
É mais do mesmo - daqueles que acham que 'política...
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clemente
18/01/2012 - 15:17
acho que a afirmativa do medico sobre causa e efeito - pobreza (ou miseria) X dependencia, é uma falacia, se assim fosse todas as favelas pelo Brasil afora, seriam imensas cracolandias, o...
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armando botelho
18/01/2012 - 19:09
Caro Sanzio , concordo contigo em parte , mas como dizem toda droga é uma muleta , e se é uma muleta é porque o individúo esta precisando de um apoio , e quase sempre este apoio tem ...
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Marcia
18/01/2012 - 10:32
Deveriam convidar os patrocinadores do BBB para ajudar na campanha de cpmbate ap crak.
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José Carlos Lima
18/01/2012 - 10:40
Márcia, boa idéia, e cobrar também das empresas ligadas à especulação imobiliária, que exigem da prefeitura construção de obras tipo viadutos, com grana dos cidadãos, os imóveis são valorizados e a...
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Marcia
18/01/2012 - 10:47
Muito bom o texto. Concordo.
PM que bate em dependentes químicos não merece meu respeito.
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Michel
18/01/2012 - 10:52
Até que enfim uma reportagem lúcida sobre o tema. Já cansei de dizer que a campanha "crack mata" é tão estúpida quanto dizer que "álcool mata" ou "cocaína mata". Conheço pessoas que fumam crack há...
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Fuhgeddaboudit™
18/01/2012 - 11:05
O álccol provoca depedência assim como, mata com o tempo.
Entretanto, equipará-lo ao "crack" em um dos seus aspectos negativos principais é demagocgia ou desconhecido total, da causa e efeito. A...
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foo
18/01/2012 - 11:19
Acho que o Dr. Dartiu (ou a jornalista) fizeram uma simplificação.
Aqui está um gráfico que mostra a relação entre dependência e prejuízos à saude de diversas drogas:
Claramente, o LSD e a...
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aliancaliberal
18/01/2012 - 11:29
O texto não leva em conta a responsabildade individual, as escolhas feitas que não dependem da situação economica.
Ate parece que é barato manter o vicio em Crack se a pedra custar 5 reais e se...
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Mario Blaya
18/01/2012 - 11:44
bom desmistificadora para vc, apontar uma direção não significa ser a direção certa!
criticar o Drauzio apenas porque ele fala na Globo e a coisa mais estupida que alguém faz, e somente faz isso os...
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Fuhgeddaboudit™
18/01/2012 - 12:22
Nada a opor.
E, acrescentando: existem, certamente, 1000 vezes mais dependentes de álccol do que do crack, no Brasil. Deste fato se conclui que, o problema em São Paulo, é escancaradamente uma forma...
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"o poder público partiu do princípio de que a droga colocou aqueles usuários em situação de miséria, quando na verdade foi a miséria que os levou à droga"
Notícia antiga, mas relevante para essa discussão:
Ocupação no Alemão vai dobrar o preço da maconha, diz PRF
Quilo da droga passará a R$ 100; já no Rio, entorpecente custará R$ 700
Informações do setor de Inteligência da PRF (Polícia Rodoviária Federal) no Mato Grosso do Sul revelam que, com a ocupação no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, o preço do quilo da maconha vai dobrar na fronteira do Brasil com o Paraguai e também quando a droga chegar à capital fluminense.
Segundo a PRF, o quilo da maconha na fronteira custa cerca de R$ 40 para os fornecedores que levam o entorpecente para o Rio. Com os bandidos cariocas "descapitalizados", os paraguaios que produzem a droga em fazendas do país vizinho, deverão aumentar o preço do quilo para R$ 100.
Já na capital fluminense, o quilo da maconha que vem do Paraguai custa R$ 300. Segundo a PRF, com o reajuste na fronteira, o quilo passará para R$ 700.
- Os traficantes paraguaios estão até comemorando o problema que houve no Rio porque vão aumentar o preço - afirmou um policial rodoviário.
A PRF ainda não conseguiu descobrir se haverá impacto também no preço da cocaína e do crack. Na fronteira, o quilo da cocaína sai por cerca de R$ 7.000. Já o do crack, R$ 6.000. No Rio, o custo aumenta (R$ 12 mil a cocaína e R$ 11 mil o crack). Ainda não foi calculado também se haverá aumento para o consumidor.
http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/ocupacao-no-alemao-vai-do...
O álccol provoca depedência assim como, mata com o tempo.
Entretanto, equipará-lo ao "crack" em um dos seus aspectos negativos principais é demagocgia ou desconhecido total, da causa e efeito. A comparação só se aplica a consequências clínicas, de médio prazo ou longo prazo.
O álcool provoca o que todos, aqui, em recorde de "audiência" ao POST, viram os últimos dias, com seus próprios olhos: "a fragilidade ou a inconsciência", deixando o alcoollizado sem forças para agir contra outras pessoas po se dender delas (naquele caso da TV, não sei se foi uma ação calculada - eu não estava, junto, com eles, na cama, para saber).
Por seu turno, o "crack", deixa o dependente "superativo", mas, sem controle sobre si mesmo, levando-o a cometer atrocidades das mais diversas, inclusive um assassinato.
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Eu concordo contigo. Não dá para comparar crack com álcool. Mas existem comparações que podem (e devem) ser feitas:
Fonte: nida.nih.gov
Nada a opor.
E, acrescentando: existem, certamente, 1000 vezes mais dependentes de álccol do que do crack, no Brasil. Deste fato se conclui que, o problema em São Paulo, é escancaradamente uma forma menor e apequenada de deturpar r minar as ações políticas de Alckmin (de quem não sou eleitor), vis-à-vis o desespero do PT em ter a Prefeitura e o Estado sob seu comando. E, para tal, Lula já admite vender sua alma a um agente do inferno, mesmo que o demônoio, depois de Baralho e Sirney, agora seja Kassab.
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Oba, agora quando receber uma visita em sua casa você pode oferecer um cafezinho e um baseado!
Existem comparações que podem e devem ser feitas, mas elas de nada valem se compararmos apenas os riscos dos fatores relacionados (dependência, tolerância, intoxicação, etc.), sem comparar o potencial de dano de cada droga, ao indivíduo e à sociedade.
A nicotina tem o dobro do potencial de gerar dependência que o álcool, mas eu posso fumar 3 maços de cigarro e sair dirigindo que não vou causar nenhum acidente, enquanto tomar meia garrafa de scotch e pegar o carro é quase certeza de problemas. Pelo quadro fica parecendo que a nicotina é a pior droga e a maconha a "menos pior", o que é um absurdo.
Essas comparações simplesmente não fazem sentido quando se comparam drogas que alteram os sentidos e o comportamento (cocaina, heroina, álcool, crack, maconha) com outras que não causam esse efeito, como nicotina e cafeina.
Caro Sanzio , concordo contigo em parte , mas como dizem toda droga é uma muleta , e se é uma muleta é porque o individúo esta precisando de um apoio , e quase sempre este apoio tem que ser um acompanhamento socioeducativo e psicológico , pois não é a nicotina que vai suprir suas carencias muito pelo contrário ,esta fuga vai custar caro a sua saúde .
Tem tambem a predisposição genética e o individúo no primeiro gole ou no primeiro cigarro o vicio ja esta presente . Agora temos ai estas drogas devastadoras que transforman o cara num zumbi , e a atuação da polícia no primeiro momento foi impactante , porque até então nada vinha sendo feito , pelo menos causou uma mobilização contra e a favor e dai parece que vai sair alguma coisa prática para tirar nossos irmãos da rua e reintegra los no meio familiar e no trabalho .
Deveriam convidar os patrocinadores do BBB para ajudar na campanha de cpmbate ap crak.
Márcia, boa idéia, e cobrar também das empresas ligadas à especulação imobiliária, que exigem da prefeitura construção de obras tipo viadutos, com grana dos cidadãos, os imóveis são valorizados e a corporocracia não desembolsa seque 1 centavo.
E quanto à segregação social dos usuários de crack, um ponto a ser debatido é o da internação forçada x voluntária, isso tem a ver com o filme Bicho de 7 Cabeças, tem a ver com a visão de Ferreira Gullar (o poeta é contra a luta antimanicomial que, como se sabe, desafiou a indústria farmacêutica e a mediciana mercenária ao implodir os velhos manicômios),...etc etc, segue texto de Wladimir Saflate e Paulo Henrique Amorim sobre o assunto, sendo que Saflate é contra a internação compulsória
http://www.spincurador.blogspot.com/2012/01/alckmin-e-o-poder-curador-do-porrete.html
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Muito bom o texto. Concordo.
PM que bate em dependentes químicos não merece meu respeito.
Puxa...
Mas é PM é um aparato de repressão do Estado. Necessário para combater e coibir crimes. Mas ae eles pegam alguém em flagrante, a justiça manda soltar. Querem fazer uma investigação, só existe perícia na capital. Correm o risco de tomar um tiro todos os dias mas o contracheque é uma vergonha.
O problema não é a PM bater no kra... o problema é mandar a PM lá. Os kras não foram preparados para isso. E nem deveriam. Não é pra isso que existe polícia. E o Estado não prepara e nem dá condições para a PM fazer ao menos o que deveria fazer.
Não gosto de criticar a polícia por causa disso. Vejo um PM e o que vejo é um cara mal pago, mal treinado, pra fazer um puta dum trabalho.
Eu não faria melhor.
Mas os governadores engravatados em seus gabinetes... esses sim são culpados pelo fato de a PM bater em drogado, brigar com estudantes, etc. etc...
Até que enfim uma reportagem lúcida sobre o tema. Já cansei de dizer que a campanha "crack mata" é tão estúpida quanto dizer que "álcool mata" ou "cocaína mata". Conheço pessoas que fumam crack há anos e estão aí vivas (diríamos assim) como aquelas, as quais tb conheço, que cheiram pó, bebem, fumam... Neste sentido, conheço tb pessoas que há anos consomem hambúrguer, batata frita, sorvete e refrigerante - e que tb estão vivas, pode? Conforme dá p/ constatar, não é uma questão de morte, mas sim de velocidade para sua conquista.
" vivas (diríamos assim)"
Ah bom...explicado.
Meus cumprimentos a Maria Inês Nassif pela sua sensibilidade social e jornalismo ético. A reportagem é desmistificadora e apresenta ao menos uma direção a ser tomada neste pesadelo das drogas.
Eu mesmo vi o sabe tudo Drauzio Varella defender na Globo a internação compulsória dos viciados em crack porque era uma droga devastadora. E agora, Drauzio?
Vera Lucia Venturini
Acho que o Dr. Dartiu (ou a jornalista) fizeram uma simplificação.
Aqui está um gráfico que mostra a relação entre dependência e prejuízos à saude de diversas drogas:
Claramente, o LSD e a maconha são menos aditivos e menos prejudiciais à saúde do que o álcool, o tabaco, a cocaína e a heroina. O crack não aparece nesse gráfico, mas eu suponho que ele deve estar junto à cocaína e a heroina.
Respondendo então a pergunta: porque os dependentes de rua usam crack, e não maconha? A questão não é o preço, pois a maconha é relativamente barata. A razão é que o crack vicia muito mais, e é muito mais barato do que a cocaína e a heroina.
A solução não é "prender e arrebentar", como parece ter sido a política de São Paulo.
A solução é oferecer um ambiente seguro e controlado onde o usuário possa ser liberado, aos poucos, do vício -- ou substitui-lo por substâncias menos nocivas.
bom desmistificadora para vc, apontar uma direção não significa ser a direção certa!
criticar o Drauzio apenas porque ele fala na Globo e a coisa mais estupida que alguém faz, e somente faz isso os doutrinados na fé petista, que se equivalem aos alemães que jogavam livros proibidos pelo governo nazista na fogueira ou que queimavam bruxas!
"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich
O post "O abandono social e o crack" é muito bom, temos muito o que destacar, me chamou a atenção, mais uma vez, que ficar somente na internet não nos leva a compreender o quadro nem acabar com o preconceito, isso ficou evidente quando o entrevistado revelou se deparar com a realidade da garota que usa o crack para suportar a rua, o prostituir-se com adultos.
Também interesses por parte de grupos de direita em desconstruir a luta e o discurso antimanicomiais que, é claro, são contra a medicina e farmacologia mercenárias
E também quanto ao "crack" ser barato. Na verdade é um barato que sai caro. Dias atrás ao conversar com um "usuário anti-social', o mesmo me disse que termina ficando caro porque a droga tem que ser usada várias vezes. Da primeira vez, disse-me ele, o 'noiado' leva 10 reais, quando acaba a grana leva a própria camisa, depois a calça
Disse ele "por isso estou maltrapilho como você". E mendou: sou jornalista e locutor. Faço várias vozes (isso é verdade, ele demonstrou para mim). Você acha que é fácil para mim entrar no ônibus, vê todo mundo bem arrumado, perfurmado, indo para o trabalho com suas pastas e eu exalando droga pelos poros?
A droga fede, disse-me ele, concluindo que gostaria de ficar apenas na "lirica" (grupos de pessoas usando o crack) mas sem usar, somente observando. Mas não consigo. Ao nos despedirmos ele me disse que nunca havia roubado para sustentar o vício, que trabalhava prá isso, que faz serviço braçal, às vezes ganha 10 reais por dia, vi que as mãos dele eram grossas, e pediu que eu lhe indicasse para algum trabalho.
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Falo do que vi aqui em Maceió, nos muitos anos de reportagem e edição de que tenho participado.
A droga dos pobres, pobres mesmo, até um tempo atrás, era a cola de sapateiro. A gente já fotografou, e deu na primeira página, fotos da praça em frente ao Palácio do Governo, a solenidade de hasteamento das bandeiras às segundas-feiras, a tropa da PM formada, o então governador hasteando o pavilhão, tudo muito bonito - e no canto da foto, o detalhe que domina a cena, um garoto com a garrafinha plástica pendurada na boca, cheirando cola. Eles eram parte da paisagem, a polícia nem ligava mais.
Esses meninos migraram para o crack. Cola de sapateiro ficou difícil de comprar, foi proibida até, encareceu. O crack foi a migração natural por causa do preço, o Dr. Silveira tem toda razão.
Com uma diferença. Aliás, algumas diferenças e uma dúvida que me ocorre agora. As diferenças: o crack parece provocar muito mais dependência que a cola. O resultado é que, fumada aquela pedra, o usuário, se estiver na dependência, vai usar, para conseguir mais droga, meios que não usava antes. Ele cai matando para arranjar dinheiro. Assalta, rouba e, se estiver morando com a família, tira de dentro de casa, essas coisas que todo mundo sabe.
Maceió hoje é a capital com mais homicídios per capita no país. Não há como dissociar isso da pobreza extrema que habita a periferia da cidade. As vítimas são, na imensa maioria, jovens metidos com drogas. E o motivo das mortes, quase sempre, é "dívida de nóia". Ele pega fiado duas pedras, 10 reais. Se não paga no prazo, o traficante não quer nem saber: mata, que é pra dar o exemplo e avisar aos outros. A lei é esta: dívida de nóia, não pagou, vai pro saco. Vira estatística.
A minha dúvida é: o efeito do crack faz passar a fome?
Pergunto isso a quem estuda o assunto porque no tempo da cola de sapateiro, os meninos diziam que cheiravam cola pra enganar a fome; ela dava sono e o menino ou menina de rua conseguia dormir. No crack, acho que é diferente, por isso pergunto. Mal comparando, os efeitos da cola versus crack são como o da maconha versus cocaína: um dá lassidão quando acaba; o outro dá vontade de fumar mais a qualquer preço.
Então, pra mim, o Dr. Silveira está certo nesse ponto e em outros. O usuário do crack, dependente ou não, consome a "sua" droga, a da faixa de mercado. Em relação à cola de sapateiro, houve um upgrade de potencial viciante, de efeito (uma dava lombra, outra dá nóia) e de violência para conseguir.
Outras desmistificações vêm a tiracolo. O crack é droga pesada, concorda ele, mas o dependente da droga tem as mesmas chances de cair no vício do que um usuário de álcool, por exemplo. “Em qualquer droga existem os usuários ocasionais e os dependentes”, diz o médico.
esse comentario me faz duvidar da qualificação do medico, afinal o alcool cria dependencia sim, mas não na rapides do crack, e o alcool tem possibilidade de reabilitação mais facil que o crack! esse medico não pode ser levado a serio!
"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich
O Dr. Dartiu é um médico muito sério e responsável. Ele sabe do que está falando.
Mas a comparação entre o crack e o álcool foi infeliz. O crack é muito mais viciante e mais prejudicial à saúde do que o álcool.
Eu não tenho dúvida Mário...o comentário mostra que o cara não tem qualificação mesmo. Deve ter gazeteado as aulas de estatística no colegial.
É mais do mesmo - daqueles que acham que 'política social' resolve tudo, que nóia é coitadinho, que bandido é vitima da sociedade e etc. Defendem a indústria do qual tiram o sustento.
É por isso que as cracolândias não acabam - interessam a muita gente. E nós brasileiros optamos por ser um país onde todos os interesses tem que ser acomodados, sem juízo de valor.
Caracas, mais um a fazer coro com o Blaya. O Dr. Dartiu é reconhecido internacionalmente por seu trabalho sobre dependência química, é reconhecido por seus pares, incluindo-se o ídolo do Blaya, o midiático Dr. Dráusio (sim, é midiático, independente de suas qualificações), e vocês vem aqui falar dele como se fosse um picareta. Acho que vocês precisam se informar um pouco melhor antes de sair cuspindo asneira sobre as pessoas.
O fato de ser reconhecido, laureado e incensado nunca foi fator limitante para se dizer besteiras.
Basta comparar a proporção entre dependentes sobre o total de consumidores do crack e do alcool para ver que o ilustre doutor, motivado por outras razões que não a ciência, falou bobagem - ou jogou pra galera, afinal besteiras atraem mais mídia do que ciência.
Por isso é bom de vez em quando analisar o que os laureados falam, Sanzio. Pensar nunca fez mal.
O texto não leva em conta a responsabildade individual, as escolhas feitas que não dependem da situação economica.
Ate parece que é barato manter o vicio em Crack se a pedra custar 5 reais e se comsumir 5 vezes ao dia da 750 reais por mês.
"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.
Um vizinho aqui, o Paulo, saiu de casa e tá na rua, por causa de droga. Os familiares pressionaram para ele deixar a droga. "Deixa isso cara", diziam. O Paulo não aguentou a pressão e preferiu sair de casa.
acho que a afirmativa do medico sobre causa e efeito - pobreza (ou miseria) X dependencia, é uma falacia, se assim fosse todas as favelas pelo Brasil afora, seriam imensas cracolandias, o que, evidentemente nao é verdade
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