
Ricardo Noblat, colunista de política do O Globo, talvez o mais importante do país, recebeu um artigo meu, reproduzido ao final desse posto, ontem, 2a feira dia 06/09 pela manhã. Na semana anterior, na 5a feira dia 02/09 ele havia me proposto assinar um artigo para seu blog, com a condição que eu pudesse provar o que iria dizer.
O assunto do artigo, é o mesmo do meu post Aécio Vs. Serra, publicado aqui no blog na mesma 5a feira, dia 2 de setembro. Da grande possibilidade de que o sigilo de Verônica Serra tenha acontecido fruto da guerra interna no PSDB entre José Serra e Aécio Neves, tendo partido de investigações conduzidas pelo jornal Estado de Minas.
Não seria muito difícil provar o meu ponto, pois todas as informações estão presentes em matérias veiculadas pela própria imprensa. Amaury Ribeiro, repórter do Estado de Minas a época da quebra do sigilo deu diversas entrevistas sobre a investigação que conduzia sobre José Serra. Basta ler o que já publicou O Globo, a Folha de São Paulo e a Carta Capital sobre o assunto.
Noblat no entanto não me respondeu aos emails sobre o artigo. Havia perdido o interesse e o artigo não foi publicado.
É sabido em todo o meio jornalístico qual era a missão do repórter investigativo Amaury Ribeiro no Jornal Estado de Minas. Mas mesmo assim, a velha mídia insistia e continua insistindo na versão de que os dados de Verônica Serra foram violados pelo PT por motivos políticos, e não durante uma guerra interna entre os tucanos.
Noblat, resistia e resiste em CITAR a versão aonde os personagens são Serra, Aécio, o Jornal Estado de Minas e o repórter Amaury Ribeiro. Quando finalmente, a candidata do PT cita essa versão, Noblat, que normalmente reproduz matérias e artigos na íntegra no blog, reproduziu assim a fala de Dilma:
Noblat omitiu em seu blog o trecho da matéria onde Dilma mencionava o Jornal Estado de Minas, Aécio e o repórter Amaury Ribeiro, deixando apenas o link para a matéria completa no site da Folha.
Visto diante da impossibilidade de continuar omitindo essa versão, já que candidata que detém 55% das intenções de voto já a havia trazido a publico, ele então publica o seguinte comentário entitulado: “Dilma, a boateira“, onde classifica as aventuras do Jornal Estado de Minas e a investigação de Amaury Ribeiro como “boatos” e não como fatos, e acusa a candidata de utilizar a versão como “vacina”.
O colunista tem tanta fé no PSDB e em José Serra que não passa pela sua cabeça de a versão deles ser inveridica. O que ele tenta esconder, é que diante dessa perspectiva, a versão de Dilma surge na realidade não como “vacina”, mas sim como “antidoto”.
Segue o artigo enviado para Noblat, e não publicado:
As estradas levam a Minas
“Indignação. É com esse sentimento que os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves.
Pior. Fazem parecer obrigação do líder mineiro, a quem há pouco negaram espaço e voz, cumprir papel secundário, apenas para injetar ânimo e simpatia à chapa que insistem ser liderada pelo governador de São Paulo, José Serra, competente e líder das pesquisas de intenção de votos até então.”
Esses dois parágrafos abrem o editorial do Jornal Estado de Minas do dia três de fevereiro de 2010, quando da oferta da vice-candidatura a Aécio Neves na chapa encabeçada por José Serra. A oferta seria recusada pelo mineiro.
Terça feira, dia 31 de Agosto de 2010. 5 meses depois. Entrevista do então candidato a presidencia pelo PSDB José Serra no Jornal da Globo. O candidato que na pesquisa Ibope está 27 pontos atrás de sua adversária Dilma Roussef lança uma acusação a sua adversária. Ela e o seu partido foram responsáveis pela violação do sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra, divulgada pela Receita Federal no dia anterior.
Dilma que tem 51% das intenções de voto tem grandes chances de se eleger já no primeiro turno.
O que se vê a partir daí é a repercussão em seu programa eleitoral e na mídia da acusação iniciada pelo candidato no telejornal do dia anterior.
A imprensa investiga o caso e descobre uma série de irregularidades, falsificação de documentos, de assinaturas, e um despachante que teria sido filiado ao PT.
E no calor da campanha eleitoral supõe-se de imediato que a violação atenderia ao PT e a candidatura de Dilma Roussef, especialmente tendo o PT em seu currículo outros casos semelhantes.
Mas a motivação da violação não pode ser apenas suposta. Deve ser provada. Quem, quando e porque violaram os dados fiscais de Verônica Serra?
Histórico
A violação do sigilo de Verônica ocorreu em setembro de 2009. Há um ano atrás, quando Dilma nem Serra eram ainda candidatos.
A época, dentro do PT, Lula se movimentava para lançar Dilma Roussef, e o PSDB ainda debatia sobre quem seria o candidato, Aécio Neves ou José Serra. O editorial do jornal Estado de Minas dá bem o tom da batalha que se travou nessa disputa interna entre os tucanos.
Relatos contam que em São Paulo, aliados de Serra investigavam a vida de Aécio Neves. Em resposta, aliados de Aécio em Minas passaram a investigar José Serra. Ambos os lados se preparavam para uma guerra de contra-informação.
Do lado de Aécio, um dos repórteres escalados para a missão foi Amaury Ribeiro. Premiado repórter investigativo, ele foi contratado pelo Jornal Estado de Minas.
Em entrevista a Revista Carta Capital em 4 de junho, Amaury Ribeiro descreve sua missão:
“À época, explica, havia uma movimentação, atribuída ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), visceralmente ligado a Serra, para usar arapongas e investigar a vida do governador tucano Aécio Neves, de Minas Gerais. Justamente quando Aécio disputava a indicação como candidato à Presidência pelos tucanos. “O interesse suposto seria o de flagrar o adversário de Serra em situações escabrosas ou escândalos para tirá-lo do páreo”, diz o jornalista. “Entrei em campo, pelo outro lado, para averiguar o lado mais sombrio das privatizações, propinas, lavagem de dinheiro e sumiço de dinheiro público.””
Em 2009 quando o embate Aécio vs. Serra era mais intenso aconteceu então a quebra do sigilo da filha de Serra, Verônica.
Uma matéria da Folha de 5 de junho descreve a investigação realizada por Amaury no Estado de Minas:
“Repórter investigativo com passagens por Folha, “O Globo” e “Jornal do Brasil”, ele foi escalado para apurar eventuais irregularidades relacionadas ao outro presidenciável tucano, Serra.
O resultado das apurações do jornalista nunca foi publicado pelo jornal. “Ele trabalhava em várias investigações. Essa investigação específica não estava concluída quando ele pediu demissão no final de 2009″, diz o diretor de Redação do “Estado de Minas”, Josemar Gimenez.”
Na redação do Estado de Minas, Amaury era o principal responsável pelas investigações sobre José Serra. Repórter especial, sua rotina não envolvia bater ponto na redação, tinha o horário mais flexível, entrava e saía quando quizesse e viajava sempre que necessário.
Amaury pediu demissão do Estado de Minas em novembro de 2009. Dois meses antes, em setembro, o sigilo fiscal de Verônica Serra havia sido violado.
A briga interna no PSDB seria solucionada sem a necessidade de armas, pois Aécio Neves desiste da pré-candidatura em dezembro daquele ano. O repórter tinha então em suas mãos uma série de informações coletadas sobre José Serra que editou em um livro entitulado “Os porões da privataria” que prometeu publicar após as eleições.
Na introdução de seu livro o jornalista discorre extensamente sobre movimentações financeiras e o envolvimento de Verônica Serra em empresas no Brasil e no exterior.
Mas e o PT?
Do lado do PT, em setembro de 2009 a candidatura de Dilma Roussef não existia, e o partido ainda não conhecia o seu adversário, já que Aécio só desistiria da pré-candidatura em dezembro.
Deve-se ainda lembrar das boas relações do PT e PSDB em Minas Gerais. Ao contrário do que ocorre no resto do país, em Minas os dois partidos dialogam bem. O atual prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, foi eleito fruto da coalisão entre o ex-prefeito Fernando Pimentel do PT e Aécio Neves.
Amaury, meses depois de se demitir do Estado de Minas, vai trabalhar na campanha de Dilma Roussef, exatamente ao lado de Fernando Pimentel. Após acusações de que Pimentel e a pré-campanha de Dilma estariam produzindo um dossiê sobre Serra, Pimentel abandona a coordenação e Amaury vai para a TV Record, onde trabalha hoje.
O fato, no entanto é que a referida quebra do sigilo de Verônica Serra ocorreu quando Amaury Ribeiro ainda era funcionário do jornal Estado de Minas e preparava um eventual contra-ataque de Aécio a Serra.
Se o responsável pela quebra do sigilo foi Amaury ou qualquer outro reporter resta a Polícia Federal investigar. Mas pelo silêncio do Jornal Estado de Minas na semana passada, estampando manchetes sobre poluição em Belo Horizonte, enquanto os jornais no resto do país noticiavam o escandalo, é de se desconfiar que as estradas da quebra do sigilo de Verônica levam a Minas Gerais.



E o Hoje em Dia?
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"Caiu como uma bomba no meio jornalístico a demissão do editor de Política do Hoje em Dia, Orion Teixeira. O jornal havia sofrido uma reformulação em sua linha editorial e vinha produzindo várias matérias investigativas e de denúncias.
Curiosamente, após a vista de Andréia Neves na semana passada, o jornal voltou a fazer matérias de apoio a Anastasia e Aécio. Agora esta novidade: a demissão de um jornalista que estava a mais de 20 anos trabalhando no veículo."
Do Blog do Nilmário Miranda.
http://www.blogdonilmario.com.br/conteudo.php?LISTA=detalhe&ID=1450
Meu Deus!, o PIG é muito pior e mais perverso do que se imagina!!!
Isso tem que parar na PF!!!
E o Noblat já foi um grande colunista faz muito tempo. Em que desvio da estrada ele terá se perdido tão completamente? Será que é só porque trabalha para os Marinho, talvez tenha um grande salário? Será que é apenas por dinheiro e posição?
Mais uma vez a internet vai pautar a imprensa...
O bicho vai pegar!
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
são muitas suposições que se apresentam em seu texto e poucas certezas. algumas questões: como aécio e amaury conseguiriam cooptar 2 pessoas filiadas ao PT para a quebra de sigilo?será que o analista de formiga de fato deu azar em ter acessado os dados de eduardo jorge por engano?em meio a 400 mil eduardos jorges, ele acessou justamente o cadastro do vice presidente tucano?como as informações a respeito da filha do serra foram parar nas mãos de blogs petistas?ou sua versão não se sustenta ou aécio é o maior gênio da história política brasileira.
Que informações você viu em blogs petistas? Dá para passar os links?
Adriana , qual blog do PT que está ou divulgou alguma informação da "Declaração de Renda" da Filha do Serra? O que já vi foi um documento público do Governo Americano onde diz que ela era sócia da irmâ do Daniel Dantas.
Quem é Eduardo Jorge?
Factoide fraco, viu moça?
Qualé desse Noblat? Qualé?!
Quem? o Noblat? Aquele da carta álibi para o Arruda? Que isso ... jornalista reconhecido não teve interesse em publicar algo, que no mínimo, pode ser classificado como contráditório ... duvido!Confio no Noblat.
A Dilma é boateira, já acusar o PT e a Dilma não é boataria!
A pergunta que não quer calar agora é...
Se o livro de Amaury Junior existe. quais as informações que traz?
Parece que a tentativa da turma de Serra de produzir um "Aloprados 2" começa a fazer água.
Ou seja, o pagode está terminando e o noblat está querendo entrar com sua viola quebrada!
abraços a todos
Alex
Quem não deve, não teme! A julgar pelo silêncio sepulcral do Estado de Minas em torno desse assunto, o jornal está envolvido até o talo nessa história de dossiê anti-Serra que teria sido encomendado pelo Aécio.
Ex-caixa de campanha do PSDB movimentou US$ 56 milhões no esquema Banestado.
By dsg on junho 21st, 2010
Enquanto o livro do Amarury Ribeiro Júnior não sai, segue uma reportagem do próprio Amaury na revista IstoÉ, edição 1741, de 12 de fevereiro de 2003:
Conta tucano
Investigações revelam que o ex-caixa de campanha do PSDB movimentou US$ 56 milhões por intermédio de contas no Banestado dos EUA
Amaury Ribeiro Jr. – Foz do Iguaçu, Sônia Filgueiras e Weiller Diniz
Documentos a que ISTOÉ teve acesso começam a esclarecer por que o laudo de exame financeiro nº 675/2002, elaborado pelos peritos criminais da PF Renato Rodrigues Barbosa, Eurico Montenegro e Emanuel Coelho, ficou engavetado nos últimos seis meses do governo FHC, quando a instituição era comandada por Agílio Monteiro e Itanor Carneiro. Nas 1.057 páginas que detalham todas as remessas feitas por doleiros por intermédio da agência do banco Banestado em Nova York está documentado o caminho que o caixa de campanha de FHC e do então candidato José Serra, Ricardo Sérgio Oliveira, usou para enviar US$ 56 milhões ao Exterior entre 1996 e 1997. O laudo dos peritos mostra que, nas suas operações, o tesoureiro utilizava o doleiro Alberto Youssef, também contratado por Fernandinho Beira-Mar para remeter dinheiro sujo do narcotráfico para o Exterior. Os peritos descobriram que todo o dinheiro enviado por Ricardo Sérgio ia parar na camuflada conta número 310035, no banco Chase Manhattan também em Nova York (hoje JP Morgan Chase), batizada com o intrigante nome “Tucano”. De acordo com documentos obtidos por ISTOÉ, em apenas dois dias – 15 e 16 de outubro de 1996 – a Tucano recebeu US$ 1,5 milhão. A papelada reunida pelos peritos indica que o nome dado à conta não é uma casualidade.
Os dois responsáveis pela administração da dinheirama, segundo a perícia, são figurinhas carimbadas nos principais escândalos envolvendo o processo de privatização das teles e auxiliares diretos de Ricardo Sérgio: João Bosco Madeiro da Costa, ex-diretor da Previ (o fundo de pensão do Banco do Brasil) e ex-assessor do caixa tucano na diretoria internacional do BB, e o advogado americano David Spencer. A perícia revela ainda que Spencer é procurador de Ricardo Sérgio em vários paraísos fiscais. Ao perseguir a trilha do dinheiro, os peritos descobriram que os milhões de Ricardo Sérgio deixavam o País por intermédio de uma rede de laranjas paraguaios e uruguaios contratados por Youssef e eram depositados na conta 1461-9, na agência do Banestado em Nova York antes de pousar na emplumada Tucano, que contava com uma proteção especial para dificultar sua localização. Ela estava registrada dentro de outra conta no Chase em nome da empresa Beacon Hill Service Corporation. De lá, o dinheiro era distribuído para contas de Ricardo Sérgio e de João Bosco em paraísos fiscais no Caribe.
A perícia traz outras provas contundentes. A PF conseguiu comprovar que parte do dinheiro enviado por intermédio do Banestado retornou ao Brasil para concretizar negócios desse mesmo grupo. Segundo o laudo, o dinheiro voltava embarcado em uma conta-ônibus junto com recursos de várias offshores (empresas em paraísos fiscais com proprietários sigilosos) operada pelo próprio João Bosco. Os peritos conseguiram, por exemplo, identificar o retorno de US$ 2 milhões utilizados para comprar um apartamento de luxo no Rio de Janeiro em nome da Rio Trading, uma empresa instalada nas Ilhas Virgens Britânicas. Foram rastreados também imóveis em nome da Antar, sediada no mesmo paraíso, em nome de Ronaldo de Souza, que, segundo a PF, é sócio, procurador e testa-de-ferro de Ricardo Sérgio. Pelas características dos depósitos, que eram frequentes, suspeita-se que, por esse mesmo duto de lavagem, também passaram contribuições de campanha. Além disso, Youssef tinha em sua carteira principalmente dois tipos de clientes: narcotraficantes e políticos. O laudo concluiu ainda que Ricardo Sérgio, enquanto ocupava o cargo de diretor internacional do BB, ajudou a montar o esquema bancário que operava com dinheiro de doleiros na fronteira, depois transferido para a agência nova-iorquina do Banestado.
Os documentos anexados ao laudo provam o envolvimento do advogado e procurador de Ricardo Sérgio, David Spencer, na abertura e movimentação da conta 1461-9, em nome da empresa June International Corporation. Um ofício do gerente do Banestado, Ercio Santos, encaminhado ao doleiro Youssef em 20 de agosto de 1996, atribui a Spencer a responsabilidade pela abertura da conta. “Segue cópia dos documentos referentes à abertura da June, em 8 de agosto de 1996. Recebemos hoje do David Spencer”, diz a primeira linha da correspondência na qual Ercio informa Youssef a respeito dos procedimentos para movimentação da conta. Na carta, Youssef é tratado intimamente por “Beto” e, ao se despedir, o gerente manda “um grande abraço”. Ercio Santos sabia que mexia com dinheiro sujo. Informa, no documento, que preferiu não enviar selo da June por malote para não chamar a atenção. O selo, uma espécie de carimbo metálico, traz a identificação da empresa no paraíso fiscal onde foi instalada. A perícia comprovou também que, além do dinheiro do tucanato, Spencer ajudou a lavar recursos desviados do Banco Noroeste e do Nacional. Casado com uma brasileira, o americano conheceu Ricardo Sérgio no Brasil quando o ex-diretor do BB ocupava um cargo de direção no Citibank. Por falar português fluentemente, tornou-se advogado de banqueiros brasileiros no Exterior.
Como procurador de Ricardo Sérgio, conforme o relatório, Spencer abriu em 1989 a empresa Andover International Corporation nas Ilhas Virgens Britânicas. Spencer – que era também tabelião em Nova York – tinha respaldo legal para fechar as compras de imóveis no Brasil em nome das empresas offshore de Ricardo Sérgio e sua turma, mantendo os nomes dos verdadeiros donos em sigilo. Em uma dessas operações em 1989, por exemplo, Spencer lavrou uma procuração em nome do engenheiro Roberto Visneviski, outro sócio do tesoureiro tucano, para representar a empresa Andover na compra de um conjunto de salas na avenida Paulista, avaliado em R$ 1 milhão. Para especialistas em lavagem de dinheiro, a operação é suspeita porque Visneviski assina duas vezes a transação: como vendedor e como comprador. “Obviamente, a Andover é do próprio Ricardo Sérgio. Foi uma operação clássica de internação de dinheiro”, avalia o jurista Heleno Torres, um especialista na investigação de operações de lavagem. Essa é apenas uma das 137 contas que já estão periciadas nos inquéritos. Por elas trafegaram US$ 30 bilhões. A polícia calcula que mais de 90% dessa montanha de dinheiro é ilegal, mais da metade resultado de sonegação de impostos através de caixa 2.
Reação – As denúncias publicadas na última edição de ISTOÉ que revelaram a sangria via Banestado caíram como uma bomba dentro do governo. Já no sábado 1º, um assessor direto do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, procurou o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, pedindo informações sobre o laudo. Depois de conversar com o delegado Antônio Carlos Carvalho de Souza, atual responsável pelo caso, e com os peritos que trabalharam no escândalo, Lacerda comandou o reagrupamento de todos os policiais que já participaram da operação. Na quinta-feira 6, o chefe da PF reuniu a equipe e determinou a criação de uma força-tarefa da PF em parceria com o Ministério Público e com a Justiça. Além de Carvalho, o delegado José Francisco Castilho Neto e os peritos Eurico Montenegro e Renato Rodrigues, que buscaram junto ao FBI e organizaram toda a documentação existente hoje no Brasil, estão de volta às investigações. Os três haviam sido colocados na geladeira durante a administração tucana na PF. “É o maior caso de evasão de divisas que eu conheço”, admitiu Lacerda na quinta-feira 6. “Vamos investigar tudo e não cederemos a pressões de qualquer natureza”, adverte o ministro Márcio Thomaz Bastos, antecipando-se a eventuais novos nomes que o dossiê-bomba da PF venha a revelar.
O grupo, reforçado por dois escrivãos, voltará aos EUA nas próximas semanas para buscar os documentos que trazem as movimentações bancárias no biênio 1998-1999. Até agora, o trabalho dos peritos foi um exercício de abnegação. “O número de peritos é pequeno para o volume de informações que está sendo investigado”, diz o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Roosevelt Júnior. A divulgação do laudo também provocou uma corrida de procuradores que investigam separadamente casos de lavagem em vários Estados. O procurador Guilherme Schelb, que apura outros casos de lavagem, pediu o bloqueio das três contas suíças do contrabandista e traficante foragido João Arcanjo Ribeiro. O procurador Luís Francisco de Souza, que rastreia os passos de Ricardo Sérgio, também quer ter acesso aos laudos produzidos pela PF. O cearense José Gerin não perdeu tempo. Desembarcou em Foz do Iguaçu esta semana para buscar detalhes sobre a quadrilha de doleiros que opera na região Nordeste, entre eles Wilson Roberto Landim, preso há duas semanas, que, pelos documentos, remeteu para o Exterior quase US$ 1 milhão em apenas seis meses.
OS BONS COMPANHEIROS
Principal articulador da formação dos consórcios que disputaram o leilão das empresas de telecomunicações, o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, saiu das sombras do tucanato ao ser captado num grampo do BNDES em que dizia ao ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros que iria conceder uma carta de fiança ao consórcio coordenado pelo Banco Opportunity. “Estamos agindo no limite da irresponsabilidade”, disse Ricardo Sérgio no grampo.
Depois da revelação, Ricardo Sérgio passou a sofrer uma série de investigações no MP e na PF. Acusado de receber propina de empresas que participaram da privatização, Ricardo Sérgio está sendo investigado também por enriquecimento ilícito.
Ao assumir o cargo em 1994, convidou para chefe de gabinete o seu fiel escudeiro João Bosco Madeiro da Costa. Por indicação do ex-diretor do BB, Madeiro foi posteriormente para o cargo de diretor de investimentos da Previ, o milionário fundo de pensão do BB que participa do controle acionário da maior parte das teles privatizadas. Relatórios da Secretaria de Previdência Complementar, do Ministério da Previdência, revelaram que Madeiro centralizava todo o poder de negociação do fundo com grandes empresas. Segundo o Ministério Público, Madeiro também é suspeito de enriquecimento ilícito.
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Por: Zé Augusto
webster franklin
Prezado Nassif
Esse rapaz já fez ou vendeu a sua opção de aliado da dupla PSDB-PFL por mais que ele tente esconder a mascara já caiu há muito tempo. Pessoalmente acho que está no direito dele, o que não pode é se travestir de imparcial e jornalista independente, coisa que não é.
O que o Lula tem mostrado de competencia para o governo, o PT tem demostrado de inércia para desfazer as intrigas dos adversários. Desde muito tempo é assim. Parece um excesso de boa fé que cheira a ingenuidade. O PT deve crer que a seu estoque de credibilidade é infinito. Mexa-se PT, vá à luta, use imaginação e trabalho e trate de desmascarar, pelo menos uma vez, as armações. Não é para minha satisfação e nem para os que conhecem bem as artimanhas da Direita. A satisfação tem de ser dada ao povo que mesmo votando no lado certo, a cada nova acusação, não desmontada logo, sai com um amarguinho na boca. Em outros lugares/ocasiões isso já resultou em insucesso, com o tempo.
É Nassif , o " Estado de Minas " continua a ignorar solenemente este assunto nas suas páginas.
Como se diz : quem cala consente.
De mais a mais , campanha em Minas esta voto a voto , vale a pena seguir de perto.
O Brasil inteiro quer saber: Será que o resultado dessa suposta quebra de sigilo de Veronica Serra mostra os caminhos seguidos pela filha de Serra, vendendo nos Estados Unidos facilidades para empresas americanas ganharem licitações no Brasil? Afinal, qual o segredo tão temido? Fala Amauri.
Que seja dado ao jornal Estado de Minas e ao jornalista Amaury Ribeiro o benefício da dúvida. Porém este artigo do Fernando Piancastelli é quase "baton na cueca", pode não ser verdade, mas que parece, parece. O enredo é lógico. Há precedentes e motivações para a defesa prévia do Aécio. A grande mídia mandava recados para o Aécio "pedir para sair": a tal briga com a namorada em umafesta; o "pó pará governador..."; a capa de revista a "Disneylândia do Aécio", referindo à construção do centro administrativo em Minas, etc.
E ao PT/Dilma? qual motivação? nenhuma, nem mesmo a Agatha Cristie seria capaz de um enredo tão mirabolante para culpar a Dilma. Só mesmo a velha mídia.
O Amaury Ribeiro Jr. sabe muito sobre as negociatas do governo FHC/Serra, bem antes da disputa entre Serra e Aecio em 2009.
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Dinheiro sujo,doleiros,fraude fiscal,caixa 2,CC5.Documentos bancários da CPI Banestado dormem numa sala do Senado,sem investigação
By dsg on junho 21st, 2010
Os fundos do dinheiro sujoDocumentos da PF mostram que bancos de investimentos lavaram dólares no Exterior
Amaury Ribeiro Jr. Colaborou Sônia Filgueiras (DF)
O banco FonteCindam recebeu um socorro especial do Banco Central após a desvalorização do real, em janeiro de 1999, que resultou em um prejuízo de
R$ 600 milhões aos cofres públicos. Pego de calças curtas pela mudança na política cambial, o FonteCindam foi acusado de ter comprado dólares em condições especiais, à semelhança do Marka. Seu presidente na época era Luiz Antônio Gonçalves, ex-funcionário do BC e amigo de longa data de vários integrantes da equipe econômica do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Passados quatro anos, documentos levantados pelo delegado José Castilho Neto e pelo perito Renato Barbosa mostram que o FonteCindam, por intermédio de seu fundo de investimento, o Cindam Brazil Fund, ajudava a lavar o dinheiro da agência do Banestado de Nova York. De acordo com a papelada reunida pela Polícia Federal, no dia 16 de abril de 1997, por exemplo, o fundo do Cindam recebeu do Banestado de Nova York U$ 152 mil em sua conta no Bank of Butterfield International no bairro de Manhattan. A bolada saiu da conta do Banestado da Trade Link Bank, uma empresa offshore aberta pelos diretores do Banco Rural nas Ilhas Cayman, no Caribe.
Os documentos mostram que o Cindam não era o único banco a operar por intermédio de fundos no esquema Banestado. Muitos dos fundos que receberam aporte do banco já tiveram seus nomes envolvidos em conhecidos escândalos nacionais. Formado por consórcio que comprou empresas telefônicas, o Opportunity Fund – do banco Opportunity de Daniel Dantas –, que opera nas Ilhas Cayman, também recebeu vários repasses da agência do Banestado de Nova York, que totalizaram cerca de US$ 1,5 milhão em 1997. O dinheiro era remetido por uma rede de doleiros, donos das contas no Banestado, que enviavam os recursos para a conta do fundo em bancos dos EUA ou para o Midland Bank, nas Ilhas Cayman. Curiosamente, o Opportunity Fund está sendo investigado pela Justiça desse mesmo paraíso fiscal sob a acusação de fazer várias operações fraudulentas. Já o fundo do Banco Pactual, o Pactual Orbit Fund Ltd., mandou uma bolada maior: pelo menos U$ 5 milhões nos anos de 1996 e 1997, quando o principal dirigente da instituição era Luís César Fernandes. Numa única tacada, o Fundo de Investimento do Pactual recebeu U$ 2 milhões numa conta no Bank of NYC. Grande parte do dinheiro do fundo do Pactual era enviada pelo doleiro Marcelo Tarsasantchi, dono da conta 7175 no Banestado. Consultados por ISTOÉ, especialistas em lavagem de dinheiro afirmaram que os fundos de investimentos foram usados para internar, por intermédio de operações na Bolsa de Valores, parte dos U$ 30 bilhões de recursos que saíram ilegalmente do País através do Banestado. A PF acredita que, ao contrário das operações descritas acima, em que o dinheiro saiu do Banestado direto para as contas dos fundos, na maioria dos casos toda a bolada rodava antes dezenas de offshores. Após percorrer várias contas, o dinheiro finalmente chegava a um fundo de investimento num paraíso fiscal. Sob o pretexto de fazer investimentos a curto prazo no Brasil, esses fundos conseguiam finalmente internar fortunas.
Nas operações do Banestado, foram utilizados até mesmo renomados fundos dos EUA. Fundada no início da década de 90, a empresa Atrium Capital se tornou uma das instituições financeiras mais respeitadas da Califórnia, ao se especializar no investimento do capital de países emergentes. Uma investigação do Ministério Público dos EUA concluiu, no entanto, que o fundo de investimento da empresa, a Atriumn Capital – Limited Partners, foi utilizado para ajudar a lavar o dinheiro da conta Tucano no Chase Manhattan Bank de Manhattan. A promotoria distrital de Nova York descobriu que, após o fechamento da agência Banestado em Nova York, em 1999, o fundo da Atrium e outras empresas estabelecidas em paraísos fiscais enviaram para a Tucano U$ 200 milhões nos últimos três anos. O nome da empresa americana aparece em vários documentos da Beacon Hill, escritório especializado em lavagem de dinheiro que abriu a conta Tucano. Montado ao lado do conglomerado do Citibank em Nova York, a Beacon Hill fechou suas portas em fevereiro, após ISTOÉ ter trazido à tona a remessa ilegal dos U$ 30 bilhões para o Exterior por intermédio do Banestado.
De acordo com a papelada, a que ISTOÉ teve acesso, somente no ano
de 2001 o fundo de investimento da Atrium enviou U$ 2 bilhões para a Tucano, uma subconta da conta do Beacon Hill no Chase Manhattan.
Os documentos mostram que o dinheiro era creditado da conta número 100174903483 no Citibank de Nova York. A Tucano era alimentada ainda por contas da própria Tucano no Uruguai e no Paraguai e por contas
de empresas offshore montadas em paraísos fiscais, em vários bancos
de Nova York. Por exemplo, só da conta da Astecca Financial Corp. (offshore das Ilhas Virgens Britânicas), no Connecticut Bank of Commerce, a Tucano recebeu U$ 4,2 milhões em 2001. A conta número 100174903483 ganhou uma bolada ainda maior: U$ 9,6 milhões. As investigações do Ministério Público dos EUA mostram que o Atrium
e outros fundos eram usados para transportar o dinheiro da Tucano
para paraísos fiscais e depois trazê-lo de volta ao Brasil por meio de operações na Bolsa de Valores.
Segundo a PF, o dinheiro que transitou pela agência nova-iorquina do Banestado era movimentado por corretoras de valores e por fundos de investimentos estrangeiros, o que reforça ainda mais a tese de que parte dos recursos da remessas era lavada em operações nas Bolsas de Valores. A PF suspeita que fundos ajudaram também a lavar parte do dinheiro da máfia dos fiscais do Rio, revelada no início do ano por ISTOÉ. A desconfiança se deve ao fato de que os sócios da empresa Coplac – que abriu a conta de Rodrigo Silveirinha e dos demais fiscais no Discount Bank da Suíça – são procuradores de mais 200 fundos de investimento no País. Coincidentemente, o doleiro Xaim Zalczberg, um dos sócios da Coplac, é primo de Dani Zalczberg, o milionário doleiro paulista que tem quatro contas no Banestado de Nova York. As coincidências não param por aí. As contas do esquema do doleiro operavam o dinheiro do fundo do Pactual e do Opportunity. Segundo especialistas em lavagem de dinheiro, os fundos de investimentos, cujas operações somente são registradas na Bolsa, foram utilizados para internar os recursos enviados para o Exterior pelo Banestado em operações fraudulentas.
“Os fundos tornaram-se o principal mecanismo para trazer de volta, por meio de operações de resgate na Bolsa, todo o dinheiro sujo que saiu ilegalmente do País. Mais de 80% dos investimentos estrangeiros que entram são recursos da corrupção e do crime organizado do próprio País”, disse a ISTOÉ um ex-operador da Bovespa, que pretende entregar todo o esquema de corrupção aos integrantes da CPI. Os especialistas acreditam que uma resolução do Banco Central, denominada Anexo 4, abriu o caminho para a lavanderia no País. Assinada na década de 90 durante o governo Collor, a resolução queria atrair capital estrangeiro a curto prazo e teve suas regras ainda mais flexibilizadas no governo FHC. O Anexo 4 mantém o anonimato dos responsáveis pelos fundos estrangeiros que investem no Brasil. Tudo isso mostra que os três mosqueteiros escalados para comandar a CPI – o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) e os deputados José Mentor (PT-SP) e Rodrigo Maia (PFL-RJ) – terão uma missão espinhosa pela frente.
Nos EUA, os primeiros punidos
Justiça começa a ser feita no escândalo do Banestado. Não no Brasil, mas nos Estados Unidos. Numa entrevista coletiva no escritório do promotor distrital (district attorney) de Manhattan, Robert Morgenthal, foi anunciado, na quinta-feira 26, o indiciamento da empresa Beacon Hill Service Corporation, que funcionava como intermediária na abertura de contas em paraísos fiscais e em esquemas de lavagem de dinheiro. Morgenthal disse que, somente entre 2001 e 2002, a firma movimentou remessas totalizando US$ 3,2 bilhões – em apenas 40 contas que tiveram quebra de sigilo pelas autoridades americanas. A Beacon Hill foi a responsável pela abertura da conta camuflada “Tucano” (número 310035), no banco J.P. Morgan Chase, que recebia transferências ilegais de dinheiro. Dali eram feitas remessas, ainda em nome da Beacon Hill, para contas de políticos brasileiros, como Ricardo Sérgio Oliveira – ex-caixa da campanha do PSDB – e João Bosco Costa – ex-diretor do Previ, conforme ISTOÉ denunciou. Mencionou-se também na coletiva o nome do ex-governador Paulo Maluf, que está sob investigação do escritório do promotor distrital, em processo de lavagem de dinheiro. “A pedido de autoridades brasileiras, também estamos rastreando o movimento de remessas ilícitas, feitas por Paulo Maluf”, disse Morgenthal a ISTOÉ.
A Beacon Hill é apenas uma pequena parte de uma investigação enorme, como disse o promotor. Foi a mesma empresa que cuidou das 18 remessas para contas em paraísos fiscais feitas pelo presidente da Ponte Preta de Campinas, Sérgio Carnielli, que somam US$ 615 mil. Somente na Tucano, a Beacon Hill, que funcionava, desde 1994, em Manhattan, movimentou cerca de US$ 28 milhões, entre 1996 e 1998. Essas informações publicadas por ISTOÉ chamaram a atenção de Morgenthal, que lê português. O promotor serviu num navio de patrulhamento durante a Segunda Guerra Mundial, que esteve estacionado no Recife. “Infelizmente, a falta de prática me fez perder muito da fluência em português. Mas ainda consigo ler”, disse. Sabendo desse interesse pelas investigações, ISTOÉ colocou o escritório do promotor em contato com os agentes da força-tarefa da Polícia Federal, o delegado José Castilho e o perito Renato Barbosa, que estavam fazendo investigações em Nova York. O casamento deu certo: em pouco tempo, o sigilo de um total de 14 contas do Banestado foi quebrado. A troca de informações entre as autoridades americanas e brasileiras trouxe grandes progressos nas investigações. A primeira empresa a cair foi a Beacon Hill, fechada em 4 de fevereiro. Os fundos que ainda restavam em suas contas – US$ 13 milhões – foram confiscados pelo District Attorney. Pode-se dizer que muitos políticos, empresários, traficantes e doleiros brasileiros perderam dinheiro com a medida. “A investigação sobre a Beacon Hill continua. Essa empresa fez inúmeras transações ilegais envolvendo indivíduos, firmas laranja e casas de câmbio na América do Sul”, disse Morgenthal.
Os paraísos fiscais serviam de refúgio perfeito para os depósitos de remessas ilícitas. Mas, depois dos ataques de 11 de setembro, o governo americano vem forçando a abertura na omertá da máfia financeira desses países. “O governo e as instituições financeiras da Suíça também têm prestado grande colaboração em nossas investigações. É só uma questão de tempo para que surjam novos indiciados”, acredita Morgenthal. Uma outra fonte do escritório da Promotoria Distrital disse a ISTOÉ que com a Ilha de Jersey, por exemplo, as relações entre as autoridades americanas são excelentes. Essa menção leva ao caso de Maluf, acusado de ter enviado para a ilha cerca de US$ 80 milhões, supostamente pagos pela construtora Mendes Junior, que teria obtido preferência em obras em seu governo.
ISTOÉ revelou como funcionava a operação de remessas do ex-prefeito: a empreiteira pagava nove sub-empreteiras que enviavam o dinheiro para contas de laranjas em Foz do Iguaçu. De lá eram feitas remessas a uma offshore na conta Campari. Dali várias somas saíam para a Suíça e depois eram depositados numa conta de uma agência do Deutsch Bank, em Nova Jersey. Para a soma voltar ao Brasil, o Deutsch tentou “comprar” a Eucatex – empresa da família Maluf. O promotor Silvio Ferraz, ao tomar conhecimento das provas arregimentadas nas investigações da PF, deu início a um inquérito. A subscrição das ações da Eucatex pelo Deutsch foi imediatamente cancelada. A empresa pediu concordata. O valor da compra? Seria, coincidentemente, US$ 89 milhões. E é nesta operação toda – que implica um banco proibido de operar desse modo pelo Banco Central americano – que o promotor de Manhattan está focalizando sua lupa.
Mas não será somente esse caso que vai ocupar os sherlocks de Morgenthal. O pessoal do District Attorney está interessado também no velho caso MetroRed – aquele do cabeamento de São Paulo com fibras ópticas, onde a empresa americana é acusada de subornar autoridades municipais paulistanas com US$ 1,5 milhão. Naquela oportunidade, foram levantados os nomes dos traficantes e lavadores de dinheiro Oscar de Barros e José Maria Teixeira Ferraz – condenados na Flórida por esses crimes e envolvidos no famoso Dossiê Cayman. Nos Estados Unidos, a empresa que corrompe autoridades estrangeiras está violando o Foreign Corruption Practice Act, lei que terminou por punir a MetroRed. Do outro lado da transação – aquele que recebeu o dinheiro – estaria Flávio Maluf, segundo disse Oscar de Barros em depoimento. No Brasil, o caso, mais uma vez, acabou em pizza.
Mas o que poderia acontecer com Paulo Maluf se o promotor Morgenthal provar que ele cometeu algum crime? Uma fonte
do escritório da promotoria disse a ISTOÉ: “Dependendo da
violação, podemos até pedir a extradição de Paulo Maluf.” Não
se imagina que isso aconteça de fato, já que o político, além de cidadão brasileiro, tem mais de 70 anos. Mas, com certeza, garante
a fonte, seus bens em território americano podem ser congelados
e mesmo confiscados. “Além, é claro, de que forneceríamos farto material ao governo brasileiro para que as autoridades do País
façam justiça”, diz o promotor.
Osmar Freitas Jr.
webster franklin
Para quem acompanha esse caso desde a disputa Aécio-Serra não há muitas novidades. Tudo isso já foi postado à época aqui no Blog do Nassif e em vários outros, inclusive na Carta Capital. O ingrediente a mais agora é que uma servidora da receita em Mauá é filiada ao PMDB-SP, que apóia o Serra. Não vai dar mais para sustentar o factóide de que esse vazamento é obra do PT. A farsa montada pelos tucanos e pela velha mídia está se transformando num monstro real pronto a engolir essa gente numa bocada só. Mexeram em um vespeiro, sacudiram, e agora vão ter que arcar com as consequencias.
"Se você não cuidar, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo." Malcolm X
Nassif,
Sobre este assunto, interessante também as observações do Stanley Burburinho no Viomundo:
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/stanley-burburinho-e-o-livro-do-amaury.html
O comentário do Burburinho é excelente, melhor publicar aqui, de acordo com o link acima.
por Stanley Burburinho (em comentário no Viomundo)
1 – O Amaury tinha prometido lançar o livro logo depois da Copa;
2 – Acontece que ele foi contratado pela Record há duas ou três semanas;
3 – Foi feito um acordo entre a Record e o Amaury para ele adiar a publicação do livro até 2011 para não configurar motivação eleitoral e ele sendo funcionário da Record. A Globo faria a festa;
4 – De saco cheio das acusações do Serra, o PT (Lula) resolveu pedir para que a PF ouvisse também o Amaury. Isso significa que a PF terá acesso ao conteúdo do Amaury antes de 2011. Como as partes envolvidas poderão ter acesso ao conteúdo, é muito provável que tudo vaze. Foi a forma encontrada para publicar o livro antes de 2011 e sem complicar a vida da Record;
5 – Logo depois do anúncio do pedido do PT para que o Amaury fosse ouvido também pela PF, o Serra reduziu o tom das acusações dizendo que a quebra de sigilo não tinha motivação eleitoral, mas política;
6 – Agora mais do que nunca o Serra e aliados ficarão na defensiva e o Serra botou o Aith para conversar com o Amaury;
7 – Mas, na minha opinião, o mais interessado em conversar com o Amaury através do Aith é o Dantas e não o Serra. O Serra já sabe que a eleição está perdida. Ele quer se livrar da confusão que virá depois que o conteúdo do livro se tornar público porque ele estará sem foro privilegiado;
8 – O motivo do interesse do Dantas em conversar com o Amaury via Aith é que o Dantas já foi condenado pelo De Sanctis a dez anos de cadeia. Ele não é mais réu primario. Se ocorrer qualquer outra condenação ele terá que ser preso e o livro do Amaury pode complicar a vida dele.
9 – O Serra deu tiro no próprio pé e complicou a vida de muita gente. Até o FHC se complicará.
"Seja realista: exija o impossível"
"O Serra deu tiro no próprio pé e complicou a vida de muita gente. Até o FHC se complicará."
Taí! É por isso que o "bôca" escafedeu-se, picou a mula, pirulitou-se, se mandou daqui.
Todo mundo com um mínimo de conhecimento político já supõe o que o Amaury escreveu. E todo PIG fazendo cara de paisagem. O Nobrat e o Merval não podem ser contratados nem pelo serviço secreto do Paraguai.
Nilson Fernandes
Mais respeito com país vizinho e co-irmão. Tente serviço secreto da Elbonia.
Eu não sei porque o Noblat não publicou este post, mas tenho uma idéia. O blogueiro Daniel atribui uma importância demasiada ao que é um palpite fraco: no mes de setembro de 2009 a candidatura Dilma não existia. Olha, eu não sou jornalista nem investigador mas tenho boa memória. Não deve ser nada difícil demonstrar que a candidatura Dilma já existia "de facto" à época. Ela não nasceu no dia que foi comunicada oficialmente ao TSE.
Outra coisa: o Daniel nada diz sobre a informação que o Amaury trabalhava na Época quando iniciou suas investigações (by Noblat). O Amaury negou a informação? Cultivar a versão que a coisa foi encomendada pelo Estado de Minas e disparada só a partir desta "encomenda" é se alinhar com a fieira de desculpas que o PT está espalhando para ver se a turma desgruda um pouco.
De certo que a candidatura de Dilma já estava em curso em setembro, caro! Mas a candidatura da oposição não! Como eles poderiam violar dados fiscais sigilosos para montar um dossiê contra um adversário se sequer sabiam quem seria o adversário? Ou Serra, ou Aécio, ou ambos! Só ficou claro quando Aécio desistiu da candidatura da presidência da república, em dezembro.
Ali Kamel faz escola pra todo lado agora... É cada teste de hipótese genial...
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