Na Época, Haddad começa a se mostrar

Da Época

Fernando Haddad: "Eu sou um socialista"

O candidato do PT à prefeitura de São Paulo critica stalinistas, trotskistas, neoliberais e também alguns petistas – por terem atacado Kassab na campanha de 2008

ANGELA PINHO E RICARDO MENDONÇA

Quando o ex-presidente Lula deu os primeiros sinais a favor da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, muita gente desconfiou da viabilidade daquela operação política. Dilma nunca disputara eleição, era desconhecida do grande público e não parecia ter aquela desenvoltura típica dos políticos tradicionais. Agora, os petistas acham que podem repetir o feito com o acadêmico Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito de São Paulo, neófito em disputas eleitorais. Depois de morar oito anos em Brasília, ele deixou o Ministério da Educação há dez dias para se dedicar exclusivamente à eleição. Feita em dois encontros, esta foi a primeira entrevista de Haddad após ele desembarcar definitivamente na cidade que quer governar.

TEORIA E PRÁTICA Fernando Haddad na ala de autoridades do aeroporto de Congonhas, logo após desembarcar para se dedicar à eleição. O PT quer repetir a fórmula que elegeu Dilma (Foto: Julia Rodrigues/ÉPOCA)

ÉPOCA – Lula e Dilma estão dando conselhos ao senhor?
Fernando Haddad –
 Conversamos frequentemente.

ÉPOCA – Que conselhos eles dão?
Haddad –
 São observações, preocupações, antecipações...

ÉPOCA – Dê um exemplo concreto.
Haddad –
 O tipo de ataque que vai ser feito. A presidenta sofreu muitos ataques pessoais, difamação, injúria. Ela fala sobre como lidar com esse tipo de provocação. A vida pública é difícil por esse lado... Você quer fazer um debate de nível, e aí de repente sai alguém com comentários que você nem compreende a intenção. Olha, o maior drama que a presidenta Dilma sofreu foi essa coisa de rebaixar o debate, de usar a crença e a fé das pessoas, estimular a intolerância, criminalizar comportamentos, não se solidarizar com dramas pessoais. A campanha é um momento precioso: a sociedade se reúne em torno da discussão pública. Mas às vezes involui. Ela me dá diversas sugestões de como resistir a eventuais ataques desse tipo.

ÉPOCA – Na última eleição municipal, a campanha do PT perguntou se o prefeito Gilberto Kassab era casado e tinha filhos.
Haddad –
 Foi um equívoco. O partido reconheceu. E veja a diferença: a campanha admitiu o erro, assumiu o erro e se retratou. É diferente de uma prática que foi usada sistematicamente e da qual não se fez autocrítica até hoje.

ÉPOCA – Por falar em autocrítica, o senhor vai passar a campanha toda respondendo sobre as falhas do Enem.
Haddad –
 O Enem é um trunfo importantíssimo. Uma de nossas maiores realizações foi inscrever 5 milhões de brasileiros para concorrer a 450 mil vagas na universidade. Acabou com 95 vestibulares. As pesquisas dão conta de um número recorde de aprovação. O Enem americano tem 85 anos e enfrenta problemas até hoje. Não sou estrategista, mas é um tiro na água que vão dar se quiserem acertar no Enem.

ÉPOCA – Ficou a imagem de um exame com problemas de gestão.
Haddad – 
Uma imagem artificialmente construída. Em 2009, realmente houve um problema grave. Mas depois foram questões muito pontuais. Em 2010, 0,1% das pessoas refizeram a prova à custa da gráfica que errou num lote de impressão. Em 2011, foi um colégio afetado pela questão do pré-teste. Um.

ÉPOCA – O senhor escreveu um livro chamado Em defesa do socialismo. O que é ser socialista?
Haddad – 
Eu sou um socialista. O socialismo, em minha opinião, tem dois compromissos importantes. O primeiro é a recusa de toda experiência autoritária em nome da igualdade. Entrei no movimento estudantil numa quadra histórica em que ainda havia forte presença de stalinistas e trotskistas. E nunca militei nessas organizações, justamente em virtude do viés autoritário. Então, sou de linhagem mais frankfurtiana, por assim dizer.

ÉPOCA – E o segundo compromisso?
Haddad –
 É o apreço pela agenda da igualdade, a ampliação de oportunidades, a emancipação dos indivíduos. Pela intolerância em relação à desigualdade e tolerância em relação à diversidade. Até fico impressionado com a quantidade de neoliberais ex-comunistas. É notável. A pessoa é neoliberal, mas foi comunista na juventude, o que revela certa coerência na forma, mas incoerência no conteúdo. Eram autoritários de esquerda, viraram autoritários de direita. E não prestaram contas dessa trajetória. Defendiam o Estado absoluto, defendem agora o mercado absoluto. Então essa recusa ao autoritarismo – estatal ou de mercado – é o apreço pela diversidade e a busca por equalização de oportunidades e combate à desigualdade.

ÉPOCA – A presidente Dilma acabou de ir a Cuba, o que chamou a atenção para a temática dos direitos humanos. É um país que, em sua opinião, preza por essa recusa ao autoritarismo?
Haddad –
 Direitos humanos é um tema que foi alargado ao longo dos séculos. Nos primórdios, os direitos sociais não eram considerados. Então, até compreendo quando alguém faz referência aos direitos sociais em Cuba, sobretudo no que diz respeito à saúde e à educação. Mas penso que isso não pode servir de pretexto para que outros direitos sejam sonegados. Direitos humanos, na ótica do socialismo moderno, tem de abranger os direitos civis, políticos e os sociais.

ÉPOCA – Então o senhor diria que, em Cuba, os direitos políticos são sonegados?
Haddad –
 Eles não são tratados de uma maneira tão atenciosa como os direitos sociais.

ÉPOCA – O senhor foi morar em Brasília em 2003, está voltando agora. Nesse intervalo, o que mais mudou em São Paulo?
Haddad –
 Sem dúvida, o trânsito. É notável como as coisas ficaram mais complexas. E não sei se as pessoas se dão conta, mas a cidade ficou mais escura. Pouca iluminação pública.

ÉPOCA – É impressão sua ou o senhor tem algum dado objetivo?
Haddad –
 Não, é uma percepção forte de que a cidade está menos iluminada à noite e, portanto, menos segura. Outro dia, falei com pessoas que têm a mesma percepção. Falaram que é o projeto Cidade Limpa, que retirou os outdoors. Aquilo iluminava muito mais do que se supunha.

ÉPOCA – Mas o senhor quer a volta dos outdoors?
Haddad – 
Não. Da iluminação. Temos de repensar a iluminação para reocupar a cidade à noite. Isso vai trazer segurança.

ÉPOCA – No transporte, que medidas concretas pretende tomar?
Haddad – 
Não é questão de prometer. Havia um plano com ênfase forte em corredor de ônibus. Nossa gestão (2001-2004) fez um investimento importante, combinando corredores e bilhete único, mais integração com outros modais. Não houve continuidade. Estou convencido de que São Paulo deve privilegiar o transporte público. Podemos, em parceria com o governo federal, resgatar aquele projeto e atualizá-lo.

ÉPOCA – O PT paulistano sempre fez oposição à gestão do prefeito Kassab. Como agora ele pode ir para seu palanque?
Haddad – 
O prefeito hierarquizou as prioridades dele, colocando em primeiro lugar uma aliança em torno da candidatura José Serra. Depois, uma candidatura própria. E falou do PT como terceira alternativa. De nosso lado, estamos cumprindo o roteiro como havíamos anunciado, intensificando conversas com os partidos da base aliada do governo Dilma.

ÉPOCA – O senhor descarta uma aliança com o PSD de Kassab?
Haddad – 
Veja bem: estamos numa eleição complexa, que será decidida, provavelmente, em dois turnos. Nenhuma eleição em São Paulo foi resolvida num turno só. Temos de definir a estratégia com nossos parceiros. Às vezes você pode até descartar uma aliança, mas não pode descartar apoio. Você precisa de apoio para governar. Agora, o que não vou fazer é atropelar o PT. O PT é a força que minha candidatura tem.

ÉPOCA – O senhor já disse que a USP não pode ser tratada como a Cracolândia nem a Cracolândia como a USP. Em relação à atuação da Polícia Militar, como deve ser tratada cada uma delas?
Haddad –
 A força militar no campus pode gerar estresse desnecessário. Acho que tem de reforçar a segurança nos campi. No MEC, fizemos muito investimento nisso, com empresas de segurança. A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) estava com um problema crônico e melhorou muito sem a necessidade de força militar. Depois da prisão dos estudantes (da USP), houve o espancamento de um estudante negro por um policial, que chegou a apontar o revólver para os estudantes.

ÉPOCA – Mas tirar a Polícia Militar da USP não é tratar os alunos como privilegiados?
Haddad –
 É a questão da especificidade de um campus universitário. O risco é transformar repressão civil em repressão política. Esses limites, dentro de uma universidade, são tênues. A universidade é um lugar de um debate permanente, de contestação permanente. Ela tem a capacidade de formular projetos sobre sua própria segurança. Não é o caso da Cracolândia, onde você tem o tráfico e a presença de crianças.

ÉPOCA – O senhor acha que a ação da PM na USP foi repressão política?
Haddad –
 Em relação aos meninos indiciados, os três que estavam dentro do carro, de certa maneira foi. O tratamento que eles receberam ali não foi o que deve ser dado a eventuais usuários. Foi um tratamento de cidadão de segunda categoria.

ÉPOCA – E a Cracolândia?
Haddad –
 A questão da saúde pública ficou subalterna. O que as pessoas corretamente dizem é que, nessas operações, a saúde pública e a assistência têm de estar muito presentes.

ÉPOCA – O ex-presidente Fernando Henrique passou a defender a descriminalização da maconha. O que o senhor acha disso?
Haddad –
 É um tema que deve envolver especialistas de muitas áreas. Uma visão que está se consolidando é a ideia de que o usuário enfrent um problema de saúde. A questão da descriminalização é federal. Na prefeitura, o papel é acolher quem precisa de atendimento. Fico um pouco preocupado com essa perspectiva (descriminalização) pelo seguinte: no caso do álcool, a droga é legal, mas a venda para menor de idade é ilegal. Não temos o controle de bebida alcoólica. Vamos mexer (na legislação) sem ter controle sobre uma droga lícita?

ÉPOCA – O descontrole não é maior justamente porque é ilícita?
Haddad –
 Meu temor é tornar o jovem ainda mais vulnerável. Mas o debate é rico, precisa ser feito. 

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Ainda bem que Haddad  é socialista alguém poderia o confundir com nazista, fascista,ou um capitalista e já que era ministro da educação e agora socialista um pouco de história sobre um "socialista" igual ao Haddad.

A Grande Fome de Mao  escrito por Emanuel Martin

Mas não é simplesmente a extensão do número de mortos que conta, mas também como essas pessoas morreram. Não é que as pessoas morressem de fome porque não havia comida disponível. A comida era na verdade usada como uma arma para forçar as pessoas a cumprirem as tarefas atribuídas pelo Partido.”

 


UnMondeLibre: Estamos felizes em publicar hoje (7 de outubro de 2010) uma entrevista que o professor Frank Dikötter da Universidade de Hong Kong concedeu a Emmanuel Martin, que acaba de publicar um livro intitulado “Mao’s Great Famine : The History of China’s Most Devastating Catastrophe” (“A Grande Fome de Mao: A história da catástrofe mais devastadora da China”- 2010, Bloomsbury, Londres; Walterbook, New York).

Emmanuel Martin: Professor Dikötter, sua obra trata das conseqüências do “Grande Salto Para Frente”, iniciado por Mao na China. Qual era a idéia, o objetivo deste “Grande Salto Para Frente”?

Frank Dikötter: O “Grande Salto Para Frente” começou em 1958 e terminou em 1962. Foi uma catástrofe enorme. Por que ele foi feito? Em 1958, Mao estava há quase dez anos no poder e crescia sua impaciência diante da falta de desenvolvimento econômico e da resistência dos agricultores à coletivização. Mas, acima de tudo ele desejava assumir a liderança do campo socialista.

Sua idéia, portanto, foi superar os seus concorrentes usando o que ele considerava a verdadeira riqueza do país: uma força de trabalho de centenas de milhões de homens e mulheres. Ele achava que, usando todos os agricultores do país, agrupando-os em comunas gigantes, e transformando-os em soldados de um exército industrial da revolução, ele poderia transformar simultaneamente a agricultura e a indústria, catapultando assim o país para além do desempenho da União Soviética e talvez mesmo da Inglaterra em quinze anos. Na verdade, este era o slogan: superar a Inglaterra em quinze anos.

Então, o que ele fez foi coletivizar praticamente tudo. As pessoas do campo foram amontoadas em Maocomunas populares, as cantinas eram os únicos lugares onde a comida era distribuída, e a colheradas, por assim dizer. As pessoas viram as suas terras confiscadas, como suas casas e seu estilo de vida. Tudo foi coletivizado. A única maneira de fazer os camponeses famintos trabalharem no campo foi o uso da força. Muito rapidamente o paraíso utópico provou ser um enorme quartel militar. A coerção e a violência eram as únicas formas de garantir que as pessoas executassem as tarefas que lhes eram ordenadas pelos membros locais do Partido.

EM: Quais fatos históricos você descobriu sobre esse episódio trágico?

FD: Em primeiro lugar, este é o primeiro livro baseado nos enormes arquivos do Partido. Até agora, os historiadores têm utilizado como fontes publicações não oficiais ou semi-oficial para determinar o que se passou. Desta vez, tivemos acesso a relatórios, inquéritos, sondagens extremamente detalhadas, bem como aos relatórios da vigilância da polícia de segurança sobre o desenvolvimento da fome, ou seja, milhares de documentos escritos pelo partido na época. O livro lança então uma luz inteiramente nova sobre o que aconteceu.

E depois, a fome tomou dimensões muito além do que se pensava anteriormente. Os especialistas estimavam a catástrofe demográfica entre 15 e 30 milhões de mortes. Com as estatísticas compiladas pelo próprio Gabinete de Segurança Pública na época descobre-se uma calamidade muito maior: pelo menos 45 milhões de mortes prematuras entre 1958 e 1962.

Mas não é simplesmente a extensão do número de mortos que conta, mas também como essas pessoas morreram. Não é que as pessoas morressem de fome porque não havia comida disponível. A comida era na verdade usada como uma arma para forçar as pessoas a cumprirem as tarefas atribuídas pelo Partido. E as pessoas que eram consideradas como de direita ou conservadoras, as pessoas que dormiam no serviço, que estavam muito doentes ou enfraquecidas serem obrigadas a trabalhar se viram sem acesso à cantina e morriam mais rapidamente de fome. Pessoas fracas ou os elementos considerados como inaptos pelo Partido foram, portanto, deliberadamente levados à fome.

Mas também devemos ressaltar a violência do sistema. Entre dois e três milhões de pessoas foram sumariamente executadas ou torturadas até a morte. Alguns foram torturados por roubar uma batata. Em um caso, que foi relatado no alto da cadeia de comando, um homem teve, por roubar uma batata, suas pernas amarradas com arame, atadas sobre as costas, uma das orelhas cortadas e, em seguida torturado com brasas. A tortura foi generalizada. Outro homem, por exemplo, foi obrigado a enterrar seu próprio filho vivo porque este tinha roubado um punhado de grãos da cantina.

EM: Isso tinha sido planejado por Mao e os dirigentes comunistas?

FD: Não foi planejado no sentido do Grande Timoneiro ter dado alguma ordem específica para torturar e matar. Mas isso não foi totalmente imprevisto, pois Mao tinha especificado que o exército representava a moral a seguir, que as pessoas de direita e conservadoras deveriam ser eliminadas, e muitas de suas mensagens eram suficientemente vagas para que os de “boa vontade” instalassem um regime de terror sobre os aldeões. Um pouco como Hitler, que não deixava suas ordens sempre claras: seus subordinados interpretavam.

Mas uma coisa é certa: Mao sabia exatamente o que se passava. Ele recebia relatórios e cartas escritas por pessoas comuns. Seus próprios secretários iam aos locais para ver o que lá se passava. Além disso, nós sabemos, e o livro lançou uma luz sobre esse fato graças aos memorandos secretos, que em março de 1959, em meio à fome, o presidente disse a alguns altos dirigentes que metade do país poderia muito bem morrer da fome enquanto que a outra metade poderia comer até se fartar. Ele deu a ordem para levar até um terço da safra de cereais, decididamente mais do que tinha sido levado até então. Ele enviou uma equipe adicional para arrancar essas reservas de cereais dos aldeões.

EM: O economista e filósofo austríaco Friedrich Hayek escreveu extensamente sobre o planejamento central e o socialismo. Ele foi uma inspiração para o historiador que você é?

FD: Um dos principais capítulos, intitulado “The End of Truth”, descreve como, no verão de 1959, Mao voltou-se contra alguns líderes que tinham manifestado sua insatisfação com o Grande Salto Para Frente. Ele os anulou, os expulsou do Partido, aplicando assim um expurgo. O título “O fim da verdade” foi com certeza diretamente inspirado no título de um capítulo da grande obra de Hayek “O Caminho da Servidão”. Eu considero “O Caminho da Servidão” um clássico, e qualquer um que queira entender como funcionam um Estado de partido único e uma economia planejada deve lê-lo. O livro já descrevia, antes que Mao chegasse ao poder, o que se passaria na China. Todo o livro conta a história das conseqüências da coletivização radical. Não só o que ela provoca em termos de destruição de seres humanos, mas também em destruição do conhecimento, da infra-estrutura de transporte, das casas, ou da natureza. Tudo cai e se paralisa quando os que estão no topo da pirâmide de poder pensam que pode dirigir toda a economia numa direção ou noutra.

EM:
 Parece-me que o comunismo foi também uma catástrofe moral, reduzindo seres humanos à condição de animais em luta pela sobrevivência. Nesta situação, estamos prontos para fazer coisas que não estaríamos dispostos a fazer em um contexto normal.

FD:
 Decididamente. Primo Levi descreveu isso muito bem quando ele narra como sobrevivia em Auschwitz. Ele diz como as pessoas devem fazer todo tipo de compromissos morais o objetivo de sobreviver, como, por exemplo, não compartilhar alimentos que eles descobrissem. Isso é o que ele chamava de “a zona cinzenta”. Eu acho que o Grande Salto Para Frente, entre 1958 e 1962, é uma enorme “zona cinzenta” durante a qual não foram apenas os carcereiros que sustentavam a violência contra as pessoas comuns, mas também as próprias pessoas comuns que deveriam fazer coisas terríveis a seus vizinhos, às vezes a membros da própria família, apenas para sobreviver: mentir, trapacear, roubar, dissimular... Às vezes, vendem seus filhos por alguns grãos, comer lama ou mesmo restos humanos para ter energia suficiente.

EM:
 Tais coisas são muito difíceis de entender. Também é difícil acreditar que ainda possa haver partidos comunistas atualmente. Parece que alguns não têm conhecimento do passado e da aplicação de suas idéias à realidade. Haverá uma versão chinesa do livro?

FD: Muitos chineses, da China ou do exterior, enviam-me mensagens todos os dias. Eles me dizem que estão felizes por este livro ter sido publicado. Eu tenho a impressão que muitos leitores na China querem saber o que se passou durante este período da história maoísta.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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Andre Araujo

A tese de mestrado de Haddad é sobre a vitoriosa educação sovietica. Já dá a ficha do ex-Ministro.

 
 
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Murilo C

Realmente, os russos sao ignorantes e analfabetos.

 
 
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maurobrasil

O pessoal da direita parece estar desesperado mesmo e aumentando seu alto nível de desonestidade...

O título da dissertação de mestrado de Haddad é

“Caráter Sócio-Econômico do Sistema Soviético”

Não tem nada a ver especificamente com o sistema educacional soviético...

Haddad se tornou mestre em Economia, formado pela Universidade de São Paulo (1987/1988), com especialização em Economia Política e dissertação de Mestrado defendida em 1990. Foi aluno visitante da McGill University, Montreal, Canadá, em 1989, para elaboração e desenvolvimento, junto aos departamentos de Economia e Ciências Políticas, da sua dissertação de mestrado.

Ele se tornou doutor em Filosofia, pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (1991). Tese de Doutorado defendida em agosto de 1996, intitulada “De Marx a Habermas: o Materialismo Histórico e seu Paradigma Adequado”.

 
 
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Andre Araujo

Não vejo ninguem desesperado. A Prefeitura pior do que está não pode cair.  Acho que Haddad é uma boa escolha, tem cara boa, ficha limpa, excelente familia ,  tem tudo para ganhar e fazer um bom governo, até porque não vejo alternativas viaveis na oposição, a não ser o Guilherme Afif que se quisesse ser candidato já deveria ter se apresentado, ele galvanizaria todo o voto anti-petista de S.Paulo. O que pode atrapalhar Haddad e vejo um grande risco nessa linha é o apoio de Kassab, um nome com gigantesca rejeição no eleitorado que votou nele e agora o vê bandear-se para o PT, não tem nada pior que traira na vida politica,, esse apoio não vai agregar nada e vai queimar a imagem do Haddad. Espero que o PT tenha a sabedoria de ciar fora dessa arapuca vulgar.

 

 
 
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Eduardo Ramos

Concordo com dois pontos de sua análise, André: sobre o Afif, e sobre o PT não ter nada a ganhar com o apoio do Kassab. Quanto ao "traíra" em política, dessa vez seu comentário me pareceu ingênuo - rs - Quantos traíras não foram eleitos...? Lembra de FHC com Itamar Franco? Acho que o povo entende que "amizade" em política, vale muito pouco - não que eu concorde com isso, mas tem sido assim há séculos. Abraço!

 
 
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Emilio GF

Exelente família, Tereza Cristina?

 
 
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Andre Araujo

Vc tem alguma coisa contra a familia Haddad?

 
 
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Emilio GF

Brincadeirinha.

Num guentei.

 
 
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tnetz

Seria o meu comentário. Para alguns, "pedigree" define.

 
 
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Jayro Sobral

Andre Araujo como sempre: escrevendo factoide e sendo desmascarado.

 
 
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Andre Araujo

Qual é o factoide?

 
 
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Fernando R.

Se eu chamasse esse André de cínico, estaria sendo grosseiro. Seu eu dissesse que é desonesto, estaria sendo agressivo. Não encontro uma forma de lhe adjetivar. Acho melhor então deixar pra lá.

 
 
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Zé Augusto

Qualquer uma das ex-repúblicas da URSS tinha índice de alfabetização superior aos EUA, quando a URSS acabou.

 
 
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Andre Araujo

Fantástico, os ubequistões eram muito mais bem educados do que os americanos, os chechenos tambem. Viver é apreender. Tudo na ex-URSS era melhor que nos EUA, o pais só acabou por um capricho do Gorbachov.

 
 
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Altino Ferreiro

Vc certamente nunca ouviu falar em Adorno e Marcuse, da Escola de Frankfurt, que inspirou a formação acadêmica do Haddad. Os tucanos já foram mais cultos. Hoje não passam de uns ignorantes que se aliaram ao que há de fascista na elite paulistana.

 
 
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krishna

  

  É só a conversa de dois reaças, reproduzida por outro, desses que acreditam que a China estava melhor quando era frequentemente invadida e dominada por muitos países, principalmente o ex-império inglês, hoje para lá de decadente.

  Quando a população praticamente toda, ao contrário de hoje, passava fome, perguntaram isso ao "professor"?  Antes não morriam de fome????

  Quando ingleses humilhavam a população chegando a colocar cartazes em portas de restaurantes proibindo a entrada de cães e chineses.

  Quando era a China invadida constantemente por Inglaterra, EUA, Japão, etc. e até Portugal, que promoviam algumas vezes genocídios, mas eles não consideravam chineses, gente, tal qual a U.S. Army hoje faz com combatentes ou civis "inimigos".

  Quando os ingleses invadiram mais uma vez, declarando guerra ao império chinês de então, por este ter ousado proibir a venda de ópio (comercializado lá pelos ingleses) ao povo chinês.

  Quando diversas cidades, Hong-Kong, Macau, etc. eram possessões de potências coloniais.

  Quando os chineses eram escravos dos ocidentais, não tinham voz e não representavam nenhum perigo.

  Em suma quando obedeciam e morriam cedo de fome.

  Não fosse o socialismo ainda seria assim, mesmo com sérios problemas pelos quais tiveram de passar, sem qualquer ajuda ocidental e oposição cerrada do ocidente e Japão, queiram ou não os reaças.

 Essa mesma  gente que acredita, por exemplo, que o Iraque está hoje melhor que no tempo de Saddan, e que este é o principal criminoso de guerra, não Bush, um débil genocida representante de interesses escusos, que já deveria ter sido condenado pelo tribunal de Haia se este valesse alguma coisa e tivesse alguma legítimidade.

 Essa mesma gente que acredita que a negação de um visto de saída para uma blogueira cubana é um crime supremo, já a manutenção de uma base estrangeira em território alheio há dezenas de anos, a revelia do governo local, na qual são mantidos presos, torturados cotidianamente há mais de dez anos, centenas prisioneiros sem qualquer acusação formal, ou julgamento, coisa normal..

 E o mero fato do ex-ministro Haddad ter se declarado socialista não o faz sócio nem responsável por qualquer ato insano cometido, eventualmente, por governos que dizem comunistas.

 Isso é fora do contexto, reaças nem sabe o que significa socialismo, mas não sou eu quem os vai ensinar.

 Vão catar coquinhos.

 

 
 
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José Renato Monteiro de Barros

É isso aí Krishna:Aos ignorantes,as trevas,a caverna!


 

 
 
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aliancaliberal

Eu posso afirmar que sem Mao a China estaria melhor.

Tanto que depois de sua morte e mesmo sobre um regime comunista a simples permissão dos agricultores plantarem e terem propriedade sobre suas terras fez acabar com a fome na China.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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João Aguiar

valeu pelo desabafo, a sabiduria da direitona é da fundura do pires do meu gato e eu nem gato tenho 

 

você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte em vida, às vezes. Charles Bukowski

 
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Miguel

O grande influenciador do historiador, Friedrich Hayek, também foi o influenciador do mentor da ideologia neoliberal que promoveu todos os golpes militares dos anos 60 e 70 na América Latina, Milton Fiedman:

Hayek is widely recognized for having introduced the time dimension to the equilibrium construction and for his key role in helping inspire the fields of growth theoryinformation economics, and the theory of spontaneous order. The "informal" economics presented in Milton Friedman's massively influential popular work Free to Choose (1980), is explicitly Hayekian in its account of the price system as a system for transmitting and coordinating knowledge. This can be explained by the fact that Friedman taught Hayek's famous paper "The Use of Knowledge in Society" (1945) in his graduate seminars.

Esse radicalismo neoliberal não é bom pano de fundo para uma análise muito isenta do regime maoísta.

 
 
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Noir

Mandou muito bem; gostei mesmo.

É isso aí.

Quero assinar o comentário, pode?

 
 
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Miguel

Fico honrado.

 
 
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Emilio GF

Se tivesse algum maoista no blog iria ficar fulo da vida.

 
 
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Angelo G.Frizzo

Eu prefiro ser Maoista (já respondi acima) do que ser BUCHISTA que é genocida e está solto.

 
 
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aliancaliberal

Vc não entendeu a ironia do Emilio, a ironia foi comparar Haddad com Mao.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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Emilio GF

É como a grande fome americana do pós 1929, que vitimou de 7 a 8 milhões de pessoas de fome.

Comida, tinha. Mas a maioria não tinha dinheiro para comprar.

Tanto que muita comida foi queimada ou lançada ao mar.

 
 
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aliancaliberal

Passa o link ai sobre a grande fome americana do pós 1929 e 8 milhões de mortos.

Esquece vc não disse que foram mortos e sim vitimas.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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Emilio GF

Mortos.

http://rt.com/usa/news/interview-with-boris-borisov/

 
 
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francisco pereira neto

Não. Mas aí não vale. A pesquisa foi feita por um Russo.

É o pensamento torto e inviesado.

É o raciocínio de pensamento único e colonizado pelos norte americanos.

PÔ! Mas nós vivemos na América.

Só que muito se esquecem que é América Latina, ou tem vergonha.

Nós só seremos grandes quando esses conceitos forem varridos do nosso país e toda a América Latina.

Tenho a impressão que já começou.

 
 

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