Morais leva últimos soldados da guerra fria ao Fórum Social

Por Marco Antonio L.

Do Sul21

Os últimos soldados da guerra fria passaram pelo Fórum Social em Porto Alegre

Lançamento do livro de Fernando Morais lotou auditório do Sindibancários | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Samir Oliveira

Ao ouvir uma notícia no rádio enquanto estava num táxi em São Paulo, em 1998, Fernando Morais pensou que poderia escrever um livro de aventuras sobre o assunto. Mas acabou colidindo com uma história política. Ao longo de três anos de trabalho, o jornalista descobriu que também havia amor, sonhos e personagens fascinantes por trás da trajetória dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos, acusados de conspiração contra o governo. O resultado está condensado nas 416 páginas do livro Os últimos soldados da guerra fria, relançado na sexta-feira (27) em Porto Alegre, dentro das atividades da edição temática do Fórum Social Mundial. 

Fernando Morais contou os bastidores da obra numa descontraída conversa com leitores no Sindibancários. Ele explicou que enfrentou preconceitos tanto em Cuba quanto nos Estados Unidos. Os primeiros desconfiavam de suas intenções, achavam que ele poderia preparar material contrário à revolução. Os norte-americanos viam o autor – que também escreveu a biografia de Olga Benário – como um comunista convicto. 

....Persistente, o jornalista insistiu, incomodou, fez inúmeras e complicadas viagens a Havana e Miami, até que conseguiu ter acesso a documentos oficiais. Também conversou com agentes aposentados do FBI que participaram da prisão dos cubanos e, inclusive, entrevistou os detidos. 

“Percebi que metade dessa história é cubana e a outra metade, norte-americana”, comentou. Para contar a história de Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Fernando González, Antonio Guerrero e René González, o escritor chegou a interceder junto ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, e ao amigo Frei Betto – que se encontraria com Raul Castro, comandante da ilha comunista – para que ambos aliviassem as restrições que o regime estava impondo à liberação de documentos oficiais sobre o caso.


Capa do livro de Fernando Morais | Foto: Divulgação - Cia. das Letras 

As investidas funcionaram. “Uma semana depois recebi um e-mail informando que os documentos estariam disponíveis”, conta. A partir daí, ele mergulhou em num “mega dossiê” que Fidel Castro havia enviado ao então presidente norte-americano, Bill Clinton, expondo o perigo das atividades que a comunidade anti-castrista em Miami estava realizando. 

As informações haviam sido coletadas justamente pelos agentes cubanos enviados à Flórida em 1990, que viveram até 1998 totalmente infiltrados nas organizações de extrema-direita que planejavam e executavam atos terroristas contra o regime de Cuba. Fernando Morais também conseguiu por as mãos num relatório feito por Gabriel García Márquez, que intermediou as conversas entre Fidel e Clinton. “O informe é uma delícia, qualquer coisa escrita por ele é uma delícia, até bula de remédio”, brincou. 

O jornalista conversou, em Havana, com um dos mercenários contratados pelas organizações de extrema-direita em Miami para colocar bombas na capital cubana. “Uma pessoa totalmente fora de esquadro. Disse que não fez aquilo por dinheiro ou ideologia, mas porque queria ser igual ao Silvester Stallone”, contou, arrancando risos do público. 

O salvadorenho Raul Ernesto Cruz, que está preso em Cuba, era segurança de celebridades e decidiu largar tudo para colocar bombas em Havana. Ganhava US$ 1,5 mil por artefato. Quando Morais passou mais de 12 horas conversando com ele na prisão, Raul Ernesto ainda estava condenado à morte – posteriormente, sua pena foi abrandada. 

Na ocasião, o ex-terrorista confessou ao escritor brasileiro que teria um final bem diferente do seu ídolo. “Sabe qual a merda? O Stallone termina os filmes na cama da Sharon Stone, e eu vou terminar na frente de um pelotão de fuzilamento”, comparou. 

Livro será publicado nos Estados Unidos, em Cuba, na Espanha, em Portugal e no México 

O livro de Fernando Morais já vendeu mais de 70 mil exemplares e será comercializado no Estados Unidos, em Cuba, na Espanha, em Portugal e no México. Além disso, já está com os direitos comprados para se tornar um filme.


Escritor diz que processo contra cubanos é "uma indecência" | Ramiro Furquim/Sul21 

O escritor espera que a penetração da obra nos Estados Unidos ajude a informar melhor os norte-americanos sobre a história dos cinco cubanos detidos no país. “A sociedade americana praticamente não têm notícias desse caso, há uma profunda desinformação”, critica. 

O jornalista considera que o processo contra os cubanos – agentes do governo comunista infiltrados em organizações anti-castristas de extrema direita nos Estados Unidos — , acusados de conspiração, é uma “indecência” e uma “hipocrisia” do governo norte-americano. “Com o livro, tenho a possibilidade de contar a história dessa indecência para o maior número de pessoas possível”, anima-se. 

“Esquerda precisa perder o medo da mídia”, conclama Tarso Genro 

O governador Tarso Genro (PT) esteve presente no lançamento do livro de Fernando Morais, Os últimos soldados da guerra fria, e disse que os partidos políticos de esquerda não costumam debater temas complexos, como o caso do governo cubano, por exemplo, por terem medo das reações da imprensa ao tema. “Há um esvaziamento dos valores da esquerda mundial. Em regra, as esquerdas secundarizam debates como esse sobre Cuba porque sabem que serão mastigados negativamente pela mídia, que cria uma série de ‘pré-conceitos’”, criticou.

Governador Tarso Genro diz que esquerda precisa perder o medo da mídia | Foto: Ramiro Furquim/Sul21 

O governador disse que esses “pré-conceitos” da mídia sobre determinados temas constituem-se numa “arma política de dominação contra a esquerda”. “Esses temas ácidos não têm composto a agenda da esquerda no país por medo da mídia. Esse medo tem que ser vencido, senão a esquerda não se recupera. É preciso coragem”, conclamou Tarso.

Ele diz que, nos Estados Unidos, a mídia consolidou na “cidadania média” norte-americana a informação de que os cubanos presos são “espiões e terroristas”. “Estavam lá para investigar dentro da comunidade civil cubana atos de terrorismo praticados por cubanos”, explicou o governador.

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20 comentários
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IV AVATAR

Não mexerei um palito pela blogueira cubana, diz Fernando Morais

 

No Fórum Social, jornalista e escritor especialista em Cuba diz que ajudar Yoani Sánchez é ficar contra revolução. Segundo ele, conquistas sociais do regime importam mais que liberdade para criticar, o que só interessa ao 'inimigo' EUA. Cético com política externa americana, Morais não vê chance de distensão entre Cuba e EUA sob Obama, pois não haveria diferença entre democratas e republicanos. Dilma vai a Cuba segunda.

 

Porto Alegre – Jornalista e escritor, e portanto defensor e dependente da liberdade de expressão, Fernando Morais, reconhecido especialista em Cuba, não pretende se envolver no caso da blogueira cubana Yoani Sánchez, cuja tentativa de vir ao Brasil virou notícia nestes dias que antecedem viagem da presidenta Dilma Rousseff à ilha de Fidel Castro.

Morais quer distância do assunto por um motivo simples: política. Amigo da revolução castrista, cujo saldo considera positivo ao povo de lá, o escritor acredita que críticas públicas ao país – e ele diz que também teria razões para criticar - só “ajudariam o inimigo”, os Estados Unidos e seu bloqueio à ilha. Yoani discorda do regime e o ataca via blog. Para Morais, ajudá-la é ficar contra a revolução.

“Sou defensor da liberdade de expressão. Mas, em primeiro lugar, defendo o direito de 11 milhões de cubanos que estão sendo espezinhados pelos americanos”, afirmou o escritor nesta sexta-feira (27), durante um debate sobre livro que lançou no segundo semestre de 2011 sobre a prisão e a condenação de cinco cubanos nos Estados Unidos, chamado “Os últimos soldados da guerra fria”.

“Em nome das minhas convicções, não posso apoiar uma moça que vem dedicando a vida a combater a revolução”, disse Morais no debate, que fez parte das atividades do Fórum Social Temático, grande encontro de esquerda. “Eu não vou mexer um palito para que essa moça venha ao Brasil.”

Quando começou a correr a notícia de que Dilma irá a Cuba – será na próxima segunda-feira (30), a primeira viagem internacional da presidenta em 2012 -, Yoani anunciou no Twitter que queria um visto brasileiro, para vir ao país. Depois, escreveu uma carta a Dilma com o mesmo pedido. 

Com dificuldade para obter visto no governo Lula, a blogueira teve mais sorte agora. Quarta-feira (25), o ministério das Relações Exteriores informou que daria um visto especial de 90 dias para ela. Mas Yoani ainda precisa de autorização do governo cubano para deixar o país, e Morais, que tem contato com autoridades de lá, não pretende interceder a favor dela.

Para o escritor, apesar do tipo de crítica que Yoani faz – a falta de liberdade é a principal -, o saldo da revolução cubana não justificaria tentar derrubar o regime. No debate, ele disse que não há crianças pedindo esmola na rua, analfabetismo e (caso único no hemisfério sul) desnutrição infantil, enquanto a taxa de mortalidade infantil é a metade da vista nos EUA. 

Tudo isso foi conquistado, lembrou, apesar do bloqueio norte-americano, que atrapalha o desenvolvimento cubano. O boicote começou nos anos 60 e foi reforçado nos anos 90 no governo do ex-presidente Bill Clinton, que pertence ao Partido Democrata, em tese, mais à esquerda, dentro daquilo que pode ser considerado “esquerda” nos EUA.

“Já perdi a inocência com os Estados Unidos. Na política externa, não faz a menor diferença se é democrata ou republicano”, afirmou Morais. “Quem meteu os americanos nas piores aventuras externas foram os democratas. E quem tirou, foram os republicanos”, completou o escritor.

Para Morais, o governo Obama "não mudou absolutamente nada" na política externa americana, apesar da expectativa inicial que foi criada. Por isso, ele não acredita que haja qualquer distensão na relação entre Cuba e EUA sob o comando do atual candidato à reeleição.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19484&alterarHomeAtual=1 

 
 
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meiradarocha

“Já perdi a inocência com os Estados Unidos. Na política externa, não faz a menor diferença se é democrata ou republicano”, afirmou Morais.

"A diferença entre Democartas e Republicanos é a mesma que entre a Coca-cola e a Pepsi-cola". Luiz Inácio Lula da Silva.

 
 
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Horridus Bendegó

Excelente leitura!

Soube que um dos cinco presos foi libertado no final do ano passado.

Verdade?

 
 
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JOsé Mateus teles Machado

 Nassif eu estou escrevendo o que eu lí e não o que eu penso 


 Noan Chomisk em sua entrevista na Revista Isto É disse que a Pólítica Externa Americana no governo Barack Obama não mudaria


 Qual a diferença de um democrata para um republicano!


 Eu estou me referindo, também, as (distorções) do Sistema Bipartidarista e de que democracia não tem   


 conteúdo escritor Fernando Morais

 
 
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José de França

Merece ser lido!


Muito bom mesmo.


Deixa claro o banditismo de parte dos cubanos que utilizam os EUA para patrocinar terrorismo.


Também deixa clara a importância desse pessoal nas eleições norte-americanas. E como meia-dúzia de gatos pingados com influência altera (para pior) muita coisa.

 
 
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JB Costa

Tudo bem: Cuba foi, sob certos aspectos e contigências, exemplo para o mundo, a começar por um ter derrubado uma tirania através de uma revolução realmente popular, e não de elites. Também é digna de admiração sua fortaleza frente ao embate com um Titão há mais de cinquenta anos sem sucumbir mesmo sob ameaças de extinção e subsistir a um embargo econômico talvez sem precedentes na história. Merce de tudo isso conseguiu satisfazer as demandas básicas do seu povo. Mas(tudo na vida tem um mas).....

Mas para conseguir tudo isso foi, é, realmente imprescindível um regime de partido único, uma ditadura descarada? Será que  uma eventual abertura desse regime ensejaria seu desmonoramento completo, ou seja, o regime só se sustenta à sombras? Ora, se os avanços foram patentes, induvidáveis, por que o receio de um afrouxamento das rédeas curtas que submete o povo cubano a unicidade política e ideológica?

Mutatis mutandis, Cuba é para a esquerda o que Israel é para a Direita. E ambos tem em comum a exploração ad auseam da vitimização, mesmo que por motivos diferentes ao tentarem  mascarar seus (des)compromissos com certos valores através do biombo  "pobre coitadinho". O país insular por ter à frente a maior potência capitalista do mundo e a Eretz Israel pelo pavoroso Holocausto.

Acho que especificamente para Cuba, independentemente das contra-reações do seu êmulo ianque, mesmo que um pequeno aceno para a comunidade internacional acerca de um afrouxamento do regime já seria salutar, o que resultaria no ponto ômega de qualquer regime ideal, qual seja, onde se entrelaçam a democracia política com a justiça social.

Seria a prova provada que liberdade e equidade podem coexistir. Ou isto permanecerá para sempre como utopia?

 
 
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JB Costa

Leia-se TITÃ e não titão. 

 
 
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oiDenilson

Serve um "pluripartidarismo" como o dos EUA? Aquele de democratas e republicanos se revezando pra fazer 89% igual, em guerras, invasões  e politicas externas e internas ...
E centenas de outros partidos e independentes esquecidos... Com a força de uma grande mídia esmagando qualquer alternativa...
Democracia é governo do povo, participação popular, assim se mede a democracia...
Cada ilusão que as pessoas propagam e nem percebem..

 
 
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JB Costa

Serve. Com imprensa livre, direito a organização sindical, e tudo o mais. Nenhum regime por mais progressista que for tem o direito de castrar a autonomia dos indivíduos. 

Defenda Cuba pelo que ela tem de bom e não pelos seus equívocos. De dogmas, já bastam os religiosos.

 
 
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Emilio GF

Serve?

Por que você não é 1 de cada 7 americanos que vivem abaixo da linha de pobreza.

Se morasse com sua família dentro de um carro, na periferia de New Jersey, pensaria assim?

E se você fosse 1 de cada 10 americanos que estão ou estiveram presos, mesmo que por pequeno delito?

E se tivesse sido estuprado e contraído AIDA na prisão, por um sistema que não se sente responsável pelas pessoas que aprisiona?

Ah... Tem problema não.

Afinal, eles têm liberdade.

 
 
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JB Costa

E daí Emilio?

Onde você quer chegar ? Que a liberdade pode ser trocado por uma prato  de lentilhas? 

Ora, Emilio, onde você quer chegar com esses exemplos? Se as prisões americanas estãoi cheias claro que isso não é é um bom sinal. Algo está errado? Mas, e daí? Repito. Se é ruim, pior são as prisões cubanas onde apodrecem pessoas por "crimes" de consciência".

 

 
 
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Emilio GF

Taqui seu direito à organização sindical nos EUA:

"In other states, public workers have no right to establish a union as a legal entity. (About 40% of public employees in the USA do not have the right to organize a legally established union.)"

<Wikipedia>

 
 
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Emilio GF

Baltimore, 1877, greve dos mineiros.

A liberdade de tomar um balaço a queima roupa.

Re: Morais leva últimos soldados da guerra fria ao Fórum Social
 
 
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Marcos Doniseti

Os EUA prendem cinco cubanos que agiam no sentido de impedir que acontecessem atentados terroristas contra Cuba e o seu povo e o governo ianque os mantém presos enquanto que, ao mesmo tempo, promovem uma suposta 'Guerra Contra o Terrorismo' em escala global.

 

Haja hipocrisia!

 

É por isso que um antigo presidente dos EUA declarou: 'Quando penso que Deus existe, temo pelo meu país'.

 

Marcos Doniseti

 
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Emilio GF

Os EUA continuam negando a extradição de Posada Carrilles, o maior terrorista das américas.

Explodiu Hotéis e um avião de Cuba com destino à Venezuela, cheinho de cidadãos venezuelanos. Isso, na época em que a Venezuela era grande aliada dos EUA.

Continua vivendo bem na Flórida, apaniguado pelos ex-mafiosos cubanos que Fidel chutou de lá.

 
 
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Gui

É interessante a fala de Fernando Morais, ele se senta tranquilamente e com liberdade de dizer qualuer coisa, mas nega este direito a qualquer um que ouse falar mal de sua ilha idílica. Ou seja, "a democracia só serve para meus amiguinhos...."É um grande M.

 
 
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Emilio GF

Qual é a liberdade num país onde a imprensa é dominada por gigantescas corporaões empresariais?

A propósito, você sabe o que é dazibao?

 
 
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Gui

Prezado Emilio,

 

Não existe possibilidade de comparação com um pais em que voce precisa dar satisfação até para acessar a internet. Eu sei por que vi e estive lá. Se voce solicita acesso a internet ou o equivalente a um serviço de banda larga( que é uma piada), vai um funcionário público visitar tua residencia e perguntar com qual objetivo voce quer acessar a internet. Por acaso isto acontece no Brasil? Acho que não. Não recebi nenhuma visita de quem quer que seja do governo para peguntar por que eu estava contratando um pacote Netcombo. Não existe explicação para o injustificavel. Independente do PIG, por aqui eu tenho a liberdade de postar o que quer que seja sobre qualquer assunto na internet. Cuba perdeu o bonde da história, infelizmente é a verdade.  No laboratório em que fiz parte do meu doutorado, acompanhei a duras penas a situação de um colega de minha área que veio fazer uma parte de seu trabalho aqui, vindo de Cuba. Pessoa extremamente abnegada e participativa, adorava o Brasil, mas queria voltar assim que terminasse sua especialização pois queria contribuir para melhorar as condições de seu povo. Bem, aconteceu o imponderável, entre idas e vindas no campo, ele se apaixonou por uma colega de classe , estava já criado o impasse, e ai veio o segundo: um belo dia, os dois descobrem que ela estava grávida, e de gêmeos. Ela não poderia ir pois tinha um emprego fixo e um excelente salario. E ele, nesta altura do campeonato não queria voltar. Obviamente começaram as cobranças da sua instituição, que cobrava os anos de "investimento" (nestas horas os argumentos vis capitalistas são utilizados por quem menos se espera), os dois resolveram com a ajuda da familia dela, levar a questão no campo monetário. Se era investimento, fizeram as contas de quanto seria a "multa" pelo não retorno, já que em tese ele tinha uma bolsa de um orgão estatal. Em resumo, levantaram os recursos e pagaram cada centavo do "investimento" governamental. Ele se naturalizou cidadão brasileiro, tem um casal  de filhos lindos (os quais fizeram questão de conhecer os avós cubanos). Em suma, uma historia com um final feliz, mas são situações rarissimas.

 
 
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-Charlie-

"O governador Tarso Genro (...) disse que os partidos políticos de esquerda não costumam debater temas complexos, como o caso do governo cubano, por exemplo, por terem medo das reações da imprensa ao tema. "

Falou o ministro da justiça que foi lamber as botas do Gilmar Dantas quando daquela palhaçada do grampo sem áudio...

 
 
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iza

 

Afinal, o que tem a dizer a blogueira Cubana da "liberdade"?

 

 
 

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