Mentor se diz de "alma lavada" com CPI da Privataria

Do Blog de Paulo Moreira Leite

“Estou de alma lavada,” diz Mentor

Em 2005, o deputado José Mentor (PT-SP), era o relator da CPMI do Banestado, usina de investigação, denúncias e luta política interna tão grande que ela se encerrou sem votar seu relatório — um calhamaço de 2 000 páginas —  que continha boa parte das revelações divulgadas pelo livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Junior.

Vinte e quatro horas depois que 185 deputados assinaram o pedido de instalação de uma CPI sobre as denuncias do livro, Mentor deu uma entrevista ao blogue.
– O senhor já leu o livro do Amaury Ribeiro?

– Ainda não. Uma assessora comprou e está lendo. Vou fazer isso quando ela terminar. Nós paramos de investigar estes casos em 2005. O Amaury seguiu depois disso.  Com certeza avançou bastante.
– Como o senhor acompanhou a coleta das assinaturas para a CPI sobre o livro?

–  Estou de alma lavada. No dia em que fiz 60 anos anunciei que iria escrever um livro sobre aquela CPMI e continuo com meu projeto. Fico feliz em ver que parte de nosso trabalho está sendo reconhecido. Conheço boa parte dos documentos e acompanhei a denúncia. Sempre soube que deveria ser apurada.

– Se for mesmo instalada, a  nova CPI irá repetir a investigação da CPI do Banestado?

– Não. São objetos diferentes. A CPI do Banestado estava muito dividida. Não havia uma maioria. Ela nasceu da fusão de uma proposta do PT e outra do PSDB,  O senador tucano Antero Paes de Barros era o presidente. Eu era o relator. Nós discutíamos o tempo inteiro. O plenário também. Havia muita divergencia.
– Por que?

– No início, que coincidiu com aquele começo difícil do governo Lula, com investimentos contingenciados, sem crescimento, o PSDB achava que iria encontrar fatos para atacar o governo. Havia o interesse político de quebrar a confiança no Lula. Este era o foco real.  Quando se viu que essa alternativa não iria levar a muita coisa, pois não aparecia  nada, os trabalhos se dispersaram. Aos poucos, se viu que, ao contrário do que se pensava no início, as investigações começavam a mostrar irregularidades que comprometiam o PSDB. Foi ai que o Antero tentou encerrar as investigações de qualquer maneira.

– Como isso aconteceu?

– Nós tinhamos um prazo para trabalhar até 22 de fevereiro de 2005. Isso está escrito num documento oficial do Congresso Nacional. Mas tres meses antes, em  dezembro, o Antero proclamou o encerramento da CPMI de forma unilateral e ilegal. Mesmo assim, nós continuamos trabalhando. Fiz viagens pelo Brasil inteiro. Também fui a Madri. A Ideli (Ideli Salvatti, hoje ministra de Relações Institucionais) ajudou muito. Por fim, entreguei meu relatório, no prazo legal. Como a CPI havia sido encerrada, ele não foi votado. Mas está lá, no arquivo do Senado.

– O senhor tomou alguns cuidados no relatório?

– Sim. Documentos que deveriam permanecer em sigilo não foram incluídos.  Numa versão inicial, falava-se do laço de parentesco de um empresário com o José Serra. Retirei essa menção do relatório. Essa pessoa não estava sendo investigada porque era parente do Serra, mas porque seu nome apareceu no esquema de lavagem de dinheiro.
– O que estava acontecendo quando a CPI foi encerrada?

– A CPI acabou no momento em que nós iríamos votar um segundo pedido para convocar o Gustavo Franco (presidente do BAnco Central no governo de FHC). O pedido já fora aprovado na única votação feita pelo plenário mas não se marcava data data para o depoimento. Naquele momento, eles quiseram barganhar conosco. Queriam que a gente desistisse de convocar o Gustavo Franco, enquanto eles desistiriam de convocar o Antonio Ciprianni (empresário, dono da Transbrasil, próximo de Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula). Mas nós não queríamos barganhar nada. De nossa parte, eles podiam chamar o Cipriani. Nós queriamos ouvir o Gustavo Franco. Naquele momento, a Justiça uruguaia estava disposta a fornecer dados sobre uma factoring que descontava cheques. Havia possibilidade do próprio Comendador Arcanjo colaborar. Aí eles encerraram.

– O senhor foi acusado de cometer abusos. Por exemplo: de quebrar o sigilo de pessoas sem necessidade. Diziam até que usava informações para fazer chantagem…

– Diziam isso para tentar desmoralizar a CPI e uma parte da mídia comprou essa ideia. Queriam impedir que nosso trabalho fosse levado a serio. A CPI quebrou o sigilo bancário de 2 000 pessoas. Diziam que era demais. Mas fizemos uma reunião secreta na CPI para tratar do assunto. Eu pedi: “me apontem um nome que foi investigado indevidamente.” Ninguém disse nada. Também dei uma coletiva sobre esse assunto. Fiz a mesma pergunta para os jornalistas. Ninguém me apresentou nada. Só posso concluir que quebramos o sigilo de pessoas certas.

– Dizem que houve um acordo para o encerramento da CPI…

– Não houve acordo na Câmara. Isso eu posso garantir.

–Mas houve acordo entre o governo e a oposição?

–Só posso dizer que não houve nada na Câmara. Falo do que sei.

–Uma explicação para o encerramento da CPI é que ela ajudou a esconder descobertas que poderiam comprometer o PT e o governo…

– Pelo amor de Deus! Nem o Antero Paes e Barros afirma isso. Ele chegou a fazer um voto em separado, para substituir meu relatório. Não fala sobre isso.

Nenhum voto
24 comentários
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odair de souza

Beleza!!!

Tô começando achar que agora vai.

 
 
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Andre Araujo

Vai aonde? Porque o Menotr não pede para desenterrar a CPI dele, que já estava muito mais adiantada?

 
 
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roberto -curitiba

Acredito que as informações relevantes serao desenterradas. Mas afinal, você quer que sejam desenterradas ou é do contra? Sua opinião tem qual objetivo, desacreditar a nova CPI? Deixe que aconteça e vamos ver se você tem ou não razão...

 
 
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Tio_Zé

Por que o objetivo Graeff é chamar o FHHC e o $erra, que comandaram as privatarias. E qual a sua opinião?

 
 
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LuizCLP

Ele já explicou na entrevista o porque não conseguiu levar até o final.

 
 
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odair de souza

Hehehe.

Já, já vou começar achar que se chafurdar mais um pouco vai aparecer um tal de Dedé nesse chorume.

 

 
 
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Marco Vitis

ANDRÉ

Por que você não pede para o seu deputado, seu representante no parlamento, que levante e exponha publicamente os documentos da CPI do Banestado ?

Em vez de criticar os outros por não fazer, faça ! Nada lhe impede.

 
 
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Caesarea

Essa tentativa foi feita várias vezes, mas sem sucesso por influência dos senadores tucanos...nem publicar o relatório do Dep.José Mentor foi permitido.

 
 
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Leonardo MG

Esclarecedor... É a chance dele de se livrar da pecha que carrega desde 2005... Vamos ver se ele consegue...

 
 
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Marcos Antônio

Informações preciosas...

 
 
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Antonio Rodrigues do Nascimento

Se o Mentor diz a verdade, me penitencio pelo que já falei mal dele por conta desta CPI abortada. Talvez, então, como disse o Odair, agora vai!

 
 
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José Maia

Calma, pessoal. Está germinando !!!

 
 
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joseph

Eu não disse que o Moreira Leite é o melhor dos comentaristas da grande imprensa?

Muito melhor que o "digno" Ilimar Franco, diga-se

 

Abs, joseph

 
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Andre Araujo

Pelo menos de cabeleira ele é o mais notado.

 
 
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Juliano Santos

Bom, ele não comentou nada, so fêz perguntas. Quando comentou em sua coluna da Época, fêz pouco caso do livro, afirmando a barbaridade de que não contém prova cabal contra o Serra (?!)

Documento comprovando que o Dantas depositou dinheiro na Offshore em paráiso fiscal da Verônica Serra, ao mesmo tempo que ganhava leilão da privataria é o que?

 

Juliano Santos

 
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dimitri

O Mentor tentando tirar o dele da reta - agora que o Palloci e o Zé Dirceu estão mais "distantes". Pra mim é jogo de cena, e basta ver a última frase, reforçando que o q ele sabe é que na Câmara não houve barganha - mas não negou que tenha havido entre governo (Dirceu+Palloci) e tucanos. 

Agora, a situação é outra. Por isso fica na ambiguidade de tirar o dele da reta mas sem comprometer os amigos do poder... esperar pra ver no que vai dar.

 
 
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José Maia

Neste exato momento, toda a grande mídia e mais algumas dezenas de cavalheiros devem está procurando meios de chantagear o governo para não deixar essa CPI sair. Em fevereiro, vai ser um ataque suicida. É esperar para ver.


 


Quem for político de verdade, pode nascer nesse momento com uma grande liderança: LEVAR AS RUAS as centenas de milhares, juntamente com seus familiares, que perderam seus empregos  com esta privatização corrupta.

 
 
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Djijo

Essa entrevista é para ser copiada e imprimida para colocar como encarte no livro Privataria Tucana. Eu pretendo fazer isso.

 
 
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José Maia

É necessário recuperar para o Estado os monopólios naturais ou recuperar o conceito de empresa brasileira de capital nacional para gerir estes monopólios. Monopólios naturais, como subsolo, energias, e telecomunicações fixas não podem ficar nas mãos do capital estrageiro. Nesses casos não há risco, só remessa de licros estratosféricos para sustentar a vida boa dos aposentados na Espanha.

 
 
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RACS

O Paulo Moreira Leite é o mais corajoso blogueiro do PIG?

 

Há Progresso sem Ordem?

 
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mariazinha

 

  Para podermos acreditar no Mentor, vai ser preciso que ele trabalhe muito bem agora e consiga ajudar a colocar a quadrilha da privataria na cadeia.

Hoje,um tal senhor Luís CPPrudent deve estar muito chateado; sua falta de educação comigo nada influenciou por aqui! Já é o terceiro texto do PML, em pouco tempo. Vejo, encantada, que os queridos comentaristas do Seu NASSIF, imparcialmente, reconhecem no PML, um grande jornalista que desafia todo tipo de pressão e consegue impor seu estilo limpo. Quem sabe, agora, consigamos unir os brasileiros de todos os credos e banir, definitivamente, do BRASIL todo tipo de impunidade e injustiças.

 
 
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jc.pompeu

... meu Deus, aonde vai parar tudo isso:

os políticos mentores... do modus operandi da lavagem sistêmica

político/partidária/público/privada de dinheiro sujo,

agora, estão "lavando até a alma!".

mais branco deslavado só é possível no velho cantão da Suíça de alma branca...

como as neves eternas de seus picos na veia amoral que lavam mais branco que Omo total!

isso tudo depois desses políticos corporativos já terem lavado a égua! de dinheiro do povo.

(talvez, para ficarem bem na fita católica ancestral naquela hora da sua morte amém... e da graça a ser alcançada no além... talvez, para ficarem na paz de espírito com o de/legado memorial da história de reconhecimento e feitos assinalados, no ajuste final de contas a pagar na boca do caixa 1, 2, 3, 4...).

é a corrupção deslavada! que chega as pobres almas de Deus...

sem chance! o diabo está dominando a tudo...

é o diabo o grande mentor desse estado de coisa e de espírito a corromper a humanidade.

 

análise recente do DNA: 32% africano, 25,48% europeu, 22,78% indígena, 6,06% indo-árabe, 4,99% caucasiano, 4,36% judeu, 2,57% pantroglodita, 1,76% de genes perdidos ou não-funcionais.

 
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Ana Barbosa

"– Dizem que houve um acordo para o encerramento da CPI…

– Não houve acordo na Câmara. Isso eu posso garantir.

–Mas houve acordo entre o governo e a oposição?

–Só posso dizer que não houve nada na Câmara. Falo do que sei."

 

Sabe pouco o Mentor. Mas mesmo sabendo pouco se diz de alma lavada com a possibilidde da CPI da Privataria.

Vamos aguardar o desempenho do Mentor na CPI.

Segunda e última chance.


 
 
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Durvalino

.... insisto:  os "SANTOS" que se apresentem.

 

o que falta aos brasileiros é só um pouquinho de BRASILIDADE  !!

 
 

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