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Marco Aurélio Garcia responde a Roberto AbdenurEnviado por luisnassif, sex, 10/09/2010 - 07:24O TRISTE FIM DE UM DISCURSO DIPLOMÁTICO Marco Aurélio Garcia Não é fácil poder dar, em um período relativamente curto, duas entrevistas às páginas amarelas da revista Veja. É preciso estar muito afinado com o conservadorismo raivoso dessa publicação para merecer tal distinção. Sei disso por experiência própria. Há muitos anos, um colunista-fujão de Veja dedicou-me um artigo cheio de acusações e insultos. Ingenuamente, enviei minha resposta a esta publicação, que se proclama paladina da liberdade de expressão. Meu texto não foi publicado e, para minha surpresa, li uma semana mais tarde uma resposta à minha resposta não publicada. O embaixador-aposentado Roberto Abdenur teve mais sorte que eu. Emplacou uma segunda entrevista à Veja, talvez para retificar o tiro da primeira que concedeu (7 de fevereiro de 2007). Ou quem sabe para "compensar" o excelente depoimento do Presidente Juan Manuel Santos, na semana anterior, que não sucumbiu às tentativas da revista de opor o Brasil à Colômbia na América do Sul. Em sua primeira entrevista o diplomata destilava ressentimento contra o Ministro Celso Amorim que, num passado distante, o havia convidado para ser Secretário-Geral do Itamaraty e, mais recentemente, o havia enviado para uma de nossas mais importantes embaixadas – a de Washington. Abdenur preservava, no entanto, a política externa brasileira e, sobretudo, o Presidente Lula, que o havia designado como seu representante nos Estados Unidos. Agora, tudo mudou. A crítica é global e dela não escapa nem mesmo o Presidente da República. Em matéria de política externa Lula não passa de um "palanqueiro", a quem o Itamaraty "não sabe dizer não". Faltando à verdade, o intrépito embaixador diz que nosso Presidente "começou a bater em Obama antes de eleito e não cansa de dar canelada no americano". Abdenur desconhece, ou finge desconhecer, as inúmeras manifestações de simpatia – e de esperança – que a eleição do atual Presidente norte-americano provocou em seu colega brasileiro. Ao invés disso, o ex-embaixador escorrega em rasteiro psicologismo ao detectar no Presidente Lula "um elemento de ciúme" em relação a Obama, pois este último lhe teria subtraído "a posição privilegiada no palanque global"... Abdenur fez vinte anos de sua carreira diplomática durante o regime militar e não sofreu nenhum constrangimento. Até aí tudo bem. Muitos outros de seus contemporâneos tampouco foram perseguidos. Mas essa experiência profissional não lhe autoriza fazer analogias entre a política externa atual e aquela levada adiante nos primeiros anos da ditadura, quando chanceleres proclamavam que o que "é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil" ou patrocinavam o envio de tropas brasileiras para esmagar as mobilizações populares na República Dominicana. É claro que aquelas inflexões da política externa brasileira foram tomadas por "razões ideológicas" (de direita). Mas a pergunta que não quer calar é: quando não temos motivações ideológicas na política, em particular na política externa? Durante o Governo Geisel, quando Abdenur integrou o grupo dos "barbudinhos" do Itamaraty, foram resgatados princípios da Política Externa Independente de Santiago Dantas, Afonso Arinos e Araújo Castro, apresentados para a ocasião sob a eufemística denominação de "pragmatismo responsável". Mas aquela política – que tinha conteúdos progressistas, diga-se de passagem – também era expressão do projeto autoritário de "Brasil Potência" propugnado pelos militares. Tanto ela, como a Política Externa Independente do período Goulart-Jânio, tinham fortes componentes "ideológicos", como é normal em qualquer sociedade, democrática ou não. É igualmente "ideológica" a reivindicação do ex-embaixador de que nossa diplomacia se alimente de "valores ocidentais". Mais do que ideológica, é ultrapassada e perigosa. Ultrapassada, pois traz à memória os tempos da "guerra fria", quando se falava em "civilização ocidental e cristã" para esconder propósito profundamente conservadores. Perigosa porque traz à tona e legitima a idéia de choque de civilizações (entre "oriente" e "ocidente") que os neo-conservadores têm defendido com tanta insistência nos últimos anos para justificar suas aventuras belicistas, queima de livros ou interdição de templos religiosos. O ex-embaixador se alinha com as críticas da oposição brasileira contra a política externa atual. Seletivamente, ataca nosso bom relacionamento com Venezuela, Bolívia e Equador, supostamente motivado por afinidades ideológicas, esquecendo-se de mencionar nosso igualmente bom relacionamento com Argentina, Chile, Peru e Colômbia. Motivado por que? Escondendo-se detrás de "boa fonte boliviana bem informada", desconhece ou deliberadamente omite, a cooperação militar e policial que se desenvolve com a Bolívia e com outros países para fazer frente ao flagelo do narcotráfico na região. É próprio do pensamento conservador tentar apropriar-se de valores universais para encobrir interesses particulares – de classe, estamento, grupo ou etnia. A história do Brasil está cheia de exemplos. Nosso liberalismo conviveu alegremente com a escravidão. Nossa República proclamou retoricamente, durante décadas, a cidadania plena e praticou a mais brutal exclusão econômica, social e política. Tudo isso à sombra o Iluminismo, dos ideais da Renascença, do Humanismo ou da Revolução Americana que o embaixador invoca em seu vago projeto diplomático. O Presidente Lula, assim como quase todos governantes, manteve e mantém relações com Chefes de Estado e de Governo dos mais distintos países: de democráticos, de regimes teocráticos, de partido único ou de responsáveis por graves violações de direitos humanos em nível local ou global. Não será difícil encontrar os nomes dos países na tipologia antes aludida. Esses relacionamentos não se devem a idiossincrasias presidenciais como, de forma desrespeitosa, pretende Abdenur. Eles se inserem no difícil esforço de construção de um mundo multilateral e, sobretudo, de um mundo de paz. São muitos os caminhos para atingir esse objetivo. Vão do uso da força militar ao emprego das sanções que golpeiam mais ao povo do que aos governantes dos países atingidos. Mas há também o caminho da negociação, da diplomacia que não renuncia valores, mas que não faz deles biombo por traz do qual se ocultam inconfessáveis opções políticas e ideológicas, particularmente quando a sociedade brasileira é chamada a decidir seus destinos pelos próximos quatro anos. P.S.: há algum tempo a imprensa noticiou que Roberto Abdenur estava dando cursos de política externa para os Democratas (ex-PFL). Não acreditei. Agora passei a acreditar.
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Comentários + votados
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Nilson Fernandes
10/09/2010 - 07:45
Roberto Abdenur dando aula de como se ajoelhar na política externa ao DEM-PPS e PSDB. Para os EUA esta gente que aprendeu a tirar os sapatos. Para a Veja esta gente são miquinhos amestrados. O Serra...
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Vitor Gaspar
10/09/2010 - 08:13
O homi num é fraco não... Refutou as críticas do embaixador, escancarou as mazelas do discurso da direita e ainda, de brinde, refutou a fantasia de que é possível qualquer política sem...
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franciscão
10/09/2010 - 08:21
Abdenur foi abduzido à sua expressão mais simples, o vácuo.
E no vácuo do vácuo, para o buraco negro da história, o tablóide de quinta, o colunista-fujão, a fragilidade da Política Externa...
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ruy garcia
10/09/2010 - 08:41
Quando se unem o brilhantismo intelectual e a militância política honesta e coerente produz-se quadros da estatura de um Marco Aurélio Garcia. Tomara que Dilma não abra mão de sua assessoria.
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Vladimir
10/09/2010 - 08:41
A retórica conservadora tem sido sempre a mesma-esconder-se atrás de calores que não defende,sobretudo a democracia e a liberdade de expressão,para tentar atacar aqueles aos...
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Dê
10/09/2010 - 08:42
Mais um que se perde em discursos vazios. A inveja é uma porcaria mesmo!!! Que coisa mais feia.
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Luís Henrique - MG
10/09/2010 - 08:46
QUem fala o quer ouve ou lê o que não quer.
Abdenur, não precisava dessa. rs
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lau_roces
10/09/2010 - 09:06
O texto de Marco Aurélio denuncia claramente, em poucas linhas, a alma do pensamento das classes dominantes brasileiras desde sempre: apropriar-se de valores universais para manter seu...
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Sergio Navas
10/09/2010 - 10:34
Vc se esqueceu de mencionar que tambem deixou a nu o caráter democrático da revista veja.
abcs
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Alessandro Borges Cordeiro
10/09/2010 - 11:46
Além de uma resposta contundente ao ex-embaixador, Garcia nos apresenta uma grande defesa da acertada pollítica externa do governo Lula.
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Ivan Pedro
10/09/2010 - 11:55
A Abdenur, que bem o merece, uma aposentadoria amargurada...
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duarte
10/09/2010 - 11:56
Com tanta coisa para fazer o Marco Aurélio ainda perde tempo para justificar a uma revista tão indecente quanto a veja. Caro senhor, não o conheço, mas faça como o presidente Lula, nesta idade em que...
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Gersier
10/09/2010 - 11:57
"No governo anterior,os diplomatas do Brasil tiravam até os sapatos para a imigração americana.No meu Governo eu disse pra eles,se exigirem que façam isso,entre no avião e volte.No meu Governo quem...
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dimitri
10/09/2010 - 12:42
Putz! Se o Top-Top é o que tem menos neurônios então é mais um motivo pra não me preocupar porque esse governo vai muito mais longe do que pensava! Alvíssaras, Calvin!!!!!
Eu simpatizo com o...
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Pedro Tagua
10/09/2010 - 13:07
O manequeismo dos embaixadores de pijma é muito rídiculo, é como ver o Alexandre Garcia querer dá aula de diplomacia ou economia... Menos, né gente!
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sergioa
10/09/2010 - 13:59
Hoje eu acabei de conhecer mais um ilustre desconhecido: Roberto Abdenur.
Confesso que deve ser falha minha em não conhecer homem de valor pelo seus valiosos serviços prostados (é prostado mesmo) à...
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Roberto Abdenur dando aula de como se ajoelhar na política externa ao DEM-PPS e PSDB. Para os EUA esta gente que aprendeu a tirar os sapatos. Para a Veja esta gente são miquinhos amestrados. O Serra deve ter tido aula também, só vê fantasma no Irã, Bolívia, Venezuela. Sorte nossa que estes que estão no poder nos enchem de orgulho lá fora.
Nilson Fernandes
Como Cassius Clay, bateu na categoria!
Vida longa!
O homi num é fraco não... Refutou as críticas do embaixador, escancarou as mazelas do discurso da direita e ainda, de brinde, refutou a fantasia de que é possível qualquer política sem ideologia...
Certa vez ouvi do professor Renato Dagnino: "ideologia é que nem mãe, todo mundo tem mas tem gente que esconde".
Vc se esqueceu de mencionar que tambem deixou a nu o caráter democrático da revista veja.
abcs
Abdenur foi abduzido à sua expressão mais simples, o vácuo.
E no vácuo do vácuo, para o buraco negro da história, o tablóide de quinta, o colunista-fujão, a fragilidade da Política Externa Independente de Geisel, e a retórica recorrente do acordo manjado, criminoso e golpista, entre a mídia podre e a campanha de José Serra do PSDB.
Neo vivandeiras viúvas-alegres, animadoras de salão em hotéis de curta permanência!
Quando se unem o brilhantismo intelectual e a militância política honesta e coerente produz-se quadros da estatura de um Marco Aurélio Garcia. Tomara que Dilma não abra mão de sua assessoria.
É isso mesmo. O Marco Aurélio Garcia é muito inteligente e coerente e merece papel de destaque no governo da Dilma.
A retórica conservadora tem sido sempre a mesma-esconder-se atrás de calores que não defende,sobretudo a democracia e a liberdade de expressão,para tentar atacar aqueles aos quais se opõe. É incrível como essa gente não tem a menor capacidade de defender suas idéias claramente.Não tem a coragem de dizer que defendem um política externa alinhada incondicionalmente a política externa amercana que,tratam como ocidental.
Essa gente precisará reciclar-se,se é que o tempo permitirá que se reciclem,para podermos discutir o país de forma mais profícua,caso contrário,nossa opsição será o que sempre foi,no poder,autoritários,ditatoriais e coronelistas;fora do poder,golpistas.
Felizmente o país parece que não se deixa mais influenciar por essa gente e caminha em direção ao crescimento contínuo com distribuição de renda.Faz bem o professor Marca Aurélio Garcia em colocar esse sujeito no limbo da história.
Mais um que se perde em discursos vazios. A inveja é uma porcaria mesmo!!! Que coisa mais feia.
Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....
QUem fala o quer ouve ou lê o que não quer.
Abdenur, não precisava dessa. rs
O texto de Marco Aurélio denuncia claramente, em poucas linhas, a alma do pensamento das classes dominantes brasileiras desde sempre: apropriar-se de valores universais para manter seu conservadorismo e domínio. Nesse sentido, vale lembrar que a própria fundação da república brasileira se deu entre os mais favorecidos pelo império e a grande ideologia da época, adotada por eles, foi o Positivismo de Comte. E, reforçando o que disse Marco Aurélio, imediatamente a elite brasileira se encarregou de apropriar-se das idéias positivistas que a favoreciam. Exemplo disso é a distância entre o sistema de ensino proposto pelos positivistas franceses, cujas escolas positivistas deveriam ser universais, abranger principalmente o operariado. Já no Brasil, o sistema positivista foi utilizado em colégios de elite, para poucos. A "filtragem" dos valores universais defendido pelo Positivismo (a maioria nocivos à religião dominante) ficava a cargo de bens intencionados pensadores como Clóvis Bevilácua, Paula Ney, etc. Muito melhores dos que os neocons de hoje. Assim, esse traço profundo do conservadorismo brasileiro está na fundação da nossa república e nas idéias atuais de "democracia", que, filtrada pela "intelectualidade" neocon, só é ideal quando poucos mandam e muitos obedecem. Desta forma, quando todos começam a querer participar, os valores democráticos entram em risco. O mesmo ocorre a "ética", a "preservação do meio ambiente", o "repúdio ao racismo", e por ai vai.
Top Top é aquele com menos neurônios da turma...
Putz! Se o Top-Top é o que tem menos neurônios então é mais um motivo pra não me preocupar porque esse governo vai muito mais longe do que pensava! Alvíssaras, Calvin!!!!!
Eu simpatizo com o Abdenur que tem uma fala mansa e ponderada, mas o MAG pegou na veia com muita classe e de forma inapelável. Parecia até Pierre Bourdieu desconstruindo o construtor (a Matrix). Muito bom mesmo! O Abdenur vai remoer essa resposta por muito tempo, e quem sabe se cure da cegueira desse tipo de conservadorismo - ser conservador não é um defeito, o defeito é acreditar que o mundo é conservador... paciência...
E segundo manchete da Folha, o Calvin é aquele com mais neurônios da OUTRA turma... Imaginem que tragédia, coitados...
A Veja é a MAD brasileira!
Além de uma resposta contundente ao ex-embaixador, Garcia nos apresenta uma grande defesa da acertada pollítica externa do governo Lula.
A Abdenur, que bem o merece, uma aposentadoria amargurada...
Com tanta coisa para fazer o Marco Aurélio ainda perde tempo para justificar a uma revista tão indecente quanto a veja. Caro senhor, não o conheço, mas faça como o presidente Lula, nesta idade em que chegamos nossos olhos e ouvidos não são mais latrinas, com nosso saber alcançado pelo tempo podemos hoje ter o poder de escolha para o que nossos sentidos se sintam melhor. Veja hoje é uma publicação tão ordinária que não serve pra embrulhar peixe nem como papel higiênico.
"No governo anterior,os diplomatas do Brasil tiravam até os sapatos para a imigração americana.No meu Governo eu disse pra eles,se exigirem que façam isso,entre no avião e volte.No meu Governo quem tira os sapatos não merece ser Ministro.Não somos melhor do que ninguém mas também ninguem é melhor do que nós.Nós respeitamos e exigimos sermos respeitados.Nós não somos o que muitos da elite gostaria que fóssemos,o quintal dos norte americanos".Luis Inácio Lula da Silva em discurso recentemente.
O manequeismo dos embaixadores de pijma é muito rídiculo, é como ver o Alexandre Garcia querer dá aula de diplomacia ou economia... Menos, né gente!
C
Abdenur é daqueles funcionários públicos que recebe salários e mordomias do povo brasileiro e defende interesses contrários a este mesmo povo.
É sempre convidado da mídia para expor suas idéias dependentista, subserviente e retrógradas. Não percebeu que o mundo mudou. Os modos de se obter informações são outros e nenhum pseudo iluminado emitirá seus chavões vira lata sem contestação.
Junto com o Lampréia, o Villa e outros suspeitos(?) são sempre convidados dos patriotas Valdvogel e Waack. De traíras o Brasil está cheio, nos dois sentidos.
hanceler foi agente da CIA?
27 de outubro de 2009Os jornais de hoje publicam a notícia de que Juanita Castro, uma das irmãs de Fidel, revelou em seu livro de memórias “Fidel e Raúl, meus irmãos - a história secreta”, lançado ontem nos EUA, que ela colaborou com a CIA nos anos 60, e que foi apresentada a um dos agentes por Virgínia Leitão da Cunha, mulher do embaixador Vasco Leitão da Cunha que, na época, servia em Havana.
Sobre Juanita, pouco se tem a dizer:
Primeiro, ela diz que o irmão “traiu os milhares que sofremos e lutamos pela revolução”, o que não foi o seu caso. Afinal, ela não esteve em Sierra Maestra, não pegou em armas, e nos três meses que antecederam a Revolução, Juanita não andava nem mesmo pelas ruas de Havana. Ela ficou escondida na embaixada brasileira, quando tornou-se amiga da embaixatriz Virgínia Leitão da Cunha.
Em segundo lugar, apesar de ter traído o irmão Fidel, Juanita deixou Cuba com o auxílio do irmão Raul, atual presidente, que não só a avisou que já tinham descoberto tudo sobre ela, como ainda a ajudou a viajar para o exterior.
Juanita, portanto, não passa de uma pobre coitada.
O que a imprensa brasileira deveria se dedicar agora, é sobre a atuação do chanceler Vasco Leitão da Cunha.
Se é verdade que Virginia Leitão da Cunha e Juanita Castro viajaram juntas para o México, onde a embaixatriz a apresentou a um agente da CIA, é óbvio que ela, protegida pela imunidade diplomática, também trabalhava para o órgão de espionagem dos Estados Unidos. E possivelmente com a aprovação do marido.
De Havana, Leitão da Cunha foi servir em Moscou.
Portanto, é possível que o governo brasileiro tenha colaborado com a CIA, mesmo sem saber, durante a crise dos mísseis soviéticos em Cuba. E isso no governo João Goulart.
Assim, Leitão da Cunha teria traído a confiança de Jango pelo menos duas vezes:
Na União Soviética, onde servia, e depois no golpe de 64.
Ele assumiu o Itamaraty já com Jango deposto, e 10 dias antes da posse do Marechal Castello Branco. Ou seja: era homem da mais alta confiança dos golpistas.
No Ministério das Relações Exteriores, Vasco Leitão da Cunha foi o responsável pelo desmonte das bases de uma política externa independente. Ele acreditava que isso agradaria aos Estados Unidos.
Durante sua gestão, Juracy Magalhães chegou a ser embaixador em Washington. É dele a famosa frase: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Juracy foi o sucessor de Leitão da Cunha no Itamaraty, e antes ocupara o cargo de ministro da Justiça. Nessa época, ele sugeriu a Roberto Marinho que demitisse dois jornalistas de ‘O Globo’, recebendo uma negativa:
- Dos meus comunistas cuido eu – disse-lhe Marinho.
O que é preciso que os jornais investiguem agora são apenas dois pontos:
1 - Virginia Leitão de Abreu foi agente da CIA com o conhecimento do marido, ou ela o traiu?
2 – O Brasil já teve um Chanceler, Vasco Leitão da Cunha, que ao mesmo que, em tese, defendia os interesses do país, também trabalhava como agente da CIA?
Hoje eu acabei de conhecer mais um ilustre desconhecido: Roberto Abdenur.
Confesso que deve ser falha minha em não conhecer homem de valor pelo seus valiosos serviços prostados (é prostado mesmo) à nação. Certamente um homem de posição, a de circunflexo.
Aposto 100 paus, que ele teve ter problemas de coluna, mais especificamente na lombar, devido a ser obrigado a trabalhar curvado durante tanto tempo.
Marco Aurélio Garcia e Abdelnur,eles se merecem,pobre Brasil que é e foi representado por gente desse porte,pobres de nós.
Pois agora, Abdenur, recorrerá a ÓIA ...
E a prestimosa ÓIA vai dar um espação para ele se defender.
É assim! "Cuma mão se lava as outra"
Quem sabe uma outra amarelinha, embaixador???
Qdo Serra fala da virada, realmente ele está certo, haverá uma virada.Uma virada de página sem retorno, o fim de uma era retrógrada e mesquinha a qual ele está inserido até o pescoço.O governo Lula desculpe a expressão, colocou atrás da direita por quase 8 anos com muita vaselina, fez uma revolução sem derrumar muros ou levantar armas e pasmem! Cumprindo a constituição elaborada pela própria burguesia.Burguesia essa que vem a reboque nessas eleições, porque essa classe não tem ideologia própria , ela segue a que for mais confortável para si.Se em uma época os militares estavam propondo segurança, vamos lá!Se atualmente a classe trabalhadora tem a força, tá na moda,vamos lá! O importante é não mexer em nossas jóias e tapetes persas. A política externa do governo Lula conquistou o mundo sem ameaças e nem cocluios, com diálogo e negociações pacíficas coerentes com sua forma de governar, impondo respeito e credibilidade ao nosso país.Nada de mágicas ou fenômenos, inteligencia atrelada a ideologia, seu principal cerne.Esse seu Abdenur quer avivar o que está morto.
O Abdenur entra para o time dos "especialistas" em política externa que são costumeiramente entrevistados pela velha mídia.Ele, Lampreia, Ricupero, Rubens Barbosa e o Celso "The barefoot" Lafer. Todos saídos dos esgotos.
Sou fã do MAG. É alguém que deveria continuar num governo Dilma.
Cataratas do Iguaçu em bestialogico, inves de aproveitar o generoso espaço deste excelente blog para discutir o tema, POLITICA EXTERNA. O tema não é Veja, embaixador de pijama, desqualificação de diplomatas.
1.Roberto Abdenur é um dos melhores Embaixadores do Brasil, fez uma bilhante carreira chefiando as Missões de Bonn, Viena, Pequim, Quito e Washington. Foi tambem Representante do Brasil na Agencia Internacional de Energia Atomica. Abdenur nunca foi da ala chama "punhos de renda" do Itamaraty, tanto que foi escolhido pelo Presidente Lula para em 2003 substituir o Embaixador Rubens Barbosa, este sim da ala conservadora, na Missão em Washington. Abdenur alinhava-se no grupo dos "barbudinhos" simbolizada pelo Embaixador Azeredo da Silveira, cuja linha era de politica externa independente (leia-se desalinhada dos EUA). Portanto só a extrema ignorancia de muitos comentarios pode atribuir ao Embaixador Abdenur a pecha de ""conservador", seja lá o que isso significa na cabeça de quem confunde diplomacia com os Gaviões da Fiel.
2.O Prof.Marco Aurelio Garcia defende, sendo um dos seus formuladores, a politica externa tipo "cheguei" do atual Governo. É um direito dele. O Embaixador Abdenur, não sendo reacionario. é todavia um ser racional e ve as falhas de estrategia (ou da falta dela) na atual politica externa.É tambem um direito dele. Não há porque então desqualificar o Embaixador Abdenur, com epitetos calhordas, como "embaixador de pijama", logo quem, como Abdenur, trabalha intensamente na atividade privada, como aliás trabalham seus colegas prematuramente aposentados por razões
meramente ideologicas.
3. Novamente vem aqui o tema dos ""pés descalços"", que já foi desmistificado por mim umas cem vezes.. Nos EUA não se tira sapato na imigração, nem para entrar no Pais. Tira-se para dele sair, como segurança de voo, é uma regra PARA TODOS, como usar cinto de segurança, não tem nada a ver com a importancia do passageiro. Os procedimentos de inspeção nos aeroportos são universais, todos os passageiros, inclusive os diplomatas se submetem a essa regra de raio X, sejam do PSDB, do PSOL ou do PT. Ou será que quem é filiado ao PT tem tratamento especial nos EUA? Claro que não tem, porque então se usa esse tema ridiculo há anos aqui? Só uma maneira de não tirar sapatos ao SAIR dos EUA, é não ir para lá. Ninguem é obrigado, quem não quiser pode ir para a Bolivia, lá não precisa tirar sapato para sair. Não é isso todavia o que acontece, os brasileiros estão indo aos EUA cada vez mais, só este ano serão mais de um milhão de vistos emitidos, o Consulado Americano em São Paulo é o 2º do mundo na emissão de vistos.
4.A politica externa de qualquer Pais é um dos grandes temas de discussão, nos EUA existem Conselhos de Relações Exteriores em Nova York, em Chicago, em Los Angeles, na Inglaterra tem o Chatam House, há centros de debates de relações internacionais em todo o mundo civilizado.
5.Diplomacia é uma tarefa de elite em qualquer grande Pais. Na antiga URSS os diplomatas eram de grande estilo, como Maisky ou Gromyko, na China o sofisticado mandarim Chu En Lai, era o diplomata por excelencia. Diplomacia popular tem em certo tipo de Pais, como a Venezuela, aonde o Chanceler Nicolas Maduro era até há pouco tempo motorista do Metro de caracas.
Infelizmente o Brasil de hoje está jogando fora um dos seus maiores capitais de Estado, um serviço diplomatico de primeira linha, que começou junto com o Pais em 1822 e foi representado por gerações de Paranaguás, Barbacenas, Rio Brancos, Ouro Pretos, Rego Barros, Sinimbus, com familias como os Aranhas, aonde tres gerações de Embaixatrizes, avó, mãe e neta ocuprama a mesma Embaixada, a de Washington, mostrando uma continuidade que só beneficiou o Pais.
Minha analise se limita a forma dos comentarios, nem vou aqui entrar no debate da propria essencia da politica externa deste Governo em comparação com os anteriores, só lembrando aos absolutos desconhecedores de nossa história diplomatica, que acham (coitados) que o Brasil sempre foi alinhado com os EUA, não lembrando as tantas fases de confrontacionismo dessa politica dos os EUA, como no periodo 37 a 40, com o Brasil flertando com a Alemanha e a Italia, ou no Governo Janio, quando este condecorou com a Ordem do Rio Branco o lider da Revolução Cubana Che Guevara, ou no Governo Geisel, com uma politica claramente anti-americana, reconhecendo o MPLA marxista em Angola em 1975, o primeiro governo do mundo a faze-lo.
Se os blogs abrem espaços livres para discussões de grandes temas, deve se registrar tambem que abrem espaços para aberrações, praguejamentos, ofensas gratuitas, exibição de ignorancia,
a esperança é que o saldo seja positivo.
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