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Mantega: a personalidade individual por trás da públicaEnviado por luisnassif, sab, 25/02/2012 - 14:08
Autor:
Luis Nassif Algumas decisões de homens públicos podem ser explicadas por boas ou mas razões; outras, por injunções políticas; um terceiro grupo, um pouco mais difícil de ser identificado, pela personalidade individual por trás do homem público. As notícias de hoje, dando conta de conflitos no Banco do Brasil como extensão de conflitos internos da Fazenda, permitiram encaixar a última pedra no quebra-cabeça Guido Mantega, Ministro da Fazenda. Primeiro, as positivas. A idoneidade de Guido está acima de qualquer suspeita; tem mantido razoável coerência de ideias ao longo de sua vida acadêmica e pública. Segundo, as características, digamos, neutras. Guido não é gestor, não tem o sentido de decisão que caracteriza as chefias eficazes. É um soldado do desenvolvimentismo - ocasionalmente assumindo as funções de general. Tudo isso poderia ser facilmente contornado, se Mantega soubesse montar uma equipe e conviver com a competência alheia. Mas aí entram suas características negativas: um coquetel mortal de vaidade temperada com uma insegurança atroz, fatal especialmente para quem ocupa cargos de comando. Vestindo o salto alto Essa vaidade manteve-se um tanto submersa em momentos em que não havia motivos para celebração – como no início do governo Lula, quando Mantega tornou-se Ministro do Planejamento. Mas já comprometia a eficiência. Na época, Mantega abriu mão de quadros preciosos de gestão pública, técnicos dos mais gabaritados, pela incapacidade de conviver com o brilho dos subalternos. Naquele início, havia dúvidas de monta sobre a capacidade gerencial do novo governo. Participei de um seminário na Fundação Getúlio Vargas, no qual um dos técnicos qualificados do Planejamento, Humberto Falcão Martins, fez uma apresentação excepcional sobre o modelo de gestão que se pensava implementar. Um ou dois meses depois foi demitido, por incompatibilidade com o Ministro do Planejamento, Guido Mantega, um desperdício de quem tem mais compromissos com o ego do que com resultados. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderia ter encontrado um ambiente muito mais organizado no Planejamento, com indicadores de qualidade e gestão, não fosse essa fraqueza de Mantega, de conviver com o brilho de subordinados. O quiproquó da indecisão Agora – pelo que se depreende do noticiário dos jornais – repete-se o mesmo processo na Fazenda, crises na Casa da Moeda, pela indecisão crônica de Mantega, ciumeiras internas extravasando para conflitos no Banco do Brasil e Previ, por desdobramento de suscetibilidades provindas da crise de 2008. O país saiu-se bem na crise – mas o mérito maior não foi de Mantega. Houve reconhecimento explícito – inclusive da própria então Ministra Dilma Rousseff – de que o mérito foi da equipe mas, dentro da equipe, de personagens específicos. Bastou para despertar o monstro adormecido da vaidade. Agora, depois de um ano de gestão Rousseff, afastou-se o fantasma inflacionário e Mantega não quer dividir méritos. Vestiu salto alto e passou a dar demonstrações explícitas de vaidade, como a superexposição na entrevista à revista Época. Ou então esse ridículo de se transformar em pregador global contra as guerras cambiais e ser incapaz de montar uma defesa eficaz para defender sua própria cidadela. Ou então recusando entrevistas a quem ousou enxergar o rei nu na crise de 2008. Sua atuação na crise da Casa da Moeda foi acachapante. Sua atuação no caso BB, irresponsável. Tem-se uma organização secular, com vida própria, estrutura permanente de funcionários. Como toda organização complexa, há que se ter visão para impedir guerras intestinas, sensibilidade para as relações política. Em vez de atuar responsavelmente na pacificação, Mantega permitiu que as idiossincrasias internas do Ministério extrapolassem para a organização Banco do Brasil. As perdas para a política econômica Não sei o que se pensa atualmente no interior da Fazenda. Uma máquina que tinha interlocução, que soube por conta própria explicar a lógica da estratégia de 2008 - e, com isso, superar o derrotismo inculcado pela mídia - hoje se fechou intramuros. É impossível que esse estilo egocêntrico de Mantega não esteja prejudicando a própria geração de ideias e a dinâmica interna da Fazenda e da política econômica. Aliás, é inconcebível que uma pessoa a quem o destino conferiu missão tão relevante - de gerir a política econômica de um país prestes a se tornar potência - pense de forma tão pequena, como se fosse um mero diretor de departamento acadêmico.
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Comentários + votados
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Assis Ribeiro
25/02/2012 - 14:21
Estranho.
Tudo isso dito acima, sobre o mais longevo colaborador dos governos Lula e Dilma.
A imprensa tem"fritado" Mantega há algum tempo.
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mariazinha
25/02/2012 - 14:33
É, seu NASSIF. Infelizmente, tenho que concordar: Mantega é fraquinho; ao contrário, o povo brasileiro enfrenta toda e qqer. mediocridade e continua lutando com unhas e dentes. Mas eu continuo...
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Itamar
25/02/2012 - 14:38
Não é que a imprensa (PIG) goste de fritar o Mantega. A fritura preferencialmente de ser de ministro do governo Petista, seja com ou sem "mantega".
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DanielQuireza
25/02/2012 - 14:38
Nâo entendi. O que foi essa briga no BB ?
Será que Dilma cogida substituí-lo ?
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joseph
25/02/2012 - 14:47
Pode até ser verdade tudo o que o texto diz.
Mas a impressão que dá é que a passagem-chave para entender essa pintura do ministro em tintas negras é a seguinte: "Ou então recusando entrevistas a quem...
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JB Costa
25/02/2012 - 14:49
Está faltando mão firme e forte nessa convulsão intestina no Banco do Brasil que hoje goza de prestígio arduamente conquistado: tanto junto ao mercado, como junto ao público em geral.
O nosso...
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Luiz Gonzaga da Silva
25/02/2012 - 14:51
Parece que o único interesse do entrevistador é fazer intriga. Bem ao estilo Época/Veja.
Guido Mantega: "Dilma vai manter o número de ministérios"O ministro da Fazenda descarta uma mudança...
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Marco Antonio L.
25/02/2012 - 14:58
Só não entendi a "queima" do Mantega após 7 anos como Ministro da Fazenda. Pq somente agora ? O que está por trás disso ?
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Gilberto .
25/02/2012 - 15:21
Tamos ferrados: A Dilma é criticada por ser gestora e o Mantega por não ser!!!
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Roberto Tavty
25/02/2012 - 15:29
Sou funcionário do Banco do Brasil e todos nós, funcis, sabemos um pouquinho do que está acontecendo.
Estamos presenciando a ascenção de projetos pessoais de alguns dirigentes em deterimento...
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João Siqueira
25/02/2012 - 15:42
É no mínimo perigoso esse tipo de pensamento. Em nome de um revanchismo, coloca-se em risco algo bem maior, ou seja, o povo. Devemos nos ater somente ao que interessa. Torcer contra a imprensa é...
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Túlio Carvalho
25/02/2012 - 15:56
Acho que o Nassif está sendo injusto aqui. Depois de encher a bola do Nelson Barbosa em outros posts.
Concordo que a questão da Casa da Moeda poderia ter sido resolvida mais rapidamente, mas é um...
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14
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Gilberto .
25/02/2012 - 16:19
Nassif,
Impressão minha, ou você anda nos provocando? Digo isto pois não consegui fechar uma posição sobre o seu artigo.
Vamos lá: O ponto central é a vaidade e a falta de capacidade gerencial,...
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Homero Pavan Filho
25/02/2012 - 16:25
Assis, a pergunta que deve ser feita é: estão querendo nomear QUEM para o lugar do Mantega?
Saiba o nome e conhecerá os REAIS motivos da pendenga.
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marcio gaúcho
25/02/2012 - 16:53
É isso aí, Roberto!
A briga entre o BB e a Previ se resume no que o Roberto falou: a aposentadoria de 13 diretores, que querem mudar os estatutos da Previ para se beneficiarem financeiramente na...
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DeSola
25/02/2012 - 17:26
O Nassif não perdoa o Mantega por deixar o câmbio do jeito que está.....Mas pra mexer nisso ai a ordem tem que vir da presidência.
Agora esse Palocci é um tremendo de um fdp...o Mantega foi...
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Andre Couto
25/02/2012 - 17:27
O ministro Mantega certamente tem defeitos, como todos nós, e tavez sejam os que o Nassif aponta; mas dizer que esses defeitos formam um "coquetel mortal" me parece exagero. As qualidades...
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MiriamL
25/02/2012 - 17:37
Brasil 247
Esquenta a fritura: Nassif prevê queda de Guido
Foto: Montagem/247 Jornalista próximo ao Palácio do Planalto, Luis Nassif condena salto alto do ministro da Fazenda, atingido...
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luisnassif
25/02/2012 - 17:42
Dei uma bronca no Douglas que é um conhecido troll de direita, já desmascarado aqui
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Estranho.
Tudo isso dito acima, sobre o mais longevo colaborador dos governos Lula e Dilma.
A imprensa tem"fritado" Mantega há algum tempo.
Assis Ribeiro
Não é que a imprensa (PIG) goste de fritar o Mantega. A fritura preferencialmente de ser de ministro do governo Petista, seja com ou sem "mantega".
Assis, a pergunta que deve ser feita é: estão querendo nomear QUEM para o lugar do Mantega?
Saiba o nome e conhecerá os REAIS motivos da pendenga.
Pois é Nassif, tá meu pessoal isto.
Achei muito esquisita essa matéria do Nassif...eu sempre leio esse blog na esperança de encontrar informação bem fundamentada, e em geral tenho encontrado, mas dessa vez...Não entendi nada!
Aquele post do Nassif classificando o governo Dilma, como sendo o mais fechado desde a ditadura, sem interlocução com a sociedade .......
Agora este petardo no coração do Mantega.....
O Mantega vai cair pela vaidade......" ficou vaidoso"..
Minha mãe dizia " o tempo é o senhor da razão "
Depois da ventania , vamos ver as folhas que sobram e as que caem ....
Tá muito estranho....., esta água está muito turva pra qualquer megulhador .....
Assis Ribeiro (sábado, 25/02/2012 às 15:21),
Luis Nassif tem disso. Em período de carnaval e com mudança de horário o que ele diz preenche bem o diagnóstico que o mineiro Camilo Pena, ainda que não fosse médico, fez sobre a alma do brasileiro: "balança entre a terça-feira gorda e a quarta-feira de cinzas".
Mencionei hoje em comentário que enviei sábado, 25/02/2012 às 17:10 para Marco Antonio L. junto ao post "Pepe Escobar: “Qual é o jogo do Supremo Líder do Irã?”" de sábado, 25/02/2012 às 10:38 a forma exagerada como Luis Nassif faz referência a José Serra. Não me alonguei muito no post "Pepe Escobar: “Qual é o jogo do Supremo Líder do Irã?”" porque fizera isso junto ao post "FHC chama à razão a Madame Bovary do PSDB" de segunda-feira, 20/02/2012 às 10:48 em chamada de Adamastor para matéria no Brasilquevai intitulada "FHC intervem em carnaval portenho de Serra". Lá no post "FHC chama à razão a Madame Bovary do PSDB" em uma série de comentários que enviei para junto do comentário de AleXandre de segunda-feira, 20/02/2012 às 11:23, eu procurei mostrar que Luis Nassif exagera muito na crítica a José Serra. E salientei que mesmo com todo exagero ainda é possível perceber que há no tratamento de Luis Nassif para com José Serra quando despido dos exageros muita coisa que é também dita pelos que gostam de José Serra.
Para conferir o endereço do post "Pepe Escobar: “Qual é o jogo do Supremo Líder do Irã?”" é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/pepe-escobar-%E2%80%9Cqual-e-o-jogo-do-supremo-lider-do-ira%E2%80%9D#comment-801752
E o endereço do post "FHC chama à razão a Madame Bovary do PSDB" é:
http://advivo.com.br/blog/luisnassif/fhc-chama-a-razao-a-madame-bovary-do-psdb
O título do post é muito bom se bem que traga um pouco de exagero, mas é um título que dá uma boa dimensão sobre José Serra. Por mais medíocres que somos todos nós, nem todos nós conseguimos ser uma Madame Bovary.
A crítica de Luis Nassif a Guido Mantega talvez seja fruto de uma só razão. Guido Mantega não faz nada diferente de Antonio Palocci e mantém o câmbio em situação ruim. A entrevista de Guido Mantega revela isso. Ele trabalhou lado a lado com Antonio Palocci. A entrevista de Guido Mantega à revista Época (Luiz Gonzaga da Silva transcreveu a entrevista em comentário que ele enviou sábado, 25/02/2012 às 14:51) é um desmentido a toda uma construção de que depois de Guido Mantega a política econômica brasileira deu uma guinada de 180 º. A inflexão existiu um pouco mais forte na crise de 2008.
O que eu sinto é que por não ter a vivência política de Antonio Palocci, Guido Mantega é debilmente defendido na imprensa. Os irmãos Mendonça de Barros, Alexandre Schwartsman e tantos outros trataram o Guido Mantega com tal menosprezo que eu me satisfazia só com o fato de Guido Mantega continuar como ministro.
Mesmos jornalistas com bom conhecimento econômico, mas sem possuir um conhecimento de especialista não deram trégua a Guido Mantega. Posso mencionar aqui como quem foi sempre laudatório do Henrique Meirelles e crítico de Guido Mantega o Cristiano Romero. O Antonio Palocci foi mais respeitado como ministro da Fazenda pelos teóricos do PSDB do que Guido Mantega. Porque Antonio Palocci era um político de quem os técnicos têm medo. Antonio Palocci seria capaz de fazer o que Paulo Nogueira, ex jornalista da Época, o acusa de ter feito no caso do extrato do caseiro.
Os técnicos morrem de medo de políticos com experiência e carisma e que não são técnicos, mas que conhecem a nossa imprensa. Guido Mantega não tem nada disso de Antonio Palocci. Guido Mantega não saberia ir direto a João Marinho como Paulo Nogueira acusou Antonio Palocci de fazer. A acusação a Antonio Palocci por Paulo Nogueira pode ser visto no post "O caso Palocci e a Época" de quinta-feira, 16/02/2012 às 10:13, em chamada que Nilva de Souza dá a matéria no blog de Paulo Nogueira "Diário do Centro do Mundo" com post com o título "O caso Palocci em minha carreira" em que Paulo Nogueira transcreve um trecho do livro dele “Minha Tribo — o Jornalismo e os Jornalistas” em que ele reproduz posts com as discussões que ele fizera sobre o caso Palocci. O endereço do post "O caso Palocci e a Época" é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-caso-palocci-e-a-epoca
Sempre achei justificável a crítica dos economistas a Guigo Mantega. E torcia para Guido Mantega porque sempre me pareceu que o endeusamento do ministro da Fazenda não faz sentido. Fazer a desmistificação de um ministro da Fazenda faz bem à melhor compreensão da atividade política e administrativa do setor público. O ministro da Fazenda mais aprende fazendo. Assim parecendo não saber nada, Guido Mantega ia resolvendo os problemas e isso me satisfazia. Satisfazia porque só isso era suficiente.
Sobre essa simplicidade de Guido Mantega eu gostaria de mencionar o post "Serra e a crítica correta" de 12/05/2009 aqui no blog de Luis Nassif. Alí Luis Nassif batia palmas para José Serra. José Serra que na entrevista que dera ao Valor Econômico parecia jactar-se sapiência. Eu então envio um comentário para o post em que comparo José Serra ao Pico della Mirandola, famoso compilador italiano, autor de "De Omni Re Scibili" (Sobre Tudo que poder ser conhecido), enciclopédia para a qual, Voltaire houve por bem acrescentar "Et quibusdam aliis" (E muitas outras coisas mais), mas que para José Serra parece compor um só título.
Infelizmente o post "Serra e a crítica correta" já não mais existe. De todo modo no post "Movimentos incompreensíveis da Fazenda" de quinta-feira, 01/12/2011 às 14:59 originado de comentário de Paulo Siqueira, com a crítica correta a Guido Mantega por deixar o real valorizar, eu fiz menção aos comentários que eu envei para o post "Serra e a crítica correta", rememorizando uma parte em que eu dizia:
"entre os que tudo sabem e os que vão aprendendo no caminho, eu prefiro os que apreendem no caminho".
Embora a crítica de José Serra se referisse a atuação do Banco Central, a minha referência ao dizer que gostava dos que aprendiam no caminho era ao Guido Mantega.
Por isso me parece totalmente sem sentido não só se referir à vaidade de Guido Mantega como também dizer que ele fez papel
“ridículo de se transformar em pregador global contra as guerras cambiais e ser incapaz de montar uma defesa eficaz para defender sua própria cidadela”.
E que também teria feito papel ridículo "recusando entrevistas a quem ousou enxergar o rei nu na crise de 2008".
Guido Mantega recusou dar entrevista?
E quem ousou enxergar o rei nu na crise de 2008?
Um post muito fraco para fazer a crítica a Guido Mantega. Fraco na crítica, pois até que faz um bom apanhado desses anos de Guido Mantega no Ministério da Fazenda. Crítica que só se sustenta quando trata de se referir às questão cambial. E aqui cabe a pergunta. Qualquer um que faz a crítica a Guido Mantega tem alguma alternativa? Seria essa alternativa capaz de destruir completamente as heranças malditas deixadas por Fernando Henrique Cardoso bem inadequadas para a realidade brasileira e estabelecer um câmbio arrastado, reduzir a liberalidade no fluxo de moeda, adotar práticas protecionistas no Comércio Exterior ou a tributação dos produtos primários ou semielaborados, acabar com o regime de metas de inflação? Não creio.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 25/02/2012
Assis Ribeiro (sábado, 25/02/2012 às 15:21),
Uma boa explicação sobre a razão que move Luis Nassif para ter o Guido Mantega como alvo foi apresentada em uma discussão que ele trava com um comentarista junto ao post “Política econômica: a inércia vencendo o futuro” de terça-feira, 28/02/2012 às 09:04, na Coluna Econômica dele do dia 28/02/2012. Ainda na primeira página do post “Política econômica: a inércia vencendo o futuro” o comentarista Joao Carlos RB, em comentário não muito feliz, a menos que seja tomado na brincadeira, de terça-feira, 28/02/2012 às 08:17, diz um pouco indiretamente que a mudança de opinião de Luis Nassif se devia a força do mercado que sempre combateu o Guido Mantega e que agora conseguia trazer o Luis Nassif para o lado do mercado. Um comentário que só seria aceitável se fosse de brincadeira, mas ao qual faltou o “rsrsrs”, serviu pelo menos para desencadear uma boa discussão em que ao final Luis Nassif justifica ele se voltar contra Guido Mantega com base em informação em off em que se assegura que é Guido Mantega e não Alexandre Antonio Tombini quem se opõe a redução mais acelerada da taxa de juro.
Fica então o registro, mas reconhecendo que se precisa detalhar melhor essa postura de Guido Mantega. Que razão Guido Mantega apresentaria para não querer reduzir a taxa de Juro? E embora João Carlos RB fale em taxa Selic é importante saber qual é a taxa de juro a qual Guido Mantega opõe uma redução mais drástica. Ele teme uma redução mais drástica da taxa Selic ou do Spread bancário, isto é, da taxa de juro para o consumidor? O endereço do post “Política econômica: a inércia vencendo o futuro” é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/politica-economica-a-inercia-vencendo-o-futuro
E ele vale também pela própria análise de Luis Nassif que consta do post. Bem exaustiva, ela pormenoriza a crítica a Guido Mantega. Na análise de Luis Nassif não há a crítica direta ao Ministério da Fazenda por não se abaixar a taxa Selic, mas há por não se abaixar o spread bancário como se pode ver do parágrafo transcrito a seguir:
“Por exemplo, a competitividade interna exige que a política monetária tenha como foco o crédito final para a economia. Para tanto teria que atuar firmemente para reduzir o spread bancário. Mas significaria arrumar atritos com bancos e comprometer a arrecadação fiscal. Então, não se avança”.
Além da análise de Luis Nassif, da discussão entre Luis Nassif e Joao Carlos RB e de outros bons comentários, eu apontaria também para o comentário que eu encaminhei terça-feira, 28/02/2012 às 21:55 para Luis Nassif avaliando cada uma das assertivas que Luis Nassif apresentara na análise constando do post “Política econômica: a inércia vencendo o futuro”. O meu comentário para Luis Nassif se encontra atualmente na terceira página do post. Na segunda página, há também um comentário que eu enviei terça-feira, 28/02/2012 às 13:53 para junto do comentário de Eduardo Ramos que ele enviara terça-feira, 28/02/2012 às 09:56 em que eu aproveito para mencionar vários aspectos que aparecem quando se tenta avaliar e avalizar uma política econômica adequada para o país.
Coincidentemente na página dois depois de um comentário meu enviado terça-feira, 28/02/2012 às 12:32 para um seu de terça-feira, 28/02/2012 às 11:08, você responde esclarecendo bem seu posicionamento em relação ao desenvolvimento que eu pensara que você criticava, em razão de posicionamentos seus sobre os malefícios do crescimento econômico no ambiente.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 29/02/2012
É, seu NASSIF. Infelizmente, tenho que concordar: Mantega é fraquinho; ao contrário, o povo brasileiro enfrenta toda e qqer. mediocridade e continua lutando com unhas e dentes. Mas eu continuo preferindo a idoneidade de Guido.
Não irei bater palmas e fazer o jogo da imprensa. Se o inimigo do Mantega é a imprensa, que me parece esta fritando-o, então torço e peço pra lá ele continue, pq pra te-los como inimigo é pq alguma coisa ele esta fazendo que esta os incomodando.
Como o amigo disse acima, não é possível que um ministro fique tanto tempo, sendo mau-visto por todos.
MANTEGA NELES.
É no mínimo perigoso esse tipo de pensamento. Em nome de um revanchismo, coloca-se em risco algo bem maior, ou seja, o povo. Devemos nos ater somente ao que interessa. Torcer contra a imprensa é desnecessário, eles mesmos dão corda para se inforcar. Mas não concordo em colocar a economia brasileira em risco por causa de estar do outro lado das linhas inimigas. O PHA é um exemplo de quem tem as próprias convicções e sabe o que é melhor na visão dele. Vide caso Palocci. Ele nunca gostou do Palocci, por bons motivos e mesmo sendo contra a grande mídia familiar dominante, ele foi contra o Palocci mesmo sob ataques da mídia.
Achei estranha esta matéria.
Primeira pelas palavras usadas: "guerra" do BB, "conflagração", etc.
Depois, pela divisão dos personagens de cada lado: claro, o eixo do mal, "antro da Previ", controlado por setores do PT alijados do BB pela turma do bem, os "bons gestores" técnicos. Claro, tudo com infográfico, com o soldado vermelho do PT com cara de insatisfação vs soldado do BB sorridente.
Não entendi em que a "personalidade" do Mantega tem a ver com esta história. Pelo contrário, está agindo. E como bombeiro.
Parece mais uma manchete tentativa de escandalizar para fritar o ministro mesmo.
Acho que o Nassif está fritando o Mantega.
Tá dando uma de PIG e arrumando fofoca para manchetar o blog.
O Ministro está aí há tempos, a economia do país no caminho certo ( ou próximo a isso) - quer dizer o time tá ganhando há tempos e descobrem que o técnico não é competente ? Querem trocar o técnico, mas não têm motivos consistentes e aí desandam a buscar somenos e criar somais - falta coerência do Deus Nassif.
MRE
A critica do jornalista Luis Nassif é consistente, civilizada, analitica mas a galera de coalhadas do blog não consegue entender, para eles o mundo é dividido entre PIG e PT,
ou é PT ou é PIG, é o maximo que o cerebro de azeitona deles comporta, como gente tão limitada consegue sobreviver neste mundo complexo?
Andre Araujo (domingo, 26/02/2012 às 08:36),
Você já reparou como você tem abusado da retórica nos últimos tempos.
Seja, por exemplo, sua frase inicial:
"A critica do jornalista Luis Nassif é consistente, civilizada, analitica".
Se você dissesse o contrário, quem poderia negar que você estava certo. Muitos dirão que a crítica é inconsistente, e que não é analítica. Talvez só o termo civilizada poderia ser objetivamente dimensionado, mas mesmo assim o dimensionamento seria por critérios que dependeria da subjetividade de cada um. Uns poderiam só considerar civilizada uma crítica com o português castiço e sem palavras de baixo calão. Outros usando outros critérios (a crítica não ser direta dando ao criticado o direito de resposta) poderiam considerar que a crítica não foi civilizada.
Bem digo isso porque sempre espero aprender alguma coisa com os seus comentários, mas nesse caso talvez só a seqüência de palavras quando eu precisar de fazer um comentário também retórico, do tipo a crítica traz informações novas e informações verdadeiras, o problema é que as informações novas não são verdadeiras, talvez eu venha utilizar da sua seqüência elogiosa aqui para este texto de Luis Nassif que deu ensejo ao post "Mantega, a personalidade individual por trás da pública".
Espero que este comentário sirva também para levar para terceira página um comentário que se encontra no final da segunda página e para o qual Luis Nassif dá uma resposta que já se encontra na terceira página, e assim ficam mais compreensível tanto o comentário como a resposta de Luis Nassif.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 27/02/2012
Tambem acho estranho Nassif vc dar voz ao que diz o PIG..não estaria sendo influenciado por peoblemas pessoais com Mantega??
Achei muito pouco fundamentado este post do Nassif. A entrevista na IstoÉ não tem nada demais. Na verdade, até gostei.
Também me parece que problemas pessoais são o estopin das críticas. Parece a estratégia do PIG: 1-Quero criticar; 2-Descubro qualquer coisa pra justificar; 3-Argumento em cima pra maximizar; 4-Critico, critico....
Mas qual o motivo?
Seria por causa da falta de ações efetivas em relação ao câmbio?
Assis Ribeiro
Nâo entendi. O que foi essa briga no BB ?
Será que Dilma cogida substituí-lo ?
@DanielQuireza
Mantega será a próxima vítima? Por Altamiro Borges
Na semana passada, o Palácio do Planalto se apressou em desmentir a onda de boatos sobre o pedido de demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega. “As pessoas que espalham esses rumores prestam um desserviço ao país. Não se sabe a quais interesses inconfessáveis elas servem”, declarou a presidenta Dilma Rousseff na sexta-feira (10).
O Ministério da Fazenda também divulgou comunicado rechaçando as especulações da mídia sobre a saída do ministro. “É uma irresponsabilidade um jornalista publicar boatos dessa natureza. A informação não tem nenhum fundamento”, afirma a nota. A onda de boatos ganhou força na semana passada com a publicação de um artigo bombástico do jornalista Vicente Nunes, do Correio Braziliense.
Nos bastidores, não se fala outra coisa
Segundo especulou, “o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está com um pé fora do governo”. Ele inclusive teria se reunido com Dilma para comunicar o seu desejo de deixar o governo. “Alegou um cansaço enorme, agravado pelo seu descontentamento com a dimensão tomada pela demissão de Luiz Felipe Denucci da presidência da Casa da Moeda, sob suspeita de corrupção”.
Ainda segundo o jornalista, “Mantega fez um longo relato para a presidente do seu atual estado de espírito. Disse que já está há muito tempo no governo. Assumiu o Ministério do Planejamento em 2003, junto com o presidente Lula. Foi para a presidência do BNDES e, com a queda de Antonio Palocci, em 2006, assumiu a Fazenda, sob um tiroteio enorme do mercado financeiro”.
Além da fadiga e dos ataques da oposição, “Mantega enfrenta um drama familiar. Sua mulher, Eliane Berger, está com câncer... Dilma ouviu os argumentos do ministro. Rebateu alguns pontos. E definiu: Mantega fica onde está. Pelo menos por enquanto. No Ministério da Fazenda, a posição oficial é pelo silêncio total. Nos bastidores, porém, não se fala em outra coisa”, conclui a matéria.
Onde há fumaça, há fogo
O artigo do Correio Braziliense, que repercutiu no restante da mídia e exigiu imediato desmentido do governo, pode até ser pura especulação – o que é muito comum no jornalismo político nativo. Ele também pode servir a “interesses inconfessáveis”, como alfinetou Dilma. Os agiotas financeiros ganham fortunas ao difundir boatos sobre este ministério estratégico para a economia.
Mas, como diz o ditado, onde há fumaça, há fogo. Nos últimos dias, Guido Mantega tem sido alvo de uma implacável artilharia da oposição demotucana. A mídia venal, que se jacta do sucesso da sua operação “derruba ministro” – oito já foram defenestrados – tem dado destaque a qualquer denúncia envolvendo este ministério. Alguns “calunistas” até já apostam: Guido será a próxima vitima!
Bombardeio se intensifica
Ontem (14), o bombardeio contra o ministro se intensificou. Liderados por Demóstenes Torres (DEM-GO), senadores da oposição encaminharam ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, representação contra Mantega por “indícios da prática de atos de improbidade administrativa" no sinistro episódio da Casa da Moeda. O documento é assinado por Álvaro Dias (PSDB-PR), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Pedro Taques (PDT-MT), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Randolph Rodrigues (PSOL-AP).
Segundo artigo de André Barrocal, na Carta Maior, o próprio ministro já percebeu que é a bola da vez. Ele, porém, não estaria disposto a ceder às pressões e gozaria “de prestígio junto à presidenta Dilma Rousseff, o que reduz as chances do bilhete azul”. Os ataques partiriam de setores do tal “mercado”, descontentes com os rumos da economia, e até de governistas, insatisfeitos com o arrocho nas emendas parlamentares. Os demotucanos se aproveitariam deste clima e a mídia amplificaria os ataques.
De qualquer forma, é bom ficar atento. A presidenta Dilma não tem se mostrado muito firme diante das pressões, principalmente das provenientes da mídia. É certo que Mantega é uma peça chave no governo. “Há seis anos na Fazenda, ele é o terceiro ministro há mais tempo no cargo. Se for até o fim com Dilma Rousseff, vai figurar na galeria de ministros da Fazenda como o mais longevo da história do Brasil República”, concluiu a reportagem do sítio Carta Maior. A conferir! http://altamiroborges.blogspot.com/2012/02/mantega-sera-proxima-vitima.html cariry, comentarista do blog já tinha indicado esta matéria em: qui, 16/02/2012 - 00:45, no "Fora de Pauta"
Assis Ribeiro
Pode até ser verdade tudo o que o texto diz.
Mas a impressão que dá é que a passagem-chave para entender essa pintura do ministro em tintas negras é a seguinte: "Ou então recusando entrevistas a quem ousou enxergar o rei nu na crise de 2008".
Como jornalista é vingativo, não?
Ô raça!
Abs, joseph
Batata. Pensei o mesmo, na hora que li. Outro dia teve um post criticando a decisão presidencial dos ministérios se fecharem em copas, de só abrirem assuntos já decididos, e manterem fechados os temas ainda em discussão interna.
O post de hoje atribui essa decisão, no âmbito da Fazenda, ao ministro Mantega: "Não sei o que se pensa atualmente no interior da Fazenda. Uma máquina que tinha interlocução, que soube por conta própria explicar a lógica da estratégia de 2008 - e, com isso, superar o derrotismo inculcado pela mídia - hoje se fechou intramuros."
Também estou achando muito estranho: o governo mudou o rumo ou o Nassif?
O tempo dará a explicação.....
Também acho. Precisamos ficar esclarecidos quanto a isso, Nassif.
Está faltando mão firme e forte nessa convulsão intestina no Banco do Brasil que hoje goza de prestígio arduamente conquistado: tanto junto ao mercado, como junto ao público em geral.
O nosso maior organismo de crédito é um gigante e responde ao Estado - seu maior acionista - por atribuições importantíssimas, a exemplo dos serviços de Custódia de Numerário, da Compensação de Cheques e Outros Papéis, do fomento à atividade primária(quase 80% de toda a disponibilidade de crédito) e a centralização do Caixa da União. Qualquer impasse nas suas hostes, como agora essa "briga de comadres" entre os presidente Bendine e diretores, envolvendo também o presidente da PREVI, pode ter reflexos danosos no próprio governo como um todo.
Sinceramente que fiquei supreso com esse perfil do ministro Mantega delineado pelo Nassif; em especial no item vaidade e falta de comando.
JB
BB troca chefes de 13 diretorias
Terremoto no BB
Autor(es): Denise Rothenburg, Victor Martins, Vânia Cristino e Rosana Hessel
Correio Braziliense - 28/01/2012
A reestruturação no Banco do Brasil atinge os cargos do segundo escalão e fortalece a corrente ligada ao Partido dos Trabalhadores. A direção da empresa afirma que as mudanças são normais entre os servidores de carreira da instituição.
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/28/bb-troca-chefes-de-13-diretorias
Assis Ribeiro
Parece que o único interesse do entrevistador é fazer intriga. Bem ao estilo Época/Veja.
Guido Mantega: "Dilma vai manter o número de ministérios"O ministro da Fazenda descarta uma mudança radical no primeiro escalão, critica quem diz que o governo gasta demais – e jura que esteve na churrascaria onde foi concebida a Carta ao Povo Brasileiro
LUIZ MAKLOUF CARVALHO
Dezembro foi magnânimo com o ministro Guido Mantega no plano profissional. Ele comemorou o cumprimento de quase todos os objetivos em sua área. Celebrou especialmente a manutenção de uma invencibilidade: em seis anos como ministro da Fazenda, a inflação ficou sempre dentro da meta (em 2011, como uma bola de tênis que resvala na linha, ficou exatamente no teto, 6,5%). Mantega também festejou quando o Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios, uma empresa de consultoria britânica, anunciou que o Produto Interno Bruto do Brasil ultrapassara o da Inglaterra e se tornara o sexto do mundo. Ao longo de um mês de boas notícias na seara política, Mantega deu duas entrevistas a ÉPOCA: a primeira no dia 2, no gabinete da Presidência da República, em São Paulo, e a segunda no dia 29, no Ministério da Fazenda, em Brasília. A seguir, os principais trechos.
ÉPOCA – Qual é seu balanço do primeiro ano do governo?
Guido Mantega – Atravessamos esse mar revolto da crise internacional com relativa tranquilidade e atingimos nossos objetivos de política econômica e social. Implantamos no país um novo modelo de desenvolvimento, fortemente gerador de empregos. Mesmo com a economia crescendo menos que em 2010, criamos mais de 2 milhões de empregos formais. No momento em que o mundo está mergulhado no desemprego, com mais de 100 milhões de desempregados no mundo, é um grande feito. É claro que a crise mundial está aí, e nos atrapalhou.
ÉPOCA – Em que, especificamente?
Mantega – O setor industrial cresceu pouco em 2011.
ÉPOCA – Cresceu pouco e chiou muito.
Mantega – Exato. Porque é o mais atingido pela crise. Aumentou a concorrência, e produtos estrangeiros entraram com força no Brasil. A manufatura brasileira teve mais dificuldade para exportar.
ÉPOCA – Faz tempo que o governo vem errando em relação à indústria. O senhor faz alguma autocrítica?
Mantega – Não tem autocrítica. É uma situação internacional, difícil para todo mundo. O que fizemos foi criar algumas linhas de defesa, botar a Receita Federal para fiscalizar mais, criar um departamento de inteligência.
ÉPOCA – Outra crítica recorrente é que o governo gasta muito, e pessimamente.
Mantega – Parece um chavão, que não tem fundamento na realidade.
ÉPOCA – Não?
Mantega – Não. Neste ano, cortamos gastos de custeio. Estamos fazendo mais com menos recursos. O que temos de separar do custeio são os programas sociais. O Bolsa Família me parece um recurso muito bem gasto. Agora, no custeio da máquina, apertamos muito. Se você pegar viagens e passagens de todos os ministérios, cortamos 50% em diárias e passagens. E já vínhamos cortando nos anos anteriores. Limitamos a compra de aluguéis de prédios novos, material permanente, carros e mais não sei quê. Os principais gastos do governo, os gastos com pessoal, estão contidos. Não foram aprovados aumentos no Congresso nem para o Judiciário, nem para o Legislativo, nem para o Executivo.
ÉPOCA – O senhor não acha que o número de ministérios e de cargos de confiança é um absurdo?
Mantega – Há ministérios que respondem a questões sociais importantes; por exemplo, o Ministério da Igualdade Racial, que olha principalmente para a questão dos negros, ou o da Mulher, da condição feminina. São ministérios pequenos.
ÉPOCA – O senhor é favorável a um enxugamento?
Mantega – Não sou favorável. Esses ministérios gastam muito pouco e têm um diálogo social importante com esses segmentos da população. Dão representatividade.
ÉPOCA – O senhor sente que a presidente Dilma quer reduzir o número de ministérios?
Mantega – A presidenta Dilma vai manter o número de ministérios.
ÉPOCA – Por que o senhor aumentou os impostos para os carros importados?
Mantega – Para proteger a indústria, a produção nacional, o emprego nacional. Para dar uma defesa, porque estávamos sendo invadidos.
ÉPOCA – Há quem diga que não havia invasão nenhuma, risco, absolutamente nada disso, a não ser o forte lobby das montadoras.
Mantega – Posso te convencer do contrário. Na indústria automobilística, a importação estava crescendo 40%. No setor têxtil, 40%.
ÉPOCA – Mas, no setor automobilístico, o que eles estavam ganhando estava num padrão internacional bastante razoável...
Mantega – Mas não é o que estavam ganhando. Não estou preocupado com isso. Quero que eles ganhem cada vez menos, que ganhem no volume, não numa quantidade pequena. Essa é uma filosofia: todo aumento de demanda era atendido por importação. Significa zero de crescimento da produção brasileira.
ÉPOCA – Essa medida não incentiva a preguiça da indústria brasileira, que não melhora a qualidade do carro, não investe em melhoria tecnológica? Não prejudica o consumidor, que quer um carro melhor, que as montadoras daqui não têm condição de oferecer?
Mantega – Não, porque temos aqui 15 montadoras. Quase todas as mais importantes estão instaladas no Brasil. Elas concorrem entre si. Olha a evolução do preço dos carros novos no Brasil. É abaixo da inflação. Eles estão reduzindo o preço pelo menos nos últimos cinco anos.
ÉPOCA – O que se diz é que essa medida só atendeu a um lobby da Anfavea e dos sindicatos, sem nenhuma explicação do ponto de vista técnico.
Mantega – Isso é bobagem. Por que estimulamos a indústria automobilística? Ela representa 23% do PIB industrial. É o setor que mais gera o efeito multiplicador na economia. Estimulamos também construção civil, eletroeletrônico, móveis, têxtil, praticamente os setores mais importantes. Que história de lobby é essa? Não entendo. Temos uma câmara criada em 2008, com 40 entidades de classe. Estão Abimaq, Abinee, Abit, Anfavea, todos lá, todos com o mesmo direito de chorar. Não é lobby. Eu ouço o setor. Agora, em 2008, não precisei conversar com a indústria automobilística. Somos economistas profissionais faz tempo. Você olha a economia e sabe o setor que gera mais dinamismo, puxa a demanda, traz o efeito multiplicador.
ÉPOCA – Se houve tantos ganhos para o país, por que então há tantas críticas ao governo?
Mantega – Talvez haja mais entusiasmo nas críticas ao governo petista, porque o PT vem dos trabalhadores, tem ligação com o sindicalismo, e as elites nunca gostaram muito do Lula. Tem também algum preconceito contra o desenvolvimentismo. Passamos por um período de muita ortodoxia. Tudo o que não era ortodoxia tinha de ser criticado. E nunca fomos ortodoxos. Eu, particularmente, sempre mantive a mesma linha.
"No noticiário sobre a campanha de 2002, apareço muito mais que o Palocci. Eu é que falava com os empresários"
ÉPOCA – Uma vez o senhor chegou a dizer que jamais cometeria um ato ortodoxo.
Mantega – Não me lembro. Mas não podemos confundir. Precisa saber bem o que é desenvolvimentismo e o que é ortodoxia. Ortodoxia é aquela política burra de fazer ajuste fiscal recessivo, em que você derruba a economia. Ou pegar uma crise e fazer uma política para derrubar mais ainda. É claro que, em algumas situações, você não tem saída, vamos reconhecer.
ÉPOCA – O que o senhor pode dizer sobre dois ortodoxos de carteirinha, seus amigos Antonio Palocci e Henrique Meirelles? Ficou famoso seu “Viu, Meirelles?” na festa de lançamento do PAC.
Mantega – É uma característica minha. Antes de vir para o governo, eu era professor, dava aula. E não fazia aquelas aulas monótonas, em que todo mundo começa a bocejar. Gosto de fazer uma piada. Não perdia uma brincadeira. Então, toques de humor são necessários para que a vida seja mais leve.
ÉPOCA – E o Palocci?
Mantega – Não acho que o Palocci seja um ortodoxo.
ÉPOCA – Não?
Mantega – Não.
ÉPOCA – Mas o senhor não acha que ele fez uma política ortodoxa?
Mantega – Veja bem: quando começou o governo, era necessário fazer aquela política. Era uma política de ajuste, nem vou dizer que era ortodoxa. Quando começamos o governo, em 2003, eu era ministro do Planejamento. Quem fazia os cortes era o Ministério do Planejamento. Acertava com a Fazenda, vendo o tamanho da encrenca, depois praticávamos. Fui totalmente favorável àquela política. Naquele primeiro ano de governo, não tínhamos escolha. Seja ortodoxo, seja heterodoxo, seja desenvolvimentista, tinha de fazer aquilo.
ÉPOCA – O senhor estava plenamente de acordo com aquilo?
Mantega – Plenamente de acordo. Naquele ano, tinha de fazer redução de despesa, havia um surto inflacionário que vinha do ano anterior, 2002, a inflação, anualizada em dezembro, estava em 25%. Havia uma desconfiança em relação ao novo governo do presidente popular, sindicalista. Tínhamos de restabelecer a confiança, mostrar que seríamos mais sérios até que nossos antecessores na política fiscal. O Palocci veio com essa missão, de fazer essa transição e depois promover o crescimento.
ÉPOCA – Relendo o livro do ministro Palocci, Sobre formigas e cigarras, que aliás o senhor já disse que é uma porcaria...
Mantega – Eu disse onde?
ÉPOCA – A um colega seu...
Mantega – Eu não me lembro disso, não (risos).
ÉPOCA – Mas seu colega se lembra. No livro do ministro Palocci, o senhor, a rigor, não existe. Não participa de nada relevante. Só aparece em três páginas. Não existe na campanha e está absolutamente por fora da fundamentalíssima Carta ao Povo Brasileiro.
Mantega – E eu participei da elaboração da Carta aos Brasileiros. E participei intensamente da campanha.
ÉPOCA – Por que o ministro Palocci é tão econômico em relação ao senhor?
Mantega – Você tem de perguntar a ele, não a mim. Não fui eu que escrevi o livro.
ÉPOCA – O senhor leu o livro?
Mantega – Eu olhei, em diagonal.
"Em 2002, o Palocci fez uma conexão com o setor empresarial e financeiro que de fato eu não tinha. Ele era diferente de mim"
ÉPOCA – E tem algum motivo para o senhor mal aparecer no livro?
Mantega – Você tem de perguntar a ele. Como é que vou responder, se foi ele quem escreveu? Na campanha de 2002 fui muito atuante. Nos relatos da imprensa, apareço muito mais que o Palocci. Ele não deu uma palestra em 2002. Eu era coordenador do grupo de economia. O Palocci chegou depois que morreu aquele menino, o Celso Daniel. Ele chegou por agosto, setembro, não me recordo. Até então eu era o economista mais conhecido da campanha. O presidente Lula me chamava nas reuniões, reunia empresários e tudo mais e eu é que ia lá, falava aos empresários. Não me lembro do Palocci.
ÉPOCA – Mas isso até a Carta ao Povo Brasileiro. O senhor não foi contra ela?
Mantega – Eu não era contra. Participei da elaboração da Carta aos Brasileiros. Foi feita onde? Deixa eu me lembrar. Foi feita fora de São Paulo. Fizemos uma reunião, deixa eu me lembrar...
ÉPOCA – Em Ribeirão Preto, segundo o livro do Palocci, numa churrascaria que estava fechada.
Mantega – Exatamente.
ÉPOCA – No relato do Palocci, o senhor não aparece nessa reunião. Ele cita todos os que estavam, mas não o senhor.
Mantega – Mas eu estava lá.
ÉPOCA – Jura, ministro?
Mantega – Juro. Absolutamente. Eu estava na churrascaria.
ÉPOCA – Então a omissão de seu nome no livro do Palocci foi
deliberada?
Mantega – Acho que é uma questão de memória.
ÉPOCA – Parece óbvio que não é.
Mantega – Eu não era contra a Carta, participei e eu estava na churrascaria.
ÉPOCA – Ministro, o senhor estava à esquerda das posições defendidas na ocasião, não?
Mantega – Eu estava mais à esquerda que o Palocci, exatamente.
ÉPOCA – Mas agora o senhor está dizendo o contrário...
Mantega – Estamos falando em 2002, vamos deixar claro. Em 2002, o Palocci fez uma conexão com o setor empresarial e financeiro, que de fato eu não tinha, porque eu era mais crítico. Em 1999, 2000, 2001, fiz várias críticas. No ano da eleição, eu era marcadamente um crítico de certas coisas, por exemplo, do ministro da Fazenda, do presidente do Banco Central. Eu tinha posições. O Palocci, ele não tinha nem posição. Naquela época, ele não tinha atuação na área econômica. Em 2002, entrou com uma linha mais de aliança com o setor financeiro e tudo mais. Portanto, era diferente de mim. Depois que começou o governo, não havia nenhuma divergência quanto à estratégia a implantar. Tinha de fazer corte de despesa, tinha de combater a inflação, tinha de consertar a economia. Posteriormente, pode ser que surgissem divergências em relação a ele.
ÉPOCA – Por que o ministro da Fazenda não foi o senhor, que desde 1992 era o braço direito do Lula nas questões econômicas?
Mantega – Porque foi privilegiada uma solução de compromisso que dava mais segurança ao setor principalmente financeiro e empresarial. E o Palocci representava mais isso.
"Quero que eles (o setor automotivo) ganhem cada vez menos, que ganhem no volume, não na quantidade pequena"
ÉPOCA – E sua escolha para substituir o ministro Palocci, como foi?
Mantega – Bom, o ministro Palocci estava sofrendo uma crise. Havia problemas com ele, discussões, aquele negócio ali de Brasília, da casa, não sei o quê. A nomeação para ministro da Fazenda foi absolutamente surpresa. O Lula não me consultou, não falou comigo na véspera. Mas é como ele age. Era uma segunda-feira, eu estava despachando no BNDES com o David Feffer. Aí recebo um telefonema da chefe da Casa Civil, a Dilma, dizendo para eu ir direto a Brasília, da forma mais reservada possível. E fui para lá. Cheguei umas 3 horas da tarde, aí ela me falou: “Olha, o presidente vai te convidar para ser ministro, estamos esperando o Palocci assinar a carta de demissão”.
ÉPOCA – O senhor esperava, desconfiava?
Mantega – Desconfiei de alguma coisa porque o Palocci vinha sofrendo um desgaste. Quando cheguei, o presidente falou: “Você vai assumir” (risos). O presidente não convidava, ele determinava. Não perguntou se eu queria ou se eu não queria. Finalmente, 6, 6 e meia da tarde, o Palocci redigiu a carta e aí fui dar uma entrevista coletiva.
ÉPOCA – Mas o senhor disse, pelo menos, “tudo bem, presidente, eu aceito”?
Mantega – Nem respondi, porque ele falou: “Você vai assumir o Ministério da Fazenda”.
ÉPOCA – Mas o senhor poderia ter dito “não quero, obrigado”.
Mantega – Poderia. Mas não faria muito sentido, porque era uma necessidade que ele tinha. Você não pode deixar um país sem ministro da Fazenda.
ÉPOCA – Nos bastidores, dizem que o senhor ajudou naquela crise contra o Palocci. Que podia ter feito alguma coisa e não fez...
Mantega – Me diga o que é que eu podia ter feito? Eu estava totalmente por fora, no BNDES, não tinha nada a ver com tudo aquilo que aconteceu. Como é que eu poderia ter ajudado?
ÉPOCA – E em relação ao Meirelles? Vocês trombaram publicamente várias vezes. Ele era um adversário seu, e houve um momento em que o senhor lutou para que ele saísse do governo. O Lula convidou até o (economista Luiz Gonzaga) Belluzzo.
Mantega – Há política fiscal e política monetária. A política monetária sempre tende a ser mais conservadora. O Banco Central é mais conservador, assim como a Fazenda é mais conservadora que os outros ministérios. Posso ter divergido do Meirelles em relação a alguns momentos em que ele subiu a taxa. Ele tinha autonomia e fazia o que achava correto, discutia com o presidente. Não vou negar que houve pontos de vista diferentes. Mas era totalmente civilizado.
ÉPOCA – O senhor não gostava do trânsito direto que o Meirelles tinha com o presidente Lula, sem passar pelo senhor?
Mantega – Não é verdade.
ÉPOCA – E o convite do Lula ao professor Belluzzo?
Mantega – Não tenho o direito de falar sobre isso, porque é o presidente Lula que tem de falar.
ÉPOCA – Mas o senhor fez peso na balança para que o professor Belluzzo substituísse o Meirelles?
Mantega – Eu sou muito leve (risos).
ÉPOCA – A que setores e a que interesses o senhor desagradou como ministro?
Mantega – Em 2007, quando caiu a CPMF, aumentamos a contribuição sobre o lucro líquido dos bancos. Você acha que os bancos gostaram? Você acha que eles puseram um retrato meu na sala da presidência? Até colocaram, mas para jogar setas em cima do ministro da Fazenda (risos).
ÉPOCA – Não vamos exagerar, ministro. Os bancos estão felicíssimos. Nunca foram tão felizes.
Mantega – Exatamente. Tem gente que chora de barriga cheia.
"Você acha que os banqueiros puseram um retrato meu na parede? Só se for para jogar setas no ministro da Fazenda"
ÉPOCA – Mas eles nem estão chorando...
Mantega – Mas quando aumentamos a contribuição sobre o lucro líquido, eles passaram a pagar mais que o setor produtivo como um todo. Evidentemente, não devem ter gostado. Quando começou esse ano, alguns segmentos do mercado financeiro tinham uma reação que nem era publicada. Podem ter dito impropérios em relação a mim.
ÉPOCA – Última pergunta: quem é o senhor?
Mantega – Quem sou eu?
ÉPOCA – O senhor continua sendo um enigma.
Mantega – Um enigma? Você conhece minha vida melhor do que eu.
ÉPOCA – Mas como o senhor se define?
Mantega – Eu me defino com tudo isso que falamos aqui durante várias horas. Sou um militante político que acredita na transformação social do país e que teve a chance de pôr em prática uma parte das suas crenças. Sou uma pessoa privilegiada, afortunada, porque pude praticar aquilo que pensava desde a juventude. É claro que aggiornato, tudo isso atualizado e adaptado, porque a gente pensava muita bobagem também, na juventude.
http://revistaepoca.globo.com/tempo/noticia/2012/01/guido-mantega-dilma-vai-manter-o-numero-de-ministerios.html
Pode e deve ter muitos defeitos, mas depois de ler essa entrevista vou torcer muito pra ele continuar. Não sei se Paloci fez a coisa certa quando o PT pegou o governo, o que sei é que o Brasil começou a melhorar e crescer depois que o Mantega assumiu e pisou no acelerador.
Nilo (sábado, 25/02/2012 às 20:46),
Sem dúvida, uma entrevista fora de série pelas respostas do entrevistador.
E Guido Mantega me surpreende em um comportamento de quem não teme a luta com a imprensa quando diz para o entrevistador que a pergunta dele é bobagem como se vê na transcrição a seguir:
"ÉPOCA – O que se diz é que essa medida só atendeu a um lobby da Anfavea e dos sindicatos, sem nenhuma explicação do ponto de vista técnico.
Mantega – Isso é bobagem. Por que estimulamos a indústria automobilística? Ela representa 23% do PIB industrial. É o setor que mais gera o efeito multiplicador na economia. Estimulamos também construção civil, eletroeletrônico, móveis, têxtil, praticamente os setores mais importantes. Que história de lobby é essa? Não entendo. Temos uma câmara criada em 2008, com 40 entidades de classe. Estão Abimaq, Abinee, Abit, Anfavea, todos lá, todos com o mesmo direito de chorar. Não é lobby. Eu ouço o setor. Agora, em 2008, não precisei conversar com a indústria automobilística. Somos economistas profissionais faz tempo. Você olha a economia e sabe o setor que gera mais dinamismo, puxa a demanda, traz o efeito multiplicador".
E com um fecho de ouro que também merece a reprodução:
"Mantega – Eu me defino com tudo isso que falamos aqui durante várias horas. Sou um militante político que acredita na transformação social do país e que teve a chance de pôr em prática uma parte das suas crenças. Sou uma pessoa privilegiada, afortunada, porque pude praticar aquilo que pensava desde a juventude. É claro que aggiornato, tudo isso atualizado e adaptado, porque a gente pensava muita bobagem também, na juventude".
Quantos no mundo podem dizer o que ele disse? E se pudessem, quantos saberiam dizer como ele disse?
Talvez ele tenha errado no câmbio, mas há um texto de Cristiano Romero que atribui a Guido Mantega a grande desvalorização que ocorreu no final de 2008, quando o dólar chegou a valer mais de 2,3 reais. Só que Cristiano Romero atribui a desvalorização a Guido Mantega como crítica a Guido Mantega.
Veja a esse respeito meu comentário nº 8, enviado 24/05/2010 às 05:25 (número do comentário, data e horário só são obtidos se não se deixar o intensedebate baixar), para junto ao post “A Crise de 2005, 5 anos depois” de 23/05/2010 no blog de Na Prática a Teoria é Outra e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6286
No post, Celso Ribeiro de Barros ou NPTO traz para discussão a reportagem “Como Lula deu a volta por cima” de 21/05/2010, saído no Valor Econômico de Cristiano Romero e Raymundo Costa e tratando da crise do mensalão. E no meu comentário eu faço menção a outra reportagem essa de Cristiano Romero e Alex Ribeiro e intitulada “Os bastidores da crise” e publicada no Valor Econômico de 13/11/2009 e tratando da crise econômica de 2008. Transcrevo a seguir meu comentário:
“Na Prática a Teoria é Outra,
Outra coisa que eu censuro em Cristiano Romero é contar a história segundo a ideologia dele – o que é humano – mas sem deixar nítida a participação do outro lado – o que não é jornalístico.
No artigo “Os bastidores da crise” de Cristiano Romero e Alex Ribeiro, publicado no Valor Econômico de 13/11/2009 e que Luis Nassif transformou em post com o título de “Eles quase quebraram o país” de 13/11/2009 às 10:01, há uma referência importante a Guido Mantega em que me parece que não houve uma conversa com Guido Mantega para certificar como ele contava a história. Era um ponto chave de toda a historia, como se vê da discrição copiada de trecho do artigo:
“Naquele 8 de outubro de 2008, porém, quando os mercados estavam tomados por uma onda de pânico, só o presidente da República tinha poderes para autorizar a venda de reservas. E ele não queria. Lula havia dado todo o apoio ao processo de acúmulo de divisas, que via como um seguro contra choques externos. Mas, gastá-las, dizia, só em último caso, ainda mais numa crise da qual ninguém conhecia o tamanho e a duração.
A avaliação intuitiva do presidente coincidia perfeitamente com a visão do BC, que não pretendia queimar as reservas para defender uma determinada taxa de câmbio.
A resistência do BC e do presidente da República em queimar reservas era, até então, uma informação estratégica, mantida em segredo dentro do governo. O mercado não podia saber, em hipótese alguma, que o BC negaria munição. Mas no dia 6 de outubro, uma segunda-feira, o ministro Guido Mantega disse, em entrevista, que Lula proibira o BC de gastar reservas. O efeito no mercado foi imediato. A cotação do dólar saltou de R$ 2,19 para R$ 2,45 em menos de 48 horas. O ingrediente final foi uma corrida bancária, que se originou em outros países do mundo e atingira o Brasil. Torós fez seu diagnóstico definitivo: era preciso vender dólar no mercado à vista. E imediatamente.
Henrique Meirelles foi pessoalmente pedir autorização a Lula, na manhã de 8 de outubro. Torós instruiu que a mesa de câmbio do BC deixasse tudo pronto para fazer o leilão o mais rápido possível. Lula aceitou os argumentos de Meirelles. Torós estava livre para operar. Às 10h13, foi convocado o primeiro leilão, seguido por mais dois, às 10h43 e às 11h29. “Fiz leilões até o mercado se cansar”, recorda Torós. O BC despejou US$ 1,287 bilhão no mercado e, dali em diante, passaria a fazer vendas quase diárias de dólar".
Pareceu-me que a posição do Guido Mantega revelando um segredo ou foi burrice ou estratégia. Talvez Guido Mantega não pudesse manifestar. Mas pelo menos a recusa do Guido Mantega em se manifestar deveria ser mencionada. Para mim, Guido Mantega queria que o dólar valorizasse. Na minha avaliação, o Mionistério da Fazenda queria que ao final da crise o dólar estivesse em um patamar adequado para que se retomasse o crescimento puxado pelo mercado externo. Assim se explicava as declarações do Guido Mantega que contribuíram para o aumento da cotação do dólar. Mais à frente, reconhecendo que a queda do comercio mundial fora grande e que a recuperação poderia demorar, o governo optou por direcionar o crescimento para o mercado interno.
Aqui no artigo de Cristiano Romero e Raymundo Costa “Como Lula deu a volta por cima” de 21/05/2010, saído no Valor Econômico, há muita informação em que se precisava ouvir o outro lado. É o caso, por exemplo, dos episódios envolvendo o Delúbio Soares que parece não ter sido ouvido”.
A meu juízo, depois do tsunami do quarto trimestre de 2008, mais à frente, vendo a depressão que atravessava o comércio mundial, o governo repensou a sua estratégia para a eleição de 2010. E assim, o governo avaliou que Dilma Rousseff teria mais possibilidade de vitória se a economia fosse relançada pelo mercado interno e para isso seria melhor que o dólar voltasse a desvalorizar.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 28/02/2012
Só não entendi a "queima" do Mantega após 7 anos como Ministro da Fazenda. Pq somente agora ? O que está por trás disso ?
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