Liminar suspende reintegração de posse no Pinheirinho

Do UOL

Justiça suspende reintegração de posse em São José

  • Nilton Cardin/AE

    Moradores do acampamento do Pinheirinho, localizado na zona sul de São José dos Campos, aguardam com cães e armas improvisadas a reintegração de posse do local
    Moradores do acampamento do Pinheirinho, localizado na zona sul de São José dos Campos, aguardam com cães e armas improvisadas a reintegração de posse do local

A Justiça Federal emitiu liminar durante a madrugada de hoje suspendendo temporariamente a operação de reintegração de posse na ocupação 'Pinheirinho', em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Cerca de 1.800 policiais militares, incluindo homens da Cavalaria e do Canil, chegaram a cercar o terreno de 1 milhão e 300 mil metros quadrados no bairro Pinheirinho, na zona sul da cidade, mas não entraram.

A área foi ocupada irregularmente em 2004 por uma comunidade ligada ao Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem-Teto (MTST). Pelo menos 1.600 famílias, totalizando mais de 5.500 pessoas, vivem no local. O terreno pertence à empresa Selecta, do grupo Naji Nahas.

Uma liminar da Justiça que determinou a reintegração foi emitida no final do ano passado pela juíza Márcia Loureiro, da 6.ª Vara Cível. Na quarta-feira, um pedido de adiamento da desocupação por 120 dias foi negado.

Segundo a polícia, no final da noite de segunda-feira, 16, na Avenida Imperador, um ônibus municipal foi interceptado por um grupo de pessoas ligadas à ocupação. Após obrigarem os ocupantes a descer, os desconhecidos atearam fogo no coletivo. As famílias que ocupam o Pinheirinho afirmam que os responsáveis pelo ataque ao ônibus não são moradores da ocupação.

Durante a tarde, a Polícia Militar usou um helicóptero para lançar panfletos sobre o terreno, pedindo às famílias que deixem do local e informando que a reintegração de posse já havia sido determinada pela Justiça. Desde 3h30 desta terça-feira, 17, todo o entorno do terreno foi isolado. As ligações clandestinas de energia elétrica foram cortadas.

O Sindicato dos Metalúrgicos da cidade emitiu uma nota durante a noite informando que 'os moradores já estão em estado de alerta e não deixarão suas casas'.

Para pressionar as autoridades sobre um acordo, um grupo de moradores realizou na sexta-feira, 13, uma manifestação usando capacetes, escudos e armas improvisadas, como pedaços de pau com pregos. Lideranças da comunidade afirmam que eles vão resistir à reintegração. 'Isso aqui é a crônica de uma tragédia anunciada, vai ser como Eldorado dos Carajás', disse Antonio Donizete Ferreira, advogado ligado ao MTST, que representa os invasores na Justiça. 'As pessoas estão estocando gasolina em casa'.

Ainda na sexta-feira, foi realizada na sede municipal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) uma reunião com representantes do Ministério das Cidades, da Secretaria de Estado da Habitação, de moradores e lideranças sindicais. A ideia era chegar a um acordo para evitar a execução da ordem de reintegração da área. A Prefeitura de São José dos Campos não mandou representantes.

O resultado da reunião foi uma proposta na qual o governo federal se dispõe a dirigir recursos para a compra do terreno, desde que o município demonstre interesse. Em contrapartida, a Prefeitura teria que declarar a área zona especial de interesse social, mudando o zoneamento, e apresentar um cadastro atual dos moradores.

No mesmo dia, à tarde, representantes dos governos federal e estadual foram à Prefeitura apresentar o documento, que foi protocolado. A administração municipal se comprometeu a analisar a proposta, mas afirmou o problema é judicial entre invasores, proprietários e a Justiça. A gestão indicou que, caso outra esfera do Executivo comprasse a área, não criaria dificuldades para a regularização.

Em 2010, líderes da comunidade entraram em contato com os governo federal e estadual para tentar regularizar o terreno. O Estado afirmou que a Prefeitura deveria indicar a área para participação no programa Cidade Legal, o que não aconteceu. A Prefeitura de São José dos Campos realizou o cadastro dos moradores em 2010. Foram identificadas mais de 1,6 mil famílias, ou 5.488 pessoas. Líderes comunitários dizem que o número de moradores é maior.

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10 comentários
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Airton

Só quero confessar minha alegria por saber do êxito do movimento social em Pinheirinhos! Ainda mais, como lembrou o cientista político Carlos Novaes, no Jornal da Cultura, no país em que a justiça nem sempre está do lado da lei.

 
 
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Paulo França

Prestem atenção ao texto e verão que a liminar só foi concedida porque o governo federal (Dilma) garantiu a compra do terreno e seu uso social, mas a prefeitura paulista sequer mandou representantes à reunião.

Ainda mais em se tratando de um imóvel de um sujeito tido como criminoso, o sr. Naji Nahas. Não fosse o governo federal e, à essa hora, teríamos mais um banho de sangue e violência incontida por parte da polícia militar de São Paulo, o estado onde o poder do estado é o mais violento dentro da federação.o

Violento contra usuários de crack, contra moradores de favela (incendiadas "misteriosamente" uma após a outra), contra ocupantes de latifúndios...

Deus me livre de São Paulo!!!

 
 
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Marco Vitis

Neste caso, a justiça está garantindo os direitos de Naji Nahas.

Noutros casos, a mesma justiça permite a impunidade aos crimes cometidos pelo mesmo Naji Nahas.

A justiça brasileira é ou não é o poder mais ordinário da República ?

A justiça brasileira respeita o "Artigo 5º da Constituição - Todos são iguais perante a Lei..." ?

 
 
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Preto Velho

Adivinhem de qual partido é o prefeito que atende pelo nome de Eduardo Cury que não mandou representantes à reunião para resolver o problema.  Exato, PSDB.

 
 
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rene

 

   e onde esta ( ou estão) os administradores do estado e do municipio ? de onde são; com quem se dão; o que fazem; ?

 
 
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Jossimar

Jogada esperta da criminoso Naji Nahas. Como o terreno estava mesmo perdido, deve ter soltado algum para alguem mandar retirar os invasores. Com o iminente confronto, o governo federal se compromete a comprar o terreno e o turco, ou o que quer que seja, embolsara uma graninha. olhe la se nao for superfaturada.

Pensando bem, pode ser que ele tenha comprado este terreno a preço de banana e com este plano ja em mente.

 
 
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José Antonio dos Santos

 A omissão da Prefeitura de São José é lastimavel e demonstra total desinteresse  em questões sociais. Enquanto os demais orgãos estaduais e federais estão buscando uma solução, a  parte que cabe a prefeitura: indicação da área para a instalação da Cidade  Legal não aconteceu, não ocorreu. A questão da cidadania não é prioridade para esta administração.

 
 
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José Antonio dos Santos

 A omissão da Prefeitura de São José é lastimavel e demonstra total desinteresse  em questões sociais. Enquanto os demais orgãos estaduais e federais estão buscando uma solução, a  parte que cabe a prefeitura: indicação da área para a instalação da Cidade  Legal não aconteceu, não ocorreu. A questão da cidadania não é prioridade para esta administração.

 
 
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Airton

Infelizmente, a alegria durou pouco. A (In)justiça retoma as rédeas do caso de desapropriação do Pinheirinho. Tão desagradável quanto a notícia do link abaixo é ler os comentários sobre a questão.

http://www.ovale.com.br/regi-o/justica-federal-derruba-liminar-que-suspendeu-a-reintegrac-o-de-posse-do-pinheirinho-1.207933   

 

 

 
 
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Dani Sumaré

  Ridículo favorecer a copa e não a moradia digna. Quem não sabe o real motivo desse total desinteresse do Estado de São Paulo.Apoio o pessoal do Pinheirinho até o final. Alerta a tdas as pessoas que vivem em uma ocupação. o ESTADO DE SÃO PAULO POUCO SE INTERESSA POR TODAS AS PESSOAS QUE NECESSITAM DE MORADIA E SÓ LEMBRAM QUANDO PRECISAM DE VOTO.

 
 

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