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Lições japonesas para a crise da EuropaEnviado por luisnassif, dom, 05/02/2012 - 07:23Por Paulo F. Do dinheirovivo.pt A lição do Japão para a Europa por Ricardo Reis No contexto da história europeia, a crise atual parece mero detalhe. O Velho Continente já passou por tantas guerras, euforias e depressões que uma mera crise económica e financeira não merece mais do que uma nota de rodapé na história europeia. No entanto, a história também ensina que é raro as pessoas aperceberem-se dos pontos de viragem na altura em que eles ocorrem. Há 30 anos, os japoneses estavam confiantes no futuro. O país crescia sem parar há décadas e a eficiência e cultura japonesas eram a inveja do mundo desenvolvido. Previa-se que em dez ou 20 anos, seria o país mais rico do mundo e os japoneses tinham uma voz ativa e respeitada na política internacional que era ouvida com atenção em qualquer importante debate. Internamente, a Bolsa estava em alta, os preços das casas subiam rapidamente e o Estado social era cada vez mais vasto. A partir de 1991, a situação mudou. Problemas que começaram no sistema financeiro espalharam-se a toda a economia que deixou de crescer. Os governos falharam na limpeza dos bancos, sem coragem para fechar ou recapitalizar instituições falidas. O banco central falhou por excesso de prudência não deixando que a inflação subisse em troca de algum estímulo à atividade económica. Os políticos falharam em controlar a despesa pública galopante, incapazes de dizer não a qualquer grupo de interesse. Como resultado, o Japão perdeu a década de 1990 e ainda hoje está muito abaixo do ritmo de crescimento económico a que estava habituado. Enquanto a economia teimava em não andar para a frente, o Japão deixou de ser uma potência com voz dominante nas relações internacionais. Quantos leitores sabem qual é a posição do Japão acerca das reformas do sistema financeiro internacional, do aquecimento global, ou do que fazer com a China? Das muitas intervenções militares internacionais na última década, em quantas é que o apoio do Japão foi decisivo? O Japão deixou de estar no centro das grandes decisões mundiais. A Europa está habituada a estar neste centro. Países como França ou o Reino Unido fazem desse estatuto parte da sua identidade como nação. Mas, tal como no Japão há 20 anos, uma crise do sector financeiro mantém a nossa economia estagnada. Como no Japão de outrora, os governantes recusam-se a admitir que várias instituições financeiras estão insolventes e a lidar com esse problema diretamente. Tal como nessa altura, as políticas monetária e fiscal podiam fazer muito mais. Cimeira atrás de cimeira, mantém-se a relutância em tomar qualquer decisão corajosa e bem pensada. Mantém-se o receio de ofender este ou aquele grupo, e escolhem-se sempre ajustes pequenos na esperança de que os problemas desapareçam por si. Alguns defendem mesmo abertamente que se forem precisos cinco ou dez anos de estagnação para corrigir desequilíbrios macroeconómicos e financeiros, talvez seja pelo melhor. O Japão mostra a consequência destas opções: por este caminho, a Europa vai em direção à irrelevância. Professor de Economia na Universidade de Columbia, em Nova Iorque
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Comentários + votados
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Adjutor Alvim
05/02/2012 - 08:46
Esta crise japonesa merece estudos mais aprofundados.
Não tenho grandes informações sobre ela mas o fato de ela ter sido desencadeada por um bolha imobiliária desperta minha curiosidade.
Nos EUA, a...
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urbano
05/02/2012 - 07:56
Verdade que o Japão deixou de ser noticia a respeito de crescimento economico mas por outro lado não parece que por la se instaurou uma economia de empobrecimento da população. Tem algo estranho...
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Verdade que o Japão deixou de ser noticia a respeito de crescimento economico mas por outro lado não parece que por la se instaurou uma economia de empobrecimento da população. Tem algo estranho nessa compulsão ao protagonismo Ocidental. Sera que a Europa não pode viver tambem com alguma "irrelevância"? seria otimo para os povos da Africa e do Oriente Medio seguidamente invadidos e subjulgados pelos europeus e usados como seu quintal economico.
Esta crise japonesa merece estudos mais aprofundados.
Não tenho grandes informações sobre ela mas o fato de ela ter sido desencadeada por um bolha imobiliária desperta minha curiosidade.
Nos EUA, a bolha imobiliária causou o baque que causou pq parte do consumo das famílias se baseava nos recursos obtidos como as hipotecas dos imóveis residencias.
Há um senso comum que os orientais são poupadores e não tomadores de crédito e eu tinha pra mim que o nível de poupança interna do Japão era enorme.
Até onde eu me recorde, houve campanhas do governo japonês de estímulo ao consumo interno numa economia fortemente voltada para exportações.
Repito não ter muitas informações específicas, mas parece-me que o Japão foi vítima da concorrência de seus vizinhos asiáticos insuflados pelo Tio Sam que fez investimentos pesados na Coréia do Sul a partir da década de 80.
Com mão de obra mais barata, Sony, Toyota, Honda estão sendo substituídas por LG, Hyundai, Kia.
A solução de desvalorizar o yen para garantir competitividade não foi permitida pelos EUA, amparados por suas inúmeras bases militares no Japão, fruto da vitória na Segunda Guerra Mundial, e que permitem aos norte-americanos uma influência direta no governo japonês.
É muito curiosa a afirmação do autor que "O Japão deixou de estar no centro das grandes decisões mundiais.". Antes da 2a. Guerra Mundial, o Japão tinha uma certa atuação regional, devido à expansão de sua capacidade militar durante sua revolução industrial. Depois disso, o país nunca mais teve nenhum tipo de protagonismo político, nem mesmo em questões econômicas, tendo governos absolutamente alinhados com Washington.
Tenho para mim que o grande motivo da estagnação japonesa foi justamente a ameaça econômica ao seu "protetor", os EUA. Ao senti-la, os norte americanos atuaram na politica interna do país "amigo" e investiram em outros países para promover um "outsourcing" industrial mais distribuído e menos dependente do Japão.
Adjutor Alvim @CasaTolerancia http://casatolerancia.blogspot.com/ https://www.facebook.com/BlogPoliticaAdjutor
Muito boa análise!
Sem sentido essas bases americanas no Japão e Alemanha até hoje.
http://www.rep.org.br/pdf/65-1.pdf (caso nao consiga abrir, procure no google crise japao 1990 ernani teixeira)
Achei este texto bem interessante.
Em resumo, foi feito um acordo internacional em 1985 para se ajustar o yen. A partir daí, o Japão perdeu competitividade externa e passou a implementar uma política interna expansionista onde através de operações financeiras e cambiais, empresas e famílias passaram a investir pesadamente em imóveis, ocasionando a bolha, e as empresas passaram a se preocupar em obter lucros financeiros e não-operacionais. Quando houve o estouro da bolha, houve perda patrimonial que acarretou diminuição do consumo, incentivado após 1985.
Ou seja, a bolha, mais que causa da crise, foi uma tentativa do governo japonês de manter o crescimento após. o ajuste cambial de 1985.
Adjutor Alvim @CasaTolerancia http://casatolerancia.blogspot.com/ https://www.facebook.com/BlogPoliticaAdjutor
dentro do raciocínio do Professor, seria bom éssa crise não estar no rodapé da história e sim no topo ocupado pelas guerras e euforias.
Crises de balanço são fomentadas pela expansão monetária desenfreada promovida pelos BCs motivada pela demanda de crédito dos bancos, sustentada por algum fato real (naquele caso, o aumento da produtividade das empresas japonesas), ávidos de enterrar dinheiro espúrio numa série de empréstimos cada vez mais estapafúrdios, pelo fato de se sustentarem em ativos superavaliados por causa da própria expansão monetária que infla os preços, e da expansão de crédito, que aumenta de forma fictícia o poder de compra da populaçāo, derivando em projeções de fluxo de caixa crescentes a perder de vista, totalmente erradas. Ao começarem a maturar os empréstimos, a natureza estapafúrdia dos mesmos aflora, e uma reação em cadeia se sucede, caindo todos esses empréstimos em default num efeito dominó. Quando o Estado é capturado pelo setor bancário, ao invés da falência do setor, o que temos é a transferência dessa massa falida para o Estado, através de mecanismos como swaps, recompra de carteiras de crédito, estímulos ao consumo, mais expansāo monetária, etc. O que o autor indica como prudência do BoJ ao "impedir" a volta da inflação como panacéia para a reativação, é um erro craso, pois nem que quisesse o Japão, sob essas circunstâncias, poderia conseguir esse feito: sem falências, mantendo os bancos zumbis vivos, o dreno da economia real para o setor financeiro impede que o dinheiro circule e inflacione o resto da economia. A deflação japonesa é fruto da inflação prévia dos anos 80's. Não é nos preços das latas de tomate que se reflete a expansão monetária, é nos preços dos ativos financeiros. Soma-se ao dilema japonês a taxa demográfica negativa, e temos hoje um Japão transformado num bicho a procura de um parabrisas. A Grécia está detonada, a Itália, a caminho disso, igual que a Espanha e Portugal. O Reino Unido, a França, e a própria Alemanha precisam do resto da Europa inteira e consumindo; sem esse mercado saudável, o futuro dessas nações também parece ameaçado. Os EUA rodam hoje déficits insustentáveis, em 3 ou 5 anos, estarão equiparados com a Itália, a menos que tomem decisões duras. Um novo mandato de Obama pode ser a saída, pois a impossibilidade constitucional de uma reeleição pode lhe dar a tranquilidade suficiente para adotar as políticas necessárias. Caso seja o GOP o vencedor, teremos mais 4 anos de enrolação por lá, com efeitos negativos a LP para a economia mundial. Os anos 10's não parecem fáceis.
Nassif,
Falando sobre o Brasil, nós também temos os nossos problemas e corremos o risco de voltarmos no tempo, quando eramos quase que exclusivamente exportadores de produtos básicos, se não agirmos estrategicamente em defesa dos interesses nacionais.
Veja, por exemplo, o comentário do professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, Márcio G. P. Garcia, em seu artigo “Riscos da Política Monetária”, publicado no jornal Valor, neste final de semana, onde faz uma análise da ata da última reunião do Copom, que prevê uma contínua queda da taxa Selic, face a atual conjuntura econômica nacional e internacional.
Ele disse que “(...) a explicitação pelo Copom de que a Selic deverá atingir um dígito reacendeu críticas ao BC na condução da política monetária, e de excessivo alinhamento aos desejos tantas vezes expressados por importantes figuras do governo ...”
Márcio Garcia, que escreve mensalmente para o Valor, concluiu o seu artigo dizendo que “os riscos para a concretização do cenário que suporta a estratégia do BC são frágeis e muitos, sobretudo se, frente à concretização de alguns deles, o Copom não estiver efetivamente disposto a aumentar a Selic.”
“Melhor seria voltar à tradição de cautela da política monetária, interrompida às vésperas da eleição presidencial de 2010” – aconselhou.
Pode-se perceber que mesmo com a queda de prestígio do neoliberalismo em todo o mundo, ainda assim seus defensores continuam a pregar seus fundamentos.
Não sou economista, portanto, não tenho o conhecimento necessário para refutar as considerações do Márcio Garcia.
Você e o Paulo Henrique Amorim são uns dos poucos que têm lutado contra esta corrente econômica. Acho que está faltando mais gente para ajudar vocês nesta tarefa de defesa dos interesses nacionais. Onde estão os nossos desenvolvimentistas que não colocam a boca no trombone?
Um abraço,
Helvécio Coelho
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