Laurindo Lalo Leal Filho sobre a TV Cultura

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#salveaTVCultura


Do Brasilianas.org


As recentes declarações do presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, sobre a necessidade de reestruturação e renovação na programação da TV Cultura, além das possíveis demissões, trouxeram à tona, novamente, a discussão a respeito da gestão das TV’s Públicas no Brasil.

Diante da exposição dos percalços da emissora paulista, uma série de questionamentos emergiu em meio às especulações sobre o futuro da TV Cultura. Comparações entre a formação histórica da TV Pública brasileira e os modelos criados, por exemplo, na Europa e nos EUA ganham espaço no debate e procuram levantar explicações para a crise.

Para o sociólogo e jornalista Laurindo Leal Filho, a TV Cultura “fica ao sabor das decisões do governo do momento”, não funcionando sob a lógica do investimento público. Em entrevista à equipe do Brasilianas.org, Lalo, como é mais conhecido, parte do caso da TV Cultura e investe numa reflexão que perpassa pelos principais problemas da gestão pública da comunicação no Brasil. “A TV Pública tem a obrigação e a missão de apresentar e de dar bons produtos de televisão pro público, e ao fazer isso, ela cria no público um novo conceito de televisão e esse público vai exigir da emissora comercial a mesma qualidade que ele vê na TV pública”. 

Confira, abaixo, a íntegra da entrevista:

Brasilianas.org - A TV Cultura necessitava passar por um processo de reformulação nos moldes decididos recentemente pela Fundação Padre Anchieta reduzindo, por exemplo, o quadro de funcionários?

Laurindo Lalo Leal Filho - A Fundação Padre Anchieta é um patrimônio da população do Estado de São Paulo, construído há várias décadas e que precisa ser preservado de qualquer maneira. A TV Cultura é, até hoje, o principal, o mais bem acabado modelo de TV Pública no Brasil. E ele – este modelo - não pode ser, de maneira alguma, ser destruído.

Eu tenho estudado a TV Cultura desde o seu início. Ela sempre passa sempre por fases difíceis em função das ingerências de governos estaduais sobre a administração. E nós estamos vivendo outra vez esse tipo de problema.
O Conselho Curados, da Fundação Padre Anchieta, tem muito pouca autonomia em relação aos governos do estado e acaba sofrendo esse tipo de ingerência.

B - E, isso se deve à questão orçamentária...

Lalo - ... A questão financeira deve ser vista sobre a ótica de que é obrigação do Estado investir numa televisão pública de qualidade. Porque, no Brasil, a televisão tem um poder muito forte na educação, na cultura, na informação das pessoas. A maioria da população brasileira, e mesmo no estado de São Paulo, se informa e se entretêm através da televisão.

Então, a Televisão Cultura não pode ficar sob a lógica do mercado, de que ela deve ser superavitária, sob a lógica de que os seus investimentos devem ser cortados de acordo com as orientações do governo do estado. Ela tem que ter autonomia financeira, deveria ter um orçamento garantido pela legislação do estado de São Paulo. Um orçamento que dê conta das suas necessidades.

O que não pode acontecer é se tratar um serviço público de rádiofusão como se o mesmo pudesse funcionar sob a lógica do mercado. Não. Eu tenho que funcionar sob a lógica do investimento público.

Assim, como é fundamental o governo investir em saúde, em educação, ele tem que investir em televisão pública. E, nesse sentido, é importante que os recursos sejam, fundamentalmente, do estado. Claro que você pode ter outras fontes alternativas, mas elas, no caso brasileiro, devem ser complementares aos orçamentos do estado.

B - E quais seriam os instrumentos financeiros das TVs públicas?

Lalo - Acho que a TV pública pode até, no máximo, ser mantida com algum tipo de financiamento de apoios culturais. Nunca publicidade, porque a publicidade desvirtua o papel da TV pública. Ela joga a televisão no mesmo saco das televisões comerciais. E, aí, ela passa a disputar audiência para conseguir publicidade. Em consequência disso, tende a abaixar a qualidade da programação.

No máximo, uma fonte alternativa seria a dos apoios culturais. Ou seja, uma determinada empresa patrocina um programa e o nome dela aparece como patrocinadora. Acho que esse é o limite máximo que a gente pode fazer de concessão para uma TV pública receber um auxílio externo.

Mas acho que, majoritariamente, tem que ser investimento público. Mas, investimento público gerido não pelo estado, gerido pela sociedade através, no caso da TV Cultura, de um conselho curador autônomo, independente, e não subordinado ao estado.

Infelizmente a TV Cultura, nos últimos anos, o Conselho foi cada vez mais controlado pelo mesmo grupo político, e hoje ele se curva as decisões do governo estadual.

B- O uso comercial do acervo da Cultura não ajudaria como fontes de recursos?

Lalo - Ela já faz isso. Mas é uma renda que atinge um percentual muito pequeno. Por mais que você invista nisso, em relação ao custo numa emissora, nunca vai passar dos 5%. É importante, mas não é suficiente.

B- Então, como você disse, os Conselhos não mudam...

Lalo - As mudanças são feitas, mas sempre em torno do mesmo grupo político. Não é que são os mesmos, eles têm uma alternância. O problema é que esses membros são escolhidos pelo próprio Conselho. Os representantes da sociedade são escolhidos pelo próprio Conselho. E eles acabam escolhendo pessoas alinhadas sempre com o mesmo grupo político.

Então, isso faz com que esse Conselho não seja, efetivamente, representativo da sociedade paulista. E ele tem um diálogo muito restrito com a sociedade. A sociedade tem dificuldade de ter acesso a esse Conselho, de se manifestar....de levar suas demandas.

Na verdade, um conselho curador tem que ser o canal da sociedade para junto da emissora. Esse Conselho [da TV Cultura] é muito distante da sociedade.

B- É possível dar exemplo de uma TV Pública que aproxime o Conselho da sociedade?

Lalo - Acho que a TV Brasil está indo bem nesse caminho. O Conselho da TV Brasil, da EBC, é bastante diversificado e as suas indicações, agora, são feitas através de consultas públicas. Na última renovação de três membros, havia sessenta e poucos indicados por setores representativos da sociedade, organizações da sociedade. Ele está caminhando para ser um conselho bastante representativo. E avança muito em relação ao Conselho da TV Cultura.

B - Qual foi a melhor gestão que a TV Cultura já teve?

Lalo - As gestões melhores são aquelas que o governo do estado se afasta e dá autonomia ao gestor. Então, em alguns momentos, por exemplo, no governo Montoro, nos anos 80, houve um certo afastamento e os gestores puderam criar mais, tiveram liberdade pra criar mais, pra poder diversificar, sem muitas interferências.

Um dos momentos melhores da TV Cultura foi entre o final dos anos 80 e começo dos anos 90, quando chegou a ter 12 pontos de audiência no Ibope, com sua grade de programação infantil, que até hoje é lembrada pelos adultos que eram crianças na época. Era uma referência de qualidade.

Aquilo mostrou que a TV Cultura, quando ela tem recursos, liberdade e competência... Porque é esse o trinômio, se você consegue juntar esses três fatores, a TV Cultura tem condições até de competir com qualidade pela audiência. No início dos anos 90 a TV Cultura chegou a dar 12 pontos de audiência no Ibope e obrigou as emissoras comerciais, o SBT, por exemplo, a mudar sua grade de programação infantil, a melhorar a grade de programação, porque estava perdendo pontos pra TV Cultura.

Então, veja a importância da TV pública, ela tem a obrigação e a missão de apresentar, de dar bons produtos de televisão pro público. E, ao fazer isso, ela cria no público um novo conceito de televisão, e esse público vai exigir da emissora comercial a mesma qualidade que ele vê na TV pública.

Então, não só produz e oferece programa de qualidade, mas acaba, como que quase um subproduto desse trabalho, fazendo com que a TV comercial também se veja obrigada a melhorar a qualidade da programação. Um bom investimento numa TV publica, dando a ela liberdade e trazendo profissionais qualificados, faz com que toda a televisão, no final, melhore.

B - O que o faltou para o Brasil ser uma BBC?

Lalo - Faltou uma política no início do rádio aqui no Brasil. Na década de 30, era quando era só rádio, faltou uma política de incentivo à rádio difusão pública. E se entregou esse setor da sociedade para a iniciativa privada.

Só foi se pensar efetivamente numa TV pública na década de 50, quando o Getúlio Vargas cogitou de criar a TV Nacional, dando um canal de televisão pra rádio nacional do Rio de Janeiro, mas ele sofreu uma carga brutal contrária de empresários que já tinham constituído suas emissoras que eram dominantes. E que são eles mesmos que estão aí até hoje, salvo o Chateaubriand, que faliu e morreu.

Como não houve, no início, um empenho do estado de impulsionar o rádio e a televisão pública, os empresários foram ocupando esse setor. E quando o Estado tenta voltar a ter alguma ação protagonista nesse setor, recebe uma carga contrária muito grande, porque os empresários não querem abrir mão do privilégio que é ocupar esse setor.

Na Europa foi o contrário, o estado, desde o começo, foi quem criou as emissoras. As emissoras públicas sempre deram a linha, a tônica, e só foram ter concorrentes privados agora a partir da década de 80, majoritariamente.

Aqui no Brasil o que ocorreu foi o inverso do que ocorreu na Europa. Lá a prioridade foi dada, desde o início ao serviço público. Aqui no Brasil, quando surgiu o rádio, com o Roquette Pinto, a ideia era fazer que nem a BBC, os ouvintes se quotizavam pra manter a rádio, que era a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.

A BBC também é assim, só que é assim até hoje. São os telespectadores e ouvintes que mantém, com uma taxa, o funcionamento dela, pra que tenha liberdade em relação ao estado e não dependa, também, da propaganda.

B - Provavelmente porque os governantes europeus já viam a comunicação como um quarto poder?

Lalo - Os estados já sabiam da importância, claro! Por isso já tinham que preservar a independência em relação a interesses comerciais, por exemplo. Agora, eles foram fazendo de tal forma que o estado criou, montou, mas abriu mão do controle.

O controle, em quase todos esse países, nas TVs Públicas, é um controle da sociedade. Como está se tentando fazer com a TV Brasil. Os conselhos são conselhos que saem da sociedade, não é o Estado que determina. Não é o Estado que impõe. O Estado às vezes até financia, mas ele não manda, não dirige. Quem deve dirigir é a sociedade através desses conselhos.

B - Acredita que o que ocorre com a TV Cultura, neste momento, é decorrência de falhas no gerenciamento na maneira como foram implementadas as programações, que poderiam não ser tão “atraentes”, ou o problema está restrito ao âmbito político...?

Lalo - Acho que são as duas coisas. De um lado, uma série de falhas nos últimos 15 anos em que o PSDB está no governo do estado de São Paulo, e que indicou sempre os seus gestores. A TV Cultura não conseguiu, nesses últimos 15 anos, o sucesso que teve anteriormente. São comportamentos que chamo de erráticos: vai por um lado, vai para o outro, tenta se popularizar...  Chegou-se a criar programas popularescos para atrair audiência. Ou então, sendo usado, nitidamente, pelo governo do estado pra fazer política, pra difundir os interesses do partido que está no governo.

A solução não é cortar, é o contrário. Porque a solução que se apresenta agora, é cortar tudo, pelo que estou lendo, é cortar salários, é cortar recursos...

Sendo que a solução é exatamente o contrário: é investir em equipamento, investir em tecnologia. Mas, principalmente, investir em capacidade, em competência profissional, em profissionais de qualidade  que existem nesse mercado e estão loucos pra produzir alternativas a essa televisão comercial que está aí.

E a TV Cultura tem, apesar de todas essas crises, um patrimônio físico, cultural e histórico, que não pode ser, de maneira alguma, jogado fora. É a televisão pública mais bem equipada do Brasil. A mais bem instalada do Brasil. Só isso dá condições pra ela de receber incentivos financeiros e receber impulsos criativos, e se tornar uma televisão imbatível do ponto de vista da qualidade.

Mas a solução, que está me parecendo, é a solução neoliberal de cortar, de reduzir, de enxugar. Quando a política pública que a sociedade necessita é de investir, de ampliar, de ousar, de criar...

B - Sobre essa dicotomia entre a cultura popular e a cultura erudita, não seria necessário mudar a programação para atrair as massas...

Lalo - Isso já ocorreu, quando o Alckmin era governador, as pessoas colocadas por ele lá [Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta] foram nessa direção, de fazer programas popularescos pra nivelar por baixo a TV Cultura. Quando o papel dela é jogar um pouquinho pra cima, em termos de qualidade, mas de uma forma atraente que faça com que o público vá gradativamente descobrindo que há uma alternativa na televisão. Não é pra ficar dando aula de alemão, nem fazendo alta literatura, mas é fazer programas musicais, até dramaturgia, seriados. Enfim, que atraiam o público também.

E já foi demonstrado de que, se isso for feito, há audiência pra televisão. Não é pra fazer nada erudito e que vá só atender uma parcela insignificante da população. Não é isso. Mas descobrir um meio termo entre isso e o que a televisão comercial faz. Você tem que ir além do que a televisão comercial faz, sem necessidade de ficar num gueto, que só algumas pessoas entendem e assistem.

Esse é o desafio da TV pública. Ela não pode ficar refém de índices de audiência, mas também não pode desprezar a audiência. Não pode ser refém do Ibope, como são as emissoras comerciais, mas também não pode desprezar esses índices, porque tem que levar em conta que trabalha com dinheiro público e esse dinheiro público deve ser usado pra atender os interesses da população. Se ela dá traços de audiência, não está atendendo os interesses da população.

A TV pública tem que trabalhar nesse limite, que é estreito, mas é fabuloso pensar que pode caminhar para uma alternativa que está aí, sem ser erudito, sem ficar no Olimpo, longe da realidade.

B- Até importante você ter falado disso, porque lembro de, em domingos, ter tentando assistir a programação da TV Cultura e ver programas de ópera... uma coisa muito rebuscada no horário da tarde...

Lalo - Você pode fazer perfeitamente um programa agradável, alegre, no domingo à tarde, já que o público brasileiro está acostumado a ver programas de auditório - porque é Gugu, Faustão, Silvio Santos, sempre a mesma coisa... - e perfeitamente fazer um bom programa de auditório, agradável, estimulante, sem cair naquela baixaria...

Dou um exemplo claro: a TV Bandeirantes colocou no ar um programa chamado 'É tudo improviso', nas férias do CQC, e agora estão colocando no ar, me parece que na terça-feira, umas 11 horas da noite... é um grupo de teatro que faz improviso, trabalha com humor mas improvisando sempre, mas de alto nível. Esse grupo se colocado numa TV pública, num domingo a tarde, estaria conquistando um público de telespectadores acostumados a esses programas de variedades, pra um outro nível de produção artística, até trazendo gente pro teatro, ou pra música mais elaborada. Enfim, é esse o desafio, buscar a partir do referencial que a sociedade se acostumou, algo a mais.

B - Audiência incomoda os demais canais que, por sua vez, podem pressionar as TVs públicas para não melhorarem a programação?

Um papel dos conselhos é defender a TV pública das ameaças da TV comercial. Porque se a TV pública começa a ter maiores índices de audiência, a TV comercial pode se adapta e melhorar para concorrer, ou começa a fazer pressões políticas sobre a televisão pra não deixá-la conquistar esses índices de audiência. Esse talvez é um dos maiores desafios.

B - Porque a questão ideal seria ajudar a transformar outros os outros canais, entretanto todos os outros canais, em vez de prezarem pela mudança...

...acabam exercendo pressões sobre o governo. Enfim, sobre quem tem algum tipo de poder sobre a TV pública pra evitar que ela concorra efetivamente pelos índices de audiência.

Talvez um dos maiores desafios que uma TV pública de qualidade tem a frente quando começa a melhorar, é enfrentar as pressões dos empresários das emissoras comerciais.

B - Existe algum exemplo da participação pública da sociedade além da TV Brasil?

Vou te dar um que conheço, mas que está em processo de formação que é a TV Pernambuco. Ela está sendo reestruturada e foram chamados pra reestruturação pessoas e movimentos que vêm há muito tempo trabalhando pela democratização da comunicação em Pernambuco. Eles fizeram um processo de 3 meses - terminou agora no começo de julho - de discussão da sociedade. Eu fui convidado e participei de um desses debates em que tinha 200, 300 pessoas discutindo o que esperavam de uma TV pública. Fizeram um projeto e entregaram pro governador, em julho. E é bem possível que até o final do ano eles passem a implementar esse projeto. Então há uma luz no fim do túnel. A TV Pernambuco é uma luz no fim do túnel e não um trem que vem no sentido contrário.

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13 comentários
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Roberto1

Procurei com alguma pressa e nada encontrei: alguém aí poderia dizer quantos funcionários trabalhavam na Cultura no final da década de 80 e durante a década de 90? E quantos trabalham lá agora? Digo, só os de carteira assinada. Informações sobre os PJ´s (evolução ao longo dos anos) também podem ajudar. Se vamos falar de qualidade/quantidade, acho que esta é uma informação importante que não vi citada em lugar algum.

 
 
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Carlos Alberto Oliveira dos Santos

Caro Roberto1

Não é tão simples a equação quantidade/qualidade. Nos últimos 15 anos, o desvio do foco da TV de produzir conteúdo perdeu espaço, por exemplo, para o uso da estrutura da TV para terceiros, aluguel de equipamento, estúdios, Rede Empresa, etc. Hj vejo muita gente na TV, mas nem todos trabalham para produzir conteúdo para a TV aberta. Para a grade da TV Cultura, somente para abastecer a grade da TV Aberta, é preciso analisar outros parâmetros. Sim, nos anos 80 e 90 vc andava pela TV e só encontrava pessoas produzindo programas para a TV, hj é uma bagunça!

 
 
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Tenório

A Cultura era a TV que fazia a melhor cobertura da FLIP, simplesmente um dos dois maiores encontros literários do mundo. Tinha inclusive um estúdio próprio montado para a festa, com entrevistas diárias com os principais convidados. Quando o "jênio" assumiu o governo, acabou-se o que era doce. Conversei com um amigo que trabalhava lá e ele, como muitos outros funcionários, ficaram pasmos.

 
 
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Donizeti - SP

Prezado Professor Lalo, o governo do PSDB em São Paulo está aplicando na TV Cultura a mesma receita clássica que aplica quando quer destruir um serviço público, como fêz o governo FHC de 1995-2002 para justificar a privatização das estatais brasileiras, entre elas a jóia da coroa, a Vale do Rio Doce e outras.

-A receita é conhecida:  precariza seu funcionamento, diz que é muito caro, não é sua função  e que não vale a pena ter esse serviço na mão do Estado, que o Estado não tem competência nem necessidade de ter esse tipo de serviço, etc,etc..

- Quem não se lembra da precarização dos serviços de manutenção da Petrobrás no segundo governo do FHC, quando os tucanos estavam preparando a Petrobras, (aliás PETROBRAX !)para ser privatizada?  Houve até afundamento criminoso de plataforma de petróleo, a P-36.

- O que está acontendo com a TV Cultura em SP sob governo dos tucanos há 16 anos, é o que acontecerá com todo o serviço publico federal no Brasil caso o nefasto tucano josé serra seja eleito presidente neste ano.   Não nos enganemos, o que está em disputa neste ano são dois projetos politicos excludentes, um que privilegia o capital, o interesse das elites e a exclusão social ( o Brasil governado para 30 milhões de brasileiros) e outro que privilegia o  bem-estar do povo todo, o desenvolvimento igual de todos os Estados da Federação e ao pleno respeito a cidadania e direitos de todos os brasileiros.

 
 
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jura

"A TV Cultura é, até hoje, o principal, o mais bem acabado modelo de TV Pública no Brasil. E ele – este modelo - não pode ser, de maneira alguma, ser destruído.

Eu tenho estudado a TV Cultura desde o seu início. Ela sempre passa sempre por fases difíceis em função das ingerências de governos estaduais sobre a administração. E nós estamos vivendo outra vez esse tipo de problema.
O Conselho Curados, da Fundação Padre Anchieta, tem muito pouca autonomia em relação aos governos do estado e acaba sofrendo esse tipo de ingerência."

É mais um que acha que o problema da TV pública no Brasil não está na falta de modelos e que a própria TV Cultura já foi esse modelo.

É mais uma prova de que não há choque de gestão que dê jeito em política ruim.

 
 
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hc.coelho

O certo é que o PSDB continua destruindo o patrimônio público. Das privatizações desvairadas só se podia chegar à tentativa de destruir o estado. Patrocinados pela imprensa golpista. É o que estão fazendo. A discussão sobre modelos de TV pública é atropelada por estes átilas, onde pizam não nascerá nem grama, do bem público. As redes de TV agradecem. Só isto. A maldição FHC.

 
 
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hc.coelho

Não é hora de discutir modelo de TV pública. No caso da Cultura de SP é preciso gritar: socorro!Chame o ladrão, como dizia o poeta.

 
 
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alfredo

O que vejo blindado nesse debate sobre a TV Cultura é o seu custo, sua folha de pagamentos para funcionários regiustrados e prestadores de serviços. Por que essa caixa preta se, afinal, a verba sai do estado, dos cofres públicos. Quanto custa , por exemplo, um Café Filosofico, um Metropole? Tem sentido programas enfatizarem exposições no exterior, o festival de |Cannes  e não dar relevância ao que ocorre no interior do estado de SP? E por que não ópera a tarde? Ou um tele teatro? ou um filme nacional, como tinha em certas épocas? Em 1969, e 1970 tinha o programa Cinema Brasileiro na TV, ao sabados a noite que exibia entrevistas e longas como Floradas na Serra (com Cacilda Becker), A Estrada e muitos outros, hoje esquecidos. Isso é divulgar cultura, assim como encenar A Ceia dos Cardeais. Não preencher o horário nobre de domingo com debate sobre futebol. Isso tem em outros canais. Nem chatices tipo Café Filosofico às 23h, e a meia noite um empolgante concerto0 sinfonico. É assim que vai se divulgar a música erúdita? A TV Cultura se acomodou em caminhos equivocados e caros em salários, custos, etc. 

 
 
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jura

O Café Filosófico é ótimo. Os programas sobre psicanálise eram imperdíveis. Pena que ficou tarde demais. Devem achar que filosofia só interessa para quem não acorda cedo no dia seguinte.

E não custa nada para a Cultura. A produção é barata e o patrocínio é da CPFL. Deve dar até lucro.

 
 
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Carlito

Caro Laurindo,

Clara e perfeita reflexão! Parabéns e obrigado!

 
 
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Carlos Alberto Santos

Quando a sociedade paulista pergunta o que aconteceu com a TV Cultura? Por que ela ficou cara e ineficiente? Por que ela não mais produz programas interessantes? O que aconteceu com a audiência? Caro paulista, atente para o que está acontecendo AGORA: uma mudança de gestão, mudança de foco, de intere$$e$, a mercê da má-vontade dos novos dirigentes. Isso está acontecendo há muito tempo, cada nova gestão tem sido um desastre para a TV Cultura. A piada que se faz é: será que depois desses caras virá alguém pior, mais incompetente... SIM, virá! Eles se superam! E assim tem sido. Então, caro paulista porque vc só levanta esses questionamentos quando o buraco está feito e o barco afundando? Como permitir que pessoas que não têm nenhum conhecimento de TV mexam numa grade de programação a seu bel prazer? Como o Sr. Sayad na sua primeira semana de gestão tira do ar programas que acabaram de estrear? Foi investido um bom dinheiro para implantá-los, como acabar assim? O que ele está propondo de novo, para substituí-los... NADA!!!! Como assim? Isso se chama DESMANTELAMENTO!!! Fico triste, porque estamos na cidade de São Paulo, no mais rico e alfabetizado estado de um país, onde, por incrível que pareça, o BURACO É SEMPRE MAIS EM CIMA!!!

 
 
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Mary A.S.

O que se observa depois de tantos anos de governo tucano em SP é um descaso com a TV Cultura, que não pertence ao Estado mas ao povo paulista. O descaso com a Cultura é mais um sinal de que  eles não têm compromisso com a melhora da informação e com qualquer outro modo de se produzir com qualidade e quem perde somos todos nós, que ficamos com pouquíssimas opções.

Além de debater o tema, o que mais é possível fazer para mudar o rumo tomado?

Nós precisamos de alternativas.

 

...Indo e vindo...Caminhando e cantando...

 
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José Maurício de Oliveira

Na última vez que trabalhei na TV Cultura, no século passado (rs...), lembro de uma informação que nunca tive a oportunidade de conferir: a Fundação Padre Anchieta, pela flexibilidade administrativa de que dispunha, seria responsável pela gestão da folha de pagamentos de corpos estáveis da Secretaria da Cultura, como a Sinfônica, por exemplo. Com isso, centenas de trabalhadores que não participavam das atividades necessárias à operação da rádio e da TV entravam na conta, alimentando a impressão de inchaço. Alguém confirma isso? Se for verdade, ainda acontece? 

Na época, fim dos anos 80, por falta de gente na produção, o pau comia para manter o padrão que nos impúnhamos, tanto na TV como na rádio. Fazíamos, por exemplo, um programa semanal de documentários, o Repórter Especial, que frequentemente exigia jornadas diretas de 48 horas ou mais dos diretores e editores na véspera de ir ao ar. E ainda tínhamos de ouvir que aquilo ali era um cabidão de empregos...

Tenho uma outra questão. Lembro de uma conversa com Roberto Muylaert e Roberto de Oliveira sobre o modelo de produção. Estava escrevendo o roteiro de um vídeo institucional para apresentar a emissora no Festival de Nova York, em que concorríamos em várias categorias, e um deles pediu para incluir a informação de que a TV Cultura produzia com meios próprios mais de 80% dos programas que exibia.

Propus que nem tocássemos no assunto. Já naquela época, a parceria com produtores independentes respondia por mais da metade da programação de emissoras como a própria BBC, inclusive no jornalismo. Além de facilitar a gestão, esse modelo parecia propiciar maior diversidade de formatos e conteúdos, mais abertura à inovação, entre várias outras características positivas. Vejo que, ainda hoje, estamos a anos-luz de algo parecido, não só na TV Cultura. Gostaria de saber o que o Lalo pensa a respeito.

Abraços indignados com a iminência de mais um desmanche político.

José Maurício de Oliveira
jornalista, roteirista e diretor de documentários e programas para TV

 
 

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