João Capiberibe e a pressão pela privatização

Por Eduardo Ramos

Nassif, assisti há pouco na TV Senado um depoimento emocionante e importante, do senador João Capiberibe, do PSB/AP,  sobre a empresa de energia elétrica do seu estado, o Amapá.

Quando governador, em meados dos anos 90, ele pegou a empresa endividada, e afirma ter sofrido fortes pressões para privatizá-la, o que se recusou, pois na época a empresa só atendia cinco municípios do estado, e o então governador achou que o estado deveria resolver esse e outros problemas de energia do Amapá.

Depois de levantar a empresa, que estava em condições precárias, fez um acordo com o governo Federal em 1999 (FHC), depois de, segundo suas palavras, "resistir ao cerco sobre o governo do Amapá, forçando-o à privatização". Nesse acordo, havia uma dívida de 130 milhões de reais, que seriam pagos em 96 prestações, com juros de 0,5% ao mês, e carência de 24 meses.

Em 2002, ano que saiu do governo para concorrer ao senado, o então governador Capibaribe foi instado a assinar um novo acordo com a Eletrobras, que não aceitava mais as condições do acordo anterior - o governador não entra nos detalhes jurídicos dessa questão.

Enfim, passados 10 anos desse segundo acordo, a dívida hoje está calculada em 1,6 bilhões de reais, sendo que o Amapá tem de receita anual 3 bilhões de reais. Diz o senador, que aceitar essa dívida é quebrar o seu estado.

Chamou-me a atenção o fato do senador falar duas ou três vezes, claramente, sobre pressões e cercos da eletrobrás e do Ministério de Minas e Energia, para que ele privatizasse a companhia, inclusive tendo a Eletrobrás SE NEGADO A AJUDAR O AMAPÁ COM MEDIDORES DE ENERGIA ESSENCIAIS AO SEU BOM FUNCIONAMENTO. Cita também, que a má gestão de 2002 para cá fez a dívida crescer além do devido.

Por fim, aparte do ex-governador do Piauí, Wellington Dias, no sentido de reafirmar que no Piauí e outros estados, houveram pressões imensas para a privatização das empresas de energia, e que, como governador, teve problemas por não ter cedido a essas pressões.

Fica caracterizado, pela palavra desses dois senadores, que o governo FHC foi sim, RADICALMENTE FAVORÁVEL ÀS PRIVATIZAÇÕES, com tamanha sanha, que chegava a pressionar os governadores para que seguissem e exemplo federal.  A quem interessaria essa sede toda, de privatizar tudo no Brasil? Com certeza, não ao povo do Piauí ou do Amapá. Devem estar melhor servidos, que nós cariocas, com a Light.

http://www.senado.gov.br/noticias/tv/videos/cod_midia_147309.flv     -    link do vídeo

Vídeos: 
Veja o vídeo
Nenhum voto
5 comentários
imagem de rizk_kattar
rizk_kattar

Será que eles fizerma este mesmo tipo de pergunta ao (pouquíssimos) habitantes quando se apossarm das ilhas lá nos oitocentos?

 
 
imagem de Rodrigo Medeiros
Rodrigo Medeiros

Deu no Valor Econômico, artigo de Maria Cristina Fernandes:

“Ônibus municipais são tradicionais concessões à iniciativa privada em governos de quaisquer colorações. Ninguém questiona que assim o seja, apesar de uma pesquisa do Ipea ter apurado que 50 milhões de brasileiros não usam transporte coletivo regularmente porque não podem pagar tarifa. Talvez não seja coincidência que um dos últimos prefeitos a tentar confrontar os concessionários municipais de transporte, Luiza Erundina, ter, há muito, deixado o PT. Useiro e vezeiro em propagar estelionato eleitoral e privatarias tucanas, é natural que o PT tema perder discurso e eleitor.”

A candidata Dilma (PT) disse em 2010:

http://youtu.be/WqlCjnv6aV4

 

 
 
imagem de Jotavê
Jotavê

Os tucanos nunca negaram que fossem favoráveis às privatizações. Reafirmam isso todos os dias. Hoje mesmo há um bom artigo do Mendonça de Barros na Folha elogiando a decisão do Governo federal de "privatizar" os aeroportos.

Quanto ao Amapá, é preciso analisar esse processo direitinho, no detalhe, e saber se essas empresas eram viáveis, ou estavam num processo irreversível de deterioração, exigindo investimentos que o governo do estado já não tinha condições de fazer. Se for isso, é uma questão de viés político: o PSDB (então no poder) não tinha obrigação nenhuma de cacifar com dinheiro público uma política contrária à sua pregação. Eles achavam (e continuam achando) que a solução era privatizar. Se João Capiberibe achava o contrário, que bancasse sua opção com dinheiro do estado que governava. Não vejo nada de errado aí.

 
 
imagem de Durvaldisko
Durvaldisko

Fisiologia  não é exatamente, privilégio do PMDB,tucanos   também  praticaram à larga. Afinal,  a genetíca   é comum aos dois partidos.Contudo, foram  mais além.Administrativamente e politicamente , São Paulo acima de tudo,depois seus correligionários e fornecedores.  Se Collor    governou o país   inspirado nas Alagoas, os tucanos  o imitaram,partindo  da paulicéia  modelo e  os  métodos  de gestão.

Adicionaram a condição de polo de desenvolvimento,incontestável   do estado, a centralização  federal de negócios de estado.Toda, a politica de privatização passou por ali desde  a bem sucedida   CSN até a fracassada Petrobrax Os cérebros da FIESP, produziam incessantemente. A  derradeira manifestação,bem sucedida ,extinção da CPMF,visava ,e  ainda, a ampliação do serviço privado de   saúde,via desmoralização ,do público. Portanto, privatização ,continua  sendo pauta  atual dos dissimulados  tucanos.

 
 
imagem de Ivan Moraes
Ivan Moraes

Em outro Brasil os Capiberibes seriam motivo de orgulho para a direita.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!