Fórum Social debate a crise, e soluções possíveis

Por Marco Antonio L.

Da Carta Maior

Cassen prevê longa crise européia; Garcia propõe 'solução argentina'

O jornalista francês Bernard Cassen, fundador do Diplô, e o historiador Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da Presidência, participaram de debate promovido pela Carta Maior, no Fórum Social Temático. Enquanto Cassen considerou que as medidas de austeridade não solucionam as raízes da crise, Garcia avalia que apenas um calote, como fez a Argentina, poderá colocar os europeus no rumo do crescimento econômico. Ele alertou, porém, que falava como "pessoa física", e não membro do governo brasileiro.

Porto Alegre - Os cortes de gastos públicos executados por governos europeus que enfrentam crises da dívida não resolverão o problema de solvência e uma nova "catástrofe financeira" pode ocorrer. No olho do furacão estão Grécia, Portugal e Espanha, mas outros países também correm riscos, como a França.

A opinião é do jornalista francês Bernard Cassen, um dos fundadores do Le Monde Diplomatique, que participou nesta sexta-feira (27) de um debate promovido pela Carta Maior no Fórum Social Temático. 

Cassen dividiu a mesa com o historiador Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, que sugeriu a "solução argentina" - ou seja, um calote - para as nações européias mais endividadas reativarem suas economias. Garcia ressaltou, porém, que falava como "pessoa física", e não membro do governo brasileiro.

Para o jornalista francês, medidas de austeridades como corte de pensões e salários não resolverão a crise porque ela foi criada por um "problema de receita, e não de gasto". "Nos últimos dez anos, os ricos tiveram seus impostos reduzidos e a renda do trabalho caiu em relação à do capital", explicou.

Com isso, as receitas do Estado não puderam acompanhar o aumento de despesas. O mesmo problema teria ocorrido nos Estados Unidos, durante a administração de George W. Bush. Cassen citou o artigo publicado em agosto de 2011, no The New York Times, pelo bilionário Warren Buffett, em que ele pedia aumento de impostos para os ricos e revelava que pagava menos taxas do que seus funcionários.

Apesar de alguns políticos europeus proporem mais impostos para os ricos, o jornalista francês acredita que é preciso avançar em temas estruturais para que seja encontrada uma solução para a crise. A principal proposta nessa linha, mas que, segundo ele, ainda é pouco defendida no continente, passa pelo rompimento com tratados europeus que garantem a livre circulação de capitais.

A França terá eleições nacionais neste ano e Cassen lamenta que os socialistas, que têm chances de assumir o poder, não assumam aquela bandeira. Durante o debate, ele apresentou outras propostas "de esquerda" que considera fundamentais para a superação da crise:

- impostos sobre a renda do capital iguais às taxas que atingem a renda do trabalho

- combate à fraude fiscal

- imposição de taxas a todas as transações financeiras

- proibição de movimentação financeira em paraísos fiscais

- taxação de produtos e serviços de países que não respeitem o meio ambiente e os direitos trabalhistas e sociais

América do Sul
Apesar da relativa blindagem da América do Sul, Marco Aurélio Garcia acredita que a crise européia baterá à porta, e não apenas na arena econômica. Para ele, a subordinação do poder público aos mercados financeiros é uma "gravíssima ameaça a democracia" e afeta o "imaginário democrático" que se tem por aqui acerca do projeto de integração europeu.

"Se em alguns países europeus a mudança de governo foi dada por eleições, em outros houve golpes de Estado, é claro que diferentes, através das agência de classificação de risco", afirmou. 

Companhias como Moody's, Standard & Poor's e Fitch são responsáveis por avaliar a solvência dos países e têm regularmente cortado as notas daqueles considerados de maior risco para os investidores. O resultado são taxas de juros maiores, que encarecem a rolagem das dívidas e prejudicam ainda mais as contas públicas.

Garcia vê "certa analogia" entre o que se passa na Europa e o que se viveu no Brasil nos anos oitenta, época da crise da dívida. Ele acredita, porém, que a solução mais lógica para resolver o problema europeu está no calote argentino, durante a crise entre 2000 e 2001.

"O modelo argentino de resolução de uma crise aguda é a única saída para países como a Grécia. Acredito nisso pelos êxitos que a Argentina colheu nos anos seguintes", disse o historiador, referindo-se ao acelerado crescimento econômico registrado pelo país.

O assessor da presidenta Dilma Rousseff considera que, hoje, a América do Sul caminha no sentido contrário ao da Europa, rumo a uma maior integração. Isso passa pela adoção pelos governos nacionais de políticas similares que aceleram o crescimento econômico, a fim de reduzir a pobreza e a desigualdade.

Ele ainda ressalta o papel do Brasil nesse processo. "Não queremos ser a Alemanha da América do Sul. Queremos, sim, ter uma relação solidária, não só por valores políticos, éticos e morais, mas também por inteligência estratégica. Não é possivel que a América do Sul tenha uma inserção importante no mundo se houver tensões como na Europa, onde a Alemanha tem um peso financeiro, institucional e jurídico muito forte", afirmou Garcia.

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6 comentários
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Luiz Augusto de Jesus Carvalho

A velha e falível receita empregada atualmente de corte de renda somente diminui o consumo e aumenta a renda dos ricos.

Sem circulação e distribuição, a miséria aumenta e a crise é agravada.

 
 
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Andre Araujo

Quando Davos dá palpite na politica economica dos paises perifericos acham ruim e agora querem dar paplpite

nos europeus? Querem  ensinar economia no continente de Keynes, Hayek, von Mises, Schumpeter, Pareto,  Ricardo, Adam Smith, Hume, Schacht, Baldor, Hirschman,  da Escola Austriaca, da London School of Economics, da Escola de Lausanne, dos mercantilistas, de Colbert, no continente aonde viu nascer a ciencia economica, o Banco Central, a Bolsa de Valores, os fundos de investimentos,  a letra de cambio, o papel moeda, a sociedade anonima, aonde já existiam bancos comerciais quando aqui os indios desfilavam de tanga sem nunca ter visto um homem branco?  Como diria minha bisavó italiana, é muita pretensão.

A proposito, a moratoria argentina, muito bem concebida e executada por Roberto Lavagna, aquele que os Kirschners querem apagar da historia, só foi possivel porque o Ministro Lavagna tinha credinilidade pessoal, um homem competente, serio e respeitado dentro da megacrise argentina, a moratoria  foi uma aula de boa operação de um problema, a Argentina não acabou, o mundo não acabou, mas querer comparar a Argentina e a importancia de seus numeros com o problema europeu, só na cabeça dos bagres do forum social de Porto Alegre, aonde todos os problemas do mundo são solucionaveis com meia duzia de discursos.

 
 
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Bruno

Andre,

aparentemente esses grandes teóricos da econonomia não ajudaram muito os europeus a evitarem estar onde estão, logo seu argumento não se sustenta. O fórum de Davos também acredita solucionar problemas através de palestras. Qual o problema de trocar idéias, só por que elas não combinam com as suas? Toda sugestão (e idéias) tem seu viés ideológico, não faz sentido criar uma guerra fútil por causa disso.

 
 
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Celio Mendes

"Quando Davos dá palpite na politica economica dos paises perifericos acham ruim e agora querem dar paplpite

nos europeus?"


E daí? Qual é o problema nisso? Só eles podem do alto de sua "çapiência" (com cedilha mesmo) dar lições ao mundo? Parecem que as lições de todas essas assumidades que citou não foram o suficientes para evitar que pisassem com força na m... Se fossem tão espertos não estariam na pindura que hoje se observa. Quem vive de glórias do passado é a nobreza que tanto admira, se as coisas fossem como quer seu tortuoso raciocinio os árabes deveriam dar lições a toda a Europa que se arrastava no lodo enquanto os mouros erguiam prédios monumentais, desvendavam equações algébricas e espalhavam sua religião pelo mundo. 

 

Srªs Senadoras e Srs. Senadores, a Transparência Internacional divulgou, nesta terça-feira, a classificação anual dos países mais corruptos do mundo, e a situação do Brasil, sob o império do “lulismo”, só piorou. Demóstenes Torres 08/10/2003

 
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aliancaliberal

Como funciona a "transferência de renda" das esquerdas na prática, o funcionalismo publico federal tem uma  arrecadação de só R$ 22,7 bilhões mas recebe R$ 73,9 bilhões.E ainda querem dar palpite para a europa.

A maior chaga social do Brasil.

O que é feito contra 20 milhões de aposentados da inciativa privada para preservar as benesses e os altíssimos salários de 1 milhão de servidores públicos inativos é a maior chaga social do Brasil. A perspectiva dos mais oobres é sempre crescer com o desenvolvimento do país. O aposentado privado, no entanto, só tem um horizonte: receber cada vez menos, ver o seu salário ser corroído ano a após ano.

 

Enquanto o déficit do INSS, que atende a mais de 20 milhões de aposentados da iniciativa privada, registrou queda em 2011, continuou crescendo o rombo na Previdência do setor público, com um milhão de servidores aposentados. Ao anunciar nesta quarta-feira que o déficit no regime do funcionalismo foi de R$ 56 bilhões em 2011, incluindo civis e militares, o ministro da Previdência, Garibaldi Alves, estimou que, mantido o comportamento dos últimos anos, ele deve superar R$ 60 bilhões em 2012. O governo estabeleceu como prioridade máxima, na volta do Congresso em fevereiro, a aprovação do projeto que cria o Regime de Previdência Complementar do Servidor Público da União (Funpresp). Mas o projeto acaba só com o déficit do servidor civil, que responde por R$ 25 bilhões a R$ 28 bilhões do rombo - a proposta não mexe ainda com a aposentadoria dos militares. Além disso, a criação da previdência complementar não reduz o déficit de imediato.

 

A estimativa de déficit de R$ 60 bilhões este ano considera projeção de elevação anual de 10% no déficit - em 2010, o dado consolidado mostrou déficit de R$ 51,2 bilhões, indo em 2011 a R$ 56 bilhões, embora o dado oficial do ano passado ainda não tenha saído. Para Garibaldi, a aprovação do Funpresp é importante para tornar o sistema "sustentável para o futuro": - É o maior déficit. Se o Congresso não chegasse a aprovar (o projeto do Funpresp), que vai, iria crescendo 10% ano a ano. O secretário de Políticas de Previdência Complementar do Ministério da Previdência, Jaime Mariz de Faria Júnior, confirmou ao GLOBO que os dados oficiais apontam para déficit de R$ 56 bilhões em 2011 e que há curva de crescimento de 10% a cada ano: - Mantendo, pode passar de R$ 60 bilhões este ano.

 

Mas a mensagem enviada pela presidente Dilma Rousseff com a proposta orçamentária, em agosto do ano passado, apontava montante bem inferior para cobrir o déficit da Previdência do servidor em 2012, na ordem dos R$ 50 bilhões. Em 2010, a despesa total com o regime previdenciário de servidores civis e militares da União foi de R$ 73,9 bilhões (R$ 52,5 bilhões dos civis, R$ 21,4 bilhões dos militares), com arrecadação de só R$ 22,7 bilhões (R$ 12,2 bilhões da contribuição patronal e mais R$ 10,5 bilhões da dos servidores) - o que gerou a diferença de R$ 51,2 bilhões. A pressa do governo em aprovar o Funpresp é porque a situação pode piorar: técnicos calculam que, em quatro ou cinco anos, haverá "boom" de aposentadorias, com 40% da atual força com condições de se aposentar. Mantidas as atuais regras, o déficit só aumentará. Hoje, são cerca de 955 mil aposentados para 1,1 milhão de ativos. Para o sistema não ser deficitário, o ideal eram quatro ativos (que contribuem com alíquota de 11%) para cada aposentado. Os militares são regidos por outro artigo da Constituição e não há intenção de mexer na questão agora. Para os técnicos, mesmo com o Funpresp a curva do déficit só passa a cair em 12 anos, com efeito positivo em 20 a 30 anos. Segundo a Fazenda, a economia será de R$ 20 bilhões em 2070. Em dezembro, foi feito na Câmara texto de consenso ao projeto que cria os fundos de Previdência Complementar do Servidor, mas acordo entre os líderes pôs a votação para fevereiro. (O Globo)

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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aliancaliberal

Enquanto a poupança real de uma economia — isto é, os bens liberados pela redução do consumo — estiver crescendo, tal processo será capaz de sustentar tanto as atividades produtivas quanto as não produtivas (aquelas atividades classificadas como 'bolhas').  O problema surge quando, em decorrência de políticas fiscais e monetárias expansivas, a estrutura de produção da economia é alterada: mais bens serão consumidos (e utilizados em processos de produção) do que produzidos.  Este excesso de consumo em relação à produção leva a um declínio no conjunto real da poupança.

Isto, por sua vez, enfraquece o sustento de todas as atividades econômicas, levando a economia a uma recessão.(O encolhimento do conjunto da poupança real expõe aquela falácia comumente aceita de que uma política monetária expansiva do banco central pode fazer a economia crescer).

Desnecessário dizer que, uma vez que a economia entra em recessão em decorrência da uma redução no conjunto da poupança real, quaisquer tentativas do governo ou de seu banco central para reativar a economia irão necessariamente fracassar.

Não apenas tais tentativas não irão restaurar a economia, como na verdade irão exaurir ainda mais o conjunto da poupança real, desta forma prolongando o declínio econômico.

Da mesma maneira, qualquer política que force os bancos a expandir os empréstimos, criando crédito do nada por meio das reservas fracionárias, também irá afetar progressivamente o conjunto da poupança real e reduzir ainda mais a capacidade dos bancos de fazer novos empréstimos no futuro. 

Afinal, a essência de um empréstimo é que haja poupança real, e não apenas dinheiro.  É a poupança real que impõe restrições à capacidade de empréstimo dos bancos.  (O dinheiro é apenas o meio de troca, o qual facilita a poupança real).

Observe que, sem que haja um crescimento do conjunto da poupança real, qualquer expansão creditícia feita pelos bancos irá apenas prejudicar seus balancetes, pois os empréstimos dificilmente serão quitados, o que levará a uma redução dos seus ativos e a uma consequente redução do seu patrimônio líquido (capital).

.....................

É a produção estupido, a PRODUÇÃO.

 

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 

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