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Filme raro com Nelson Rodrigues é redescoberto nos EUAEnviado por luisnassif, seg, 20/02/2012 - 23:10
Autor:
Ruy Castro
Por Gilberto Cruvinel
Da Folha.com - 05/02/2012
Nelson Rodrigues está no filme "Fragmentos de Dois Escritores", de João Bethencourt, redescoberto em 2011
"Eu procuro dizer o que sinto e o que penso. Isso é muito duro. O sujeito ter um mínimo de autenticidade. É preciso todo um esforço, toda uma disciplina, todo um ascetismo, toda uma paciência beneditina porque nós somos os falsários. O homem falsifica valores, falsifica gestos, falsifica sentimentos. O homem se falsifica pros outros, o homem se falsifica prá si próprio, de forma que o sujeito que consegue um mínimo de autenticidade, esse é um herói. E eu me sinto de vez em quando um pouco herói porque acho que conquistei esse mínimo de autenticidade. E não estou realmente ligando para o que digam agora de mim e para o que irão dizer depois. Eu acho que os cretinos contemporâneos e os cretinos do futuro se equivalem, portanto a posteridade não me interessa em nada. Se eu tiver de ser esquecido e creio que vou ser esquecido, digo, sem charme que morto esquecido é o único que realmente descansa em paz." Nelson Rodrigues O jornalista e colunista da Folha, Ruy Castro, trouxe em sua coluna "O menos esquecido", publicada no dia 21 de janeiro, a redescoberta de um filme raro sobre o escritor Nelson Rodrigues (1912-1980). Filmado em 1968, "Fragmentos de Dois Escritores" foi feito pelo dramaturgo João Bethencourt (1924-2006) e traz um pouco do dia a dia e entrevistas com Nelson e com o dramaturgo norte-americano Edward Albee. O vídeo foi achado pelo historiador da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Carlos Fico, no Arquivo Nacional do EUA. Segundo Ruy Castro, autor da biografia de Nelson ("O Anjo Pornográfico", Companhia das Letras), as imagens são valiosas porque trazem um escritor "magro, ágil e saudável". O que se distingue muito dos registros gravados no fim da sua vida, com um Nelson cansado e doente. Entre as cenas, vemos o jornalista em casa, de pijama; escrevendo seus textos na redação de "O Globo"; participando de uma mesa-redonda sobre futebol na TV Rio; entre outras. A descoberta chega no ano do centenário de nascimento do dramaturgo, que vai ser marcado por diversos eventos, com diversas montagens de suas peças, e uma homenagem da escola de samba Viradouro. O filme completo pode ser visto no canal "Brasil Recente", de Carlos Fico, no site You Tube. ****** # ****** Da Folha - 21/01/2012 RUY CASTRO RIO DE JANEIRO - Nelson Rodri gues, tão acurado em suas profecias, errou longe numa avaliação que, um dia, fez de si mesmo: "Tenho certeza de que serei esquecido. E não digo isso por charme. O morto esquecido é o único que descansa em paz". E não é que, por um longo momento, Nelson pareceu acertar? Quando morreu, aos 68 anos, em 1980, estava muito por baixo, situação que se prolongaria pelos mais de dez anos seguintes. Mas, desde então, foi não só redescoberto pela cultura brasileira, como implantou-se nela mais até do que em vida. E, ao contrário de outros heróis cujos centenários passaram quase em branco, o de Nelson, em 2012, será uma apoteose. Bem de acordo com a nossa escassez de memória organizada, suas raras imagens sobreviventes em vídeo, até há pouco, eram entrevistas dos anos 70, mostrando-o cansado, doente e envelhecido. A cabeça, sempre brilhante, mas a voz já estava arrastada, bovina. Para quem não o conheceu, era difícil identificar ali o homem que mudou o teatro brasileiro. Um vídeo surgido nesta semana na internet, "Fragmentos de dois escritores", recupera imagens de Nelson filmadas pelo comediógrafo João Bethencourt (1924-2006) em 1968, dadas como perdidas e localizadas pelo historiador Carlos Fico no Arquivo Nacional dos EUA. Que beleza de documento. Durante dez minutos, vemos um Nelson aos 56 anos, magro, ágil e saudável, em casa (de pijama, comendo a "papinha hedionda" que lhe aplacava a úlcera, enquanto sua mulher, Lucia, nina a filha Daniela, a "menina sem estrela"); em Ipanema, saindo para o trabalho; no "Globo", escrevendo com dois dedos e fumando Caporal Amarelinho; na "Resenha Facit", da TV Rio, dizendo frases que faziam João Saldanha gargalhar; no Maracanã; etc. É o Nelson que lembra seus personagens -e tão cedo não descansará em paz.
****** # ******
Vídeos: 1) Trechos do filme "Fragmentos de dois escritores", com Nelson Rodrigues. Este filme, bastante raro, foi feito pelo dramaturgo João Bethencourt (que chegou a lamentar que o filme estivesse perdido), patrocinado pelo Consulado dos EUA. João entrevistou Nelson e o dramaturgo norte-americano Edward Albee. Depoimento e cenas de Nelson Rodrigues tomando o famoso mingau contra a úlcera, escrevendo, assistindo Pelé no Maracanã e gravando a mesa-redonda sobre futebol na TV "A Grande Revista Esportiva Facit". A versão integral foi localizada no Arquivo Nacional dos EUA por Carlos Fico e será divulgada em breve pelo Brasil Recente. 2) Filme completo em duas partes.
Fragmentos de dois escritores
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De ontem prá cá foram desenterrados tesouros de Mário de Andrade, Chaplin e Nelson Rodrigues. Que continue assim
E quanto a NR, o autor era reacionário ou libertário?
Como o texto é muito grande publiquei no blog
http://www.advivo.com.br/blog/jose-carlos-lima/nelson-rodrigues-reacionario-ou-libertario
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Que relação podemos estabelecer entre Nelson Rodrigues e o modernismo?
Ele seria pós?
Esta pergunta no remetea ao Mutirão da Semana de Arte Moderna, quando pesquisamos a quebra da "normalidade" na arte, na literatura e outras áreas da cultura. A quebra do padrão teria se iniciado com o impressionismo e continuado com vários movimentos de vanguarda.
Sobre o pós em Nelson Rodrigues:
Sitedeliteratura
www.sitedeliteratura.cjb.net
Pós-Modernismo
O estilo chamado Pós-Modernismo ainda não é aceito por todos os estudiosos. Alguns acreditam que após a 2ª Guerra Mundial (1945) o tempo Pós-Moderno já seria uma realidade; para outros, ainda não saimos da Modernidade (e estaríamos vivendo uma 3ª fase do Modernismo).
Na literatura brasileira podemos perceber características que se diferem do Modernismo após a década de 50. Há uma intensificam dos traços Modernistas no Movimento da Poesia Concreto e Instauração-Práxis. A transição do Modernismo para o Pós-Modernismo "se evidencia no Tropicalismo e no Movimento do Poema-Processo. Os traços pós-modernos podem ser encontrados mais acentuadamente em alguns textos da poesia marginal e na prosa de determinados autores contemporâneos"1.
A poesia marginal é feita por jovens que buscam uma liberdade de criação e de palavras, além de uma liberdade editorial (pois publicam seus textos de forma artesanal ou em folhetos). "Por sua própria natureza, a produção 'marginal' ou 'independente' é bastante volumosa e diversificada, ainda que alguns de seus autores já tenham, em 1987, obras publicadas pelas editoras convencionais"2. Podemos ainda citar entre os movimentos de Vanguarda do Pós-Modernismo: o Neoconcretismo, a poesia ligada à revista Tendência, a produção poética de Violão de rua e os cultores da Arte Postal.
As principais características desse estilo são: intensificação do ludismo na criação literária, utilização deliberada da intertextualidade, ecletismo estilístico, exercício da metalinguagem, fragmentarismo textual, na narrativa há uma autoconsciência e auto-reflexão, radicalização de posições anti-racionalistas e antiburguesas.
Os principais autores desse estilo literário são: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Nelson Rodrigues, Adélia Prado, Autran Dourado, Augusto e Haroldo de Campos, João Ubaldo Ribeiro, Mário Quintana, entre outros...
1 - PROENÇA FILHO, Domício. Pós-Modernismo e Literatura. São Paulo: Ática, 1988. Pág. 52
2 - PROENÇA FILHO, Domício. Pós-Modernismo e Literatura. São Paulo: Ática, 1988. Pág. 62
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http://www.sitedeliteratura.com/Litbras/Pos_modernismo.htm
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Na minha opinião, o início do Pós-modernismo é a partir do começo dos anos 80, quando o modo de produção fordista é suplantado pelo toyotismo, a "revolução" conservadora de Reagan/Tchatcher, a desintegração do leste Europeu e o surgimento da Internet contribuem para isso.
Filmes como Blade Runner, Matrix, Pulp Fiction e Paris, Texas documentam esse processo, a arte deixa de ser um instrumento de vanguarda (início do séc.XX) e transformação social (anos 60 e 70) para virar subproduto de consumo e deturpação de valores (talvez Nelson Rodrigues se encaixa nesse contexto, mas sua genialidade o afasta do pós-modernismo).
O Pós-modernismo é pobre culturamente e prega um libertarianismo reacionário, se tornou símbolo da globalização neoliberal, do "Fim da História" e do mundo atual onde tudo é efêmero e descartável. As décadas de 80 e 90 marcam a transição do modernismo para o pós-modernismo, os anos 2000 marcam o auge da Pós-modernidade.
Com a crise de 2008, as perspectivas do Pós-modernismo começam a se restringir, o fracasso do livre-mercado desregulado e o retorno do capitalismo de estado marcarão o início de uma era. Resta saber o que virar por aí, seria um retorno ao modernismo? (o que não seria nada mal)
Der qualquer maneira, a transição será lenta...
Que maravilha ! - Thank you , brothers .
Pena que são poucas as cenas da lendária Mesa Redonda Facit....
Emocionam as cenas da mãe cantando para sua filha Daniela - que por complicações no parto teve paralisia cerebral que a deixou cega, em estado vegetativo por toda a vida . Quem leu ''O anjo pornográfico'' sabe que é o momento mais dramático da atribulada vida de Nélson.
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