FHC e a dificuldade de elaborar o discurso


Crer e perseverar
05 de fevereiro de 2012 | 7h 01
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Fernando Henrique Cardoso
Nas duas últimas semanas apareceram alguns artigos na mídia que ressaltam o silêncio das oposições como um risco para a democracia. É inegável que está havendo uma "despolitização" da sociedade não só no Brasil, mas em geral. O "triunfo do mercado" levou às cordas as colorações políticas. Parece que tudo se deve medir pelo crescimento do PIB. Nos países bem-afortunados, ainda que cheios de "malfeitos", não há voz que ressoe contra os governos. Nos que caem em desgraça sem terem feito a "lição de casa" - sem terem gerado um "superávit primário" -, aí sim, os governos em exercício pagam o preço. Caem porque são vistos como incapazes de assegurar o bom pagamento aos mercados. Não importa ser de coloração mais progressista ou mais conservadora. Caem sem que tenha havido um debate político-ideológico que mostre suas fraquezas eventuais, mas porque o rancor das massas gerado pelo mal-estar econômico-financeiro se abate sobre os líderes do momento.

O Brasil esteve até agora ao abrigo da tempestade que desabou sobre os mercados dos Estados Unidos e da Europa. Por mais que nossos governos errem, os decibéis das vozes oposicionistas são insuficientes para comover as multidões. Pior ainda quando essas vozes estão roucas ou preferem sussurrar. Como entramos em céu de brigadeiro a partir de 2004, tanto pela virtude do que fizemos na década anterior como pelos acertos posteriores e graças à ajuda dos chineses, fazer oposição tornou-se um ato de contrição.

Mas que importa? Também era assim no período do milagre dos anos 1970, durante o regime militar. A oposição nada podia esperar, a não ser censura, cadeia ou tortura. Não obstante, não calou. Colheu derrotas eleitorais e políticas, resistiu até que, noutra conjuntura, venceu. Hoje a situação é infinitamente mais fácil e confortável. Só que falta, o que antes sobrava, a chama de um ideal: queríamos reabrir o sistema político. Hoje o que queremos? Ganhar as eleições? Mas para quê?

Eis o enigma. Não faltam candidatos. Ainda recentemente, em conversa analítica que fiz com uma jornalista da The Economist, ressaltei que há vários, e não só no PSDB. Neste o mais conhecido e denso, José Serra, amadurecido por êxitos e derrotas, não conseguiu deixar clara em 2010 sua mensagem, embora tenha obtido 44% dos votos. O isolamento em que sua campanha ficou, dadas as dissonâncias internas do PSDB e as dificuldades para fazer alianças políticas, impediu a vitória. Se o candidato tivesse expressado com mais força as suas convicções, mesmo desconsiderando o que as pesquisas de opinião indicavam ser a demanda do eleitorado, poderia ter sensibilizado as massas.

Quem sabe por este caminho se decifre o enigma: falar à sociedade, com força e veemência, tudo o que se sente, inclusive a indignação pela corrupção, pela incompetência administrativa e, sobretudo, pelo escândalo de uma sociedade que se faz mais rica com um governo que distribui muito pouco, faz propaganda do que não concretizou inteiramente e coloca no altar os "vencedores", mesmo quando estes ganham à custa do dinheiro do povo, que paga impostos cada vez mais regressivos.

Outro, mais óbvio provável candidato, graças à posição eleitoral dominante em seu Estado e ao seu estilo de fazer política, Aécio Neves, está em fase de teste: transmitirá uma mensagem que salte os muros do Congresso e chegue às ruas? Encarnará a mudança com a energia necessária e o desprendimento que é o motor da ousadia, arriscando-se a dizer verdades inconvenientes, e aparentemente custosas eleitoralmente, para que o povo sinta que existe "outro lado" e confie nele para abrir perspectivas melhores?

Refiro-me aos dois por serem os mais cogitados no momento. Não são os nomes que importam agora, mas a disposição de correr riscos e de sair da armadilha da briga partidário-eleitoral para entrar na grande cena da opinião pública e - façamos a distinção - da opinião popular. É evidente que o governo, qualquer governo, leva vantagens, principalmente desde que o lulopetismo instalou a regra de que tudo vale para manter o poder: clientelismo, propaganda abusiva, uso continuado da máquina pública, etc. Entretanto, também no regime militar o governo levava vantagens. Mas nós lutávamos não para ganhar no dia seguinte, mas para criar um horizonte de alternativas.

A elucidação do enigma requer perseverança e coragem. Eu ganhei duas eleições no primeiro turno contra Lula porque tinha uma mensagem: a da estabilização da economia com o Real e o início da distribuição de rendas. Mesmo sem propagandear, a pobreza deixou de atingir mais de 15 milhões de pessoas com a estabilização dos preços e a política de aumentos reais do salário mínimo, que começou em 1994. Não foi fácil ganhar os apoios para pôr em ação o Plano Real, precisei brigar muito. Lula ganhou porque pregou, no início no deserto, ser ele o portador da mensagem que levaria a um mundo melhor. Perseverou, rodou o Brasil, abandonou a tribuna parlamentar e, no começo, desprezou a mídia. Mostrou-se audacioso, desprendido e generoso. Se sinceramente ou não, é outra questão: a Carta aos Brasileiros está à disposição dos historiadores para que julguem. Mas o povo acreditou.

É esta a verdadeira questão da oposição, e deveria ser a preocupação dos pré-candidatos: mergulhar nos problemas do povo, falar de modo simples o que sentem e o que se pode fazer. Sem meias palavras e sem insultos. Sem falácia, com muita convicção. Politizar a cena pública para assegurar a democracia. Dizer quem é bom, ou melhor, o que é bom e o que é mau. Mas dizer nas universidades, nas organizações populares, nas associações profissionais, nas pequenas e médias cidades. Preparar nelas a mensagem - o discurso - para mais tarde falar com credibilidade na grande cena nacional.

Quem o fizer terá chances de ser o candidato da oposição e, eventualmente, ganhar as eleições. Isso independe de manobras de cúpula, simpatias e interesses menores.

Não se pense que nossa realidade será sempre o que hoje parece ser: uma sociedade conformada, legendas eleitorais disputando mordomias no dá-cá-toma-lá entre governo e congressistas e a voz do governo a tonitruar como um trovão divino, a que todos se curvam prestimosos. É só mudar a conjuntura e a cena muda, se a oposição apresentar alternativas. Mesmo que não mude, nada deve alterar nossos valores e convicções. Continuemos com eles, pois "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". 

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84 comentários
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Mario Blaya

sempre uma boa leitura, pode-se discordar de um ponto aqui outro acolá, mas o texto e bom! 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
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Adjutor Alvim

Sem dúvida, brilhante texto.

Faz uma crítica profunda e consistente do atual governo:

"clientelismo, propaganda abusiva, uso continuado da máquina pública, etc"

Dá um fantástico direcionamento político à oposição:

"...mergulhar nos problemas do povo, falar de modo simples o que sentem e o que se pode fazer. Sem meias palavras e sem insultos. Sem falácia, com muita convicção. Politizar a cena pública para assegurar a democracia. Dizer quem é bom, ou melhor, o que é bom e o que é mau. Mas dizer nas universidades, nas organizações populares, nas associações profissionais, nas pequenas e médias cidades. Preparar nelas a mensagem - o discurso - para mais tarde falar com credibilidade na grande cena nacional."

Agora, vc poderia me extrair do texto alguma medida concreta que o ex-presidente está sugerindo?

 
 
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Marcia

Nada.

O  discurso  de FHC é vazio.

 
 
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Gunter Zibell - SP

Sem contar que, mesmo que saibamos dos problemas do clientelismo (como ministérios alocados por partido, projetos dilapidados no Congresso, etc), comparar um governo com plena liberdade para críticas e inédita preocupação social com o regime militar beira uma inconsequência.

Semana passada escrevi no meu sub-blog aqui um comentário do porquê eu acho que não será nada fácil a tarefa de FHC em 2014. convido os colegas a lerem.

http://advivo.com.br/blog/gunter-zibell-sp/2014-ainda-mais-dificil-para-o-psdb

"... e responsabilizava José Serra pela derrota de 2010."

Aqui e ali vemos essa explicação para o 3º insucesso do PSDB em eleições presidenciais. Mas há controvérsias. Esta frase relata a hipótese de que o PSDB teria reais perspectivas de vitória para eleições presidenciais em 2010, que faltou "um pouco" (6%) e que Serra foi o obstáculo. Fico com a sensação que um auto-engano vem sendo realimentado.

Porém, há a hipótese alternativa, pouco explorada.

As coisas não andavam boas (para o PSDB) para essa eleição. O cenário era claramente continuista (como sói ser no Brasil e em qualquer lugar quando não há um problema grave em pauta), pesquisas espontâneas mostravam uma vitória do campo governista desde o início de 2009 (antes até do nome Dilma surgir, do nome Ciro sair da disputa, da novela em torno de Aécio.) Após o começo da campanha pela TV (agosto/2010) as perspectivas eram de vitória de Dilma em 1º turno.

A obtenção de 8 governadores deu-se de modo bem mais apertado que em 2006. Exceto MG, nos demais estados ficou-se com até 56%, ante resultado mais folgado anos antes. O decréscimo no número de deputados e senadores evidencia uma redução na expressão da sigla (mas o grande beneficiário não foi o antagonista PT, que recuperou/repetiu o desempenho de 2002, antes foram outros partidos como PP, PMDB, PSB.)

 

Não havia um programa do PSDB para o governo federal, nem uma ideia melhor em qualquer aspecto mais relevante. O partido precisava manter os dois principais governos estaduais e fez o certo para esse fim, não se opondo visceralmente ao governo federal. Serra até que se esforçou em realçar ou inventar algumas diferenças (muito pouco críveis seus discursos de "indução cambial" ou “governos sul-americanos contrabandeando drogas”, mas vá lá.) Aécio iria se apresentar tão continuista e conciliador que, como candidato principal, com ou sem Ciro, sumiria frente à candidatura "de marca" (a "não genérica".) E qualquer debate evidenciaria isso. Na pior das hipóteses para o PT, Lula se licenciaria para fazer campanha. E muito provavelmente é assim que será em 2014 (com Aécio apenas acumulando visibilidade para 2018, ajudando na eleição de governador de MG e mantendo a cadeira de senador.) Aécio, se candidato como vice, também não alteraria a correlação de preferências e de rejeições e ainda dificultaria ou impediria a estratégia de Serra que foi até (eleitoralmente) bem sucedida.

Se Serra logrou 44% (vis-a-vis os 41% de Alckmin no 1º turno de 2006) foi justamente, por esta leitura e paradoxalmente, em função da campanha “horrível”. O crescimento não se deu nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, apesar do apoio midiático (nesses estados o desempenho de Dilma foi muito pouco menor que o de Lula em 2006), mas nos estados menos desenvolvidos (incluindo interior de MG) onde a propaganda pelo "promessômetro" poderia ter mais apelo. Misturaram-se aqui mensagens subliminares de cunho religioso, boatos de última hora e conseguiu-se em vários estados de Norte/Nordeste tanto um resultado 50% maior que em 2006 no 2º turno como que parte dos votos se dirigisse à candidatura com menor rejeição (Marina), empurrando-se a eleição para 2º turno.
A estratégia de “desconstrução” do adversário, principalmente quando é um nome ainda pouco lembrado, usando-se de artifícios até pouco éticos, pode dar certo (como de fato muitas vezes dá e até resultou na postergação da campanha e ajudou em eleições estaduais – vide algumas eleições apertadas para governador e senador.) Mas tem um problema : ela é indicada para eleições de apenas um turno, daí seu uso comum nos EEUU.

Fizesse Serra uma campanha “bonita”, não haveria 2º turno, ficaria tão distante de Dilma quanto Lula ficou de FHC em 1994 (outra situação em que um ministro-chave de um governo bem avaliado se elegeu frente a um nome reconhecido.) Como optou-se por um “tudo ou nada”, foi assim possível chegar aos 44 milhões de votos que, no entanto, obtidos de modo tão artificial, assemelham-se muito mais a uma miragem que a um patrimônio (ao contrário de tantas especulações de M A Villa.)
O aprendizado que fica é que, sem programa e sem propostas melhores que as em andamento, não se convence o eleitor por muito tempo. Também na ausência de uma crise o eleitor fica ressabiado com mudanças, mesmo que se as prometam. Em 2014 Dilma já será um nome bem reconhecido e uma desconstrução sem fundamentos não dará certo. Não há modo da economia no Brasil caminhar pior que a do mundo nestes próximos anos, com tantas obras a inaugurar, com tantas cartas a jogar (qualquer coisa que o governo faça, como aumento na oferta de crédito, proteção à indústria, melhoria na gestão, redução no aperto fiscal, será claramente pró-cíclica.)

Uma outra questão é que, apesar disso ser contrário às expectativas dos setores mais conservadores do Brasil, o governo de coligação dos últimos 9 anos governou, de fato, como uma continuidade (melhorada) de um projeto centrista e liberal, como uma social-democracia “à antiga”, mas avançando ativamente na correção de imensas distorções em questões sociais (às quais o PSDB enquanto governo anterior poderia e deveria ter dado atenção.) Não houve nenhuma mudança significativa no arcabouço jurídico e tributário, mas uma utilização (bem mais) engenhosa do orçamento e atuação dos ministérios com vistas à inclusão e ao desenvolvimento do mercado de massas. Fosse o governo federal do PSDB no período a partir de 2003 (provavelmente) teria havido um aproveitamento da valorização de matérias-primas para uma redução de carga tributária e a manutenção de um modelo econômico um pouco mais concentrador. Mas o ponto fulcral é que a gestão atual não é exatamente fácil de contestar “pela direita”.

Ainda que haja atualmente, no nível federal, vários aspectos de gestão, segurança e modelo tributário a melhorar, pouco uma oposição conservadora poderá oferecer de melhor, ainda mais em um mundo que permanece questionando os modelos neoliberais, em que as economias melhor sucedidas estão sendo as “capitalistas de estado”. Os grandes problemas do Brasil, como a dificuldade do Estado em reduzir gargalos de infraestrutura, a necessidade de se contrapor à valorização da moeda em função de demanda por matérias-primas (e com o Pré-sal vindo), a precariedade em educação e saúde, a ainda muito presente (e histórica) questão fundiária, todos possivelmente receberão propostas e oposição do que se costuma chamar “campo de esquerda”. Ou, pelo menos, proposições não-ortodoxas.

Como o PSDB poderá lograr resultados melhores em 2014 se...

... parte dos quadros não se pode opor assertivamente ao governo federal pelos interesses regionais;
... campanhas eleitorais negativas terão menor repercussão (ou haverá espaço para um fenômeno como “Jânio Quadros/UDN 1960” no futuro próximo?);
... os maiores espaços para questionamento do governo estão no campo diametralmente oposto;
... não há um sentimento oposicionista a captar na maioria dos segmentos empresariais (a não ser o evidente setor de comunicações);
... o candidato “óbvio” não estará disposto a um arrivismo eleitoral inconsequente, posto que pode ganhar muito mais à frente com uma postura apenas de jogador participante...

Como mudar um cenário ainda tão continuista? Quem se iludirá?

 

Tutu, Zapatero, Cristina, Hollande, Obama já deram o recado : não vote em quem não se declarar favorável ao Casamento Gay

 
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Sergio Saraiva

Sabe Gunter, fiquei um pouco entristecido com esse texto do FHC.

Sempre o considerei, e ainda considero, um argumentador brilhante, com recursos intelectuais raros entre os nossos políticos. Isso não significa concordância mas sim reconhecimento.

Esse texto, no entanto, está pobre. Não parece ser de FHC. Foi fácil lê-lo e perceber as falácias nele contidas. Isso me entristece.

Gostaria de um FHC analítico do momento atual, encontrei um FHC malandro velho ou envelhecido.

 
 
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Adjutor Alvim

Concordo inteiramente. Parece que ele foi pressionado pelo PSDB para retratar-se da entrevista ao The Economist. Ou seja, ao invés de conseguir exercerinfluencia positiva sobre o partido, está tendo que aderir ao discurso obscurantista. 

Será que foi o Álvaro Dias que escreveu o discurso?

 
 
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Eduardo Ramos

Gunter, seu texto é de uma lucidez impressionante! Também penso que a campanha de Serra não "errou", no sentido de tentar dar-lhe a vitória a qualquer preço. Se erro houve, foi ético, mas não no sentido pragmático do caminho a ser percorrido para a vitória. Nisso, você tem razão plena: o PSDB produz um auto-engano. Sua expressão "campanha bonita" é adequada: se Serra a tivesse utilizado, de fato, não haveria segundo turno. Sabiam disso! Por isso as baixarias... Diante de uma candidata apoiada pelo presidente mais popular da história, eles tinham que tentar desconstruí-la, e em alguns bolsões lograram êxito, ou Marina não teria crescido tanto, nem o próprio Serra.

Sérgio Saraiva, também concordo com voce, é um FHC "menor" que escreveu esse texto, defende mais uma vez seu governo, fica em cima do muro em relação ao que havia antes afirmado sobre Aécio ser o melhor candidato, agrada Serra, apesar do ataque cruel que sofreu do Villa(Serra) - o que pode até ser entendido como um gesto de grandeza, pôr o partido acima de si mesmo... - mas seu erro maior, para mim está aqui:

"O Brasil esteve até agora ao abrigo da tempestade que desabou sobre os mercados dos Estados Unidos e da Europa. Por mais que nossos governos errem, os decibéis das vozes oposicionistas são insuficientes para comover as multidões."

Imitando o Gunter: Mais um auto-engano! 1 - O Brasil não esteve ao abrigo da tempestade, AUTOMATICAMENTE! Ações de governo construíram o abrigo do país.      2 - Quando ele fracassou em seu segundo mandato, os "decibéis da oposição" - Lula! - se fizeram ouvir... Estes mesmos decibéis, tornam-se débeis, JUSTAMENTE pela fraqueza que foi seu governo, e porque gritos vazios, mesmo com bom marketing por trás, não derrubam um governo que está dando certo. Ou você traz propostas ainda melhores, ou o máximo que poderá fazer é o que você, Gunter disse: conseguir ARTIFICIALMENTE, ampliar a quantidade dos votos, mas, SEM CONSISTÊNCIA!

 
 
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Filipe Rodrigues

O problema Eduardo é que o PSDB não se reconheceu em 2010, o partido desde sua existência sofreu muitas mutações (Iniciou social-democrata, quando governou o país já era liberal, na oposição ao governo Lula estava na centro-direita e hoje flerta com o fascismo).

Aposto que FHC, que apesar dos erros e defeitos, nunca fez política de baixo calão, por isso tenha votado na Marina e Dilma, não era esse o PSDB que ele sempre prezou (um partido de propostas e debate inteligente), Serra já tinha dado prova de seu veneno quando tirou Aécio da disputa.

Se o PSDB de Serra está distante ao de FHC, o que dizer de Montoro e Covas?

 
 
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Filipe Rodrigues

A estratégia da eleição plebiscitária conduzida por Lula em 2010 foi despolitizadora, pois favoreceu muito mais a oposição (Marina no 1º turno e Serra no 2º), não ajudou a eleger a Dilma no 1º turno e impediu um crescimento expressivo dos partidos de esquerda no parlamento (por aí que se conduz reformas estruturantes, dependendo da correlação de forças).

Lembrem-se que Serra teve 33% no 1º turno em 2010 (a pior votação de um candidato tucano desde 94).

 

 
 
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Eduardo Ramos

Mas, Filipe, a Dilma de fato tentou manter um DEBATE, quem partiu para as baixarias, as bolinhas de papel, os ataques reacionários sobre aborto, etc., inclusive com a ajuda de setores da igreja católica e evangélica, foi o Serra. Lula queria sim uma eleição "plesbicitária" como você diz, mas nunca sugeriu que isso excluísse o debate político de idéias. Abraço!

 
 
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Filipe Rodrigues

Mas a Dilma não é política, o seu discurso é muito tecnocrático.

 
 
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armando botelho

Ó que que voce quer ? Ele deu a introdução, o candidato que vier que toque a caixa , solte as velas e leve o barco. Estão no ar as cordenadas , este foi o objetivo do FHC , com certeza de cima dos seus oitenta anos viveu a cena politica Brasileira em vário atos , alguns como ator principal e outros como figurante , muitas das vezes vilipediado e agredido pela ala agressiva do PT , sobreviveu e ai esta para contribuir de alguma forma para o Brasil .

 
 
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Marcelo Sobral

O FHC tem uma lábia incrível, e aposta na falta de memória das pessoas. Tudo o que ele escreveu nesse texto me faz recordar os governos dele. Então independente dele estar certo em muitos pontos colocados, é muita cara-de-pau apontar o dedo para outros governos quando o dele se primou por essas práticas.

Por outro lado, o FHC tem esvaziado seu discurso por ficar martelando no problema da corrupção. Que existe é inegável, e que está entranhada nos mecanismos políticos e incansavelmente busca penetrar na administração pública (e privada também), não há dúvidas. Por isso a corrupção se combate com vigilância constante, transparência, e punição dos criminosos. Mas isso não basta para se criar um país.

Imagine que o problema da corrupção estivesse resolvido, e todos os administradores e políticos fossem exemplarmente honestos. Esse corpo impoluto precisaria governar o país, tomando decisões que moldariam seu futuro, além de resolver problemas mais imediatos (cuidar do dia a dia). Com base em que tomariam suas decisões ? Que futuro para o país eles veriam ? Que questões estratégicas tomariam suas mentes, para debaterem e buscarem consensos ? Que problemas enxergariam no país, e como sentiriam que deveriam resolvê-los ? Essas e outras questões vão muito além do problema da corrupção ... na verdade, acredito que sejam mesmo indiferentes a ele !

 
 
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Renato1

Vc sempre tão crítico de tudo e agora escreve que um texto insosso desses é bom??!!!

O Ex a falar bem de si mesmo (já que ninguem fala, né?..) e a repetir as mesmas críticas vazias de sempre ao governo do PT que mesmo repetidas 1000 vezes nao convenceram o povo brasileiro, mesmo com a máquina de propaganda --travestida de jornalismo-- colossal da grande mídia por trás.

Tudo isso pra convocar seus aliados --somente eles e mais ninguém!!-- a tirarem seus traseiros da cadeira e arrumarem algum discurso consistente, para além da propaganda midiática.

Fora que com esse papo mole o Ex dá uns passos pra trás no que disse dias atrás e recoloca o Serra no páreo da corrida presidencial. Ou seja, mais um capítulo da novela da masturbação político-eleitoral do PSDB, partido queridinho da grande imprensa e dos interesses alienígenas no Brasil. Ambos fatos inconfessáveis.

Assim não dá! A gente merece uma oposição e oposicionistas melhores, com mais conteúdo, menos hipócritas, ou com mais talento, para além de "um rostinho bonito".

Att

 
 
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Marco Antonio L.

Excelente texto, adorei. Mais uns, no mínimo, 20 anos, garantido, do espetacular governo LULA/DILMA. Maravilha.

 
 
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augusto2

Critica formal aos mercados. (porque no mundo real, o circulo dele fiel vassalo dos proprios)

critica facil a propaganda politica  do governo. [Imagine, se com essa Midia golpista e unissona o governo nao contraatacasse, pelo menos  no ''atacado"?]

É simples, sr FHc, os senhores perderam a oportunidade de servir ao povo pobre, de criar uma politica verdadeira, e com algum pe e cabeça pra eles.

Agora, dentro da democracia, voces vão encontrar espaço politico onde?

Uma sugestão: aliem-se a extrema esquerda, tambem programaticamente. Que tal?

 
 
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Wilsoleaks Alves

Texto bom pra tucano e seus sequazes!

FHC compara os Governos Progressistas de Lula/Dilma com a ditadura militar e o texto é bom?

O PT chegou ao poder através das urnas não das armas, mantém-se no poder apesar da mídia não por causa dela.

Outra coisa importante: o brasileiro conhece o PSDB/DEM e é isto que torna o PT praticamente imbatível, não apenas o bem estar social.

Tucano fazer apologia à honestidade é o mesmo que Naji Nahas ingressar no MST.    

 
 
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Clever Mendes de Oliveira

Mario Blaya (segunfa-feira, 06/02/2012 às 00:25),
Costumo dizer que entre entre um texto de Fernando Henrique Cardoso e um texto de Lula, desde que o de Lula não seja um texto de Luiz Dulci, eu prefiro o texto de Fernando Henrique Cardoso.
Agora em relação a este texto de Fernando Henrique Cardoso "Crer e perseverar" eu tenho as minhas dúvidas. Vale por repetir o discurso dele presente no livro "Autoritarismo e Democratização" o que significa que ele não esqueceu o que escreveu. Só que está com perda de memória recente, pois o texto dele desmente o que escrevera em outro texto mais recente que saiu na revista Interesse Nacional intitulado "O Papel da Oposição".
Assim, estou mais disposto a concordar com o que diz o seu candidato a respeito de Fernando Henrique Cardoso.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 06/02/2012

 
 
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Wilson Melo

Um texto na medida para o Blaya Unvergänglich. Tão fútil quanto.

 

No habsburgo dos outros é refresco.

 
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Fernando Curi

Blaya...aqui, no Blog, decidi que você é meu herói.

 

"Tudo me é lícito mas nem tudo me convém" Contra o Preconceito e a Discriminação, o repúdio e a Lei.

 
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Kid Prado

"... Como entramos em céu de brigadeiro a partir de 2004, tanto pela virtude do que fizemos na década anterior como pelos acertos posteriores e graças à ajuda dos chineses, fazer oposição tornou-se um ato de contrição. ..." (FHC)


Big Brother Blaya


O Sebastião Lazzaroni, treinador da seleção de 90, disse uma coisa semelhante quando o Felipão ganhou a Copa de 2002 (pela virtude do que fizemos na década anterior, bla, bla, blá).


Existem uns trollmentaristas aqui no Nassif que ora me lembram o Chaves, ora me lembram o Kiko, mas não chegam nem a prof. Girafales....

 

Kid Prado

 
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Briguilino

Pesquisem: " A Ofélia da política brasileira" e encontraram?...

 
 
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MRE

Sempre em cima do muro !

Disse e desdisse. É uma pena ver um "intelectual" sem a sabedoria que a idade de 80 anos deveria produzir - ir direto ao ponto, sem orgulho e vaidade, e reconhecer que o Brasil mudou e deve continuar mudando e não vai ser com um antiético José Serra que alcançaremos este objetivo.

 

MRE

 
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Diogo Costa

O PSDB não tem absolutamente nada a oferecer ao povo brasileiro. São os representantes incontestes do atraso, do preconceito, da subalternidade, do elitismo, do neoliberalismo e da mediocridade. São incompetentes política, econômica, social, financeira e economicamente. São unha e carne com a mídia golpista e venal deste país, mídia essa que compram em todos os estados que governam, calando a voz de toda e qualquer oposição.

 

O PSDB é apenas um acidente na história da vida política brasileira, nunca foi um partido social democrata, nunca teve ligação orgânica com os movimentos sociais ou com os sindicatos. Sua ligação orgânica sempre foi com o atraso financista, com os neoliberais neocolonizados e teleguiados por idéias falidas oriundas de Washington. FHC se elegeu graças à Itamar Franco e ao seu Plano Real. Se reelegeu depois de comprar a reeleição em 1997 e graças ao populismo cambial que desabou em janeiro de 1999. Sem a mídia venal e o plano real de Itamar, os tucanos não passavam de Santo André...

 

O que o PRP, perdão, a UDN, digo, o PSDB propõe de diferente do PT? Todas as suas propostas diferentes do PT são de cunho autoritário, regressivo e na contramão do novo mundo que emergiu depois do colapso de 15 de setembro de 2008. O PSDB não tem absolutamente nada de novo (e de bom) para mostrar ao povo brasileiro... Aliás, quando é que teve?

 

Diogo Costa

 
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Ivan Moraes

"Nas duas últimas semanas apareceram alguns artigos na mídia que ressaltam o silêncio das oposições como um risco para a democracia (...) "triunfo do mercado" levou às cordas as colorações políticas (...) tudo se deve medir pelo crescimento do PIB. Nos países bem-afortunados, ainda que cheios de "malfeitos", não há voz que ressoe contra os governos":

Ok, agora eh oficial.  Ele ta gagah.  Alguns de nozes gostariam muitissimo que a verborreia diarreica das "oposicoes" fechassem a matraca de vez em quando.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Luiz Vieira

PSDB contrata empresa para atualizar dados de filiados em São Paulo

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,psdb-contrata-empresa-para-atualizar-dados-de-filiados-em-sao-paulo,831802,0.htm

com essa mania de terceirizar tudo, acabaram terceirizando o governo federal pro PT....

 
 
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motoboy

as conjunturas vão continuar mudando prá melhor seu urubú olho-gôrdo incompetente falastrão lesa pátria!

 
 
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Fr@ncisco

E o príncipe ensinando a oposição a...

"...mergulhar nos problemas do povo (delegado à PM), falar de modo simples o que sentem e o que se pode fazer (delegar a Serra). Sem meias palavras e sem insultos (a Arthur Virgílio). Sem falácia, com muita convicção (a FHC). Politizar a cena pública para assegurar a democracia (à Globo e associadas do Millenium). Dizer quem é bom (fácil, o Jeremias), ou melhor, o que é bom e o que é mau (delegar à Mônica Serra, Bispo de Guarulhos e pastor Malafaia). Mas dizer nas universidades, nas organizações populares, nas associações profissionais, nas pequenas e médias cidades (e nos "Pinheirinhos"). Preparar nelas a mensagem - o discurso - (delegar a Reinaldo e Merval) para mais tarde falar com credibilidade na grande cena nacional (Alvaro Dias, no JN)."

Não é lindo, Bial?



 
 
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antonio francisco

Pô!

Comentário pai d'égua!

Parabéns!

 
 
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Clever Mendes de Oliveira

Fr@ncisco (segunda-feira, 06/02/2012 às 01:11),
Que cajadada, hem!
Clever Mendes de Oliveira
BH, 06/02/2012

 
 

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