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Etiqueta iraniana, por Samy AdghirniEnviado por luisnassif, qua, 22/02/2012 - 07:28Por biblu Do Blog de Samy Adghirni, da Folha.com Após meia hora num taxi ziguezagueando pelo caótico trânsito de Teerã, chego ao meu destino. Como não existem taxímetros por aqui, uso meu mísero farsi para perguntar ao motorista quanto devo pela corrida. “Seja meu convidado”, responde o sorridente velhinho. Finjo que não entendi. “Não precisa pagar”, insiste o senhor. Eu poderia ter dito “muito bem, obrigado” e descido do carro. Mas já havia sido alertado sobre os exageros pró-forma dos bons modos iranianos. Quando deixo claro que tenho pressa e quero pagar logo, outra surpresa. O tiozinho agora quer 10 tománs, o dobro do que eu já paguei pelo mesmo trajeto. Tento dizer que o preço é absurdo, mas meu farsi é insuficiente. Repito em voz cada vez mais alta a única frase que sei dizer numa situação como esta: “khub nist, khêili bad”, algo como “isto não é legal, isto é muito mal”. Consigo baixar para 8 tománs, que arranco da minha carteira e jogo em cima do painel, mas saio do táxi possuído de raiva. Como alguém é capaz de passar da gentileza à patifaria em segundos? Malandragens à parte, é preciso tempo e paciência para decifrar os códigos sociais no Irã. Todas as condutas interpessoais, na rua, entre amigos ou no escritório, são norteadas pelo taaruf, a etiqueta da hospitalidade e amabilidade. Às vezes, é só conversinha. Noutras, generosidade sincera. O difícil é identificar cada caso. O taaruf determina que um comerciante recusará várias vezes o pagamento da mercadoria antes de aceitá-lo. É um acordo implícito entendido por todos: “eu digo que não precisa pagar até você me forçar a aceitar o dinheiro”. No restaurante japonês mais badalado de Teerã, o garçom também disse que o jantar era por conta da casa. O taaruf geralmente vem com uma carga de poesia que soa estranho para qualquer ouvido ocidental. Ao recusar o dinheiro, o dono da loja dirá coisas como “sou pequeno diante de sua presença” ou “você está me honrando”. Mas vai ter que pagar. No trabalho é comum um funcionário novato trabalhar sem receber por semanas antes de tratar de salário com o patrão. E se eu elogio o novo relógio de um amigo iraniano, ele provavelmente o tirará do pulso para oferecê-lo. É evidente que não posso aceitar. Isso dito, existe aqui uma verdadeira cultura de hospitalidade e delicadeza no trato. Ao saber que eu hospedava visitas do Brasil, a proprietária do apartamento onde moro apareceu com um delicioso prato de arroz e frango com açafrão que ela mesmo, médica atarefada, cozinhou por horas. Nos meus primeiros dias em Teerã, me perdi na rua quando ia a um compromisso. Só me achei graças a um iraniano que, sem cobrar um centavo, ligou do próprio celular para a pessoa que me esperava para conferir o endereço. Nas famílias mais humildes, é comum o anfitrião dormir na sala para ceder o próprio quarto ao convidado. Não se chega na casa de alguém de mãos vazias.
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Comentários + votados
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walter araujo
22/02/2012 - 08:04
Tenho muitos anos de vida, idos e vividos,
como disse Machado de Assis em seus versos
à Carolina e posso atestar que esse comportamento
não é tão incomum aquí por nossas brasilidades.
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Maria Luisa
22/02/2012 - 08:11
Certa vez, numa escola de administração para executivos, ouvi de um professor que é comum jornalistas, executivos, homens de negocio e até presidentes de paises, partir para o outro lado do...
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Fabio SP
22/02/2012 - 08:15
Resumindo... povo é povo em qualquer lugar do mundo.
Agora, político... ainda não sei qual é pior...
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Aline Cristina Pavia
22/02/2012 - 08:59
Provei todas as comidas que me ofereceram na Alemanha. Inclusive a saborosíssima Paulaner à sombra da Catedral de Frankfurt. Todos os meus anfitriões me acharam "gentil" e "generosa" por provar - e...
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baarbaaraa
22/02/2012 - 09:14
"Malandragens à parte, é preciso tempo e paciência para decifrar os códigos sociais no Irã. Todas as condutas interpessoais, na rua, entre amigos ou no escritório, são norteadas pelo taaruf, a...
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Elder
22/02/2012 - 11:44
etiqueta iraniana e falsidade são sinonimos. iranianos são muçulmanos e muçulmanos são todos iguais. extremamente simpáticos, até que voce contraria eles. ai bichão, a coisa pega. tem que fugir pra...
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Cláudia Stefani
22/02/2012 - 13:19
É porque não vai muito brasileiro para lá. Deixa começar a aparecer pacote do Brasil para o Irã e quero ver se eles vão continuar com essa graça de não cobrar logo de cara.
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walter araujo
22/02/2012 - 14:46
Pronto, Elder, você já esgotou sua carga
de preconceitos para o resto do mes.
A esse respeito, e talvez de outros,
não precisa mais se manifestar.
Demo-nos por satisfeitos.
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ibiblus
22/02/2012 - 15:40
como assim. brasileiro é pernicioso. brasileiro não respeita costumes culturais locais. brasileiro é lixo sulamericano. qualé. vá te catá, oh, idiota.
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junior50
22/02/2012 - 20:25
Existe uma lei básica que rege a sociedade: Um IGNORANTE como vc. demonstra que é, atrai com sua IGNORANCIA, pessoas iguais a vc. - outros completos IGNORANTES, portanto a todos os...
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Morales
22/02/2012 - 13:42
O seu relato é tão honesto e despido de preconceitos que eu até acreditei que os muçulmanos que vieram ao Brasil e contactaram você não tinham a mínima ideia que nem você e nem o Brasil eram...
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Débora Szczesny
22/02/2012 - 15:13
Samy Adghirni é meu primo e é muçulmano. Tenha cuidado com o que fala e conheça mais as pessoas antes de criticar a sua religião, amigo.
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Tenho muitos anos de vida, idos e vividos,
como disse Machado de Assis em seus versos
à Carolina e posso atestar que esse comportamento
não é tão incomum aquí por nossas brasilidades.
Certa vez, numa escola de administração para executivos, ouvi de um professor que é comum jornalistas, executivos, homens de negocio e até presidentes de paises, partir para o outro lado do mundo sem se informarem o suficiente sobre costumes locais. Segundo ele, um belga, os lugares que costumamos a cometer as maiores gafes são a Asia, o Oriente Médio e a India.
Resumindo... povo é povo em qualquer lugar do mundo.
Agora, político... ainda não sei qual é pior...
Provei todas as comidas que me ofereceram na Alemanha. Inclusive a saborosíssima Paulaner à sombra da Catedral de Frankfurt. Todos os meus anfitriões me acharam "gentil" e "generosa" por provar - e apreciar - a culinária local. O apfelwein e o grüne Soße que eles servem não costumam agradar a todos os paladares.
Em Jerez na Espanha, no dia em que cheguei o recepcionista do hotel não carregou minha bagagem ao quarto. Em compensação, após 1 semana de muito trabalho e estudo, os três recepcionistas se despediram de mim com abraços e desejando breve retorno, principalmente após eu declarar que era apaixonada por futebol. Foi lá que aprendi que após "gracias" eles dizem "vale!", depois de escutar isso várias vezes acabei me acostumando.
Basta um pouco de paciência e educação, e principalmente atenção ao outro, que qq pessoa se dá bem em qq lugar. Ou seja, civilidade. E nada de frescura. Provar as culinárias locais é uma forma de gentileza. A história dos povos também pode ser contada pela gastronomia.
"Malandragens à parte, é preciso tempo e paciência para decifrar os códigos sociais no Irã. Todas as condutas interpessoais, na rua, entre amigos ou no escritório, são norteadas pelo taaruf, a etiqueta da hospitalidade e amabilidade. Às vezes, é só conversinha. Noutras, generosidade sincera."
Algumas vezes me sinto assim no Brasil. Belo relato o seu, Samy. Viu o filme "a Separação"?
etiqueta iraniana e falsidade são sinonimos. iranianos são muçulmanos e muçulmanos são todos iguais. extremamente simpáticos, até que voce contraria eles. ai bichão, a coisa pega. tem que fugir pra não ser linchado. sei disso porque já tive o desprazer de interagir com alguns estrangeiros muçulmanos. eram a mesma coisa que o sujeito muçulmano do artigo, de aparencia simples, discurso manso, gestos humildes... que descambaram pra agressão gratuita só porque eu disse que não compartilhava da mesma religião que eles. sorte minha que todas essas conversas foram no brasil, onde muçulmano não canta de galo. tivesse sido em algum pais islamico, uma hora dessas eu já taria enforcado, executado por blasfemia. não sei como tem gente (principalmente dita esclarecida, como a desse blog) que ainda defende essa raça.
O seu relato é tão honesto e despido de preconceitos que eu até acreditei que os muçulmanos que vieram ao Brasil e contactaram você não tinham a mínima ideia que nem você e nem o Brasil eram islâmicos.
Pronto, Elder, você já esgotou sua carga
de preconceitos para o resto do mes.
A esse respeito, e talvez de outros,
não precisa mais se manifestar.
Demo-nos por satisfeitos.
Samy Adghirni é meu primo e é muçulmano. Tenha cuidado com o que fala e conheça mais as pessoas antes de criticar a sua religião, amigo.
Existe uma lei básica que rege a sociedade: Um IGNORANTE como vc. demonstra que é, atrai com sua IGNORANCIA, pessoas iguais a vc. - outros completos IGNORANTES, portanto a todos os esclarecidos, só resta dedicar a vc. e a todos os IGNORANTES, que algum dia (que creio que nunca chegue), vc. deixe de ser IGNORANTE.
P.S.: sou contra a denuncia no blog, pois é muito interessante a analise sobre o que ruminam os IGNORANTES.
junior50
Ora,
Eu defendo todas as raças que conheço com muito vigor:
Dá pra defender a raça Rotwailer;
Dá pra defender a raça Lhasa Apso;
Dá pra defender a raça Husk Siberiano;
Só não gostava muito do pequenês e acho complicado também é defender a raça Elder...
"Tudo que é demais, é muito meu filho" - Uma senhora muito velhinha do interior de Goias.
É porque não vai muito brasileiro para lá. Deixa começar a aparecer pacote do Brasil para o Irã e quero ver se eles vão continuar com essa graça de não cobrar logo de cara.
como assim. brasileiro é pernicioso. brasileiro não respeita costumes culturais locais. brasileiro é lixo sulamericano. qualé. vá te catá, oh, idiota.
Boa questão Cláudia, de quem é ônus de se precaver com as práticas locais? Na minha humilde opinião é o dinheiro que decide, para um lado na Diney, para outro em uma aldeia não catequisada Yanomani.
Follow the money, follow the power.
conversinha mole do autor da postagem , parecida com a do senador que disse que o garçon que o atendia , deixou o emprego para receber bolsa familia , ele esta usando estereótipos culturais com segundas intenções , a coisa não é bem assim como ele descreve.
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