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Esporte e política, por Dave ZirinEnviado por luisnassif, sex, 03/02/2012 - 08:32
Por implacavel
Do Brasil de Fato Meu nome é Clay? Qual é meu nome, idiota? Entrevista com o cronista Dave Zirin sobre o livro que tem como personagem central Muhammad Ali, que completou 70 anos esta semana Igor Ojeda
Muhammad Ali, o atleta mais polêmico de sua época “Se eu ganhasse um dólar por cada coisa que há de errado no esporte, Bill Gates seria meu mordomo”, disse certa vez o cronista esportivo estadunidense Dave Zirin. Vivendo em Washington, capital dos Estados Unidos, Zirin se diferencia da imensa maioria dos colegas de profissão por seu estilo contestador. Critica o esporte como negócio e seu uso por políticos oportunistas. Sobretudo, abomina a mídia esportiva de seu país que, de tão corporativa, “diminui os esportistas que expressam opiniões políticas”. Segundo ele, nunca houve espaço nos jornais para demonstrações de resistência, ou para manifestações radicais no setor esportivo. São histórias muitas vezes escondidas, “pela mesma razão que a maioria das histórias de radicalismo nos EUA está escondida”. Mas Zirin se propõe a trazê-las à luz. Pela editora Haymarket Books (www.haymarketbooks.org), lançou o livro What’s my name, fool? Resistance in the United States (em tradução livre, Qual é meu nome, idiota? Esportes e resistência nos Estados Unidos). Na obra, resgata exemplos de resistência no esporte desde o começo do século 20 até os dias atuais. Exemplos como o de Marvin Miller, pioneiro na conquista de benefícios, pensões e melhores condições de trabalho para jogadores de beisebol na década de 1960. Ou como o de Jackie Robinson, primeiro negro a ingressar na liga profissional de beisebol, em 1947. Ou ainda como o de Pat Tillman, jogador de futebol americano do Arizona Cardinals que, apesar de voluntário para lutar no Afeganistão depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, recusou inúmeros convites do governo para fazer comerciais incentivando o alistamento. Mas, principalmente, exemplos como o de Muhammad Ali, campeão mundial de boxe que está semana completaria 70 anos e que, nos anos 1960, criou comoção nacional ao aderir à luta dos negros estadunidenses e ao movimento antiguerra – e que, além de tudo, inspirou o título do livro. Mas essa é uma história para o próprio Dave Zirin contar. Brasil de Fato – Esporte e política podem vir juntos? Devem vir juntos? Por quê? Dave Zirin – O fato é que esporte já é muito político, queiramos admitir ou não. Os políticos usam o esporte como uma boa oportunidade de foto e também durante os ciclos eleitorais. Estádios foram construídos nos EUA com dinheiro dos contribuintes. O Pentágono tem acordos comerciais com todas as grandes ligas para estimular o recrutamento: as Forças Armadas são um dos maiores patrocinadores das ligas de beisebol e futebol americano. Lembre-se que esporte, nos EUA, é um negócio de 220 bilhões de dólares, mais lucrativo que o aço estadunidense. É um processo muito político. O meu objetivo com o livro é lembrar a tradição radical nos esportes para se contrapor à “política de sempre” nas ligas profissionais. Por que o seu interesse por esse assunto? Eu amo esportes. Sou um enorme fã da arte, da competição e da beleza nas disputas atléticas. Mas estou cheio e cansado de que os jogos que amo sejam usados como instrumentos para uma agenda que acho repulsiva. Que tipo de agenda? Por exemplo, o ufanismo e a transformação da mulher em objeto. Que tipo de leitor você pretendia atingir com seu livro? Atletas, pessoas de esquerda, fãs de esportes em geral? Eu queria que esse livro fosse lido por fãs de esportes que odeiam política e ativistas que odeiam esportes. Parece que vem cumprindo as duas metas, o que é muito excitante. Você disse em uma entrevista que seu livro é sobre histórias escondidas de resistência. Por que essas histórias foram escondidas? Elas estão escondidas pela mesma razão que a maioria das histórias de radicalismo nos EUA está escondida. Os EUA têm uma enorme tradição de lutas laborais, anti-racistas, batalhas contra opressão e por justiça social. O problema é que a mídia esportiva estadunidense é tão corporativa que sobra muito pouco oxigênio para contar a história esportiva de um povo. Foi muito difícil pesquisar para o livro, já que as histórias são secretas?
Atletas fazem um gesto típico dos Panteras Negras Foto: Divulgação Algumas histórias foram muito difíceis de trazer à luz, mas as entrevistas ajudaram muito. Eu entrevistei pessoas como o cronista esportivo radical dos anos 1930 Lester “Red” Rodney (editor de esportes do jornal do Partido Comunista The Daily Worker, que, nos anos 1930 usou a publicação como um centro organizativo da luta pela integração racial no beisebol) e o atleta olímpico John Carlos (velocista medalha de bronze nas Olimpíadas de 1968, na Cidade do México, que, junto com Tommie Smith, medalha de ouro, subiu ao pódio erguendo o braço direito com as mãos cerradas e vestidas com luvas negras, em um gesto típico dos Panteras Negras, grupo político radical de defesa dos negros nos EUA). Eles me contaram suas histórias sem filtro. Muhammad Ali é o personagem central do livro. Por quê? Ele é o personagem central da resistência política nos esportes nos EUA? Esse livro é sobre a intersecção entre esporte e política radical. E o ponto alto dessa história é o momento quando o campeão mundial peso-pesado de boxe tinha um pé na luta pela liberdade dos negros e um pé no movimento antiguerra (Ali recusou- se a lutar na Guerra do Vietnã). Essa é a história do grande Muhammad Ali, a pessoa a quem de fato devo o título de meu livro. Hoje fica difícil de imaginar, pois sua imagem é usada para vender de tudo, de Sprite a Microsoft, mas nos anos 1960 Ali foi o atleta mais polarizador, caluniado e destacado do planeta. O campeão tornou pública sua jornada política quando começou uma amizade com Malcolm X (líder do Movimento dos Muçulmanos Negros e mais tarde criador da organização Unidade Afro-Americana, não-religiosa e de inspiração socialista. Foi assassinado em fevereiro de 1965, com 13 tiros) e mudou seu nome de Cassius Clay primeiro para Cassius X e depois para Muhammad Ali. Não há palavras para descrever a tempestade que isso causou. O campeão dos peso-pesados, supostamente um símbolo da bandeira vermelha, branca e azul dos EUA, entra no Movimento dos Muçulmanos Negros, organização de Malcolm X que, de forma não-apologética, acreditava na violência dos negros em defesa própria. Se quiser pensar em uma comparação com os dias de hoje, imagine a filha de George W. Bush, Jenna Bush, casada com John Walker Lindh (jovem estadunidense preso em 2001 por lutar ao lado dos talebãs no Afeganistão).
E por que o título What´s my name, fool? (Qual é meu nome, idiota?)? Chamar o campeão de Clay ou Ali dizia tudo sobre você. Dizia de que lado você estava na luta pela libertação dos negros, nas batalhas pelo direito à expressão e, em breve, na Guerra do Vietnã (1965-1975). Essa controvérsia sobre o nome alcançou seu auge em novembro de 1965, quando Ali lutou contra o patrioticamente e orgulhosamente chamado Floyd Patterson, boxeador que já havia sido duas vezes campeão mundial. Na coletiva de imprensa pré-luta, Patterson disse: “Esta luta é uma cruzada para recuperar o título dos muçulmanos negros. Como um católico, estou lutando contra Clay – e, sim, seu nome é Clay – como um dever patriótico para devolver a coroa para a América”. Ali prolongou a luta e golpeou Patterson brutalmente por nove rounds, gritando “Vamos América! Vamos, América Branca! Qual é meu nome? Meu nome é Clay? Qual é meu nome, idiota?” “Qual é meu nome, idiota?” foi uma declaração, um aviso de que uma voz emergente não seria silenciada. Como foi a reação da sociedade e da mídia estadunidense aos exemplos de resistência no esporte? Sempre depende do quão grandes são os movimentos sociais nos EUA. A mídia, quase de forma uniforme, diminui os esportistas que expressam opiniões políticas, principalmente se por trás do que eles falam há um movimento social avançado, ou se abraçam campanhas por justiça. Parece que muitos dos exemplos de resistência no esporte têm um forte componente racial. É isso mesmo? Por quê? Alguns têm. Isso acontece pelo modo como esporte e raça funcionam nos EUA. Esporte, na teoria, é um campo onde todos são iguais, então é um lugar onde os povos chamados “inferiores” podem desafiar ideias racistas em um ambiente muito público. A Olimpíada é o melhor momento para protestar, como fizeram os Panteras Negras em 1968? A Olimpíada é certamente o evento esportivo mais político e global do mundo. Então se torna uma plataforma onde os atletas podem expressar suas visões. Você pretende um dia pesquisar histórias de resistência no esporte que aconteceram em outros países? Certamente espero fazer isso em meus livros futuros, em especial pesquisar a função do futebol na Europa, África e América Latina. Qual será o tema de seu próximo livro? Quero pesquisar sobre futebol e movimentos sociais.
<QUEM É> O cronista esportivo estadunidense Dave Zirin é editor do Prince George’s Post (jornal do condado de Prince George, em Maryland), onde escreve a coluna semanal Edge of Sports (EdgeOfSports.com). Colabora regularmente como comentarista esportivo no programa da rádio Air América “So What Else Is News”, que se propõe a desconstruir as notícias veiculadas pela mídia corporativa, e na revista Slam Magazine, especializada em basquete.
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Comentários + votados
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Paulo Kautscher
03/02/2012 - 09:01
Certa vez lhe pediram que, de batepronto, compusesse um poema. Não negou fogo. Fez um de apenas duas palavras: "Eu. Nós."
CL
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Luiz Gonzaga da Silva
03/02/2012 - 09:56
"...como o de Muhammad Ali, campeão mundial de boxe que está semana completaria 70 anos e..."
Completa 70 anos. Apesar do Mal de Parkinson continua vivo.
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Morales
03/02/2012 - 14:11
Essa é a baixa política do futebol. Dos cartolas e vedetes milionários e sua fogueira de vaidades. Dos jogadores que, embora brilhantes com a bola, sem ela, são uma nulidade (pelo menos, os jogadores...
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pereira da silva
03/02/2012 - 16:06
pôxa morales, roubou o meu comentário. a coisa sendo tocada em alto nível e o colega me saca, luxemburgo, patrícia amorim e ronaldinho gaúcho. parei.
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Gustavo Belic Cherubine
03/02/2012 - 09:03
Onde está o botão para eleger esse comentário implacável como "O melhor de 2012"?
Qual é o meu nome?
De que lado você está?
Valeu!
Gustavo Cherubine.
E por que o título What´s my name, fool? (Qual é...
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Certa vez lhe pediram que, de batepronto, compusesse um poema. Não negou fogo. Fez um de apenas duas palavras: "Eu. Nós."
CL
“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” Revista Lórdine Nuovo
Onde está o botão para eleger esse comentário implacável como "O melhor de 2012"?
Qual é o meu nome?
De que lado você está?
Valeu!
Gustavo Cherubine.
E por que o título What´s my name, fool? (Qual é meu nome, idiota?)?
Chamar o campeão de Clay ou Ali dizia tudo sobre você. Dizia de que lado você estava na luta pela libertação dos negros, nas batalhas pelo direito à expressão e, em breve, na Guerra do Vietnã (1965-1975). Essa controvérsia sobre o nome alcançou seu auge em novembro de 1965, quando Ali lutou contra o patrioticamente e orgulhosamente chamado Floyd Patterson, boxeador que já havia sido duas vezes campeão mundial. Na coletiva de imprensa pré-luta, Patterson disse: “Esta luta é uma cruzada para recuperar o título dos muçulmanos negros. Como um católico, estou lutando contra Clay – e, sim, seu nome é Clay – como um dever patriótico para devolver a coroa para a América”. Ali prolongou a luta e golpeou Patterson brutalmente por nove rounds, gritando “Vamos América! Vamos, América Branca! Qual é meu nome? Meu nome é Clay? Qual é meu nome, idiota?” “Qual é meu nome, idiota?” foi uma declaração, um aviso de que uma voz emergente não seria silenciada.
"...como o de Muhammad Ali, campeão mundial de boxe que está semana completaria 70 anos e..."
Completa 70 anos. Apesar do Mal de Parkinson continua vivo.
Com a palavra o "Rei do Futebol".
"...em especial pesquisar a função do futebol na Europa, África e América Latina."
No país em que o futebol é paixão nacional temos alguns exemplos de lutas e atitudes políticas. A briga de Afonzinho no fim anos 60 e começo dos 70 pelo passe livre rendeu um documentário de Osvaldo Caldeira e música de Gilberto Gil. A luta do meio campista se deu num contexto em que o futebol era usado pela ditadura para entorpecer a consciência da população. O ditador de plantão frequentava estádios e escutava os jogos de radinho no ouvido.
O movimento que ficou conhecido como 'Democracia Corintiana' também foi um momento importante do esporte em plena ditadura. Com a recente morte de Sócrates tivemos a oportunidade de relembrar esse momento.
Já está na hora de alguém fazer um filme ou documentário sobre o que talvez seja o momento polítco mais importante do futebol brasileiro, a rebelião comandada pelo Vasco pela inclusão de jogadores negros no chamado esporte bretão. O jornalista Mario Rodrigues Filho, irmão de Nelson, escreveu 'O Negro no Futebol Brasileiro', este poderia servir como roteiro.
E por fala em política no futebol...
Ligação de Patricia faz R10 decretar saída de Luxa : ‘Já era, já foi’Canção no ônibus, Ronaldinho na praia e choro presidencial: os bastidores da demissão de Vanderlei Luxemburgo no Flamengo
Por Eduardo Peixoto, Janir Júnior e Richard Souza Rio de Janeiro
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2012/02/ligacao-de-patricia-faz-r10-decretar-saida-de-luxa-ja-era-ja-foi.html
Saída do Engenhão no início da madrugada de quinta-feira. Ronaldinho, sem cerimônia, passa por um funcionário e decreta o fim da era Vanderlei Luxemburgo no Flamengo.
- Já era, já foi. Foi bater de frente com a gente e caiu - disse o camisa 10.
O capitão rubro-negro sabia antes da vitória por 2 a 0 sobre Real Potosí que a guerra fria com o treinador terminaria após a partida. E recebeu sinais sonoros e claros de que venceria. Enquanto estava concentrado no hotel Windsor, ele atendeu a três ligações de Patricia Amorim durante a tarde. Em todas, a presidente ratificou que o jogador poderia ficar tranquilo porque Luxa sairia e Joel Santana o substituiria. R10 também deu um sinal, só que com música. Ao deixar a concentração, carregava sua inseparável caixa de som. No ônibus, além de samba e funk, seus ritmos preferidos, ouviu-se uma canção sertaneja. O tema: despedida.
Mais cedo, a presidente foi à concentração levar ingressos para a partida. Não encontrou Ronaldinho, mas deu o mesmo recado a outro líder do grupo.
- Não posso afirmar que todos os jogadores sabiam que o Luxemburgo seria demitido após o jogo, mas grande parte recebeu a notícia na concentração e festejou. Os jogadores ficaram empolgados. A tática da diretoria deu certo - disse uma pessoa que estava no hotel do Flamengo.
Na concentração, a informação da troca de treinador estava disseminada. O próprio Vanderlei Luxemburgo sabia e chegou a comentar com um assessor:
- Acho que vão me tirar. Mas ela vai ter que ter aquilo roxo... E ela não tem.
No trajeto entre o hotel e o Engenhão, a presidente foi informada por telefone que a informação fora publicada no GLOBOESPORTE.COM. E temeu que a emenda complicasse o soneto. A solução emergencial foi desmentir a demissão - mesmo sabendo que a situação do treinador era insustentável. Em entrevista à Rádio Tupi, a dirigente foi enfática:
- Quero desmentir oficialmente essa informação. Nosso técnico é o Vanderlei Luxembrugo. É ano eleitoral no Flamengo e querem desestabilizar a gente antes de um jogo decisivo - disse.
Após o jogo, ainda no estádio, eufórica pela vitória, Patricia celebrava:
- Tentaram me derrubar, mas não conseguiram. Mengo, Mengo, Mengo!
A ênfase de Patricia garantindo a permanência de Luxemburgo soou exagerada para outros membros da diretoria - que já sabiam do acerto com Joel Santana. Luxa contra-atacou de modo sutil: deu uma entrevista política - sem se comprometer nem criticar ninguém, deixando o ônus da demissão para o Flamengo. O objetivo do treinador era esperar a demissão e embolsar a multa rescisória de R$ 4 milhões. Os dirigentes foram dormir aliviados com a vitória - e a classificação para a fase de grupos da Libertadores - mas com um grande pepino a descascar. Como demitir o treinador depois da entrevista de Patricia?
Depois que saiu do Engenhão, Luxemburgo jantou com integrantes da comissão técnica até 6h no restaurante Fratelli, na Barra da Tijuca. Ele avisou que seguiria o planejamento normal de trabalho, mas sabia que a demissão viria.
- Em 50 anos de futebol nunca vi isso. Sei que tudo o que publicaram é verdade, mas não vou fazer nada. Vou esperar eles se posicionarem - confidenciou.
Os jogadores acordaram despreocupados. Ronaldinho foi à praia na Barra da Tijuca, onde foi observado por repórteres do EGO se divertindo ao lado de uma morena. Comentou brincando que "só iria treinar quando o Luxemburgo fosse demitido". O pepino estava nas mãos de Patricia e de seus principais auxiliares: o vice de finanças, Michel Levy; o vice-geral, Hélio Ferraz, e o até então diretor de futebol, Luiz Augusto Veloso. Numa reunião na casa de Ferraz, em Ipanema, Zona Sul do Rio, a sina de Luxa foi confirmada. O Flamengo arcaria com a multa do treinador e o futebol seria inteiramente reformulado, como havia sido planejado.
À tarde, Luxemburgo seguiu para o Ninho do Urubu, onde havia treino marcado para 16h30m. Chegou às 15h55m no CT rubro-negro. Às 16h20m recebeu um telefonema, entrou no carro e rumou na direção da Gávea ainda com uniforme de treino. Ao chegar na sede do clube na Zona Sul do Rio, o treinador foi recebido pela presidente, com quem ficou a sós por alguns minutos. Na conversa, Patricia agradeceu a Luxa... e se emocionou, chorando.
A seguir, entraram Michel Levy e Hélio Ferraz. Levy disse:
- Vanderlei, é preciso entender que o Flamengo é grande. Tem várias correntes.
O treinador respondeu:
- Um clube grande tem que ser comandado por gente grande, que tome decisões grandes.
A seguir, ele se disse desapontado e deixou a sala. Uniformizado, deixou a sede do clube pela última vez como técnico em 2012. Entre os dirigentes que ficaram se ouviu uma frase:
- Enfim, saiu o empresário.
O enredo da demissão
Em rota de colisão com Ronaldinho, o treinador perdeu a queda de braço. A relação era amistosa até metade do ano passado. Porém, os excessos noturnos do astro incomodaram o treinador. Ele fez queixas seguidas à presidente, mas não obteve respaldo. A situação piorou e ficou insustentável no início de 2012.
Logo nos primeiros dois treinos do ano, R10 alegou insônia e ficou dormindo no vestiário. Vanderlei mandou e-mails para Patricia e relatou a situação. Pouco depois, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, a mandatária disse que esses problemas teriam de ser resolvidos no departamento de futebol. Em Londrina, Ronaldinho levou uma mulher para a concentração. As indisciplinas deixaram o treinador irado. Na outra ponta, o irmão e agente do capitão rubro-negro, Assis, dizia ter recebido sinais de que Luxemburgo cairia após os confrontos contra o Potosí
O problema com Ronaldinho não foi o único. A relação com o vice de finanças Michel Levy também foi problemática. Os dois sempre discordaram quando o assunto era reforços. Luxa pediu, por exemplo, André, Wesley e Bolívar. Levy preferiu Kleber, Vagner Love e Marcos González. Ambos trocaram indiretas publicamente em diversas ocasiões O último a se desentender com Luxemburgo foi o diretor de futebol, Luiz Augusto Veloso. A forma pouco atuante dele no cargo iniciou o desgaste. Ao se unir a Patricia e Ronaldinho, o dirigente ganhou a antipatia de Luxa.
A saída de Isaías Tinoco chega a ser surpreendente. O dirigente estava no cargo desde 2005 e resistiu a diversas crises e mudanças profundas no departamento. No entanto, a forte aliança com Luxemburgo o desgastou com a diretoria. Para os dirigentes, ele foi o autor intelectual da foto posada de Ronaldinho e Vanderlei na Bolívia - com a ideia de esvaziar a crise entre ambos. Em vez de fazer isso, acabou irritando a presidente e decretando sua própria demissão.
Essa é a baixa política do futebol. Dos cartolas e vedetes milionários e sua fogueira de vaidades. Dos jogadores que, embora brilhantes com a bola, sem ela, são uma nulidade (pelo menos, os jogadores ainda podem nos encantar com uma jogada brilhante...).
Não tem nada a ver com a política de um Muhammad Ali ou de um Sócrates.
pôxa morales, roubou o meu comentário. a coisa sendo tocada em alto nível e o colega me saca, luxemburgo, patrícia amorim e ronaldinho gaúcho. parei.
"Dave Zirin – O fato é que esporte já é muito político, queiramos admitir ou não. Os políticos usam o esporte como uma boa oportunidade de foto e também durante os ciclos eleitorais"
Pereira, Patrícia Amorin é um caso típico do polítco citado por Zirin. Ela era,ou é veradora do PSDB no Rio, usa o clube para alavancar sua carreira política. Me desculpe por não estar a altura de sua cultura político/esportiva.
Luiz,
Nada contra o seu comentário. Minha observação é um outro comentário quanto ao fato descrito nele. Faço a contraposição entre a "grande política" e a "pequena política" - que Gramsci já fazia:
http://www.acessa.com/gramsci/?id=404&page=visualizar
"Gramsci dizia que existe a “grande política”, aquela que põe em questão as estruturas de uma sociedade, e a “pequena política”, que se limita a administrar o existente. Todo o esforço teórico e prático do neoliberalismo tem se voltado no sentido de desqualificar a “grande política” (que seria “ideológica”, “utópica”, “universalista”, etc.) e reduzir a atividade política ao que Gramsci chamava de “pequena política”. Faz parte desta redução o esforço para subtrair ao debate público as opções de política econômica, aquelas que envolvem um questionamento dos próprios lineamentos da ordem social. "
Muhammad Ali e Sócrates eram pessoas ligadas ao esporte que, também, faziam a "grande política". Amorim, Luxemburgo, Ronaldinho Gaúcho e outros quetais, naturalmente, fazem política, inclusive dentro do esporte, Mas se trata da "pequena política".
vc, morales, respirou fundo, contou até uns...5 mil e respondeu. parabéns. foi gramsciano no estilo, na atitude. eu q sou bem rudimentar, diria q as vezes conceitos são empobrecidos qdo usados de forma , digamos, um tanto arbitrária.
Bom seria se pudéssemos nos orgulhar do Pelé(go) como nos orgulhamos do Ali.
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