Espanha critica endurecimento brasileiro com turistas

Por Adriano S. Ribeiro

GENEBRA - O governo da Espanha critica a postura do Brasil em relação ao endurecimento das condições para a entrada de espanhóis ao País e diz que as novas medidas adotadas pelo Brasil são "injustificadas " e que são "além do normal ". Questionado pelo Estado durante um evento em Genebra, o secretário de Assuntos Externos da Espanha, Gonzalo de Benito, insistiu que Madri tentará reverter as decisões de Brasília antes da entrada em vigor das medidas, no dia 2 de abril.

 

A Espanha vive sua pior crise econômica desde a volta da democracia, em 1977. O desemprego chega a 22% da população e metade dos jovens não tem trabalho.

 

A crise também reverteu o sentido da migração. Entre 2000 e 2007, a Espanha recebeu 5 milhões de imigrantes, a maioria da América Latina. Mas, pela primeira vez em 30 anos, a Espanha registrou em 2011 um êxodo de pessoas maior que a chegada de imigrantes. Uma parte importante desse contingente tem justamente ido ao Brasil.

 

Diante do fluxo cada vez maior de espanhóis, o governo brasileiro decidiu que passaria a tratar os europeus da mesma forma que Madri trata os brasileiros.

 

No final de 2011, a reportagem esteve no consulado do Brasil em Madri, apenas para constatar as longas filas de espanhóis fazendo solicitações de vistos para trabalhar no Brasil. Fontes do Itamaraty, porém, admitiam já na época que um número importante de espanhóis estava desembarcando como turistas no Brasil e então partindo em busca de emprego.

 

A partir do dia 2 de abril, o espanhol que chegue ao País terá de mostrar que tem passagem de volta marcada, comprovação de uma reserva de hotel e dinheiro suficiente para se manter. Isso significará R$ 170,00 por dia.

 

Se o turista for permanecer em casa de parentes ou amigos, uma carta terá de ser mostrada. O documento terá de conter uma assinatura reconhecida em cartório.

 

Negociação - Para o secretário espanhol, Madri não desistiu e vai continuar a pressionar o governo brasileiro a rever suas leis. "Isso é algo que estamos falando com o Brasil. Claro que cada país pode colocar as condições que quiser para a entrada de pessoas em seu território. Mas entendemos que diante do conjunta das relações que temos com a América Latina e em especial com o Brasil, não se justifica que espanhóis tenham restrições a entrada que vão mais além do normal e do que tínhamos até agora ", declarou o secretário.

 

Benito defendeu que haja ainda um acordo antes do dia 2 de abril. Mas não indicou que estaria disposto a rever as regras para a entrada dos brasileiros. " Esperamos chegar a uma solução e que o fluxo de intercâmbio continue com normalidade e sem os obstáculos que sejam os minimamente imprescindíveis ", disse.

 

Nos últimos anos, porém, o Brasil foi o alvo de o maior número de deportações em aeroportos espanhóis entre todas as nacionalidades e, apesar das queixas do Itamaraty, pouco foi feito para rever essa situação. Em 2010, 1,6 mil brasileiros foram barrados na Espanha, sob a alegação de que estavam tentando entrar ilegalmente para trabalhar sem visto.

 

Até agosto de 2011, esse número tinha sido de 1005 e o volume continua em franca queda diante da decisão de brasileiros de não buscar empregos na Espanha.

 

Benito não acredita que a medida brasileira seja agora uma retaliação. " São medidas que vamos tomando diante dos fluxos que temos. Mas esperamos chegar a uma melhoria nas condições para a entrada de espanhóis no Brasil ", concluiu.

 

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,espanha-critica-endurecimento-do-brasil-para-entrada-de-turistas-do-pais,841617,0.htm

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96 comentários
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Durvaldisko

Parece  que só funciona  quando o rabo é  fustigado.Sindrome   de toureiro.Nada como uma boa chifrada ."Hay que endurecer y...penetrar".Che!

 
 
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Djijo

Os espanhois são tão narcisistas que nem se dão conta que o comportamento discriminatório deles estava incomodando. Para eles é como se fosse algo natural entre castas: eles no topo e nós, bem embaixo, depois dos milicos.

 
 
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Antonio Esteves

Será possível que os diplomatas espanhóis nunca ouviram falar em "reciprocidade"?


O pessoal da imigração espanhola tratava os brasileiros como vagabundos e as brasileiras como prostitutas , quando desembarcavam no aeroporto de Barajas .


O Brasil demorou a tomar esta atitude . Demorou muito , diga-se de passagem.

 

Antonio José Esteves Amorim

 
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Andre Araujo

Cem por cento de acordo. Defendo aqui há tres anos uma reação à altura da estupidez da Espanha. Deveriam ter reagido há muito mais tempo, quando uma professora universitaria que iria participar de um congresso em Portugal foi deportada, isso foi em 2009.

Deveriam ter suspendido os voos do Brasil à Madrid por um mês, teria muito maior impacto.

 
 
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Aleandro Chavez

Isto mesmo, André Araujo. De forma geral, sou um crítico dos governos do PT. Neste caso, apoio integralmente.


O turismo é uma indústria importante, mas não é a facilidade de entrada no país - nem a simpatia de seus habitantes - que vai fomentá-la.


É difícil entrar na França, e seus habitantes são um porre, mas recebem por ano o dobro de sua população.


No caso do Brasil, o maior empecilho ao turismo é a segurança, que não tem nada a ver com a reciprocidade na imigração.


Já que não tem impacto na indústria do turismo - que gera emprego - então reciprocidade neles.

 
 
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FabioM

O maior empecilho para o crescimento do número de turistas estrangeiros no Brasil não tem nada a ver com segurança e sim com o amadorismo das infraestruturas turísticas do país. Quanto aos espanhóis, como dizia Maradona, que la chupem!

 
 
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Rafael Wuthrich

Com certeza. Minha primeira experiência no exterior, a trabalho, só foi estragada por se tratar da péssima receptividade das autoridades espanholas aos brasileiros. Enquanto argentinos, alemães e até chineses passavam sem maiores problemas, eu, a trabalho e com tudo direitinho (inclusive com passagem de volta) fui tratado como um imigrante ilegal qualquer. Péssimo. Por isso, mais que justo. E que sejam deportados. O Brasil é uma zona, mas ainda um pouco organizado. Na Casa da Mãe Joana, entra so quem ela quiser, ainda que seja uma bagunça.

 

Rafael Wüthrich

 
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Vinicius Carioca

Eu só acredito vendo...Espero ansiosamente o 2 de abril.

 
 
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Polengo

Cem por cento de acordo, o Brasil devia ter feito isso antes, e demorou.


Mas, convenhamos, esse momento foi mais interessante: quando a água bate na bunda...

 
 
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Bruno Cabral

Concordo plenamente com a reciprocidde. Fui na Espanha em 2006 (ou seja, a SEIS ANOS) e eles já tratavam muito mal os brasileiros. Pelas noticias que ando lendo, está bem pior, e o remédio é esse mesmo.

 
 
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Roberto Veiga

Bom, eu mesmo nunca tive problemas para entrar/sair da Europa, tendo passado por varios aeroportos. Vamos ver agora em março, em Frankfurt. Conheço inumeros brasileiros, a maioria estudantes mas também muitos imigrantes ilegais, que também não tiveram. Até acredito que haja aqueles que foram deportadas por estupidez dos agentes da imigração espanhola, mas continuo acreditando que a maioria dos deportados pecou mesmo por não dar uma passada de olhos nos requisitos para ser admitido em solo europeu. Acham que a não necessidade de visto significa que basta comprar a passagem... e chegar la.

Em todo o caso, as medidas têm de levar em conta, sim, a reciprocidade. As exigências têm de ser as mesmas, não pode haver vantagem do espanhol que entra aqui em relação ao brasileiro que entra la.

 
 
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Andre Araujo

Meu caro eu tambem nunca tive qualquer problema no Aeroporto de Barajas, estive lá em maio do ano passado, a trabalho e a imigração não durou nem um minuto. Mas as estatisticas estão ai e são indismentiveis, os brasileiros são o numero 1 em quantidade  de deportados.

 
 
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Roberto Veiga

Nao duvido das estatisticas, mas as deportações são imotivadas, a maioria? Vejo muita gente reclamando que foi deportada por "preconceito contra brasileiros" (algo que não senti um dia que fosse em 4 anos de Europa) mas quando você tem a oportunidade de analisar melhor a situação, vê que o reclamante chegou no aeroporto so com a passagem e uma cartinha de algum amigo europeu disposto a recepciona-los, ou nem isso, e deu o azar de cair na triagem do aeroporto. O fato dos paises europeus não exigirem visto para brasileiros não muda o fato de que impõem requisitos para admitir a entrada.

 
 
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Erick M

Exatamente, Antônio. É bom que se diga que a reciprocidade é um princípio do direito internacional; não é simples retaliação ou vingança, como finge acreditar o tal do Benito.

A reportagem do Estadão também foi muito mal nesse ponto. Não explicou isso, não falou que as exigências feitas agora são idênticas aquelas que a Espanha aplica aos brasileiros, acima do de outros países da UE.

 

Erick

 
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hc.coelho

Normal do Estadão. Ele até concordava com o governo espanhol; onde já se viu brasileiro que elege o Lula ir ao principado da Espanha, terra do grande e saldoso, para o estadão, que fique claro, francisco franco.

 
 
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Erick M

Sei não. Às vezes tem matérias muito boas lá; a parte econômica concorre, pau a pau, com o Valor, embora com uma linha mais de oposição. Mas, às vezes, vem umas matérias dessas que ... só Deus!

 

Erick

 
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Horridus Bendegó

O tratamento que recebi em Barajas - só para uma conexão - me fez, indignado, decidir que na Espanha não ponho mais os meus pés.


A reciprocidade vem é tarde.  

 
 
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Mário Mendonça

Nassif

Será que os espanhoes já se esqueceram como tratam os brasileiros é no aeroporto de barajas????

Pau que dá em Chico, também dá em Francisco. Chama-se reciprocidade......

 

Mário Mendonça

 
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Rafael Wuthrich

Até hoje sinto arrepios quando lembro da policial de alfândega recostada no balcão, com cara de poucos amigos, olhando meu crachá, carta de recomendação e decidindo se iria me deportar ou não.

 

Rafael Wüthrich

 
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Marco Antonio L.

"medidas injustificadas"- ou não sabe o que acontece em seu próprio país ? ou está achando que nós somos babacas. Prepotente.

 
 
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Ritinha

Eles acham que somos babacas prepotentes.

 
 
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Francisco Ernesto Guerra

Olho por olho, dente por dente.

Nada como um dia após o outro.

Aquele que com o ferro fere, com o ferro será ferido.

Um dia da caça, outro do caçador.

Nunca diga que desta água nunca beberei.

É a volta do cipó de arueira no lombo de quem te mandou dar.

 

É só escolher qual delas é mais oportuna. Ou serão todas?

 
 
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André Oliveira

Mas era justamente a Espanha o país no qual, nesses últimos anos, os turistas brasileiros eram mais maltratados ao chegarem no aeroporto. Não são poucos os relatos de tratamento humilhante e de desprezo. Me lembro especificamente do caso do Guinga.

 
 
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Renato Lira

Verdade, malungo  André.


O Guinga foi agredido por um covarde agente espanhol, perdendo inclusive um dente.


Esse cinismo destes babacas espanhóis é asqueroso.

 
 
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Ana Barbosa

Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Amigas que trabalham na imigração brasileira (Polícia Federal) dão conta de que diariamente retornava da Espanha (impedidos de ingressar na Europa, via Espanha) uma enxurrada de brasileiros.

Mesmo que o destino não fosse à Espanha a imigração espanhola já fazia o “pente fino” no trânsito (o que a lei internacional não permite).

Intrigados, os policiais brasileiros passaram a entrevistar os brasileiros para saber as razões do grande número de “impedimento”.

Os relatos dão conta de absurdos inimagináveis no que se refere ao tratamento aos brasileiros na Espanha.

Agentes de imigração espanhóis chegavam a gritar no saguão de desembarque (ou de trânsito): “brasileiros para esse lado, os demais para outro”. O que se sucedia, contando, ninguém acredita.

O tratamento sempre foi de boi rumo ao matadouro.

O Ministério das Relações Exteriores tem conhecimento desses relatos e da realidade enfrentada por brasileiros na Espanha.

No Brasil, com todo o rigor, os espanhóis ainda serão tratados com dignidade.

Portanto, a choradeira das autoridades espanholas não procede.

 
 
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Flavio Moreira

As estatísticas estão aí e não podem se desmentidas. Entretanto, posso dar um testmunho pessoal que contraria um pouco essa regra: em dezembro viajei à Europa, de férias, e entrei por Barcelona, já que o vôo da Singapore Airlines fazia escala nessa cidade.

Ao passar pela imigração espanhola, esperando ser hiper-questionado sobre a minha ida ao páis, deparei-me com funcionários muito simpáticos que viram meu passaporte, fizeram as perguntas de praxe (razão da viagem, para onde eu iria da Espanha, quanto tempo iria ficar) e quando informei que ficaria na cidade apenas uma noite pois embarcaria na manhã do dia seguinte para Londres o funcionário disse-me, com um sorriso, que eu deveria voltar à Espanha e visitar Barcelona, pois não me arrependeria. Fiquei agradavelmente surpreso com a recepção.

Há algumas exceções à regra.

Abs,

 
 
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Marcos Antônio

Bem, já sexta economia...

Seria interessante nos tratar um pouquinho melhor...

O tempo de Cortes já passou...

(Detesto duplo sentido, desculpem...)

 
 
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carlos afonso quintela da silva

Seria  hilariante se não fosse dramático. A situação espanhola é de "matar cachorro a grito". Estão precisando recorrer a todos os meios para conseguir sobreviver. A emigração é uma alternativa a cada dia mais indispensável. Entretanto, a arrogância com que nos trataram está, agora, recebendo a resposta adequada de nossas autoridades. Só espero que o governo brasileiro não esqueça de providenciar aquela salinha nos fundos do aeroporto com um penico e uma moringa com um copo coletivo para deixar os caras esperando o vôo  de volta. Ninguem esperava que a  humilhação viesse de volta em tão pouco tempo. O Itamarati precisa deixar o Gonzalo de Benito sentado na sala de espera de nosso representante em Madrid durante algumas horas, para que ele tome consciência da pequenez da nação que ele representa.

 
 
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marcos gustavo

Você falou tudo que eu penso. É exatamente, isso. Eles são arrogantes, nos chamam de vagabundos, sofremos discriminação e eles são quem mesmo?????? Nação que cresceu nos últimos anos por conta de especulação imobiliária/financeira e por incentivos do Euro.

 
 
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Maralina Matoso

Gostei de ler isso. 

Me sinto de alma lavada, pois na ocasião das deportações de brasileiros, eu fiquei muito indignada com a humilhação que os mesmos eram submetidos em Barajas.

Espero que o Brasil não ceda nenhum milímetro de suas decisões.

 
 

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